11 julho 2008

Parlamento - Tasca


Não gosto do estilo de José Sócrates nos debates parlamentares, é malcriado, arrogante (isso já todos sabíamos) e não tem qualquer respeito pelos seus adversários políticos. A sessão do Estado da Nação de ontem foi apenas mais um exemplo; quando fala, Sócrates, usa expressões como "tome tento na língua", "eu não lhe admito", "você não sabe do que fala". Quando se assiste aos debates parlamentares, parece que estamos perante uma qualquer discussão numa tasca. É possível ter trocas de argumentos com alguma cordialidade e se há local onde isso devia acontecer, esse local é o Parlamento.

A verdade é que este tipo de comportamento é igual na maior parte dos nossos representantes, mas Sócrates, por ser o centro das atenções e por ser o líder do Governo, deveria ter alguma contenção, no entanto parece que estes factores só o fazem ser ainda mais agressivo.

09 julho 2008

Portugal e as Energias Renováveis


Sem reservas naturais de petróleo, gás natural ou carvão e sem optar pela energia nuclear, Portugal procura nas fontes renováveis uma alternativa para a produção de energia. A energia solar está cada vez mais próxima de ser viável economicamente, na última Feira de Industria Solar, que teve lugar em Munique, a ideia generalizada entre os especialistas era que o tão procurado sonho de "grid parity" - onde electricidade proveniente do sol pode ser produzida tão barata quanto pode ser comprada da rede - está apenas a uns anos de distância. E isto poderá ser muito bom não só para empresas, como para privados, que poderão produzir a sua própria energia e vender à rede.

Tendo estes factores em conta e fazendo uso da grande exposição solar que certas áreas do continente português têm, Portugal investiu, e bem, €237.6 millhões, na maior central fotovoltaica do mundo, na Amareleja, Alentejo. Espera-se que no final deste ano, quando estiver a produzir no máximo, esta central possa abastecer, de forma limpa, cerca de 30.000 casas.

Mas a opção pelas energias renováveis não se ficam pelo sol, na Póvoa do Varzim desenvovle-se um projecto para aproveitar as ondas do mar. Utilizando a tecnologia Pelamis, a central de conversão de energia de ondas em electricidade, será a base para o primeiro parque deste género a nível mundial e terá a capacidade para abastecer 20.000 casas.

Há ainda a aposta na energia eólica em Viana do Castelo que, com um investimento total na ordem dos €1.47 mil milhões, espera-se que venha a criar 1800 postos de trabalho directos na região e mais 5500 nos primeiros 6 anos de existência. Este enorme projecto prevê a construção de qualquer coisa como 7 fábricas e 48 parques eólicos que produzirão cerca 1200MW.

Como se vê Portugal está na vanguarda do melhor que se vai fazendo na Europa em termos de energias renováveis. Estas poderão ainda não ser tão rentáveis como, por exemplo, a energia nuclear, mas dão garantias de uma certa independência para o futuro incerto que se aproxima.
Para os que dispõem de outras fontes, como é o caso da Geotermia, é aproveitar e investir.

04 julho 2008

Porque é dia de Rali

Gille Panizzi - Peugeot 306 Maxi Evo2 - Rally Monte Carlo 1998


Henri Toivonen - Talbot Sunbeam Lotus - Acropolis Rally 1981


Sandro Munari - Lancia Stratos - Lombard RAC 1974


Francois Delecour - Ford Sierra Cosworth - Tour de Corse 1991


Kalle Grundel - Ford RS 200 - Circuit of Ireland 1986


Jean-Luc Thérier - Renault 5 Turbo - Tour de Corse 1982


Malcolm Wilson - MG Metro 6R4 - Lombard RAC 1985


Massimo Biasion - Lancia Rally 037 - Rally de Portugal 1985


Markko Martin - Ford Focus WRC - Rally 1000 Lakes 2003


Walter Röhrl - Fiat 131 Mirafiori Abarth - Acropolis Rally 1978


Didier Auriol - Lancia Delta Integrale Evoluzione - Rally Monte Carlo 1992


Carlos Sainz - Toyota Celica Turbo 4WD - Rally de Portugal 1992


Stig Blomqvist - Audi Quattro A1 - Acropolis Rally 1983


Hannu Mikkola - Audi Quattro A1 - Rally de Portugal 1984

Jimmy McRae - Opel Ascona 400 - 1981


Jean-Pierre Nicolas - Alpine Renault A110 - Rally Lombard RAC 1973


Yves Loubet - Alfa Romeu GTV6 - Tour de Corse 1986


Mais de 30 anos de carros. Nota-se que sou um pouco nostálgico.

03 julho 2008

Pseudo-intelectualismo em tempo de crise de meia idade


Sei bem que o estilo de música que escolho para a playlist não é do agrado da larga maioria das pessoas. Basta ver os tops para percebermos que a malta prefere Tonys Carreiras e Nels Monteiros. Como facilmente se pode comprovar não partilho daqueles gostos. Mas se há algo subjectivo neste mundo são gostos, por isso longe de mim qualificar quem gosta dos Carreiras como gente com "mentes pouco ou nada habituadas a ser usadas para funções normais que são as de pensar, de incorporar novos conhecimentos (...)".

Profª Brasil, "estupidez e ignorância" é tudo menos os seres humanos que aqui vivem preferirem o Indiana Jones e não a passagem a filme de uma obra de Garcia Márquez, que aliás a crítica foi quase unânime em considerar mau.

Pela profª era aplicar a técnica Ludovico, tal como ao Alex deLarge na Laranja Mecânica, não era?

Uniões entre pessoas do mesmo sexo

Já começam as vozes iradas contra as afirmações [corajosas] de Manuela Ferreira Leite em relação ao tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Não concordo com todas as posições de MFL nesta matéria, mas num aspecto estou em total acordo: nomes diferentes devem ser atribuídos a situações diferentes e, por muito que não se queira, uma união entre pessoas do mesmo sexo não é o mesmo que uma união entre pessoas de sexo diferente. À última chama-se ‘casamento’, sempre assim foi, muito embora a definição de ‘casamento’ tenha sofrido mutações ao longo dos tempos, num aspecto nunca mudou, foi sempre entre pessoas de sexo diferente. Há, portanto, uma diferença fundamental, que deve ser reconhecida. No entanto, esta parece ser uma faceta de menor importância da discussão. Aliás, só posso compreender a insistência nesta parte da discussão no âmbito do cariz fortemente provocatório que certos movimentos assumem.

O mais importante devem ser os direitos e deveres e aqui estou em desacordo com MFL. Acho que não se deve discriminar ninguém devido à sua orientação sexual. Deste modo, nas uniões entre pessoas do mesmo sexo, os parceiros devem ter todos os direitos e regalias fiscais que têm os das uniões entre pessoas de sexo diferente. Aliás, penso que é algo que já vigora em Portugal.

Esta discussão só assume um nível verdadeiramente preocupante quando se fala em adopção, porque até aqui parece que com um pouco de bom-senso de ambas as partes pode-se atingir um consenso através de cedências de parte a parte. Mas a adopção já inclui na discussão uma terceira pessoa que, ao contrário dos membros dos casais [sejam de pessoas do mesmo sexo, ou de sexo diferente], não está na equação fruto dos seus próprios actos. Em relação à adopção devemos, portanto, ser muito prudentes. No entanto, não me foi ainda apresentado nenhum argumento suficientemente forte que me faça ser contra a adopção por parte de pessoas do mesmo sexo. Sejam pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente, o importante mesmo é que tenham a capacidade de educar a criança.

27 junho 2008

The World - Dubai


O aumento dos preços dos combustíveis não é mau para toda a gente. Por exemplo, a rapaziada do Dubai anda a investir os seus milhões a construir ilhas, já havia as palmeiras agora é o mundo. Diz que é environmentally friendly e diz que está na moda passar férias lá. Uma coisa é certa, eles podem fazer as ilhas que quiserem, mas o homem não consegue construir ilhas como os Açores. Mas eles tentam e constroem, nós pelo menos não devemos destruir.

26 junho 2008

O Documentário


O documentário Joy Division é indíspensavel para qualquer pessoa que goste minimamente da banda. Não se aprende nada de novo, é certo, a história já foi contada vezes sem conta, mas este filme traz uma ou outra novidade (pelo menos para mim) em termos de actuações ao vivo e uma...sessão de hipnotismo ao próprio Curtis. Ah, e fica definitivamente comprovada a importância Martin Hannet no som da banda.
A playlist está recheada de raridades e com o obrigatório Decades.

23 junho 2008

Futebol, drogas e votações

Com o afastamento precoce da selecção portuguesa do Europeu de futebol, já não faz muito sentido manter a votação. Por isso aqui ficam os resultados.

Portugal obteve 40% dos votos, a Itália 20%, Alemanha e Holanda 13%, Espanha 7%, Grécia 4%. A Turquia e a Rússia não faziam parte da lista de favoritos, tenho muita pena. Quer isto dizer que a Alemanha vai ser campeã.

Pode-se sempre usar a imaginação, como a Blueminerva genialmente fez:

"(...)No último minuto do tempo regulamentar, um pique de Cristiano pelo corredor direito, pelo caminho finta o fiscal de linha e na linha de fundo, cruza para o centro da área, o esférico passa a rasar o focinho do Materazzi e já em queda, tabela nos tomates do Nuno Gomes e desliza de-va-ga-ri-nho para o fundo da baliza. Foda-se! Golo de Portugal! É a loucura! Materazzi corre na direcção de Nuno Gomes e sussurra-lhe que vai esventrar a Isméria. Nuno Gomes agradece. O jornalista da Antena 1, Nuno Matos, não aguenta a emoção e sofre um enfarte e morre com o microfone enfiado na boca, mas ninguém liga um corno ao defunto, Portugal ganhou o caneco, que se foda o Nuno Matos. Do alto dos céus alguém berra PORTUGAL! PORTUGAL! O Perestrelo ainda tem garganta. Ah ganda Perestrelo! O Nuno Luz, jornalista da Sic, corre nu pela pista de tartan e salta para o colo do Miguel Veloso e o leãozinho gosta. A mãe do Quaresma faz uma fortuna a vender cachecóis e camisolas nos arredores do estádio. Scolari dá um soco no Murtosa. O Eusébio chora agarrado à toalha branca. 1-0. Portugal é campeão europeu. (...)"

And now for something completely different, ou então, talvez não, a nova pergunta é: Legalizar 'drogas leves' (cannabis e haxixe), sim ou não?

Pois, sim!

22 junho 2008

Joy Division - The Documentary


Ao contrário de Control, de Anton Corbijn, que se centrou [em excesso] na vida de Ian Curtis, o filme Joy Division - The Documentary, de Grant Gee, promete mostrar o percurso da banda. Ou seja, deve ser mais apelativo para os fãs.

Aqui e com um bocadinho de paciência (se não forem assinantes deste serviço, pode levar, no máximo, um par de dias) podem baixar o filme. Eu já vou a meio caminho...depois digo se vale a pena.
Lets look at the trailer:

Crise de liderança

As reacções dos principais partidos e intervenientes da política portuguesa depois do ‘não’ irlandês, dividem-se entre: “o Tratado está morto” e “o Tratado não está morto”. A mim pouco me interessa se este Tratado está ou não morto, o que interessa é que grande parte das medidas nele incluídas passem à realidade.

Agora, há duas questões que estão cada vez mais evidentes: 1) as populações estão contra o Tratado. Não interessa se estão contra o que está dentro do Tratado, ou contra a forma como todo o processo foi conduzido, a verdade é que há um grande descontentamento, que é transversal a toda a Europa e não há a mínima hipótese de avançar com as reformas necessárias ao melhor funcionamento da EU, se for feito contra a vontade das populações. E isto leva-nos à segunda questão: os actuais líderes europeus são muito fracos, pois não tiveram a capacidade de antever este resultado, depois do referendo em França. Deveriam ter compreendido o ‘não’ francês como um sinal claro que o necessário processo de transformação da EU deveria ser feito com maior cautela e com passos mais pequenos, porém, seguros. O Tratado de Lisboa é enorme, de difícil compreensão e não era preciso um grande génio para antever que as populações não iriam aprovar algo que não compreendem. A ambição pessoal de alguns dos líderes é a principal causa desta situação, quiseram ficar na História como aqueles que conduziram a Europa a um papel de grande influência internacional (coisa que ainda não tem). Saiu-lhes o tiro pela culatra...ainda bem.

Actualmente, deverá haver Robert Shumans por essa Europa fora, prontos para encontrarem soluções viáveis para a Europa, ao lado do interesse das populações, mas esses dificilmente sobrevivem no panorama político-partidário que conduz ingenheiros a Primeiro-Ministro.

Hiddink, excelente opção para a Selecção


Ora aí está uma excelente opção para a sucessão de Scolari, Guus Hiddink. E não é só pela fantástica vitória de ontem sobre a Holanda, nem pela forma como alterou a equipe russa depois da derrota com a Espanha, mostrando uma capacidade de encontrar soluções tácticas dentro do plantel, é por toda a sua carreira. Senão vejamos:

- Hiddink construiu a equipe do PSV que entre 87 e 90 venceu três campeonatos da Holanda e uma Taça dos Campeõs Europeus, às custas do Benfica (recordo-me bem do baile que levamos durante os 120 minutos); tem imensos títulos de campeão da Holanda, levou a Coreia do Sul às meias finais do Mundial '02 e a Austrália (imagine-se) a passar a fase de grupos do Mundial '06.

Sempre com um futebol de ataque, mas, como se vê, apresentando resultados.

Já agora, o Benfica que contrate o Arshavin.

21 junho 2008

Há quem não compreenda que...


Eu acrescentaria que não é só 'manifs', também blogues, ou qualquer outra forma de expressar a opinião.

Baixar o imposto sobre combustíveis não é solução, é apenas fuga para a frente.

19 junho 2008

Notas para o fim

Portugal está fora do Europeu. Desta vez até nem encontro quase nada a apontar a Scolari e a maior parte dos próprios jogadores estiveram bem. O terceiro e decisivo golo dos alemães é precedido de uma clara falta. Neste tipo de jogo os mais pequenos erros pagam-se caros e foi o que aconteceu, no 1º golo é Paulo Ferreira que não acompanha a galopada de Schweinsteiger, no 2º golo as culpas podem ser repartidas entre o jogador que marcava Klose (penso que era Ronaldo) e Ricardo e no 3º golo as culpas são do árbitro e.....do Ricardo. Na análise ao último jogo, avisei para o facto do Ricardo ser péssimo nas saídas e que isso poderia sair muito caro a Portugal, foi isso que aconteceu. Mesmo com a falta no 3º golo e com a falha de marcação no 2º, Ricardo fica muito mal em ambos os lances, muito mal mesmo. E aí a culpa também tem que ser de Scolari, que o escolheu como o "seu" guarda-redes. Se tem assim tanta confiança nele, que o leve para o Chelsea, para o lugar do Cech.



Não há muito mais a dizer, mas cá vão as pontuações.



Ricardo: péssimas sáidas, tem culpas nos 2 últimos golos. 2


Bosingwa: esteve neste Europeu numa forma incrível, esteve outra vez muito bem a atacar hoje, menos bem a defender; no 1º golo permite que o cruzamento seja feito. 6


Pepe: é um defesa fantástico, extremamente competitivo e com um físico impressionante. Ele, mais que todos, deve ficar desolado ao ver a desgraça que está na baliza. 7


Ricardo Carvalho: não esteve tão bem neste Europeu, como seria de esperar. Ainda assim, hoje fez uns cortes à sua maneira e esteve bem. 7


Paulo Ferreira: a posição de defesa esquerdo é a grande lacuna de Portugal. Ferreira faz o que pode, mas não é suficiente. Desde que Mourinho deixou de ser seu treinador, como que deixou de saber jogar futebol. Estranho? Talvez não. Podia ter feito mais no 1º golo alemão.5


Petit: já não é o mesmo jogador de há 4 anos atrás, mas esperava mais dele neste Europeu. 6


Moutinho: os europeus ficaram a conhecer um grande jogador. Sporting, diz adeus. Neste jogo falhou uma ocasião incrível e saíu lesionado. 4


Deco: apresentou-se muito bem fisicamente neste Europeu e isso, para ele, é essencial para mostrar todo o seu valor. Hoje foi o melhor "português". 7


Simão: parece que o Simão que jogava e fazia jogar o Benfica não aparece na Selecção e isso sim é estranho. Contra a Alemanha, até marcou um canto directamente para fora. 5


Cristiano Ronaldo: o que foi dito para Deco, serve para Ronado, mas no inverso, ou seja, fruto da longa e dura época que teve ao serviço do Man United, apresentou-se muito débil fisicamente, via-se que queria fazer mais, mas não conseguia. Hoje, teve uma ocasião de rematar livre à entrada na área, que não aproveitou. Com um Ronaldo no seu melhor, era golo na certa. 6


Nuno Gomes: deu tudo o que tinha e que não tinha. Na 1ª parte, por estar mais fresco, ainda causou algum incómodo aos defesas alemães...e marcou um golito. Na 2ª parte perdeu quase todos os duelos. 6


Raúl Meireles: entrou bem no jogo e cumpriu defensivamente, mas no ataque fez uns quantos remates disparatados. 6


Nani: é capaz de enervar até o mais paciente dos adeptos, com aquelas fintas e mais fintas que, na maior parte das vezes, não dão em nada. Uma das vezes deu em alguma coisa e fez um cruzamento certinho, daqueles que era preciso ter feito mais vezes. 6


Postiga: o cruzamento do Nani é, de facto, excelente e é aquilo que se pode chamar "meio golo", portanto Postiga não fez mais do que devia naquela ocasião. Mantenho a minha opinião: Postiga é o pior jogador dos 23 portugueses e talvez o pior de todos os jogadores que estão neste Europeu. 4



Scolari: no Euro 2004, usou a equipe do Porto de Mourinho, reforçada com jogadores como Figo ou Pauleta, mas foi preciso perder com a Grécia para perceber isso. Ele, Scolari, perdeu contra a Grécia na final, ao colocar um Ronaldo inexperiente na posição de ponta de lança. No Mundial '06 a sorte esteve novamente do seu lado, quando no jogo contra a Inglaterra, Rooney é expulso, senão o mais certo era Portugal perder. Neste Europeu, já não se esperava muito dele, a não ser manter as suas fixações. Foi o que fez, uma delas foi-nos fatal: Ricardo. Depois houve os incidentes todos que sabemos, que culminaram com esta palhaçada do anúncio que vai para o Chelsea a meio do Euro. Por isto tudo, fico feliz por saber que vai embora. Nota final para Scolari só não é negativa porque foi ele o treinador que levou a Selecção a uma Final, uma meia-final e uns quartos de final. 5.

15 junho 2008

Portugal - Suíça (notas dos jogadores)

O treinador suíço, Kobi Kühn, disse, simpaticamente, antes do jogo, que Portugal não tem uma segunda equipe. A verdade é que tem e isso ficou bem provado hoje. À partida parecia que a equipe tinha sido, como de costume, mal montada por Scolari (e foi, de facto), com um trio de meio-campo ultra-defensivo, incapaz construir jogo atacante. Mas, a opção de Scolari começou a fazer sentido à medida que o jogo foi seguindo. Scolari teve que colocar 3 trincos porque Quaresma simplesmente não defende e Postiga simplesmente não existe. O erro de Scolari foi ter optado por um 11 quase todo novo. Um erro se tivermos em conta apenas este jogo, mas se tivermos em conta o resto do Campeonato, poderá vir a fazer sentido. Assim o esperamos.
Como jogaram, então, os jogadores portugueses hoje?
- Ricardo, mais uma péssima exibição. Saídas a cantos e cruzamentos é mentira. Parece que fez algumas boas defesas, mas não fez, também foram mentira, foram as chamadas "defesas para a fotografia". Receio, sinceramente, que Ricardo venha a perdição para Portugal. 4
- Miguel, jogou ao nível do resto da equipe, ou seja, mal. Teve a agravante de ter feito dois atrasos que poderiam ter sido comprometedores. 5
- Pepe, tem uma capacidade física impressionante. Fez um bom jogo, mas precisaria de rever o 1º golo suíço para saber quem falhou na marcação ao avançado que fez a assistência para Yakin. 7
- Bruno Alves, em Portugal dá pancadaria que nunca mais acaba, mas em jogos internacionais porta-se bem. É, por isso, esperto. O mesmo em relação a Pepe, é preciso ver quem falhou na marcação no 1º golo. 6
- P. Ferreira, entrada violenta que merecia expulsão. Foi bem substituído. 3
- Fernando Meira, jogou mal numa posição onde já não joga (regularmente) desde os tempos de Benfica. Na minha opinião, não há penalty. 5
- Raúl Meireles, o meio-campo não funcionou, por isso aqueles 3 jogadores foram sub-aproveitados. Eu, a sério, vi o Raúl um par de vezes durante o jogo no ataque, o que é muito pouco. 5
- Miguel Veloso, não compreendi bem se Scolari queria que ele fizesse o papel de Deco. Se era isso, foi um erro colossal, maior que todos os outros. Veloso não tem a rapidez de processamentos necessária à posição, por isso, no Sporting, joga mais atrás, onde tem muito mais espaço. Veloso é uma espécie de Pirlo, comanda todo o jogo atacante da sua equipe a partir da posição de trinco. 5
- Nani, foi o melhor português em campo, lutou contra a maré, sofreu entradas violentas e tentou empurrar a equipe para a frente, ora do lado esquerdo, ora do lado direito. Falhou uma ocasião flagrante, por isso tem apenas 7.
- Quaresma, não vale a pena elaborar muito sobre o Quaresma. Ele tem que sair urgentemente do Porto e ir jogar num campeonato mais competitivo e de preferência onde tenha um treinador que o ponha na linha. Neste jogo, era inacreditável o seu desinteresse quando Portugal perdia a bola. 4
- Postiga, é o pior jogador deste lote de 23. Não há palavras para o descrever, é mau de mais para ser, sequer, jogador de 1ª Divisão de Portugal, quanto mais titular da Selecção num Europeu. Não compreendo como é repetidamente convocado, tem que haver razões que desconhecemos. O Sporting fez mais uma asneira ao contratar esta abécula. 3
- Jorge Ribeiro, nota-se que não está no seu ambiente a jogar nestes palcos. O jogo e as condições em que em entrou também não eram fáceis. Ainda assim, não jogou mal. 6
- João Moutinho, entrou e Portugal sofreu o 1º. No entanto, mudou, definitivamente, o jogo português. Está, e bem, no 11 titular. 6
- Hugo Almeida, novamente entrou tarde. Se Scolari queria ter deixado Nuno Gomes no banco, era Almeida que devia ter jogado no seu lugar. Não teve tempo para mostrar nada, mas é um bom jogador. 5
O melhor em campo foi o médio suíço Inler.
As notas de Fiat Lux, aqui.

Sim ao Tratado de Lisboa

O ‘não’ irlandês ao Tratado de Lisboa não foi assim tão surpreendente, já se sabia que num referendo desta natureza, tudo estaria em jogo, menos o Tratado de Lisboa. Pode ser visto como surpreendente apenas porque se há país que soube e bem aproveitar os benefícios de fazer parte da União, esse país foi a Irlanda. No entanto, compreende-se que os eleitores tenham votado ‘não’; nada mais fácil para os detractores da União Europeia, do que fazer campanha negativa, evidentemente que não falam do Tratado, nem tão pouco, da própria União Europeia, pois ficariam sem argumentos, usam, isso sim, a situação interna do país, afectada como todos os outros pela crise internaciona. E isso é, no mínimo, eticamente errado. Adiante, porque o tempo é de pensar no futuro.

O Tratado de Lisboa não é, de facto, de fácil compreensão, outra coisa não seria de esperar quando se está a negociar entre 27 Estados-membros. Mas o que traz o Tratado de Lisboa de novo à União? Em 1º lugar o lugar de Presidente, este é um dado muito importante para o funcionamento da União, acabaram-se as presidências rotativas, que muitas vezes são um obstáculo ao fluir da União. A presidência eslovena, que acaba agora o seu mandato, foi disso exemplo, uma nação recente com pouca experiência na área da diplomacia, pouco mais podia ter feito. Outra nova posição seria a do Alto Representante, que iria unir as funções que actualmente Solana e Ferrero-Waldner exercem. Novamente, esta é uma medida muito importante para que a União tenha uma única voz forte nas relações internacionais. Esta nova figura teria um papel de extrema importância para fazer projectar os nobres valores da EU no mundo, em áreas como o Ambiente, alterações climáticas, energia, migrações, etc.

Depois havia a Carta dos Direitos Fundamentais, que passaria a ser vinculativa a todos os Estados-membros. Havia também a iniciativa dos cidadãos, onde a Comissão seria obrigada a considerar qualquer proposta que tivesse sido assinada por um mínimo de um milhão de cidadãos.

Mais poder para os Parlamentos nacionais, por onde toda a legislação da EU teria de passar e onde os deputados teriam o direito de opinar sobre o assunto em questão. Mais poder para o Parlamento Europeu e redução no seu número de deputados. Com o Tratado de Lisboa, o PE passaria a ter o direito de co-decisão, com o Conselho em todas as áreas, ao contrário de actualmente. A redução do número de deputados seria também uma boa medida, no entanto para os Açores isso poderia significar a redução dos nossos representantes, seria uma boa altura para se voltar a falar num círculo açoreano. A Comissão também passaria a ser mais pequena, nem todos os países teriam o seu Comissário. Evidentemente, isto poderia querer dizer que Portugal deixasse de ter um Comissário, em certas alturas, mas seria em nome de um melhor funcionamento da EU, de combate à máquina burocrática que é cada vez maior, devido ao alargamento. São essas as grandes preocupações de quem é contra o Tratado, não são? Combater a burocracia, aproximar os cidadãos.

Por falar em democraticidade, a redistribuição do peso de voto de cada Estado-membro seria um passo na melhoria do deficit que há nesta área. Portugal, com os seus 10 milhões de habitantes, até nem sairia muito mal no acordo. Mas o preço para a melhoria do deficit democrático teria de passar por um acordo destes. Falar em unanimidade com 27 Estados-membros é um absurdo, com excepção apenas para áreas específicas como Defesa.

Foi a tudo isto que a Irlanda disse ‘não’, num referendo que jamais poderia ter tido lugar. O Plano B, prossegue dentro de momentos, e obrigatoriamente com as medidas do Tratado de Lisboa, a bem da Europa e de todos os Europeus.

Parabéns Blue...Prenda Red

Hoje, dia 15 de Junho, é o aniversário da blogger mais irreverente e bem-humorada da rede. Conheço-a apenas como Blueminerva, mas sei que tem por base a Pérola do Atlântico, que tem admiradores anónimos, que usa e abusa dos cremes e que a sua perdição são os sapatos. Por isso, cara Blueminerva, tal como prometido, aqui fica a prenda (infelizmente apenas) virtual: um par de red Choos.

Congrats!

11 junho 2008

Portugal - Republica Checa (pontuações)

Em resposta ao exercício proposto pelo blogger Fiat Lux, aqui ficam as minha pontuações (de 0 a 10) aos jogadores de Portugal, no jogo contra a Republica Checa. Foi um bom espectáculo dado pelas duas formações, mas no fim a maior qualidade portuguesa veio ao de cima.
Ricardo: péssimas saídas nos cantos, uma verdadeira agonia. Fez uma grande defesa e só por isso não tem nota negativa, 6.
Bosingwa: mais um grande jogo do lateral, igual ao que conhecemos, ou seja, melhor a atacar que a defender. 8
Pepe: seguro, mas com um par de desantenções, que noutros casos podem ser fatais, 7
Ricardo Carvalho: o líder da defesa, não está ainda ao seu melhor, 7
Paulo Ferreira: fora da sua posição, pode apenas ambicionar a não comprometer, foi o que fez, 7
Petit: Essencial na estratégia (se é que existe) de Scolari. O que lhe falta em velocidade, sobra
em entrega, 7
João Moutinho: Tal como o resto da equipe, não esteve tão bem como no jogo contra a Turquia. Ainda assim, fez um bom jogo, enquanto esteve em campo, 7
Deco: Parece que está mais fresco que os restantes colegas, talvez devido ao facto de não ter jogado muito pelo Barcelona esta época. E quando está bem fisicamente, comanda todo o jogo de ataque, 8
Simão: Discreto e com a mania que é quem marca os livre todos, 6
Cristiano Ronaldo: Não fez quase nada durante todo o jogo, agarrou-se muito à bola, não conseguiu fazer um drible com sucesso. Ainda assim, marcou um golo e fez uma assistência, é o suficiente para ter um 8 e ser, para mim, o melhor em campo.
Nuno Gomes: É ingrata a sua função, já o era para o Pauleta. Mas o Pauleta marcava, o Nuno Gomes não. Às vezes dá pena vê-lo em campo, mas é útil à equipe, permite que os jogadores de meio campo tenham mais espaço, 7
Meira: Entou para seguir Koller (parece-me) e como o gigante checo não fez nada, fez o que se lhe pediu, 6
Hugo Almeida: antes não tivesse visto nada dele e não teria, por isso, pontuação. Mas vi e não foi bom, 3
Quaresma: Entrou, tentou fazer os seus truques, não deu em nada, porque o Quaresma é bom apenas para consumo interno. Marcou um golo, pois marcou, mas eu também marcava aquele golo, 4

Barril a 250

O director da maior empresa de energia do mundo, a Gazprom, fez uma declaração, que apesar de já não ser surpreendente, é preocupante. Alexey Miller afirma que no futuro próximo o barril de petróleo atingirá a fantástica marca de 250 USD. Pode-se falar em especulação, como é evidente, mas a conclusão que devemos chegar deve ser mais abrangente: todos nós temos que alterar o nosso estilo de vida, porque somos muito dependentes do petróleo e seus derivados. Teremos que forjar um novo paradigma de mobilidade, onde o automóvel privado não seja a peça central, tal como é hoje.

10 junho 2008

Os blogues mais vistos

A lista dos blogues portugueses com mais visitas por dia é, no minimo, surpreendente. Sendo certo que é actualizada diariamente e que por isso há oscilações, a verdade, porém, é que são (quase) sempre os mesmos que estão no top 25.
Então vejamos, hoje está em 1° lugar um blogue que se chama-se Obvious, com o sub-título "Um olhar mais demorado", devo dizer que não tive tempo para olhares demorados, mas aquilo que vi não justifica uma média de 25.552 visitas por dia. A lista prossegue com o Lista 10, o nome diz quase tudo, com a média de 11.609 visitas por dia. Depois segue-se um blogue que se chama Domelhor, o jornalismo do cidadão, o Ha Vida em Markl e o Gaijas da TV. Só em 6° lugar surge um blogue, vá lá, sério: Abrupto e em 11° o Blasfémias, entre eles há um blogue sobre wresteling e o obrigatório E Deus Criou a Mulher (agora no Sapo).
Se formos ver a lista completa, ficamos a saber que, por exemplo, o 31 da Armada e o Causa Nossa estão em 34° e 33°, respectivamente, o Câmara de Comuns está em 128°, O País do Burro em 181° e....enfim, a Máquina de Lavar está em 493°, entre 1488 blogues com visitas. Aliás, que eu tenha conhecimento, este é o único blogue feito nos Açores representado na lista, por isso deixo o repto aos "decanos" da blogosfera regional, para se inscreverem no Weblog.

09 junho 2008

Adorable

Na Playlist, 6 temas de Adorable, banda conotada com o movimento shoegazing britânico dos anos '90. Com origem em Coventry, os Adorable tinham na voz de Piotr Fijalkowski (semelhante a Peter Murphy) o seu principal cartão de visita.

A verdade é que nos Açores, nos anos '90, poucos eram os carros que tinham leitor de cd, por isso os Adorable estavam numa k7, permitindo assim ser a banda sonora de muita viagem nocturna nas ruas de S. Miguel.

07 junho 2008

Steve Albini

Steve Albini é o nome comum a toda a música que está na Playlist. Albini produziu todos os discos de Electrelane, Breeders ou Scout Niblett, bem como os primeiros trabalhos de PJ Harvey e o último trabalho dos Nirvana. Difícil mesmo foi escolher da extensa lista de músicos que Albini produziu.

A Independência dos Açores vista dos EUA em '75

A propósito do 6 de Junho e da temática da independência dos Açores, veja-se esta mensagem do cônsul dos EUA em Ponta Delgada para o Secretário de Estado, datada de Agosto de '75, que foi originalmente classificada de "confidencial".

Resta saber se os açoreanos tinham conhecimento desse estudo do Banco Português do Atlântico.

05 junho 2008

Oh yes we do...

We Have Kaos in the Garden.....um blogue a ver.

Manif de Pescadores em Bruxelas - Rescaldo

Nada mais de relevante há a dizer sobre a manifestação de pescadores ontem em Bruxelas. O melhor é algumas fotografias.

















04 junho 2008

Index Liberdade Económica


O 2008 Index of Economic Freedom foi criado pelo Wall Street Journal e pela Heritage Foundation, para medir e escalonar a liberdade económica dos países do Mundo. O ponto de partida é a tese de Adam Smith (1723-1790) que diz "quando as Instituições protegem a liberdade dos indivíduos, maior prosperidade resultará para todos". Usando fontes estatísticas como o Banco Mundial, ou o FMI, o Index mede 10 diferentes níveis de liberdade económica em cada país, para depois atingir a lista final dos países mais livres economicamente.

No top 10 encontramos países como Irlanda, Austrália, EUA, Reino Unido, Chile ou Canadá. No fundo da tabela estão a Coreia do Norte, Cuba, Zimbabué e Líbia. Portugal está em 53º/157.

Mas em relação a Portugal há mais alguns dados que devem ser realçados. Em relação à dimensão do Estado, Portugal está muito longe da média, ou seja a máquina estatal portuguesa é enorme e o Estado está muito envolvido nas actividades económicas. Mas Portugal também está longe da média em termos de liberdade fiscal e liberdade laboral. No entanto, em termos de corrupção e direitos de propriedade, Portugal está acima da média.

Manif de Pescadores em Bruxelas - Em Directo

Pescadores da França, Itália, Espanha e Portugal estão a manifestar-se, neste momento, em frente aos edifícios da Comissão e Conselho. O aparato policial é impressionate, mas dos "milhares" de pescadores que eram esperados, ainda só cá estão umas curtas dezenas. De referir também que ainda não há nenhum pescador português - pelo menos não ha bandeiras de Portugal, ao contrário dos restantes países. Enfim, a manifestação ainda agora começou mas já houve alguns confrontos com a força policial - algo que me custa a compreender, porque os polícias estão ali parados, em formação, e são alguns manifestantes que, de quando em vez, atiram verylights ou têm outras atitudes provocatórias. Não sei, mas parece-me que entre os manifestantes-pescadores há alguns manifestantes-profissionais-incendiários.
Assim que se justificar, novas sobre a manif serão aqui postadas.

03 junho 2008

Outras Fotografias

Esta fotografia de Steve Iuncker é uma das muitas que se pode encontrar no livro Faster and More United? The Debate Around Europe's Crisis Response Capacity. Vários fotografos da Agência VU ilustram este livro que, apesar de caro, vale a pena.


31 maio 2008

Segundo a Máquina, Passos Coelho ganha

É tempo de fechar a votação. A pergunta era sobre qual dos candidatos à liderança dos PSD teria melhores hipóteses de bater Sócrates em 2009 e ter competência para ser Primeiro-Ministro. Os 62 votos contabilizados ficaram distribuídos da seguinte forma:

- Passos Coelho 34%
- Ferreira Leite 27%
- Santana Lopes 18%
- João Jardim 11%
- Outro 6%
- Patinha...Antão 3%


Com o Euro 2008 à porta, a nova pergunta é a seguinte: "Qual a Selecção que vai ganhar o Euro 08?"

30 maio 2008

Mara, parte II

Aqui ficam mais umas fotos da Ministra preferida.





Mais informação sobre a Ministra, aqui, aqui e aqui. Enjoy.

27 maio 2008

Teste as suas visões políticas

Não sabe bem onde se posiciona no espectro político? Então, as suas preocupações acabam aqui. Faça o teste e assuma-se.

Agora a sério. Este é um teste engraçado, nada mais, não tem qualquer validade científica, mas toca na maior parte das questões fulcrais e fracturantes.

Para que conste e até para provar a sua invalidade científica (ou será que eu é que estou a enganar-me a mim próprio?), aqui fica o meu resultado.


25 maio 2008

23 maio 2008

Porque os preços estão a aumentar


O aumento nos preços dos alimentos é um problema que poderá ter efeitos graves, principalmente entre as populações mais pobres. Entre Setembro de 2006 e Fevereiro de 2008 os preços dos bens de agricultura subiram 70% (em USD). Mas onde está a verdadeira origem do fenómeno? As razões pode ser divididas em estruturais e temporárias:


As razões estruturais:

- O aumento na procura por alimentos de alto valor (como carnes e produtos diários) nas economias emergentes, como China, Índia, Brasil. Por exemplo, os chineses consumiam 20kg de carne por ano em 1985 e hoje consomem 50kg.

- O aumento da população mundial.

- Os biocombustíveis. O aumento na procura por biocombustíveis e as actuais políticas que promovem a sua produção. Nos EUA, a produção de bioetanol prevê-se que absorva 25% da produção de milho.

- O aumento nos preços dos combustíveis. Indirectamente, porque faz aumentar a procura por biocombustíveis e directamente porque reflecte-se nos custos do gasóleo, dos pesticidas e nos próprios meios processamento.


Razões temporárias:

- Condições meteorológicas adversas que afectaram alguns dos países exportadores. A Austrália sofre de secas há 6 anos, que levou a uma quebra de 50% na produção em 2006. A quebra na produção de cereais, devido ao tempo, na América do Norte, Europa e Austrália no ano de 2006, foi de 60 milhões de toneladas, um número 4 vezes superior à quebra devido ao uso de cereais para o etanol. As alterações climáticas são pois uma razão fundamental, que poderá passar à condição de estrutural, em vez de temporária.

- Especulação, derivado da crise que os mercados financeiros enfrentam. Desesperados por um retorno rápido, os especuladores estão a retirar muitos milhões do mercado imobiliário para o mercado dos alimentos. É aquilo a que os peritos em Wall Street chamam de “commodities super-cycle”. As falhas nos pagamentos de dívidas, no sector imobiliário, estão a causar pânico, que leva à procura de investimentos seguros. O mercado alimentar é um investimento seguro, porque é certo que a procura não irá baixar e vai até aumentar. Como bem sabemos, bancos, casas de investimento, etc. não são movidos por moral, mas sim pelo lucro. Há até quem sugira que esta é uma estratégia que tem o apoio do próprio Governo Federal norte-americano, com o intuito de dar novo fôlego a Wall Street e à economia dos EUA. A verdade é que o colapso do dólar significa que a maior parte dos bens internacionais estão mais caros e o declínio do dólar é uma consequência da política americana (e britânica) de baixar os juros. Quando os juros estão abaixo do nível de inflação, os investidores têm que mover os fundos de sector para sector, para terem o máximo de retorno, nos anos ’90 houve uma corrida às acções da Internet, que criou uma “bolha” que rebentou em 2000, levando a uma crise, que obrigou os investidores a procurarem outra área: o imobiliário. Agora, com o colapso desta “bolha”, os investidores mudaram novamente, para os bens de consumo, criando uma nova “bolha”. O problema é que esta nova “bolha” afecta directamente grande parte da população mundial; a mais pobre.

Políticas de resposta?

20 maio 2008

Finais


É tempo de decisões dos dois lados do Atlântico.

Hoje têm início as Finais de Conferência da NBA. Esperam-se, como costume, espectáculos electrizantes que prendem os espectadores de princípio a fim. Celtics e Pistons no Leste e Lakers e Spurs no Oeste. Como estas coisas não têm explicação, quero que ganhem os Celtics e os Lakers. Não é por nada, simpesmente não gosto dos Pistons e detesto os Spurs, por via do Tim Duncan.

Amanhã é dia de Final de Liga dos Campeões na Europa. Duas equipes do campeonato inglês, sem surpresa, disputam a Taça, Manchester United e Chelsea. Por um lado o Cristiano Ronaldo, que por muito que não goste, é actualmente o melhor jogador de futebol do planteta a milhas de distância de todos os outros, mais uma equipe que joga um futebol completo e atractivo. Do outro lado Ricardo Carvalho, o melhor central da actualidade, mais uma equipe que pratica ainda o futebol cerebral e muitas vezes cínico, à imagem do seu mestre original.
Façam as vossas apostas.

16 maio 2008

I told you to be pacient; I told you to be fine


Uma das razões que me faz procurar música nova é a certeza que mais tarde ou mais cedo encontrarei algo novo e surpreendente, que me demonstrará que valeu a pena. Sem dúvida nenhuma que o primeiro disco de Justin Vernon é um destes casos. Vernon usa o nome artístico Bon Iver e o disco chama-se For Emma, Forever Ago (Emma é a ex-namorada de Vernon e só isso diz algo deste artista) e foi gravado e colocado no mercado de forma independente por Vernon, mas a 4AD rapidamente assegurou os seus direitos, seguindo a linha que tão bem conhecemos e de que tanto gostamos. A crítica tem sido unânime em considerar este disco dos melhores (até à data) de 2008.

"Wisconsin's Justin Vernon blazes a trail out of the wilderness with one of 2008's landmark records." Mojo (5/5, Album of the Month)


O título deste disco muda, dependendo de quem o ouve, para Vernon é Emma, para nós é quem quisermos que seja...
Está aí, é só ganhar uns minutos na vida.

A Economia, É Quem Mais Ordena!

Sócrates está de visita à Venezuela, país que é liderado por Chavez, um comunista com tiques de ditador – ouvi hoje dizer que pratica uma “democracia musculada”-, que pretende ocupar o lugar “deixado” por Fidel.

Gostaria só de relembrar ao nosso PM, que Chavez é acusado de financiar as FARC, organização terrorista que usa o narcotráfico para financiar as suas acções de rebelião contra o povo Colombiano. Ou seja, os Petro Dólares de Chavez, ajudam a promover acções Terroristas, tais como raptos e assassinatos.
E Sócrates, depois da demonstração do "musculado" presidente Venezuelano, estará mais interessado no petróleo com açúcar ou com pimenta?!?
(...)
Não foi necessário esperar pelo fim do 1º semestre, para o Ministro das Finanças vir anunciar uma revisão em baixa do crescimento económico do país. A previsão inicial de um crescimento de 2,2% foi já afastada, situando-se agora em 1,5%. A par deste mea culpa, Teixeira dos Santos também já admitiu que “a inflação se vai manter nos actuais 2, 6%, em face de um cenário de crise Mundial, a que Portugal não podia escapar”.
Com base nesta nova realidade, justo seria uma revisão em ALTA dos aumentos dos ordenados, de 2,1% para os reais 2,6%, de modo a que os funcionários públicos – e a maior parte dos trabalhadores portugueses, pois grande parte dos patrões rege-se pela tabela de aumentos da função pública –, não percam poder de compra pelo 10º ano consecutivo.
Não será o princípio do poluidor = pagador, mas antes do mentiroso = repositor.

Este cenário, já levou Cavaco a pedir “especial atenção para com os que mais sofrem com a crise, em especial para os desempregados”. Um lugar comum...

Teixeira dos Santos já prometeu actualizar as pensões de reforma. É pouco, digo eu. Depois de todos as reformas implementadas por este Governo, depois de todos os sacrifícios pedidos, e sentidos pelos portugueses, vem agora o mesmo governo admitir, que os “outros” tinham razão, e que as previsões de crescimento económico estavam inflacionadas, enquanto a inflação propriamente dita, foi ingenuamente – para não dizer, estupidamente –, optimista.

Resultado, ao que parece, há portugueses cujo rendimento conquistado após 139 dias de trabalho se destina exclusivamente ao pagamento de impostos. Mais pormenores aqui

15 maio 2008

A Birmânia e o Princípio da Inviolabilidade das Fronteiras


A situação que se vive actualmente na Birmânia permite que se levante novamente a questão do princípio da inviolabilidade das fronteiras, garantido na Carta das Nações Unidas. Com efeito, a maioria dos principais líderes mundiais já afirmou que algo deve ser feito, mas simplesmente não é legal porque a Birmânia não cometeu nenhum acto de agressão… a não ser para com milhares de birmaneses.

Tentou-se levar o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas a China, como membro permanente com direito de veto e principal aliado da Junta Militar que se encontra no poder na Birmânia, vetou o pedido, alegando que a tragédia resultante to ciclone Nargis “é um desastre natural e não deve ser politizada”.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês afirmou que, se a Birmânia não cooperar, a ONU deve invocar “responsabilidade para proteger” e prestar o auxílio, independentemente da posição da Junta. Foi uma solução rapidamente descartada, pois essa responsabilidade não se aplica a desastres naturais.

Então como pode a comunidade internacional intervir em casos como este? A resposta reside no princípio da inviolabilidade das fronteiras, que fazia sentido no século XIX, não no mundo interdependente em que vivemos hoje. O respeito pelas soberanias deve, no entanto, ser um princípio fundamental para a ordem mundial actual, mas esse princípio deve ser acompanhado de regras básicas (como permitir ajuda internacional em caso de uma tragédia como a que se vive na Birmânia) que os próprios Estados devem respeitar.