31 maio 2006

A GNR em Timor

A GNR vai para Timor para manter a paz. Mas Timor é um país completamente dividido. O ‘dia seguinte’ à independência tem sido tudo menos estável, aliás outra coisa não seria de esperar.

O que se passa em Timor é uma divisão ao mais alto nível de poder, entre Xanana, o pai da nação, e Alkatiri, que é muçulmano. E é a divisão entre a zona ocidental e a oriental. Para agravar a situação há uma tradição de milícias, que são algo violentas. Timor, desde que se tornou independente, ‘virou’ para o lado cristão, o que compreensivelmente, criou atritos, dada a maioria muçulmana indonésia.

Timor é um país apetecível devido ao petróleo, o que inflaciona o nível das disputas. Alguém disse uma vez que o petróleo acaba por ser um mal para os países mais pobres, e os exemplos sucedem-se. Em Timor a disputa é entre a Austrália e a Indonésia, os tubarões daquela zona e os dirigentes timorenses pouco podem fazer em relação a isso.

Os militares portugueses que abandonaram a missão em Timor no ano de 2001, por ordem das Nações Unidas, diziam que era um erro sair naquela altura, pois reconheciam, e conseguiam controlar, as divisões e os potenciais conflitos. A situação neste momento é, assim, muito pior do que em 2001 e à GNR é esperada uma missão difícil e com algum risco.

Pode-se dizer, portanto, que esta situação era expectável, mas será que se poderia prevenir?


Beck – The New Pollution

Destino: Abrupto

Sobre a reforma no ensino em Portugal e todas as questões subjacentes remeto para o blog abrupto.

30 maio 2006

O Futuro da Educação II

Antes de mais sinto a necessidade de me desculpar perante os meus fieis seguidores, pelo facto de, cada vez mais, não ter disponibilidade para postar. As razões já aqui as apresentei, espero que as compreendam e que não desistam de cá vir.

No seguimento do último post, sobre a futuro da Educação em Portugal, hoje vou propor um comentário à reportagem que passou na RTP-1, sobre a violência nas escolas, nomeadamente sobre os professores. As razões mais imediatas penso que são claras e passam pelo facto de, cada vez mais, se retirar a autoridade aos professores, pela sua própria má formação e falta do dom e gosto para ensinar e por uma política de extrema protecção aos alunos. Sobre estas razões não gostava de me alongar muito. No debate que se seguiu realço o facto de todos os intervenientes afirmarem que aquelas imagens e relatos são um caso isolado. Para mim é mais uma tendência, pois há 10, 20 anos era impensável que tal acontecesse. Devo relatar a minha experiência e comparar com o que se passa actualmente: quando eu estudava no preparatório e no secundário, havia algo que eram as faltas a vermelho que penalizavam os comportamentos mais impróprios na sala de aula, hoje em dia, segundo o que me dizem alguns professores, não se podem dar as faltas a vermelho, pois, ao que parece, podem marcar as crianças psicologicamente. É um disparate, pois eu levei faltas a vermelho e, acreditem, não fiquei marcado.

Perante as imagens da reportagem há um facto que deve ser realçado: na sua maioria aqueles prevaricadores eram de cor e penso que nenhum dos intervenientes do debate que se seguiu (não vi todo) mencionou esse facto. O politicamente correcto sobrepõe-se ao problema real de fundo. Esse problema reside nas regras, ou falta delas, que actualmente existem em Portugal em relação à emigração.

Demarco-me, como é óbvio, dos movimentos de extrema direita e de racismo que por aí andam. Penso não haver necessidade de apresentar esta espécie de justificação, mas de qualquer forma é melhor assim. Os movimentos de extrema direita são movidos por racismo, as razões que me fazem pensar assim são outras: o Estado existe para defender os direitos dos seus cidadãos e melhorar o seu nível de vida, o Estado deve garantir que o país seja competitivo a nível internacional e para isso deve implementar políticas públicas. Assim essas políticas públicas devem ter como fim criar condições para o desenvolvimento e não a protecção de todos os cidadãos de outros países.

Portanto a pergunta que fica é: não terá este problema origem numa barreira ideológica?

28 maio 2006

O Futuro da Educação

Faz-me muita impressão as medidas que são tomadas em relação aos professores. E mais impressão me faz o facto da classe não agir para garantir os seus interesses.

Uma das medidas que, em princípio, irá entrar em vigor no próximo ano, passa por um aumento da carga horária semanal de 26 para 35 horas. Pode-se discutir que mais nenhuma classe trabalha tão poucas horas, mas a questão não é essa, a questão é o aumento da carga horária. A diminuição da carga horária semanal tem sido conseguida, ao longo dos anos, pela luta e intervenção dos representantes das classes (sindicatos) junto do poder. Assim é inacreditável, que se pense em aumentar a carga horária em 9 horas, em apenas, um ano e os sindicatos não façam nada.

Outra pretensão é a avaliação dos professores. Que tem de haver algum mecanismo que garanta que os professores sejam avaliados e que não caiam na falta de profissionalismo, que por aí se vê, isso é certo. Mas quando ouço que quem vai fazer essa avaliação são os pais, a coisa muda de figura. Ouvi o representante da Associação de Pais a dizer que, hoje em dia, os pais são advogados, médicos, etc e que podem fazer esse trabalho. Pode-se dizer que além disso, os pais também são pessoas com menores capacidades literárias. Mas a questão não é tanto essa, a questão é que a avaliação dos pais irá estar sempre influenciada pela nota que o professor dá ao filho. O que cada vez mais ouço da parte dos professores é que irão passar todos os alunos, bons e maus, para não caírem no risco de perderem o seu emprego.

A incapacidade dos sindicatos em imporem os interesses dos seus membros é, na minha opinião, a principal causa, esse é o seu trabalho. E os professores são uma classe que tem os meios para impor os seus interesses, pela sua quantidade e pelo o facto de poderem, se quiserem, parar o ensino e assim o desenvolvimento da sociedade.

O futuro de qualquer sociedade reside nos seus jovens, se não se tomarem medidas para que eles sejam bem formados, o país irá perder, cada vez mais, no Mundo competitivo em que vivemos.

23 maio 2006

A teoria da conspiração que faltava

Veja aqui a Teoria da Conspiração Loose Change 9-11.

A partir de hoje coloco em rodapé o artista e o tema que acompanha cada post: The Cure - The Forest

22 maio 2006

McNamara: Herói ou vilão?

Robert S. McNamara, nasceu em San Francisco em 1916, no seio de uma família de classe média/baixa. Após uma carreira académica brilhante, tornou-se o Professor Assistente mais bem pago de Harvard. Daí foi chamado para Força Aérea Americana pelo, então Coronel Curtis LeMay em 1943. Devia analisar porque razão tantas missões de bombardeamento dos Aliados eram abortadas, antes de chegarem ao destino. A razão era o medo que os pilotos tinham de serem abatidos. Conjuntamente com LeMay, aumentou, exponencialmente, o êxito dessas missões, sob a ameaça de os pilotos que abortassem, sem razão para isso, irem a Tribunal de Guerra. É nesta altura que planeia os bombardeamentos, com aramas convencionais, às principais cidades japonesas, ele próprio estima que destruiu cerca de 52% daquelas cidades. É neste contexto que diz que se os aliados não tivessem ganho a guerra seria julgado e condenado por crimes de guerra.

Quando acabou a guerra pensou em retomar a sua actividade de professor em Harvard, mas é convidado a ser Presidente do Conselho de Administração da Ford Motor Co.. Aceitou e tornou-se o primeiro não membro da família Ford a ocupar tal cargo.

Jonh Kennedy é eleito Presidente dos E.U.A e a sua primeira escolha para Secretário de Defesa é Robert Lovett, este recusa, mas propõe McNamara. A escolha entre uma carreira de gestor de uma grande empresa, com um excelente ordenado e a posição de Secretário de Defesa, que não paga tanto, mas que tem um prestígio interno e externo importante, é difícil. McNamara escolhe o serviço à sua nação, porque, segundo o próprio, acreditava no projecto de Kennedy.

A sua carreira na posição de Secretário de Defesa é marcada pela Guerra Fria e neste contexto tem que negociar inúmeras crises, sendo as mais importantes a Crise dos Mísseis de Cuba e a Guerra do Vietnam. O plano de Kennedy para o Vietnam passava por uma pequena intervenção, nada que se comparasse com o que veio a acontecer. A prova disso são os registos magnéticos das conversas na Casa Branca, que estão disponíveis por essa Internet fora. Nessas gravações pode-se comprovar que McNamara apoiava o projecto do Presidente. As gravações mostram também que após algum tempo, ninguém compreendia bem aquela situação no Sudoeste asiático. Outra conversa gravada prova que Kennedy pretendia retirar, na altura em que foi assassinado.

Com a morte se Kennedy, Lyndon Johnson torna-se Presidente dos EUA e a sua política em relação ao Vietnam é diferente, ele não quer retirar, mas sim mandar mais soldados. McNamara, devendo fidelidade ao seu Presidente, leva a cabo todas as ordens, no entanto não está de acordo com a nova política. No marasmo e desorientação dos EUA, em relação àquela guerra, muitas acções são levadas a cabo que ficarão sempre ligadas a McNamara como o uso do Agente Laranja e as acções de “search and destroy”. O facto da guerra estar a ser transmitida, praticamente em directo, pelas televisões americanas coloca-o numa posição de enorme pressão. As manifestações contra a guerra tinham sempre como principal alvo McNamara. O ponto que mais o marcou e que, eventualmente, o levou a pedir a sua demissão do cargo, foi quando um homem se incendiou, com a filha ao colo, à porta do seu gabinete, como forma de manifestação contra a guerra. A filha sobreviveu.

McNamara deixou o cargo de Secretário de Defesa e assumiu a posição de Presidente do Banco Mundial. Durante o resto da sua vida política lutou por questões como a fome e a pobreza.

McNamara está ligado a ataques que tiveram consequências dramáticas para as populações civis. Ele próprio afirma que os ataques a Hiroxima e Nagasaki, diminuíram a percepção do resto mundo em relação à gravidade dos ataques às restantes cidades japonesas, com armas convencionais. Foi ele, a mando de Johnson, que ordenou o envio de, cerca de 500.000 homens, para o Vietnam.

Muito mais podia ser dito sobre McNamara, mas a questão que pretendo levantar é a seguinte: com que imagem ficou o mundo deste homem? Levanto esta questão, porque a minha percepção sobre McNamara mudou depois de ver o documentário “The Fog of War: Eleven Lessons from the Life of Robert S. McNamara” que recomendo vivamente.

20 maio 2006

O imperialismo dos E.U.A.

O imperialismo americano aqui revisitado. Pode-se tentar explicar estes factos de formas diferentes, dependendo das idiossincrasias de cada um, mas a verdade é que as consequências irão surgir e já surgiram.

19 maio 2006

Let´s get ready to rumble! Crespo vs. Carrilho

Na SIC Notícias, a entrevista de Mário Crespo a Manuel Maria Carrilho.
O professor Carrilho, conhecia ou não as regras do jogo antes de jogar? Se não as conhecia então está alheado da realidade, se as conhecia então tem que estar calado. Até é verdade que as coisas não funcionam bem e não são, longe disso, perfeitas, mas são como são.
Exemplo: o caso do filme de campanha onde o filho surge. O Prof. diz que aquele filme tem 13 minutos e que os media só deram atenção àquele pedaço. Pois claro que foi. Os media vivem de vender e o que vende é aquele pedaço e não o resto, ele não sabia disso? Outro exemplo: ele diz que os media só deram atenção a uns incidentes sobre os seus cartazes; que estavam invertidos, ou que caiu na cabeça de um transeunte (?), outra vez, é claro que sim e outra vez, é disso que eles vivem.
As regras estão feitas e criadas e a partir daí cada um joga com os meios que tem. Se o outro lado (Carmona) usou agências para ganhar a eleição e se isso não é ilegal, então fez muito bem. O Prof. Carrilho pode achar que as coisas não funcionam bem e tem razão, mas não pode usar isso como desculpa pela sua enorme derrota.
Foi uma entrevista muito interessante, quase uma batalha e um esgrimir de ideias de duas pessoas muito capazes. Mário Crespo, fantástico e único, como sempre, insistiu muito no ponto da derrota de Carrilho ser enorme, esmagadora, etc. e do Prof. em todo o seu livro nunca assumir nenhuma quota-parte dessa derrota. E isso é que é estranho.
Como já aqui dissemos, os princípios do Prof. Carrilho até são louváveis, mas não neste contexto. Ele esperou 6 meses para publicar esse livro (que eu não li, entenda-se), isso quer dizer que se trata de uma pessoa vingativa, rancorosa, que não esqueçe e que prepara, friamente, a sua resposta. Eu pelo menos não sou assim, eu esqueço rapido o que não me interessa.
Caro Prof. Carrilho, esta é a nossa realidade e o Prof. sabia-o, portanto não se faça tão surpreso sobre o comportamento dos media.
No rescaldo do combate eu daria uma vitória de Mário Crespo por 11-10, porque se é verdade que Mário Crespo ganhou em termos de conteúdos, o Prof. supera essa falha com a sua, bem elaborada, forma de apresentar as suas ideias. É um filósofo.

18 maio 2006

Detesto o Scolari!

Detesto o seleccionador nacional de futebol, Scolari.

É autoritário, é antidemocrático, é inefável, é incompetente, é malcriado, no fundo é aquilo a que se convencionou chamar um ASNO!

Aquilo que tanto se discute, a questão Quaresma, é menor. Parece até que foi lançado para a comunicação social esse assunto pelo Presidente do F.C.P. Acho que a questão principal é a forma como ele se porta perante iguais seus, parece que se julga superior e, no entanto não o é.

Os critérios por ele apresentados para justificar a convocação de cada um dos jogadores, varia, dependendo daquilo que mais lhe interessa e quando algum jornalista faz uma pergunta que o incomoda ele recusa-a de maneira inaceitável.

Nós discutimos muitas vezes as questões que fazem com que Portugal esteja tão atrasado e que não dê sinais de sair desta crise eterna, uma das principais razões é a nossa cidadania. E este é um exemplo acabado que a nossa cidadania é pouco desenvolvida, senão vejamos: ninguém se atreve a enfrentar o Scolari, ninguém se atreve a dizer ao homem que ele está errado, mas porquê? Porque ele define os seus critérios e princípios e depois pensa que está imune ao escrutínio, mas não está, não pode estar. Parece ser uma criança que quando começa um jogo diz “eu vou jogar sempre a avançado e não corro para defender, foram vocês que me chamaram, por isso têm mais é que aceitar” e depois quando alguém o chama a razão ele diz: “eu disse no princípio como as coisas funcionam, não disse?” e fica tudo calado a murmurar uns para os outros: “eh pá, ele tem razão, nós temos é que baixar as orelhas e trabalhar ao lado dele pois, o sucesso dele é também o nosso”. As coisas em Democracia não são assim.

E como sou um adepto de futebol e um treinador de bancada, não posso deixar de ser um admirador do Mourinho, até porque, penso que somos todos. Porque ele é sistemático no seu trabalho, tem instrumentos práticos, não coloca amizades à frente do seu trabalho, renova-se, está aberto a todas as novas técnicas ligadas ao seu ofício, é, no fundo, um profissional completo e competente e os resultados estão à vista. E numa altura em que Portugal conhece o seu melhor treinador de todos os tempos, e toda a gente reconhece que estão a surgir novas formas para trabalhar no futebol e que funcionam, a Federação, num acto de pura loucura, ou estupidez, vai buscar a antítese, o Scolari.

Em termos práticos sobre a Selecção Nacional: imagine-se que um dos centrais, R. Carvalho ou Meira, vêm dois cartões amarelos ou se lesionam, nos jogos de grupo, então Portugal vai ter de enfrentar a Holanda (van Nistelrooy) ou a Argentina (Tevez, Crespo) com um jogador, o Ricardo Costa, que nunca foi titular, na sua carreira, no seu clube e sempre que jogou não foi a central, vai ser o fim e que fim tão triste. Já nem falo dos Costinhas ou dos Postigas ou até do Quaresma, porque nessas posições, ao menos, há soluções.

Para acabar, quero deixar bem claro que, detesto o Scolari. Mais ainda porque ele se esconde atrás de argumentos tão baixos como “só me criticam porque sou estrangeiro”. Será que ninguém vê isto?

15 maio 2006

Humberto Delgado

Por ocasião da estreia do filme "Meu Pai, Humberto Delgado", aqui fica uma cronologia de notícias sobre a eleição presidencial de 1958 e sobre o General.

19 de Abril de 1958 - ”O processo de candidatura de Humberto Delgado é entregue no Supremo Tribunal Administrativo e divulgada a circular "Eleições para a Presidência da República: candidatura independente do general Humberto Delgado". In DN,1, 19/04/58

20 de Abril de 1958 – “Apresentação pública da candidatura de Arlindo Vicente à Presidência da República.” In DN,1, 20/04/58

1 de Maio de 1958 - “Perante a inexistência de acordo sobre à reeleição de Craveiro Lopes e face à recusa de Salazar em trocar a Presidência do Conselho pela Chefia do Estado, a União Nacional escolhe como candidato Américo Tomás, ministro da Marinha.” In S.J.P., 08/02/1999

3 de Maio de 1958 – “ O Almirante Américo Thomaz é o candidato da União Nacional à Presidência da Republica (...) Nasce em 1894 em Lisboa, frequentou a Escola Naval, onde recebeu um prémio por ter sido o melhor aluno. (...) Foi Capitão de Fragata. (...), Fez serviços nos Cruzadores portugueses durante a I Guerra Mundial. (...) Em 1939 foi nomeado Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, em simultâneo foi Chefe do Gabinete do Ministro da Marinha até 1944, altura que foi nomeado titular da pasta. (...) Recebeu vários louvores.” In DN, 1 e 2, 3/05/1958

4 de Maio de 1958 – “ A próxima eleição. (...) O processo de candidatura do Almirante Américo Thomaz vai ser entregue nos próximos dias, tornam-se assim três os candidatos à Presidência da Republica (...).
O General Humberto Delgado tem 52 , entrou para a Escola do Exército em 1922, concluiu o curso de piloto em 1933 (...) acabou o curso de Direito em 1936 (...) Promovido a Brigadeiro em 1952 e a General em 1953 (o mais novo das Forças Armadas). (...) Professor Catedrático da Escola do Exército (...), é actualmente Director-Geral da Aeronáutica Civil. (...) Desempenhou várias missões no estrangeiro (...) representou Portugal no comité militar da NATO (...) foi adido de Portugal em Washington. Foi condecorado pelos americanos e ingleses devido ao apoio que deu à causa aliada.
O Dr. Arlindo Vicente nasceu em 1906, (...) licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, trabalhando ao mesmo tempo para sustentar os encargos. (...) Fixou residência em Lisboa onde exerce advocacia (...) Sempre se dedicou às artes plásticas” In DN, 1e2 04/05/1958

6 de Maio de 1958 – “ Vai iniciar-se a campanha eleitoral para eleição do Presidente da Republica” In DN, 1 06/05/1958

9 de Maio de 1958 – “ Os candidatos à Presidência da Republica, Humberto Delgado e Arlindo Vicente tornaram públicas as suas mensagens ao País. Humberto Delgado com a Proclamação e Arlindo Vicente com o Manifesto.” In DN, 1 e 7 09/05/1958

10 de Maio de 1958 – O Programa do Almirante Américo Thomaz: “ Se não oferece a perspectiva de experiências contigentes, promete prosseguir com a firmeza no espaço que ao longo de trinta anos renovaram Portugal” In DN, 1, 09/05/1958

11 de Maio de 1958 - “ No Café Chave de Ouro às 10 horas, o General Humberto Delgado tomou o seu lugar, a seu lado Vieira de Almeida, Aquilino Ribeiro, Dr. Rolão Preto, António Sérgio, Prof. Azevedo Gomes, Dr. Vasco da Gama Fernandes, Prof. Alcina Bastos, Arq. Artur Andrade, Dr. António Macedo e Dr. Luís Almeida Braga. (...) As perguntas dos jornalistas seguem-se. (...) “Se for eleito Presidente, o que faz ao Presidente do Conselho?”, “Obviamente demito-o!” fortes aplausos e risos ouviram-se na sala. (...) “O que pensa de Américo Thomaz?”, “ Não me interessa ninguém da União Nacional. Vão todos proteger a ditadura.”, “ Que atitude terá para com o P.C.P.?”, “Tanto quanto sei não há Partido Comunista em Portugal.”, “Que acha de Salazar?”, “ Evidentemente deve-se-lhe um grande trabalho de arrumação, mas não é de um economista que o País precisa. Está obsoleto. Não evoluiu nem um milímetro.” Delgado acrescentou ainda que caso seja eleito “Iremos para um regime forte do tipo militar”. In DN, 1 e 2, 11/05/1958


13 de Maio de 1958 – “ Admiração pela obra de Salazar e repulsa pelas afirmações de Humberto Delgado. (...) chegam à nossa redacção diversas cartas de apoio ao Pres. do Conselho e de protesto contra as declarações de Humberto Delgado.” In DN, 1, 13/05/1958

14 de Maio de 1958 - “Humberto Delgado é entusiasticamente acolhido pela população do Porto. Dois dias depois, regressa a Lisboa, e é recebido em Santa Apolónia por uma manifestação que é reprimida pela Polícia.” In S. J. P., 08/02/1999
15 de Maio de 1958 - Em entrevista ao jornal "Republica", durante o período eleitoral de 1958, o entrevistador qualifica-o como "um dos elementos mais destacado da actual situação". Replica que as suas funções são vincadamente de tipo militar, não passam do campo profissional, militares em geral, aeronáuticas em especial. "Sou um homem do 28 e não do 29 de Maio". Explica a mudança pela "transformação da dureza do provisório em definitiva, que nunca constou do programa". A ditadura "aceita-se como um termocautério para tratar um abcesso, acção intensa mas de curta duração". Anota a influência que a estadia nos Estados Unidos teve no seu espírito, na inclinação para um sentido liberal, que já vem de trás. In J.R., 1, 15/05/1958
- «No seu programa como candidato independente, sem qualquer compromisso partidário, Delgado propunha vários pontos de nítido cunho liberal: reintegração dos funcionários afastados do serviço por motivos políticos, amnistia a todos os presos políticos, liberdade de expressão e de associação, eleições gerais livres a curto prazo e moralização dos costumes políticos e da administração pública.» In R.M.P.

17 de Maio de 1958 – “Nota oficiosa do Governo reafirmando a disposição de evitar qualquer perturbação da ordem pública e impedir a criação de um ambiente propício a actos subversivos, e salientando que quaisquer manifestações que possam para eles concorrer serão severamente reprimidas.” In S.J.P., 08/02/1999


20 de Maio de 1958 – “Américo Thomaz em conferencia de imprensa diz que o Chefe de Estado não o chefe de alguns mas o chefe de todos os portugueses” In DN, 1, 20/05/1958


21 de Maio de 1958 - “ A propaganda da União Nacional em São Miguel” In DN, 7, 21/05/1958

30 de Maio de 1958 – « Dr. Arlindo Vicente retira-se da corrida a favor do General Humberto Delgado e firmam um acordo ( Pacto de Cacilhas) e divulgam um panfleto intitulado “Portugueses”» In DN, 1 e 2, 30/05/1958

4 de Junho de 1958 – Abertura editorial do Diário de Notícias apela ao voto num artigo com o título: “ O dever de votar”. In DN, 1, 04/06/1958

9 de Junho de 1958 - “ O acto eleitoral de ontem (...) com ainda varias freguesias por apurar, (...) os resultados até ao momento são os seguintes Almirante Américo Thomaz 81%, General Humberto Delgado 19%” In DN,1, 09/05/1958

10 de Junho de 1958 - “Nova contagem, (...) com quase todas as freguesias apuradas os resultados são: Almirante Américo Thomaz 75.6%, General Humberto Delgado 24.3%” In DN, 1, 10/05/1958

10 de Junho de 1958 - “A evidencia de fraude eleitoral foi tal que Salazar podia ter escolhido o polícia de giro mais à mão para Presidente da República” In NYT, 10/05/1958

3 de Janeiro de 1958 – “Humberto Delgado é compulsivamente passado à situação de “separado do serviço”, pelo que o seu vencimento será reduzido 25%, não poderá usar uniforme ou condecorações nem utilizar prerrogativas ou honrarias inerentes aos militares, ficando sujeito a responsabilidades de carácter criminal que lhe possam vir a ser imputadas.”
12 de Janeiro de 1959 - “Humberto Delgado refugia-se na Embaixada do Brasil, (...) com receio de uma manifestação organizada pela PIDE e pela Legião com o intuito de o assassinarem. (...) O Embaixador Álvaro Lins espantou o governo português ao acolher o refugiado. (...) demoradas negociações que duraram 3 meses, onde o próprio Salazar escreveu ao Presidente do Brasil Kubitcshek de Oliveira pedindo que não desse asilo (...) forçado pela opinião pública interna (...) o Brasil deu asilo político a Delgado que seguiu a 21 de Abril de 1959 para o Rio de Janeiro” In R.M.P..

Dezembro de 1961 - “No fim de 1961, acompanhado pela sua secretária brasileira, Arajaryr Moreira Campos, que esconde na sua bagagem a farda do General, entra clandestinamente em Portugal com o fim de se juntar aos conspiradores que preparavam a revolta que iria eclodir em Beja na passagem do ano. Delgado vem com um passaporte falso, disfarçando-se com óculos grossos, um farto bigode postiço e o chapéu carregado para a frente. Num sapato colocara uma pedrinha que o faz claudicar.” (...) “. Esta sortida causa-lhe dificuldades no Brasil devido a ter quebrado as normas do seu estatuto de asilado. Deixa o país em 1963 (...) fixa-se em Argel e funda aí em 1964 a Frente Patriótica de Libertação Nacional, composta por diversas correntes ideológicas, com marcada presença comunista. Também aqui falha em manter uma compatibilidade com os seus seguidores. Entretanto, havendo assumido a responsabilidade pela organização do assalto por Henrique Galvão e o seu grupo ao paquete Santa Maria em Janeiro de 1961, foi julgado à revelia e condenado a dezanove anos de prisão.” In R.M.P.

13 de Fevereiro de 1965 – “ Convencido que se ia reunir com um grupo de Oficiais que planeavam derrubar o Governo, Humberto Delgado segue para Badajoz. (...) uma brigada da PIDE chefiada pelo Inspector Rosa Casaco, com o consentimento do Director da PIDE Barbieri Cardoso, atravessou a fronteira utilizando passaportes falsos a fim de montar uma cilada que haveria de matar o General Humberto Delgado e a sua secretária” In R.M.P.
- “Em Villa Nueva del Fresno, Casimiro Monteiro, agente da PIDE, assassina Humberto Delgado.” In R.M.P.

O futuro da Europa

Qual o papel da Europa na nova Ordem Internacional? O Mundo, tal como o conhecemos, está a mudar, novas potências, como a China, a Indonésia, a própria Rússia estão com cada vez mais poder no Sistema Internacional, à custa, exactamente do velho continente.

O estranho é como a Europa dominou o Mundo durante tantos séculos, é óbvio que as razões são várias e conhecidas, mas não se pode deixar de achar difícil que tal tenha acontecido. O que se verifica actualmente é que a Europa está a ocupar o seu verdadeiro lugar na hierarquia do Sistema Internacional. Para potenciar as suas capacidades e para ter algum peso real na Nova Ordem Internacional, a Europa percebeu que só através da união efectiva dos poderes de todos os seus países, é que o conseguiria. A actual União Europeia é o resultado desses esforços.

Por avanços e recuos a construção europeia lá foi acontecendo e hoje encontra-se num impasse, por força da não aprovação da nova Constituição, por franceses e holandeses, por razões que parecem ser mais internas de cada um desses países, do que do conteúdo da própria Constituição. Este é um problema real e que para o qual os europeus vão ter de arranjar uma solução.

O problema está na integração política de todos os países. Porque a integração e união económica é um facto e está muito avançada, exemplo disso é a moeda única. Com todos o problemas e imperfeições que o Euro ainda tem, a verdade é que este foi um enorme avanço, que foi conseguido, por parte dos estados-membro. Agora põe-se um problema muito maior e mais profundo, porque a integração política pressupõe que os países membros abram mão dos seus poderes mais primários, como a defesa nacional, ou a justiça e administração interna, ou mesmo as relações internacionais. Devido aos nacionalismos que pululam por todos os Estados-membro e à força que têm, este vai ser um problema de complexa resolução.

Eu sou um entusiasta do projecto europeu e penso que esta é uma época de grandes mudanças, não só a nível europeu, mas também a nível internacional. A única forma da Europa se manter como uma força real no panorama internacional é através da integração total de todos os países. E a diversidade cultural não pode ser vista como obstáculo, mas sim como uma riqueza a explorar, uma vez que um dos componentes do poder, a nível internacional, é a população, em termos quantitativos e qualitativos.

O papel da Europa na nova Ordem Internacional depende, assim, de um novo Tratado que una, de verdade, todos os Estados-membro. Um dos princípios básicos das Relações Internacionais, para o aumento de poder é: dividir para governar. A divisão europeia, seja por influencia exterior, ou por falta de entendimento dos próprios europeus, será o factor decisivo para o futuro da Europa.

11 maio 2006

Manuel Maria de Guimarães Carrilho

You´re unbelieveble!

CDS ou PP

O Congresso, deste fim-de-semana, do CDS-PP serviu apenas para confirmar aquilo que já se sabia: o Partido está dividido em dois, CDS e PP, ou Direcção e deputados da A.R.. A partir da altura em que Paulo Portas entrou para o CDS percebeu-se que tinha uma visão nova, que não era aquela dos antigos líderes como Freitas do Amaral ou Adriano Moreira, era anti-europeísta, conservador e liberal de mais para os ideais centristas. Muitas destas formas de encarar a política mantiveram-se menos, como se sabe, a visão anti-Europa porque Portas acabou por aprovar a Constituição Europeia.
A divisão no CDS/PP é reconhecida pelos próprios membros, Maria José Nogueira Pinto disse-o na sua intervenção no Congresso deste fim-de-semana. As razões dessa divisão é que são mais difíceis de perceber. Alguns dizem que Paulo Portas usou o CDS para criar um novo partido, mais à direita e acabar com a posição centrista, que tinha desde a sua fundação e que, a partir daí, os dois blocos separaram-se de vez. Não sei se a intenção de Portas era acabar com a ala mais ao centro, até porque só com os votantes das duas partes é que o CDS/PP teria alguma hipótese quando fosse a eleições. Os próprios recuos de Portas, como na questão da Constituição europeia, mostram que ele não quer a fractura. Portanto não parece que esta divisão seja tanto de natureza ideológica, como se diz, mas sim algo mais superficial, a prova é que neste Congresso não houve discussão de ideas concretas de governação, mas apenas a politíca de acusação mutua.
A verdade é que Ribeiro e Castro sai diminuído do Congresso do CDS/PP, mesmo que a sua moção tenha sido a mais votada. É um líder a prazo e deverá sair antes das próximas eleições legislativas. A sua posição de eurodeputado não é favorável, por muito que a evolução tecnológica o permita, nunca será a mesma coisa do que estar perto da acção e o Partido sente a falta da presença do seu lider. A agravar esta situação, está o facto de Paulo Portas passar a sua mensagem, semanalmente, na TV.
Como em quase tudo em Portugal, o CDS/PP está à espera do seu D. Sebastião, mas é certo que o sucesso eleitoral do CDS/PP passa, obrigatóriamente, por uma aliança. Como Portas, no fundo, é um politíco coerente esta aliança só pode ser com o PSD e porque Marques Mendes não parece estar muito virado para essa ideia, o futuro do CDS/PP não se afigura nada bom. E pior ficou com o resultado que Marques Mendes conseguiu, o facto de não ter aparecido nenhum oponente faz pensar que Marques Mendes, afinal, vai ser o líder do PSD até, pelo menos, às eleições legislativas.
Portanto, no fim este Congresso não trouxe nada de bom para o CDS e nem mesmo para o PP, o problema fica adiado por mais algum tempo, é a chamada "fuga para a frente".

09 maio 2006

Portugal, Portugal: de que é que tu estás à espera?

Na última semana sairam alguns estudos sobre a economia portuguesa e a imagem de Portugal enquanto marca, que devem ser considerados muito graves.
A previsão da Comissão Europeia diz que Portugal será, nos próximos 40 anos, o país mais pobre da UE, ou os cidadãos portugueses serão os mais pobres, mesmo considerando os países do alargamento. Um outro estudo, diz que se Portugal fosse uma marca, estava condenada a desaparecer.
A situação em Espanha é muito diferente, espera-se que a economia espanhola ultrapasse a alemã. Porque razão isso acontece? Será que tem a ver com a forma como se passou dos estados autoritários para os democráticos, nos dois países? E Portugal, deve continuar e aumentar a sua ligação e dependencia à economia espanhola?

Estudos e Casamento

Uma vez que se aproxima o fim do semestre e porque estou a organizar o meu casamento, que será no dia de Portugal, Camões e das Comunidades, será muito difícil continuar a postar diáriamente, no entanto, prometo que tentarei.

07 maio 2006

O Expresso e o MNE

Muitas coisas podem ser apontadas ao MNE, já errou em muitas matérias, desde o caso da deportação dos imigrantes ilegais no Canadá até às declarações na altura do caso dos 'cartoons', no entanto, esta nova polémica parece ser exagerada. A vida de um MNE deve ser mesmo muito cansativa e Freitas do Amaral já não é um homem novo, por isso não é de espantar que ele o tenha dito. As próprias reacções dos diferentes partidos dizem tudo.
Quanto ao futuro, Freiatas do Amaral não deverá sair do cargo. Se fosse um outro ministro qualquer, o caso mudaria de figura, mas não com o fundador do CDS. Porque já atingiu um posto que lhe permite estar a salvo deste tipo de situações, é um homem com uma carreira política ímpar em Portugal e que está no MNE, não porque ainda tem aspirações políticas mas porque quer e pode.

05 maio 2006

O exemplo inglês

O Primeiro-Ministro inglês Tony Blair viu-se forçado a remodelar o seu Gabinete, em consequência de dois escandalos, que, inclusivamente, valeram uma pesada derrota nas eleições locais de 4 de Maio de 2006.
Um desses escandalos foi resutado de uma "descoberta" onde um dos Ministros foi "apanhado" com uma amante, num episódio digno dos tablóides ingleses. O outro, mais sério e do qual se devem tirar algumas conclusões, foi com o Ministro do Interior. Como resultado de uma falha de comunicação dentro do Ministério, cerca de mil criminosos imigrantes, foram postos em liberdade quando deviam ter sido deportados para os respectivos países de origem. A situação é ainda mais grave porque muitos deles voltaram a praticar os mesmos crimes porque haviam sido condenados.
Esta situação levanta duas questões: uma sobre a natureza das pessoas que praticam crimes e sobre as penas a aplicar, a outra sobre as leis de imigração, serão ou não muito amigáveis?

L'égalité

Igualdade: palavra com uma conotação muito importante e que, desde a Revolução Francesa, é obrigatória (ou quase) em todos os regimes ocidentais. Mas será que o Estado deve tratar todos os cidadãos de forma igualitária? Por exemplo: num qualquer serviço nacional de saúde de um qualquer país ocidental, devem os cidadãos pagar todos o mesmo? No fundo, deve ou não o Estado tratar de forma diferente os cidadãos tendo como critério as suas posses?
A intenção da palavra igualdade, no contexto da Revolução Francesa, era para acabar com as diferenças entre o 3º estado e a nobreza e clero, ficando todos os recém-criados cidadãos iguais perante a Lei, a Nação e o Estado. No entanto, passados que estão quase 217 anos sobre esse grande acontecimento, ainda se vêm exemplos de desigualdades, que, estas sim, não são compreensíveis. O facto do Presidente da Republica, de vez em quando, condecorar uma série de "personalidades" da nossa sociedade, com ordens da cruz de Malta e afins, é um exemplo de como essa "igualdade" ainda não é bem uma realidade entre nós. Aliás as reminescências das desigualdades Antigo Regime estáo em todo o lado: são os "condes", os "duques", etc.
É um enigma, esta nossa sociedadezinha.

03 maio 2006

O insustentável peso do aparelho de Estado português

O problema que se põe para o futuro em relação às pensões tem origem demográfica, como se sabe. Isto é, nos próximos 40 a 50 anos a tendência é existir um numero cada vez maior de reformados, indo os activos pelo caminho inverso.
A solução encontrada pelo Governo português passa por aumentar a idade da reforma e reajustar as contribuições. A barreira ideológica não permite que se pense noutro tipo de solução. O Estado português acha que a responsabidade das reformas de todos os cidadãos é sua. É o princípio da esquerda,onde os governos são 'enormes' e controlam todos os aspectos da vida da sociedade, deixando muito pouco espaço de manobra para a iniciativa privada.
Como exemplo os obrigatórios países do norte da Europa, onde cerca de 65% da população tem as suas reformas no sector privado, ou dos EUA (50%) ou mesmo a Inglaterra, do trabalhista Blair (35%). Em Portugal, apenas 5% da população tem as suas reformas no sector privado. Como é óbvio, nem todos podem ir ao privado para assegurarem as suas reformas, por isso é que o Estado deve assegurar, apenas, o futuro daqueles que têm menos posses.
O grande problema do Estado português é o seu tamanho. A administração pública é exagerada e muito cara. Os impostos não vão parar de subir enquanto esta barreira ideológica não for ultrapassada.

02 maio 2006

O 'erro' de Freitas

Na edição de 20 a 26 de Abril da revista Visão, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, escreve um artigo de opinião, com o fim de responder às criticas de Mega Ferreira sobre o caso das expulsões de imigrantes portugueses do Canadá e da sua consequente viagem àquele país.
O artigo em si reflecte a posição assumida pelo executivo português e não adianta nada mais do que seria de esperar. No entanto há um ponto que deve ser realçado e que diz muito da forma de se fazer política e da razão pela qual as pessoas desconfiam dos políticos. A certa altura, Freitas do Amaral diz que uma das razões porque as deportações estão acontecendo é porque o Governo canadiano foi empossado há apenas dois meses e que é conservador. Até aqui tudo bem, o que se segue é que é grave, senão vejamos: uma vez que este Governo subiu ao poder há pouco tempo e uma vez que é conservador, o Ministro foi tentar saber se realmente iam por em prática as promessas que tinham feito na campanha eleitoral, onde diziam que iam ter mão forte em relação aos imigrates ilegais. Desconhece-se a resposta dos canadianos ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas deve ter sido algo do género: nós cumprimos o que prometemos.
Talvez ainda mais preocupante é a imagem que o representante máximo da diplomacia portuguesa deixa por esse Mundo fora.

30 abril 2006

Why can't we all just get along?

Condi fala do Irão

Condoleeza Rice em declarações à CBS, aqui traduzidas para português, diz que a ONU deve ser mais firme em relação ao Irão. China e Russia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm uma posição mais contida. O Irão vai ser outro Iraque, onde os EUA vão impôr o seu poder e interesses? Ou a situação internacional mudou tanto nestes últimos anos que tal já não pode acontecer?
E o Irão, qual a principal motivação por trás do enriquecimento de urânio?

28 abril 2006

Never ending story

Ainda em relação aos presumíveis terroristas que estão nas mãos dos norte-americanos, aqui se prova como os Açores foram usados no seu transporte.
O que se faz em GITMO pode até não ser considerado tortura, mas há relatos de prisioneiros que são levados para países onde tais acções são correntes.

26 abril 2006

GITMO

A prisão de Guantanamo Bay tem com principal fim a obtenção de informações que possam prevenir futuros ataques terroristas. Aqueles que lá estão presos foram apanhados, de uma forma ou de outra, com ligações a redes terroristas. A questão que se põe é a seguinte: será que as informações recolhidas em GITMO podem ser consideradas fidedignas? Uma vez que, como se sabe, são utilizadas várias técnicas de tortura, será que os presos não irão dar informações falsas para saírem?
Ex-reclusos de GITMO afirmam que lá se praticam torturas como isolamento ao frio e com sons altíssimos, durante dias a fio. Todo o tipo de humilhação: sexual, religiosa, etc, sendo que todas estas técnicas foram aprovadas pelo próprio Rumsfeld e muitas estão em falta com as regras internacionais. Muitos ex-reclusos afirmam também que prestaram falsos testemunhos para saírem. Será que, ainda assim, Guantanamo, é viável, se se conseguir prevenir (nem que seja) um ataque terrorista?

This tape will self-destruct in five seconds, good luck Mr. Phepls!

Missão Impossível:
A propósito do dia 25 de Abril, o Presidente do Governo Regional da Madeira decidiu que não iria haver nenhum tipo de festejo oficial para comemorar a data, no seu feudo. Muitos criticaram, de todas as maneiras e feitios, esta decisão e estão no seu direito,é , de facto criticável. O que é muito difícil de perceber são aqueles que acham que todas as pessoas têm que respeitar e mesmo ajoelhar-se perante o 25 de Abril. Então Abril não trouxe a liberdade de expressão e de decidir, cada um por si, aquilo que se acha estar certo? Pode-se ser criticado pelas opções que se toma de todas as formas, mas não se pode obrigar ninguém a comemorar uma data.
É impossível entender aqueles que celebram o 25 de Abril e os valores subjacentes e depois criticam alguém por estar a exercer um direito que é consagrado exactamente pelo 25 de Abril.

25 abril 2006

Portugal na Nova Ordem Internacional IV

A Democracia e Integração Europeia – Da Revolução de Abril aos anos 90

No dia 25 de Abril de 1974 deu-se Revolução dos Cravos, que iria levar Portugal a uma posição central ao nível da política internacional. Até Novembro de !975 o nosso país foi elemento instável da organização bipolar da política mundial.
Portugal estava no meio dos interesses das duas maiores potências, Kissinger chegou mesmo a afirmar que Portugal estava perdido e que isso serviria de vacina para outros países europeus como Espanha e Itália. Pode-se dizer que os EUA foram apanhados de surpresa pela revolução. Os interesses soviéticos estavam, de facto, aumentando. Quando Vasco Gonçalves chega a 1º Ministro e profere o célebre discurso onde diz que ‘ou estão com a Revolução ou contra’ separou de vez as águas.
Eram três os modelos de implantação política da democracia: democracia popular, defendido por Vasco Gonçalves que visava um modelo próximo dos da Europa de Leste, o modelo de democracia de poder popular apoiado por pequenos partidos de extrema esquerda e liderado por Otelo S. Carvalho e o modelo da social-democracia formulado por Mário Soares e pelo PS e depois pelo PPD e que viria a sair vitorioso.
Do mesmo modo o desenvolvimento tinha diferentes visões. Uns queriam o reforço da opção europeia, outros defendiam um relacionamento virado para o Atlântico, havendo sempre o modelo de cariz soviético. Este conflito manteve-se por toda a fase revolucionária pré-constitucional, havendo diferentes relações externas, encetadas pelas diferentes partes.
O período constitucional assume, de vez, Portugal como país ocidental e simultaneamente europeu e atlântico, sendo estes os vectores estruturantes das opções estratégicas do Portugal democrático. Assim Portugal começa relacionar-se com a Europa não só pelo lado económico mas também pelo lado político. Resultado é a adesão ao Conselho da Europa em 1976.
A Constituição de 1976, reflecte a marcha insegura da Democracia nacional, é algo insegura, no entanto serviu para apresentar Portugal à CEE como um país democrático e pluralista.
Foram estabelecidas negociações entre Portugal e a CEE entre Setembro de 76 e Fevereiro de 77, esta aproximação permitiu a Portugal sair da crise que entrara devido à redução da actividade económica e ao regresso dos retornados. A CEE disponibilizou cerca de 200 milhões de ECU, para dar resposta a esses problemas. É neste contexto que o então 1º Ministro Mário Soares pede a adesão em 28 de Março de 1978.
As negociações foram oficialmente abertas em Outubro de 78, embora só tenham realmente começado em 1980. Em Dezembro desse ano foi assinado um acordo de pré-adesão que valeu a Portugal 275 mil euros. Este foi um passo importante para a consolidação da economia portuguesa que já havia recorrido, por duas vezes a crédito do FMI. De facto a economia portuguesa deteriorou-se entre finais dos anos 70 e 84. Só com o designado governo do bloco central (PS/PSD) em 83/84 e depois com o governo minoritário liderado pelo Prof. Cavaco Silva, e aproveitando também a melhoria da conjuntura internacional, é que a economia portuguesa sofreu algum desenvolvimento.
Portugal tentou, nesse período, demarcar-se do seu vizinho espanhol, mas a CEE via a adesão da Península Ibérica como um todo. Foi assim que no dia 1 de Janeiro de 1986, Portugal e Espanha aderiram à CE. No mesmo ano foi assinado o Acto Único Europeu, que alargava o numero de campos de intervenção política que deveriam ser obtidas por voto majoritário.
A reeleição do PSD em 1987 e 1993 deu estabilidade à implantação das políticas económicas estruturais, todas elas altamente comparticipadas por fundos comunitários. O objectivo era entrar no Mercado Único e depois na Moeda Única.
cont. trabalho universitário "Portugal na Nova Ordem Internacional" por Rui Rebelo Gamboa

24 abril 2006

Aula Magna no Açoriano Oriental

Não posso deixar de destacar o artigo do professor Dr. Pedro de Faria e Castro "Um Estado fora-da-lei", que vem na edição de hoje, dia 24 de Abril de 2006, do jornal Açoriano Oriental. O artigo é sobre a actual situação do Irão e como a ONU e o respectivo Conselho de Segurança podem lidar com esta situação.
Um artigo imperdível de alguém, verdadeiramente, capacitado para tratar destes assunto, que nos fala também da necessidade urgente que o Conselho de Segurança da ONU e também de todos os actores da cena internacional têm de se renovar, perante a "globalização (...) abertura económica sem precedentes entre os vários continentes e o notável desenvolvimento das tecnologias". Como outro ilustre professor da Universidade dos Açores diz, no caso o Dr. Carlos Amaral: estamos a viver uma época onde é preciso forjar um novo suporte para as relações entre os Estados.

23 abril 2006

O movimento cívico "Açores XXI"

A apresentação do movimento cívico "Açores XXI" é algo que deve ser destacado. Este tipo de movimentos é de capital importância para o bom funcionamento de qualquer sociedade. Como nos dizem os pricipais politólogos (pricipalmente os anglo-saxões) "a pluralidade dos grupos e a competição que se estbaelece entre eles constituem elementos essenciais para a manifestação, a manutenção e a tranformação da democracia". Agora é preciso saber até onde é que este movimento está disposto a ir porque "a modalidade clássica de acção dos grupos, que permite a passagem de um mero grupo de pessoas que compartilham um mesmo interesse, para um grupo de pessoas que procura influenciar as escolhas políticas e as pessoas que deverão pô-las em prática, é designada por pressão" ou lobby.
No entanto só o facto da sua criação deve ser visto como algo de positivo e prova como há um grande descontentamento com o actual funcionamento da nossa democracia.

21 abril 2006

Fim do estado espanhol?

Há algumas semanas foi votado no Parlamento Espanhol o novo Estatuto da Catalunha. O texto adoptado reforça as competências da comunidade autónoma e é uma vitória de Zapatero. Muitos consideram (Mariano Rajoy (PP)), ser este o ínicio do fim do Estado espanhol. E Portugal, benefíciaria ou não se esse fim acontecesse? Tornár-se-ia em, apenas, mais um pequeno estado ibérico, ou ganharia importância por já não estar debaixo da sombra da 'grande' Espanha?

20 abril 2006

César ou Manuel, quem tem razão?

A conferencia de imprensa dada por Manuel António é muito grave, por uma de duas razões: ou ele tem provas do que está dizendo ou então não as tem. De qualquer das formas é gravíssimo. É verdade que antes das eleições os candidatos tentam influenciar o voto dos grandes grupos, usando para isso os seus principais representantes, isto é práctica corrente em qualquer país, agora daí até aquilo que o Sr. Manuel António diz, vai uma grande distância. E aquilo que o Sr. diz é muito grave.

Se, por outro lado, é tudo uma qualquer jogada política, a qual é muito difícil descortinar qual o efeito pretentido, a coisa é igualmente grave. De qualquer das maneiras a verdade deve vir ao de cima, devendo ser criada, para o efeito uma comissão parlamentar.

O problema é se a verdade não vem ao de cima...

19 abril 2006

Portugal na Nova Ordem Internacional III

continuação,

Marcelo Caetano ao ser nomeado para substituir Salazar, assumiu o compromisso de ‘ continuidade e renovação’. Era esperada uma certa abertura política, uma vez que o Estado Novo tinha sido caracterizado por um nacionalismo muito marcante.
Quando no Congresso de Haia de 1969 a porta da CEE ficou aberta para a Inglaterra a política tinha de mudar em Portugal. Ainda mais porque as conclusões saídas daquele Congresso tinham tido grande apreço em Portugal.. Marcelo, no entanto defendeu a não adesão à CEE, seguindo as ideias de Salazar, justificando com as vantagens económicas mas com as desvantagens políticas que o processo de integração traria.Em 1971, o Reino Unido entrou na CEE, isto fez com que Portugal, fosse obrigado a ter negociações abertas com a CEE, devido à grande importância do Reino Unido na economia portuguesa. Assim, a Comissão Europeia recordou que Portugal tinha três vias possíveis: a integração, a associação ou um Acordo Comercial. Os Acordos de Bruxelas foram assinados em 1972, onde ficava em aberto a hipótese de Portugal estreitar os seus laços com a CEE. No entanto pode-se dizer que a distancia entre Portugal e Europa não era muito diferente daquela que se verifica 10 anos antes, com Salazar e a razão para evitar uma maior aproximação também era a mesma, o atraso da economia portuguesa.

Trabalho universitário: "Adesão de Portugal à CEE - Evolução Histórica:
De Salazar a Cavaco Silva" por Rui Rebelo Gamboa

18 abril 2006

Manuais Escolares = 6 anos

Isabel Pires de Lima anunciou que os manuais escolares vão passar a ter uma vida de seis anos, em oposição aos 3 anos actuais. É uma boa medida e peca, apenas, por tardia.

Inquietação

Apesar de ter mais de 30 anos, é uma inquietação tão actual:

"I've got a little black book with my poems in.
Got a bag with a toothbrush and a comb in
.When I'm a good dog, they sometimes throw me a bone in.
I got elastic bands keepin my shoes on.

Got those swollen hand blues.
Got thirteen channels of shit on the T.V. to choose from
I've got electric light.
And I've got second sight.And amazing powers of observation.
And that is how I knowWhen I try to get through
On the telephone to you
There'll be nobody home.

I've got the obligatory Hendrix perm.
And the inevitable pinhole burns
All down the front of my favorite satin shirt.
I've got nicotine stains on my fingers.
I've got a silver spoon on a chain.
I've got a grand piano to prop up my mortal remains.

I've got wild staring eyes.
And I've got a strong urge to fly.But I got nowhere to fly to.
Ooooh, Babe when I pick up the phone
There's still nobody home"

Roger Waters in The Wall

Cidadania III

As faltas dos deputados no Parlamento é mais um exemplo da pobre cidadania portuguesa. Os cidadãos votantes que elegeram os deputados não têm a capacidade de lhes exigir que cumpram as suas obrigações, assim e como bons portugueses que são, os deputados não cumprem. E quem são os deputados mais faltosos? São principalmente deputados do PS e PSD e incluí nomes como Dias Loureiro ou Manuel Maria Carrilho, se no caso do segundo há uma explicação, ele foi candidato à Câmara de Lisboa e estes dados (das faltas) são sobre o último semestre de 2005, no caso de Dias Loureiro (e outros) a explicação é mais complicada, são deputados que acumulam funções noutras àreas. Ora, essas outras funções dão-lhes rendimentos muito superiores ao de deputado, por isso é apenas 'compreensível' que acumulem funções. Será que a solução é a total profissionaçização da profissão de deputado, aumentando os seus rendimentos, para evitar que 'fugam' para outras áreas, como diz, por exemplo, Pacheco Pereira? Ou deve-se diminuir o numero de deputados, diminuindo, assim, também, a representatividade dos pequenos partidos, que são, por sinal, os que menos faltam?

Uma coisa é certa, esta questão não é nova, mas agora é que é importante, porque o Presidente da Republica chamou à atenção. Com Cavaco Silva as exigências são maiores e a cidadania sai reforçada.

A tradicional familia americana

17 abril 2006

Portugal na Nova Ordem Internacional II

Portugal entra na NATO, mas desvaloriza o papel da ONU, porque esta defende a autodeterminação dos povos, o que colidia com os interesses coloniais. Salazar pareceu não perceber, ou não quis aceitar as transformações que a nova orem internacional implicavam. Quis acreditar que no pós-II Guerra Mundial sairiam três potências: EUA, URSS e Império Inglês. Essa falta de percepção dos acontecimentos a nível mundial, fez com que Portugal fosse ficando de fora da nova ordem, desde logo não participou na Conferência de S. Francisco que fundou a NATO.
Com o fim do Império Inglês, com a afirmação dos americanos no Atlântico e com os processos de descolonização, Portugal viu-se na necessidade de aumentar as relações com os EUA. 1º com o Acordo das Lajes (1948), depois a adesão à NATO (1949). Seguir os EUA foi mais uma necessidade do que um desejo, face ao declínio do Império Inglês.
de Portugal. Esta dificuldade em aderir à nova ordem internacional reflectia-se também na visão de que para a reconstrução europeia não era necessária uma base internacional mas sim deveria ser feito a nível nacional. Foi deixada, no entanto sempre ‘uma porta aberta para a Europa’.
Sem muito esforço da diplomacia portuguesa, Portugal é um dos beneficiários do Plano Marshall, e faz também parte da OECE e depois da OCDE, não fez parte, no entanto da Cimeira de Haia nem no Conselho da Europa.
Como foi reconhecido, posteriormente, pela diplomacia portuguesa, o facto de fazer parte do grupo fundador da EFTA, foi um ‘golpe de sorte’, porque devido ao baixo nível de rendimento do país, nada o fazia prever. Portugal tirou, no entanto, inúmeros proveitos, não ficando marginalizado dos movimentos integracionistas e tendo o apoio da Inglaterra, pois o Império Colonial português era de algum modo semelhante à Commonwealth. Para os restantes membros da EFTA também era importante a presença de um país como Portugal, pois assim evitavam ser vistos como ‘um clube de ricos’.
Desta forma a EFTA foi para Salazar uma óptima solução, pois dela tirou grandes proveitos económicos sem grandes custos políticos. Mais, a EFTA permitiu a Portugal manter a sua política externa, dado o envolvimento britânico naquela organização, manteve-se também a Aliança Britânica. Salazar ganhou internamente uma legitimidade acrescida, uma vez que a EFTA era uma organização de países democráticos.
Tudo parecia correr de feição para as autoridades portuguesas, quando em 1961 a Grã-Bretanha fez o primeiro pedido de adesão à CEE, dando seguimento à Aliança Britânica, Portugal entrega o seu pedido em Maio de 1962. Em Janeiro de 1963, De Gaulle veta a entrada da Inglaterra, ficando sem resposta, e também sem insistência a proposta portuguesa. Salazar viu pela primeira vez a Europa como uma verdadeira ‘terceira força’.Em conclusão, Salazar face à integração europeia, teve sempre um sentido de prevalência do princípio nacional, teve sempre dúvidas em relação à possibilidade de cooperação mas acabou por aceitar, manteve sempre a salvaguarda do princípio da unidade entre Metrópole e Colónias, também da ideia da unidade e independência nacional, tentou a obtenção de benefícios económicos no processo de integração europeia desde que não implicasse prejuízo político.

cont. trabalho universitário 'Adesão de Portugal à CEE - Evolução Histórica' por Rui Rebelo Gamboa

Portugal Na Nova Ordem Internacional I

A nova ordem internacional que surge depois da II Guerra Mundial fez com que surgissem na Europa movimentos de cooperação tendo como fim a reconstrução, a manutenção da paz e segurança e, ao mesmo tempo, o relançamento económico.
Para a manutenção da paz foi criada a ONU em 1945, que vinha substituir o fiasco da Sociedade das Nações. Para a reconstrução dos países afectados pela guerra foi criado o Banco Mundial, para obter estabilidade ao nível cambial foi também criado o FMI (Fundo Monetário Internacional) tendo o Dólar americano com referencia.
Os resultados práticos da nova ordem internacional do terceiro quartel do sec. XX foram a manutenção da paz global, o aumento de conflitos regionais e o fim dos impérios coloniais europeus. As duas superpotências que surgem nesta altura EUA e URSS travaram a famosa ‘Guerra Fria’ que teve como resultado prático na Europa a criação da NATO (ligada aos EUA) e o Pacto de Varsóvia (ligado à URSS), foi deste equilíbrio que se conseguiu a paz mundial.
A nível económico, esta época, pode ser caracterizada pelo aumento dos sistemas de segurança social e aumento do peso do Estado na propriedade jurídica e real. Foi uma fase de grande crescimento económico, os EUA assumiram-se como a grande potência económica e como forma de expandir a sua influencia no Mundo promoveram dois planos para a recuperação: Plano Dodge (Japão) e Plano Marshall (Europa).
Para a reconstrução da Europa foi determinante o Plano Marshall. Inicialmente seria um programa de ajuda de 4 anos, posto à disposição de todos países europeus, excepto Espanha devido ao regime político. Em troca esperava-se que os beneficiários se integrassem na ordem económica mundial, promovida pelos EUA e cooperassem entre si na Administração do apoio americano.

trabalho universitário 'Adesão de Portugal à CEE - Evolução Histórica' por Rui Rebelo Gamboa

16 abril 2006

Direita e Esquerda I

Em termos muito gerais e teóricos a diferença entre Direita e Esquerda é a diferença entre o interesse privado e público. Colocando as coisas em termos mais extremos: para um regime de esquerda, o grande interesse é o público, isto é o bem superior da Nação, neste contexto,as capacidades dos cidadãos não são deles, são do próprio Estado, esses cidadadãos são apenas veiculos que carregam essas capacidades e que devem usa-las, quer queiram ou nã, para o bem maior da Nação. Consequentemente, o regime tem que ser muito forte e omnipresente, pois é a única forma de garantir que todos os ciadadãos irão usar as suas capacidades para o bem geral. Esta forma de governar irá garantir, no entanto, que todos tenham um acesso 'justo' à riqueza do país. Essa riqueza não será distribuida segundo a importância do trabalho que cada um desempenha na sociedade, mas sim na quantidade desse trabalho, por exemplo se um varredor trabalhar mais que um médico irá ganhar mais.

A Direita identifica-se com interesse privado. Desta forma o regime deve criar as regras e deixar que sejam os privados, segundo regras de competitividade e de mercado livre, a fazerem a distribuição 'justa' da riqueza. Este sistema irá fazer, inevitavelmente, com que surgam cidadãos que sejam colocadas à parte, porque neste sistema, uns irão ganhar e outros perder.

Estes são apenas os pontos de partida e são vistos em extremo, porque nenhum pode existir, sem ir buscar algo do outro.

15 abril 2006

Cidadania II

Todas as semanas espero, pacientemente, pela chegada do semanário Atlântico Expresso. Por todas as razões, mas principalmente devido ao artigo de opinião sobre desporto. E espero, especificamente, por esse artigo porque tenho a esperança, todas as semanas, que melhore. É inacreditável a má escrita daquele colonista e mais inacreditável é quem está à frente do jornal e deixa que tal aconteça.

Eu não escrevo muito bem, mas eu não tenho uma página inteira, semanalmente, num jornal, nem sou um dos mais respeitados jornalistas desportivos da terra. Penso ser uma prova da nossa pouco evoluída cidadania, quando tanto se discute as acções dos governantes e dos partidos, etc., não entendo como não se fala destes assuntos, ainda mais quando todos os anos muitos alunos acabam o curso de Comunicação Social na Universidade dos Açores e vão parar ao desemprego ou trabalhar noutras áreas.

Isto não se trata de uma questão de gosto. É um facto. E é um reflexo da nossa sociedade e, consequentemente, da nossa cidadania. Pode-se e deve-se exigir mais.

14 abril 2006

Cidadania I


É uma duvida que tenho já há algum tempo, principalmente desde que temos acesso a outros canais. Se se justificava que a RTP Açores transmitisse as novelas da RTP 1, com anos de atraso e que transmitisse os Telejornais com horas de diferença, na altura em que ninguém tinha RTP 1, penso que agora já não se justifica. E se ainda há casas nos Açores que não têm acesso aos canais generalistas portugueses, há que fazer contas e ver o que custa menos, ou manter a RTP Açores ou levar esses canais a todos. Ainda se justificava se a RTP Açores produzisse programas de qualidade, mas não é o caso. Se o Bom Dia tem alguma relevância, a verdade é que peca pelo excesso de tempo que fica no ar, sem justificação e ainda repete à tarde. Além do Telejornal e do Desporto, mais nenhum programa diário se justifica. Assim a solução seria abrir a RTP Açores a partir das 18 horas com algo do tipo Bom Dia, seguindo-se a Informação e um dos programas semanais, como o Lingua Afiada. E mais nada.

13 abril 2006

A maquina vai começar a lavar