17 fevereiro 2011
12 janeiro 2010
Para lá do Casamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo
Em todo o caso, e apesar das duvidas quanto à forma como a máquina funciona, a verdade é que no seu exterior, a franja das causas fracturantes agarra a bandeira e luta por ela, de forma verdadeira e altruísta, quero crer, pois dedicam-lhe toda a sua energia e dedicação, pelo que nos deve merecer, mesmo assim e apesar das divergências, todo o apreço.
Tente-se, então, analisar a questão em si mesma, pesando os prós e contras para a sociedade no geral. Mas, e porque este é um assunto que toca a mais privada da intimidade do ser humano, não posso alinhar, em consciência, na leveza com que se tem abordado o tema. Assim sendo, só posso dizer que acredito que os possíveis benefícios que o casamento entre pessoas do mesmo sexo possa trazer não suplantam os possíveis problemas. Estou certo que se poderia ter achado uma solução que não afrontasse a nossa conservadora sociedade, uma solução que respeitasse a diferença e que, acima de tudo, garantisse todos os direitos e deveres para todos os casais, independentemente do género. Mais do que recear que esta situação venha acirrar homofobias disfarçadas ou abertas, temo que possa ter implicações no alicerce que sustenta as nossas vidas em comum.
O Estado, entidade criada com o Contrato Social para mediar os conflitos do homem no seu estado natureza, deve garantir a Liberdade de cada indivíduo, mas também deve garantir os meios para uma sã vivência entre todos. Neste caso, e perante a esfarrapadíssima desculpa do PS de não ir em frente com o casamento entre pessoas do mesmo sexo na anterior Legislatura porque não fazia parte do Programa de Governo, só se pode concluir que esta é uma medida que, por um lado, atira areia para os nossos olhos, mas por outro anui a interesses submersos. Perante a importância do assunto, exigia-se outro tipo de princípios que norteassem o processo de decisão.
26 dezembro 2009
Culturalmente Menores
Desconheço por completo a origem destes números, pois se ainda é relativamente fácil encontrar estatísticas sobre idas ao cinema, já sobre livros parece-me altamente duvidoso e, pior ainda, sobre espectáculos ao vivo. No entanto, acho que consigo perceber a interpretação que o Vítor faz dos números, principalmente devido ao título do post.
Para mim, no entanto, a questão é outra e é simples: esses números abrangem, por exemplo, concertos de filarmónicas, espectáculos de ranchos de folclore, concertos de grupos de música popular? Eu arrisco a responder: não, certamente que estes espectáculos não entram naquelas estatísticas. Logo, e seguindo a lógica presente no título do post do Vítor Marques, equivalem a ignorância.
Mas será assim? O que é a “cultura”, afinal? Quem define o que é, ou não é, “cultura”? Que critérios norteiam essas escolhas? Um nórdico que canta aos gritinhos e usa camisolas pretas de gola alta é “cultura”? O rancho folclórico da minha Freguesia a actuar na Casa do Povo não é “cultura”? Sendo assim, de facto, “cultura” deve custar mesmo muito.
A conclusão é óbvia: a “população” (povo é muito comunista) deverá aceitar e pagar a “cultura”, uma vez que é para o seu próprio bem, para combater a sua ignorância. Os que sabem o que é “cultura” vão-lhes mostrar o caminho, sem pedirem (quase) nada em troca. Só que, infelizmente, vivemos numa sociedade que ainda permite que a “população” escolha consumir a “cultura” que entende.
Ainda temos um longo caminho a percorrer em relação à “educação cultural” da “população”. Mas nem tudo são más notícias, porque para nossa sorte haverá sempre um punhado de altruístas entendidos na matéria prontos a indicarem-nos o bom caminho. O primeiro passo está dado: colocámos estes altruístas em directores das casas de espectáculos, dos museus, das instituições de divulgação do bom cinema. Agora falta o resto: legisle-se para obrigar as populações a irem assistir a tudo, poderão não gostar no começo, mas depois .... bem depois, uma coisa será certa, teremos um futuro radioso culturalmente.
* O post em questão não apresenta informações vitais em relação aos números, como a fonte, ou o universo. Deste modo, concluí que se tratam de totais nacionais. Se não for assim, apresento, desde já, as minhas desculpas, adiantando, porém, que sou totalmente alheio a esta falha.
15 dezembro 2009
Contributo para o Problema do Consumo de Drogas - Legalização.
A questão começa desde logo em definirmos o que são “drogas”, para sabermos o que queremos combater. Não parece producente, na óptica do combate, meter tudo no mesmo saco. Há que destacar aquelas que são verdadeiramente trágicas e graves, daquelas que, tendo malefícios, são facilmente controláveis. A sociedade já se encarregou de fazer essa distinção: ao chamar “drogas pesadas” a umas e “drogas leves” a outras. É comum falar-se em heroína e cocaína quando se fala em “drogas pesadas” e, do mesmo modo, quando se fala em “drogas leves” fala-se em haxixe e derivados de cannabis. Entretanto, surgiu (ou ressurgiu) toda uma panóplia de outras substâncias de origem totalmente química que ficaram num limbo, mas que não hesito em colocar incluir nas mais prejudiciais. Mas além destas, que são ilegais, há imensas outras substâncias que poderiam ser catalogadas como “drogas”, como as bebidas alcoólicas e alguns medicamentos. A diferença entre umas e outras é a legalidade. Enquanto as primeiras, ilegais, estão entregues ao mercadonegro (traficantes), as segundas, legais, estão sob o escrutínio do Estado e, apesar do sistema não ser perfeito, a sua venda e respectivo consumo são controlados.
Perante este panorama temos o tráfico ilegal a operar sem qualquer tipo de regra, por isso aproximam-se, quais predadores, das vítimas mais insuspeitas. Daí assistirmos aos mercados ao lado das escolas. Daí também a tal passagem das chamadas “drogas leves” para as chamadas “drogas pesadas” ser mais facilitada, pois quem as vende ao consumidor é a mesma pessoa e essa pessoa está sempre ali ao lado. Ou seja, da forma como as coisas estão, é muito fácil.
Assim sendo, parece-me que, actualmente, o caminho não poderá ser outro que não a legalização do haxixe e dos derivados de cannabis. Permitir que sejam entidades devidamente certificadas, com controlo do Estado, a vender estas substâncias e, assim, afasta-las o mais possível da juventude. Não se pense, por algum momento, que esta legalização seria nos termos do Peter Tosh, onde se encoraja o consumo, pelo contrário esta legalização teria como primeiro objectivo retirar estas substâncias das ruas e dificultar o acesso (principalmente dos jovens) a elas. De resto, incomoda-me quando se inclui no mesmo saco medidas como liberalizar o aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, transgénicos e legalizar "drogas leves". Cada assunto é, evidentemente, diferente e se é verdade se há uma franja da sociedade que diz "sim" a todas essas respostas (quase automaticamente, diria eu), outros há que as pensam e que têm respostas diferentes para cada uma delas.
Desta forma, aos traficantes restaria apenas a venda das verdadeiras drogas, as tais pesadas. Isto, por um lado, levaria a que as polícias pudessem concentrar todos os seus meios no real problema e, por outro lado, em termos de mensagem de desencorajamento ao consumo de droga, seria muito mais eficaz. Pois, quando se diz a um jovem “as drogas são terríveis para a tua saúde e para a tua vida” e depois ele, inevitavelmente, experimenta o haxixe ou a cannabis e constata que afinal não é bem assim, será apenas normal que ele considere que a inverdade é extensível ao resto e como já se sabe o resto está mesmo ali à mão.
Evidentemente, estou a falar no campo das hipóteses e sem nenhum tipo de estudo científico para sustentar estas posições, apenas o conhecimento empírico da vida real que me rodeia. Ademais, estou perfeitamente consciente que, por exemplo, em relação ao haxixe seria muito difícil chegar-se a este tipo de solução, sem haver um entendimento a nível internacional, uma vez que só é produzido nalgumas zonas do mundo.
Mas, uma coisa é certa, deste modo não se pode continuar, sob pena das estatísticas piorarem. Há que encontrar soluções práticas e viáveis. E este é apenas um contributo.
03 março 2009
Apresentação
28 novembro 2008
Para o Povo Açoriano
Emanuel Carreiro foi o responsável por um programa que irá para o ar na RTP-A brevemente. Nas suas palavras, trata-se de uma trilogia sobre o descobrimento, povoamento e actividade económica dos primórdios dos Açores. Adiantou também que é uma forma pedagógica de fazer passar a História dos Açores.
Tive a sorte de conhecer o Emanuel Carreiro há bem pouco tempo e fiquei desde logo com a impressão que se trata de uma pessoa de grande sentido cultural, com uma bagagem intelectual impressionante e com um trato que (infelizmente) vai rareando.
Daqui parte então uma humilde homenagem de reconhecimento a Emanuel Carreiro. O programa que agora nos oferece será mais um contributo para a tão desejada afirmação do povo açoriano, que só se conquista quando esse mesmo povo conhecer e se revir na sua própria História, na sua própria origem. Bem haja!
01 outubro 2008
'Chico-Espertismo'
10 março 2008
(Re)descobrir

21 dezembro 2007
Coisas que chateiam
