06 maio 2007

Presidenciais em França





É caso para nós, em Portugal, perguntarmos porque razão a abstenção é tão alta cá e fazermos uma reflexão profunda, sobre este assunto...

E por muito que esteja na moda para certas elites do nosso país, afirmem que não gostam de França (tal como no passado acontecia o contrário), a verdade é que este é um exemplo a seguir.

05 maio 2007

A Menina Inglesa

A menina Inglesa a que me refiro no título é, como podem calcular, a pequena Madeleine de 3 anos, que foi, segundo diz o responsável da PJ pela investigação, alegadamente raptada num empreendimento turístico em Lagos, onde passava férias na companhia dos pais e de dois irmãos, gémeos, de 2 anos de idade.

Noticias deste cariz, envolvendo crianças, deixam-nos a todos com um aperto no coração, com uma sensibilidade acrescida, na medida em que estas não se podem defender, e porque sentimos uma enorme revolta perante pessoas que são capazes de cometer crimes desta natureza.

Dito isto, e afirmando-me solidário perante a dor e desespero dos pais de Madeleine, não posso, no entanto, branquear ou deixar passar como um facto de somenos importância, a circunstância desta menina e dos seus dois irmãos, terem sido deixados numa situação de (semi) abandono, e que as coloca numa situação de negligência, a meu ver, grave.

E é tanto mais grave, na medida em que é praticada por um casal de médicos, o que por si só atesta uma formação superior, e uma, julgo eu, inerente responsabilidade acrescida e cuidados redobrados, pois a profissão assim o exige.

É inadmissível – e na Lei de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens que vigora em Portugal, pode ser motivo (de negligência) suficiente para que uma criança seja retirada aos seus pais –, que se deixe, ainda que por breves minutos, bebés de tão pouca idade, vetados ao abandono, ainda mais tratando-se de três.
A palavra abandono justifica-se neste caso, na medida em que os pais destas crianças se ausentaram do espaço onde estas se encontravam, não havendo nenhuma possibilidade de ouvirem o seu choro ou de as socorrer caso fosse necessário. Foram jantar com os amigos, e prescindiram, inclusivamente, da supervisão de uma baby-sitter (incluída no pacote que compraram no aparthotel onde estavam instalados), alegando que se deslocavam ao quarto de meia em meia hora, alternadamente, para ver como estavam. Será suficiente? O que pode acontecer durante 30 minutos?

Seguramente que este peso de alguma responsabilidade, ainda torna a dor dos pais mais intensa. Mas “ a ocasião faz o ladrão”, e no caso em apreso o ladrão tem outro nome, raptor, e as mórbidas razões que o levaram a cometer tal crime, transformam este caso num drama que nos afecta a todos.

Talvez por isso, por me sentir tão afectado – pois também sou pai –, não tolere que pais conscientes, informados e com formação superior, deixem três bebés de 2 e 3 anos sozinhos naquelas circunstâncias.

04 maio 2007

Teste de Inglês

Basta clicar no link, para se ver o teste de Inglês Técnico, que José Sócrates fez na UnI e que lhe valeu a surpreendente nota de 15 valores. Cada um tira as conclusões que entender...

03 maio 2007

Devia ter sido mais cedo


Eu, como fumador, agradeço que se limite os espaços para o consumo de tabaco. É que, se estou num local, que me obriga a sair, para ir fumar o meu cigarro, então de certeza, vou fumar muito menos. Os meus pulmões e a minha algibeira, também agardecem...


Veja-se o Zidane, tinha que sair do centro de estágio da selecção francesa, para fumar.

01 maio 2007

Guias

O investimento no turismo é uma engrenagem muito grande, que começa com as infra-estruturas, passa pela promoção e acaba com os guias turísticos, que são a face visível daqueles que visitam as nossas ilhas. Se a intenção é fazer com que os turistas fiquem com uma boa imagem dos Açores, não só para voltarem, mas também para fazerem, eles próprios, promoção, então é da maior importância que os guias turísticos sejam pessoas capazes e bem formadas. Não é admissível que se vejam pessoas a desempenhar essa vital função, para o bom funcionamento da economia ligada ao turismo, que não têm nenhuma qualidade, a não ser a de serem amigos, ou familiares de alguém que decide, ou porque têm um carro.

Novamente, é preciso investir na formação e, neste caso, regulamentar esta situação, para que, apenas pessoas dotadas de uma carteira profissional, possam receber e informar os que nos visitam.

O cerne da questão

Ainda há bem pouco tempo, eu e o meu caríssimo colega, aqui da ‘Máquina de Lavar’, Pedro Lopes, discutíamos se os Açores deviam, ou não, ver os seus poderes reforçados, a propósito da última votação cá do nosso blog.

Na altura disse que, de facto, os Açores deviam reforçar os seus poderes. Mas ressalvei que, esse reforço devia acontecer através de representações efectivas nos centros de poder, que de uma forma ou outra afectam a vida dos açoreanos, como Lisboa, Bruxelas e inclusivamente Washington.

Ora, nem de propósito, hoje ao ler o Açoriano Oriental, reparei que o Secretário Regional da Economia, Duarte Ponte disse, numa conferência sobre o turismo nas ilhas, que os Açores poderão ser "enormemente penalizados, devido aos custos acrescidos que o transporte aéreo terá de suportar", e que "A legislação que se pretende implementar irá penalizar grandemente quem vive em ilhas, caso a União Europeia não tenha em consideração a nossa condição arquipelágica e, na maioria dos casos, ultraperiférica".

Este é um exemplo claro da falta de poder de que os Açores são vítima e como Duarte Ponte diz “temos que nos unir e fazer valer a nossa voz no seio da União Europeia”.

E isto leva-nos a outro problema da nossa Região e de Portugal, em geral; é que não há uma relação de proximidade entre as entidades oficiais – públicas e privadas - e as Universidades. Porque a Universidade dos Açores está a formar pessoas que estudam estas questões e que poderiam dar um grande contributo, para fazer valer os interesses da Região Autónoma dos Açores, neste caso, junto da União Europeia. Trata-se de um investimento que urge concretizar e que a maioria das regiões, semelhantes aos Açores, já fizeram e com bons resultados, como não podia deixar de ser.

29 abril 2007

União Ibérica

Com a ida de Pina Moura para a Media Capital, o Governo controla a TVI e os espanhóis controlam o Governo. Estará cada vez mais perto a tal União Ibérica, que durante tantos séculos foi discutida, tentada e evitada?

28 abril 2007

O Amor à Pátria Continua a Matar

O título faz alusão às mais recentes manifestações e desordem pública na Estónia, que tem provocado confrontos com as autoridades e cargas policiais sobre os manifestantes.

A polémica resume-se assim: erigiu-se uma estátua em memória do “Soldado Russo”. As autoridades de Tallim, capital daquele país, que foi em tempos ocupado pela URSS, mandaram retirar a dita estátua e, os cerca de 30% da população Estónia, de origem Russa, logo se sentiram ultrajados, e saíram à rua recordando o heroísmo dos soldados Russo, que defenderam aquela região das invasões Nazis.

Com os confrontos instalados, do lado Russo já há ameaças a sanções económicas e outras, pois consideram esta atitude como uma afronta à memória e bravura do soldado Soviético.

A sombra do domínio Soviético ainda paira sobre os Estónios, e esta tomada de posição por parte de Tallim, pode ser uma bola de neve. Este “definir posições”, pode ser um episódio promovido a conflito diplomático. Aliás, já o é.

Este fervor patriótico já causou, até agora, um morto e vários feridos.

Será justo dizer que o amor à pátria é responsável por esta morte? Acaso seja um Estónio de origem Russa, que se manifestava contra a retirada da estátua e se exprimia pró Russo, a vítima mortal destes confrontos, será correcto recordá-lo como patriota?

Irradiado...


O jogo entre o Boavista e o FC Porto acabou há pouco, com uma vitória justa dos boavisteiros, por 2-1.


O objecto deste post, contudo, não é este jogo, nem sequer a hipótese que se abriu ao Benfica, para ficar a 2 pontos do Porto. Vou antes falar de um jogador que devia, simplesmente, ser irradiado do futebol de uma vez por todas, chama-se Bruno Alves e, como não podia deixar de ser, joga no FCP. Trata-se de um tipo que não tem qualquer problema em agredir os seus adversários, hoje por exemplo, deu pelo menos, dois pontapés e uma chapada e (acho) que nem sequer viu um cartão amarelo. É uma situação recorrente, sempre que entra em campo, Alves agride e nunca é expulso. Não posso deixar de fazer uma ligação entre esta situação e o facto de jogar no FCP, porque parece que os jogadores do Porto têm uma tendência para agredirem adversários, talvez porque sabem que nunca há consequências, em termos disciplinares. Recordo-me assim de repente, de F. Couto, de Paulinho Santos e tantos outros. E quando os árbitros aplicam a leis e mostram cartões, cai o Carmo e a Trindade, quem não se lembra de Quaresma a ser expluso, por dar uma cotovelada, há bem pouco tempo? E esta é uma das muitas razões, porque o FCP tem sido superior, neste últimos 25 anos, celebrados agora, com o lançamento de uma biografia de Pinto da Costa.

Homens da luta no tunel do Marquês

A pedido de muitas famílias, cá estão os homens da luta na inauguração do Túnel do Marquês.

Votação da Máquina

Os resultados da nossa última votação foram os seguintes:
À pergunta "Os Açores devem ver os seus poderes reforçados?", 73% dos votantes responderam "Sim", enquanto 20% responderam "Não", os restantes 7% responderam "Não Sei".

Já está disponível uma nova questão: "A cannabis deve ser legalizada?"

Paulo Macedo Abandona os Impostos

Em 2005, altura em que Paulo Macedo foi nomeado para Director Geral dos Impostos - DGCI, por Manuela Ferreira Leite, soube-se que haveria um regime salarial de excepção para que este quadro do BCP, aceitasse o cargo.

Depois de descritas as suas qualidades, e em especial, depois de observados os primeiros (bons) resultados, comecei a aceitar aquilo que me pareceu uma escolha acertada.

Mas, há alguns meses – já bem depois do Governo Sócrates ter iniciado funções, reconduzindo-o no cargo com o mesmo vencimento -, e por alturas da aprovação de várias Leis que limitavam os rendimentos (e acumulações), dos detentores de cargos políticos e/ou de nomeação, ao ordenado do primeiro-ministro, entre outras, a discussão à volta do ordenado de Paulo Macedo reacendeu, e o incómodo para o Ministro das Finanças começou a fazer-se sentir, ainda mais por este último reconhecer as qualidades e mais valia do primeiro.
Quem também se sentiu agastado com o falatório público, foi o próprio Director Geral dos Impostos, que mesmo tendo vontade de servir o país, não esteve para se ver enxovalhado (recordo o episódio da missa que mandou celebrar), e logo manifestou a sua intenção de abandonar o cargo.

Vai agora fazê-lo, no mês de Maio.

Não há pessoas insubstituíveis; no entanto, há umas mais difíceis de substituir do que outras. Paulo Moita de Macedo é, seguramente, um destes exemplos.

27 abril 2007

E Agora, Lusitânia?

Como Açoreano, e como pessoa que aprecia desporto, foi com pesar que ouvi um destes dias, a notícia de que o Sport Club Lusitânia está, novamente, com dificuldade para pagar os ordenados aos jogadores da sua equipa de Basquetebol.

Não esqueço, no entanto, que este Club recebeu um subsídio de 100 mil euros do Governo Regional dos Açores, para “promoção de produtos agrícolas/ hortícolas”, pelo menos assim foi descrito. Eu, e outros, desconfiamos da atribuição de um subsídio desta natureza, ainda mais dado por uma Secretaria Regional que não a do Desporto, a um clube desportivo. Desconheço o destino dos tais 100 mil euros, mas uma auditoria às contas do Clube, retiraria a dúvida. Eu, enquanto contribuinte, sinto-me com autoridade para pedir um esclarecimento.

A pergunta agora é: e desta vez, como se vão pagar os ordenados aos jogadores?

Será que agora vai aparecer um subsídio para a produção dos produtos, que não podem ser promovidos sem antes serem produzidos!?!?

Gosto de desporto, mas os clubes têm de viver com os “pés assentes na terra”, têm de subsistir com os seus recursos, têm de construir equipas com jogadores que possam pagar com as recitas que produzem. Não podem estar sempre a recorrer à mama do Governo.

Mourinho vs. Cristiano Ronaldo

O Chelsea, de Mourinho e o Man. Utd., de Cristiano Ronaldo preparam-se para um final de época, onde se baterão directamente pela conquista de, pelo menos duas competições – F.A. Cup e Premiership – e onde se poderão, igualmente, encontrar na final da Liga dos Campeões.

Os adeptos de futebol, em todo o planeta, agradecem. E nós, enquanto portugueses, temos que sentir que estes embates dizem-nos respeito, directamente. Não vou esconder a minha preferência: prefiro que seja o Chelsea a ganhar tudo, embora acredite que tal seja muito difícil. E tomo esta posição porque, em 1º lugar, José Mourinho é um treinador admirável, em todos os aspectos, as suas qualidades são inegáveis, desde tacticamente, até ao campo psicológico, que é determinante nestes ambientes; em 2º lugar porque o Chelsea é uma equipe que joga um futebol fantástico, atractivo aos olhos de um adepto; em 3º lugar porque não gosto do Cristiano Ronaldo, enquanto pessoa, e passo a explicar: é evidente que a qualidade futebolística dele não pode ser colocada em causa, trata-se de um jogador completíssimo, capaz das mais incríveis jogadas e com uma potência física fora do comum, mas a sua postura não é correcta, parece que não respeita os seus adversários, nem tão-pouco, os seus próprios colegas, falta-lhe alguma humildade. Penso que o melhor para o Cristiano Ronaldo seria ser jogador do Mourinho e aprender alguma coisa sobre trabalho de equipe, ainda que seja assinalável o trabalho que Alex Fergunson e, especialmente, Carlos Queiróz estejam a realizar nesse sentido, um trabalho que se prevê que se torne cada vez mais difícil, devido à evolução do próprio jogador. Parece contraditório, mas não é.

Esperemos, então, por esses jogos, que se esperam espectaculares. No dia 9 de Maio, estas duas equipes encontram-se em Stanford Bridge, para o Campeonato, uma vez que estão separados por 3 pontos, poderá ser decisivo, ambas têm, entretanto um ‘derby’, para disputar, o Chelsea com Arsenal e o United com Manchester City.
A final da Taça de Inglaterra, no dia 19 de Maio, é por tradição, um jogo especial, mais será, este ano, pelas equipes envolvidas e porque vai marcar a estreia do ‘novo’ Wembley.
Por fim, a sempre apetecível Liga dos Campeões. Tanto Chelsea como United, ainda têm um jogo complicado para realizar, para atingirem a Final. Os azuis, vão a Anfield defender uma vantagem de 1-0, enquanto os Red Devils, vão ao Giuseppe Meazza, com um resultado de 3-2, a seu favor. No entanto, parece que qualquer uma está um boa posição para passar, ainda assim, o Chelsea está em melhor posição, mas como sabemos, esta é uma situação que pode mudar num instante.

Que ganhe o melhor, mas como sabemos, o melhor (actualmente) é o Mourinho...

25 abril 2007

Outras histórias...

Este é um excerto de uma entrevista com o ex-inspector da PIDE/DGS, Óscar Cardoso: "Histórias Secretas da PIDE/DGS", que pode ser lida, na íntegra, aqui.
«- Que acções foram adoptadas para fazer abortar o golpe das Caldas?
Óscar Cardoso: Foi tudo muito fácil. Accionou-se o dispositivo militar e aquela movimentação parou toda.

- A PIDE prendeu todos os spinolistas e o MFA passou a ser controlado pela facção esquerdista.
O.C: Isso não é bem assim. A PIDE nunca prendeu militares. Foram os próprios militares que prenderam os seus colegas golpistas. O único momento em que as coisas não se passaram dessa forma foi por causa de uma reunião que estava convocada para 16 de Março em casa do Almeida Bruno. Ora, como eu morava perto, no Monte Estoril, os militares pediram-me para deitar a mão ao Almeida Bruno e aguentar as coisas enquanto eles não chegassem. Dirigi-me então para lá. Ele morava num bloco com vários apartamentos. Já estavam todos lá dentro. Identifiquei-me então como inspector-adjunto da DGS a um morador do prédio e pedi-lhe para me deixar telefonar para a António Maria Cardoso. Já não sei com quem falei, mas lembro-me de ter dito ser necessário os militares virem depressa porque os outros já estavam todos reunidos e eu não podia fazer nada sozinho. E vim para a rua. Entretanto, saiu de casa do Almeida Bruno o capitão Farinha Ferreira. Eu disse-lhe o que estava ali a fazer e enganei-o dizendo que aquilo estava tudo cercado, que havia militares em vários telhados vizinhos e que, por isso, era melhor para ele manter a calma. Contudo, ele estava excitadíssimo, mas não havia maneira de acalmá-lo. Disse-lhe: Eu não lhe quero fazer mal nenhum, mas olhe que os tipos que estão nos telhados ainda lhe dão um tiro!... Pedi-lhe então para se encostar a uma árvore, abraçando-a, e pus-lhe as algemas. Dali ele já não saía. Só se arrancasse a árvore pela raiz! E o tipo diz-me: Senhor inspector, eu sou um oficial do Exército e nunca me senti em toda a minha vida tão humilhado como neste momento. Disse-lhe que, desde que ele me desse a sua palavra de honra em como não saía dali, eu lhe tirava as algemas. Respondeu-me que sim e eu tirei-lhe as algemas. Entretanto chegaram os militares e levaram-nos a todos para o governo militar de Lisboa.Também me mandaram ir prender o major Manuel Monge, que morava ali para Miraflores. Eu cheguei lá com mais dois agentes, bati à porta e a mulher disse-me que ele não estava. Respondi-lhe que tínhamos de verificar. Entrámos então na residência, abrimos todas as divisões e verificámos que uma delas estava fechada. A mulher do Monge disse que era o quarto da criada. Está bem, minha senhora, mas temos de verificar- respondi-lhe.Mas também não estava lá ninguém. Parece que o Monge estava pendurado na varanda... Se nós estivessemos muito empenhados naquela operação, teríamos sido mais rigorosos e provavelmente o Monge não se escapava. A verdade é que estávamos ali todos um bocado contrariados. Olhe, quem conta este episódio é o Otelo no livro Alvorada em Abril. Escreveu lá, por outras palavras, que o inspector Óscar Cardoso revistou a casa, sempre com toda a correcção, mas a dada altura perdeu o verniz e insinuou que o major Monge estaria na cama com a criada... Ora, não foi nada disso, é tudo mentira.
- Conheceu o Otelo?
O.C: O Otelo estudou comigo no Liceu Camões, mas depois perdi-lhe o rasto. Até ao 25 de Abril... A última vez que o vi foi em Luanda, em 1992. Eu tinha constituído com um sócio uma empresa que vendia aviões, e estava justamente em Angola a negociar a venda de aviões. Sabe que aquela malta do MPLA sempre me tratou com toda a correcção. Ora, no hotel onde eu estava hospedado vi o Otelo. E vi também o general Tomé Pinto. Não quer dizer que estivessemos juntos, mas vi-os lá. E o Otelo vinha todo lançado para me cumprimentar! Eu é que nem o cumprimentei a ele nem ao general Tomé Pinto, que foi meu comandante de Batalhão. Mais tarde, expliquei pessoalmente ao general Tomé Pinto que só não o cumprimentei para não o comprometer.
- A PIDE ou o Governo já sabiam que ia ocorrer uma revolução a 25 de Abril?
O.C: Tenho praticamente a certeza. Na manhã do dia 25 o director da PIDE, major Silva Pais, estabeleceu um contacto telefónico com Marcello Caetano, que já estava no Quartel do Carmo, e acordaram que uma brigada da polícia iria buscar o presidente do Conselho. Eu, o Sílvio Mortágua, o Abílio Pires e o Agostinho Tienza e eu. O Pires foi no seu próprio carro, atrás de nós. Seguimos em dois carros para que, em caso de necessidade, um deles pudesse executar uma qualquer manobra de diversão. Íamos esperar o presidente do Conselho à Rua do Carmo. Existe uma ligação- eu não quero ser romanesco e dizer que há uma passagem secreta- entre o Quartel do Carmo e a Rua do Carmo. E essa ligação ainda deve existir hoje, concerteza. O major Silva Pais combinou o nosso encontro com Marcello Caetano para esse local. Seguindo as suas instruções, parámos o carro mais ou menos a meio da Rua do Carmo, uns metros acima dos pilares do elevador de Santa Justa. Como o Marcello nunca mais aparecia, eu disse aos outros para permanecerem ali, subi a Rua do Carmo, virei na Rua Garrett, subi a Calçada do Sacramento e apresentei-me no Quartel do Carmo. Fui recebido pelo comandante-geral da GNR, que me conduziu até ao Marcello. Disse-lhe que estávamos à sua espera na Rua do Carmo, de acordo com o que havia sido combinado com o major Silva Pais e o Marcello respondeu-me que não era preciso porque já tinha tudo tratado com o general Spínola!...
- Que horas eram?
O.C: Não posso precisar, mas ainda era de manhã.
- Isso derruba a versão oficial, segundo a qual o Spínola só é contactado a meio da tarde, por iniciativa do Pedro Feytor Pinto, depois de falar com Marcello Caetano.
O.C: Sim, sim. Eu lembro-me de que era de manhã porque depois disso ainda fui almoçar com o Tienza. Encontrámos uma tasquinha aberta na Travessa do Ferragial e comemos uns pastéis de bacalhau.
- É verdade que Marcello Caetano foi informado na madrugada de 25 de Abril de que a PIDE podia fazer calar o Rádio Clube Português, posto de comando do MFA, mas nunca se mostrou muito interessado em qualquer acção de contra-ataque?
O.C: O Marcello Caetano não tinha nada a ver com isso. Nós podíamos de facto calar o Rádio Clube Português, mas para isso não era preciso o Marcello para nada. Precisávamos era de um morteiro. Eu e o Alpoim Calvão tentámos encontrar um no Arsenal da Marinha, mas não estava lá ninguém. Se naquela altura tivéssemos arranjado um morteiro, talvez o 25 de Abril morresse ali. Não foi possível... Mas foi uma decisão do Alpoim Calvão, o Marcello não sabia de nada. A dada altura, recebemos a informação que os militares de Cavalaria 7 vinham com carros de combate e autometralhadoras tomar a sede da PIDE. Era uma situação aborrecida porque ficávamos ali isolados, sem poder fazer nada. Então eu decidi bloquear os acessos à António Maria Cardoso, impedindo assim que os Payton de Cavalaria 7 chegassem lá. Pus um carro eléctrico na esquina da Rua Vítor Córdon com a Rua António Maria Cardoso, pus outro na entrada do Chiado Terrasse e pus ainda uma camioneta a tapar a Travessa dos Teatros.Quando chegaram os militares a dizer que vinham tomar as instalações, eu, o meu director e o Alpoim Calvão fomos falar com eles e rapidamente os demovemos das suas intenções. Lá se foram embora...
- Por que motivo aparece o Alpoim Calvão na António Maria Cardoso?
O.C: O Alpoim Calvão ia ser o próximo director-geral da PIDE. Era uma coisa que já se sabia.
- Mas a verdade é que Marcello Caetano nunca esboçou o mínimo gesto de contra-ataque. O próprio Salgueiro Maia podia ter sido apanhado entre dois fogos no Largo do Carmo.
O.C: Nunca recebemos na PIDE qualquer ordem para atacar o Salgueiro Maia e as tropas estacionadas no Carmo. O que se esperava, aliás, era que as tropas fiéis ao governo pusessem cobro áquela situação irregular. Não puseram... E repare que a GNR aquartelada no Carmo era, só por si, uma força, um esquadrão de Cavalaria que tinha certamente autometralhadoras e que, sem necessitar de mais ninguém, podia acabar com aquilo. O Marcello Caetano é que nunca permitiu que a PSP ou a GNR actuassem. Se tivesse dado ordens concretas à PSP e à GNR nesse sentido, aquilo acabava tudo em cinco minutos.
- Lembra-se da ocupação da sede da PIDE pelos militares?
O.C: As Forças Armadas só entraram na sede da PIDE no dia 26, dirigidas pelo comandante Costa Correia. Até essa altura, tinham permanecido no exterior, juntamente com a população que andava por ali aos berros. Olhe, uma das frases gritadas na altura era esta: Vamos deitar fogo a isto tudo! Isso era um grande problema porque nós tínhamos um depósito de gasolina com muitos milhares de litros, cuja existência não era certamente conhecida pela população. Se o depósito se incendiasse, ia o Chiado todo pelos ares...Foi por isso que o nosso director-geral mandou dar uns tiros para o ar. Acredito que um ou outro agente, mais nervoso ou mais atemorizado com a situação, tenha atirado para baixo. Mas, como estava a contar-lhe a propósito do Costa Correia, ele chegou lá no dia 26 e disse-nos: A população está um bocado agitada. É melhor vocês entregarem as armas e serem evacuados para Caxias até as coisas serenarem. Repare que até isto suceder, nós tivemos todas as possibilidades de nos safarmos. Saíamos muitas vezes para tomar café, para ir ali ou acolá... Bom, a verdade é que aceitámos ser evacuados para Caxias, com a garantia de que a detenção era temporária, até a situação acalmar. Mal chegámos a Caxias, vimos que afinal as promessas feitas não eram para cumprir. Mandaram-nos entregar os relógios e os atacadores dos sapatos. Enfim, deram-nos o tratamento de um prisioneiro normal. Vimos logo que não íamos ficar ali só enquanto as coisas não acalmassem...
- O director de serviços Pereira de Carvalho e muitos dos seus subordinados que trabalhavam na Secção Central ficaram mais algum tempo com os militares na António Maria Cardoso, entretidos com os arquivos...
O.C: Ficaram lá mais um mês, pelo menos.
- E dormiam lá?
O.C: Eu não sei como é que as coisas se passaram. Não sei até se o Pereira de Carvalho não iria dormir a casa, porventura sob vigilância. Os militares revolucionários queriam fundamentalmente que eles lhes indicassem onde estavam os ficheiros, como estavam organizados...
- Mas a PIDE queimara já muitos ficheiros.
O.C: Sim, sim.
- E nenhum dos funcionários da polícia aproveitou a confusão da altura para levar ficheiros para casa?
O.C: Não. Sabe porquê? Os que queriam ficheiros pessoais já os tinham levado para casa há muito tempo. Aliás, isso é uma coisa que não dignifica muito a minha antiga organização, mas a verdade é que havia na PIDE alguns monstros sagrados muito dados a colecções de ficheiros pessoais.»

23 abril 2007

Será Que Ainda Vai a Tempo?

Marques Mendes, líder da oposição, em visita ao Poçeirão, apelou à reconsideração do Governo em relação à localização do novo aeroporto de Lisboa, que está previsto para a zona da Ota.

O líder do PSD, insiste para que Mário Lino e José Sócrates, repensem o assunto, e apresenta o Poçeirão e Rio Frio, como alternativas "mais baratas e eficazes".

Não estou a ver o Governo do PS voltar atrás numa decisão politica, já tomada.

Mas, a ver vamos se Marques Mendes ainda vai a tempo.

22 abril 2007

Isaltino: Um Bom Exemplo, dum Mau Exemplo

A honra e a dignidade são valores que, infelizmente, não abunda em quem exerce cargos de votação popular. Pelo menos é o que temos observado, e, para não cansar, relembro um outro (mau) exemplo recente, na Câmara Municipal da nossa Capital, Lisboa.

Outro politico que não se abstém de continuar a exercer cargos de eleição, mesmo estando acusado de crimes directamente relacionados com o cargos que exerce, é Isaltino de Morais que, mesmo depois de, novamente, acusado pelo Ministério Público de três crimes de corrupção passiva e, ainda, “de crime de participação económica em negócio, alegadamente devido a um contrato firmado por si para prestação de serviços à câmara que preside”.
Não seria mais digno ceder o lugar, provar em tribunal a sua inocência, e, então, regressar às suas funções, longe de desconfianças e com uma autoridade moral acima de qualquer suspeita?

Eu - mesmo sabendo que todos se presumem inocentes, até prova em contrário (em julgamento judicial)-, já não acredito que Isaltino de Morais seja inocente de qualquer crime. Não sou dos que, vendo fumo, logo se põem a dizer que há fogo, mas este senhor, há muito que vem sendo indiciado por crimes relacionados com corrupção enquanto autarca e de crimes económicos, dos quais destaco uma conta na Suiça, com, noticiou-se, mais de 500 mil euros, que prontamente passou para o nome de um seu sobrinho ali emigrado e que trabalhava como taxista. (também quero ser taxista na Suiça, buáá.!!) Mas o que não sou é tapado, e este “fumo” cheira a “madeira queimada”, logo, creio ser sinal de alarme.

Talvez os mais acérrimos apoiantes de Isaltino – na sua grande maioria, cidadãos da cidade de Oeiras -, ainda acreditem na inocência do seu, quase, eterno presidente de câmara. Ou talvez, mesmo sabendo que ele “tirou benefícios pessoais” (enquanto presidente daquela edilidade, e não só), o continuem apoiando, numa atitude, no mínimo, estúpida, de quem pensa “que os benefícios suplantam os malefícios”, neste caso, os crimes cometidos pelo senhor presidente.(?)
A causa pública visa o bem comum, nunca o pessoal.

Furnas

Parque Terra Nostra, 21/04/07

19 abril 2007

Brasil: Tudo de Bom, Tudo de Mau

O Brasil é um país com cerca de 180 milhões de habitantes, e com uma área maior do que a da Europa. Tem, por isso, uma diversidade de paisagens e gentes, locais e tradições que o tornam tão encantador. Não vou, obviamente, fazer aqui uma descrição pormenorizada das muitas virtudes deste belo país, nem tão-pouco dos seus vultos nas várias artes (pois não saberia fazer, por desconhecimento, a justiça devida).

Quero antes, fazer um breve paralelo entre o belo e calmo Nordeste Brasileiro, e o Rio de Janeiro, que vem sendo noticias, nos últimos dias, pelas piores razões.

Admito que só por uma vez pisei solo Brasileiro, e fi-lo para apreciar e vivênciar, as belas praias e paisagens deste local, que pouco dista da linha do equador, proporcionando temperaturas, dentro e fora de água, muito convidativas e agradáveis. Adorei os dias que lá passei, e tenciono voltar pelas mesmas razões, que não sairam defraudadas.

Recordo-me dum misto de ansiedade e prazer, que o meu pai sentiu antes de embarcar, já há mais de 10 anos, na sua primeira visita à cidade maravilhosa.

O prazer que sentia era óbvio, ia visitar uma das mais belas cidades do Mundo, quer pela sua geografia, quer pelo facto de ser à beira-mar, quer pelas suas gentes e cultura, que se espelha na tradicional alegria associada ao povo Brasileiro, entre outras razões.
Quanto à ansiedade, esta devia-se à, infelizmente, sempre presente criminalidade, que vem assolando, com cada vez maior força e crueldade, esta maravilhosa cidade.
Mas, lá chegado, recordo-me que as palavras do meu pai só espelhavam o que de bom esta cidade tinha, afirmando que a insegurança não era sentida por quem nela passeava, e que se viam muitos policias, o que ajudava à sensação de segurança sentida.

Não sei se volvida mais de uma década, esta sensação de segurança se mantém, pois as noticias a que assistimos – e que há poucos dias davam conta de mais 21 mortos em resultado dos confrontos entre os traficantes das favelas e a policia - , dão conta de uma escalada brutal na violência, com muitas mortes e incêndios em autocarros (que são utilizados pela população, logo não percebo porque são alvo dos criminosos, em especial ligados ao trafico de drogas), e um clima de insegurança que faz muitos dos seus cidadãos dizerem; “cada vez que saio de casa, não sei se volto. Despeço-me como se pudesse levar um tiro na rua.”

É pena que uma cidade tão maravilhosa, tenha de lidar com problemas tão graves e que parecem insolúveis. Eu quero que melhore, pois quero visitar o Rio e passear no “calçadão”.

TC "chumba" decreto legislativo regional

O decreto legislativo regional, que introduzia alterações nas precedências protocolares a realizar na Região, foi “chumbado” pelo Tribunal Constitucional. O referido decreto colocaria o Presidente do Governo Regional, Carlos César, como primeira figura, em todas as cerimónias organizadas pelo Executivo Regional, à frente do Presidente da Assembleia Legislativa Regional.

È mau que isto tenha acontecido, mas a verdade é que, é esta a hierarquia protocolar. Pode-se, portanto, dizer que foi o PS Açores que colocou a Autonomia açoreana em causa e, ainda por cima, numa questão de somenos importância.

18 abril 2007

Enxurradas

Outra vez choveu muito, em São Miguel, e outra vez as ribeiras encheram, porque estão entupidas com troncos de madeira. Desta vez foi (outra vez) na Ribeira Grande. Quantas desgraças serão necessárias, para se tomar medidas eficazes? O melhor, talvez, será limpar tudo “para debaixo do tapete”, para que as estrelas da telenovela, não fiquem mal impressionadas. De resto, é assobiar para o lado, como o costume.

16 abril 2007

O Inferno de Dante...na Virginia

Não me vou alongar muito neste post, mas o Tiroteio de hoje, numa Universidade da Virginia, outra vez nos EUA, merece uma referência.

Uma referência de profunda tristeza e incompreensão face a acções destas, levadas a cabo por jovens, aparentemente, iguais a tantos outros.

Não percebo o que os leva cometer actos tão vis, que espelham uma enorme raiva acumulada, que os leva a pegar em armas, dirigirem-se a escolas ou universidades e começarem a disparar indiscriminadamente sobre quem com eles se cruze.

Triste pronuncio dos dias que correm.

P.S.- Ainda bem que em Portugal o acesso a armas de fogo, ainda, é escasso, pois a violência nas escolas também não para de aumentar.

Educação ou Xenofobia ?

Muitos dos meus posts, são despoletados por noticias a que assisto nos Telejornais, pois estes espaços condensam uma enormidade de temas e acontecimentos, sobre os quais, por vezes, reflicto mais tarde.

O post de hoje é um destes casos , pois a TVI (estação que prima pela “noticia espectáculo” – facto que não me agrada particularmente) passou hoje, no seu Jornal das 8h, uma noticia que dava conta da indignação de uma associação, que dá pelo nome de “Plataforma Contra a Xenofobia”, pelo facto de uma Câmara Municipal (não me recordo qual) estar a promover cursos de aprendizagem para famílias de etnia cigana que vão ser (re)alojadas em novas casas (de habitação social), pois viviam em barracas num descampado.

A noticia não me causaria estranheza, caso fosse invertida, ou seja, se a dita Plataforma se insurgisse contra o facto de famílias que sempre viveram em barracas, serem realojadas em casas (espaço desconhecido) sem a explicação de algumas regras sobre a utilização, conveniente, de todos os espaços e equipamentos existentes.

Um membro da dita Plataforma dizia indignado: “ Eles não são porcos, são seres humanos.”

Parece-me uma leitura despropositada, para não dizer errónea, querer passar a ideia de que os promotores destas acções de formação (Vereadora para a Acção Social da CM), - de carácter educativo, e de sensibilização para alguns aspectos e cuidados a ter em conta quando passamos a habitar um espaço desconhecido - olham para os seus destinatários como “seres”, mas da classe dos suínos!?!!?

Quem disse que são porcos? Ninguém nasce “aprendido”; e se não for ensinado, como aprenderá?

A indignação do dito sujeito, parece-me antiquada e vazia de uma leitura sociológica, logo sem um suporte que sustente a sua leitura. O que posso afirmar, enquanto interessado nestas áreas, é que já há muito tempo os interventores sociais comprovaram, no campo e com a prática, que a educação e capacitação deste tipo de populações é imprescindível para que possam usar as suas habitações de modo adequado, respeitando os espaços comuns e as regras de boa convivência com a vizinhança.

E, a propósito, também está comprovado que a politica dos Bairros Sociais, em que se juntam em grandes apartamentos e num mesmo espaço, pessoas de vários locais, mas de igual origem social, normalmente os mais pobres e menos letrados, não é boa solução. Estes, carregam as suas histórias de vida e os seus vícios e virtudes, dando lugar a uma amalgama de personalidades que provocam tensões, e que, por vezes, explodem, pois algumas destas pessoas têm um baixo limiar de resistência à frustração, partindo para o insulto ou agressão com maior facilidade. Não sou eu quem o diz, é assim.

A aposta tem de ser mesmo na educação, de modo a quebrar o ciclo de reprodução de (maus) comportamentos, promovendo uma educação que começa dentro de portas e se transporta para a rua, na convivência quotidiana com os demais.

Será que agora chamam “xenofobia” à educação?

15 abril 2007

As Sacas da Vergonha

Hoje, aproveitando o sol que as nuvens deixavam passar, rumei, na companhia de alguns amigos, às Sete Cidades para uma tarde aprazível à beira das Lagoas.

Tudo correu de feição, até que, quando regressávamos a Ponta Delgada pela estrada que conduz à Covoada (mais dada a zonas de pastagens), começamos a reparar na quantidade de sacas de adubo e ração que povoavam a paisagem e, até, invadiam as estradas, contratando, tristemente, com os verdes da paisagem e com a bucólica imagem das vacas (elas não têm culpa) em pastoreio.

Logo me assaltou a pergunta: Nem com subsídios para recolha dos SEUS lixos, alguns lavradores cumprem a sua parte; a de evitar estes tristes cenários? É de uma boçalidade gritante.

Eu discordo, em absoluto, de subsídios deste cariz, pois parece-me que o lixo por nós produzido deve por nós ser recolhido e colocado em local próprio. É um dever cívico, e mostra civismo por parte de quem o faz.

Talvez a Secretaria do Ambiente, conhecedora da tacanhez de alguns criadores de gado, tenha visto nos subsídios, a única forma de combater estes atentados ambientais (com culpados conhecidos). A aposta na sensibilização e educação ambiental, tem de ser incutida desde tenra idade, pois parece que alguns não estão para aí virados, nem que para isso sejam pagos!!!

Se eu, que devia estar acostumado a este contraste paisagem/saca – pois nasci e vivo cá – continuo a não conseguir sentir-me indiferente ao facto, imagino que quem olha a paisagem com mais atenção, normalmente turistas, sinta que este desrespeito pela natureza seja obra de gente incivilizada e que não dá o devido valor à sua terra e natureza.

14 abril 2007

Homens da Luta (Vai Tudo Abaixo)-Universidade Independente

Vi este "verdadeiro acontecimento estranhíssimo", em directo no Telejornal. Reconheci logo os rapazes de A Luta Continua, série da SIC Radical. Hilariante.

As Mil Manhãs de Pedro Moura

Tem sido anunciado por estes dias, na RTP – Açores, a comemoração do programa 1000 do “Bom Dia Açores”, apresentado pelo carismático Pedro Moura, com um grandioso espectáculo e a participação de vários artistas.

Este programa, é já companhia inseparável de inúmeros Açoreanos, que procuram no “Bom Dia”, uma janela aberta sobre estas 9 Ilhas, sobre o que nelas se passa e acontece, em suma, sobre o pulsar do dia a dia destes nossos Açores.

Pedro Moura é a cara do “Bom Dia”, e presta com este programa matinal, um verdadeiro serviço público, na medida em que dá voz às nossas gentes, mostrando as suas localidades e festividades, costumes e tradições.

Mas no “Bom Dia Açores” há muito mais. Podemos, por exemplo, ser informados sobre a meteorologia ou sobre as ocorrências policiais, através da presença em antena de responsáveis pela PSP. Também passam em estúdio inúmeros convidados, que falam sobre várias temáticas, tais como as actividades que promovem ou desenvolvem, sobre o espectáculo no qual são intervenientes, sendo também possivel ver governantes e autarcas, entre muitos outros.

As noticias nacionais e regionais, bem como o desporto, também têm lugar marcado nas manhãs da RTP- Açores. E, das coisas que tornam este programa agradavelmente simples e autêntico, é o tempo que dedica à exibição de acontecimentos e festividades locais, onde se pode apreciar uma peça musical da Banda Filarmónica durante a procissão, seguida de uma missa ao som de um coro gregoriano, terminando com uns minutos de teatro.

Os grupos etnográficos e de folclore – peça fundamental da nossa cultura – também são presença assídua nos “Bom Dia” de Pedro Moura, dando-nos a conhecer melhor as nossas tradições e expressões culturais.

Claro que a presença em estúdio da prezada Tia Maria do Nordeste, é sempre um interesse extra, que com a sua simplicidade e acutilância, conquista a “plateia”, e provoca alguns momentos hilariantes (aqui o termo é bem aplicado).

Sem o à-vontade do apresentador, Pedro Moura, sem a sua sabedoria popular e fontes de informação, entre outros atributos que o tornam tão peculiar e talhado para esta "missão", o “Bom Dia Açores” seria, tão-somente, mais um programa da grelha da TV Regional, sem o interesse, gosto e carinho que desperta em todos os que a ele assistem.

Parabéns Pedro Moura, pelas mil manhã que nos tens dado….e força para as próximas mil.

12 abril 2007

The Cure - Boys Don't Cry (Live in Japan 1984)

I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try and laugh about it
Hiding the tears in my eyes
Because boys don't cry
Boys don't cry

Só assim consigo expressar a tristeza que me vai cá dentro, a propósito do Benfica...

A Coutada de Jardim

A propósito da uniformização do Estatuto dos Deputados da Republica em relação aos das Regiões Autónomas – que já vigora nos Açores -, não posso deixar de expressar aqui a minha profunda indignação, face à posição adoptada pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, que é como quem diz, por Alberto João Jardim, em negar-se a aplicar naquela Região, o Estatuto que vigora para os restantes Deputados nacionais. Já foi votada e aprovado na AR o extensão desta Lei àquela Região Autónoma.

É uma posição que afronta a transparência que sempre se advoga para classe politica, no desempenho de funções que se querem de interesse nacional e nunca particular ou cooperativo.
A situação dos Ramos, Jaime pai e Jaime filho, ambos deputados pelo PSD à Assembleia Legislativa daquela Região Autónoma, e que têm capital e acento nos Conselhos de Administração de várias empresas que cresceram à custa de vários concursos (públicos?) ganhos, e dos consequentes negócios que daí advêm.

O voto é a única arma que o Povo tem para combater situações de abuso de poder e prepotência. Situações destas devem merecer uma penalização por parte do eleitorado, digo eu.

A posição da Região Autónoma da Madeira, não tem a “nobreza” da posição do Grupo parlamentar do PS Açores, que se insurge contra aquilo que consideram ser uma intromissão do poder Central, em matéria que defendem ser da exclusiva competência das Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas. A prova é que este Estatuto vigora para os Deputados Açoreanos na nossa Assembleia Legislativa.

O serviço público dos decisores e executores políticos, não se coaduna com interesses em empresas privadas que concorrem pela adjudicação de bens e serviços pagos com o erário público, nos quais, por ventura, possam ter tido uma palavra ou influência na hora de os pôr a concurso.

Ainda bem que por cá vigorou o bom senso, e não permitimos que negociatas deste tipo aconteçam com o aval dos nossos governantes. Assim, sim, como na Madeira, não.

10 abril 2007

O Canudo de Sócrates II

08 abril 2007

Keith Richards Snifou o Próprio Pai

Segundo Mark Beaumont, jornalista da prestigiada revista britânica NME, Keith Richards, guitarrista dos dinossauros Rolling Stones, respondeu-lhe a uma pergunta da seguinte forma: «A coisa mais estranha que tentei snifar? O meu pai. Snifei o meu pai. Ele foi cremado e eu não consegui resistir (...) O meu pai não se teria importando, estava-se a lixar. Desceu muito bem e ainda estou vivo».

É certo que depois de tamanha polémica provocada pelas suas palavras, Keith já veio dizer que houve uma má interpretação, pois: «A verdade é que plantei um vigoroso carvalho inglês. Tirei a tampa da caixa das cinzas e ele está agora a fazer crescer carvalhos e adorar-me-ia por isso!!! Eu estava a tentar explicar o quão próximos o Bert (pai) e eu éramos. Muito próximos!!!».

No entanto Mark Beaumont, mantém tudo o que escreveu, dizendo: «Ele pareceu-me bastante honesto acerca do assunto. Deu demasiados detalhes para me parecer que era tudo invenção» dando a ideia de que o guitarrista dos Stones teria misturado as cinzas do pai com cocaína.
Keith rebate esta hipótese afirmando: «Eu não consumiria cocaína nesse momento da minha vida a não ser que me quisesse suicidar».
Confesso que fiquei sem saber o que pensar. A ser verdade é de uma morbidez atroz.....resta-me a esperança de que Richards tenha mesmo plantado um carvalho inglês!!!

07 abril 2007

"Os blogues são uma vergonha" diz o PGR

Os blogues, Sr. Procurador, são uma realidade e o melhor é encarar. Se é essa a sua opinião, então diga-o em privado à sua assistente, não assim.

06 abril 2007

O Turismo Treme

A propósito desta crise sísmica que estamos a vivênciar por estes dias – mais uma, diga-se –, e da publicitação a nível nacional, através de canais como a RTP (que noticiou 1350 registos de actividade sísmica em apenas algumas horas), a SIC e, creio, também a TVI, dei por mim a colocar-me na posição de um qualquer continental (talvez de um espectador da nova novela “Ilha dos Amores”) que estivesse a pensar fazer as suas próximas férias, nestas Ilhas paradisíacas.

Não gostei da conclusão que daí retirei, pois acaso estivesse impelido a visitar os Açores, retardaria, certamente, a minha viagem, pois ir de férias ao encontro de tremores de terra, não é bem o tipo férias que procuro. Férias e descanso, para mim, rimam. Por isso, aguardaria por melhores dias, que é como quem diz, dias calmos, sem que houvesse a possibilidade de ser invadido pelo constante receio de ser despertado por abalos vindos do ventre da Terra.

Foi o que me aconteceu a madrugada de quinta-feira, pelas 4h56m. Mas eu, de certo modo, já me vou acostumando, o que não quer dizer que aprecie o estado de sobre alerta que cada crise me provoca, e a consequente pergunta; ficará por aqui, ou é agora que vem um mesmo forte?

Espero, obviamente, que as placas tectónicas estejam bem assim, que já se tenham recomposto, pois não quero sentir, em vida, um tremor com maior intensidade dos que já senti até hoje.

E quanto ao Turismo, eu creio que estas crises sísmicas o abalam mais a ele do que a nós, pois nós estamos “condenados” a viver com isso, mas não haverá muita gente que pague para sentir tal sensação. É só uma suposição!.....e por isso, o Turismo Treme.

04 abril 2007

Europa-América II

Parece ser evidente que a UE, precisa de se dotar de uma Política Externa e de Segurança Comum. Os EUA manifestam-se, frequentemente, no sentido da UE investir mais na sua segurança. No entanto, a posição dos EUA, nesta matéria, revela-se algo ambígua, uma vez que receiam que tal investimento se traduza no abandono, por parte da Europa, da Aliança Atlântica.

E as tensões entre a UE e os EUA não se ficam por aqui. Uma vez que os EUA têm uma perspectiva mundial de segurança, enquanto a UE tem uma perspectiva regional. Ou seja, a política de defesa e segurança norte-americana é global, ao contrário, daquilo que parece ser a tendência da Europa, que pretende focar-se apenas no seu próprio espaço. Ilustrativo foi a invasão do Iraque: a perspectiva mundial traduziu-se na coligação liderada pelos EUA e Reino Unido, enquanto posição contrária tiveram França e Alemanha. Existem, além desta questão, outras, relativas à segurança, onde EUA e UE diferem de forma substancial. Em relação à NATO, alguns autores, como Christopher Layne, afirmam que, actualmente, é um instrumento através do qual os EUA perpetuam o seu papel hegemónico na Europa. Não podemos, entretanto, nos esquecer que a NATO teve um papel fundamental na crise nos Balcãs, na década de 90, demostrando a superioridade do poder norte-americano, em relação ao europeu.

Pode-se afirmar, portanto, que o relacionamento entre os países das duas margens do Atlântico norte, não é o melhor. No entanto, tudo indica que a segurança norte-americana e europeia vão estar, nos próximos tempos, interligadas. Apesar da UE ter demostrado, ao longo destes 50 anos, um desenvolvimento económico digno de registo, a verdade é que, em relação a questões de defesa e segurança, continua a depender dos norte-americanos.

02 abril 2007

A SATA e a Diáspora


A companhia Aérea da Região Autónoma dos Açores, SATA, neste caso Internacional, parece querer fazer com os nossos emigrantes, o mesmo que a TAP fazia quando tinha o monopólio (sozinha, pois agora é um monopólio partilhado ou em parceria) das rotas aéreas com os Açores. Refiro-me a compensar os baixos lucros de outras rotas, com preços altíssimos praticados nas viagens para os Açores que originava que quem para lá viajasse, não tendo alternativa, se via obrigado a abrir os cordões à bolsa, e pagar o que a TAP queria.

Nós, Açoreanos, comparticipamos duas companhias de Aviação. É obra……de gente rica.

Pois a memória é curta, e nos negócios, não há dessas “coisas do coração”, da saudade, das injustiças dos altos preços, ou da diáspora. Isso são mariquices. Negócios são negócios.

E a SATA aprendeu bem a lição, com o seu actual parceiro (TAP). Então não é, que agora, os emigrantes dos EUA que queiram viajar para os Açores, em alguma festividade ou de visita à terra natal e aos seus familiares, têm de pagar (sim dinheiro à frente) a passagem com 6 meses de antecedência. E é para quem quiser!. Até porque a SATA é a única companhia que faz voos directos para as Ilhas Açoreanas, por isso, é pegar ou largar!.
(não estou seguro, mas o preço anda à volta dos 700 euros)

Isto sim, são negócios. E quando se pensa que aqui não entra a saudade vivida na diáspora, eu respondo; entra sim, pois só com tamanha saudade se compreende que alguém se sujeite a pagar uma viagem que vai efectuar dentro de seis meses. E quem gere a SATA, sabe-o.

Para quem administra a nossa (sem aspas, obviamente) companhia de aviação regional, eu digo: Não façam aos outros, aquilo que esteve na origem da criação da nossa SATA.

Aniversário


A 'Máquina' fez um ano de vida. Obrigado a todos que nos têm visitado.

01 abril 2007

Fafe-Lameirinha 1998, McRae

O Rali de Portugal no Algarve é engraçado e tudo, mas estas é que eram as verdadeiras classificativas que fizeram do rali português um dos melhores do Mundial.

31 março 2007

O Canudo de Sócrates

A polémica estalou com a crise na Universidade Independente. Sócrates terá comprado a licenciatura?

Aquilo que é conhecido, é o facto de José Sócrates ser Bacharel em Engenharia Civil, e que terá, em 1996, requerido junto da Independente o reconhecimento desse grau, e a inscrição em cadeiras que lhe possibilitassem aceder ao grau de Licenciado naquele ramo da engenharia.

Dizem os registos da Universidade que terá tido de inscrever-se em, apenas, cinco cadeiras, quatro delas leccionadas por um mesmo professor, e outra, inglês técnico, dada pelo próprio Reitor, à data, Luís Arouca.
As suspeitas agudizam-se, pois consta que o documento daquela instituição de ensino superior, que atesta a Licenciatura de José Sócrates, foi passado num Domingo. Fonte da Independente, diz que este facto se justifica por ser uma instituição privada e, como tal, trabalhar ao Domingo.

O gabinete do primeiro-ministro já apresentou a versão oficial do curriculum de Sócrates, e parece haver mais um enigma, já não costa no referido documento uma pós graduação em higiene e saúde pública, ou algo semelhante, que sempre fez parte das habilitações apresentadas pelo visado.

Parece que ser Dr., mais do que atestar uma formação superior, é uma obstinação, pois ainda é uma questão de afirmação.

Uma Defesa Brilhante

Foi com alguma perplexidade que ouvi, hoje, nas noticias, o anúncio de que Rodrigo Santiago – brilhante advogado e defensor do ex-Reitor da Universidade Independente no processo que lhe foi instaurado no âmbito de, eventuais, crimes de gestão e outros, ligados às suas funções naquele estabelecimento de ensino superior –, fora nomeado para integrar o novo corpo directivo da Universidade Independente.

Julgo ser óbvio, que a minha perplexidade se deve ao facto do ex-Reitor Luís Arouca, ser arguido num processo crime por irregularidades, directamente ligadas à sua função enquanto Reitor da Independente, e o seu defensor neste processo, ser, agora, nomeado para ocupar um cargo, que lhe dá pleno acesso às instalações da Universidade – acesso este, que foi proibido pelo Tribunal ao seu cliente –, e a toda a documentação que possa interessar ao processo (ou não interessar ao seu cliente que seja descoberta por quem o investiga), dando, assim, ao ex-Reitor, oportunidade de saber o que se passa, e de dar instruções que interessem à sua defesa.

Rodrigo Santiago, já disse à comunicação social que não vê nada de mal no facto de ter aceite este cargo na Universidade Independente, até porque, nas suas palavras, “foi o Dr. Luís Arouca quem se demitiu.”, pois não tinha alternativa, acrescento eu, e porque consegui lugar na direcção da instituição que tutelava, para o seu representante legal.

Este defensor está de corpo e alma no processo, tendo até, quase, ocupado o lugar do seu cliente no “local do crime”, para que a sua defesa possa ser o mais eficaz possível.

Não é uma defesa brilhante?

29 março 2007

Uma brutalidade...

Ainda aproveitando o Rali de Portugal, aqui fica mais uma memória. Um carro que fica para a história e não fosse o maldito ano de 1986...

Racismo do PNR



Será que foi devido à 'vitória' de Salazar no programa da RTP-1 'Grandes Portugueses', que a malta do PNR deciciu colocar este cartaz, em plena rotunda do Marquês de Pombal?

28 março 2007

Os Ralis que se faziam...











O espectáculo está de volta a Portugal. Aqui deixo algumas memórias de carros que marcaram o Mundial...












































26 março 2007

Wikipédia

A popular Wikipédia é uma enciclopédia online criada pelos próprios leitores. Qualquer pessoa pode, através do sistema Wiki, editar ou criar artigos da Wikipédia. Os seus defensores dizem que um assunto desenvolvido por muitos é mais completo, porque é aberto e transparente, é a chamada Sabedoria das Massas. Qualquer acto de vandalismo pode ser rapidamente removido, pelos que contribuem.

No entanto, é muito difícil detectar todos os erros ou imperfeições, principalmente quando o assunto são as ciências sociais. Esta é uma discussão que o blog abrupto tem vindo a desenvolver, a dada altura Pacheco Pereira afirma que “a Wikipedia seria o exemplo de como não seria necessário o “saber” dos “sábios” e “especialistas” que seriam substituídos por uma multidão anónima (...)”. Relativamente à política portuguesa, Pacheco Pereira classifica os artigos da Wikipédia “(...) de má qualidade flagrante, cheios de erros, incorrecções, posições e contra-posições propagandisticas e ideológicas.”

No fundo, levanta-se uma questão de credibilidade. E a verdade é que muitas pessoas socorrem-se, frequentemente, da Wikipédia, porque muitos motores de busca tendem em colocar as entradas da Wikipédia em primeiro lugar. Alunos e não só, procuram na Wikipédia bibliografia extra para as suas investigações, erradamente porém, porque a Wikipédia nunca pode ser utilizada como fonte bibliográfica.

24 março 2007

Sonic Marilyn

Numa combinação fantástica, Marilyn Monroe dirigida por Billy Wilder ao som de Sugar Kane!

23 março 2007

Não vou ser condenado. Não vou ser condenado....

Foi assim, com bastantes mais repetições, que o major Valentim Loureiro, respondeu à jornalista Judite de Sousa, na grande entrevista que este lhe deu, na RTP, sobre a sua condição de arguido no processo Apito Dourado.

O major afirma que as escutas telefónicas foram mal interpretadas, e que há “ficção” nas acusações do Ministério Público, muitas delas baseadas nas ditas escutas.

Suponho que as confusões sejam do tipo:

Major: “Ó pá, diz ao Fagundes (nome fictício de árbitro) que eu lhe pago o penalti…mas só no final do jogo, depois do trabalhinho!”
Do outro lado do telefone: “OK, chefe. Então posso passar o cheque ao Fagundes?”
Major: “Sim, eu já o tinha assinado. Mas só lhe entregues o cheque no final do jogo. Não te esqueças que é pró penalti.”

Outro Exemplo: O outro: “Meu caro major, como tem passado?”
Major: “Não muito bem, E sabes porquê, não sabes?
Viste aquela vergonha no Domingo? Porra, tenho de puxar as orelhas ao Pinto de Sousa
(responsável pela arbitragem). Se ele não sabe fazer o trabalho, eu ponho lá outro, carago.”

Justificação do major: “Porra, no primeiro caso, eu só disse que pagava um panalti ao árbitro. Qual é o problema carago. Você nunca pagou um copo a um amigo?”

Acerca do segundo exemplo, o major: “Que carago, eu não disse “orelhas”, porra. Disse ovelhas. Então um gajo já não pode ter umas ovelhas, e pedir uma ajuda a um amigo (Pinto de Sousa), para num domingo as mudar de pastagem? Mas a porra, é que o Pinto de Sousa não leva jeito prás ovelhas e, da próxima vez, eu vou pedir ajuda a outro. É só isso. As pessoas vêem e ouvem coisas que não existem nem foram ditas. Que carago!”

Pois, assim é bem provável que não seja condenado!!!

22 março 2007

Reestruturação da TV e Rádio

A recém anunciada reestruturação na RTP-Açores e na RDP-Açores, deve ser objecto de uma análise mais cuidada. Se é verdade que uma acção desta natureza era obrigatória, é também verdade que há questões que se levantam. Desde logo, Pedro Bicudo. Ninguém pode por em causa a qualidade do jornalista, mas está há muito tempo longe dos Açores e, por isso, não conhece os meandros destas duas instituições. Esta, porém, é uma questão que, com tempo, poderá ser normalizada.

Em relação à RTP-Açores, esta reestruturação só poderá trazer benefícios. Nós já manifestamos aqui e por diversas vezes, a nossa opinião: a ‘nossa’ televisão é medíocre. À excepção de alguns honrosos programas – que também necessitam de melhoramentos – a programação da RTP-A não é interessante, não cativa o público, raramente faz serviço público. Esperemos, portanto, que o novo director traga, acima de tudo, qualidade.

No que diz respeito à RDP-Açores, esta reestruturação, poderá trazer algo de novo, porque há sempre melhoramentos a fazer, no entanto a RDP já desenvolve um trabalho muito bom. Os seus profissionais fazem bom serviço público, que é necessário que se reconheça.

Será que Pedro Bicudo vai conseguir estar presente na RTP e na RDP ao mesmo tempo, ou irá focar o seu interesse na televisão?

20 março 2007

(P)ancada (P)opular


O triste espectáculo que o CDS-PP proporcionou, contribui (ainda mais), para a descredibilização de:

1º lugar – O próprio Partido e seus dirigentes
2º lugar – Toda a direita portuguesa
3º lugar – Toda a classe política portuguesa

16 março 2007

Apoios à NBP/TVI II

O apoio de 500 mil euros à NBP, para a produção da telenovela ‘Ilha dos Amores’, que passará na TVI foi, pelo menos para mim, surpreendente e compreende-se que alguns o tenham considerado exagerado. No entanto, e segundo informações de quem está por dentro do assunto, se formos a comparar com o que foi gasto no ano anterior em campanhas televisivas, é manifestamente menos e é minha convicção que será mais eficaz.

13 março 2007

Açores Radioactivos

Do livro Máscaras de Salazar, de Fernando Dacosta:

«Portugal sofreu radiações atómicas nos finais dos anos 60. À excepção de Salazar e de alguns membros do Governo, ninguém o soube, porém. Nuvens radioactivas, formadas após explosões realizadas pela França, fugiram ao controlo dos técnicos e dirigiram-se para o nosso território.
“A fim de evitar o pânico não divulguei, a imprensa não suspeitou de nada. Os serviços franceses mantinham-me informado do evoluir da situação” confirma-me Kaulza de Arriaga. “ As nuvens encaminharam-se para os Açores. Fomos para lá. Em duas ilhas choveu. As pastagens foram contaminadas, bem como as vacas que as comeram e o leite que deram. Com a ajuda do presidente da Nestlé, recolhemo-lo e tratámo-lo, baixando o índice de radioactividade (todo o leite tem radioactividade) para os valores normais. As vacas afectadas não foram para consumo. Tudo se resolveu”»