12 janeiro 2009

Do Poder dos EUA

Nas palavras do ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros francês Hubert Vedrine, os EUA são actualmente a hyperpuissance, ou seja, com o fim da URSS e da Guerra Fria passaram da posição de uma das superpotências, para a posição da única hiperpotência.

Façamos, então, um pequeno exercício (desculpando as devidas diferenças): vamos transpor a actual realidade internacional para uma situação hipotética dentro de um país. O que teríamos era uma sociedade dividida em grupos, fossem famílias, ou outra coisa qualquer, que representariam os Estados no actual sistema internacional. Haveria um quadro legal, mas cada um desses grupos teria a sua própria força policial. Ora, haveria um grupo/família que teria uma força policial muito mais poderosa que as outras todas e, inclusivamente, era esse grupo que fornecia a sua polícia sempre que houvesse problemas que os outros não pudessem resolver. Evidentemente, esse grupo/família são os EUA no actual sistema internacional. Então, porque razão esse grupo não age como bem entende? Porque razão, sequer, se dão ao trabalho de encontrar justificações quando precisam de ir buscar a outro grupo qualquer bem que necessitam para a manutenção da sua superioridade? No actual sistema internacional, estamos a falar, por exemplo, da justificação que os EUA precisaram encontrar para invadir o Iraque. A resposta reside na Democracia que impera nos EUA. O escrutínio que todos os governos estão sujeitos nos EUA é que os faz agir (ou tentar agir) dentro dos limites do Direito Internacional. A opinião que a comunidade internacional tem, é pouco mais que um input de pouca importância.

Porque os EUA funcionam com valores democráticos, mas com o sentimento de superioridade em relação ao resto do mundo, acabam por dar o seu apoio à ONU, que representa a nível internacional o respeito pela Lei. No entanto, esse apoio vai só até certo ponto, a partir do momento em que a superioridade em relação aos outros Estados é colocada em causa, então o respeito pelo Direito Internacional passa para segundo plano, é a manutenção da posição de liderança que passa a ser a prioridade. E tal como no nosso país imaginário, haverá duas formas para os outros lidarem com essa situação: ou tentam colocar-se ao lado do grupo/família dominante, ou enfrentam-o.

Voluntariado Levado ao Extremo

O presidente da ANAFRE - Associação Nacional de Freguesias, Armando Vieira, manifestou-se indignado com a ausência de verbas no OGE - Orçamento Geral do Estado, destinadas ao pagamento dos vencimentos dos presidentes de junta que desempenham as suas funções a tempo inteiro, ou seja, em regime de exclusividade. Conferir aqui.

Estas funções podem ser desempenhadas de modo parcial (acumulando com outra profissão), ou no referido regime de exclusividade.

Parece-me claro que não se pode pedir a um cidadão que exerça funções de tão elevada responsabilidade e delicadeza, somente por “amor à camisola”. A participação cívica e a abnegação do tempo próprio em prol da comunidade, é um acto de louvar e incentivar, mas não o defendo em funções executivas, nem de forma imposta em funções que são da responsabilidade do Estado.

Aliás, eu defendo que as Juntas de freguesia, pela sua proximidade e presença assídua junto das populações, deveriam ver os seus poderes e verbas reforçadas, pois deste modo poderia, o Estado, zelar melhor pelos interesses dos seus cidadãos.

A ser verdade - dou de barato que o é -, o que diz Armando Vieira, na noticia em ligação, o vencimento destes autarcas em pouco ultrapassa o salário mínimo nacional!!!! Bem, se isso já me parece uma quantia pouco dignificante, pedir que dela abdiquem em prol de um regime de voluntariado, parece-me abusivo e completamente descabido. Com tanto onde cortar foram logo escolher esta rubrica.!?

Espero que o OGE “complementar”, reponha as referidas verbas.

08 janeiro 2009

Perspectiva-se um ano de betão?

A crise foi anunciada. Agora é hora de combatê-la, evitar que se propague e estagne a economia. O Estado tem aqui um papel essencial, por isso o Governo começa a emanar as suas soluções.
Nesta demanda de medidas, surgiu hoje este regime de excepção, que não é mais do que dar às autarquias a possibilidade de adjudicarem obras sem concurso público, até um valor de 5 milhões de euros. Ou seja, cinco vezes mais do que o anteriormente possível.

Fernando Ruas, presidente da ANM - Associação Nacional de Municípios, congratulou-se com esta decisão, solicitado ainda que este regime fosse alargado ás Regiões Autónomas e ás obras camarárias que sejam co-financiadas por fundos comunitários. Já Reis Campos, presidente da AICCOPN - maior associação nacional de construtores -, tem mais cautela na avaliação deste regime de excepção, advertindo para a falta de transparência na escolha do executor das obras públicas, e acenando com os constantes avisos do Tribunal de contas.

Não contesto as áreas consideradas prioritárias e que ficam ao brigo deste regime, as minhas preocupações vão mais de encontro às manifestadas por Reis Campos. Não deixa de ser engraçado ser este representante dos construtores a chamar a atenção para esta questão! Será pelo efectivo conhecimento de causa?

O que me parece é que, “quem tiver unhas é que vai tocar viola” em 2009. Que é como quem diz, esta medida abre caminho á corrupção e jogos de interesses, com a agravante de ser lançada a escassos meses das Eleições Autárquicas.

Arbeit Macht Frei

O enriquecimento por via das guerras é no mínimo eticamente condenável. Todos conhecemos as teorias que falam de uma indústria (sedeada principalmente nos EUA) que produz armamento militar, que tem grande poder em Washington e que faz lobi para que guerras sejam travadas. Há também teorias sobre outras empresas que são especializadas em reconstrução dos cenários pós-guerra e que também precisam de confrontos militares para sobreviverem. Em ambos os casos, parece haver bases para a credibilidade de tais teorias, mas escasseiam factos para a suportar. Em relação à IBM na II Guerra Mundial, porém, parece não haver dúvidas da sua participação nos campos de concentração nazis. Os nazis sempre deram grande atenção à tecnologia, aliás, como se sabe, o desenvolvimento da Nasa fez-se em grande parte com know how nazi. No entanto há uma diferença importante na participação da IBM, pois o seu papel era catalogar cada um dos presos nos campos de concentração, através de um mecanismo punch card. As provas ainda hoje existem, pois cada um dos sobreviventes trás no seu braço o número que a IBM utilizava.

06 janeiro 2009

Lá vai a minha arma


Na Playlist:

- Clap Your Hands Say Yeah - The skin of my yellow country teeth
- Pinhead Society (do All Garve, apesar de já não existirem) - My lovely telephone
- Nada Surf - Popular
- The Strokes - 12.51
- Pixies - There goes my gun

Sic

Da entrevista de Sócrates, realce para a total ausência de qualquer novidade. Talvez a mais importante não-novidade será mesmo o autismo de Sócrates. Realce também para os entrevistadores: o José Gomes Ferreira parece um desenho animado e o Bill O'Reilly, digo o Ricardo Costa....vamos a ver, o comportamento do Ricardo Costa só pode ser explicado porque o seu ego consegue ser maior que a sua testa. Porque se é verdade que o Sócrates não é engenheiro, também é verdade que foi eleito e é o Primeiro-Ministro, merecendo por isso um tratamento nada mais que normal, desta forma o episódio das "ventoinhas" - ver o vídeo que o nosso amigo Activista de Sofá colocou - foi, para ser simpático, desnecessário.

Já agora que se fala na SIC, nós por cá preferíamos a Roda da Sorte.

05 janeiro 2009

...em jeito de Sugestão Para 2009

Temos sido bombardeados pela palavra “crise“. Mas não temos somente ouvido e lido sobre ela; também a sentimos. Sim, pois dizem que esta é daquelas que só surge uma vez em cada século, tipo cometa Halley. Calhou-nos a nós. Ela chegou. E instalou-se, espartilhando as economias e condicionando as nossas decisões futuras. É um autêntico efeito dominó.

Se 2008 começou com a crise dos cereais, à medida que o ano avançava, subia, dia após dia, o preço do barril de ouro negro. Também as taxas de juro acompanharam - nobre acto -, a subida dos combustíveis. Enfim, um sufoco total. Depois de meio mundo ter entrado em coma induzido, iniciaram-se as medidas de combate ao caos instalado. Mas estes cuidados, para alguns, já só podem ser paliativos….

Mas eis que na visita habitual ao quiosque dos jornais, me deparo com o irmão insular do afamado Almanaque Borda D´Água, o nosso Almanaque Açoriano dos Fenómenos da Terra, do Mar e do Céu, que constitui um verdadeiro “guia prático para o agricultor profissional e amador”.

Segundo este guia prático, 2009 pode trazer boas colheitas, por isso a sugestão que aqui deixo é; começar já em Janeiro a “preparação das terras para as culturas da primavera”. Para tal, basta retirar a relvinha do quintal, comprar o nosso Almanaque - ferramenta indispensável -, e “preparar canteiros e talhões para que a terra fique limpa e bem mobilizada e destorroada”. Depois (mas ainda durante o mês de Janeiro), podemos começar a “semear repolhos, couve flor, brócolos, rabanetes, alfaces, favas, ervilhas, cenouras, espinafres, e ainda se podem plantar alhos e chalotas”, e seguir as indicações do Almanaque durante este ano de crise. E se, a par da horta, quiser apostar numas galinhas e numa vaca leiteira, vai ver que a economia familiar sai a ganhar. Sim! Pois o Almanaque reza que "a pobreza rodeia, e torna a rodear a casa do homem diligente, mas nunca lhe põe o pé dentro"

Nesta enciclopédia da agricultura, também se podem encontrar os feriados e as datas das várias “Festas e Arraiais” que ocorrem durante o ano nas nossas 9 ilhas, bem como algumas “frases célebres” , entre outras curiosidades sobre os Açores.

O Almanaque anuncia um “Bom Ano Agrícola”, e na sua introdução adverte que “Mais do que um destino de chegada, este Almanaque pretende ser um ponto de partida, lembrando-te ideias antigas, sugerindo-te soluções engenhosas e incentivando-te a aproveitar a riqueza que a terra-mãe tem para te dar!”.

As nossas ilhas, também no que toca a estas áreas, assumem as suas idiossincrasias, por isso se regem por Estatuto próprio…

Bom Ano 2009.…. para todos e a todos os níveis. ;)

Brincando às Diplomacias

Aquele que é provavelmente o pior e mais problemático conflito dos nossos tempos, que tem ramificações e consequências gravosas noutras partes do globo, foi motivo de uma gaffe por parte do Ministro dos Negócios Estrangeiros checo e responsável pela diplomacia da União Europeia nos próximos seis meses, que só vem comprovar a debilidade do actual sistema de rotação da presidência da EU.

Com efeito, no actual sistema, países sem qualquer experiência, nem escola na área da diplomacia e da política externa são colocados em posições de destaque da diplomacia comunitária, fazendo com que, em cenários menos maus, episódios destes aconteçam, em cenários de alguma complexidade, se percam oportunidades e, em cenários de extrema complexidade, guerras aconteçam. O Tratado de Lisboa permitia, entre outras coisas que facilitariam o funcionamento da EU e a aproximação dos cidadãos às instituições, que uma presidência fixa fosse instaurada e que a posição Ministro dos Negócios Estrangeiros da EU se tornasse real. Infelizmente, o Tratado não passou e a EU segue sendo um anão político, apesar de ser um gigante económico.

01 janeiro 2009

Mamma Mia...

Principal conclusão sobre a festa de reveillon na maior sala de espectáculos dos Açores:

O revivalismo dos Abba é a pior coisa que nos aconteceu no ano que passou (incluíndo a crise económica).

Desejos de um Excelente '09!

30 dezembro 2008

Bélgica - O Fim?

O Rei Alberto II, da Bélgica, nomeou o democrata-cristão flamengo Herman Van Rompuy primeiro-ministro da Bélgica, numa tentativa quase inútil de unir um país que está cada vez mais dividido.

Em termos teóricos e gerais a definição de um Estado compreende três características fundamentais: um território, um governo e um povo. Ora, a Bélgica só tem mesmo o território, porque quer Valónia, quer Flandres e até Bruxelas têm o seu próprio Parlamento e Governo Regional e, talvez mais importante, a Bélgica não tem um povo, pois flamengos e valões são efectivamente dois povos distintos, com língua, cultura e identidade completamente distintas.

Ao passearmos pelas ruas da capital, Bruxelas, encontramos ocasionalmente uma bandeira do país pendurada nas janelas. Qualquer português pensaria imediatamente que o treinador da selecção belga de futebol adoptou o sistema de Scolari. Sendo certo que em ambos os casos há uma tentativa de mobilização da população em torno de algo que é nacional, no caso belga a questão é bem mais profunda que o futebol no caso português. Para os belgas é uma questão de sobrevivência da própria Bélgica.

E é Bruxelas que ainda mantém a unidade do Estado belga. Não tanto por ser a capital, mas porque é o centro da União Europeia. De facto, o efeito EU no processo unificação/desagregação da Bélgica é vital. Nem se consegue imaginar o que seria de Bruxelas e, por tabela, da Bélgica se a EU não tivesse lá a sua base. Por outro lado, há um outro factor importante que mantém a Bélgica unida, a monarquia, os belgas das diferentes regiões identificam-se com os reis.

No entanto, o futuro não se avizinha fácil para o Estado belga. O extremar de posições de um lado e outro tem surtido os efeitos desejados, ou seja a instabilidade política, que proporciona as razões para a definitiva divisão.

29 dezembro 2008

Brian Jonestown Massacre


Com nome de culto que acabou em tragédia/guitarrista dos Rolling Stones que acabou morto na piscina, The Brian Jonestown Massacre é um projecto musical que começou no início dos anos 90, em San Francisco, Califórnia, pela mão de Anton Newcombe.

Ao longo dos anos, os BJM têm alterado muito o seu line-up, sendo Newcombe o único membro que se mantém. A música dos BJM é introspectiva, com pinceladas de shoegazing e algo psicadélica, com origens e influências na música que fazia naquela cidade na segunda metade da década de 60. Em alguns momentos as semelhanças com os Jefferson Airplane, ou os Byrds é demais evidente.

2008 foi ano de mais um disco para BJM, “My Bloody Underground”, editado pela A Records. Sem dúvida um dos melhores do ano.

Na Playlist.


PS: Depois de ouvir algumas vezes a Playlist, acrescenta-se o seguinte comentário aos BJM: f*ckin' great...

Acabou-se a amizade

"um precedente muito grave", "uma solução absurda", "o absurdo não se fica por aqui", a "nossa democracia sofreu um duro revés", "grave precedente criado", "interesses partidários de ocasião"

Palavras duras as que o Presidente da Republica escolheu para a declaração sobre a promulgação do Estatuto Pólítico-Administrativo dos Açores. Centralismos à parte, uma coisa é certa, a relação do Presidente Cavaco com o Partido Socialista que está no poder nunca mais será a mesma.

28 dezembro 2008

Desaparecimento de uma referência




E tanta discussão tivemos a propósito das suas obras...

Animais


Fim de ano significa programações especiais nos canais de tv. Entre espectáculos intragáveis de dança ou karaoke e filmes pouco mais que foleiros, há o indispensável circo. O canal dois, na linha de que tanto gostamos, apresentou o Cirque du Soleil que, segundo dizem os entendidos em matérias circenses, é do melhor que há. Talvez. Uma coisa é certa, o Cirque du Soleil não usa animais, ao contrário dos Chens ou Cardinalis que, ocasionalmente, nos visitam do rectângulo. É absolutamente desumano a utilização de animais para divertimento das pessoas. É que estamos a falar de animais que estão fora do seu ambiente natural, que vivem todas as suas vidas em jaulas, que saem apenas para serem chicoteados para fazerem malabarismos, contra a sua natureza. Além de tudo, certamente, que um ou outro leão mais atiradiço leva uma injecção de droga para ficar mais calmo e mais “maneável”.

Em Roma eram homens contra animais que servia de divertimento. Em Espanha (e na terra do Zé Maria) ainda se matam touros como espectáculo. No entanto, as mentalidades vão mudando e felizmente já surgem espectáculos como o Cirque du Soleil, sensíveis a esta matéria. Daqui a cem anos, olharão para trás e dirão que éramos uns selvagens no que toca ao respeito pelos direitos dos animais, tal e qual nós próprios condenamos as lutas entre homens e animais no tempo dos romanos. Assim será.

27 dezembro 2008

Electrelane, noch ein mal


Porque o Natal trouxe-me uns headphones xpto, regresso às raparigas de Brighton, UK. Com efeito, Electrelane é o projecto que mais me cativou musicalmente nos últimos anos, não porque são quatro miúdas que têm a mania que são muito feministas, que admiram a Simone de Beauvoir, ou porque acham que as mulheres deviam ter uma quota de representação na política. Aliás, até acho piada a isso, claro que sei que estão profundamente erradas, mas acho-lhes inconsequentemente engraçadas neste aspecto.

O que admiro neste quarteto é, antes de mais, o facto de gravarem ao vivo. Quer isto dizer que gravam em estúdio, mas não um instrumento de cada vez, mas sim aquilo que tocam. E isto confere-lhes um elemento de falibilidade, que torna o seu som cru e verdadeiro. Depois e talvez mais importante a energia melódica das suas músicas, com uma linha de baixo marcante e palpitante, o obrigatório farfisa e guitarradas estridentes que vão subindo de intensidade até atingirem o clímax (típico, se tivermos em conta o primeiro parágrafo) É evidente que têm influências, desde logo Sterolab, mas também dá para ouvir algum Sonic Youth e até Joy Division. Mas o resultado final é um som genuíno, com ganas, viciante, por vezes nebuloso, mas sempre poderoso.

26 dezembro 2008

Mais um caso Isolado



O uso excessivo de telemóveis por jovens estudantes acaba por ter efeitos positivos, pois permite tornar público casos de violência. O vídeo em apresentação mostra um grupo de alunos a ameaçar a professora, utilizando uma pistola (diz ser de plástico), para terem “positiva”.

Quando vamos finalmente encarar o problema da falta de autoridade dos professores?

24 dezembro 2008

Uma Prenda de Pacheco Pereira


Ler e ouvir o Pacheco Pereira gera dois tipos de reacções completamente diferentes. Por um lado é impossível ficar indiferente à forma pretensiosa como ele aborda as questões e as opiniões que não coincidem com a sua. Aliás JPP faz questão em deixar claro que se acha intelectualmente superior aos seus semelhantes, o que pode até ser verdade, mas não deixa de ser evitável (no mínimo). Por outro lado, de facto JPP demonstra ter conhecimentos profundos dos assuntos que aborda. E em estudos sobre Comunismo é uma das principais referências da nossa praça. Deste modo, é com agrado que leio textos como este, onde JPP, fazendo uso desse saber, desmonta os argumentos dos chamados intelectuais de esquerda. JPP tem uma enorme vantagem em relação a estes; é que (diz ele) não é de esquerda, mas conhece melhor que poucos as bases teóricas das ideologias socialista e comunista.

23 dezembro 2008

M de ...


Agradam-me covers, ou, em português, quando um artista decide reinventar e fazer a sua versão de um original de outro artista, como os Snow Patrol a tocar Beyoncé, ou a Tori Amos a tocar Nirvana, ou o Ben Kweller a tocar o Vanilla Ice, quem diria? A tocar, portanto, uma lista de covers.

18 dezembro 2008

Falta de influência - Falta de segurança

Num cantinho do Açoriano Oriental de hoje, sob o tema "breves", vem uma notícia deveras preocupante, assustadora e reveladora do sentimento de impunidade que se vai apoderando das crescentes hordas de criminosos que vão fazendo dos Açores, mais particularmente, de São Miguel o seu território: "Dois agentes da PSP agredidos no Nordeste". A estória em si não é relevante, o importante é que, por um lado, não se trata de um caso isolado e, por outro lado, coloca a nú o problema da escassez de meios com que as polícias em São Miguel têm que viver.

Tanto jeito daria ter influência real junto do partido que está no Governo nacional para tratar de assuntos que tocam verdadeiramente as vidas dos açorianos.

Marinho Pinto; Justiceiro ou Vilão?

António Marinho Pinto, (ainda) Bastonário da Ordem dos Advogados, defendeu por estes dias, num seminário em que participou, que os cidadãos que tenham de responder em tribunal, possam ter a liberdade de escolher o Juiz que vai os vai julgar. Para fazer uma analogia, aludiu à possibilidade que cada cidadão tem em “escolher o médico que quer.”

Quer-me parecer que o Senhor bastonário esqueceu-se, ou desconhece, como funciona o SNS - Serviço Nacional de Saúde. Se o visado soubesse que eu, há semelhança de milhares de portugueses, não consegue ter, sequer, um médico de familia - quanto mais poder escolher um -, talvez tivesse alterado a classe profissional alvo de comparação.
Se, por um lado, Marinho Pinto insurge-se (e bem) contra o facto da justiça portuguesa mandar para a cadeia os que roubam tostões, enquanto aqueles que roubam milhões ficam impunes, ou merecerem um tratamento benevolente. Por outro, parece não ter em conta o facto de serem exactamente os mais poderosos quem mais proveito poderá retirar desta proposta (de poder escolher o decisor do seu processo judicial).
Porquê? Bem, deixo ao imaginário de cada um….

Já na comparação que fez (relativa à escolha do médico), esqueceu-se do proletariado. Sim, porque só quem se pode dar ao luxo de escolher o seu médico assistente, são aqueles que podem pagar uma consulta no privado, ou recorrer a uma clínica, também ela privada. Os outros, limitam-se a ser atendidos pelo médico de família do Centro de Saúde da sua àrea de residência e, caso este veja necessidade, encaminha o paciente para uma consulta de uma qualquer especialidade clínica, no hospital mais próximo. Bem, para isso é preciso que tenha a sorte que eu, e milhares de portugueses, não têm, que é a de terem um médico de família, o tal do Centro de Saúde.
Outra questão a ter em conta, é a sobrelotação de uns em relação a outros. Por exemplo, não são raros os casos de médicos mais reputados terem as agendas dos seus consultórios preenchidas por dois meses, obrigando, quem tem mais pressa em conseguir uma consulta, a recorrer a um outro clínico. Mesmo quem paga consulta está sujeito a limitações ou impossibilidades de agenda. Estou seguro que, com os advogados mais requisitados ,se passará o mesmo. Por vezes, terão de recusar algum patrocínio por impossibilidade de agenda. Ou não?

E as agendas dos magistrados, como se resolverá essa questão?
Se com o número actual de juízes, não consegue a justiça ser mais célere, se for dada a liberdade ao arguido para escolher o seu sentenciador, corremos o risco de ter juízes com a secretária e a agenda vazias, enquanto que outros - os mais requisitados -, teriam uma sobrecarga de trabalho. Isto poderia conduzir, em última análise, a maiores delongas processuais.

O senhor Bastonário sabe seguramente que o cidadão que não tem rendimentos para pagar um advogado, recorre ao Apoio Judiciário (processo avaliado pela segurança Social). Se lhe for concedido este apoio Estatal (pagamento dos honorários do representante legal), o dito cidadão é encaminhado para a Ordem dos Advogados, que depois lhe atribui um advogado. Pois, mas os serviços da Ordem não concedem a liberdade a esse cidadão de escolher qual o seu representante legal, pois limitam-se a nomear um qualquer, sem atender à vontade desse mesmo cidadão. E se começasse por aqui, senhor Bastonário? Quais os constrangimentos?

Obviamente que esta minha (micro) análise é feita a cru, claramente sem a profundidade que merece o assunto. Mas foi assim, a cru, que Marinho Pinto apresentou esta proposta à opinião pública, pelo que eu, não sendo jurista nem dispondo de mais dados, acolho-a como qualquer cidadão nas mesmas condições. E, perante esta proposta, é esta a minha perplexidade.

São muitas as qualidades de Marinho Pinto, tais como o mérito de ser um defensor de causas justas, com elevado espírito cívico e humanista. Diz-se também "frontal" e sem "medo das “classes”.........será por isso que, mesmo dentro da Ordem que tutela, já foi alvo de processo disciplinar?... É certo que o homem abala consciências e mexe com interesses instalados. Mas também diz umas baboseiras, sendo por vezes despropositado, talvez por se deixar levar por uma impetuosidade exacerbada, que faz com que ultrapasse limites que não deviam ser beliscados, em especial desde que ocupa o cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados.
Em suma, e respondendo à pergunta que dá título a este post; talvez Marinho Pinto seja, ao mesmo tempo, o justiceiro de uns e o vilão de outros.

16 dezembro 2008

Portas do Mar. Que Turismo para os Açores?

Foto "roubada" ao Fiat Lux.

O prémio que a obra das Portas do Mar recebeu serve de motivo para fazer uma pequena reflexão sobre o estado do turismo em São Miguel e nos Açores.

Como já foi amplamente dito, as Portas do Mar foi uma obra avultada. Decidiu-se investir muitos milhões no turismo de cruzeiros, o que, à primeira vista, é uma boa opção, pois os Açores estão no meio do Atlântico e podem ser facilmente incluídos em várias linhas existentes.

Há alguns pontos porém que queria explorar. É sabido que os pacotes de cruzeiros trazem tudo incluído, sendo por isso compreensível que os turistas de cruzeiros prefiram comer a bordo, saindo apenas para comprar alguma lembrança ou alguma compra de supermercado. Por outro lado, regra geral, o turista de cruzeiro é abastado, sendo também expectável que gaste algum dinheiro quando visita Ponta Delgada. Com isto quero dizer que a aposta no turismo de cruzeiro acarreta algum risco, mas tem condições para gerar alguma riqueza.

Parece-me, no entanto, que não se está a aproveitar os nossos recursos. A pergunta que deve ser colocada é: que temos nós que nos difere dos outros destinos turísticos? Quais são as nossas principais atracções turísticas? A resposta é evidente: a Natureza. Cada uma das nossas ilhas é diferente, cada uma tem pontos de beleza natural únicos no mundo e portanto é aí que se deve investir. Ora, um turista de cruzeiros não tem, de forma alguma, tempo para visitar e apreciar essa beleza natural. Pela simples razão que um cruzeiro fica apenas umas horas em cada destino. E a verdade é que a nossa beleza natural exige tempo, exige calma, exige paz de espírito. E por esse mundo fora são locais como estes que são cada vez mais procurados, por serem cada vez menos, porque se distinguem dos outros, porque são locais onde se pode verdadeiramente retemperar forças.

Desta forma e ressalvando que esta é apenas a opinião de um observador, que não tem qualquer formação na área de turismo, parece-me que o investimento deve ser feito principalmente em três vertentes. Desde logo, preços de passagens aéreas competitivos, que permitam aos Açores colocarem-se definitivamente como uma opção para muitos e preços de passagens inter-ilhas, seja de barco, seja de avião. Muitas vezes ouvi europeus de diversas origens dizerem que sim, que os Açores parecem ser fantásticos, mas por aquele preço visitam três ou quatro países. Neste ponto, que acaba por tocar também directamente aos açorianos, torna-se necessário investir na tal relação com a EU, mas isso é outra conversa. Depois, promoção como sendo esse destino de local de paz, onde há tempo, onde se pode até meditar, fazer passar essa mensagem de forma convidativa é essencial. E finalmente as condições, onde os grandes hotéis não parecem ser a melhor opção, mas sim com locais característicos com contacto humano, conjugado com serviço de excelência e apoiado por várias opções de actividades (trilhos, passeios de barco, etc.)

Dito isto, convém esclarecer que me parece que as Portas do Mar são uma obra bonita que embelezou Ponta Delgada e que o investimento estando feito é essencial agora rentabiliza-lo.

14 dezembro 2008

Bush esquiva-se de boa...

Emmanuel Todd. Mais um anti-americano ou não?


Lendo o artigo de Manuel Maria Carrilho, 'Questionando dogmas', no Açoriano Oriental, recordei a obra do sociólogo/demógrafo Emmanuel Todd. Tal como o filosofo português refere, Todd previu com alguma exactidão, nos anos 70, a decomposição da URSS, tendo por base o declínio da taxa de natalidade. Mais recentemente, em 2004, previu a actual crise financeira. Segundo Carrilho, no seu mais recente ensaio Todd defende “que hoje é o dispositivo do livre-câmbio que está à beira de estoirar, porque a livre circulação de bens reconduziu gradualmente o capitalismo à sua velha contradição entre a diminuição de salários e o aumento da produção”. A ter em conta e a ler…quando houver tradução para português, ou, pelo menos, inglês.

No entanto, quero abordar um outro ensaio de Todd que data de 2001, este sim traduzido para inglês com o título After the Empire, onde Todd prevê o colapso do Império norte-americano. Antes de mais, Todd indica que os EUA chegaram ao ponto de hyperpuissance por acidente e não resultado de qualquer estratégia. É, desde logo, uma afirmação audaz, que parece, porém, algo exagerada, porque se é verdade que a própria URSS poderá ser responsável por muitos do seu colapsos, com alguns erros, o certo é que os EUA, pelo menos, não caíram nalguns desses mesmos erros.

Todd defende que os verdadeiros EUA são demasiadamente fracos para enfrentar outros países que não “anões militares”, como Cuba, Coreia do Norte ou Iraque, sendo que as guerras que os EUA travam, não trazem riscos quase nenhuns, mas permitem que estejam presentes pelo mundo fora. Todd adianta também que o resto do mundo está a produzir para a América consumir e que a qualquer momento poderemos chegar à saturação onde a Europa, a Rússia, o Japão e partes do mundo islâmico decidirão unir esforços para acabar com esta situação. Nessa altura, segundo Todd, os EUA serão vítima dos seus próprios erros. Todd tenta cimentar ainda a sua tese fazendo uso da tendência para o abrandamento na natalidade e aumento da iliteracia nos EUA.

No fundo, Todd recorre a uma tese com mais de cem anos e que terá origem no geógrafo inglês Mackinder, tendo sido depois adoptada por Hausoffer e os Nazis. Esta tese tem por base o poder que uma Eurásia unida poderá deter no mundo. Uma tese geopolítica antiga, mas que terá ainda algum fundamento, apesar dos avanços tecnológicos. Por outro lado, Todd entra na velha questão das relações transatlânticas, uma vez que, mesmo perante os comportamentos unilaterais da administração Bush, a Europa nunca colocou em opção uma aliança com a Rússia, muito menos com países islâmicos.

As opiniões de Emmanuel Todd terão de ser sempre tidas em conta muito seriamente. Mesmo este ensaio poderá ainda vir a ser realidade, apesar de não parecer muito viável, ainda mais porque a eleição de Obama quererá dizer, ao que tudo indica, uma viragem na política externa norte-americana, mais baseada no poder do soft-power, em vez do militarismo exacerbado de Bush. No fundo, se não conhecêssemos a obra de Todd diríamos que é apenas mais um francês anti-americano, ainda mais enraivecido com a política Bush.

13 dezembro 2008

Música do Ano


Dezembro, mês de aprovações, faltas injustificada e, enfim, balanços. Neste sentido, gostaria de partilhar algumas das músicas que mais me acompanharam ao longo deste colorido, enriquecedor, mas também frustrante, ano.

Como eu não sou nada daquelas pessoas que diz que ouve de tudo um pouco, vou já avisando que este conjunto de músicas é todo dentro do mesmo género, acho. Diz que é música alternativa ou independente. Eu digo que é música que gosto.

Não esperem, porém, o obrigatório best of do ano. Não. Eu não trabalho em nenhuma revista de música, por isso não tenho nenhuma obrigação de fazer esse tipo de listas (que enervam-me um bocado, aliás). Músicas de várias décadas, mas intemporais.

Wolfgang Press – Raintime (1988)
Adorable – Homeboy (1994)
Blonde Redhead – Falling Man (2004)
Breeders – Saints (1993)
Cranes – Jewel (1993)
Electrelane – Love Builds Up (2004)
Gui Boratto – Beautiful Life (2007)
Fugiya & Miyagi – Ankle Injuries (2006)
Modern English – Gathering Dust (1980)
Pavement – Rattled by the Rush (1995)
Bon Iver – For Emma (2008)
Yo La Tengo – Today is the Day (2003)
The Cure – Piggy in the Mirror (1984)
Joy Division – Decades (1980)
Cat Power – Cross Bones Style (1998)

11 dezembro 2008

Frases Dignas de Registo

José Adelino Maltez n'O Diabo: "O 'Socratismo' é a demonstração da política de imagem, sondagem e sacagem."


Medina Carreira em entrevista à SIC-Notícias: "Somos um país de papagaios".

09 dezembro 2008

A Poluição dos Sacos de Plástico


A propósito deste excelente relato, recordo o tema do uso abusivo de sacos de plástico nas grandes superfícies comercias nos Açores.

Com efeito, parece que os caixas dos hiper são incentivados a não olhar a gastos no que se refere ao uso de sacos de plástico. Parece evidente que os funcionários recebem algum tipo de formação que os leva a dividir os produtos pelos sacos, consoante a sua natureza: congelados, frutas, produtos de higiene, carnes, peixes, etc. À primeira vista faz todo o sentido que se faça tal divisão, ninguém quer chegar a casa e notar que as maçãs têm um estranho odor a peixe.

No entanto, é necessário realçar o efeito que os sacos de plástico têm no Ambiente. Segundo parece, são produzidos cerca de 150 sacos de plástico por pessoa por ano (o número por si só tem muitos zeros). É evidente que desses, apenas uma minoria chega à reciclagem, a maioria acaba em lixeiras e dada a natureza do saco de plástico, muitos acabam por voar para os rios e mares. Como em quase tudo relacionado com Ambiente, este problema é deveras mais preocupante na China, onde até surgiu um nome para a poluição dos sacos de plástico: a poluição branca. Depois, temos que ter em conta a poluição que a produção dos sacos de plástico acarreta, pois utilizam combustíveis fósseis. Além de tudo isto há que registar que em média cada saco de plástico é utilizado durante cerca de 12 minutos, mas precisa de 300 anos para se decompor. Assustador.

O ideal seria não utilizar sacos de plástico quando vamos às compras. No entanto, uma solução intermédia é a reutilização. Para isso, existem sacos mais fortes capazes de aguentar várias idas às compras. E como em quase tudo, este tipo de mensagem só passa quando toca na algibeira, por isso é que o uso de sacos de plástico nas superfícies comerciais deveria ser pago.

07 dezembro 2008

Geração "Morangos com Açúcar"?

Fiquei atónito com uma noticia que li no DN deste Sábado. Dizia a noticia que duas adolescentes, de 13 e 14 anos, simularam, com a ajuda de amigos, o seu próprio rapto.

Depois, enviaram uma mensagem de telemóvel para uma prima de uma delas da mesma idade, dizendo que tinham sido sequestradas por dois homens e uma mulher, que se faziam transportar numa carrinha preta e que se encontravam presas num barracão devoluto com mais 6 meninas, sensivelmente da mesma idade.

Quem não papou esta estória foi a PJ, que estranhou o facto das sms serem enviadas para terceiros e não para os pais das mesmas. Logo tratou de pressionar os amiguinhos das meninas, tendo estes últimos acabado por confessar que se tratava de uma brincadeira baseada na série juvenil “Morangos com Açúcar”. Ainda assim, muitos meios foram mobilizados e muita gente se apoquentou enquanto durou a aventura das meninas. Faço ideia os amargos de boca que causaram aos pais…..
As ditas meninas foram localizadas 24 horas depois num prédio em obras, não muito longe das respectivas casas.

Há 10 ou 12 anos, falava-se da geração rasca, pela ausência de valores, ideologias e causas que - diziam alguns -, reinava entre os jovens de então. Estes defendiam-se, afirmando que eram uma geração à rasca, e não rasca.

Não quero cometer a injustiça de tomar o todo, pela parte. Mas não consigo deixar de ficar algo perturbado com o que estas cabecinhas pensadoras decidiram tramar, para conseguir……..sabe-se lá o quê!?!?

* Será que foi uma “chamada de atenção” perante pais ausentes??
* Ou são os valores e as ideologias que começam, agora sim, a faltar?? Ou será que estes estão, antes, a ser substituídos por outros? Haverá justificação plausível?

A Liberdade parece ser encarada , por alguns, como Libertinagem…

boom boom chi boom boom


A tocar, Tom Tom Club - Suboceana

06 dezembro 2008

Peru de Natal


Há um ditado que diz: cada peru tem o seu Natal.

Pois é, parece que o Natal deste peru será, finalmente, este ano.

Claro que esta sentença me fez recordar outro ditado que afirma: a Justiça tarda mas não falha.

Será que do processo “Casa Pia” sairão alguns capões ainda a tempo desta Seia de Natal?

Fica a esperança.............e a receita.
N.B. - Receita Peru de Natal (tb pode ser aplicada ao capão)

05 dezembro 2008

Gazeta no Parlamento

É certo e sabido que o PSD nacional tem tido uma imprensa difícil nos últimos tempos. Mas também é verdade que o próprio PSD tem dado alguns tiros nos pés, que são obviamente aproveitados pelo PS e pelos órgãos de comunicação social que lhe são favoráveis.

Ora, esta situação com os professores era uma excelente oportunidade para o PSD captar muito eleitorado. Mas não, 30 deputados do PSD ao Parlamento decidiram fazer gazeta hoje, acabando por ser directamente responsáveis pela não aprovação da suspenção da avaliação. Aqui não se discute o método da avaliação, o que se trata aqui é a total incapacidade do PSD nacional para aproveitar oportunidades que lhe são postas nas mãos. Haverá deputados, entre esses 30, que certamente tiveram uma justificação aceitável para faltarem, mas concerteza que a larga maioria deles simplesmente fez aquilo que costuma fazer. São então oportunidades perdidas porque esses deputados não têm qualquer sentido de dever público, não têm capacidade para estarem ao serviço do país, não podem, enfim, representar ninguém nessa instituição que se quer ilustre e distinta que é o Parlamento.

Ao menos que sirva de exemplo!

04 dezembro 2008

Autoritarismo vs Direito à Greve

Será que isto, é consequência disto?

E esta posição, será que foi provocada por esta causa?

02 dezembro 2008

Amor Moderno


Na playlist quatro versões do intemporal Modern Love de Bowie.

- Syme
- David Bowie
- The Last Town Chorus
- John Frusciante

Outras há...

01 dezembro 2008

A Influência da Geopolítica na 'Operação Barbarossa'

Algo que ainda hoje leva a diferentes interpretações é a razão que levou Hitler a invadir a União Soviética.

Com efeito, podemos questionar a opção de Hitler em abrir uma frente a Leste, que seria necessariamente difícil - como a História aliás o demonstrara. Duas opções colocavam-se aos alemães: por um lado a URSS, de onde, em principio, não viriam grandes ameaças, uma vez que estava em vigor o pacto Molotov-Ribbentropp; por outro lado fechar o Mediterrâneo. E é relativamente fácil concluirmos que Hitler cometeu um erro, seja estratégico, seja de percepção, mas cometeu um erro ao optar pela URSS.

Numa fase da guerra em que os Aliados ainda estavam enfraquecidos e em que os alemães se encontravam nos Pirinéus, seria de esperar que Hitler optasse por realizar uma caminhada – que seria muito facilitada – pela Espanha fora até atingir o norte de África, fechando o Mediterrâneo. Esta opção teria tido um efeito devastador nas aspirações dos Aliados, que sendo potências marítimas, ver-se-iam impedidos utilizar aquele importante Mar, como aconteceu por exemplo para entrar na Itália pelo sul. Convém acrescentar que se tal tivesse acontecido, Portugal seria arrastado para a guerra.

No entanto, Hitler optou por tentar invadir a URSS. De facto, à partida parece ser incompreensível. Mas se tivermos em atenção alguns pormenores podemos, pelo menos, tentar explicar essa opção. Em primeiro lugar havia o elemento psicológico de conseguir fazer algo que nem Napoleão tinha conseguido; este factor é tanto mais relevante se levarmos em linha de conta a facilidade com que os alemães tinham levado a cabo as suas invasões até esse momento. O ego militar de Hitler estaria certamente muito elevado e isso terá influenciado a sua decisão. Mas há outro factor que deve ser aqui mencionado: toda a estratégia de Hitler tinha-se baseado no pensamento dos geoestrategas da escola de Munique, particularmente Karl Hausoffer, que por sua vez tinha grande admiração pela obra do inglês Halford Mackinder e a sua tese do Heartland sintetizada na célebre premissa: “quem controla a Europa controla o Heartland, quem controla o Heartland controla a ilha-mundo, quem controla a ilha-mundo domina o Mundo”. Para Mackinder uma aliança entre Alemanha e Rússia seria devastadora para a sua Inglaterra.

Hitler terá pensado que facilmente tomaria Moscovo e controlaria o Heartland, dominado o Mundo. Errou certamente, mas o seu erro foi de percepção, pois não anteviu que não seria tão fácil invadir a Rússia. Porque em termos geoestratégicos a sua opção é totalmente compreensível.

30 novembro 2008

Para (quem quiser) Reflectir......ou Meditar

Na sequência da publicação aqui neste blog, do texto atribuído a Mário Crespo, foi-nos enviado um outro texto, publicado no jornal Público, e da autoria do já falecido (em Agosto de 2007) Eduardo Prado Coelho, verdadeiro vulto da nossa cultura.
O texto intitula-se “Precisa-se de matéria prima para construir um país”, e convida a uma reflexão individual. Desmascara o cidadão português que fala mal de tudo e de todos, que valoriza o seu desenrascando quotidiano, criticando, no entanto, o burlão ou o corrupto do politico. Recusa-se a votar, e até se gaba de “não ter ajudado a pôr lá essa gente”, lavando as mãos pelos disparates “dos outros“, mas lambuzando-se com os proventos dos seus biscates e trafulhices. Qual a sua moral? Qual o seu contributo?

Transcrevo abaixo o referido texto, e presto a minha humilde homenagem a este brilhante intelectual português.

Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo PradoCoelho - in Público
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem comoCavaco, Durão e Guterres.Agora dizemos que Sócrates não serve.E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão quefoi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.O problema está em nós. Nós como povo.Nós como matéria prima de um país.Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda semprevalorizada, tanto ou mais do que o euro.Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude maisapreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderãoser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nospasseios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL,DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedorasparticulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudoo que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e paraeles mesmos.Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porqueconseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se fraudaa declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.Pertenço a um país:- Onde a falta de pontualidade é um hábito;- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixonas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizemque é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memóriapolítica, histórica nem económica.- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovarprojectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classemédia e beneficiar alguns.Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicaspodem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com umacriança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquantoa pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre acriticar os nossos governantes.Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhorme sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda detrânsito para não ser multado.Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu comoportuguês, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente queconfiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.Não. Não. Não. Já basta.Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas faltamuito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essadesonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até seconverter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidadehumana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que éreal e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...Fico triste.Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que osuceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria primadefeituosa que, como povo, somos nós mesmos.E não poderá fazer nada...Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, masenquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicarprimeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serveSócrates e nem servirá o que vier.Qual é a alternativa?Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com aforça e por meio do terror?Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece asurgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para oslados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmenteestancados....igualmente abusados!É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctonecomeça a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimentocomo Nação, então tudo muda...Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandamum messias.Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nadapoderá fazer.Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,francamente, somos tolerantes com o fracasso.É a indústria da desculpa e da estupidez.Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar oresponsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, dedesentendido.Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO. E você, o que pensa?.... MEDITE!
EDUARDO PRADO COELHO

28 novembro 2008

Autorádio


- The Raveonettes, Dead Sound
- Yo La Tengo, Today is the Day
- Bon Iver, Flume (Live)
- Prolapse, Fob.com
- Cat Power, Remember Me
- Sonic Youth, Incinerate

Bom Fim de Semana

Sinaga, um problema com solução

O problema que se coloca com a Sinaga junto da Comissão Europeia é algo que, pelo que nos é dado a perceber pelas notícias, poderá ter uma solução.

O eurodeputado Paulo Casaca disse que o Ministro da Agricultura defendeu muito bem a questão na reunião do Conselho, como se poderá comprovar na acta da reunião, mas que esbarrou na teimosia da Comissária. No entanto, a experiência diz-me que as reuniões do Conselho, em muitas situações, acabam por ser apenas o culminar de todo um processo que é feito nos bastidores e corredores da Rue de la Loi. Os Açores, não sendo uma região com grande influência ou poder junto da EU, devem maximizar todos os meios à sua disposição através duma abordagem concertada.

Para o Povo Açoriano

Emanuel Carreiro foi o responsável por um programa que irá para o ar na RTP-A brevemente. Nas suas palavras, trata-se de uma trilogia sobre o descobrimento, povoamento e actividade económica dos primórdios dos Açores. Adiantou também que é uma forma pedagógica de fazer passar a História dos Açores.

Tive a sorte de conhecer o Emanuel Carreiro há bem pouco tempo e fiquei desde logo com a impressão que se trata de uma pessoa de grande sentido cultural, com uma bagagem intelectual impressionante e com um trato que (infelizmente) vai rareando.

Daqui parte então uma humilde homenagem de reconhecimento a Emanuel Carreiro. O programa que agora nos oferece será mais um contributo para a tão desejada afirmação do povo açoriano, que só se conquista quando esse mesmo povo conhecer e se revir na sua própria História, na sua própria origem. Bem haja!

26 novembro 2008

...a caminho da Decepção...

Domingos Rebelo
Please press play & listen to:
- PJ Harvey - Mansize
- The Arcade Fire - Keep the car running
- The B-52's - Rock Lobster
- Yeah, Yeah, Yeahs - Y Control
- Prolapse - Serpico

24 novembro 2008

Já tenho saudades de Bush

Grandes momentos e grandes frases de George W. Bush.

“A grande maioria de nossas importações vêm de fora do país.”

“Marte está essencialmente na mesma órbita… Marte está mais ou menos à mesma distância do Sol, o que é muito importante. Nós temos fotos onde há canais, acreditamos que existe água. Se há água, significa que há oxigênio. Se há oxigênio, significa que podemos respirar.” (11/08/1994)

"Eu creio que temos uma tendência irreversível para mais liberdade e democracia mas isso pode mudar.” (22/05/1998)

"Nós teremos o povo americano mais culto do mundo.” (21/09/1997)

“Mantenho todas as declarações equivocadas que fiz.” (17/08/1993)

“Um número baixo de votantes é sinal de que menos pessoas estão indo votar.”

“Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.” (22/09/1997)

“Francamente, os professores são os únicos profissionais que ensinam as nossas crianças.” (18/09/1995)

“Não é a poluição que está prejudicando o meio ambiente. São as impurezas no nosso ar e na água que fazem isso.”

“É hora da raça humana entrar no sistema solar.”

Agora, vamos ver se Obama consegue superar isso.

22 novembro 2008

21 novembro 2008

Seis Meses sem Democracia ou a Realidade

Os membros eleitos do conselho de redacção (CR) da Lusa, órgão que tem por objectivo supervisionar o cumprimento das regras editoriais e deontológicas dentro da própria agência, estranham que os redactores de economia "tenham sido proibidos de utilizar a palavra estagnação para qualificar a evolução de 0,1 por cento prevista para o PIB português em 2009".

in Público (sem ligação) e no Correio da Manhã
via blogue Atlântico

Uma invasão virtual dos Açores

Não resisto em deixar mais uma passagem do livro de memórias de George Kennan. Kennan, nascido em 1904, era nesta altura um jovem diplomata sem qualquer influência na desorganizada política externa norte-americana de 1943. Mais tarde, porém, Kennan veio a revelar-se um dos principais ideólogos durante a Guerra Fria, com o célebre artigo assinado na Foreign Affairs, sob o pseudónimo "X" e com a teoria do containment.

O relato que Kennan faz a seguir é de meados de Outubro de 1943, alguns dias antes da entrada oficial dos ingleses na Terceira. Algumas facções norte-americanas defendiam que Kennan (que era o chargé d'affaires em Lisboa desde a morte do Embaixador) deveria solicitar a Portugal uma série de facilidades nos Açores.

"A list of facilities several times more pretencious than all that the British, even invoking their ancient alliance, had ever dreamed of requesting: a naval base, a seaplane base, bases for landbased aircraft on three different islands, cable and communications systems, observation posts, radar, facilities for accommodation of American naval vessels in each of the Azores ports, etc. It was clear that facilities of these dimensions would simply sink the economy and administration of the islands under their own weight. (...) The primary economy of the islands would be debauched by the amount of outside money brought in and expended. The islanders themselves, heretofore self-respecting people, would inevitably be moved to abandon their humble farms and other pursuits and to embrace, for the superior remuneration involved, the status of servicing personnel for the bases. It was idle to pretend that this represented anything other than a virtual takeover of the islands by our armed forces for the duration of the war and he ruination of the culture and traditional mode of life of the inhabitants."

19 novembro 2008

De Ditaduras


Aparentemente, um funcionário da EPUL reenviou a alguns dos seus colegas, por correio electrónico, uma imagem de Obama com a frase "Não vote em branco". Segundo notícias, a EPUL vai instaurar a esse funcionário um processo disciplinar com intenção de despedimento.

É uma situação tão disparatada que chega a roçar o ridículo. Estamos a falar de um email que não tem qualquer intenção racista, é apenas uma piada. Pode-se achar que é uma piada de mau gosto, mas não deixa de ser uma piada. Alguém dizia-me há dias que estamos entrando numa ditadura, na ditadura do politicamente correcto. E cada vez mais acho que ele tem razão.

Açores nas Memórias de George Kennan

"Earlier in the war (IIWW) we in the legation had been obliged to intervene vigorously in Washington to prevent various eager beavers in General Donovan's OSS (predecessor da CIA) from developing plans for a revolt against Portuguese authority on the part of the inhabitants of the Azores, plans based - apparently - on the theory that Salazar was a dangerous Fascist and in the league with the enemy."

George Kennan, Memoirs: 1925-1950

18 novembro 2008

A Super Igreja do Lajedo

Maria Cabral escreve um artigo de opinião no Açoriano Oriental sobre um assunto que há algum tempo também a mim faz alguma impressão: a enorme igreja que está a ser construída no Lajedo. A autora parece estar claramente à vontade sobre este assunto, pois sabe que o terreno onde está a sendo feita a igreja fazia parte de uma expropriação que o Governo regional fez para construção de um bairro social. Cresceu uma parcela que em vez de ter sido restituída aos antigos donos, foi doada à igreja.

Até não haveria motivo para grande alarido se a igreja a ser construída tivesse dimensões à medida das necessidades daquela paróquia. Segundo M. Cabral, normalmente assistem às missas no Lajedo, na actual capela, 50 a 60 pessoas, a nova igreja terá a capacidade de receber 400.

Num terreno daquelas dimensões, naquela zona da cidade de Ponta Delgada e com o investimento que está a ser ali realizado com a igreja, facilmente se conseguiria construir outra infra-estrutura como uma creche, um centro de actividades, um lar de idosos, etc. a par de uma igreja de dimensões normais.

15 novembro 2008

Momentos da História da Aviação nos Açores

Duas digitalizações do interessante livro Apontamentos para a História da Aviação nos Açores, de C. R. Silveira e F. Faria, de 1986.
- Passagem do Graf Zeppelin sobre a Horta (1930)
- Recepção a Charles Lindbergh (1933)



clicar nas imagens para ver melhor