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21 junho 2011

Quando outros valores se alevantam

No tempo de antena que lhe foi concedido, embevecidamente, em 23 de Maio último pela RTP, na sua habitual e fina ironia, o declamador de poesia afirmava, com aquela convicção arrogante de quem está habituado a Bobies, Tarecos e aquiescência inviolável, que “André Villas-Boas é inegociável. Tem uma cláusula de rescisão de 15 milhões de euros, o que para determinados clubes não é significativo, mas se baterem a cláusula ele não vai querer sair”. E acrescentou, no seu L’Ètat c’est moi, que tal se devia ao facto de “ser tão portista quanto eu”, ao contrário de Mourinho.

Para os acocorados, o facto de ser o amantíssimo adepto a dar um czariano chuto nas nádegas do clubismo, ao contrário do mouro, e não adepto, Mourinho, que ficou mais um ano, é irrelevante. Dirão que será um bom negócio e, mais, é previsível que a seguir venham dizer que até já estava previsto, dada a acutilância e perspicácia da parda eminência.

Lembrando José Régio, bastamente declamado quando é preciso entreter a malta, Villas-Boas depositou-lhe um “só sei que não vou por aí”, com a mesma frieza com que serviram a Álvaro de Campos tripas à moda do Porto frias e, como todos sabem, estas não se servem frias, mas foram servidas frias. Siberianamente frias.