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18 julho 2011

Rally, turismo e cidadania

Não somos apenas um nome ou um número de contribuinte.” Foi mais ou menos nestes termos que o presidente do Governo Regional apelou ao exercício da cidadania activa. Não posso deixar de concordar com a frase, tal a evidência.

Significa isto que qualquer cidadão, para o bom exercício daquela, pode e deve questionar a administração da coisa publica, sempre que o entender e no livre exercício dos seus direitos, nas suas variadas acepções, sob pena de inocuidade, quanto aos ditos, e de vacuidade, quanto ao titular.

Ainda que as perguntas sejam eventualmente consideradas um disparate, qualquer cidadão tem o direito de saber como é gerido o erário público, sem que lhe seja apontado o estigma da idiotia.

Sendo certo que o País e a Região atravessam uma crise económica gravíssima, seria desleixo meu não pedir esclarecimento sobre a aplicação dos dinheiros públicos. Essa atitude mais não seria do que a demissão do direito de participação cívica activa. E, por muito incómodo que seja, todos temos o direito de pedir esclarecimentos e, acima de tudo, de ser devidamente esclarecidos.

O SATA Rally Açores não me incomoda. Pelo contrário, sou adepto. No entanto, não posso ser obtuso e omisso. Daí que, no mínimo, e enquanto contribuinte, tenha o direito de perguntar aos patrocinadores públicos quais os montantes totais financiados, qual o retorno esperado para a Região e para a SATA, face ao dispêndio, qual a política de financiamento preconizada para o futuro, atentos os resultados anteriores, assim como, porque recebe dinheiros públicos, tenha o direito de pedir ao clube organizador que preste contas. A isto, chama-se exercício activo da cidadania.

Numa altura em que a Região continua à procura da bússola do Turismo, afinal o fundamento último do elevado financiamento do rally, tenho o direito de perguntar sobre o que nos resta depois da injecção de capital e da (curta) exposição mediática. O turismo estruturado nos Açores não existe. O turismo açoriano vive de medidas avulsas, aleatórias e desfasadas no tempo (como esta última da captação tardia do turista nacional), procurando remediar problemas conjunturais, sem mostrar uma lógica sequencial. Para um leigo, como eu, e fazendo fé no que profissionais do sector disseram publicamente, mais parece que estes actos avulsos apenas contribuem para desbaratar, onerando os cofres regionais, sem qualquer retorno, por indefinição política.

Apesar de andarmos sem rei nem roque, alguns entusiastas ficaram abespinhados por terem sido levantadas estas questões. Preferirão o silêncio, eventualmente com receio de perder o rally. Eu também não o quero perder. Não obstante, quero, também, rigor nas contas públicas e quero, igualmente, clarificação das políticas de turismo e desportivas.

É assim tão incómodo? É assim tão difícil? Para mim, não, e, a julgar pelas palavras do presidente do Governo Regional, para ele também não. Por isso, porque esperamos?