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08 junho 2009

Perda de Identidade, ou Inevitabilidade Evolutiva?

As sociedades têm evoluído em várias áreas e de tendo por base uma identidade própria. Mas estas evoluções trazem consigo diversos desafios, e até problemas a estes inerentes. Mas este paradigma parece estar a ser alterado.

Vou centrar-me nas questões dos valores, das crenças, das normas (não Leis) e dos padrões de comportamento socialmente aceites, pois estas são, grosso modo, as formas informais de controlo social, ou seja, da manutenção de uma ordem social. Quando estes itens sofrem um modificação, estamos perante uma Mudança Social.

Quando uma Mudança Social ocorre de maneira muito rápida, dela advêm factores negativos. Uma mudança repentina, provoca insegurança e confusão nos indivíduos. Se a esta celeridade na alteração dos valores, crenças e normas vigentes, somarmos um desfasamento entre vários grupos dessa sociedade, então está aberto caminho para uma desorganização social, que pode conduzir a problemas sociais.
Num Mundo Globalizado - como este que “escolhemos” -, as mudanças são cada vez mais aceleradas, logo os problemas difundem-se de um forma generalizada, em catadupa.

Estamos num ponto de viragem, ou talvez, até de saturação. O Planeta terra, outrora revestido por uma paleta de cores, fruto do relativo isolamento e manutenção dos modos de vida de cada país, e pela preservação das suas culturas e costumes, caminha agora para uma certa uniformização. Os meios de comunicação social, bem como as facilidades de mobilidade, contribuem, em larga medida para este cenário actual.

Quando me refiro a “saturação”, digo-o pois as gerações que nasceram e cresceram na era da Internet e das TV´s por cabo, são cada vez mais monótomas, interiorizando e, por consequência, exteriorizando, as novas culturas de massa, relegando para segundo plano, e até desvalorizando ou ridicularizando, as suas culturas de origem.

Estaremos perante uma crise de valores?
Eu temo bem que sim, pois a perda e um controle social - indispensável para a organização social, que tem por base a continuidade de um comportamento padronizado e previsível -, conduz uma sociedade à tal confusão e insegurança dos seus indivíduos. (que atrás refiro)

A tecnologia - também ela um factor de mudança social -, tem levado a melhor sobre as novas gerações, quase me arrisco a dizer que é, nos dias de hoje, o cerne da mudança social que se vivência, pois o seu ritmo de actualização e inovação, tem desviado os jovens das suas culturas e costumes locais. A padronização de comportamentos, a imitação do que está na moda, e a reprodução dos estilos a ela inerente, destroem a paleta de cores que revestia o nosso Planeta, tornando-o cinzento e enfadonho. Acabar com a diversidade, é, a meu ver, regredir na evolução social.
A evolução, mudança social é inevitável e, até, desejada. Mas quando é levada a cabo de maneira abrupta e difusa, provoca problemas sociais imprevisíveis e, seguramente, uma perda de diversidade.

Como mudar esta tendência actual? Será possível e/ou desejável combater este “cinzentismo”?

31 maio 2009

Uma Sociedade de "Casos"

O ponto de partida deste post, é o designado “caso Alexandra”. Já todos o conhecemos, pois a Comunicação Social pegou neste drama pessoal e tornou-o numa desgraça pública. O denominado 4º Poder, tem tido o mau hábito de retirar da cartola das fatalidades sociais, alguns “casos” que nos chocam e nos despertam para os dramas alheios, martirizando-nos durante dias com os relatos chocantes e com as mais pequenas trivialidades de cada um destes “casos”.

Se por um lado a Comunicação Social nos deve despertar para algumas realidades esquizofrénicas e escondidas, por outro, não deve – em minha opinião – explorá-los durante dias a fio, como se fossem elas as únicas e as mais dantescas. Estes “casos” acabam por ter todo o enfoque mediático e o privilégio da denúncia pública. São acompanhados pelos mais diversos especialistas na matéria, que os dissecam ao mais ínfimo pormenor por detrás do grande ecrã, aos microfones das rádios ou nas páginas dos jornais, relegando para segundo plano outras realidades e angústias que mereceriam igual preocupação e indignação, mas que sem tamanha exploração e publicidade, são esquecidas e permanecem escondidas.

É certo e sabido, que tais “casos” – pela dimensão mediática que atingem -, acabam por ser alvo de um tratamento especial, puxando para si todos os recursos e atenção que o “caso” requer. Passam por cima daqueles que, sendo igualmente gravosos ou chocantes, não têm a duvidosa regalia de serem os eleitos dos OCS.

E nós, cidadãos desta Sociedade de “casos”, também nos deixamos, por vezes, alimentar por este sensacionalismo frenético, pois assim que conhecemos os primeiros contornos destes “casos” ficamos como que dependentes e desejosos dos relatos e pormenores que a imprensa vai desfiando, alheando-nos das adversidades com que nos deparamos no nosso quotidiano, ou que se encontram na nossa cidade, freguesia ou rua.

Uma sociedade é constituída por vários micro cosmos, por outras pequenas teias de relações e realidades. O meu ideal é o de uma sociedade constituída por várias comunidades, que olham mais para o seu interior do que para o seu todo, e que, dessa forma, conseguem descobrir os seus males (ou “casos”) antes de se depararem com o infortúnio colectivo.

Se cada um de nós olhar à sua volta, em vez de se centrar naquilo que o 4º Poder nos emana, em lugar de chorar colectivamente, poderemos indignar-mo-nos com as infelicidades que nos estão mais próximas e, ai sim, poder ser parte activa na resolução do problema, ou, no mínimo, da sua denúncia a quem de direito.

Mas o sofá das nossas casas continua a ser, além de mais cómodo, menos exposto às consequências que da denúncia ou participação activa nos possam advir. Por isso, alguns de nós continuam a sentir que o Dever é dos outros, mas que o Direito é nosso.