Corria o ano de 1985 quando
Charles Michael Kitridge Thompson IV decidiu aderir a um programa de troca de estudantes e partir para Porto Rico, deixando a sua Universidade em Massachussets. Bastaram 6 meses para ficar farto e decidir que, ou iria para a Nova Zelândia ver a passagem do
cometa Halley, ou regressava a casa e formava uma banda de rock.
Felizmente para nós todos, Charles não foi para ver o cometa. Quando aterrou em Boston, contactou o seu antigo colega de quarto, Joey Santiago e rapidamente convenceu-o a deixar os estudos e aderir ao seu projecto. Charles achou que o seu nome não era apelativo para o mundo do rock, por isso alterou-o para Black Francis. Colocaram anúncios nos jornais para encontrar um baixista e um baterista, Kim Deal apresentou-se para o baixo e aconselhou David Lovering, um músico de casamentos, para a bateria. Estavam formados os
Pixies.
Os
Pixies começaram a dar alguns concertos, por vezes abrindo para outra banda que estava a dar os seus primeiros passos,
Throwing Muses. E foi quando a banda de
Kristin Hersh e
Tanya Donnely foi contratada para a editora londrina
4AD, que os Pixies tiveram a sua oportunidade. O director da, agora lendária, editora Ivo Watts-Russel ouviu o seu som e decidiu logo propor um contracto. Estávamos no ano de 1987 e os Pixies lançavam o seu primeiro trabalho, o mini-álbum "Come on Pilgrim". Na altura foi uma lufada de ar fresco para toda a música, com temas como "Vamos", ou "Isla del Encanta" mostrando um rock muito musculado, com fortes guitarradas bem amplificadas, vistas agora como o som clássico de Pixies. "Come on Pilgrim" atingiu o nº 1 de vendas da lista independente do Reino Unido.

Em Março de ’87, os Pixies lançam no mercado o seu primeiro álbum completo, "Surfer Rosa", que foi como uma continuação do seu antecessor. O mesmo género de som e, desta vez, incluindo temas que têm já o seu lugar na história do rock alternativo, como "Where is my mind?", ou "Gigantic". Este disco comprovou que "Come on Pilgrim" não tinha sido um mero acaso e os Pixies foram definitivamente reconhecidos como uma banda a ter em conta na cena alternativa.

O início de ’89 marca o lançamento daquele que é, para mim, e para a generalidade dos fãs e críticos, o melhor trabalho dos Pixies; "Doolittle". O grupo estava no ponto alto da sua curta carreira, em termos de criatividade e também na relação entre os próprios, apesar de nessa altura já surgirem rumores de desavenças entre Black e Kim. "Doolittle" lança as bases do rock que se fez nos anos 90. Há quem diga que Kurt Cobain afirmava que, sem "Doolittle" dificilmente haveria "Nevermind". No entanto, para mim este disco só tem 14 músicas, ao contrário das 15 do original, isto porque o tema "Here Comes Your Man" não conta. Acho que não tem nada a ver com o resto do som, tanto do álbum, como do grupo, mas a razão principal talvez seja porque era abusivamente passado numa conhecida ex-discoteca, para os lados da Atalhada, ao lado de vomitórios como "What´s Up" das 4 non-blondes, cada uma passava, pelo menos, 3/4 vezes por noite.

Depois do sucesso de "Doolittle", os problemas de relacionamento entre Kim Deal e Black Francis pioraram. Muitos críticos entendem que é por essa razão que o disco seguinte dos Pixies perde qualidade. De facto, "Bossanova" é, pelo menos, diferente dos antecessores, não havendo mais letras sobre mutilações, morte, ou barbáries, mas sim relatos de viagens pelo Universo e extra-terrestres. Foi uma mudança que a mim não agradou.
Em ’91 sai aquele que viria a ser o último trabalho de originais dos Pixies: "Trompe de Monde", que foi um regresso à fórmula antiga, ainda que de uma forma mais agressiva. Na minha opinião é um excelente disco, apesar de, em termos comerciais, não ter tido grande sucesso.
Em ’93 a banda acaba mesmo, com Kim Deal a seguir com o seu fantástico projecto
The Breeders e Black Francis, a tornar-se
Frank Black e seguir uma carreira a solo.