02 junho 2007

Epílogo de “O Grande Dador”



Afinal, o concurso “O Grande Dador”, que a empresa Endemol estava a realizar na Holanda era uma farsa. Segundo o Público, o grande objectivo era chamar a atenção para o grave problema de falta de órgãos para transplante, naquele país. A senhora que iria doar o rim era uma actriz, mas os concorrentes são mesmo pessoas que estão na lista de espera para receber um rim.


Apesar dos meios pouco convencionais, a verdade é que funcionou, uma vez que toda a Europa falou sobre o caso. Fica, no entanto, uma questão importante: é que ninguém sabia que se tratava de uma farsa, nem mesmo o governo holandês que fez tudo ao seu alcance para cancelar o programa, mas não o conseguiu, e se fosse de verdade? Portanto as inquietações que aqui manifestamos há poucos dias, continuam válidas, apesar de tudo.

01 junho 2007

Congratulo-me com esta Decisão


A decisão a que me refiro - absolvição de uma mulher, pela morte do marido mal tratante -, foi assim descrita pelo "Diário de Notícias" (*) na sua edição on-line:

* Após 40 anos de maus tratos, Maria Clementina Pires matou o marido com um machado de cozinha. Ontem, a mulher de 63 anos foi absolvida pelo Tribunal de S. João Novo, no Porto, uma decisão aplaudida em plena sessão pela meia centena de pessoas que encheram a sala. O juiz-presidente do Colectivo, João Grilo, considerou que agiu em legítima defesa e evitou tornar-se mais uma vítima de violência doméstica.
O Ministério Público tinha pedido a condenação de Maria Clementina, que vinha acusada de homicídio privilegiado, incorrendo numa pena que poderia ir até aos cinco anos de prisão. Mesmo assim, nas alegações finais admitiu a aplicação de uma pena suspensa.
O juiz João Grilo considerou, no entanto, que a aqrguida agiu em legítima defesa . "A senhora ao longo de 40 anos sofreu com isto tudo e não era nesta altura que ia chamar a polícia. As pessoas estão em casa, vivem com a agressão e após a queixa é que começa o verdadeiro inferno", salientou.
O juiz recordou os números apresentados pelo Amnistia Internacional que referem que em Portugal, no último ano, morreram 39 mulheres vítimas de violência doméstica e aproveitou para criticar o novo enquadramento legal dos crimes que deixaram de ser semi-públicos para serem públicos. "Isso para os tribunais vale zero", acrescentou o magistrado, que defendeu a reavaliação do quadro punitivo deste tipo de crimes."A senhora teve sorte", afirmou o juiz, considerando que "não houve excesso" nos actos praticados pela arguida.
Maria Clementina estava acusada de ter usado um machado de cozinha de 31 centímetros para matar o marido, Januário Pires, que a ameaçava com uma foice-machado com 85 centímetros. "A senhora tem ainda muitos anos pela frente, tem duas filhas, aproveite a vida", terminou o magistrado.

Hunter S. Thompson

Hunter S. Thompson ficou mais conhecido por criar o jornalismo gonzo. Escreveu alguns livros, nos anos 60 e 70, com realce para Hell's Angels, onde se infiltrou naquele grupo de motards, para os descrever, foi apanhado e levou uma sova. Mas principalmente Fear and Loathing in Las Vegas, que foi transposto para o cinema pelo ex-Monthy Pithon Terry Gilliam e com as actuações de Johnny Depp, a fazer de Thompson e Benicio Del Toro, que representa o seu advogado.

Hunter Thompson suicidou-se em 2005. Preparou, antecipadamente, uma torre para espalhar os seus restos mortais, uma de espécie de fogo de artificio à moda de Hunter S. Thompson

31 maio 2007

"O GRANDE DADOR"

Foi com surpresa e, porque não dizê-lo, choque, que conheci, através da SIC Noticias, um novo reallety show, que decorrerá na Holanda, designado, "O Grande Dador".
O que nos propõem é, acompanharmos uma doente terminal (supostamente uma mulher de 37 anos com um tumor cerebral - permaneçe no anonimato), que, ainda em vida, escolherá de entre três concorrentes – doentes renais, que se encontram em lista de espera (oficial) para receberem um novo rim, indispensável para que possam viver –, qual o que vai ser “brindado” com um dos seus rins.

Se outros programas desta “estirpe”, já me causavam alguma estranheza no interesse que podiam despertar nos telespectadores, confesso que este é daqueles programas que eu pagava para não assistir.

Há tudo do mais nobre, na dação (é agora assim designada a “doação” de um órgão) de um órgão. É um acto, ao alcance de todos nós, que, efectivamente, salva vidas.

(Infelizmente faltam é meios técnicos e humanos que possibilitem mais recolhas de órgãos e, consequentemente, mais transplantes).

Não me vou aqui alongar nas razões que me fazem repudiar veementemente este programa, mas aquela que me causa mais arrepio, é o facto de antes deste programa começar, já existirem dois perdedores á partida.

Neste caso a derrota é, seguramente, devastadora.

30 maio 2007

GREVE; Direito ou Dever?

O “Estação de Serviço” que passou hoje na RTP - Açores, teve como tema a Greve Geral convocada pela CGTP Intersindical, e a pergunta era: “Concorda com a Greve de hoje?”.

O convidado, um sindicalista da área da Banca (que não me recordo o nome e que ali estava na qualidade de cidadão e sindicalista, como o próprio frisou), pareceu-me defender, durante a conversa, que os trabalhadores que não adiram às greves, não possam depois usufruir dos direitos conquistados por via dessa forma de luta e dos que a ela aderiram. Nada mais errado, em minha opinião.

Seguramente que os baixíssimos números de adesão registados, à Greve de hoje, contribuíram para essa demonstração de um certo desapontamento por parte do convidado em estúdio, manifestada através desse “desabafo”.

Aquilo que sei é que muitos trabalhadores não aderem a esta forma de luta, embora com ela concordando, pela simples razão de não poderem prescindir do rendimento daquele dia de trabalho. Então se falarmos de uma greve geral, e da perda, por parte dos dois membros do casal – quando não mesmo de outros membros que contribuem para o sustento do agregado familiar -, dos respectivos rendimentos desse dia de labuta, então a falta ainda é maior.

Isso, para não falar do Direito á Greve ser, isso mesmo, um Direito, que é exercido, ou não, conforme a vontade do cidadão/trabalhador. Os sindicatos, por seu lado, têm o dever de defender todos os trabalhadores a ele afectos, não devendo condicionar um direito de um seu associado.

A ser assim, qualquer dia os sindicatos dão “carta de alforria” a quem não fizer greve, pois não estão dispostos a defender os interesses quem não embarca na mais dura forma de luta.(!)

28 maio 2007

Como se faziam (fazem) as coisas

Em 1962 o Departamento de Defesa dos EUA, aprovou um plano que ficou conhecido como Operação Northwood, que tinha como finalidade a invasão da ilha de Cuba, depor Fidel Castro e apoiar um regime pró-americano. Para tal, o DoD planeou uma série actos de terrorismo, que deveriam ser cometidos em solo norte-americano, ou contra interesses americanos, e onde se deveriam depois colocar “provas” que incriminassem Cuba, para que depois, através do controle das principais cadeias de televisão, pudessem iniciar uma campanha, junto da população americana, que levasse à aprovação de tal invasão a Cuba. O plano foi levado ao Secretário de Defesa da altura, Robert McNamara, que o rejeitou.

Os actos de terrorismo que o DoD queria fazer são muitos e da mais variada natureza, deixo apenas dois exemplos:
(com uma tradução feita em cima do joelho)

“É possível criar um incidente que demostrará convincentemente, que um avião cubano atacou e abateu um avião charter civil que faria uma ligação entre os EUA e qualquer sítio como Jamaica, Guatemala, Panamá ou Venezuela. O destino seria escolhido apenas para se poder criar um plano de voo que sobrevoasse Cuba. Os passageiros poderiam ser um grupo de estudantes universitários, que iriam em férias, ou qualquer grupo de pessoas com um interesse comum, que os levasse alugar um charter.”

“Poderá dar-se início a uma campanha de terrorismo, feita por comunistas cubanos, na área de Miami, noutras zonas da Florida e mesmo em Washigton(...)”
Quem quiser ver o documento na íntegra, está disponivel aqui.

A Banalização do Ensino Superior

O objectivo parece que é melhorar a posição de Portugal nas classificações que a U.E. costuma apresentar sobre os níveis de literacia em cada Estado-membro. Para tal, o Decreto-Lei 64/2006, de 21 de Março aprova as condições especiais de acesso e ingresso no ensino superior para a frequência do ensino superior dos maiores de 23 anos, independentemente das habilitações académicas de que são titulares, conforme se verifica no texto do artigo 8.º, não havendo incompatibilidades com as habilitações académicas de que são titulares.

Além disto, sabe-se que a partir da entrada em vigor do Processo de Bolonha (próximo ano lectivo), as universidades vão receber um apoio estatal por cada aluno que sai licenciado, ao contrário do que se passava até agora, onde esse apoio era concedido por cada aluno que ingressava na universidade.

Perante as dificuldades financeiras que a maioria dos estabelecimentos de ensino superior se deparam, não será de estranhar que os professores sejam incentivados a passar os alunos. A verdade é que, como se sabe, o próprio futuro dos docentes universitários depende desses apoios, pois não têm direito a subsidio de desemprego, o equivale a dizer que têm mesmo de entrar nesse jogo, sob pena de ficarem sem trabalho e sem ajuda estatal.

Os números de Portugal serão, com certeza, melhores, no contexto europeu e mesmo mundial. Mas e o que interessa mesmo, ou seja a formação dos alunos, num ensino que se quer de excelência?

"Bullying", Uma Ameaça Real

Correndo o risco de não ser muito rigoroso, pois não vou recorrer a nenhum dicionário ou autor para descrever este fenómeno que parece crescer nas sociedades modernas, posso descrever o “Bullying”, como uma forma de descriminação, intimidação ou rejeição, praticada através de actos ou comportamentos de agressão, perseguição ou coacção, que podem ser de natureza física ou psicológica, praticadas de forma reiterada sobre determinado jovem, em especial, em contexto escolar. São marginalizados, postos de lado e humilhados, quando não mesmo agredidos.

O “Bullying” pode manifesta-se ou “executar-se” de diversas formas, desde uma de “simples” chacota, a roubos ou agressões sistemáticas, que provocam nas suas vítimas, graus de medo e ansiedade que as podem descompensar, levando a esgotamentos ou atitudes de rejeição da escola, que podem ter repercussões futuras, e deixar traumas para toda a vida.

Vi, um destes dias, um documentário que abordava exactamente as possíveis repercussões destes comportamentos sobre as suas vítimas, chegando ao ponto de fazerem a ligação entre o tresloucado massacre do serial-killer da Virgínia Tech, Cho Seung-Hui, com as várias formas de “Bullying” a que vinha sendo sujeito. Nessa “demonstração”, são apresentadas imagens do sul coreano afirmando que tinha sido “levado a cometer tais actos, devido á perseguição de que era alvo por parte dos rapazes ricos” e pelo facto de ser sistematicamente posto de parte e alvo de piadas e descriminação pelos colegas da faculdade. Também documentaram outros casos de crimes idênticos.

Para fortalecer esta tese, os autores do documentário apresentam um senhor que há mais de 40 anos tinha morto um colega de escola, asseverando este, que o tinha feito devido ás constates perseguições e humilhações de que era alvo por parte dos colegas de escola. Uma destas vezes enfureceu-se a tal ponto, que acabou por matar um colega que com ele gozava há muito. Agora, e depois de cumprir castigo por tal acto, alerta para os perigos e potenciais sequelas que esta forma de violência pode gerar nas crianças e jovens.

A mim deu-me que pensar. Reflecti sobre o tema, e analisei as razões e argumentos dos intervenientes, e estou seguro que é uma forma brutal de violência, exercida, por vezes, de maneira reiterada e sub-repticiamente, tendo a vítima de sofrer calada, sempre acompanhada por um medo e pânico constantes, pois nunca sabe quando e onde será, novamente, vítima dos seus perseguidores.

Há uma frase que diz; “as crianças são cruéis”, e outra que desdiz a primeira, pois afirma que “as crianças são o melhor do mundo”. Talvez como na virtude, a verdade aqui esteja no meio.

Em suma, as crianças são do melhor que o mundo tem, mas podem, por vezes, ser cruéis, pois não têm os “sensores afinados”.

É, então, preciso trabalhar esses “sensores”, que são aspectos, tais como, o respeito pelo próximo e pela diferença (física ou mental), o cumprimento de regras de convivência e camaradagem, entre mensagens de rejeição a todas as formas de violência ou descriminação, e a importância de saber respeitar o espaço e decisões de cada um, sem que se deixem influenciar ou fazer algo contra a sua vontade.

É uma medida preventiva, e quase sempre as melhores.

27 maio 2007

O Direito à Informação

Todos os fins-de-semana repete-se a mesma triste situação; os jornais do continente que, como é óbvio, vêm de avião, só chegam ás mãos dos leitores Açoreanos ao fim da tarde, dando a impressão de serem vespertinos em lugar de matutinos. Bem, isso é o normal, pois com “sorte”, temos os jornais de sábado ao Domingo.(?)

Eu, como leitor, sinto-me prejudicado. As manhãs ou as tardes de sábado não podem ser aproveitados para momentos de leitura, e fico condicionado à noite de sábado – que prefiro passar de outro modo –, para pôr a leitura da semana e do dia, em dia. Numa sociedade moderna e actualizada, eu quero ter o direito a ter a informação disponível em tempo útil e oportuno, pois tal é possível e desejável.

Recordo-me que há uns bons 15 anos, tínhamos o jornal Expresso e o Semanário, na "Tabacaria Açoreana", na sexta-feira à noite, por volta das 23h30m ou mesmo à meia-noite. Vinham no último avião. Porque será que agora, quer os semanários quer os diários, só vêm para as nossas Ilhas no avião das 17 horas do dia seguinte, quando há um voo para S. Miguel, por exemplo, que sai de Lisboa às 6 horas da manhã desse dia? Digo com toda a certaza que os Jornais já estão disponíveis a esa hora.

Se fosse na altura em que revistas e jornais eram subsidiados – para que o seu valor fosse igual ao praticado no continente –, até tolerava tal atraso. Mas nos dias que correm, tal compensação já não existe, e os atrasos são de tal ordem, que temos revistas que abordam várias temáticas, que vêm agora de barco, e que só chegam às bancas no final do mês a que dizem respeito!?!?! Que eu saiba, um barco de transporte de mercadorias não demora mais de três dias a fazer o percurso Lisboa-PDL.(!)

O que me parece é que há um certo laxismo e falta de vontade de quem de direito, para que coisas tão simples de resolver, tenham uma solução que vá de encontro aos desejos dos leitores, afinal os destinatários dessas publicações.

Bem, eu já nem falo de outras Ilhas dos Açores, que nem à tarde têm os matutinos de Lisboa. Com sorte têm-nos no dia seguinte, se tudo correr “bem”!

14ª Taça de Portugal

Não podia deixar de registar aqui, neta "máquina", a conquiata, por parte do Sporting Clube de Portugal, da sua 14ª Taça de Portugal.

A época 2006-2007 acabou, e para o meu clube, o Sporting, da melhor maneira, com esta conquista.....claro que houve um amargo-de-boca na última jornada, mas....

Vivó Sporting, ao Paulo Bento e aos nossos jogadores..................Liedson, resolve.

22 maio 2007

Peek-A-Boo

Peek-A-Boo é o nome de um novo blog, criado exclusivamente para vídeos do youtube, principalmente música.

Cocteau Twins

É muito difícil escolher uma banda como a favorita e pior será escolher um tema. Mas Cocteau Twins pela singularidade do seu som têm que estar no meu top e esta música em particular é das minha favoritas...de sempre.

A combinação entre a guitarra de Robin Guthrie e a voz divinal de Elizabeth Fraser é única.

20 maio 2007

Divide e Conquista

Todos sabemos que actualmente uma das maiores formas de ter poder é através do controle dos meios de comunicação social; sendo a televisão o mais poderoso.

Vem isto a propósito do Congresso do CDS/PP. Estamos a falar de um partido que tem uma representação muito exígua, por exemplo numa sondagem realizada recentemente, relativamente às eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa, o CDS arrecada apenas 0.8% das intenções de voto, contra os 5% da CDU, dos 6.2% do BE, ou dos 13.5% de Helena Roseta. Quem se recorda de ver nos vários telejornais, directos de congressos do BE, ou do PCP?

A leitura só pode ser a seguinte: o CDS quer aumentar o seu eleitorado, e isso acontecerá às custas do PSD, desta forma quem beneficia é o PS, que dividindo, conquista.

19 maio 2007

8 fotos

Andy Warhol, 1975




David Byrne, 1986



The Wizard of Oz, 2005 (produção para a Vogue)





The Wizard fo Oz, 2005 (produção para a Vogue)





John Lennon & Yoko Ono, 1980




The Blues Brothers, 1979

The White Stripes, 2003


Willie Nelson, 2001

Gratefull Dead


Annie Leibovitz - The Gratefull Dead, 1971

18 maio 2007

Debate GOP

Assisti, com algum interesse, ao debate entre os candidatos do Partido Republicano à Presidência dos EUA, na Fox News. Esperava que Rudolph Giuliani e John McCain dominassem o debate, mas para surpresa minha foi Mitt Romney quem conseguiu suscitar o maior interesse, pela forma assertiva como falou. Romney é mormon e originário do (liberal) estado de Massachussets, nas sondagens continua atrás dos principais candidatos, a nível nacional, mas nas últimas semanas tem vindo a recuperar, de tal forma que no estado de New Hampshire, que é o primeiro das primárias, está já à frente. Será um candidato a ter em conta do lado do GOP.

14 maio 2007

Tratado da desunião



As últimas eleições para o Parlamento da Escócia ditaram a vitória do Partido Nacional Escocês, que defende a independência daquele país, do Reino Unido. Apesar de ter conseguido “apenas” 47 lugares, contra os 46 do Partido Trabalhista, o SNP já prometeu um referendo para 2010 para que os escoceses se manifestem sobre este assunto. A verdade é que uma sondagem realizada no final de Abri, antes das eleições na Escócia, indicou que 56% dos ingleses são a favor de uma separação entre Inglaterra e Escócia.


A Escócia tem o poder de legislar, actualmente e depois da Devolução de Poderes de 1997, em áreas como a Saúde, Ensino e, inclusivamente no Direito Penal e nas Polícias e Bombeiros, entre outras, o que constitui um exemplo para outras regiões autónomas da Europa (apesar da Escócia ter 5 milhões de habitantes). A verdade, porém, é que desde os anos 1970, principalmente com os governos Thatcher, os escoceses têm vindo a reafirmar a sua vontade independentista. Para tal, muito contribuiu também a União Europeia, uma das frases mais utilizadas pelos independentistas da Escócia é “Independência na Europa”. Quanto aos ingleses, sentem que andam a sustentar a Escócia, que tem despesas públicas, em média 22% mais altas que a Inglaterra. No entanto, a Inglaterra tem muito a ganhar tendo a Escócia do seu lado, porque é um acréscimo importante no contexto da EU. Os próprios escoceses também têm que ter este factor em consideração, pois se os ingleses perdem, na EU, com uma separação, a verdade é que os escoceses perderão muito mais, apesar do seu petróleo.

11 maio 2007

As Festas em Honra Do Senhor

Foi hoje, como vem sendo hábito, inaugurada a iluminação em redor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres – de quem sou profundo devoto –, dando início às festividades em sua honra.

Este ano dá-se uma feliz coincidência, que é o facto do dia maior das festas, o da Procissão que acompanha a imagem do Senhor Santo Cristo num percurso que percorre algumas artérias da cidade de Ponta Delgada, ser, este ano, num dia 13 de Maio, que como é sabido, é o dia em que se comemora a primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima, aos pastorinhos daquela localidade.

Soube há pouco, pelo Monsenhor Agostinho (Reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo), enquanto acompanhava a emissão da RTP- Açores em directo do Campo de São Francisco, que esta feliz coincidência também se verificou no dia da primeira aparição de Nossa Senhora, em Fátima. Dizia o referido Monsenhor, que decorria o dia 13 de Maio de 1917, e enquanto o nosso Senhor Santo Cristo percorria, em Procissão, as ruas da cidade que Ele escolheu como residência, aparecia, em Fátima, Nossa Senhora aos três pastorinhos. Não resisti em partilhar convosco este facto, que descrevo como “coincidência”, pois a mais não me atrevo.

Resta-me registar, também, que muito me satisfez saber que este ano haverão menos Barracas de comes e bebes na Avenida que passa ao lado do Santuário, pois em nada abonava em favor do recato que se deseja para os fiéis que ali cumprem as suas promessas.

É necessário não esquecer que estas festas são em Honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, logo festas de cariz Religioso. A parte “profana”, a dos comes e bebes, tem o seu lugar, mas não deve interferir ou diminuir, a Fé que a elas (festas) está subjacente.

Boas Festas a Todos.

Cidade Maravilhosa em Polvorosa

Continuam os confrontos no Rio de Janeiro. Ainda hoje, enquanto fazia um zapping na TV, dei por mim a ouvir o noticiário da TV Record, que dava conta dos confrontos em várias favelas da cidade maravilhosa, que continuam a causar vários feridos e, mesmo, muitos mortos. O que mais lameno são as fatalidades entre os civis inocentes e os policiais que têm de entrar nos morros.
É, sem dúvida, um cenário de caos urbano de difícil resolução.
Estes, últimos, confrontos já duram á vários meses.

Fonte, Estadão.com.br 17 de abril de 2007 - 12:58
Confrontos entre traficantes deixam 14 mortos no Rio
Traficantes dos morros da Mangueira e do Alemão, ligados ao Comando Vermelho, invadiram a Mineira, favela dominada pela facção rival Amigo dos Amigos
Pedro Dantas e Bruno Lousada
Fábio Motta/AE
Confronto entre traficantes rivais deixou pelo menos oito mortos

Veja também
¤ Imagens da ação da polícia
RIO - A guerra entre traficantes de facções rivais no Morro da Mineira, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos oito pessoas mortas até o começo da tarde desta terça-feira, 17. Em outro confronto, no começo da madrugada, seis pessoas morreram na zona oeste da cidade, totalizando 14 mortos por violência até o começo da tarde desta terça.

Sete das vítimas entre o confronto entre traficantes rivais foram encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, dentro de um veículo blindado da Polícia Militar conhecido como Caveirão.

O tiroteio começou depois que traficantes do Morro da Mangueira e do Morro do Alemão, ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), invadiram a Mineira, dominada pela rival Amigo dos Amigos (ADA), por volta das 4 horas desta terça-feira, 17.

O tiroteio, que durou toda a madrugada, deixou um passageiro de ônibus ferido com um tiro de fuzil e provocou o fechamento de ruas próximas ao local, incluindo o túnel Santa Bárbara, um dos principais acessos entre o centro e a zona sul. Policiais militares continuavam dentro da favela, por volta de 12h30, à procura de outros suspeitos. Foram apreendidas armadas.

"Não foi uma operação planejada, foi uma ação que tivemos que intervir porque facções criminosas rivais entraram em conflito, e tivemos que intervir para manter a ordem", disse por telefone uma tenente da PM que pediu para não ser identificada.

A polícia chegou somente duas horas depois e sete homens foram presos dentro de um caminhão no Cemitério do Catumbi, localizado em um dos acessos ao morro, onde policiais ainda procuravam cerca de 30 homens do Comando Vermelho.

Com os sete detidos foram apreendidos um fuzil, quatro pistolas, morteiros e munição. Velórios e enterros no cemitério foram suspensos e o trânsito na região também foi interrompido.

"Sei que são brigas de facções e, como o Morro da Mineira é muito central, imediatamente o batalhão foi acionado, subiu, fez as contenções e agora tenho que ver o que aconteceu", disse no fim da manhã o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, que participava de visita a um evento voltado ao segmento de defesa.

"Eu sei que tem pessoas presas, pessoas mortas", disse o secretário, que não tinha mais detalhes. "Mexe com a vida da cidade, porque a configuração geográfica facilita esses núcleos de violência se instalarem. Se fosse uma cidade como Brasília, isso não aconteceria", acrescentou.

Na segunda-feira, os ministros da Defesa, Waldir Pires, e da Justiça, Tarso Genro, e comandantes das três Forças Armadas estiveram reunidos com o governador do Rio, Sérgio Cabral, para debater o uso das Forças Armadas no combate à criminalidade no Estado.

O governo federal terá um prazo de 15 dias para responder às solicitações do Estado. Enquanto isso, o Rio receberá o reforço de mais 400 homens da Força Nacional de Segurança entre uma semana e dez dias. Atualmente, cerca de 500 homens da Força estão em ação no Estado.

Zona oeste

Seis traficantes da Favela do Rebu morreram, no fim da noite de segunda, durante troca de tiros com policiais militares do Batalhão de Bangu (14.º BPM), na zona oeste do Rio de Janeiro.

Por volta das 23 horas, eles saíam da comunidade em vários carros para praticar assaltos na região e se depararam com soldados do Grupamento de Ações Táticas (GAT) na Avenida Santa Cruz, que fica próxima ao morro. Os seis homens baleados foram encaminhados ao Hospital Estadual Albert Schweitzer, no bairro do Realengo, mas morreram.

Houve intenso tiroteio e, com os homens, os PMs apreenderam quatro pistolas, dois revólveres, três mil papelotes de cocaína e um Honda Fit usado pelo grupo. Os suspeitos teriam recebido os policiais a tiros, o que pode ter dado início ao confronto.

Com Reuters

10 maio 2007

09 maio 2007

Ainda a Propósito da Menina Inglesa

Depois do choque dos primeiros dias, permanece a tristeza face às poucas pistas, conhecidas, sobre o móbil do crime ou sobre o autor/es, do desaparecimento da pequena Madeleine.
No entanto fui assolado por uma pergunta, que com a agrado vi ontem ser feita ao porta voz da PJ, por um jornalista da SIC.
A pergunta foi: "Porque é que em outras situações semelhantes que já ocorreram em Portugal, mas com crianças nacionais, não foram disponibilizados os mesmos meios de busca e investigação, que estão agora no terreno e destacados para este caso?"
O porta voz da PJ respondeu que tal questão "teria de ser colocada a outro nível que não o dele." Compreensivel, mas pouco esclarecedor...ou talvez não.!
De facto estão envolvidas várias policias, nacionais e estrangeiras, Protecção Civil e Bombeiros, com helicópteros e barcos, a que se somam muitos voluntários e outras instituições particulares e públicas, que se têm dedicado, nestes últimos 6 dias, à busca incessante de algum vestígio da pequena Madeleine. Parece-me muito bem. Nunca serão demais, seguramente.
O que lamento é que, por exemplo, a "nossa Joana", que inicialmente foi dada como desaparecida pela mãe, que entretanto se provou ter sido esta a autora da sua precose morte, não foram disponibilizados os meios este caso fez despoletar. E outros, que são, também, públicos, e que pouco - pelo menos a comparar com os esforços neste caso -, foi feito para descobrir o seu paradeiro.
Enfim, ser estrangeiro em Portugal ainda é, por si só, um estatuto, quase diplomático.

07 maio 2007

Açores, Turismo e Golfe

Li no "Expresso" deste fim de semana, uma noticia que dava conta da compra de mais uns campos de golf em Portugal, por uma empresa denominada "Oceânico", propriedade de dois empresários, o irlandês Gerry Fagan e o inglês Simon Burgess.
Estes dois milionários, amantes de Portugal, e em especial do Algarve, decidiram, durante uma longa conversa no aeroporto de Faro - enquanto (des)esperavam pelo vôo de regresso a casa, que entretanto se atrasára -, mudar o rumo das suas vidas, e investir em Portugal em negócios ligados ao golf e hotelaria, uma paixão partilhada por ambos, e possibilitando que ficassem aqui a residir
Já detêm cerca de 10 campos da golf, e outras tantas unidades hoteleiras, maioritariamente no Algarve, mas também em Silves, Óbidos, Porto de Mós, Funchal e AÇORES, neste último caso o "Azores Golf Island", com os campos da Batalha e das Furnas, que implica um investimento turistico-imobiliário orçado em 700 milhões de euros, em parceria com a Siram.
Pelo que li na notícia do suplemento de Economia, do jornal "Expresso", não duvido que esta compra, e o consequente investimento que vai ser levado a cabo, seja um projecto que vai de encontro ao turismo/turista que ambicionamos, e será um negócio condenado ao sucesso, pois parecem ser pessoas sérias, com experiência no ramo, e empenhadas (investimento global é da ordem dos 2.000 mil milhões de euros), com uma visão empreendedora e com espirito ganhador, e que apreciam muito os Açores.
Na conversa mantida pelo jornalista com os empresários, duas citações dos entrevistados me mereceram destaque; a primeira foi relativa ás qualidades dos nossos produtos, e diziam, "apreciamos muito o bom peixe e carne dos Açores"; outra fazia referência aos potências alvos dos seus pacotes de férias com golf, e mencionavam os mercados Americano e Canadiano, dando como exemplo que "um turista/jogador, pode passar uns dias a jogar golf nos Açores, e depois seguir para mais uns dias no Algarve, tudo dentro do mesmo pacote".
Também se referiam aos muitos emigrantes Açoreanos nesses dois países, e acrescentavam que para outros mercados os Açores têm bom potencial pois "podem oferecer um ambiente muito familiar aos Irlandeses. Também têm queijo, chá e cigarros. E fica muito barato para investidores ingleses ou americanos." E finalizam afirmando que "A Oceânica, também agradece os novos voos entre PDL, Londres e Dublin", e mostram-se dispostos a levar uma nova vaga de residentes para o nosso arquipélago, pois "nas nove Ilhas só residem dois ingleses e nenhum irlandês".
Por isso, parece-me que este projecto vai sair vencedor, e com ele os Açores também ganharão, na medida em que subirão no patamar da qualidade dos serviços prestados e das infraestruturas ligadas ao golf, que, como se sabe, contuma ser praticado por pessoas com uma situação financeira desafogada.

06 maio 2007

O Major Valentão...e Espertalhão

A fazer fé nas palavras dos "Gato Fedorento", ainda que tal facto seja uma grande ousadia, as buscas à CM de Gondomar, levadas a cabo esta semana por inspectores da PJ da Directoria do Porto, devem-se a um processo que, supostamente, envolve a compra e venda de um terreno, que resultou em beneficio do próprio presidente de Câmara, o Major, ou do seu filho e/ou do clube de que é presidente Boavista FC.
O processo resume-se assim: supostamente, o filho de Valentim Loureiro, presidente da Câmara Municipal de Gomdomar, comprou um terreno naquele conselho por um milhão de euros, tendo-o vendido, 6 dias depois, por quatro milhões de euros, obtendo uma mais valia de três milhões de euros, pasme-se, em apenas seis dias.
Diz a mesma fonte, que tal negócio foi possível, devido ao facto do terreno ter sido adquirido por João Loureiro ou pelo Boavista, sem viabilidade de construção, sendo que a Câmara Municipal tutelada pelo seu pai, no espaço de seis dias, tratou de viabilizar, no dito terreno, a possibilidade de serem aí erguidas construções.
Quem tem padrinhos, baptiza-se, quem não tem, sujeita-se a laborar dia após dia.

Parabéns Mourinho


Apesar de um esforço magnifico, na 2ª parte do jogo contra o Arsenal, fora de casa e a jogar com menos um jogador, o Chelsea não conseguiu impedir que o Man Utd se sagrasse campeão. O empate a um golo, foi o melhor que os jogadores de Mourinho conseguiram.

Mas fica mais uma prova que, de facto, José Mourinho é um treinador fora-de-série. Porque entrou em campo com uma equipe sem as grandes estrelas, porque dominou a 1ª parte, sofreu um pénalti correcto devido a uma acção estúpida de um mau jogador (um tal de Boularhouz) que valeu o 1-0 para o Arsenal, mesmo antes do intervalo e porque conseguiu empatar o jogo, com uma grande exibição, marcada principalmente pelo carácter e o esforço que os dez jogadores de Mourinho mostraram na 2ª parte.

Presidenciais em França





É caso para nós, em Portugal, perguntarmos porque razão a abstenção é tão alta cá e fazermos uma reflexão profunda, sobre este assunto...

E por muito que esteja na moda para certas elites do nosso país, afirmem que não gostam de França (tal como no passado acontecia o contrário), a verdade é que este é um exemplo a seguir.

05 maio 2007

A Menina Inglesa

A menina Inglesa a que me refiro no título é, como podem calcular, a pequena Madeleine de 3 anos, que foi, segundo diz o responsável da PJ pela investigação, alegadamente raptada num empreendimento turístico em Lagos, onde passava férias na companhia dos pais e de dois irmãos, gémeos, de 2 anos de idade.

Noticias deste cariz, envolvendo crianças, deixam-nos a todos com um aperto no coração, com uma sensibilidade acrescida, na medida em que estas não se podem defender, e porque sentimos uma enorme revolta perante pessoas que são capazes de cometer crimes desta natureza.

Dito isto, e afirmando-me solidário perante a dor e desespero dos pais de Madeleine, não posso, no entanto, branquear ou deixar passar como um facto de somenos importância, a circunstância desta menina e dos seus dois irmãos, terem sido deixados numa situação de (semi) abandono, e que as coloca numa situação de negligência, a meu ver, grave.

E é tanto mais grave, na medida em que é praticada por um casal de médicos, o que por si só atesta uma formação superior, e uma, julgo eu, inerente responsabilidade acrescida e cuidados redobrados, pois a profissão assim o exige.

É inadmissível – e na Lei de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens que vigora em Portugal, pode ser motivo (de negligência) suficiente para que uma criança seja retirada aos seus pais –, que se deixe, ainda que por breves minutos, bebés de tão pouca idade, vetados ao abandono, ainda mais tratando-se de três.
A palavra abandono justifica-se neste caso, na medida em que os pais destas crianças se ausentaram do espaço onde estas se encontravam, não havendo nenhuma possibilidade de ouvirem o seu choro ou de as socorrer caso fosse necessário. Foram jantar com os amigos, e prescindiram, inclusivamente, da supervisão de uma baby-sitter (incluída no pacote que compraram no aparthotel onde estavam instalados), alegando que se deslocavam ao quarto de meia em meia hora, alternadamente, para ver como estavam. Será suficiente? O que pode acontecer durante 30 minutos?

Seguramente que este peso de alguma responsabilidade, ainda torna a dor dos pais mais intensa. Mas “ a ocasião faz o ladrão”, e no caso em apreso o ladrão tem outro nome, raptor, e as mórbidas razões que o levaram a cometer tal crime, transformam este caso num drama que nos afecta a todos.

Talvez por isso, por me sentir tão afectado – pois também sou pai –, não tolere que pais conscientes, informados e com formação superior, deixem três bebés de 2 e 3 anos sozinhos naquelas circunstâncias.

04 maio 2007

Teste de Inglês

Basta clicar no link, para se ver o teste de Inglês Técnico, que José Sócrates fez na UnI e que lhe valeu a surpreendente nota de 15 valores. Cada um tira as conclusões que entender...

03 maio 2007

Devia ter sido mais cedo


Eu, como fumador, agradeço que se limite os espaços para o consumo de tabaco. É que, se estou num local, que me obriga a sair, para ir fumar o meu cigarro, então de certeza, vou fumar muito menos. Os meus pulmões e a minha algibeira, também agardecem...


Veja-se o Zidane, tinha que sair do centro de estágio da selecção francesa, para fumar.

01 maio 2007

Guias

O investimento no turismo é uma engrenagem muito grande, que começa com as infra-estruturas, passa pela promoção e acaba com os guias turísticos, que são a face visível daqueles que visitam as nossas ilhas. Se a intenção é fazer com que os turistas fiquem com uma boa imagem dos Açores, não só para voltarem, mas também para fazerem, eles próprios, promoção, então é da maior importância que os guias turísticos sejam pessoas capazes e bem formadas. Não é admissível que se vejam pessoas a desempenhar essa vital função, para o bom funcionamento da economia ligada ao turismo, que não têm nenhuma qualidade, a não ser a de serem amigos, ou familiares de alguém que decide, ou porque têm um carro.

Novamente, é preciso investir na formação e, neste caso, regulamentar esta situação, para que, apenas pessoas dotadas de uma carteira profissional, possam receber e informar os que nos visitam.

O cerne da questão

Ainda há bem pouco tempo, eu e o meu caríssimo colega, aqui da ‘Máquina de Lavar’, Pedro Lopes, discutíamos se os Açores deviam, ou não, ver os seus poderes reforçados, a propósito da última votação cá do nosso blog.

Na altura disse que, de facto, os Açores deviam reforçar os seus poderes. Mas ressalvei que, esse reforço devia acontecer através de representações efectivas nos centros de poder, que de uma forma ou outra afectam a vida dos açoreanos, como Lisboa, Bruxelas e inclusivamente Washington.

Ora, nem de propósito, hoje ao ler o Açoriano Oriental, reparei que o Secretário Regional da Economia, Duarte Ponte disse, numa conferência sobre o turismo nas ilhas, que os Açores poderão ser "enormemente penalizados, devido aos custos acrescidos que o transporte aéreo terá de suportar", e que "A legislação que se pretende implementar irá penalizar grandemente quem vive em ilhas, caso a União Europeia não tenha em consideração a nossa condição arquipelágica e, na maioria dos casos, ultraperiférica".

Este é um exemplo claro da falta de poder de que os Açores são vítima e como Duarte Ponte diz “temos que nos unir e fazer valer a nossa voz no seio da União Europeia”.

E isto leva-nos a outro problema da nossa Região e de Portugal, em geral; é que não há uma relação de proximidade entre as entidades oficiais – públicas e privadas - e as Universidades. Porque a Universidade dos Açores está a formar pessoas que estudam estas questões e que poderiam dar um grande contributo, para fazer valer os interesses da Região Autónoma dos Açores, neste caso, junto da União Europeia. Trata-se de um investimento que urge concretizar e que a maioria das regiões, semelhantes aos Açores, já fizeram e com bons resultados, como não podia deixar de ser.

29 abril 2007

União Ibérica

Com a ida de Pina Moura para a Media Capital, o Governo controla a TVI e os espanhóis controlam o Governo. Estará cada vez mais perto a tal União Ibérica, que durante tantos séculos foi discutida, tentada e evitada?

28 abril 2007

O Amor à Pátria Continua a Matar

O título faz alusão às mais recentes manifestações e desordem pública na Estónia, que tem provocado confrontos com as autoridades e cargas policiais sobre os manifestantes.

A polémica resume-se assim: erigiu-se uma estátua em memória do “Soldado Russo”. As autoridades de Tallim, capital daquele país, que foi em tempos ocupado pela URSS, mandaram retirar a dita estátua e, os cerca de 30% da população Estónia, de origem Russa, logo se sentiram ultrajados, e saíram à rua recordando o heroísmo dos soldados Russo, que defenderam aquela região das invasões Nazis.

Com os confrontos instalados, do lado Russo já há ameaças a sanções económicas e outras, pois consideram esta atitude como uma afronta à memória e bravura do soldado Soviético.

A sombra do domínio Soviético ainda paira sobre os Estónios, e esta tomada de posição por parte de Tallim, pode ser uma bola de neve. Este “definir posições”, pode ser um episódio promovido a conflito diplomático. Aliás, já o é.

Este fervor patriótico já causou, até agora, um morto e vários feridos.

Será justo dizer que o amor à pátria é responsável por esta morte? Acaso seja um Estónio de origem Russa, que se manifestava contra a retirada da estátua e se exprimia pró Russo, a vítima mortal destes confrontos, será correcto recordá-lo como patriota?

Irradiado...


O jogo entre o Boavista e o FC Porto acabou há pouco, com uma vitória justa dos boavisteiros, por 2-1.


O objecto deste post, contudo, não é este jogo, nem sequer a hipótese que se abriu ao Benfica, para ficar a 2 pontos do Porto. Vou antes falar de um jogador que devia, simplesmente, ser irradiado do futebol de uma vez por todas, chama-se Bruno Alves e, como não podia deixar de ser, joga no FCP. Trata-se de um tipo que não tem qualquer problema em agredir os seus adversários, hoje por exemplo, deu pelo menos, dois pontapés e uma chapada e (acho) que nem sequer viu um cartão amarelo. É uma situação recorrente, sempre que entra em campo, Alves agride e nunca é expulso. Não posso deixar de fazer uma ligação entre esta situação e o facto de jogar no FCP, porque parece que os jogadores do Porto têm uma tendência para agredirem adversários, talvez porque sabem que nunca há consequências, em termos disciplinares. Recordo-me assim de repente, de F. Couto, de Paulinho Santos e tantos outros. E quando os árbitros aplicam a leis e mostram cartões, cai o Carmo e a Trindade, quem não se lembra de Quaresma a ser expluso, por dar uma cotovelada, há bem pouco tempo? E esta é uma das muitas razões, porque o FCP tem sido superior, neste últimos 25 anos, celebrados agora, com o lançamento de uma biografia de Pinto da Costa.

Homens da luta no tunel do Marquês

A pedido de muitas famílias, cá estão os homens da luta na inauguração do Túnel do Marquês.

Votação da Máquina

Os resultados da nossa última votação foram os seguintes:
À pergunta "Os Açores devem ver os seus poderes reforçados?", 73% dos votantes responderam "Sim", enquanto 20% responderam "Não", os restantes 7% responderam "Não Sei".

Já está disponível uma nova questão: "A cannabis deve ser legalizada?"

Paulo Macedo Abandona os Impostos

Em 2005, altura em que Paulo Macedo foi nomeado para Director Geral dos Impostos - DGCI, por Manuela Ferreira Leite, soube-se que haveria um regime salarial de excepção para que este quadro do BCP, aceitasse o cargo.

Depois de descritas as suas qualidades, e em especial, depois de observados os primeiros (bons) resultados, comecei a aceitar aquilo que me pareceu uma escolha acertada.

Mas, há alguns meses – já bem depois do Governo Sócrates ter iniciado funções, reconduzindo-o no cargo com o mesmo vencimento -, e por alturas da aprovação de várias Leis que limitavam os rendimentos (e acumulações), dos detentores de cargos políticos e/ou de nomeação, ao ordenado do primeiro-ministro, entre outras, a discussão à volta do ordenado de Paulo Macedo reacendeu, e o incómodo para o Ministro das Finanças começou a fazer-se sentir, ainda mais por este último reconhecer as qualidades e mais valia do primeiro.
Quem também se sentiu agastado com o falatório público, foi o próprio Director Geral dos Impostos, que mesmo tendo vontade de servir o país, não esteve para se ver enxovalhado (recordo o episódio da missa que mandou celebrar), e logo manifestou a sua intenção de abandonar o cargo.

Vai agora fazê-lo, no mês de Maio.

Não há pessoas insubstituíveis; no entanto, há umas mais difíceis de substituir do que outras. Paulo Moita de Macedo é, seguramente, um destes exemplos.

27 abril 2007

E Agora, Lusitânia?

Como Açoreano, e como pessoa que aprecia desporto, foi com pesar que ouvi um destes dias, a notícia de que o Sport Club Lusitânia está, novamente, com dificuldade para pagar os ordenados aos jogadores da sua equipa de Basquetebol.

Não esqueço, no entanto, que este Club recebeu um subsídio de 100 mil euros do Governo Regional dos Açores, para “promoção de produtos agrícolas/ hortícolas”, pelo menos assim foi descrito. Eu, e outros, desconfiamos da atribuição de um subsídio desta natureza, ainda mais dado por uma Secretaria Regional que não a do Desporto, a um clube desportivo. Desconheço o destino dos tais 100 mil euros, mas uma auditoria às contas do Clube, retiraria a dúvida. Eu, enquanto contribuinte, sinto-me com autoridade para pedir um esclarecimento.

A pergunta agora é: e desta vez, como se vão pagar os ordenados aos jogadores?

Será que agora vai aparecer um subsídio para a produção dos produtos, que não podem ser promovidos sem antes serem produzidos!?!?

Gosto de desporto, mas os clubes têm de viver com os “pés assentes na terra”, têm de subsistir com os seus recursos, têm de construir equipas com jogadores que possam pagar com as recitas que produzem. Não podem estar sempre a recorrer à mama do Governo.

Mourinho vs. Cristiano Ronaldo

O Chelsea, de Mourinho e o Man. Utd., de Cristiano Ronaldo preparam-se para um final de época, onde se baterão directamente pela conquista de, pelo menos duas competições – F.A. Cup e Premiership – e onde se poderão, igualmente, encontrar na final da Liga dos Campeões.

Os adeptos de futebol, em todo o planeta, agradecem. E nós, enquanto portugueses, temos que sentir que estes embates dizem-nos respeito, directamente. Não vou esconder a minha preferência: prefiro que seja o Chelsea a ganhar tudo, embora acredite que tal seja muito difícil. E tomo esta posição porque, em 1º lugar, José Mourinho é um treinador admirável, em todos os aspectos, as suas qualidades são inegáveis, desde tacticamente, até ao campo psicológico, que é determinante nestes ambientes; em 2º lugar porque o Chelsea é uma equipe que joga um futebol fantástico, atractivo aos olhos de um adepto; em 3º lugar porque não gosto do Cristiano Ronaldo, enquanto pessoa, e passo a explicar: é evidente que a qualidade futebolística dele não pode ser colocada em causa, trata-se de um jogador completíssimo, capaz das mais incríveis jogadas e com uma potência física fora do comum, mas a sua postura não é correcta, parece que não respeita os seus adversários, nem tão-pouco, os seus próprios colegas, falta-lhe alguma humildade. Penso que o melhor para o Cristiano Ronaldo seria ser jogador do Mourinho e aprender alguma coisa sobre trabalho de equipe, ainda que seja assinalável o trabalho que Alex Fergunson e, especialmente, Carlos Queiróz estejam a realizar nesse sentido, um trabalho que se prevê que se torne cada vez mais difícil, devido à evolução do próprio jogador. Parece contraditório, mas não é.

Esperemos, então, por esses jogos, que se esperam espectaculares. No dia 9 de Maio, estas duas equipes encontram-se em Stanford Bridge, para o Campeonato, uma vez que estão separados por 3 pontos, poderá ser decisivo, ambas têm, entretanto um ‘derby’, para disputar, o Chelsea com Arsenal e o United com Manchester City.
A final da Taça de Inglaterra, no dia 19 de Maio, é por tradição, um jogo especial, mais será, este ano, pelas equipes envolvidas e porque vai marcar a estreia do ‘novo’ Wembley.
Por fim, a sempre apetecível Liga dos Campeões. Tanto Chelsea como United, ainda têm um jogo complicado para realizar, para atingirem a Final. Os azuis, vão a Anfield defender uma vantagem de 1-0, enquanto os Red Devils, vão ao Giuseppe Meazza, com um resultado de 3-2, a seu favor. No entanto, parece que qualquer uma está um boa posição para passar, ainda assim, o Chelsea está em melhor posição, mas como sabemos, esta é uma situação que pode mudar num instante.

Que ganhe o melhor, mas como sabemos, o melhor (actualmente) é o Mourinho...

25 abril 2007

Outras histórias...

Este é um excerto de uma entrevista com o ex-inspector da PIDE/DGS, Óscar Cardoso: "Histórias Secretas da PIDE/DGS", que pode ser lida, na íntegra, aqui.
«- Que acções foram adoptadas para fazer abortar o golpe das Caldas?
Óscar Cardoso: Foi tudo muito fácil. Accionou-se o dispositivo militar e aquela movimentação parou toda.

- A PIDE prendeu todos os spinolistas e o MFA passou a ser controlado pela facção esquerdista.
O.C: Isso não é bem assim. A PIDE nunca prendeu militares. Foram os próprios militares que prenderam os seus colegas golpistas. O único momento em que as coisas não se passaram dessa forma foi por causa de uma reunião que estava convocada para 16 de Março em casa do Almeida Bruno. Ora, como eu morava perto, no Monte Estoril, os militares pediram-me para deitar a mão ao Almeida Bruno e aguentar as coisas enquanto eles não chegassem. Dirigi-me então para lá. Ele morava num bloco com vários apartamentos. Já estavam todos lá dentro. Identifiquei-me então como inspector-adjunto da DGS a um morador do prédio e pedi-lhe para me deixar telefonar para a António Maria Cardoso. Já não sei com quem falei, mas lembro-me de ter dito ser necessário os militares virem depressa porque os outros já estavam todos reunidos e eu não podia fazer nada sozinho. E vim para a rua. Entretanto, saiu de casa do Almeida Bruno o capitão Farinha Ferreira. Eu disse-lhe o que estava ali a fazer e enganei-o dizendo que aquilo estava tudo cercado, que havia militares em vários telhados vizinhos e que, por isso, era melhor para ele manter a calma. Contudo, ele estava excitadíssimo, mas não havia maneira de acalmá-lo. Disse-lhe: Eu não lhe quero fazer mal nenhum, mas olhe que os tipos que estão nos telhados ainda lhe dão um tiro!... Pedi-lhe então para se encostar a uma árvore, abraçando-a, e pus-lhe as algemas. Dali ele já não saía. Só se arrancasse a árvore pela raiz! E o tipo diz-me: Senhor inspector, eu sou um oficial do Exército e nunca me senti em toda a minha vida tão humilhado como neste momento. Disse-lhe que, desde que ele me desse a sua palavra de honra em como não saía dali, eu lhe tirava as algemas. Respondeu-me que sim e eu tirei-lhe as algemas. Entretanto chegaram os militares e levaram-nos a todos para o governo militar de Lisboa.Também me mandaram ir prender o major Manuel Monge, que morava ali para Miraflores. Eu cheguei lá com mais dois agentes, bati à porta e a mulher disse-me que ele não estava. Respondi-lhe que tínhamos de verificar. Entrámos então na residência, abrimos todas as divisões e verificámos que uma delas estava fechada. A mulher do Monge disse que era o quarto da criada. Está bem, minha senhora, mas temos de verificar- respondi-lhe.Mas também não estava lá ninguém. Parece que o Monge estava pendurado na varanda... Se nós estivessemos muito empenhados naquela operação, teríamos sido mais rigorosos e provavelmente o Monge não se escapava. A verdade é que estávamos ali todos um bocado contrariados. Olhe, quem conta este episódio é o Otelo no livro Alvorada em Abril. Escreveu lá, por outras palavras, que o inspector Óscar Cardoso revistou a casa, sempre com toda a correcção, mas a dada altura perdeu o verniz e insinuou que o major Monge estaria na cama com a criada... Ora, não foi nada disso, é tudo mentira.
- Conheceu o Otelo?
O.C: O Otelo estudou comigo no Liceu Camões, mas depois perdi-lhe o rasto. Até ao 25 de Abril... A última vez que o vi foi em Luanda, em 1992. Eu tinha constituído com um sócio uma empresa que vendia aviões, e estava justamente em Angola a negociar a venda de aviões. Sabe que aquela malta do MPLA sempre me tratou com toda a correcção. Ora, no hotel onde eu estava hospedado vi o Otelo. E vi também o general Tomé Pinto. Não quer dizer que estivessemos juntos, mas vi-os lá. E o Otelo vinha todo lançado para me cumprimentar! Eu é que nem o cumprimentei a ele nem ao general Tomé Pinto, que foi meu comandante de Batalhão. Mais tarde, expliquei pessoalmente ao general Tomé Pinto que só não o cumprimentei para não o comprometer.
- A PIDE ou o Governo já sabiam que ia ocorrer uma revolução a 25 de Abril?
O.C: Tenho praticamente a certeza. Na manhã do dia 25 o director da PIDE, major Silva Pais, estabeleceu um contacto telefónico com Marcello Caetano, que já estava no Quartel do Carmo, e acordaram que uma brigada da polícia iria buscar o presidente do Conselho. Eu, o Sílvio Mortágua, o Abílio Pires e o Agostinho Tienza e eu. O Pires foi no seu próprio carro, atrás de nós. Seguimos em dois carros para que, em caso de necessidade, um deles pudesse executar uma qualquer manobra de diversão. Íamos esperar o presidente do Conselho à Rua do Carmo. Existe uma ligação- eu não quero ser romanesco e dizer que há uma passagem secreta- entre o Quartel do Carmo e a Rua do Carmo. E essa ligação ainda deve existir hoje, concerteza. O major Silva Pais combinou o nosso encontro com Marcello Caetano para esse local. Seguindo as suas instruções, parámos o carro mais ou menos a meio da Rua do Carmo, uns metros acima dos pilares do elevador de Santa Justa. Como o Marcello nunca mais aparecia, eu disse aos outros para permanecerem ali, subi a Rua do Carmo, virei na Rua Garrett, subi a Calçada do Sacramento e apresentei-me no Quartel do Carmo. Fui recebido pelo comandante-geral da GNR, que me conduziu até ao Marcello. Disse-lhe que estávamos à sua espera na Rua do Carmo, de acordo com o que havia sido combinado com o major Silva Pais e o Marcello respondeu-me que não era preciso porque já tinha tudo tratado com o general Spínola!...
- Que horas eram?
O.C: Não posso precisar, mas ainda era de manhã.
- Isso derruba a versão oficial, segundo a qual o Spínola só é contactado a meio da tarde, por iniciativa do Pedro Feytor Pinto, depois de falar com Marcello Caetano.
O.C: Sim, sim. Eu lembro-me de que era de manhã porque depois disso ainda fui almoçar com o Tienza. Encontrámos uma tasquinha aberta na Travessa do Ferragial e comemos uns pastéis de bacalhau.
- É verdade que Marcello Caetano foi informado na madrugada de 25 de Abril de que a PIDE podia fazer calar o Rádio Clube Português, posto de comando do MFA, mas nunca se mostrou muito interessado em qualquer acção de contra-ataque?
O.C: O Marcello Caetano não tinha nada a ver com isso. Nós podíamos de facto calar o Rádio Clube Português, mas para isso não era preciso o Marcello para nada. Precisávamos era de um morteiro. Eu e o Alpoim Calvão tentámos encontrar um no Arsenal da Marinha, mas não estava lá ninguém. Se naquela altura tivéssemos arranjado um morteiro, talvez o 25 de Abril morresse ali. Não foi possível... Mas foi uma decisão do Alpoim Calvão, o Marcello não sabia de nada. A dada altura, recebemos a informação que os militares de Cavalaria 7 vinham com carros de combate e autometralhadoras tomar a sede da PIDE. Era uma situação aborrecida porque ficávamos ali isolados, sem poder fazer nada. Então eu decidi bloquear os acessos à António Maria Cardoso, impedindo assim que os Payton de Cavalaria 7 chegassem lá. Pus um carro eléctrico na esquina da Rua Vítor Córdon com a Rua António Maria Cardoso, pus outro na entrada do Chiado Terrasse e pus ainda uma camioneta a tapar a Travessa dos Teatros.Quando chegaram os militares a dizer que vinham tomar as instalações, eu, o meu director e o Alpoim Calvão fomos falar com eles e rapidamente os demovemos das suas intenções. Lá se foram embora...
- Por que motivo aparece o Alpoim Calvão na António Maria Cardoso?
O.C: O Alpoim Calvão ia ser o próximo director-geral da PIDE. Era uma coisa que já se sabia.
- Mas a verdade é que Marcello Caetano nunca esboçou o mínimo gesto de contra-ataque. O próprio Salgueiro Maia podia ter sido apanhado entre dois fogos no Largo do Carmo.
O.C: Nunca recebemos na PIDE qualquer ordem para atacar o Salgueiro Maia e as tropas estacionadas no Carmo. O que se esperava, aliás, era que as tropas fiéis ao governo pusessem cobro áquela situação irregular. Não puseram... E repare que a GNR aquartelada no Carmo era, só por si, uma força, um esquadrão de Cavalaria que tinha certamente autometralhadoras e que, sem necessitar de mais ninguém, podia acabar com aquilo. O Marcello Caetano é que nunca permitiu que a PSP ou a GNR actuassem. Se tivesse dado ordens concretas à PSP e à GNR nesse sentido, aquilo acabava tudo em cinco minutos.
- Lembra-se da ocupação da sede da PIDE pelos militares?
O.C: As Forças Armadas só entraram na sede da PIDE no dia 26, dirigidas pelo comandante Costa Correia. Até essa altura, tinham permanecido no exterior, juntamente com a população que andava por ali aos berros. Olhe, uma das frases gritadas na altura era esta: Vamos deitar fogo a isto tudo! Isso era um grande problema porque nós tínhamos um depósito de gasolina com muitos milhares de litros, cuja existência não era certamente conhecida pela população. Se o depósito se incendiasse, ia o Chiado todo pelos ares...Foi por isso que o nosso director-geral mandou dar uns tiros para o ar. Acredito que um ou outro agente, mais nervoso ou mais atemorizado com a situação, tenha atirado para baixo. Mas, como estava a contar-lhe a propósito do Costa Correia, ele chegou lá no dia 26 e disse-nos: A população está um bocado agitada. É melhor vocês entregarem as armas e serem evacuados para Caxias até as coisas serenarem. Repare que até isto suceder, nós tivemos todas as possibilidades de nos safarmos. Saíamos muitas vezes para tomar café, para ir ali ou acolá... Bom, a verdade é que aceitámos ser evacuados para Caxias, com a garantia de que a detenção era temporária, até a situação acalmar. Mal chegámos a Caxias, vimos que afinal as promessas feitas não eram para cumprir. Mandaram-nos entregar os relógios e os atacadores dos sapatos. Enfim, deram-nos o tratamento de um prisioneiro normal. Vimos logo que não íamos ficar ali só enquanto as coisas não acalmassem...
- O director de serviços Pereira de Carvalho e muitos dos seus subordinados que trabalhavam na Secção Central ficaram mais algum tempo com os militares na António Maria Cardoso, entretidos com os arquivos...
O.C: Ficaram lá mais um mês, pelo menos.
- E dormiam lá?
O.C: Eu não sei como é que as coisas se passaram. Não sei até se o Pereira de Carvalho não iria dormir a casa, porventura sob vigilância. Os militares revolucionários queriam fundamentalmente que eles lhes indicassem onde estavam os ficheiros, como estavam organizados...
- Mas a PIDE queimara já muitos ficheiros.
O.C: Sim, sim.
- E nenhum dos funcionários da polícia aproveitou a confusão da altura para levar ficheiros para casa?
O.C: Não. Sabe porquê? Os que queriam ficheiros pessoais já os tinham levado para casa há muito tempo. Aliás, isso é uma coisa que não dignifica muito a minha antiga organização, mas a verdade é que havia na PIDE alguns monstros sagrados muito dados a colecções de ficheiros pessoais.»

23 abril 2007

Será Que Ainda Vai a Tempo?

Marques Mendes, líder da oposição, em visita ao Poçeirão, apelou à reconsideração do Governo em relação à localização do novo aeroporto de Lisboa, que está previsto para a zona da Ota.

O líder do PSD, insiste para que Mário Lino e José Sócrates, repensem o assunto, e apresenta o Poçeirão e Rio Frio, como alternativas "mais baratas e eficazes".

Não estou a ver o Governo do PS voltar atrás numa decisão politica, já tomada.

Mas, a ver vamos se Marques Mendes ainda vai a tempo.

22 abril 2007

Isaltino: Um Bom Exemplo, dum Mau Exemplo

A honra e a dignidade são valores que, infelizmente, não abunda em quem exerce cargos de votação popular. Pelo menos é o que temos observado, e, para não cansar, relembro um outro (mau) exemplo recente, na Câmara Municipal da nossa Capital, Lisboa.

Outro politico que não se abstém de continuar a exercer cargos de eleição, mesmo estando acusado de crimes directamente relacionados com o cargos que exerce, é Isaltino de Morais que, mesmo depois de, novamente, acusado pelo Ministério Público de três crimes de corrupção passiva e, ainda, “de crime de participação económica em negócio, alegadamente devido a um contrato firmado por si para prestação de serviços à câmara que preside”.
Não seria mais digno ceder o lugar, provar em tribunal a sua inocência, e, então, regressar às suas funções, longe de desconfianças e com uma autoridade moral acima de qualquer suspeita?

Eu - mesmo sabendo que todos se presumem inocentes, até prova em contrário (em julgamento judicial)-, já não acredito que Isaltino de Morais seja inocente de qualquer crime. Não sou dos que, vendo fumo, logo se põem a dizer que há fogo, mas este senhor, há muito que vem sendo indiciado por crimes relacionados com corrupção enquanto autarca e de crimes económicos, dos quais destaco uma conta na Suiça, com, noticiou-se, mais de 500 mil euros, que prontamente passou para o nome de um seu sobrinho ali emigrado e que trabalhava como taxista. (também quero ser taxista na Suiça, buáá.!!) Mas o que não sou é tapado, e este “fumo” cheira a “madeira queimada”, logo, creio ser sinal de alarme.

Talvez os mais acérrimos apoiantes de Isaltino – na sua grande maioria, cidadãos da cidade de Oeiras -, ainda acreditem na inocência do seu, quase, eterno presidente de câmara. Ou talvez, mesmo sabendo que ele “tirou benefícios pessoais” (enquanto presidente daquela edilidade, e não só), o continuem apoiando, numa atitude, no mínimo, estúpida, de quem pensa “que os benefícios suplantam os malefícios”, neste caso, os crimes cometidos pelo senhor presidente.(?)
A causa pública visa o bem comum, nunca o pessoal.

Furnas

Parque Terra Nostra, 21/04/07

19 abril 2007

Brasil: Tudo de Bom, Tudo de Mau

O Brasil é um país com cerca de 180 milhões de habitantes, e com uma área maior do que a da Europa. Tem, por isso, uma diversidade de paisagens e gentes, locais e tradições que o tornam tão encantador. Não vou, obviamente, fazer aqui uma descrição pormenorizada das muitas virtudes deste belo país, nem tão-pouco dos seus vultos nas várias artes (pois não saberia fazer, por desconhecimento, a justiça devida).

Quero antes, fazer um breve paralelo entre o belo e calmo Nordeste Brasileiro, e o Rio de Janeiro, que vem sendo noticias, nos últimos dias, pelas piores razões.

Admito que só por uma vez pisei solo Brasileiro, e fi-lo para apreciar e vivênciar, as belas praias e paisagens deste local, que pouco dista da linha do equador, proporcionando temperaturas, dentro e fora de água, muito convidativas e agradáveis. Adorei os dias que lá passei, e tenciono voltar pelas mesmas razões, que não sairam defraudadas.

Recordo-me dum misto de ansiedade e prazer, que o meu pai sentiu antes de embarcar, já há mais de 10 anos, na sua primeira visita à cidade maravilhosa.

O prazer que sentia era óbvio, ia visitar uma das mais belas cidades do Mundo, quer pela sua geografia, quer pelo facto de ser à beira-mar, quer pelas suas gentes e cultura, que se espelha na tradicional alegria associada ao povo Brasileiro, entre outras razões.
Quanto à ansiedade, esta devia-se à, infelizmente, sempre presente criminalidade, que vem assolando, com cada vez maior força e crueldade, esta maravilhosa cidade.
Mas, lá chegado, recordo-me que as palavras do meu pai só espelhavam o que de bom esta cidade tinha, afirmando que a insegurança não era sentida por quem nela passeava, e que se viam muitos policias, o que ajudava à sensação de segurança sentida.

Não sei se volvida mais de uma década, esta sensação de segurança se mantém, pois as noticias a que assistimos – e que há poucos dias davam conta de mais 21 mortos em resultado dos confrontos entre os traficantes das favelas e a policia - , dão conta de uma escalada brutal na violência, com muitas mortes e incêndios em autocarros (que são utilizados pela população, logo não percebo porque são alvo dos criminosos, em especial ligados ao trafico de drogas), e um clima de insegurança que faz muitos dos seus cidadãos dizerem; “cada vez que saio de casa, não sei se volto. Despeço-me como se pudesse levar um tiro na rua.”

É pena que uma cidade tão maravilhosa, tenha de lidar com problemas tão graves e que parecem insolúveis. Eu quero que melhore, pois quero visitar o Rio e passear no “calçadão”.

TC "chumba" decreto legislativo regional

O decreto legislativo regional, que introduzia alterações nas precedências protocolares a realizar na Região, foi “chumbado” pelo Tribunal Constitucional. O referido decreto colocaria o Presidente do Governo Regional, Carlos César, como primeira figura, em todas as cerimónias organizadas pelo Executivo Regional, à frente do Presidente da Assembleia Legislativa Regional.

È mau que isto tenha acontecido, mas a verdade é que, é esta a hierarquia protocolar. Pode-se, portanto, dizer que foi o PS Açores que colocou a Autonomia açoreana em causa e, ainda por cima, numa questão de somenos importância.

18 abril 2007

Enxurradas

Outra vez choveu muito, em São Miguel, e outra vez as ribeiras encheram, porque estão entupidas com troncos de madeira. Desta vez foi (outra vez) na Ribeira Grande. Quantas desgraças serão necessárias, para se tomar medidas eficazes? O melhor, talvez, será limpar tudo “para debaixo do tapete”, para que as estrelas da telenovela, não fiquem mal impressionadas. De resto, é assobiar para o lado, como o costume.

16 abril 2007

O Inferno de Dante...na Virginia

Não me vou alongar muito neste post, mas o Tiroteio de hoje, numa Universidade da Virginia, outra vez nos EUA, merece uma referência.

Uma referência de profunda tristeza e incompreensão face a acções destas, levadas a cabo por jovens, aparentemente, iguais a tantos outros.

Não percebo o que os leva cometer actos tão vis, que espelham uma enorme raiva acumulada, que os leva a pegar em armas, dirigirem-se a escolas ou universidades e começarem a disparar indiscriminadamente sobre quem com eles se cruze.

Triste pronuncio dos dias que correm.

P.S.- Ainda bem que em Portugal o acesso a armas de fogo, ainda, é escasso, pois a violência nas escolas também não para de aumentar.

Educação ou Xenofobia ?

Muitos dos meus posts, são despoletados por noticias a que assisto nos Telejornais, pois estes espaços condensam uma enormidade de temas e acontecimentos, sobre os quais, por vezes, reflicto mais tarde.

O post de hoje é um destes casos , pois a TVI (estação que prima pela “noticia espectáculo” – facto que não me agrada particularmente) passou hoje, no seu Jornal das 8h, uma noticia que dava conta da indignação de uma associação, que dá pelo nome de “Plataforma Contra a Xenofobia”, pelo facto de uma Câmara Municipal (não me recordo qual) estar a promover cursos de aprendizagem para famílias de etnia cigana que vão ser (re)alojadas em novas casas (de habitação social), pois viviam em barracas num descampado.

A noticia não me causaria estranheza, caso fosse invertida, ou seja, se a dita Plataforma se insurgisse contra o facto de famílias que sempre viveram em barracas, serem realojadas em casas (espaço desconhecido) sem a explicação de algumas regras sobre a utilização, conveniente, de todos os espaços e equipamentos existentes.

Um membro da dita Plataforma dizia indignado: “ Eles não são porcos, são seres humanos.”

Parece-me uma leitura despropositada, para não dizer errónea, querer passar a ideia de que os promotores destas acções de formação (Vereadora para a Acção Social da CM), - de carácter educativo, e de sensibilização para alguns aspectos e cuidados a ter em conta quando passamos a habitar um espaço desconhecido - olham para os seus destinatários como “seres”, mas da classe dos suínos!?!!?

Quem disse que são porcos? Ninguém nasce “aprendido”; e se não for ensinado, como aprenderá?

A indignação do dito sujeito, parece-me antiquada e vazia de uma leitura sociológica, logo sem um suporte que sustente a sua leitura. O que posso afirmar, enquanto interessado nestas áreas, é que já há muito tempo os interventores sociais comprovaram, no campo e com a prática, que a educação e capacitação deste tipo de populações é imprescindível para que possam usar as suas habitações de modo adequado, respeitando os espaços comuns e as regras de boa convivência com a vizinhança.

E, a propósito, também está comprovado que a politica dos Bairros Sociais, em que se juntam em grandes apartamentos e num mesmo espaço, pessoas de vários locais, mas de igual origem social, normalmente os mais pobres e menos letrados, não é boa solução. Estes, carregam as suas histórias de vida e os seus vícios e virtudes, dando lugar a uma amalgama de personalidades que provocam tensões, e que, por vezes, explodem, pois algumas destas pessoas têm um baixo limiar de resistência à frustração, partindo para o insulto ou agressão com maior facilidade. Não sou eu quem o diz, é assim.

A aposta tem de ser mesmo na educação, de modo a quebrar o ciclo de reprodução de (maus) comportamentos, promovendo uma educação que começa dentro de portas e se transporta para a rua, na convivência quotidiana com os demais.

Será que agora chamam “xenofobia” à educação?

15 abril 2007

As Sacas da Vergonha

Hoje, aproveitando o sol que as nuvens deixavam passar, rumei, na companhia de alguns amigos, às Sete Cidades para uma tarde aprazível à beira das Lagoas.

Tudo correu de feição, até que, quando regressávamos a Ponta Delgada pela estrada que conduz à Covoada (mais dada a zonas de pastagens), começamos a reparar na quantidade de sacas de adubo e ração que povoavam a paisagem e, até, invadiam as estradas, contratando, tristemente, com os verdes da paisagem e com a bucólica imagem das vacas (elas não têm culpa) em pastoreio.

Logo me assaltou a pergunta: Nem com subsídios para recolha dos SEUS lixos, alguns lavradores cumprem a sua parte; a de evitar estes tristes cenários? É de uma boçalidade gritante.

Eu discordo, em absoluto, de subsídios deste cariz, pois parece-me que o lixo por nós produzido deve por nós ser recolhido e colocado em local próprio. É um dever cívico, e mostra civismo por parte de quem o faz.

Talvez a Secretaria do Ambiente, conhecedora da tacanhez de alguns criadores de gado, tenha visto nos subsídios, a única forma de combater estes atentados ambientais (com culpados conhecidos). A aposta na sensibilização e educação ambiental, tem de ser incutida desde tenra idade, pois parece que alguns não estão para aí virados, nem que para isso sejam pagos!!!

Se eu, que devia estar acostumado a este contraste paisagem/saca – pois nasci e vivo cá – continuo a não conseguir sentir-me indiferente ao facto, imagino que quem olha a paisagem com mais atenção, normalmente turistas, sinta que este desrespeito pela natureza seja obra de gente incivilizada e que não dá o devido valor à sua terra e natureza.

14 abril 2007

Homens da Luta (Vai Tudo Abaixo)-Universidade Independente

Vi este "verdadeiro acontecimento estranhíssimo", em directo no Telejornal. Reconheci logo os rapazes de A Luta Continua, série da SIC Radical. Hilariante.