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25 julho 2009

FACES

O jovem deputado César assinou um artigo no AO onde insinua que a blogosfera é composta de uns quantos cobardes anónimos que, certamente, interpreto eu, se escondem sob a capa da impessoalidade de um qualquer nome para denegrir a seriedade, o bom nome e o trabalho daqueles que, como o próprio, se dedicam altruisticamente à causa pública.

Não conheço o jovem César, apenas sabendo, pelos panfletos de campanha, que o mesmo é filho do seu poderoso pai, que é estudante e, vai fazer um ano, deputado regional, desconhecendo-lhe obra produzida, talvez por ignorância ou falta de pesquisa minhas. Aliás, neste aspecto, não saberei mais do que os demais açorianos, sendo que, por ser defensor acérrimo da vida privada, me é completamente indiferente o que o mesmo faça da e na dele. Interessa-me, apenas, aquilo que o mesmo produza enquanto representante eleito e o respectivo reflexo na vida dos cidadãos e, por isso, o que diz em público, público é.

Nesse aspecto, o jovem deputado César deu o corpo à crítica uma vez que, como escreveu, sendo “os Açores, mesmo grandes, mesmo dispersos geograficamente por 9 ilhas, 19 concelhos e 156 freguesias, são uma terra pequena, onde factos e histórias de vida se entrecruzam”, é vox populi que o mesmo nunca terá trabalhado na vida, com excepção de estudar, até ser eleito deputado (desde já me penitencio publicamente, se tal não corresponder à verdade), além de ser filho de quem é.

Por isso não causará surpresa que o mesmo tenha aposto a sua assinatura em frases como esta: “o curioso mesmo é que um debate no twitter ou até mesmo no facebook, é sempre muito mais frontal, porque identificado, do que um debate na blogosfera, onde a páginas tantas somos confrontados por anónimos, que não assinam por 1001 razões”.

Mostrando, neste particular, estar aquém e além da realidade diária daqueles que labutam duramente, mas nunca dentro dela, ainda acrescentou que o recurso ao anonimato na blogosfera se deveria a razões tão singelas e, para ele, tão patéticas quanto estas: “O meu patrão, se descobre, despede-me, e outras coisas tão ou mais engraçadas que nos trazem à memória outras histórias menos contundentes mas tão ou mais hilariantes”.

Obviamente que isto de se pretender escrever umas quantas ideias, por mais claras e acertadas que sejam, em contra-ciclo com as orientações e o pensamento unidireccional do “patrão”, e, simultaneamente, ter de pensar no respectivo ganha-pão e no futuro da família, é impensável, em democracia, pois a mesma até permite a liberdade de expressão e ele, Francisco César, até é a prova disso (não que discorde do patrão mas porque diz o que pensa, o que é salutar e de louvar), sendo um exemplo para todos nós, incluindo os cobardolas do Metropolitano Açores.

Aliás, com uma afirmação tão veemente como esta, a blogosfera poderá estar descansada porque, nos Açores, não haverá qualquer tique de censura, como na China, e, além disso, teremos a garantia (palavra de deputado!) de que em quaisquer serviços públicos (os privados é outra coisa) se houver algum funcionário mais afoito a emitir opiniões diferentes das respectivas chefias, jamais será remetido para um qualquer cubículo, sem distribuição de trabalho, apenas por ser diferente. Em nome da liberdade de expressão, claro!
No mais, o twitter é que é bom porque é moderno, mostra que quem o usa é fashion e lá até podemos “falar” de qualquer pessoa que esteja ao nosso lado, sem termos a maçada de a interpelar e confrontar com ideias diferentes ou com as suas próprias contradições, não termine aquilo numas quaisquer bastonadas queirozianas, ou (ironia!) se possa recorrer ao mesmo por não se ter ideias para expor ou contrapor, pois o importante é a identidade.

Moral da estória? Sem saber explicar a razão, tudo isto me faz lembrar as pequenas discussões que tinha com o meu pai relativamente aos aumentos de mesada: eu pedia, ele dizia que não, fingia uma birra, fingiamos amuo os dois e depois lá vinha o aumento, abraçado pelo genuíno e eterno amor paterno-filial.

Da minha parte, só tenho a dizer: Obrigado, pai, porque aprendi a negociar com a minha descendência!



Post-Scriptum: Na minha caixa de comentários, por todas as razões que quiserem, não há nem haverá moderação de comentários.
Post-Scriptum 2: Um slogan de campanha: Liberdade de Expressão, Democracia em Acção.