21 janeiro 2007

The Daily Show Inventions

O radar que detecta gays, o preservativo para cones de gelados, o capachinho com molas e muito mais. Aqui ficam as melhores invenções para o Daily Show with Jon Stewart. A não perder, como costume.

O homem de quem se fala

A notícia já é conhecida de todos: há um vídeo a circular no Youtube, onde se vê o eurodeputado Paulo Casaca a confraternizar com um grupo iraniano, que está referenciado, tanto na EU como nos EUA, como sendo terrorista.

Cortesia do sempre atento Ezequiel, aqui ficam dois links para nos explicar quem é esse grupo, que se chama Mujahadeen-e-Khalq (MEK) e a que actividades está ligado.

http://www.cfr.org/publication/9158/
http://www.cfr.org/publication/10552/terrorisms_dubious_a_list.html

19 janeiro 2007

Dever ou Direito?

Acho inacreditável e inaceitável a solução que se arranjou para reduzir a poluição nas nossas belas paisagens. Fez-se um acordo entre o Governo e os agricultores, onde os últimos recebem apoios por não poluírem as ribeiras e terras.

Ora isto não é mais do que transformar aquilo que deveria ser um dever cívico num direito. Todas as pessoas, e os agricultores em especial, deveriam ser responsabilizados por poluírem as nossas paisagens e não apoiados por não o fazerem. É uma cultura de desresponsabilização que, a pouco e pouco, vai tomando conta da nossa sociedade, criando hábitos perversos. Se, em vez de gastar dinheiros públicos para isso, se investisse num sistema que multasse quem poluísse as nossas terras, criava-se um hábito positivo e acabaria por poupar-se dinheiro. É claro que a solução encontrada é a que melhor encaixa na forma de governação vigente, porque mantém um grupo importante, em termos de votos, contente.

18 janeiro 2007

Erros

O programa da RTP-Açores, Meia Hora, é dos poucos espaços da nossa televisão com qualidade e que informa, realmente, os açorianos. O debate entre representantes dos principais partidos políticos dos Açores é, na maior parte das vezes, são e conduzido com elevação.

A última edição deste programa colocou frente a frente o Dr. André Bradford, pelo PS e o Eng. Jorge Macedo, pelo PSD e, como de costume, assistiu-se a um bom debate. A verdade é que, a dada altura, falou-se na questão do papel que o governo tem na economia. O Eng. Jorge Macedo, de forma correcta, lembrou que o investimento que o governo regional tem previsto para as chamadas “Ilhas de Coesão” irá contribuir, por um lado, para o aumento do peso estatal na economia, algo que não é aconselhável, e por outro lado, irá reduzir a capacidade dos empresários privados existentes nessas ilhas. Para defender a posição do governo, o Dr. André Bradford lembrou a Transmaçor, dizendo que quando o governo ‘confiou’ nos privados os resultados foram os conhecidos. Antes de mais é preciso saber em que condições foi feito o concurso público para o transporte inter-ilhas e que exigências foram feitas à Transmaçor, depois não se pode justificar um erro, como é a vontade socialista de controlar todos os aspectos da nossa sociedade, com outro erro.

17 janeiro 2007

QREN 2007-2013

O QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional) foi apresentado e representa a última tranche de verbas vindas da EU, para o período entre 2007-2013.

Antes de mais, realce para o investimento na formação, aliás outra coisa não seria de esperar, Portugal não se pode dar ao luxo de ficar ainda mais atrasado, principalmente numa realidade cada vez mais competitiva, dentro da EU, com a entrada dos novos Estados-Membro e, também, no âmbito internacional. Para isso, Portugal tem que, obrigatoriamente, investir na formação dos seus activos, dos seus jovens. É evidente que, para o nosso país ser competitivo, é preciso uma “sociedade de conhecimento” e não uma sociedade de mão-de-obra barata, porque aqui não é possível competir com economias emergentes como a China ou a Índia. É, então, uma forma positiva e inevitável de investir estes últimos dinheiros europeus.

Não posso deixar de achar estranho, no entanto, a distribuição das verbas em termos geográficos. A partir do momento que Grécia, Portugal e Espanha aderiram à EU, verificou-se uma alteração na política de investimentos europeia. Até aí, a grande prioridade foi sempre a PAC (Política Agrícola Comum), onde França e Alemanha eram os grandes beneficiados, com as adesões dos países do Sul, o importante foi investir na sua aproximação, usando para isso a Política de Desenvolvimento Regional. É assim, que Portugal tem os enormes apoios comunitários, desde a sua adesão, à custa da PAC e dos países mais desenvolvidos. Isto para explicar porque é estranho esta distribuição geográfica do QREN, porque faz exactamente o contrário; as regiões mais beneficiadas são o Norte Litoral e Lisboa e Vale do Tejo, não é dado seguimento à política comunitária de aproximar as regiões mais desfavorecidas, investindo em meios para a fixação das pessoas. Esta forma de investir é má de duas maneiras, 1º porque não investe nas zonas mais desfavorecidas; 2º porque, ao investir nos grandes centros urbanos, cria um movimento centrífugo, fazendo com que essas cidades se tornem inabitáveis, de tanta gente que lá vive.

16 janeiro 2007

Europa-América

Actualidade internacional, para reflectir:
G.W. Bush reforça o contigente de soldados americanos no Iraque, em 20.000 homens. Ignorando o relatório Baker, o Presidente norte-americano, prefere uma táctica de reforço da ofensiva para acabar com a violência sectária. Apesar de 90% dos americanos estar contra a permanencia de forças no Iraque, Bush e os neocons não recuam na sua estratégia. Veremos se alguma vez tiveram razão. Por seu lado o recém empossado Congresso, de maioria Democrata, pouco pode fazer, uma vez que os seus poderes estão reduzidos ao controlo de fundos. Se o Congresso se recusasse a conceder fundos para este reforço de tropas, ficaria numa posição delicada, se a estratégia de Bush, por ventura, vier a falhar. Os democratas só podem mesmo é falar, até porque não têm uma alternativa credível.
Um grupo de 20 eurodeputados, entregou no Parlamento Europeu, uma carta para a constituição de um novo grupo, o I.T.S. (Identidade, Tradição e Soberania). Este novo grupo iá situar-se na extrema-direita do espectro político, esperando-se uma luta activa contra a integração europeia. Na vanguarda está, como não poderia deixar de ser, Jean Marie Le Pen, agora acompanhado da sua filha, Marine Le Pen e Alessandra Mussolini, neta do Il Duce.

14 janeiro 2007

Simplesmente Lamentável

O título reporta-se ao programa “Hilariante”, que passou hoje na RTP-Açores e, em especial, ao tema que dava mote ao programa, o sotaque micaelense e as suas variantes dentro da Ilha de S, Miguel.
Que as situações preparadas para “apanhar” as pessoas, eram de fraquíssimo gosto e de uma falta de imaginação gritantes, já eu sabia, agora que a falta de ideias resultasse nessa busca fácil por uma gargalhada, conseguida à custa do ridículo do outro, da pobreza e fragilidade das crianças e idosos, isso pensei que a nossa televisão e os seus responsáveis não permitissem. Fui ingénuo, como hoje me apercebi.
Quando na semana passada entrevistaram o brilhante João Gambôa (esse sim dava um excelente autor/apresentador de um programa do género), pensei que o “Hilariante” tomaria um rumo tipo “os apanhados” do Nilton, que passava na SIC. Mais uma vez me enganei.
Aquilo a que hoje assisti, foi um apresentador, que se embrenhou nas ruelas de Rabo de Peixe, sempre buscando o mais vulnerável ou a pessoa com pior aspecto e feição, para conseguir uma “entrevista” ou frases soltas, à custa de perguntas que pouco esclareciam sobre o propósito da sua presença.
Vi o Miguel Decq Mota, estender o microfone a crianças e idosas, na busca de algo, nada em concreto, só o ridículo.
Depois de mais algumas “perguntas”(?) a alguns senhores visivelmente alcoolizados, lá abalou para as Capelas, onde se repetiu a triste romaria pelas ruas da freguesia, sempre em busca de pessoas de mais idade, e de preferência alcoolizadas, pedindo-lhes que caíssem no ridículo voluntariamente, sob pena de ser ele a provocar tal situação. Foi esta a minha leitura.
Quanto ao verdadeiro sotaque micaelense, afinal o propósito do programa, não fiquei esclarecido (O Miguel “esqueceu-se” de dar a resposta), mas em questões de alcoolémia ganhou Vila Franca do Campo. Um senhor que dizia orgulhosamente que “apanhava uma cadela” todos os dias, e que naquela altura já estava “com ela”, teve o maior tempo de antena. Um seu companheiro de tasca, indignado com tal fama, logo veio disputar os seus 15 min de fama.
E foi nesse espírito que acabou mais um “Hilariante” atentado ao bom gosto. Para a semana há mais……..tenha cuidado para não ser apanhado por este aborto (de programa)

P.S.- Para que não fique a dúvida no ar, eu sou micaelense, e não tenho qualquer tipo de vargonha ou preconseito em relação ao nosso modo de falar. Pelo contrário, tenho orgulho.Faz parte da nossa identidade, e diferencia-nos dos outros. O que me aborreceu no programa foi a busca gratuita da ridicularização das pessoas e de vangloriar os bêbados

13 janeiro 2007

O Estado da Região

A mais recente trapalhada que envolve o transporte inter-ilhas nos Açores, só vem comprovar a ideia que a governação nos Açores não vai bem. Este caso, em particular, já custou muito dinheiro aos contribuintes e já devia ter custado o lugar ao Secretário Duarte Ponte.

Mas além desse caso, a governação nos Açores tem estado envolta em incompetência e alguma falta de seriedade. A questão dos apoios concedidos ao Lusitânia ainda não está totalmente clarificada, tal como, já agora, as alegações de Manuel António.

A SATA - e o seu monopólio – trata os açorianos mal (no mínimo). Concede aviões a rotas deficitárias, enquanto deixa os seus cidadãos em terra. Faz acordos com agências de viagem, para trazer ‘turistas’ do continente, a preços muito mais baixos que aqueles praticados para os açorianos. Tem uma política de contratações que lembra a monarquia. Enfim, troça dos açorianos, que são a razão da existência da empresa, em primeiro lugar.

É preciso mudar, e não basta mudar as moscas, são precisas mudanças de fundo, mudanças que cheguem ao âmago da questão... Porque já farta tanta incompetência, já farta tanta subsiodio-dependência, já farta tanto interesse instalado, enfim, já farta.

11 janeiro 2007

SLB 6 -- 3 SCP

Porque recordar é viver, como dizia o outro.

09 janeiro 2007

E assim vamos andando

Tendo como base a teoria funcionalista, a sociedade e a respectiva cultura formam um sistema integrado de funções e quando uma das partes falha, pode significar, em última instância, a desagregação da própria sociedade e, na melhor das hipóteses, um comportamento abusivo de outra das partes.

Vem isto a propósito do mau funcionamento da classe jornalística em São Miguel. Não há jornalismo de investigação, o que por si só já é mau, mas não há, igualmente interesse nas questões fundamentais da nossa sociedade, o que é gravíssimo. Ora, isto leva a que a classe política dirigente aja de forma irregular, pelo menos, pois não sente, por parte da classe jornalística, a pressão que é justa e correcta.

E assim vamos andando.

08 janeiro 2007

David Bowie - Ashes to ashes

Faço aqui a minha singela homenagem a David Bowie, que completa hoje, 8 de Janeiro, 60 anos de idade. Com uma carreira brilhante, sempre com a capacidade de se reinventar, o Camaleão tem que ser uma das referências maiores da 2ª metade do sec. XX.

Foi muito difícil escolher o tema para celebrar esta ocasião, mas acabei por decidir-me por Ashes to Ashes, que é, praticamente, uma canção auto-biográfica. Interprete-se o quê ou quem é o Major Tom...

Do you remember a guy thats been
In such an early song
Ive heard a rumour from ground control
Oh no, dont say its true

They got a message from the action man
Im happy, hope youre happy too
Ive loved all Ive needed love
Sordid details following

The shrieking of nothing is killing
Just pictures of jap girls in synthesis and i
Aint got no money and I aint got no hair
But Im hoping to kick but the planet its glowing

Ashes to ashes, funk to funky
We know major toms a junkie
Strung out in heavens high
Hitting an all-time low

Time and again I tell myself
Ill stay clean tonight
But the little green wheels are following me
Oh no, not again
Im stuck with a valuable friend
Im happy, hope youre happy too
One flash of light but no smoking pistol

I never done good things
I never done bad things
I never did anything out of the blue, woh-o-oh
Want an axe to break the ice
Wanna come down right now

Ashes to ashes, funk to funky
We know major toms a junkie
Strung out in heavens high
Hitting an all-time low

My mother said to get things done
Youd better not mess with major tom
My mother said to get things done
Youd better not mess with major tom
My mother said to get things done
Youd better not mess with major tom
My mother said to get things done
Youd better not mess with major tom

07 janeiro 2007

Raro Prazer


O Millennium, numa excelente parceria com a Câmara Municipal da Ponta Delgada, tem patrocinado a vinda de grandes espectáculos à Ilha de São Miguel, mais concretamente ao Coliseu Micaelense. Foi assim com o Ballet Russo e foi assim neste fim-de-semana, com o Grande Concerto de Ano Novo.

A Stauss Festival Orchestra e o Stauss Ballet Ensemble deram um espectáculo verdadeiramente de tirar a respiração. Uma orquestra completa e dirigida por um dos melhores maestros da actualidade da grande escola russa (Sergey Vanteev), tocavam as melhores valsas e polcas do grande compositor austríaco, enquanto um grupo de bailarinos encenavam as estórias da Viena imperial do séc. XIX. Uma palavra muito especial para a soprano, que cantou e (esta sim) encantou.

Fica aqui registado o meu reconhecimento ao Millennium e à Câmara, pois permitiram-me, outra vez, um momento de raro prazer.

2007 começa com porte Atlético

Vontade de dizer: eh, eh, eh!!

04 janeiro 2007

Quatro Dias, Duas Broncas

Para dar, , algumas respostas aos meus próprios comentários acerca do assunto, "Sata assegura ligação aérea Porto Santo- Funchal", pelo menos até Maio deste ano, dou conta aqui, de duas noticias que se produziram em apenas quatro dias.
Interpretei as noticias, como uma consequência da falta de um ATP da SATA, a voar nos Açores, pois encontra-se algures "entre" Porto Santo e Funchal, assegurando, agora, o défice desta rota aérea, em nome do serviço público.
Quem começou a sentir o sacrificio deste "serviço público", foram os Açoreanos.
A saber;
1º- logo a abrir o ano (e a nova rota PS-Funchal), ficaram 365 passageiros (dos/nos Açores) sem ligação com as suas Ilhas e/ou destinos, pois não havia o habitual avião de substituição para fazer face a uma avaria ou contratempo com os outros dois ATP´s ao serviço da "nossa" companhia aérea Regional.
2º- hoje, de novo no nosso telejornal, nova noticia dando conta de que vários passageiros, em especial com destino às Flores, tinham chegado sem as suas bagagens, seguramente devido à falta do outro ATP , e dos constrangimentos que a sua falta, ainda estão a causar.
Este ainda, é tanto mais cruel, quando pensamos que ainda só passaram 4 dias deste que nos subtrairam o nosso terceiro ATP.

A Aliança da Europa com os EUA

O "Projecto da Paz Perpétua" de Kant e a situação actual.
A utopia pacifista parte do pressuposto de que a escolha dos inimigos é uma opção inteiramente unilateral. Sendo assim, os pacifistas europeus consideram que, para não terem que enfrentar ameaças externas, basta decidirem que não têm ‘inimigos’. Ora, hoje são muitos aqueles que dizem que a ‘Europa não tem inimigos’. Este pressuposto enfrenta três problemas que convém discutir. Em primeiro lugar, não é possível decidir de um modo unilateral que não existem ameaças externas. É simplesmente um luxo que na política internacional não se pode ter. Se algum Estado ou movimento político considerar os europeus como inimigos, a Europa tem um inimigo, mesmo que isso seja contra a sua vontade. O pressuposto de que a escolha dos inimigos é determinada de um modo inteiramente autónomo é o resultado de um absurdo racionalismo que recusa aceitar que na política internacional há resultados indesejáveis que não se controlam e com os quais é necessário lidar. Por exemplo, está demonstrado que muitos grupos terroristas islâmicos consideram os países europeus inimigos, e que existem inúmeros planos para se fazerem ataques terroristas contra alvos europeus. Ou seja, bem podem os europeus dizer que não têm nada ‘contra o Islão’, e é verdade que muitos não têm, mas isto não é suficiente para proteger a Europa. É igualmente verdade que há muitos movimentos políticos ‘islâmicos’ que odeiam a Europa e estão dispostos a usar a força contra os europeus.
Em segundo lugar, os europeus acreditam que podem afastar rapidamente as heranças do seu passado político. A verdade, porém, é que a história política europeia deixou um pesado legado, e parte desse peso dá origem ao aparecimento de inimigos da Europa. A actual geração de políticos europeus não fez a história da Europa mas tem que aceitar as consequências dessa história. Em termos muito simples, não basta ter agora boas intenções em relação a todos aqueles que têm razões históricas para sentirem ressentimentos contra os europeus para deixarmos de ter inimigos. Neste momento, as maiores manifestações de insatisfação contra o Ocidente acontecem nos países que têm fronteiras com os países europeus ou que foram colónias europeias, particularmente no mundo islâmico. Não é preciso fazer um grande esforço para entendermos que o profundo ressentimento destas sociedades é muito anterior ao início da hegemonia americana. As suas origens encontram-se na expansão da Europa e no domínio europeu. Veja-se, por exemplo, o caso da Palestina. Se é indiscutível que existe um grande ódio contra os Estados Unidos, devido à sua política externa, é igualmente certo que ninguém esquece as culpas dos britânicos. De igual modo, o ressentimento dos argelinos é essencialmente dirigido contra os franceses.
Há ainda um último ponto relevante. Uma das razões que explica o interesse dos países europeus em iniciarem o processo de integração foi a necessidade de combaterem o seu declínio político. Durante largos séculos, os países da Europa Ocidental dominaram o resto do mundo. Devido a este domínio, o poder das colónias não afectava os cálculos políticos das potências europeias. Ou seja, a ‘Índia’, o ‘Paquistão’, ‘Israel’, os ‘países árabes’, a ‘pobreza africana’, o ‘terrorismo islâmico’, e mesmo a ‘China’ não existiam como problemas políticos. Hoje, dominam a política mundial. Após a segunda guerra mundial, a distribuição do poder mundial alterou-se radicalmente. As antigas potências mundiais perderam os seus impérios e transformaram-se em potências regionais, e as antigas colónias passaram a ser novas potências regionais e mundiais. Num mundo “pós-europeu”, os países europeus isoladamente não têm qualquer expressão política e, por isso, uniram-se. No entanto, o ponto crucial, mais uma vez, foi a existência da Aliança Atlântica. A aliança com uma das duas superpotências, primeiro, e com a potência hegemónica, após o fim da Guerra Fria, mitigou os efeitos da nova distribuição de poder mundial, e reforçou o poder e a influência dos países europeus. Mais importante, tem garantido a segurança das “repúblicas Kantianas” contra as ameaças vindas do mundo “Hobbesiano”. Em conclusão, o aparecimento de ameaças independentemente da vontade dos europeus, a herança da história europeia e a nova distribuição do poder mundial continuam a fazer da segurança uma questão vital para o futuro da “Europa Kantiana”. A implicação é clara: sem a Aliança Atlântica, é necessário criar mecanismos de segurança alternativos.
Se continuam a existir ameaças à segurança das “repúblicas” europeias, ou seja se estas continuam a ser afectadas pelo estado de guerra internacional, sem a aliança com os Estados Unidos, existiriam certamente pressões políticas e estruturais que obrigariam a “Europa” a adoptar estratégias de segurança alternativas. Alguns sinais que apareceram durante a recente crise transatlântica permitem sugerir a natureza de duas alternativas possíveis. Uma seria o “federalismo Hobbesiano”, o qual permitiria lidar com o mundo “Hobbesiano”. Veja-se o que aconteceu recentemente na Europa. Numa atitude sem precedentes, a Alemanha e a França procuraram “falar pela União Europeia” em relação à crise do Iraque. Ou seja, mostraram o mais profundo desrespeito pelo Conselho Europeu, e comportaram-se como se representassem a União e esta não fosse mais do que um mero instrumento dos seus interesses. Pior do que tudo, implicitamente, sugeriram que a construção europeia se poderia fazer contra os Estados Unidos e a Aliança Atlântica. Ao fazê-lo, os governos francês e alemão pretendem reforçar o seu domínio no interior da União em nome da “segurança europeia”. Ou seja, sem a Aliança Atlântica haverá uma via para se construir uma federação hierarquizada e fortemente centralizada, dominada por um núcleo duro franco-germânico.

A outra alternativa seria a “renacionalização” das políticas de segurança. De resto, como demonstram as divisões criadas pela crise iraquiana na Europa, esta alternativa poderia aparecer mesmo como uma reacção à tentativa de se criar uma “federação Hobbesiana”. Neste cenário, os países europeus passariam a garantir a sua segurança através de coligações variáveis e de alianças bilaterais com os Estados Unidos. Imaginem como é que muitos dos países europeus iriam reagir à transformação da Alemanha numa potência nuclear, o resultado mais provável do fim da Aliança Atlântica. Parece evidente que países com a Polónia, a República Checa e a Hungria iriam procurar aliança bilaterais com Washington. Seria a divisão da União Europeia, e possivelmente o seu próprio colapso, e o “regresso ao passado nacionalista” na Europa.

Pode-se assim concluir que ambas as alternativas significariam o fim da “Europa Kantiana”. A primeira, uma “federação Hobbesiana”, garante a segurança externa e a paz interna mas instala a tirania da hegemonia centralizada dos grandes, nomeadamente da Alemanha e da França. A segunda, a renacionalização das políticas de segurança, mantém a liberdade e o pluralismo na Europa, mas aumenta a insegurança e poderá mesmo levar a novos conflitos nacionalistas e ao regresso da anarquia. Voltando à contradição identificada no início do ensaio, é legítimo ver na União Europeia um instrumento de contra-poder em relação aos Estados Unidos e é legítimo defender a manutenção da “Europa Kantiana”. Não se pode é ter as duas posições ao mesmo tempo. Para a Europa, a principal consequência do “anti-americanismo” será o fim da ordem política “republicana” que tem garantido a segurança sem cair na tirania e que tem preservado a liberdade sem regressar à anarquia. Se os europeus quiserem continuar a gozar desta extraordinária “obra de arte”, que lhes dá simultaneamente liberdade e segurança, construída na Europa desde o final da Guerra, têm que aceitar a hegemonia americana e manter a aliança atlântica. Só os utópicos é que não aceitam esta realidade. E as utopias, como demonstra a História da Europa, normalmente levam ao desastre.
João Marques Almeida, Instituto Português das Relações Internacionais

30 dezembro 2006

II Cimeira Euro-Àfrica

Portugal, bem como a União Europeia (UE), encontram-se empenhados na promoção da realização da II Cimeira UE – África, por alturas da presidência de Portugal da UE, no segundo semestre de 2007.
A primeira Cimeira realizou-se no Cairo (Egipto) em Abril de 2000, e coincidiu com a anterior presidência de Portugal dos países da zona euro, tendo então, ficado agendado, novo encontro para Lisboa no ano de 2003. Tal encontro não se concretizou, por divergências entre países Europeus e Africanos, quanto à presença, nessa reunião, do presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe.
Este ditador continua a governar a seu bel-prazer essa ex-colónia Britânica, continuando, portanto, a constituir um possível entrave à realização, em clima de amizade e cooperação, desta importante reunião.
O nosso primeiro-ministro, que chefiará a presidência da UE, já asseverou que Mugabe não será um problema, pois será convidado, mas que para isso será necessário “alterar uma posição comum da UE”, que proíbe que o referido ditador pise solo Europeu.

É caso para perguntar; serão os benefícios da sua (Mugabe) presença, e consequente viabilização desta Cimeira, superiores à “posição” assumida pela União Europeia relativamente a este ditador e às suas politicas, contrárias ao Direito Internacional e aos Direitos Humanos?

Admito que a minha primeira resposta, dada por impulso, foi a de um claro NÂO.
Depois de reflectir um pouco sobre a questão, dei por mim a ponderar um SIM, pois pensei, entre outras coisas, que a não realização de tal encontro seria mais uma “pequena” vitória de Robert Mugabe, dando-lhe uma importância que ele não deve ter.

Existem assuntos como a imigração, a SIDA, a fome e, até, as ditaduras que ainda persistem naquele continente, além das guerras civis e entre países vizinhos (como esta semana entre a Etiópia e a Somália), que não podem ficar à espera que Mugabe “caía” ou morra, pois cada dia que passa verifica-se mais uma hecatombe.

Se o preço a pagar para travar essa hemorragia, é convidar um ditador sanguinário e racista para se sentar à nossa mesa, pois assim seja, em nome de um bem maior, digo eu.

Babel

O novo filme de Alejandro González Inarritu, "Babel" que estreia esta semana, arrisca-se, desde já, a ser o melhor filme do ano de 2007, conta com as interpretações de Gael Garcia Bernal (Diários de Motocicleta), Brad Pitt (12 Macacos) ou Cate Blantchett (O Aviador). Este filme completa a trilogia que se iniciou com "Amor-Cão" e "21 Gramas". Será um filme a não perder, tal como os dois primeiros o são. Para já, conta com 7 nomeações para os Globos de Ouro

28 dezembro 2006

CDS ou PP

O CDS está dividido há muito tempo e isso já foi amplamente discutido neste blog e noutros. A liderança de Ribeiro e Castro incomoda muita gente que decidiram seguir uma linha de ataques duros e vis, que têm contribuído, definitivamente, para a divisão do único partido – com alguma representação – de direita em Portugal.

Para quem vê de fora, assiste-se a uma destruição do partido e a uma total descredibilização dos seus dirigentes, de ambos os lados. A linha tomada pelos ‘portistas’ é algo que me custa muito a compreender, se querem tanto a liderança do CDS, têm que apresentar uma candidatura já e não andar nas televisões diariamente, a falar mal do seu líder.

Por outro lado, a posição do próprio Ribeiro e Castro é igualmente, incompreensível. Neste momento não tem qualquer credibilidade política perante o país, é necessário um Congresso extraordinário e ponto final, mesmo que tenha havido um há pouco tempo, para que tudo fique decidido de uma vez por todas.

No PSD vê-se algo semelhante, com Luís Filipe Menezes a contestar a liderança de Marques Mendes constantemente. Com isso tudo, o PS e Sócrates lá vão governando com um à vontade incrível. Com tantas medidas impopulares (estejam elas correctas, ou não), com tanta contestação social, era de prever que o papel da oposição estivesse facilitado, no entanto...

26 dezembro 2006

A SATA na Madeira

O blog do meu estimado colega Cláudio Almeida, Paralelo 37, noticia que a SATA prepara-se para assegurar, temporariamente, a ligação aérea entre Funchal e Porto Santo, ocupando o lugar da Aerocondor que invocou "não ser possível continuar a suportar o défice negativo da operação". O blog Máquina de Lavar acrescenta que esta operação foi realizada a nível nacional, tendo o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e o INAC um papel central no processo.
Evidentemente, a pergunta é: quem vai pagar esse déficit agora?

NA-CEE (Núcleo de Alunos do Curso de Estudos Europeus)

Um novo blog foi criado, especialmente dirigido para alunos do curso de Estudos Europeus e Política Internacional da Universidade dos Açores. Eu e Cláudio Almeida tentamos colocar online toda a informação que possa ser relevante para o curso e para a temática.

www.na-cee.blogspot.com

22 dezembro 2006

Natal Solidário

Começo por dizer que a época de Natal é um período que me agrada pessoalmente, enquanto católico, enquanto indivíduo e enquanto pai.
Gosto sobretudo da atmosfera familiar que reina nesta quadra da natividade, do nascimento de Jesus, dos enfeites próprios (destaco o presépio, fundamental), das luzes e da azáfama que se vive por estes dias, e porque não admitir, também das ofertas que sempre “caem” pela chaminé na noite de 24 de Dezembro.
É uma festa de abundância, de alguns exageros, de uma melhor “mesa” e “armário”. Para alguns, é assim. Eu tenho a felicidade de poder pecar por gula durante estes dias de festa. Mas não me esqueço de quem não pode. Não por caridade, mas antes por solidariedade social, por uma “reposição” de alguma justiça social. A principal motivação são as crianças, até porque vivemos numa era em que impera o consumismo, em que a fartura mora ao lado, cobiçada por quem pouco ou nada tem de especial, num dia que se “vende” como especial.
Eu não espero que o Governo faça tudo, exijo que faça a sua parte. Mas tal como o Poder Local, o Vizinho está mais próximo, conhece melhor alguma situação de carência familiar ou individual e, querendo, tendo alguma motivação altruísta, pode amenizar “algo”, nem que seja por uma noite, uma Noite Especial.

19 dezembro 2006

O maior espectáculo do Mundo!

Fala-se muito, nos dias de hoje, na crescente dependência dos jovens em relação às novas tecnologias (Playstation, Internet, TV, I-Pod, etc) e aos efeitos que o uso abusivo dessas maquinarias poderão ter no seu futuro. Penso que, desde que usadas com moderação e com acompanhamento de adultos, até podem ser muito positivas no desenvolvimento.

O que, na minha opinião, é muito nefasto para o desenvolvimento de um jovem ou de uma criança é assistir a um espectáculo de circo, onde animais são mal-tratatados para o simples regozijo do ser humano. Sempre me fez muita impressão ver leões, girafas, elefantes e outros animais a serem chicoteados numa arena, para fazerem umas acrobacias para as quais não são talhados, para a simples diversão humana. Sempre me fez muita impressão ver pais levarem os seus filhos para verem os animais do circo, que estão fechados em jaulas antes do ‘espectáculo’, com ar triste e abatido. Enfim, sempre me fez muita impressão ver animais a serem retirados do seu meio e serem ‘domesticados’ à base da violência e de drogas, para arrancar umas palmas e uns cobres.
As crianças e jovens olham incrédulos para os seus pais a aplaudirem aquela violência e, evidentemente, acham normal que os animais, com quem partilhamos esta Terra, existem para nosso ‘uso’ e para nossa diversão. Esta é uma luta, que todos temos de combater.

13 dezembro 2006

Os Açores vistos do Mar

Foi com um orgulho e uma satisfação especial que, ao assistir a um programa sobre criaturas do Oceano, no Discovery Channel, me deparei com imagens destes meus Açores, destas ilhas de bruma.

O programa debruçava-se sobre animais marinhos que conseguem atingir grandes profundidades, e elaborava uma espécie de lista, em contagem crescente, até ao animal marinho, no caso mamífero, que mais profundidade atinge no Oceano.
Depois de focas elefante, entre outros, e depois de mergulhar fundo (até com um pequeno submersível que atingia os mil metros de profundidade) noutros Oceanos, o autor/apresentador do dito programa desloca-se ao nosso Atlântico em busca da criatura que mais fundo mergulha, o Cachalote.

O local escolhido foram os Açores, apresentados como um arquipélago no meio do Atlântico e com um mar limpo onde vagueiam os mais variados seres marinhos, entre os quais o campeão de profundidade, o Cachalote, que pode mergulhar até aos 3.000 metros.

O programa limitou-se ao nosso mar, não visitou terra, e as imagens só mostravam as ilhas ao fundo. No entanto, o panorama do pico como pano de fundo, na Ilha que lhe dá nome, é uma imagem muito forte.

Senti, nos intervenientes do programa, uma enorme excitação ao vislumbrar os mais de 15 metros do dorso do Cachalote a vir à superfície para respirar, maravilhados com o cenário em que se inseria aquele momento. Depois, mergulharam ao seu encontro e, para compor o cenário debaixo de água, circulavam, num bailado de boas vindas, vários golfinhos.
Seguramente que esta experiência não foi só mais um mergulho para estes profissionais. Onde teve lugar? Nos Açores.

Reforço a ideia que já aqui defendi; são estes os Açores que eu idealizo, são experiências como esta, únicas, que devemos promover e incentivar. Sempre no mais profundo respeitos pela nossa fauna e flora, bem como pelo nosso mar e seus recursos.

10 dezembro 2006

Ela, Carolina


Coisas fantásticas!

Venho por este meio dar conta da minha indignação em relação ao anuncio da TV Cabo, que passa em todos os canais.

Se ainda não o viram, posso o resumir em breves palavras: um senhor de meia idade chega a casa e vê uma mensagem da sua família, dizendo que o vão deixar porque ele não gastou €15 para instalar um dos pacotes da TV Cabo na sua casa.

Que mensagem é que passa? Passa uma mensagem de total desprezo pelos valores de família e pela instituição família. Retrata-se um drama social com uma ligeireza incrível e passa a imagem que a ‘cola’ que une as famílias, nos dias de hoje, é a TV.

Uma empresa que tem o monopólio da área, que rouba descaradamente do nosso bolso, não só pelos preços absurdos do serviço de televisão, mas também pelo serviço de internet, não tem necessidade disso.

Há coisas fantásticas, não há?

09 dezembro 2006

Para que serve, afinal, a RTP-Açores

Saiu hoje a notícia uma que diz que o Governo Regional dos Açores recusou a proposta do Governo central para reestrturar a RTP-Açores.

Nada mais natural, o melhor para o Governo Regional é deixar as coisas como estão na RTP-Açores, é um excelente instrumento na sua luta política.

No mesma notícia, dá-se relevo às declarações do Director da RTP-Açores, mostrando o seu contentamento pela “oferta” (palavra usada pelo próprio) que o Governo Regional deu. Trata-se de equipamento técnico, necessário diga-se, pois permite que as reportagens realizadas nas ilhas de S. Maria, Pico, S. Jorge, Graciosa, Flores e Corvo, não tenham de vir de avião para S. Miguel para serem transmitidas. Não posso, no entanto, deixar de pensar que as duas ‘estórias’ têm uma relação de causa/efeito.

06 dezembro 2006

Uma Vida por 5 euros

Li, durante o fim-de-semana, uma pequena notícia que dava conta de um episódio corriqueiro, não fosse o interveniente agente principal e elemento do corpo de Segurança da PSP, destacado ao serviço do Presidente da República.
Resumindo a estória; o dito agente principal, numa visita ao supermercado, trocou o código de barras de uma lata de comida para gato, por uma outra de menor preço, podendo, assim, levar um melhor repasto para o seu felino, poupando cerca de 5 euros.
Tudo calmo, não fosse, desta vez, ter sido apanhado pelas câmaras de vigilância e seria mais uma banal ida ás compras. Resultado, foi parado por seguranças na caixa, e convidado a dirigir-se a um pequeno escritório, onde foi confrontado com a tentativa de burla (é este o nome do crime cometido). Desculpou-se e prontificou-se a pagar a diferença, os tais 5 euros.
Mas, por estar armado, foi obrigado a identificar-se perante os Seguranças do supermercado.
O responsável pela Segurança, por sinal major reformado da GNR, não perdoou tal infracção por parte de um agente da autoridade, e efectuou uma exposição por escrito à direcção da PSP que, de imediato, suspendeu o referido agente por 90 dias, sem direito a vencimento.
Mais, “quando voltar será afastado da segurança do Presidente e muito provavelmente do corpo (de segurança da PSP)”, palavras vindas da direcção nacional da PSP, e que indignaram os colegas do visado.

O agente principal R. (assim identificado na noticia) tem mais de 20 anos de polícia e é segurança de Cavaco Silva desde os dias de primeiro-ministro e homem de confiança pessoal da família presidencial, lê-se na mesma notícia.

Ao ler o sucedido, dei por mim a pensar se esta decisão de suspensão e afastamento do interveniente não seria excessiva, se não seria excesso de zelo.
Também pensei na oportunidade ou não, de alguém próximo do presidente, solicitar um perdão tendo em conta os (eventuais) excelentes serviços prestados pelo dito segurança.

…..ainda estou reflectindo, enquanto penso, gostava de ler as vossas opiniões. PSP, destacado para Segurança do Presidente da Républica

29 novembro 2006

Apenas uma sugestão

A propósito deste post no blog foguetabraze, decidi voltar ao tema da ‘nossa’ televisão, a RTP-Açores.

A grelha da RTP-Açores é algo que deve ser visto e discutido, desta forma cá vai a programação para hoje dia 29 de Novembro de 2006:


Vamos então por partes: a TV abre com 3 horas de Bom Dia, que é um programa que aborda, praticamente, todos os assuntos importantes das nossas ilhas e ainda mais alguns. Peca, evidentemente, pela longuíssima duração das reportagens.

Até às 11.45 a programação segue com séries infantis, depois dá uma telenovela e a seguir o Contra-Informação. Tudo coisas repetidas ou do Canal 1 ou da :2.

Até às 13.00 repetem-se programas de produção regional, dos dias anteriores: Trofeu e Um Dia Uma Foto.

Às 13.00, uma síntese das notícias regionais, na maior parte repetidas ou que irão ser repetidas no Telejornal da noite.

Às 13.20, a repetição do Jornal da Tarde que acabou momento antes no Canal 1.

14.30, a série Friends, dos confins dos anos 90 e repetida várias vezes tanto no Cnal 1 como na :2 ao longo destes anos todos.

Entre as 15.20 e as 19.30, pasmem-se, repete-se tudo o que deu de manhã: Bom Dia e as séries infantis.

Às 19.30 repete-se o programa Histórias dos Açores, que deu dias antes, mas em horário nobre.

Das 20.00 até às 22.30 é o horário nobre e onde transmite-se programas novos: o Telejornal (se bem que repita muitas das notícias da tarde). Depois, as novidades sobre o Tempo e sobre o desporto. Às 21.30, um programa com uma singela meia hora para debater assuntos de interesse público regional: Meia Hora é o título, não podia ser mais apropriado, e traz à Tv representantes dos partidos políticos dos Açores. Entre as 22.00 e 22.30 tocam grupos de jazz no 6º Festival daquele género musical de Angra.

Depois volta-se ao baú da casa mãe e retira-se os Sopranos, (não sei qual a série que está a ser transmitida, mas sei que já há, pelo menos, mais 3 novas). Depois, filme: Tango e Cash, com Stallone, para dormir bem.

Como se não bastasse o gasto do nosso dinheiro para manter a ’nossa’ TV aberta estas horas todas, repetem-se os boletins informativos regionais da noite. Fica sempre bem ter muita produção regional. Tocam os hinos pelas 01.30, recomeça tudo 6 depois.

Conclusão: fazendo umas contas rápidas a RTP-Açores deveria abrir às 07.30, dar 2 horas de Bom Dia e fechar. Reabrir às 19.00 com séries infantis, dar os boletins informativos, e no horário nobre alternavam-se os programas de produção regional existentes (melhorar alguns, seria boa ideia) e fechar antes das 22.30. Sai, a nós todos, muito mais barato, que o Governo Regional invista para que todas as casas dos Açores tenham acesso gratuito aos 4 canais generalistas do continente.

23 novembro 2006

PORTAS pró MAR

O título deste meu post, remete propositadamente para o projecto, já em execução, das Portas do Mar”, mas quer transmitir um desejo, o meu desejo de nos virarmos, sem medo, mas com respeito, pró Mar, para este Oceano que nos rodeia. Temos de assumir a nossa vocação Atlântica, e abrir as Portas pró Mar, para as actividades náuticas, para a promoção dos Açores como Ilhas verdadeiramente Atlânticas, com um Arquipélago que se mistura com o mar que o banha, que vive dele e para ele, que o preserva, que o respeita e valoriza.
Um Arquipélago onde as baleias e aves acorrem para se resguardar dos Invernos mais rigorosos a Norte, um paraíso Atlântico.
São estes os Açores que eu idealizo.

Para tal há que apostar em actividades ligadas ao mar e em projectos que desenvolvam iniciativas de cariz marítimo ou costeiro. A limpeza da nossa orla costeira é essencial para que o primeiro postal para quem chega pelo mar, para quem acostar nas Portas do Mar” , não fique manchado com os detritos que (ainda) se espalham pelos nossos “calhaus”.

Em relação a actividades desportivas, de lazer ou de investigação cientifica, entre outras, o nosso Governo poderia, a meu ver, encaminhar grande parte das verbas atribuídas a outras duvidosas cuasas (como o último “subsídio” ao CD Lusitânia, para promoção de produtos hortícolas Regionais), e criar rubricas próprias para canalizar verbas que visem a criação de condições para que os Clubes Navais locais, e outras colectividades (ou indivíduos), possam dispor de meios para atrair jovem para a prática da vela ou canoagem, entre outras, dinamizando assim estas estruturas e fomentando o interesse dos jovens por estas práticas.

Temos mar em abundância para a prática de lazer e desportos de mar, pese embora alguns dias bastante invernosos, mas faltam-nos infra-estruturas e equipamentos para que os jovens se sintam impelidos a praticá-las. Os êxitos só se conquistam quando existem condições para treinar e bons meios para uma prática sistemática.

A Secretaria Regional do Ambiente e Mar tem aqui um papel importante, tendo, inclusive, já dado um primeiro passo, ao entregar ao Clube Naval de Santa Maria de uma embarcação a motor, tipo pesca-passeio, de nome “bota-abaixo”, que servirá, nas palavras da Secretária Regional Ana Paula Marques, “para prestar um importante auxílio nas acções de monitorização, fiscalização e observação do litoral e do mar circundante desta Ilha, numa parceria entre o Governo e aquela instituição”.

Nesta área podemos, devemos, ser exímios, ser um exemplo, aqui poderemos marcar a diferença, e conseguir, através do mar, levar longe o nome das nossas Ilhas. Exemplo disto são as regatas que cruzam as nossas águas e as que aqui aportam.

Num mundo onde lugares mágicos, como ainda considero serem os Açores, são cada vez mais raros e são cada vez mais procurados por turistas que procuram um refugio à agitação das sociedades modernas e ao “mundo” de betão que os cerca no quotidiano.

Não contesto que se atribuam alguns apoios ao futebol e ao golfe, o que me custa aceitar é a aparente falta de interesse na aposta “mar”, por parte das entidades públicas.
Pagam para abater barcos de pesca, poderiam financiar embarcações desportivas e outros meios que possibilitem essas práticas, e não dizimam o que de melhor tem o mar, os seres que nele habitam.

19 novembro 2006

DOIS em UM

Não, não me refiro a "champô e amaciador num só", refiro-me a dois exemplos, que vou aqui postar, de como se Governa a nível Local e Regional, podendo, digo eu, ser estendido a nível Nacional e a várias àreas do poder público executivo.

1º - Faz manchete no Público deste Sábado a noticia de que a "Madeira faz contrato de 644 mil euros com empresa de deputados de PSD (Madeira)".

Ao ler a noticia fiquei a saber que a RAM - Região Autónoma da Madeira, adjudicou, por "concurso público", a promoção turística da Ilha junto do mercado Continental, a uma empresa propriedade de Jaime Ramos e do seu filho Jaime Filipe, ambos Deputados pelo PSD na ALR da Madeira.
O contrato é válido por dois anos, e vale 644 mil euros, para promover a Região através de publicidade em Revistas, Rádio e TV nacionais. Importa referir que este é o primeiro de uma série de investimentos que visam o mesmo objectivo (atrair turistas continentais), contando com um investimento de 5,5 milhões de euros para o triénio 2006-09, conforme sujestão da Deloitte&Touche como resultado de um estudo encomendado pelo Governo da RAM.
Este atentado à ética e moral, politica e social, ainda é possível nesta Região Autónoma, porque ali não quiseram aplicar o regiem que vigora no resto do país (RAA, inclusive), que impede que titulares de cargos públicos de realizarem negócios como Estado. Porque será?

P.S.- O Turista do continente já representa quase 30% dos que visitam a RAM, lê-se no mesmo artigo.

2º - A respeito da coligação PSD/ CDS-PP na Autarquia da Capital, tenho lido e ouvido que ruíu devido à escolha do nome para liderar uma Comissão que visa acompanhar o projecto de reestruturação da Baixa- Chiado. Este projecto, de muitos milhões de euros, e de uma importância e necessidade indiscutiveis para Lisboa, está a gerar arrufos partidários devido ao homem escolhido para Administrador da referida Comissão, que se diz ser "próximo" de Luís Filipe Menezes.
Esta escolha desagradou Marques Mendes que, de imediato, ordenou a Carmona Rodrigues a sugestão de outro nome. Quando Carmona "sugeriu" a Nogueira Pinto a escolha de outro nome, esta não aceitou, resultando deste "facto politico" a dissulução da coligação pós-eleitoral que liderava, com maioria, a maior Câmara Municipal do país.

Parece nunca ter estado em causa, neste "facto político", a competência e conhecimentos para o cargo a desempenhar da primeira escolha ou de outros nomes "propostos", talvez a prioridade nem seja o melhor para a cidade de Lisboa mas sim as lealdades partidárias e intra-partidárias.

* Estes são só dois casos - que fazem a actualidade nacional - da forma despudorada e sem a preocupação de servir, com dignidade e altruísmo, a causa pública, dos intervenientes supra citados..................e de tantos outros, aqui tão perto.

Reina a Lei dos amigalhões e das Lealdades partidárias, não o brio e as competências.

Tudo isto é triste, tudo isto é fado............e é caso para dizer, tudo isto se passa em Portugal.

18 novembro 2006

O regresso anunciado dos russos

Esta semana ficou-se a saber que a empresa estatal russa Gazprom comprou parte da GALP. Por um lado, e a nível doméstico, percebe-se como os grandes ‘magnatas’ portugueses fazem o seu dinheiro; compram ao Estado por um preço e depois vendem aos estrangeiros por outro, aliás essa não é uma situação nova, o mesmo tinha acontecido por altura das privatizações da banca e subsequente venda a grupos espanhóis. Por outro lado, e a nível internacional, percebe-se a estratégia russa de controlar a distribuição de gás, na Europa.

A energia assume, actualmente, uma importância cada vez maior na divisão de poder a nível internacional, basta ver o que se passa no Médio Oriente e como os americanos preferem estar a perder homens diariamente, para manterem a sua influencia naquela zona e no seu petróleo. Os russos, por seu lado, têm já uma rede de distribuição de gás natural que influencia toda a Europa e querem, naturalmente, aumentar essa influencia, aumentando, também, o seu poder.

A Europa, pelo andar das coisas, vai voltar a ser um joguete nas mão de russos e americanos, porque não se consegue unir e impor. E se essa situação vier realmente a acontecer os europeus vão perceber, outra vez, que o melhor é estar do lado dos americanos, porque apesar de todas as criticas que lhes podem ser feitas, são os nossos melhores aliados. Os russos continuam a resolver os seus assuntos de forma unilateral (eles sim), basta ver o que aconteceu quando o poder caiu nas mãos de Iutchenko na Ucrânia: cortaram-lhes o abastecimento de gás. Será que é isso que os europeus querem para si?

Antes de se começar a criticar os americanos por tudo e mais alguma coisa é melhor que se compreendam algumas das suas decisões dentro do quadro mais amplo, ou como eles próprios dizem see the big picture.

14 novembro 2006

E agora, América?

Passada que está uma semana das eleições para o Congresso e Senado dos EUA, está na altura de fazer uma pequena reflexão.

Os Democratas venceram, num sistema bi-partidário como é o estadunidense, isso quer dizer, na prática, que têm maioria em ambas as câmaras. O Presidente, Bush vê-se, agora perante um governo de co-habitação, isso quer dizer que a sua governação está muito limitada ao Congresso e Senado, pois o sistema de checks and balances funciona mesmo nos EUA, ao contrário do que muitos europeus dizem.

Pode-se afirmar, com alguma certeza, que os americanos deram nota negativa à política de GW Bush, principalmente à política externa. O Iraque é a razão maior, mas não, como ouvi, porque o Iraque está pior, ou porque não se conseguiu levar a democracia, nada disso, o povo americano egoísta, como é e como dever ser, está a pensar nos seus soldados, está a pensar no Vietname, está a pensar, acima de tudo, que afinal o Iraque já não é um tão bom negócio para eles. Guantanamo, os voos da Cia, os escândalos sexuais do congressista Foley, etc não foram factores decisivos para a derrota Republicana.

Quanto ao futuro, e com os Democratas com as maiorias das Câmaras adivinha-se uma mudança na política externa de Bush. A primeira mudança foi o afastamento de Rumsfeld, fiéis a uma ideologia neo-conservadora, da escola de Leo Strauss, os republicanos apressaram-se a arranjar um escape goat (bode expiatório). No entanto, não se pode esperar muito da política externa amreicanaa a partir de agora: ou os democratas têm um excelente e milagroso plano para o Iraque, onde consigam, por um lado, retirar os seus soldados de uma forma digna e por outro mantenham algum poder na zona, conseguindo uma transição para um governo e para um exército iraquianos, que mantenha alguma paz, protegendo os seus interesses na zona. Ou então, e esta é que é a dura realidade, os Democratas não têm nenhum plano milagroso e o futuro da política americana no Iraque resume-se a uma de duas situações: ou retiram do Iraque, à lá Vietname dando aos inimigos da zona aquilo que pensarão ser uma vitória clara sob o invasor, fazendo crescer o elan e a motivação dos grupos extremistas islamitas na luta contra os americanos e perdendo a influencia sob as fontes energéticas da zona. Ou então mantêm-se na zona, prolongando a actual situação, com algumas políticas mais humanas na área dos Direitos Humanos, para atirar alguma areia para os olhos dos eleitores e da opinião pública internacional, mas mantendo toda a sua influencia no petróleo da zona, conservando, assim, todos os empregos nos EUA que dependem do Iraque, por outro lado a situação militar irá continuar e mesmo piorar, como todos os especialistas prevêem.

Portanto, o futuro não é risonho, porque não há soluções milagrosas e como os americanos dependem muito da energia que vem do Iraque, não vão querer sair sem ter alguma segurança no que respeita ao próximo governo iraquiano.

Ao contrário de muitos movimentos de esquerda europeus que têm a segurança de saberem que nunca chegarão ao poder e, desta forma, podem criticar tudo e mais alguma coisa, dizendo sempre que está tudo mal e que têm sempre a solução –utópica, diga-se – os Democratas sabem que a realidade da governação é muito mais dura e complexa e, portanto, não podem fazer promessas milagrosas.

11 novembro 2006

Sandinista


Daniel Ortega, ex-líder dos Sandinistas venceu as eleições presidenciais da Nicarágua. Com Hugo Chavez, Evo Morales e, claro, Fidel Castro, a esquerda mais radical da América Latina, toma novo fôlego, para alegria de alguns e apreensão de outros.

08 novembro 2006

700 milhões para a Batalha!

Saiu, recentemente, uma notícia que dizia que vão ser investidos 700 milhões de euros, ao longo dos próximos 10 anos, em infra-estruturas para melhorar o campo de golfe da Batalha e, desta forma, incentivar o turismo.

Eu concordo plenamente que se invista no turismo, e, mais concretamente, no golfe. No entanto, 700 milhões de euros é muito dinheiro, muito mesmo. Basta dizer que o orçamento da Região Autónoma dos Açores para o próximo ano anda à volta de 610 milhões de euros. Onde se vai gastar esse dinheiro todo? É a pergunta que se impõe. Um hotel de 5 estrelas, um condomínio de apartamentos de luxo, spas, etc. Se construir-se isso tudo e tudo o resto que foi anunciado, será sempre muito difícil atingir esses valores. E de onde vem esse dinheiro? O que foi dito é que se trata de uma parceria pública e privada, mas quanto desse dinheiro é público?

Sinceramente, acho que esse valor não está correcto e ainda vai ser corrigido.

06 novembro 2006

Crossfire with Jon Stewart

A propósito de apresentar o seu livro America (The Book): A Citizen's Guide to Democracy Inaction, Jon Stewart é o principal convidado de 'Crossfire'. Stewart, brincando, brincando, põe o "dedo na ferida" e diz, claramente que este tipo de programa é mau, além de chamar 'dick' ao representante republicano.

A não perder.

05 novembro 2006

Fox Bill O'reilly insults 9/11 Truth Movement Jim Fetzer

Veja-se, neste pequeno video, como andam os média nos EUA. O famoso Bill O'Reilly, aparentemente sem argumentos, trata de chamar nomes a um professor universitário. Concorde-se ou não com o Prof. isto não é aceitável e só se expilca devido à forma como so EUA são governados, actualmente.

Pequeno Apontamento Nuclear

Enquanto lia, como habitualmente faço, os jornais nacionais de Sábado, saltou-me á vista uma pequena notícia, que tinha como Título, "Governo dos EUA apaga "site" com receita da bomba atómica".

Ao ler a referida notícia, percebi que o tal "site" é do próprio Governo dos EUA e que integra a Internet do Pentágono, e que o mesmo continha documentos Iraquianos com detalhes sobre a fabricação de uma bomba atómica. Quem confirmou este facto foi a própria Secretária de Estado Condoleezza Rice, acrescentando que os documentos apreendidos no Iraque, tinham sido colocados on line em Março, na esperança que o público ajudasse a fazer a triagem dos dados, por falta de tempo dos tradutores oficiais.

Garanto que a noticia está aqui explicada tal e qual como no Jornal "Diário de Notícias" deste Sábado, 4 de Novembro de 2006.

Fica a pergunta: Não mereceriam, documentos desta índole, outro tipo de tratamento, outra confidêncialidade?

Quando não se olham a números no que diz respeito a despesas com meios bélicos, creio que a inteligência, os serviços secretos Americanos, deveriam, pelo menos, ser brindados com mais uns dólares para contratar mais tradutores........em prol da segurança da Humanidade

04 novembro 2006

God's away on business

Lê-se na 1ª página do Açoriano Oriental de hoje que, afinal, o apoio de 100 mil euros para o Lusitânia FC, resultou num erro dactilográfico da portaria, porque o artigo dizia “dificuldades financeiras” quando se devia ler “o apoio é para a promoção de produtos açorianos”. O ‘erro’ foi reconhecido pelo Secretário Regional da Agricultura e Floresta, Noé Rodrigues, e fica tudo bem, no fim de contas. Ou será que fica?

É mais que claro que foi um erro, mas porque, desta vez, a ‘negociata’ não foi bem encoberta. Em qualquer outro lugar do mundo, onde as instituições funcionassem verdadeiramente, o responsável (Sec. Reg. Agricultura) pediria a demissão e este episódio teria um peso determinante na imagem que o eleitorado tem do seu Governo e teria consequências nas eleições seguintes.

03 novembro 2006

E, de repente, descobre-se a importância da História

O jornal Açoriano Oriental dedica diariamente, na sua última página, um espaço para de crónica que é assinado por diversos autores, são as Crónicas do Aquém (geralmente muito boas) Ocasionalmente (não sei se todas as sextas-feiras) um certo Rui Jorge Cabral disserta sobre assuntos distintos. As suas opiniões são discutíveis, no mínimo, e a do dia 3 de Novembro não é excepção.

Senão vejamos: Cabral dedica-se a compreender o fenómeno da crise económica que o mundo está a passar. Para isso usa o exemplo do livro Germinal, de Emil Zola, que foi escrito há 125 anos. É feito um paralelismo entre a situação descrita por Zola e a situação actual. Chega, depois, à brilhante conclusão que a História se repete, e que podemos aprender com o que se passou. Chega ao ponto de 'dizer' "Talvez possamos aprender com a História”. Qualquer historiador sentir-se-á diminuído no seu trabalho ao ler esta frase, e com razão, porque não é talvez, é de certeza.

Cabral explica-nos, depois, aquilo que aconteceu no mundo ocidental depois dos “exageros do capitalismo e da economia de mercado” que “resultaram no comunismo” e tudo aquilo que sabemos que se lhe seguiu. A solução encontrada pelo cronista para que não se repitam os erros do passado passa, pasmem-se, por boa educação e bom senso negocial. Aliás, noutra crónica este autor afirma que a principal razão porque os jovens caem na toxicodependência é por falta de educação, no seio das famílias.

Compreende-se, assim, porque razão Cabral dá tão pouca importância à História, é porque não a conhece, porque se a conhecesse saberia que os homens - como nos disse Thomas Hobbes – “vivem numa busca incessante por poder, que só acaba com a sua morte”, antes, agora e no futuro e neste contexto a boa educação é de somenos importância. Conhecendo o mínimo de História, o cronista veria que os exemplos sucedem-se ao longo dos tempos e que os avanços, resultantes de entendimentos entre os Homens (e Estados), não aconteceram devido a boa educação, nem mesmo devido a bom senso, mas sim devido a negociações, a compromissos, a ameaças.
Não se pretende, aqui, diminuir a importância de uma boa educação. A educação é, de facto, importante, mas não define os avanços e recuos das sociedades.

01 novembro 2006

Jon Stewart on President Bush's Job,

Percebi agora que houve quem (PP) tentasse aceder ao video sobre o trabalho de GW Bush, que postei. Parce que o tiraram do YouTube, no entanto fui pesquisar e encontrei outro, este é maior 9.42 min, mas tem o que queria mostrar, tem também Saddam Hussein numa escultura de gelo com um repuxo de água a sair 'lá do sítio'. Jon Stewart é sempre para ver.

Sócrates (afinal) também falha

Desde que voltou das férias que José Sócrates anda a perder alguma da sua força. O que parece é que Sócrates quer implementar políticas que são claramente de direita, mas está preso pelas promessas socialistas que fez na campanha eleitoral, afinal de contas ele só podia fazer as promessas que fez porque é do PS.

A introdução de portagens em algumas SCUT’s é um exemplo disso. A verdade é que essa é uma política que se imponha, porque são estradas que não estão pagas e uma solução tinha que se encontrar. Aliás esse é um exemplo que os Açores devem olhar com atenção, pois estão projectadas SCUT’s para S. Miguel que ainda ninguém percebeu como vão ser pagas. Sócrates vai fazer o que tem de ser feito, mas está ir contra os princípios do PS e pior está a quebrar as promessas que fez na campanha eleitoral. A forma encontrada para a escolha das estradas que vão receber as portagens também deve ser levada em linha de conta. Tratou-se de uma jogada política clara.

Outro exemplo foi a decisão de um tribunal que deu razão a uma aluna que se sentiu lesada no caso dos exames nacionais do 12º ano. Muito resumidamente, e como nos lembramos bem, a Ministra da Educação decidiu que se realizariam repetições de alguns exames, o que criou uma situação de desvantagem. Ou seja, de facto há razão para os alunos se sentirem injustiçados. Há que realçar, também, que o sistemas funciona. Os Tribunais têm o seu poder e podem usar, mesmo indo contra decisões ministrais, outra coisa não seria de esperar, mas fica o registo.

A oposição, deve, então, perceber que Sócrates e o seu Governo não são infalíveis ou inatacáveis. Erram e podem ser contestados. É preciso, no entanto, união pelo menos dentro de cada um dos Partido da oposição.

31 outubro 2006

Isto é o PCP

"No espaço de uma semana, o PCP assumiu três atitudes públicas em defesa da Coreia do Norte - num voto parlamentar, num comunicado do Comité Central e no jornal oficial comunista. Uma posição de que se demarcam militantes e ex-filiados no partido que continuam a reclamar-se do ideário marxista-leninista. Um deles, o sindicalista Mário Nogueira, contesta sem rodeios o regime de Pyongyang. "Merece-me bastantes reservas", disse ao DN este dirigente da Fenprof e ex-cabeça-de-lista do PCP pelo distrito de Coimbra. As críticas que faz à Coreia do Norte - alegando, no entanto, desconhecer as posições assumidas pelo grupo parlamentar e pelo Comité Central - são extensivas à política externa norte-americana, que também merece reservas a este dirigente sindical. Igualmente crítico em relação ao regime de Pyongyang é Fernando Vicente, um militante que participou na rede clandestina do PCP antes do 25 de Abril e foi preso pela PIDE. Este antigo membro do Comité Central, hoje sem cargos directivos no partido, considera que "a classe dirigente da Coreia do Norte não merece confiança" da comunidade internacional pela sua "obstrução das liberdades e da democracia". Fernando Vicente, dirigente do movimento cívico Não Apaguem a Memoria, também critica a política expansionista dos Estados Unidos, sublinhando os riscos da escalada nuclear na Ásia-Pacífico.Solidariedade do Comité CentralNa segunda-feira, o Comité Central exprimiu "solidariedade" ao líder comunista Kim Jong-il, "perante a escalada imperialista na Península da Coreia". Dois dias depois, a bancada parlamentar comunista foi a única a alinhar com Pyongyang, recusando apoiar um voto de protesto contra o teste nuclear efectuado na Coreia do Norte. E a edição desta semana do Avante! dedica uma página às teses oficiais daquele país, sob o título "Pyongyang quer a paz mas não teme a guerra" (ver caixa)."Acho grotesto", reage o sindicalista José Tavares, ex-membro do Comité Central comunista. Há três anos, uma entrevista do líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, ao DN admitindo que a Coreia do Norte era "uma democracia", deu origem a um coro de protestos no partido. " in Diário de Notícias
O PCP continua a viver num mundo à parte. Parece que não aprenderam nada com a História. É inadmíssivel que pessoas que viveram sob uma ditadura, não a consigam reconhecer num regime como o da Coreia do Norte. Por outro lado, há que saudar os militantes comunistas que se libertam das imposições da cúpula do PCP e 'pensam pelas suas próprias cabeças'.

29 outubro 2006

O Benfica é muito Grande


Foi um inicio de noite stressante, no mínimo. Para nós, benfiquistas, já se adinhava um jogo complicado, e muito mais ficou quando o Lucíclio Baptista apitou para o começo da partida. Nos primeiros minutos – até aos 10 min. de jogo – o Benfica até jogou bem, Léo até teve uma boa oportunidade, mas rematou com o seu pior pé, o direito.

Depois disso, o Porto tomou conta do jogo, com um meio-campo muito dinâmico, Assunção, Lucho e Anderson, o Benfica não aguentou o jogo ofensivo portista e foi com alguma naturalidade que o golo do Porto surgiu. É verdade que foi um golo de sorte, mas merecido. Depois disso o Porto podia ter marcado mais, estava a jogar melhor e o Benfica não tinha resposta. Na minha opinião o Fonseca não devia ter jogado de início, devia ter entrado com mais um médio-centro, talvez o Beto.

E foi, outra vez com naturalidade, que o Porto marcou. Quaresma já tinha feito uma jogada igual. Outro erro do F. Santos: defender o Quaresma tem que ser com um jogador na dobra, ou seja, depois do Nelson devia haver um colega para ajudar. Não havia e Quaresma fez magia outra vez, também depois desligou e acabou por sair, naturalmente.

Depois do 2-0, o Benfica reagiu, podia até ter reduzido antes do fim da 1ª parte, nãoo fez, se tivesse feito o resultado seria diferente. Com o início da 2ª parte o Benfica vem melhor e F. Santos faz o que tinha de fazer, tira Fonseca põe Mantorras, tira Paulo Jorge (em baixo de forma, vindo de lesão) e põe Nuno Assis, que devia ter jogado de início. Os papelinhos com os recados à Mourinho funcionaram e o Benfica deu baile. Aquele é o Benfica que nós gostamos de ver, aquele que já tinhamos visto na 1ª parte do jogo contra o Man. United. Eles não conseguiam sair do seu meio campo. Reduzimos, numa bela cabeçada do grande jogados que é Katsouranis, e dpois empatamos, numa grande jogada colectiva, com Nuno Gomes a fazer aquilo que sabe: estar no local certo e encostar para marcar.

O Benfica poderia ter ganho o jogo. Não estava a dar chances ao Porto. A verdade é que foi o Porto que acabou por ganhar: já depois dos 90 minutos, um lançamento lateral inofensivo (Fucile praticamente cruzou a bola para a área), desconcentração dentro da pequena área e Bruno Moraes, usando a sua força, a fazer a maior das injustiças.

Este jogo serve para mostrar que os jogos com o Benfica é que são bons jogos, em Portugal: todas as equipes querem ganhar ao Glorioso, é o único clube com dimensão de grande em Portugal. O exemplo do fraquíssimo jogo entre Sporting e Porto, é sintomático.

Foi, no entanto, um bom jogo. Devemos, benfiquistas, estar contentes com a nossa equipe, não tanto com o nosso treinador, ele errou no 11 inicial, emendando depois a mão. Oferçemos uma parte ao Porto, e isso é proibido. Quanto ao Porto, não vai longe assim, jogou mal em Alvalade e teve sorte de levar um ponto, jogou mal hoje e teve a sorte de ganhar. Com um plantel que vale os do Benfica e Sporting juntos devia fazer mais. Bastou ficarem sem o Anderson e ficaram uma equipe inofensiva.

O campeonato será, no entanto, do Benfica. O plantel do Sporting, único que pode lutar connosco, é curto e muito jovem e quando os maus resultados surgirem, vai acusar. O Porto, com este Jesualdo não irá longe, a substituição do Anderson pelo Raul Meireles diz tudo. Quando Benfica tiver o plantel todo a 100% ninguém nos aguenta, ou então não.

A Importância da Oposição

Levado por esta recente polémica da atribuição de um subsídio ao Clube Desportivo Lusitânia, por parte do Governo Regional, dei por mim a pensar na importância da oposição num regime democrático, onde os Parlamentos ou, no nosso caso, a Assembleia Legislativa Regional (ALR), são os garantes de uma governação sem abusos, e justa e ponderada no uso do dinheiro dos fundos públicos.
Mesmo no nosso caso, em que o partido do Governo tem maioria absoluta na Assembleia, o que faz com que a maior parte das suas propostas legislativas sejam votadas favoravelmente pelo seu partido, a oposição tem um papel regulador fundamental, quer através da apresentação de propostas de lei, que sejam melhor alternativa ás propostas do Governo, quer através da exposição pública de abusos e pedidos de esclarecimento aos diversos membros do executivo, entre outros instrumentos disponíveis.
A meu ver, salvo raras excepções, na nossa ALR não abundam deputados competentes, abundam sim deputados de carreira, homens que se acomodaram àquele lugar e, fazendo parte dos órgãos do partido, nunca são excluídos dos primeiros lugares das listas, perpetuando-se nas suas cadeiras até á doce idade da reforma. Parece que agora, passarão a poder ficar por lá mais uns anitos, devido á vasta experiência acumulada nos anos em que desempenharam tal cargo. Pois pudera!!!
Também eu penso que a experiência, ou melhor dizendo, que as experiências que se têm durante a vida, nos vão fortalecendo, pessoal e profissionalmente. Daí eu ser da opinião, que para se poder exercer um cargo tão importante para o bom funcionamento, a todos os níveis, da nossa sociedade, seja indispensável que se tenha passado pela vida activa, por uma actividade profissional que nos dê, com a prática, experiência e conhecimentos que se tornem uma mais valia para o cargo a desempenhar, no caso, o de deputado.
Há deputados que conhecem a fundo os meandros da nossa ALR, os seus jogos de bastidores, os funcionários, bem como toda a papelada subjacente aos trabalhos parlamentares. Talvez seja este um dos problemas, perdem-se em conversas de bastidores e pouco trabalho produzem em prol de uma melhor governação. Fazem parte de comissões parlamentares, que se embrenham em questões de somenos importância, descurando os assuntos estruturantes e não indo ao fundo das questões. A inovação é uma arma para a modernidade e desenvolvimento. Um deputado que não sinta como funcionam os negócios nos nossos dias, ao fim de dois mandatos (8anos), não pode fazer parte de uma comissão parlamentar de economia, pelo simples facto de ser economista. Esta premissa é válida para as várias áreas da governação. Em dois mandatos um deputado pode pôr em prática as suas ideias, dar o seu contributo, mas mais de que isso já é acomodação ao cargo.
Um deputado também deve ser avaliado por aquilo que produz. É-nos difícil, “castigar” um deputado que produza pouco. Eu não sou daqueles que pensam que só os deputados que falam nas sessões legislativas são os que, de facto, trabalham. Sei que há muito trabalho de bastidores, o mais importante, talvez.
As listas de candidatos a deputados têm o dobro dos elementos potencialmente elegíveis, o que torna, para o eleitor, muito difícil saber quem vai ocupar os lugares no executivo e quem se vai sentar na Assembleia. Enfim, são sempre os mesmos, salvo raras excepções, que em lugar de serem uma baforada de ar fresco, são rapazinhos ou meninas, cuja área de conhecimento ou actividade profissional exercida, e consequente experiência e mais valia, são uma nula incógnita.

O que me entristece na actual vida politica Açoreana, é que temos o maior partido da oposição, a única alternativa de governo, com quezílias internas que o impedem de criar um bloco coeso e uma politica de oposição capaz e eficaz, atenta e atrevida.

Fica a esperança de um dia as coisas serem diferentes.

27 outubro 2006

Mandem 100 mil ao Lusitânia!

Isto é fantástico! A Secretaria Regional da Agricultura vai conceder um subsídio, a fundo perdido, de 100 mil euros ao Lusitânia Sport Clube.
"atribuição do subsídio tem em conta “a manifestação de interesse por parte do Lusitânia no sentido de realizar uma campanha de promoção dos produtos agro-alimentares regionais”, realçando a importância do clube fundado a 24 de Junho de 1922, bem como da equipa de basquetebol que “participa nas competições a nível nacional”.Além disso, considera “a necessidade de promover os produtos agro-alimentares junto do público/consumidor em termos da sua divulgação" in www.viaoceanica.com
Mas que palhaçada é essa? É que já não há o minimo de vergonha, este tipo de comportamento é totalmente inaceitável. Parece que ao ve o resultado da última sondagem o Governo disse para si " eh pá, então está provado, nós podemos fazer o que nos apetece". Mas não pode, nem todos andam a dormir.

23 outubro 2006

Qual é o trabalho de GW Bush?

Hilariante! Vi este episódio do Daily Show with Jon Stewart na SIC Radical há alguns dias. Tive que ir ao Youtube encontrar este excerto.

Sinceramente, não percam, são só 5.22 min. GW Bush parece que pede que gozem com ele.
Cliquem AQUI.

19 outubro 2006

A sondagem da RTP-A e NORMA

Os resultados que a sondagem da RTP-Açores e NORMA apresentaram são surpreendentes. Achei incrível como Carlos César e o executivo dos Açores tiveram valores de aprovação tão altos. Como é que é possível? Principalmente tendo em conta as asneiras que o Governo tem feito. O transporte marítimo inter-ilhas, a atribuição de fundos da Segurança Social indevidamente a pessoas que se veio a saber serem candidatos do PS, e pior que tudo isso, o compadrio descarado na Administração Pública açoriana. Não serão estes – e ainda há mais – factores suficientes para os açorianos mostrarem um cartão amarelo (no mínimo) a este governo? Claro que são.

Em primeiro lugar há que compreender que trata-se de uma sondagem. É importante, mas não se pode sobrevalorizar; tem o valor que tem. No entanto, deve fazer a oposição compreender que tem que fazer mais e melhor. Os argumentos estão aí para serem usados, é preciso fazer com que cheguem ao público. É preciso que esse público perceba que está ser ludibriado e enganado. E como é que se faz isso? É preciso usar os meios de comunicação social, estes são uma ferramenta cada vez maior, actualmente. Carlos César e o Governo PS já perceberam isso e usam-os. E essa é a razão principal destes resultados, os principais órgãos de comunicação social açorianos são joguetes nas mãos do poder. Além disso não há investigação de fundo nos media açorianos, porque se houvesse muitos mais podres viriam ao de cima.

Ainda em relação aos resultados há que realçar o facto de haver muitos inquiridos que não têm opinião formada. O alheamento das pessoas da vida política é algo que deve ser estudado e aproveitado pelas forças da oposição.



Gotan Project - Triptico

14 outubro 2006

A 'crise' não acabou

Afinal a ‘crise’ não acabou. Para quem é mais crédulo e assume que os ministros sabem daquilo que falam, principalmente quando o assunto é da sua competência, é, no mínimo estranho.

Se a intenção era aumentar a confiança de todos os agentes económicos e assim melhorar a economia do pais, então seria melhor fazê-lo quando tivesse certeza, porque a verdade é que há pessoas que também conhecem os números e vão perceber, num abrir e fechar de olhos, que a realidade é outra. Francisco Louçã disse, e com razão, “O ministro confunde os seus desejos com a realidade”

Acho que foi ingénuo, pois as suas intenções pareciam ser a melhores. No entanto, de boas intenções....

13 outubro 2006

A Alta Velocidade

No dia em que o Ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou o fim da crise económica que Portugal atravessa(va), apetece-me aqui recordar os dois maiores investimentos públicos anunciados pelo Governo de Sócrates; refiro-me ao TGV e ao aeroporto da OTA.
Quero recordá-los, não por me rever nesta decisão, mas antes porque temo que o Governo, com este anúncio de uma pseudo retoma, aproveite para anunciar que vai passar dos estudos á prática.
Devo dizer que, em relação á construção do novo aeroporto na OTA, a minha posição é de uma concordância com algumas reservas. Estas reservas prendem-se com estudos que dão um prazo de vida ao actual aeroporto de, pelo menos, mais 30, e com o facto de se poder alargar este prazo, utilizando, com reformulações, o aeroporto militar de Figo Maduro, para voos Low Coast.
Bem, mas supondo que não queremos adiar o inevitável (retirar o aeroporto de dentro de Lisboa), e se assuma (como já se assumiu) que a OTA avança. Pois sim, não me choca.
O que me choca. é o projecto do TGV, que vejo como um enorme Elefante Branco, um buraco sem fundo. Senão vejamos. Segundo os estudos encomendados pelo Governo, e ponderando vários cenários e datas para conclusão da obra, o TGV custará o erário público (“eles” dizem que parte é investimento privado, a ver vamos), de entre 3,000 milhões de euros e 4,700 milhões de euros, para que não fiquem dúvidas, três mil milhões de euros e quatro mil e setecentos milhões de euros.!! Este é o cálculo oficial, mas todos sabemos que as “derrapagens” se encarregam de acrescentar mais uns largos milhões de euros. È da praxe.
Por este andar vamos a alta velocidade, mas antes de chegarmos a Madrid perdemos o combustível.
Que viabilidade económica pode ter este mega projecto?
Numa era em que proliferam as companhias de aviação Low Coast, que praticam preços e tempos imbatíveis, ombreando, e ganhando, com as rotas europeias de TGV, vai o nosso Governo avançar para uma obra deste calibre, cujas mais valias ou benefícios são enormemente diminutos. Estamos no extremo Ocidental da Europa, a única ligação com uma capital europeia que o nosso TGV vai conseguir é, exactamente, com Madrid.
É muito pouco, por muitíssimo dinheiro. Só a ligação em TGV Lisboa – Porto, embora desconheça os valores previstos para este trajecto, custará, seguramente muitos milhões, sendo que o único beneficio são os 35 minutos que se poupam em relação ao, actual, Alfa Pendular. 35 minutos!!!! E para Madrid, numa companhia Low Coast, chegamos em 1h30m, por 30 euros. Quanto custará um bilhete em TGV para o percurso Lisboa – Madrid? E quanto tempo levará? Dizem os estudos mais optimistas que nunca menos de três horas.
Estes dois mega projectos, lançados em simultâneo, são um contra-senso, pois ambos concorrem, em parte, por um mesmo mercado: os voos Lisboa – Porto e Lisboa – Madrid.
Em época de contenção económica e de equilíbrio do deficit das contas público, em que se pedem enormes sacrifícios aos portugueses, não me parece racional (nem necessário) partir para tamanho Elefante Branco.
Se há promessas que não devem ser cumpridas, esta é uma delas, pois os seus prejuízos suplantam, em muito, as suas magras vantagens.
A hora da Alta Velocidade está a chegar……a alta velocidade