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28 maio 2009

Será democracia, senhor César?

Numa altura em que muita gente, incluindo o Presidente da República, tenta transmitir e fazer compreender às pessoas que é fundamental e essencial exercerem o respectivo direito de voto e que este, entre outros aspectos, é garantia do exercício e existência da democracia, há políticos, mesmo que involuntariamente, que estão sempre a dar pretextos para quebrar os ténues elos que ainda as ligam a essa ideia fundamental.

Desta vez, foi o senhor Carlos César quem decidiu apelar ao voto de uma forma no mínimo original. Fazendo fé na notícia, o senhor Carlos César parece não compreender que a democracia se rege por princípios diferentes daqueles que postulou como necessários para o bom exercício dos cargos políticos.

Tornar obrigatório o voto não é a melhor forma de incentivar os eleitores a participarem nos actos eleitorais; pelo contrário, sendo uma medida ditatorial, é um convite directo ao respectivo afastamento e ao aumento do abstencionismo e, mais radicalmente, à desobediência civil, caso, algum dia, uma cabeça mais iluminada decida passar da teoria à prática.

Da minha parte, se assim for, serei o primeiro da barricada, exactamente porque, em democracia, tenho o direito de escolha e esse engloba, por muito que custe ao senhor Carlos César, o direito de não votar, sejam quais forem os fundamentos da minha decisão.

Os políticos são e terão de ser sempre responsáveis, independentemente do número de eleitores que os elegeram, sob pena de a sua "irresponsabilidade" no exercício dos cargos que ocupam serem a principal razão para o alheamento dos eleitores dos actos eleitorais, ao contrário do que afirmou o senhor Carlos César.

Para lá disso, só por ingenuidade é que se poderá pensar que a legitimidade democrática advém do número. Esse tipo de contabilidade é própria de "democracias populares", nunca de um regime solidificado como o português.

Penso eu, ou melhor, pensava. Ainda bem que hoje é dia 28 de Maio. Just in case!