Ontem, enquanto fazia um zapping, deparei-me com uma reportagem da TV Record, que dava conta de uma nova onda de criminalidade na cidade de São Paulo, levada a cabo por jovens, menores de idade, em plena baixa da cidade e durante o dia.
Ao ver as primeiras imagens, fiquei logo boquiaberto, pois estas mostravam pequenos delinquentes, que se aproximavam dos carros em hora de ponta e, quando estes se encontravam parados no trânsito ou semáforo, acercavam-se sorrateiramente, espreitavam para o seu interior e, com um golpe de pedra, chave-de-rodas, ou, imaginem, uma vela de automóvel, quebravam o vidro do carro e apanhavam o que estivesse á mão, fugindo em seguida pelo meio dos carros. Depois, saltavam uma vedação que conduz a uma zona de passagem de peões, e, calmamente, vasculhavam os objectos e carteiras roubadas.
A polícia passou por lá, falou com um dos jovens delinquentes, mas foi embora. Segundos depois, já estava o rapaz, novamente, em acção.
A autoridade regressou, e em força, com dois carros da Polícia Federal. Mas os agentes, em lugar de levar o adolescente para interrogatório, e proceder com as diligências previstas pela Lei, decidiram, logo ali, admoestar o rapazote. Deram-lhe uns carolos, enquanto lhe puxavam por uma orelha. Ainda levou um ou dois pontapés. Como o jovem criminoso se fazia acompanhar por uma bicicleta, talvez roubada, os Federais, seguramente por se sentirem incapazes de a restituir ao seu legitimo proprietário, decidiram inutilizá-la, partindo-lhe os pedais, rasgando os pneus com uma navalha, enquanto distribuíam mais uns tabefes na sua vítima.
Sim, porque se segundos antes era o jovem que vitimava outros transeuntes, agora, era ele o alvo da chacota e humilhação, por parte – imagine-se –, de agentes da autoridade.
Pois é, se este jovem, ainda que menor, tem de ser repreendido e, talvez até, punido criminalmente pelos seus actos; também estes agentes devem, no mínimo, ser alvo de uma repreensão.
Não é assim que se apela e mantém a ordem e autoridade. Afasta no momento, manda para “casa”, mas aumenta o descrédito pelas forças de segurança do Estado, e amplia um sentimento de exclusão e injustiça que favorece a criminalidade.
Moral da Estória: àquele jovem, em lugar de lhe serem explicadas as normas e valores aceites pela sociedade em que se tem de inserir, foi-lhe dado um exemplo de como fazer (in)justiça pelas próprias mãos, sem o preenchimento de papelada ou outros trâmites “desnecessários”.
Correctivo na hora...............e, segundos depois, o delinquene volta ao ataque....
Um bom exemplo, não!!!