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27 junho 2011

O Expresso continua Expresso

A minha geração leu e viveu o "Independente" com a força e frescura contestatárias próprias da juventude recém-adulta. Com as virtudes e defeitos inerentes, que bem que isso nos fez. Hoje, pensamos a coisa pública pela nossa própria cabeça, preocupamo-nos activamente com a sociedade e praticamos aquilo em que acreditamos, sem subterfúgios. Liberal-conservadora, é uma geração sem medo de pensar e de afirmar o que pensa, assumindo a responsabilidade que tal acarreta. Com valores.

Não divagando, havia outro semanário, dito de referência (e assim se auto intitula ainda hoje), que qualificávamos como "cata-vento", por se resguardar numa alegada seriedade equidistante que apenas sublinhava a sua função regimental, quase renegando as causas da sua fundação.

Epítetos como "espesso" e "saco de plástico" tornaram-se na sua griffe.

No meu grupo de amigos, era também conhecido como o "haltere", por causa dos intelectuais e respectivos imitadores que carregavam aqueles quilos de papel, até à esplanada. Era peso que ficava bem a quem buscava a bica e status.

Era e representava aquilo que nós não éramos nem queríamos: um no pasa nada.

Parece que agora tem um novo estatuto editorial que, escudado numa qualquer subjectiva excepcionalidade, quer transformar as notícias em não-notícias.

Parece, portanto, que continua a ser um longo bocejo social.

Fiel à não compra, parece que não tenho perdido nada ao longo destes anos.

Longa vida ao Expresso!