Dois apontamentos sobre cada um dos dois vindouros actos eleitorais (por enquanto apenas no âmbito do continente).
Autárquicas e o debate António Costa-Pedro Santana Lopes. Fresquinhos da guerra dos vídeos na net, os dois candidatos à maior Câmara Municipal do país esgrimiram ideias com clara vitória para o candidato social-democrata. António Costa tentou usar e abusar da táctica “você está nervoso, acalme-se”, não acautelando, porém, que Santana poderia usar isso a seu favor, como o fez. De facto, o eterno Santana assumiu-se como um homem com o sangue na guelra, mais hands on approach, ao contrário de uma abordagem passiva, de cadeira de gabinete. No entanto, o elemento vital terá sido as discrepâncias evidentes que encerra a candidatura de Costa. Santana percebeu que aquela coligação colada à cuspo está pejada de contradições e encontrou ali um filão que aproveitou até se lhe acabar o tempo. Helena Roseta pensa duma forma sobre um assunto, Sá Fernandes doutra forma sobre outro assunto, etc. Uma trapalhada. De resto, goste-se ou não do estilo (confesso que não aprecio), a verdade é que Pedro Santana Lopes tem a escola toda e se ganhar, estará novamente relançado politicamente. Até onde, é a questão.
Legislativas: Numa medida claramente eleitoralista e demagógica, Sócrates anunciou contas poupança no valor de 200€ para bebés nascidos a partir de Setembro. O truque está na impossibilidade de se tocar nesse dinheiro até se atingir a maioridade. Ou seja, ninguém beneficia, as crianças, porque daqui a 18 anos, o valor de 200€ ou 500€ será outro. Os contribuintes, os pais? … A banca? Apenas a certeza que estes governantes pensam que os eleitores são estúpidos, como alguém já disse claramente, pode explicar a aprovação duma medida destas. Se era para brincar, antes prometessem mais 150 mil postos de trabalho.