A Fajã do Araújo situa-se no concelho do Nordeste, e creio que faz parte da freguesia da Pedreira. Localiza-se
no extremo Oriente da Ilha de S. Miguel, numa zona de fronteira entre a costa Sul e Norte desta Ilha Açoreana.Posso assegurar da beleza e tranquilidade que se vivência nesta Fajã, o silêncio, só interrompido pelo cantar dos pássaros e pelo bater das ondas nos calhaus que defendem a falésia. É um local bastante escarpado, do tipo “ladeirento”, a geografia desta fajã não favorece a construção de casas, antes uns bons socalcos de vinhedo, mas desde há muito que alguns têm aqui morada. Mas as pequenas casas de madeira dão cada vez mais lugar a casas de blocos e cimento, com mais conforto e tamanho do que os pequenos casebres de fim-de-semana que aqui existiam, também destinados ao apoio das pequenas terras de cultivo aí existentes.
Pois parece que a pacatez deste local faz parte da história, pois “um bulldozer” irrompeu pela montanha adentro e, derrubando tudo o que se lhe opunha, transformou uma paisagem de em verde luxuriante, numa perigosa estrada, ladeada por íngremes paredes de pedra e terra, que nos conduz até um aterro junto ao mar, que será, seguramente, o parque de estacionamento de quem ali se deslocar.
Subsiste o caminho pedestre, aquele que sempre conduziu á fajã, e que parte da Pedreira, pois esta agressão á natureza foi realizada mais adiante, na berma da estrada regional que conduz ao miradouro da ponta da madrugada. Foi cortar por aí abaixo, até chegar perto do mar.
Esta obra de engenharia, que me parece bastante arriscada e de elevadíssimos custos (agora referi-me a euros), não tem, para mim e para outros que conheço, qualquer utilidade pública ou outra, que não a de facilitar o acesso automóvel aos poucos que ali possuem casas e terras. Asseguram-me que o presidente da CM de Nordeste tem lá casa.
Um qualquer local, turista ou pessoa de visita ao Concelho que deseje visitar este bonito local, pode fazê-lo pelo trilho existente, tornando o passeio mais agradável e em comunhão com a natureza. Mas quem o fizer agora, ao chegar lá baixo já não vai encontra o mesmo cenário natural que ali se podia desfrutar, nem o sossego de outros dias, pois o acesso facilitado de carros trás mais gente e mais coisas, logo mais desassossego.
Não defendo que a Fajã do Araújo seja um santuário, mas também entristece-me que alguns dos bucólicos e delicados recantos que ainda existem nesta Ilha, estejam a ser alvo de intervenções abruptas, que ferem a paisagem e alteram as dinâmicas dos eco sistemas a nível a fauna e da flora, indo contra o ideal de preservação da natureza e respeito pelo meio ambiente que queremos fazer passar.
Mas esta intervenção foi ainda mais cruel, pois além de terem rasgado a encosta, procurando chegar ao nível do mar, também feriram de morte aquela costa de calhau rolado, pois a obra estende-se ao longo da costa, ligando, agora, aquela fajã á praia do lombo gordo, através de um aterro que segue por aí adiante, sei lá até onde, desfigurando a costa e as encostas, e destruindo a beleza natural da pequena enseada que dava lugar ao areal da desta praia, pois também foram construídos pequenos aterros que formam uma espécie de pontões.
Esta estrada é perigosa e desnecessária, poderá causar vitimas e custará muitos milhões de euros, e esta obra, no seu todo, representa uma brutal agressão á nossa paisagem e natureza, aquilo que de melhor temos, para nosso deleite, e para oferecer aos outros.
Mas, depois de delapidado, o nosso património ambiental já não servirá, nem a nós, nem a quem nos visita.
Urge parar para pensar e palnear. Confio na Secretaria do Ambiente e Mar para fiscalizar e ordenar a nossa bonita paisagem e orla costeira.