29 abril 2008

Duas Notas; negativas

1ª – Incompreensível, e até doloroso para os nossos emigrantes espalhados pelo Mundo, em especial nos EUA e Canadá, o facto da RTP Internacional não ter transmitido, como vinha sendo habitual nos últimos anos, a procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

2ª – A falta de casas de banho públicas na cidade de Ponta Delgada, que é especialmente sentida durante estas festas e, também, durante os três meses que duram as noites de verão no Campo de S. Francisco, com as respectivas barraquinhas de comes e bebes.
Esta situação poderia – pelo menos naquele local –, ser resolvida, com a demolição das antiquadas e já desajustadas instalações sanitárias e de banhos que ali existem (do lado norte da Igreja de S. José), construindo, no mesmo local, um novo edifício, de dimensão adequada e com melhores condições. Importa, claro está, que a arquitectura se enquadre com a dos restantes edifícios em redor.

27 abril 2008

Strangers Behold


Retirei o modo autostart da Playlist. É que o som que está ali pode afugentar os mais incautos visitantes. Para quem conhece Stereolab, estas outras meninas parece que conseguiram meter uma 5ª e partir para uma dimensão totalmente nova e fantástica.

Cães Danados

É altura de fecharmos mais uma "Votação da Máquina". A questão era relativa à proibição, pelo Governo, de 7 raças de cães, consideradas perigosas. 57% concordaram. Devo admitir que fiz parte dos outros 43%, não me parece que a proibição seja o caminho, mas sim fiscalização e penas de cadeia para quem procria cães para lutas. Adiante.
A nova pergunta é relativa à crise de liderança por que passa o PSD. A pergunta poderia ser quem gostaríamos de ver na liderança, mas não é. É mais práctica e cinge-se apenas aos possíveis candidatos. A diferença é grande, no primeiro caso a resposta poderia ir desde Pacheco Pereira a Durão Barroso, passando por Berta Cabral. No caso da nossa pergunta as hipóteses são: o Patinha...Antão, Neto da Silva, Passos Coelho, Santana Lopes, Ferreira Leite ou João Jardim, há ainda a hipótese "outro".

25 abril 2008

As Festas em Honra Do Senhor

Iniciaram-se, hoje, com o acender das luzes em volta do santuário da Esperança, as Festas em Honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
O ponto alto será no Domingo, com a procissão que percorre várias artérias da cidade de Ponta Delgada, num percurso com 300 anos, que leva a imagem do Senhor Santo Cristo a passar diante dos antigo conventos da cidade.

A iluminação está, há já 60 anos, a cargo do senhor Humberto Moniz, que, com a sua arte, dá mais brilho às festas e ilumina os que nela participam.

O guardião da imagem, padre Agostinho, reitor do Santuário da Esperança, vive este culto com uma intensidade e dedicação que, não raras vezes me comove.

Sim, porque eu, á semelhança do monsenhor Agostinho, também sou um profundo devoto do Senhor Santo Cristo dos Milagres e, estou seguro, que a ele devo os últimos anos da minha vida.

Quanto à história deste culto, que deu origem a estas festividades, fica aqui um bom registo.

Boas Festas.

Impressionado?!?

Cavaco Silva diz-se muito impressionado com a ignorância dos jovens hoje em dia em relação ao 25 de Abril. É uma declaração infeliz por duas razões: 1) evidentemente não é razão para ficar "impressionado", é de conhecimento geral que o faciltismo instalado na Educação só pode levar à total ignorância e 2) a referência não deveria ser feita aos jovens, mas sim ao sistema educativo, porque o século XX em geral não faz parte dos programas, nem no ensino secundário, nem mesmo no ensino superior. Esta forma de ensino não é nova, tem origem exactamente no 25 de Abril.

23 abril 2008

Processo Concluído


Nem nos passa pela cabeça a complicação que foi atingir um consenso relativamente ao texto do Tratado de Lisboa. E a Presidência portuguesa só pode merecer parabéns.

Actualmente assisto às negociações para a Declaração de Lima, que não tem um quarto da importancia do Tratado de Lisboa, e confirmo que é um processo extremamente longo, cansativo e que exige da Presidência grandes dotes diplomáticos que não estão ao alcance de qualquer país. A Eslovénia, que detém neste momento a Presidência da UE, não consegue trabalhar por forma a aglutinar os interesses dos 27 numa só voz, em relação a uma região que nem é prioridade na agenda da União, talvez por inexperiência, mas o facto é que não consegue, mesmo contanto com o precioso apoio da Comissão e do Secretariado do Conselho. Um exemplo é a questão do Ambiente, que por ser extremamente técnica, exige que os diplomatas estejam em constante contacto com os especialistas nas respectivas Capitais. Ora, sempre que um Estado-Membro faz uma rectificação a uma palavra, ou solicita que se aumente texto, ou que se retire, os restantes 26 têm que consultar os especialistas, tornando impossível qualquer avanço. E aqui se vê uma Presidência forte, ou não.

As Declarações querem-se textos pequenos, que indiquem uma Agenda em termos muito gerais. Um Tratado, por outro lado, é um documento longo, técnico e que vincula as partes de forma definitiva. Parabéns, pois, à Presidência portuguesa que vê hoje, pela parte que toca a Portugal, o processo concluído de forma mais que porreira.

20 abril 2008

Quem é a tem?


Um postal sobre os nova-iorquinos (de Nova Jérsia) Yo La Tengo já fazia falta.

Conheço-os há muito tempo, fora-me apresentados pelo meu parceiro de blogosfera e amigo de longa data, Pedro Lopes, no século passado...no nosso tempo.

Desde há algum tempo a esta parte que tenho vindo a (re) descobrir da banda. Sim, porque têm uma longa discografia - 15 álbuns de originais - que, mesmo assim, ainda não conheço toda.

A história de Yo La Tengo é, assim, longa. Começa naquela malfadada (ou será mesmo?) década de '80 e tem como actores principais o casal Ira Kaplan e Georgia Hubley. O estilo, como se pode comprovar nos temas na Playlist, envolve uma mistura de folk, rock, algum shoegazing e electrónica, tendo alguns temas longos períodos instrumentais, aconselháveis apenas a ouvidos treinados. São, sem dúvida alguma, um dos nomes maiores da música alternativa e têm um base de fãs vastíssima, onde eu, evidentemente, estou incluído.

17 abril 2008

Internacionalização da Amazónia

A questão da internaiconalização da Amazónia é deveras pertinente. Se o Brasil não pode ou não consegue evitar que se continue a destruir aquela floresta, como é que a comunidade internacional pode intervir, uma vez que a Amazónia é património de toda humanidade e a sua destruição tem impacto directo sobre toda comunidade internacional? Evidentemente, este é assunto tabú para o Governo brasileiro, em qualquer tipo de fórum internacional, por isso mesmo o seguinte discurso do ex-Ministro da Educação brasileiro Cristovam Buarque foi censurado.
Buarque participava num Congresso numa Universidade norte-americana, quando um jovem fez-lhe a pergunta, especificando que queria a resposta do humanista e não do brasileiro.

"'De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do Mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"
(não tenho informação da data exacta deste discurso, mas pela referência ao Fórum do Milénio, diria que é de 2000)

16 abril 2008

Sporting; Leão com as Garras de Fora

Um Derby à moda antiga.

Uma segunda parte demolidora.

5 Golos.

Um jogo para a História.

Mais uma Final.

….a Vitória será nossa, Viv´ó Sporting.

15 abril 2008

Brasil: O outro lado do sonho

O Brasil é um país riquíssimo em todos os sentidos. Durante muito tempo os brasileiros não souberam capitalizar as grandes vantagens daquele territótio, mas agora o cenário começa a mudar. Mas essa mudança na prespectiva da União Europeia, é difícil de lidar.

A nossa negociação está num momento difícil, devido, em grande parte, ao Brasil. As razões são várias, mas partem sempre do mesmo pressuposto: as matérias em que o Brasil tem problemas graves, não devem simplesmente ser tratadas, por serem de dominio interno. Os exemplos vão desde a luta contra a droga, o derrube ilegal de árvores, a inclusão social, a migração. Na maior parte destas áreas, a vasta maioria dos restantes países do grupo América Latina e Caraíbas tem opiniões diferentes da brasileira, mas a posição oficial do grupo como um todo é que prevalece e aí o poder e a riqueza brasileira, mais os diferentes aliados que tem nas diferentes áreas, fazem a diferença. E a embaixadora brasileira junto da UE sabe dessa força e usa-a de forma implacável. Um verdadeiro osso duro de roer. E com a recente notícia da descoberta de um campo gigantesco de petróleo na Baía de Santos, o Brasil é cada vez mais um dos principais actores no cenário internacional.

Internacionalização da Amazónia?

14 abril 2008

Pedaços da Nossa História

A 12 de Março dei início, aqui nesta “máquina”, a uma série de posts/ textos que pretendem expor alguns “pedaços da nossa História”, com recurso a autores ou passagens de livros, que nos descrevem o evoluir de vários aspectos destas 9 Ilhas, desde que foram descobertas, em meados do século XV.

Quem provavelmente melhor e mais detalhadamente registou os primórdios da história e povoamento, não só dos Açores, mas também dos restantes arquipélagos da Macaronésia (Madeira, Canárias e Cabo Verde), foi o cronista Gaspar Frutuoso, através dos seis livros (alguns com mais do que um volume) que compõem a obra, “Saudades da Terra”.

Nascido em 1522 na Ilha de S. Miguel, Gaspar Frutuoso partiu rumo a Espanha onde se formou em Artes e fez doutoramento em Teologia na Universidade de Salamanca. Regressado à terra natal, é nomeado Vigário da Matriz da Ribeira Grande em 1565, tendo desempenhado este cargo até 1591, data da sua morte.

Deixo aqui dois pequenos trechos do volume I, do Livro IV de “Saudades da Terra”, livro este composto por três volumes, e que se debruça sobre a ilha que viu nascer o cronista, S. Miguel.

“Chegando aqui à ilha os novos descobridores, tomaram terra no lugar onde agora se chama a Povoação Velha, pela que ali fizeram depois, como adiante contarei: e desembarcando entre duas frescas ribeiras de claras, doces e frias águas, entre rochas e terras altas, todas cobertas de alto e espesso arvoredo de cedros, louros, gingas e faias, e outras diversas árvores, deram todos, com muito contentamento e festas, graças a Deus, não as que por tão graça mercê se lhe deviam.”

“Depois de achada a ilha de S. Miguel, tornando para o Reino os seus descobridores, foram pelo mar, enquanto a não perdiam de vista, para trás atentando e notando sua figura, e viram que em cada ponta de sua compridão tinha um mui alto pico, que assim como eram os dois extremos dela, assim eram também extremados na grandura e em grande quantidade e altura sobrepujavam a todos os mais montes que pelo meio havia; e demarcando-a por eles o piloto, para a depois poder melhor reconhecer, sendo chegados a Sagres e havendo o Infante feito mercê da Capitania dela a Frei Gonçalo Velho juntamente com a ilha de Santa Maria, tornou logo a mandar, ou o mesmo Frei Gonçalo Velho e o piloto, ou o piloto só sem ele, com outra companhia, a deitar gado e aves e outras coisas necessárias, e provar a ventura de sua fertilidade também com sementes de trigo e legumes; com que partiram de Sagres e navegando com próspera viagem, vindo à vista da Ilha, vendo-a o piloto, a desconheceu por lhe ver um só pico do oriente e não ver o outro da banda poente com que à ida a demarcara; porque neste meio tempo, enquanto eles foram ao Reino e tornaram, aconteceu que se alevantou o fogo a primeira vez sabida nesta terra, e ardeu aquele alto pico para a banda do noroeste desta ilha, junto da ponta dos Mosteiros, onde agora se chamam as Sete Cidades às cavidades dela, das quais depois particularmente contarei. E dizem que o mesmo piloto e os dos navios viram no mar muita pedra pomes e troncos de árvores que dali saíram, sem entender a causa disto. Mas, ainda que então e depois foram achados os sinais e efeitos deste fogo que fez arrebentar aquele pico, não foi visto, por não ser povoada a ilha no tempo que se arrebentou.”

Até parece que São Miguel quis “arrebentar” com o pico, para assim abrir aquela magistral caldeira das Sete Cidades, de modo a poder brindar, com tamanha beleza, aqueles que primeiro iam povoar a Sua Ilha. Enfeitiçá-los, para que se dispusessem a aguentar as amarguras da sobrevivência naquele pedaço de terra instável e distante.

12 abril 2008

Bowie, Jorge, Zissou


aqui escrevi sobre Life Aquatic with Steve Zissou, um dos melhores filmes dos últimos tempos, ponto. Já o vi e revi algumas vezes e no fim fico sempre com um sorriso. E é exactamente a cena final que é apresentada, mais concretamente, os créditos ao som de Queen Bitch de David Bowie. Só é pena que não haja nenhum vídeo com a versão de Seu Jorge, que pode, no entanto, ser vista aqui. Já agora, vale a pena ver a participação dos Sigur Ros, um dos momentos altos do filme.

11 abril 2008

Pequenez/Grandeza

A página web do Departamento dos Oceanos e Lei do Mar das Nações Unidas tem no começo a seguinte mensagem: "Os Oceanos são a base da vida humana". Portanto, o que é mesmo vital é avaliar a importância dos Açores neste contexto.

Imagem retirada daqui.

09 abril 2008

Top Secret


A blogosfera açoreana vai de mal a pior. Será porque eu estou fora, ou porque é ano de eleições? É mesmo por ser ano de eleições. Justificações: imaturidade democrática? Talvez. Descrédito da classe política? Um pouco. Falta de individualidades capazes? Não.

Solução: um movimento cívico, criado de raíz e livre de vícios.

07 abril 2008

Adopção sem Custas

Muito me apraz registar esta abertura Governo para (aparentemente) vir a ceder na sua intenção de cobrar custas judiciais, no valor de 576 euros, aos casais que pretendam iniciar um processo judicial com vista a adoptar uma criança.

Depois de muitas vozes se levantarem contra esta posição, o Governo promete agora rever a Lei neste ponto específico.

Ainda bem, pois existem centenas de crianças em Instituições de Acolhimento em condições de serem adoptadas, e qualquer medida que torne este processo mais oneroso ou complicado, é, seguramente, mais um entrave a que uma destas criança encontre um casal disponível e com condições para a adoptar.

Se estes processos conheceram melhorias significativas com a implementação de medidas que os agilizaram e concederam prazo máximo para que o Tribunal se manifestasse com Decisão, agora, com estas custas, parecem surgir novas dificuldades.

Não são raros os casos de pessoas que “evitam” os canais legais para adoptar – através da Segurança Social – uma criança, e o esquecimento, de contemplar nesta nova Lei a excepção que havia para os processos de adopção (até agora livres de custas judiciais), só dá mais um argumento a quem pretende fugir aos trâmites legais.

Vamos ver se até Setembro esta “omissão” na nova Lei é resolvida. A bem dos que querem um filho e não podem tê-lo naturalmente, e, sobretudo, em beneficio de cada uma das criança que espera pela familía a que tem Direito, numa qualquer Instituição de Acolhimento.

04 abril 2008

Em nome do Bem-Estar Social

A presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Dr.ª Berta Cabral, foi a meio desta semana ao telejornal da RTP – Açores.

Da entrevista, destaco duas medidas que foram enumeradas pela presidente de câmara do maior concelho dos Açores, no qual resido e onde nasci. Refiro-me ao requerimento feito, às entidades competentes da Républica, apelando à possibilidade de ser constituída uma polícia municipal em Ponta Delgada, bem como a autorização para instalar câmaras de vigilância em várias artérias da cidade, seguramente nos locais de maior concentração de pessoas e bens, a par de zonas problemáticas e locais de diversão nocturna.

Esta última medida está dependente da aprovação da Comissão Nacional de Protecção de Dados, que só abriu uma excepção nesta matéria, concretamente na permissão concedida para que se instalassem câmaras na baixa da cidade do Porto.

Estas duas medidas, podem – e devem, em meu entender –, caminhar juntas, pois pode ser esta força policial municipal, a responsável pela central de controlo da vídeo-vigilância. Foi sublinhado pela presidente da edilidade, o facto da policia municipal não ter uma função de zelo pela ordem pública – essa está, e bem, a cargo da PSP –, mas que a constituição desta entidade visa essencialmente libertar agentes da PSP que executam tarefas de secretária, aumentando, assim, o número de efectivos dessa força policial na rua.

Parece-me que estas duas medidas, em consonância, podem resultar numa efectiva melhoria da segurança na cidade de Ponta Delgada, essencialmente como modelo preventivo e dissuasor, bem como ajudar na identificação de eventuais prevaricadores.
(neste último ponto é necessário – e por isso a Comissão De Protecção de Dados é tão criteriosa na análise destas situações -, uma grande prudência. Que utilização, pode ser considerada legitima, das imagens captadas?)

Espero pois, enquanto cidadão que muito preza a sua Histórica cidade, Ponta Delgada, que o parecer das entidades competentes seja favorável. Para que possamos, todos, desfrutar em pleno desta nossa cidade.

Consensos

A vida é, como se costuma dizer, um processo constante de aprendizagem. No entanto, os primeiros tempos de trabalho na Comissão Europeia são, não só um processo de aprendizagem, mas um curso intensivo sobre todos os assuntos possíveis e imaginários: questões macroeconómicas, ambiente, políticas de inclusão social, de migração, enfim, um sem-número de questões gerais, que depois de dividem em dezenas de sub-temas.

No meu caso em particular, faço parte de uma equipe que tem como principal objectivo (nesta e na próxima semana) encontrar um consenso entre a EU e os países da América Latina e Caribe para a Declaração de Lima, que será apresentada pelos Chefes de Estado, na Cimeira vindoura. Trata-se de um processo extremamente difícil, pois os países LAC são muito heterogéneos, o que torna complicado o alinhar de interesses, entre eles. Evidentemente, depois deles chegarem a uma espécie consenso, é preciso que a Europa concorde e dentro da Europa também há diferentes sensibilidades em relação à América Latina. No fundo o que interessa é encontrar um mínimo denominador comum.

A U.E. tem um papel fundamental em todo este processo e a Comissão ainda mais. Temos frequentes reuniões no edifício do Conselho (onde quase diariamente há manifestações à porta pelo Tibete), sob a presidência eslovena, com ambas as partes: Estados-Membros e países LAC. Se na reuniões com os LAC, não há muito a dizer, a não ser o facto de se tratar de negociação pura e dura e que no fim os mais resistentes é que ficam a ganhar, pois as horas são tão longas, que há a tendência de ceder só para poder ir para casa, já no caso das reuniões com os Estados-Membros, não posso deixar de registar a apatia dos portugueses. Estamos a falar de uma região que diz alguma coisa aos lusitanos, por isso estranho que não tenham nada a acrescentar ou, pelo menos, dúvidas que queiram ver esclarecidas.

Uma vez que os Açores não são (ainda) independentes, acho que posso acrescentar um parágrafo, à socapa.

31 março 2008

Diversificar e Revitalizar a Paisagem

Na semana passada, a Secretária Regional do Ambiente e Mar, Ana Paula Marques, deu o arranque para o Parque Integrado da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas.
O dia estava ensolarado, propicio à comunhão com a natureza, como que brindando à abertura deste Parque Florestal, e ao plantio das primeiras árvores que o vão embelezar.

Foram várias as entidades envolvidas neste evento, que representam as parcerias feitas no âmbito deste projecto florestal.

Destaco a Universidade dos Açores, pela mais valia cientifica que pode acrescentar ao projecto, dando, ao mesmo tempo, uma garantia de que este Parque será um pólo experimental por excelência, que visa transportar as boas práticas aqui desenvolvidas para outros locais do arquipélago.

Depois de resolvido o problema que envolveu as pastagens daquela magnifica bacia hidrográfica – compradas pelo GR –, mais concretamente dos pesticidas e fertilizantes que eram utilizados na lavoura, e que agonizavam a lagoa, importava, agora, requalificar aquela zona, aproveitando o seu enorme potencial e dando-lhe a dignidade que ela merece.

Por isso, é de louvar a abertura deste Parque Integrado, que para além do marcado uso agro-florestal, terá outras infra-estruturas de apoio ao visitante, dando primazia á vertente lúdica, com acessos pedonais e pistas “cicláveis”. Foram, como anunciam os promotores, contempladas todas as vertentes necessárias numa intervenção desta ordem e em zona tão sensível, tais como, topografia, hidrografia, floresta, prados, acessibilidades e zonas de recreio.

Será um local de visita obrigatória, que acrescentará – se é que isso é possível –, ainda mais encanto àquele vale, que tem tanto de assombroso como de sinistro.

Um tal de Mendes Guerreiro, que visitou demoradamente os Açores em finais do século XIX, escreveu encantado; “As buttes Chaumont que, para mim é um dos mais bonitos jardins de Paris, e que me vieram á lembrança quando estava em meio do Jardim António Borges, não tem a variedade nem a pujança de essências exóticas que nas ilhas prosperam tanto á vontade.”

Temos condições excepcionais, mas temos tido défice de planeamento e diversidade.

Esta é, portanto, uma excelente iniciativa que acredito tenha um bom seguimento.

27 março 2008

Breeders - Mountain Battles


A carreira das Breeders não é fértil em discos. A banda das gémeas Kim e Kelly Deal existe desde os anos '70, mas foi devido ao sucesso de Kim com baixista dos Pixies, que as Breeders gravaram o primeiro disco em 1990, Pod. Seguiu-se Last Splash que teve algum êxito, principalmente porque foi editado na altura em que o grunge estava em alta, 1993. Nove anos depois, em 2002, gravaram Title TK. Agora, cinco anos mais tarde, sai Mountain Battles.


Sou um grande fã das Breeders. Title TK e Pod são, para mim, discos indispensáveis, daqueles que de vez em quando tocam de princípio a fim sem parar. Por isso, era com alguma expectativa que queira ouvir este Mountain Battles. Mas devo dizer que após a primeira audição, fiquei algo desapontado, parece-me muito paradinho. A verdade é que a fasquía estava alta e seria difícil superar os discos anteriores. Estou certo que as passagens pelos centros de reabilitação retiraram muita "inspiração" às gémeas. Bom para elas, menos bom para nós.

25 março 2008

Parte da Explicação do Fenómeno Obama



Hoje em dia, os candidatos gastam milhões nas campanhas eleitorais. Mas Obama, sem investir um tostão, conseguiu um vídeo que é o sonho de todos os Cunha e Vaz do Mundo. Se Obama chegar à Casa Branca, terá um dívida para com este tipo dos Black Eyed Peas.

21 março 2008

A minha Visão das Imagens

As imagens da SIC que o Rui colocou no post abaixo, são – dizem os professores –, situações diárias nas escolas e salas de aula em Portugal. A única diferença, acrescentam, é que o caso em apreço foi amplamente divulgado e difundido e, mais importante, chegou aos meios de comunicação social.

A gargalhada geral da turma, quando a menina mal comportada diz à professora, em tom tirano e repressivo, “dá-me o telemóvel, já!!”, só deu mais força à rebeldia, e demonstra o quão excitante foi presenciar a setôra a ser humilhada e violentada pela colega. A autoridade desprezada.
Ninguém se impôs, ninguém se importou com a professora, só quiseram registar em vídeo o momento, para mais tarde recordar no You Tube, qual Kodak dos tempos modernos. Tristes recordações…

Urge pois atacar, mais do que os sintomas e manifestações, a origem destes comportamentos desviantes. Ao mesmo tempo que se pune, é necessário perceber o porquê, para que se pare com a proliferação de incidentes como este e se inicie uma nova etapa de aprendizagem e re-socialização. Uma reposição da autoridade, uma inversão dos valores actualmente vigentes.

É inquestionável o facto de termos que olhar com atenção para as manifestações dos desvios sociais, punindo-os de forma exemplar, tendo sempre em atenção o tratamento de eventuais distúrbios psíquicos e/ou traumáticos.
Mas sem intervir nas causas que motivam tais comportamentos anti sociais, corremos o risco de nos vermos condenados a, unicamente, perpetuar as curas e punições, dos sucessivos desvios e desviados.

Para que tal não suceda, é necessário ir de encontro aos meios de origem, aos bairros e famílias, aos grupos de amigos (grupos de pertença), conhecer as redes de vizinhança, em suma, uma intervenção de terreno. Neste caso, são os Assistentes Sociais quem, sem dúvida, se encontra mais habilitado, talhado e treinado para esse trabalho.

A primeira fase é a do diagnóstico, de modo a que se possa observar e avaliar as vulnerabilidades mas, também, as potencialidades a explorar. Depois destas estarem identificadas, vem a fase seguinte em que, com a família e seu círculo de relações, se exploram as possibilidades, os caminhos e as etapas, que se têm de percorrer para se efectivar uma mudança social, uma mudança de hábitos e atitudes do dia-a-dia. É indispensável um trabalho de orientação e consciencialização, uma pedagogia que quebre algumas barreiras culturais e tradições. Explicar, elucidar, demonstrar com exemplos práticos, e, claro, respeitar os ritmos e crenças de cada indivíduo ou comunidade. Tudo o que é imposto à força corre o risco de ficar “colado com cuspo”. Virasse as costas e persiste o problema.

Isto leva-me a defender a presença de Assistente Sociais nas Escolas, pois são estes os profissionais que podem fazer a ponte entre a comunidade e a escola. Uma mediação e interacção entre o exterior e o interior do espaço escola, onde por vezes as regras se chocam.

Eu disse, no comentário ao post da "votação", que os cães ou os animais são o reflexo dos seus donos, dos ensinamentos e exemplos que estes lhes passam. Pois bem, isto também é válido para o único animal racional conhecido; o ser humano.
As crianças exportam para as escolas e outros locais onde convivem e/ou frequentam, os ensinamentos e regras – ou falta delas –, que presenciam ou lhes são passados em casa, nos seus quotidianos, mas também nas comunidades onde moram.

Por isso, ou combatemos a praga arrancando a raiz (que neste caso será quebrar com a reprodução dos problemas sociais e de exclusão, educando para a cidadania e para o respeito pela autoridade) , ou, de cada vez que a cortamos (punimos ou remediamos), ela cresce com mais força na primavera seguinte (persistindo e até agravando os problemas) .

Este é o caminho que a Educação está a seguir

19 março 2008

Fecho de Votação vs Nova Pergunta

A Selecção Portuguesa de Futebol joga na próxima quarta-feira, 26 de Março, o penúltimo jogo antes do início do Europeu de Futebol de 2008, a realizar na Áustria e na Suiça.

A selecção que vamos defrontar na próxima semana é a Grécia, aquela que nos “roubou” o título Europeu de Futebol, ainda por cima em nossa casa. Vamos ver se neste jogo exorcizamos algum eventual fantasma, para que possamos encarar este Euro com um espírito vencedor.

A pergunta a votação, aqui no máquina de lavar, foi motivada pela derrota de Portugal ante a Itália, por 3 a 1, em Zurique a 6 de Fevereiro.

No que toca às respostas à pergunta, “Qual (ou quais) o(s) responsável (eis) pela falta de eficácia da Selecção Nacional de Futebol?”, responderam ao apelo ao voto, 28 visitantes.

Metade dos votantes, 14, apontou o dedo aos jogadores da selecção, como os principais responsáveis pela falta de eficácia da equipa. Em segundo lugar, com 25% dos votos, aparece o treinador dos “meninos”, o tal S(o)colari.

Repartem o terceiro lugar, como principais culpados das fraquitas exibições da nossa Selecção, Gilberto Madaíl e as namoradas dos jogadores.!!!!? (as últimas antes, presumo, e o outro já em estágio….)

Os árbitros, mesmo não sendo portugas, foram também considerados culpados pelas más prestações da equipa das quinas.

Somente os adeptos, nós, os que sofremos, foram completamente ilibados de qualquer responsabilidade nos jogos da selecção.

A próxima pergunta a votação é; “Concorda com a medida do Governo que visa proibir a importação, reprodução e criação de sete raças consideradas perigosas, em Portugal?”

N.B.- as raças alvo de proibição; cão de fila Brasileiro, dogue Argentino, pitbull terrier, rottweiller, stafforshire terrier americano, staffordshire bul terrier e o tosa inu.

14 março 2008

Mau Ambiente

Quando se começa a estudar relatórios e estudos relativos às alterações climáticas, é impossível não ficar com um nó no estômago. A situação, como se sabe, não é irreversível e tal como o Relatório Stern mostrou, há até hipótese de retirar dividendos económicos da situação, se se souber agir em conformidade e a tempo. Uma coisa esse Relatório provou: sairá muito mais caro a não tomada de acções para reverter a situação ambiental.
Posso apenas comentar a situação na América Latina e Caraíbas, que apesar de ser da maior importância e merecer da Comissão bastantes recursos, não é, no entanto, a prioridade. A prioridade é Copenhaga.
Em 2007, o Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas indentificou uma série de ameaças-chave: atlerações nos padrões de precipitação; o desparecimento de glaciares na América Latina que afectam significativamente os recursos de água para consumo humano, para a agricultura e para gerar energia. Mas também há que contar com a diminuição das colheitas agrícolas e de criação de gado, que terão consequências para as capacidades de exportação daqueles países, bem como para a segurânça alimentar e há ainda elevados riscos de perda de biodiversidade, devido à extinção de espécies nas zonas tropicais da América Latina.
Nas Caraíbas mais de 50% da população vive a menos de 1.5km da costa, o aumento do nível do mar, levará a inundações, tempestades, erosão e outros perigos para as zonas costeiras, afectando assim as infraestruturas e os ecossistemas, ameaçando os recursos piscatórios, que são o suporte de vida de comunidades inteiras. Nas Caraíbas também se sofrerá a falta de água, que será insuficiente nas épocas de seca.
Todos estes fenómenos terão um forte impacto nas economias, sendo as principais vitímas as populações mais vulneráveis, o que afectará definitivamente os esforços políticos que têm sido feitos para o desenvolvimento daquelas sociedades e para a irradicação da pobreza.
Os resultados das avaliações que a Comissão Europeia tem financiado mostram que a primeira área a trabalhar é a de ajudar as populações locais a encontrarem formas sustentáveis de utilização dos recursos naturais. Por outro lado, há a necessidade de assegurar que os Governos locais incluem completamente as questões ambientais nas suas estraégias e políticas relativas à redução da pobreza.
Esta é a realidade naquela parte do mundo apenas. Uma realidade comprovada com estudos e relatórios. A vontade da União Europeia em trabalhar conjuntamente com os países em questão é inegável e pode ser observada na quantidade de programas que são financiados, tanto na ajuda directa às populações, como na construção de infra-estruturas e na pesquisa.
Agora, há uma questão deveras importante: nós não podemos estudar os dossiês nos dias em que o Conselho reúne. O vai e vem de carros e motos da Polícia com as sirenes a abrir caminho para os líderes europeus, só levam à desconcentração. Sugeria que se reunissem no deserto e nos deixassem trabalhar em paz.

12 março 2008

Pedaços da nossa História

Este Blog é made in Açores, bem como os seus autores. A minha, ainda, curta existência, conheceu estas Ilhas respirando os ventos da Liberdade, saboreando as benesses da Democracia, e já com electricidade e TV a preto e branco. Sempre rumei à capital de avião. Não tive de passar pelo martírio de uma viagem de barco até à metrópole.

Mas nem sempre foi assim, pois no passado, viver nos Açores era uma autêntica aventura, só agarrada pelos que fugiam de tudo, em busca, somente, de algo mais do que o simples “nada”.

No livro “A Pátria Açoreana” de Gervásio Lima, encontro um trecho que se suporta no relato do padre António Cordeiro, que ilustra bem os Açores de então; “Os Açores! Se eles eram desabitados, de natureza selvática, oscilantes, mal seguros, agitados pelo fogo, batidos de todos os ventos, açoitados pelo mar em todos os contornos das suas nove Ilhas…Sem tesoiros para seduzir e enriquecer avaros, servindo contudo, como nota um escritor nosso, para engordar magros bolsos de governadores arruinados; sem rios que fertilisassem os campos na rega natural e fácil, poetizando lugares; antes, se viam ribeiras bravias e esquálidas, onde correra, rugindo, escaldante, a língua de fogo em labaredas devoradora…sem minas para a exploração, sem escravos para a traficância mercantil nem indígenas para escravisar…sem oiro nem pedrarias…Bem ao contrário, lavas chamejantes, crateras rubras ainda de vulcões em ebulição permanente, terrenos ásperos e irrequietos, rochedos inacessíveis, matagaes espessos e eriçados de espinhos, algares pavorosos; rugidos formidandos, saindo do centro da terra, semelhavam vozes de domonios."

Era, como se pode ler, uma vida dura e perigosa..........e sem grandes alvíssaras.

Inicio, hoje, com este post, uma série de apontamentos soltos e espaçados no tempo, que visam destacar situações, episódios ou contingências de um passado que é, também ele, o meu.

Começo, como não podia deixar de ser, pelo início, ou seja, pelo Descobrimento dos Açores.

Os Açores foram descobertos em 1427, crê-se que por Diogo Silves, durante os anos dourados das Descobertas, quando reinava em Portugal o infante D. Henrique. Este último incumbiu Frei Gonçalo Velho do povoamento das Ilhas – essencialmente por minhotos, algarvios, madeirenses e fidalgos da Flandres –, que teve início em 1439, atribuindo-lhe certos privilégios, tais como, o de Comendador das Ilhas dos Açores.
À época eram conhecidas sete Ilhas, só tendo os navegadores portugueses Diogo de Teive e seu filho, João de Teive, avistado as Ilhas mais a Ocidente, corria já o ano de 1452.


O escritor Açoreano Manuel da Câmara, escreveu sobre as suas ilhas; “Se não saíram do fundo do mar, caíram do céu.”
N.B.- Há Historiadores que atribuem o Descobrimento das ilhas Açoreanas a Gonçalo Velho, e não a Diogo Silves.

11 março 2008

Migração UE-LAC

Ontem e hoje estive num encontro de peritos de migrações da U.E. e da América Latina e Caribe (LAC). O objectivo era obter um texto final com recomendações que possam ser aprovadas politicamente, no próximo mês de Maio, em Lima. Todos países da U.E. e da LAC fizeram-se representar com um diplomata e com um perito na área, tal como nós, Comissão Europeia, que também organizamos o evento. Dois assuntos foram discutidos: as remessas e o tráfico de seres humanos.

Não foi nada fácil chegar a um consenso, depois de apresentadas as teses de cada perito, os diplomatas entraram em acção, para negociar. A divergência essencial teve que ver com o papel que as remessas que os imigrantes na Europa mandam para casa. Os países europeus sentem que essas remessas devem ser vistas como um complemento à ajuda desses países no seu desenvolvimento. Os países da LAC, pelo contrário, vêem as remessas como algo estritamente privado, que não pode nunca substituir as ajudas oficias da Europa para o desenvolvimento desses países.

O texto final (aprovado por representantes de ambos os lados) foi apresentado já perto das 18 horas e uma das várias recomendações dizia o seguinte: “ as remessas serão ligadas ao desenvolvimento, promovendo-se um interesse nos migrantes em investir nas suas comunidades de origem”. Ora, eu não estive presente na redacção do documento, mas esse foi o resultado do acordo entre as duas partes. Quando já o representante da Presidência da EU se preparava para o seu discurso final de agradecimentos, o burburinho entre os LAC foi aumentando, até que o diplomata representante do México, Luís Alfonso de Alba, levantou a questão e pediu que o texto fosse revisto. Rapidamente foi apoiado pelas suas congéneres brasileira e salvadorenha. Aos microfones, ambas as partes debateram, novamente, o assunto, sem chegarem a conclusão. Decretou-se, então, um intervalo de 5 minutos (que na verdade foi de 30), que oficialmente seria para acalmar os ânimos. Na verdade, foi nesse intervalo que tudo se decidiu, com todas as partes a debaterem entre si. A sessão foi novamente aberta e as pretensões dos sul-americanas foram aceites pelos europeus e o texto foi alterado, para algo parecido com “as remessas poderão ser ligadas ao desenvolvimento…). A concessão foi feita porque esta foi uma reunião sem qualquer carácter político vinculativo, apenas serviu para apresentar recomendações, pois em Lima é que tudo fica decidido.

Deixo apenas outra questão que não foi muito aprofundada, mas que também gerou desacordo. A representação holandesa realçou a sua política de selecção de imigrantes: procuram apenas quem lhes faz falta e essencialmente quadros altamente qualificados e pessoas com grande nível de inteligência. Ora, os LAC também acham que devem receber algum tipo de indemnização por isso, que se poderá traduzir em ajudas a universidades.

10 março 2008

(Re)descobrir


Sem querer, ouço Strawberry Fields Forever e descubro um excelente tema. Devo dizer que nunca fui um grande adepto dos Beatles, sempre preferi os Stones ou os Doors (que aproveito e coloco também na Playlist). A mega-hiper popularidade dos de Liverpool contribuiu certmente para isso. Têm, no entanto, alguns temas verdadeiramente intragáveis, como Obladi, e isso também foi factor decisivo para o meu desinteresse.


Além de Stawberry Fields Forever está na Playlist Get Back porque aqui em Bruxelas lembro-me de Enoch Powell. Os Beatles escreveram esta canção em protesto ao famoso discurso de Powell "Rios de Sangue", de 1968 (faz 40 anos), onde com muito racismo à mistura, alertou para a questão da imigração descontrolada para a Grã-Bretanha. Com efeito, nesta cidade há verdadeiros gettos de muçulmanos que não se adaptaram, vivem juntos, com os mesmos costumes e estão claramente descontentes e isso levará, inevitavelmente, a reagirem.

08 março 2008

A China Abre-se, mas com "Regras"

Desde a morte de Mao Tse Tung, em 1976, que se tem vindo a verificar uma certa “desmaoização” do Partido Comunista Chinês, bem como uma crescente abertura e aceitação do modo de vida Ocidental.

Ainda assim, o PC Chinês continua a blindar os seus cidadãos contra tudo o que julguem poder atentar contra algumas das principais premissas que sustentam as suas ideologias e ideal de sociedade.

A prova mais recente vem descrita no DN deste Sábado, numa pequena notícia intitulada, China lança regras para cantores rock. Depois, ao ler um pouco mais, percebe-se que as regras serão para artistas estrangeiros e para os concertos dados por estes no país.

Ao que parece a “necessidade” destas novas regras, surgiu depois de Bjork (verdadeira artista, de quem muito gosto) ter dado um concerto em Shangai, onde interpretou o tema Tibet, Tibet ao que parece de forma controversa, devido à poderosa performance que acompanhou a referida canção, que declara independência ao território anexado pela China nos anos 50.

Logo veio o Ministro da Cultura Chinês dizer que atentar contra a lei magoa os sentimentos do povo, apressando-se a declarar que tais medidas/regras pretendem prevenir situações semelhantes no futuro. Importa referir que falar da independência do Tibete é tabu na sociedade chinesa.

Tenho pena que não tenham perguntado ao dito Ministro se se estava a referir aos “sentimentos” do povo Tibetano.!!!...............................e, tb tenho pena de não ter podido ver este concerto.




05 março 2008

O Factor Chávez

Aparentemente a DG das Relações Externas (DG RELEX) é das mais interessantes onde trabalhar na UE. Mas neste momento é ainda mais, especialmente na Unidade onde estou, South America's Horizontal Mathers. A crise que se tem vindo a desenvolver na Colombia é a principal razão. Hoje, esteve na DG RELEX o vice-presidente colombiano a dar a sua versão dos acontecimentos. Segundo Santos, a razão do escalar da crise tem um nome: Hugo Chávez. A Venezuela nem estava directamente envolvida no caso (incursão de militares colombianos no Equador, em perseguição das FARC, que valeu a morte do nº2 daquele movimento e o encontrar de discos rígidos com registos de conversas entre Chávez e as FARC), mas decidiu, num acto provocatório, mandar tropa para a fronteria com a Colombia. Ainda segundo Santos, a Colombia não vai reagir, enviando tropa para a fronteira.

03 março 2008

Este Blog, no CO2

CO2, é o nome do programa da autoria de Cristina Oliveira, que passa na Antena 1 Açores, em dias de semana, entre as 13h e as 15h 30. À quarta-feira, o CO2 escolhe um Blog Açoreano e dá-lhe destaque.

Esta semana, a Cristina teve a amabilidade de dar relevo a esta “máquina de lavar”, convidando para estar em estúdio um dos seus autores. Calhou-me a mim.

Foi com obvia satisfação que aceitei o convite, mas também com uma pontinha de nervosismo à mistura. Natural, julgo eu. Pelo menos para quem está pouco acostumado a estas lides.

Obrigado Cristina, e parabéns também pelo Blog do programa, “CO2”. Muito Bom.
N.B.- Esta quarta-feira, dia 5 de Março, a partir das 13h 10m, na Antena 1 Açores

01 março 2008

Novo Local de Trabalho


A vida levou-me do Nordeste para Bruxelas. Se alguma vez o provérbio “passar de 8 para 80” fez sentido, foi agora. Começo a trabalhar na Comissão Europeia, no Direcção-Geral de Relações Externas, na próxima segunda-feira, por isso o mais certo é que a partir de agora as minhas postagens sejam mais viradas para os assuntos que vou encarar diariamente. Espero, por isso, a vossa melhor compreensão.

Nunca tinha estado em Bruxelas, mas já dá para tirar algumas conclusões. A referência tem que ser Lisboa, cidade de dimensão semelhante que melhor conheço, para poder estabelecer uma comparação. As diferenças são visíveis logo no ordenamento do território. Ainda não vi em Bruxelas rotundas, nem avenidas da dimensão daquelas que se vê em Lisboa, mas ainda assim o trânsito flúi com mais facilidade que na capital portuguesa. Por outro lado, em Bruxelas há imensos e enormes espaços verdes, coisa que em Lisboa é cada vez mais difícil de encontrar. Tudo isto é válido tanto no centro de Bruxelas, como nos subúrbios.

Enfim, espero com o tempo desenvolver uma melhor opinião sobre a cidade que é o centro económico e político da Europa. Até lá, vou suportando o frio da melhor forma possível…as notícias dizem que na próxima semana a temperatura baixará para o negativo.

29 fevereiro 2008

"Catamarans", sejam bem vindos.

Se a APIA – Agência para o Investimento nos Açores considerar de interesse público para a Região, um emigrante Açoreano afirma-se disposto a colocar dois catamarans a ligar as 9 Ilhas dos Açores.

O projecto já foi entregue, e promete viagens diárias, rápidas e económicas, e durante todo o ano. Estas embarcações oferecem ainda a possibilidade de transportar, para além de passageiros, algumas viaturas e carga ligeira.
Prometem 1h de viagem entre S. Miguel e Sta. Maria (creio que por 55 euros ida e volta) e 2h 30 no percurso S. Miguel - Terceira.

Este projecto está muito á frente das soluções que têm sido postas em prática, e é mais arrojada do que a oferta que a Atlântico Line vai colocar em prática no próximo ano.

Muitos se questionarão da viabilidade deste projecto.

Eu estou optimista, pois os Açoreanos e aqueles que nos visitarem podem agora saltar de Ilha em Ilha de uma forma mais rápida, económica e cómoda. Acresce o facto de ser um investimento de iniciativa privada, idealizado por um empresário que vê na sua terra natal uma boa oportunidade de negócio.

Parece ter tudo para vingar……………....haja passageiros.
Fico a aguardar novos desenvolvimentos.

28 fevereiro 2008

Perguntem a Manuel Pinho...

...como foi possível chegar a Ministro da Economia, sem conhecer a qualidade do calçado fabricado em Portugal.!!
Isto, a propósito das suas palavras na Feira de Calçado de Milão (maior montra do sector), em que, em tom de ironia, disse; "Vim cá pensando comprar uns sapatos Italianos. Mas depois de ver a qualidade do calçado português, acho que vou levar uns sapatos made in Portugal."
A graçola não teria rigorosamente nada de mal, nem merecia um post, não fosse o facto de ter sido proferida pelo Ministro Português da Economia. (é que se fosse dita pelo Ministro Italiano da Economia, até poderia ter funcionado, que mais não fosse pela cortesia)
Acresce o facto de este, não ser episódio único. Começam a proliferar os "tesourinhos deprimentes" de Manuel Pinho.......não esquecer a "divulgação", que pretendia cativar investimento chinês para Portugal, dos preços baixos da mãe-de-obra em Portugal.
Já estou à espera do próximo "tesourinho".

25 fevereiro 2008

Brasil, Sempre na Vanguarda da Criminalidade

Ontem, enquanto fazia um zapping, deparei-me com uma reportagem da TV Record, que dava conta de uma nova onda de criminalidade na cidade de São Paulo, levada a cabo por jovens, menores de idade, em plena baixa da cidade e durante o dia.

Ao ver as primeiras imagens, fiquei logo boquiaberto, pois estas mostravam pequenos delinquentes, que se aproximavam dos carros em hora de ponta e, quando estes se encontravam parados no trânsito ou semáforo, acercavam-se sorrateiramente, espreitavam para o seu interior e, com um golpe de pedra, chave-de-rodas, ou, imaginem, uma vela de automóvel, quebravam o vidro do carro e apanhavam o que estivesse á mão, fugindo em seguida pelo meio dos carros. Depois, saltavam uma vedação que conduz a uma zona de passagem de peões, e, calmamente, vasculhavam os objectos e carteiras roubadas.

A polícia passou por lá, falou com um dos jovens delinquentes, mas foi embora. Segundos depois, já estava o rapaz, novamente, em acção.

A autoridade regressou, e em força, com dois carros da Polícia Federal. Mas os agentes, em lugar de levar o adolescente para interrogatório, e proceder com as diligências previstas pela Lei, decidiram, logo ali, admoestar o rapazote. Deram-lhe uns carolos, enquanto lhe puxavam por uma orelha. Ainda levou um ou dois pontapés. Como o jovem criminoso se fazia acompanhar por uma bicicleta, talvez roubada, os Federais, seguramente por se sentirem incapazes de a restituir ao seu legitimo proprietário, decidiram inutilizá-la, partindo-lhe os pedais, rasgando os pneus com uma navalha, enquanto distribuíam mais uns tabefes na sua vítima.

Sim, porque se segundos antes era o jovem que vitimava outros transeuntes, agora, era ele o alvo da chacota e humilhação, por parte – imagine-se –, de agentes da autoridade.

Pois é, se este jovem, ainda que menor, tem de ser repreendido e, talvez até, punido criminalmente pelos seus actos; também estes agentes devem, no mínimo, ser alvo de uma repreensão.
Não é assim que se apela e mantém a ordem e autoridade. Afasta no momento, manda para “casa”, mas aumenta o descrédito pelas forças de segurança do Estado, e amplia um sentimento de exclusão e injustiça que favorece a criminalidade.

Moral da Estória: àquele jovem, em lugar de lhe serem explicadas as normas e valores aceites pela sociedade em que se tem de inserir, foi-lhe dado um exemplo de como fazer (in)justiça pelas próprias mãos, sem o preenchimento de papelada ou outros trâmites “desnecessários”.
Correctivo na hora...............e, segundos depois, o delinquene volta ao ataque....

Um bom exemplo, não!!!

23 fevereiro 2008

Kosovo - O Precedente


A UNPO (Organização de Nações e Povos Não-Representados) está, acima de todos, muito atenta ao precedente que foi a independência do Kosovo. Entre a Abkhazia e Zanzibar estão 67 outros membros que também acham ter as "condições especiais" do Kosovo, e devem ter razão.

21 fevereiro 2008

Premiar a Cobardia


O assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford é um filme que desde já aconselho. Como o título indica, conta a história da morte do lendário fora-da-lei Jesse James às mãos de Robert Ford e não tem nada que ver com os westens de John Wayne ou Gary Cooper.

Sinceramente, não teria escrito nada sobre este filme se não fosse a magnífica interpretação que Casey Affleck faz de Robert Ford. Affleck surpreende e coloca para segundo plano a também muito boa interpretação de Brad Pitt. Está, como não podia deixar de ser, nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário. Dos actores em questão nesta categoria, apenas vi Affleck, Javier Bardem (No Country For Old Men) e Phillip Seymour Hoffman (Charlie Wilson's War) e não tenho dúvida em apostar no "cobarde" Robert Ford, apesar de aparentemente o favorito ser mesmo o espanhol.

19 fevereiro 2008

As palavras que outro disse



A equipe Clinton colocou este vídeo na net, acusando Obama de plágio. A questão é simples: resultará, ou funcionará ao contrário? Parece-me que funcionará ao contrário, os que votam Obama não vão alterar a tendência devido ao vídeo. Pelo contrário, poderá haver indecisos que acusem Clinton de politiquice.

Para os que não votam nestas eleições, os sinais do populismo de Obama são cada vez mais frequentes e preocupantes.

17 fevereiro 2008

Mais Formação e Qualificação!

Para quê? Para aumentar a qualificação dos desempregados?!

É que o país nunca teve tantos licenciados desempregados, e tanta mão-de-obra qualificada desempenhando funções muito abaixo da sua valia curricular.

A aposta tem de ser direccionada num investimento público directo, a par de incentivos a privados para a criação de emprego à altura das qualificações dos desempregados. Só assim conseguiremos avançar e competir num mercado cada vez mais exigente. Sem gerar a riqueza, que possibilita a subida do nível de vida, continuaremos eternamente na “saga da contenção do défice”, que vai sufocando e endossando aos portugueses a penosa responsabilidade de se conterem, ainda mais.

A par destas medidas, urge impor limites ao número de vagas de certos cursos e formações que o mercado não consegue absorver (nem conseguirá), dando mais espaço a formação, licenciaturas e investigação em áreas científicas e tecnológicas. É nessa direcção que avançam as sociedades modernas, aquelas com as quais temos de ombrear.

Temos uma rica História, sol e mar em abundância, isso, para além da geotermia e do vento, bem como verdes paisagens e serra. Reclamemo-los como os nossos recursos naturais mais valiosos, e invistamos nessas áreas. Não temos petróleo nem diamantes. Mas temos tudo o resto.

Recordo aqui um projecto do qual se falou, mas que não avançou, que pretendia tornar autónoma em termos de energia eléctrica, uma das menos populosas ilhas dos Açores.

Este tipo de projectos, e iniciativas neste âmbito, deviam merecer por parte da tutela um forte investimento, pois, mais do que público, seria de interesse público e benéfico para o ambiente, indo de encontro às exigências impostas pelo Protocolo de Quioto.

Protocolo Houvesse coragem, e, os milhões que vão ser enterrados na megalómana e despropositada obra do TGV, seriam desviados para estas Áreas.

N.B.- os números do desemprego em Portugal, teimam (tristemente) em rondar os 8%.

Onze Lições de McNamara


Não temos o hábito de fazer ligações a sítios deste género, mas neste caso abre-se uma excepção. Aqui há a possibilidade de descarregar o filme The Fog of War – Eleven Lessions on the Life of Robert S. McNamara (neste caso as legendas são em turco).

Já falei sobre este filme/documentário aqui, mas ao revê-lo sinto a necessidade de tecer mais algumas considerações. Interrotron foi o sistema utilizado pelo realizador, Errol Morris, que consiste num mecanismo que obriga o entrevistado a manter contacto visual com a máquina de filmar e com os espectadores. Este facto amplia infinitamente o impacto do filme.

Estamos a ouvir a história de vida de um homem que começa no final da I Guerra Mundial. Um homem nascido numa família com poucas posses, mas que devido à sua grande capacidade de trabalho e inteligência, levou-o a Harvard com uma bolsa de estudo. Um homem que foi o primeiro presidente da Ford, que não membros da família de Henry. Um homem que ao fim de cinco semanas nessa posição, demitiu-se e ocupou o cargo de Secretário de Defesa a convite do recém-empossado John Kennedy.

Depois de concluir os estudos em Harvard, os EUA entram na II Guerra Mundial e McNamara vai trabalhar para o Gabinete de Controlo Estatístico da Força Aérea, que aconselha o General LeMay a bombardear cidades japonesas que levou à morte de 1 milhão de civis, antes de Hiroxima e Nagasaky. É brutal o impacto das suas palavras, ao mesmo tempo que vê imagens do resultado desses bombardeamentos, McNamara acaba dizendo que ele e Lemay portaram-se como criminosos de guerra e que se os EUA tivessem perdido a guerra, teriam sido julgados como tal, rematando com a questão “Porque razão é imoral, se perdemos, e não, se ganhamos?”

O filme avança para os anos ’60. Entre 1960 e 1967, McNamara foi o Secretário de Defesa dos EUA. Assim, fornece-nos um relato inquietante relativo à Guerra Fria. Durante este tempo, McNamara viveu a Crise dos Mísseis de Cuba, o assassinato de Kennedy (de que não fala) e o escalar da Guerra do Vietname. Os registos telefónicos apresentados no filme mostram como era intenção de Kennedy e McNamara retirar do Vietname até 1965 e mostram como Johnson tinha uma visão diferente, que acabou por levar à saída de McNamara.

Apesar de (aparentemente) McNamara ser contra o aumento do número de soldados no Vietname, a verdade é que foi leal a Johnson enquanto foi Secretário de Defesa. Assim, foi ele quem ordenou o Agente Laranja e o progressivo aumento de soldados para o Vietname. Durante esse período, 25 mil americanos morreram no Sudeste asiático. As manifestações em Washington contra a guerra foram muitas, mas McNamara realça Norman Morrison que se encharcou com gasolina e, com a filha pequena ao colo, incendiou-se por baixo da sua janela no Pentágono, para protestar contra a Guerra.

Sinceramente, depois de ver este filme duas vezes, não sei que pensar deste homem com 85 anos. A pergunta que serviu de título ao post que escrevi da primeira vez que vi o filme mantém-se: McNamara: herói ou vilão. A verdade é que ele foi co-responsável pela morte de milhares, ou centenas de milhar, ou se contarmos com o Japão, com mais de um milhão de pessoas. Mas em nome de quê? De uma lealdade e patriotismo que já não conhecemos, que se esbateu depois do fim da Guerra Fria? As perguntas persistem…

14 fevereiro 2008

Revolucionários que a Lagoa conheceu


Na (agora) minha biblioteca, encontrei um livro surpreendente. Revolucionários que eu conheci, de Vera Lagoa, de 1977, da editora Intervenção. Em nota introdutória, a autora explica que algumas das histórias foram publicadas no semanário O País, onde trabalhava e que Mário Soares declarou em público que “a divulgação que vinha fazendo sobre o que tinham sido e o que eram esses homens era um serviço que prestava ao país”.

Cada capítulo do livro é dedicado a uma figura, nas palavras do editor, a um “revolucionário de pacotilha”. Pessoas que, segundo a autora, viraram comunistas no período entre o 11 de Março e o25 de Novembro. Entre os visados contam-se José Carlos Ary dos Santos, Luíz Francisco Rebello, Urbano Tavares Rodrigues, Luís Sttau Monteiro, Baptista Bastos, entre outros.

Para se ter uma ideia daquilo que Vera Lagoa escreve neste livro deixo algumas passagens, que espero serem elucidativas.

Sobre Urbano: “a tua colaboração íntima e ternurenta com altas figuras do regime deposto (…) Gabavas-te de Salazar ter prestado homenagem à tua prosa (…) Eras um homem sem espinha dorsal (…) Agora és PC convicto. Que assim continues é o que desejo, porque ao menos sempre tinhas uma atitude definitiva. Mas se o PC se apaga? Adeus suave Urbano, nosso antigo Urbano nacional

Sobre Ary dos Santos: “(…) não sei se é filiado no PC ou não. Parece que esse partido não aceita pessoas com certas tendências ou vícios (…) em Paris, no ano de 1976, Ary dos Santos declarou “Nunca ganhei tanto dinheiro como agora. Que querem? Sou um oportunista e não me importo de o dizer” (…) após o 25 de Abril disse que tinha sido preso pela PIDE! Como foi confundir a PIDE com a Polícia de Costumes, que, de facto, o prendeu (…) Quando ganhou o Festival da Canção, deu uma entrevista à Rádio da Guiné, na qual dedicou a vitória às tropas que ali combatiam, designadamente a alguém que ele diz ser seu irmão e estar algures no mato. Como se sabe, com a morte de Diogo, Zé Carlos ficou sem irmãos (…) Um dia virá em que me procurarás dizendo que estavas enganado e que o PC te tinha iludido. Não. Ninguém iludiu ninguém. Os oportunistas nunca são iludidos

Uma leitura fácil, mas intrigante. Deve ser analisado com a necessária perspectiva histórica. Não se pode imaginar hoje um livro ou artigos desta natureza sobre os principais nomes da nossa cultura e política, pela simples razão que o tempo tornou-nos “civilizados”.

12 fevereiro 2008

o Paris - Dakar, Acabou.

Desagradou-me profundamente a decisão da Organização do rally TT Lisboa- Dakar, em cancelar a prova de 2008 devido a “fortes ameaças de ataques terroristas em África”. Uma cedência aos terroristas, logo uma vitória destes.

Quando hoje soube da mudança de continente por parte da Organização do, agora, só Dakar (ao que parece deixou de ser o destino da prova para se tornar no nome de uma qualquer prova de todo-o-terreno), que passará a ser disputado na América do Sul, logo me assaltaram duas questões.

A saber; De que foge o Dakar?
Naquela parte do Globo não existem terroristas?

Pois, temo bem que o Dakar esteja condenado a dar a volta ao Globo, para, depois de se aperceberem que o terrorismo está, também ele, globalizado, começarem a idealizar o Spacial Dakar…

Não me venham com tretas, o Paris – Dakar acabou. Afinal, África é (mãe) África.

11 fevereiro 2008

Paradiplomacia na UAç


O debate que a UAç vai organizar de 20 a 26 de Junho próximo, sobre as "Relações Externas das autonomias regionais na Europa", será deveras interessante. O Professor Carlos Amaral, director do curso e do núcleo de Estudos Europeus e Política Internacional da nossa Universidade, há muito que compreendeu a importância da paradiplomacia para as regiões.

Paradiplomacia é um conceito relativamente recente nos estudo das Relações Internacionais. Regiões e municípios, devido à deficiência dos Estados centrais em corresponder às suas necessidades e expectativas no domínio das Relações Externas e também, no caso europeu, devido aos próprios princípios que norteiam a União Europeia, criam este novo canal de diálogo com o resto do mundo.

Já justifiquei aqui e aqui a necessidade que os Açores têm de abrir um gabinete fixo em Bruxelas. Na verdade, somos a única região da Europa que ainda não tem. É exactamente no contexto da paradiplomacia que esta opção é urgente para o futuro dos Açores.

Espera-se que este debate ajude a abrir os horizontes.

Como Guarda, a Diocese de Angra, os seus Tesouros?

Muito mal.!

Isto, a avaliar pelo que vimos no Telejornal da RTP-A, numa reportagem que começou por dar conta da recuperação, por parte da PSP da Horta, de alguns sinos roubados em Igrejas e Ermidas da Ilha do Faial.

Primeiro, percebe-se que só o roubo do último sino é que foi alvo de queixa na PSP, pois a outra meia dúzia passou completamente despercebida. Estranho, não?

Que os paroquianos não tivessem dado conta do sumiço, ainda percebo. Agora o que estranho é que os párocos dessas localidades, responsáveis, não só por guardar o “seu rebanho”, mas também por zelar pelo bom estado do templo, bem como salvaguardar os respectivos espólios, não se apercebessem dos roubos.

Quem deu pela falta dos outros sinos foi – a avaliar pela reportagem – a PSP da Horta, no decorrer das suas investigações.

Mas, com o desenrolar da reportagem, dei-me conta que o alheamento da Igreja, digo, dos seus responsáveis locais, é ainda maior, pois a jornalista ao visitar uma das Igrejas destruídas pelo sismo de 1998, e donde também foram roubados um par de sinos, deparou-se com um contentor no seu exterior. Ao aproximar-se deste, e depois de afastar as ervas que o rodeavam, eis que se abre com enorme facilidade uma porta já arrombada. No seu interior uma amalgama de peças de arte sacra – desde um grande crucifixo, a outras figuras de Santos, passando por castiçais e outros objectos de prata, entre outras tantas e tão variadas peças do altar-mor –, dando a entender que foi ali guardado “provisoriamente” o que restou depois do sismo. O contentor estava de tal modo danificado que se via o céu do seu interior.

O que dizer?
Passaram quase 10 anos sobre o referido sismo, e continua num contentor, deixado ao abandono, tudo o que restou de uma Igreja destruída. Estará, ainda por lá, aquilo que os larápios ainda não quiseram levar, pois a Diocese dos Açores parece não se importa com os “restos” de um sismo, ainda que eles representem bem mais do que simples peças de arte.

Já que se diz tão pobre – a diocese de Angra –, e se mostra tão desinteressada pelo seu espólio, poderia aproveitar e vender algumas daquelas peças……..antes que os larápios, alertados pela reportagem da RTP-A, se façam donos do bem alheio.

10 fevereiro 2008

Assim não

Num artigo de opinião no Expresso das Nove, Armando Medeiros explica como foi afastado da Escola Profissional onde leccionava.

Eu fui aluno de Armando Medeiros. É daqueles professores de que não se gosta na altura, mas que mais tarde se aprende a dar o devido valor. Aprendi muito com ele e ficar-me-á na memória para sempre, coisa que não posso dizer da grande maioria dos professores que tive.

Mas este artigo demonstra o caminho que a Educação está a tomar. O facilitismo que impera não se coaduna com pessoas como Armando Medeiros, que é um professor à moda antiga que espera que se lhe reconheça autoridade dentro da sala de aula. Fica também a ideia que as Escolas Profissionais não estão a funcionar da forma que se espera.

O prof. Armando Medeiros não precisa, mas estou solidário com ele.

09 fevereiro 2008

Voos CIA



É incompreensivel o alarido em torno desta questão. A base das Lajes está cedida aos americanos e os açorianos não têm como investigar todos os aviões que por lá passam. Talvez Carlos César pudesse ter "fugido" à questão, mas uma vez que decidiu responder, não há outra forma de encarar o problema; não há provas concretas que o transporte tenha acontecido, mas perante todas as interrogações que se têm levantado sobre o assunto, se de facto há prisioneiros em Guantanamo provenientes de Leste, há uma grande probabilidade de terem parado nos Açores.

A prisão de Guantanamo é um mal necessário, na luta global contra o terrorismo. A forma com tem sido gerida, é que deve ser alvo de reestruturação. A tortura leva a desinformação e atrasa as investigações na guerra que está a ser travada. Se há provas que um individuo está envolvido numa organização que tem como objectivo realizar ataques terroristas contra civis, então deve ser encaminhado para uma prisão com condições especiais. Se isso implica ter que passar nos Açores para abastecer, que seja.

Da Minha Perspectiva


Depois deste post, vou tentar não escrever mais sobre as primárias (é que ainda só estamos nas primárias) nos EUA. No entanto, uma pessoa lê tanta coisa por esta blogosfera fora, que se sente na obrigação de também contribuir para o debate.

E isto até é relativamente simples e faz-se em breves palavras. A desistência de Mitt Romney não quer dizer, nem de perto nem de longe, que o Partido Republicano está agora mobilizado em redor da candidatura de John McCain. Quer dizer, antes de mais, que Romney percebeu que já não consegue chegar à nomeação. Depois, há um pormenor de grande importancia, é que Romney ainda não declarou que desistiu a favor de McCain. Uma coisa é dizer as palavras de circunstância, "temos que remar todos para o mesmo lado" e assim. Outra coisa completamente diferente foi aquilo que Giuliani fez, desistiu e declarou com todas as palavras que passava a apoiar a candidatura de McCain na corrida dos Republicanos. Há uma enorme diferença.

E também não gosto de insistir na C.P.A.C. (Conservative Political Action Conference), onde estão todos os principais Republicanos a decidir o futuro não do Partido, mas da ideologia Conservadora. É que, se Romney fosse apoiar McCain este seria o local ideal para o anunciar. Não o fez. Também não quer dizer que não venha a fazer, mas não o fez. E isto pode ter uma leitura simples, como bem ficou demonstrado no vídeo do post de ontem, os Republicanos estão divididos em relação a McCain. Romney, ao não anunciar o apoio a McCain, tomou uma das duas únicas posições possíveis... e não é apoiar McCain, é a outra.

07 fevereiro 2008

McCain - Derrota Anunciada


Agora que Mitt Romney desistiu da sua candidatura à Casa Branca, o caminho está de vez aberto para John McCain. Mas estará o Partido Republicano unido em redor deste veterano do Vietname? O melhor mesmo é tentar analisar os poucos factos que nos são dados.

Hoje, na capital norte-americana, teve lugar a Conservative Political Action Conference, onde os grandes nomes da linha conservadora do Partido Republicano se encontraram para debater as principais questões da actualidade. Acima de tudo, a Conferência deste ano serve para se saber se de facto há unidade no que toca à nomeação de McCain. Ora, como as imagens valem mais que as palavras, aqui fica um pequeno vídeo, onde se mostra o começo de discurso de McCain.



O Partido Republicano é uma junção de muitos grupos e McCain não é o candidato preferido de muitos deles. No fundo, a mais que certa nomeação de McCain acarreta uma crise no GOP que deverá levar a uma derrota em Novembro, seja contra Hillary, seja contra Barack Hussein Obama. Há inclusivamente notícias de conselhos conservadores para que se vote nos Democratas, ou que se fique em casa no dia da eleição. É até este ponto que os Republicanos estão divididos.

E não se acredite que Romney desistiu da corrida para “garantir a unidade em volta de uma candidatura forte”. Romney desistiu porque fez as devidas contas ao dinheiro que está a gastar do seu bolso e às reais possibilidades que tem de alcançar a nomeação, e chegou à evidente conclusão que já não vale a pena. Uma excelente oportunidade para dizer que “o resto é conversa”.

A verdade é que ainda falta algum tempo para Novembro e a grande vantagem que os Republicanos detêm neste momento é que já podem começar a delinear uma estratégia para o seu candidato, enquanto os Democratas ainda têm que continuar a digladiar-se entre si. No entanto, a divisão entre os Republicanos parece ser fatal para McCain, pois para a ala mais conservadora, quatro anos de um Presidente Democrata será o ideal para reagrupar. Por cada voto que McCain ganhar no centro, perderá dois, um à direita, dos Republicanos descontentes e um à esquerda, da nova vaga de eleitores, interessados em participar.

06 fevereiro 2008

Fecho de Votação

Este Blog tem posto alguns temas a votação.

A pergunta de Janeiro foi; Qual a personalidade que mais marcou a actualidade nacional em 2007?
Das várias hipóteses contempladas, a que mereceu mais votos foi a super atleta Vanessa Fernandes, recolhendo 14 votos, o que lhe conferiu uma percentagem de 27% do total de votos.
Dos 52 votantes, 10 escolheram (o regresso de) Santana, enquanto 8 quiseram destacar o PM, José Sócrates Pinto de Sousa. Joe Berardo, qual ponta de lança, ficou empatado em 4º lugar com o seu “compatriota” Cristiano Ronaldo.

O PGR e o PR, bem como o “outro”, reuniram 3 votos cada. E, imagine-se, o Ministro das Finanças ainda conseguiu deixar o último lugar para o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes.

A próxima pergunta a votação é; “Qual (ou quais) o(s) responsável (eis) pela falta de eficácia da Selecção Nacional de Futebol?"

As hipóteses que deixamos a votos são; Scolari; Gilberto Madaíl; os Jogadores; os Adeptos; as Namoradas dos jogadores; os Árbitros

05 fevereiro 2008

Carnaval, não "rima" com Holocausto

Eu considero-me muito aberto relativamente aos limites do humor, aprecio, inclusive, um humor em tons de negro ou mais irónico mas, como em (quase) tudo, há fronteiras que não devemos ultrapassar.
É por demais sabido, que o Carnaval do Rio de Janeiro, e o seu desfile de escolas de samba no sambodromo (pequena avenida de quase 1 Km por onde desfilam as referidas escolas, e projectada por Óscar Niemeyer) são a maior expressão desta época festiva, dispondo de uma projecção planetária. Por isso, parece-me sensata esta decisão judicial – que impede que um carro alegórico utilize como tema de chacota o holocausto e o seu doente mentor –, pois este é seguramente um tema que merece reflexão e vergonha, em lugar de apelar à exaltação ou servir de brincadeirinha de Entrudo.
Com tanto por onde escolher, porquê ir por aí?!?

Sim, eu sou daqueles que pensa que ainda existem assuntos que devem ser preservados de forma séria e digna, porque a negação desta premissa, é a assunção de um estado de “deboche” geral, sem admitir limites para o razoável.

Não quero tabus, mas também não aprecio a libertinagem.

03 fevereiro 2008

Música Para os Nossos Ouvidos II

Adorable -Homeboy

Ride - Chrome Waves
Pj Harvey -C'mon Billy
Massive Attack - Better Things


Sebadoh - Scars, Four Eyes