30 abril 2009

Beleza Política

Dois assuntos que me dizem muito, mas que raramente estão juntos: política e a beleza feminina. Pois, parece que o jornal espanhol "20 Minutos" lançou um inquérito online para encontrar a mais bela mulher no serviço público.

Como a lista final tem 65 senhoras, entre elas Hillary Clinton (48º lugar), Ségolene Royal (56º) e Sarah Palin (33º), fica aqui registado apenas o top5.


5º lugar: Alina Kabaeva, 25 anos, Rússia


4º lugar: Toireasa Ferris, 29 anos, Irlanda


3º lugar: a nossa conhecida Mara Carfagna, 33 anos, Itália


2º lugar:Luciana Léon, 30 anos, Perú


1º lugar: Yuri Fujikawa, 28 anos, Japão

29 abril 2009

WikiErro

Há uns tempos li um artigo deveras enigmático [aqui no blogue do Papio] no Açoriano Oriental, assinado por Nuno Tomé, sobre laboratórios e Sociologia.

Aquilo que me interessa aqui focar não é o conteúdo do texto, mas sim o gravíssimo erro que é citar a Wikipédia.

Recentemente, debati neste blogue o assunto com o Tibério Dinis, que não se conformava com o facto de os estudantes universitários citarem a enciclopédia de todos nós (que expressão tão abrilesca) em trabalhos. Ora, aqui fica, caro Tibério, um exemplo talvez mais grave, dado impacto que têm artigos desta natureza na população e dada a experiência que o autor certamente terá.

É preciso insistir neste assunto: a Wikipédia não pode ser levada em conta cientificamente.

28 abril 2009

Donos de Abril

Algo frustrado por não ter conseguido adquirir um bilhete para assistir às Variações Goldeberg, no CCB, decidi deambular, ao acaso da saudade, pela cidade, acabando, especado e horrorizado, no meio da Avenida da Liberdade, perante o meu esquecimento e o que ali decorre anualmente no dia 25 de Abril.
Com efeito, lá estava a Avenida, urrando de dor por lhe estragarem o descanso semanal, tomada de assalto por uma turba que, aliada a mais uns quantos (desta vez ausentes), costuma intitular-se como sendo a legítima “defensora do espírito de Abril”.
Não querendo ser confundido, fui-me afastando tranquilamente em direcção ao Rossio, com o fim último de visitar as livrarias do Chiado, quando alguém me interpela e me fuzila com um olhar siberiano porque recusei, educadamente, um cravo do apartheid. Sorri para mim, perante a ironia de naquele dia e numa avenida com aquele nome, os lídimos saudosistas de ideologias e práticas totalitárias se apropriarem e manifestarem em nome da Liberdade e bramarem impropérios (certamente, em nome das liberdades) contra aqueles que não comungam das suas efabulações mitológicas.
Alexandre O´Neill disse, num desses dias do admirado PREC, que “ a revolução libertou-nos de uma mediocridade, o que não quer dizer que não estejamos a cair noutra ”, de certeza referindo-se àqueles que hoje julgam ser os donos de Abril e à sua tentativa de nos impor os amanhãs que cantam.
Esta gente nunca compreendeu, nem há-de compreender, que são a causa da indiferença a que actualmente a “ maioria silenciosa “ vota o 25 de Abril.
Esta gente ainda acalenta a esperança de um dia nos reduzir à Quinta da Igualdade.
Esta gente jamais aceitará que o 25 de Abril apenas se cumpriu em 25 de Novembro de 1975.
Certamente, para eles, eu deveria ser metido e fuzilado no Campo Pequeno, pelo crime de delito de opinião.
Obrigado, general Jaime Neves, por ter contribuído para que eu possa escrever este artigo.

O Real Valor

Em relação à questão dos nomes apontados pelas estruturas regionais do PSD e PS para as respectivas listas às Europeias '09, as únicas comparações passíveis de serem feitas serão entre o PSD Madeira e o PS Açores e, por outro lado, entre o PSD Açores e o PS Madeira. A razão é simples, o partido que está no poder na sua região autónoma detém um potencial negocial definitivamente mais importante do que aquele que está na oposição. Neste sentido, será importante notar que, enquanto o PSD Açores garantiu uma posição elegível, o tão falado 6º lugar de Maria do Céu Patrão Neves, o PS Madeira conseguiu apenas um 11º lugar.

Por muito que se diga e escreva, o importante mesmo nesta questão é estar representado no Parlamento Europeu e os Açores seguirão tendo dois eurodeputados. Já a Madeira sofre um duro golpe, pois mesmo com as fintas à Lei, dificilmente o candidato do PS local será eleito.

27 abril 2009

Inside Atlântida


Vídeo feito certamente por alguém ligado aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, mostra o interior do navio "Atlântida".
Já muito se disse e muito se escreveu sobre o "Atlântida", no entanto a verdade ainda não veio à tona de água. Uma coisa é certa, o "Atlântida" tem bom aspecto, bom demais, até.

26 abril 2009

Para o Ano Fará 36 Anos


E agora que acabaram as celebrações do 35º aniversário do 25 de Abril, comecemos seriamente a pensar nas celebrações do 36º aniversário.

24 abril 2009

Prazer Amplificado pelo Tempo


Quem já me conhece e quem frequenta este blogue sabe que tenho uma paixão eterna por Kim Deal.

Conheci-a, como a maioria dos restantes 3% da população mundial que a conhece, por ser a baixista/vocalista dos Pixies. Perdidos, como estávamos, naquele final da década de 80, começo de 90, nestes Açores, pouco sabíamos daquilo que se passava dentro das bandas de que gostávamos. Recebíamos, com meses [por vezes anos] de atraso os discos e consumíamo-los como se fossem os últimos, literalmente. Era mau, mas era bom.

Pois, mais tarde, fiquei a saber que a Kim Deal e o líder dos Pixies tinham problemas de relacionamento, de modo que ela, juntou-se com a irmão gémea, Kelly, e com a Tanya Donnely das Throwing Muses e criaram as Breeders, que tiveram algum sucesso durante a década de 90 e que são, ainda hoje, uma das minhas bandas preferidas, lançando discos esporadicamente [quando ambas as gémeas estão sãs].

Serve isto para justificar que até há bem pouco tempo não conhecia um grupo chamado The Amps, que lançou um disco apenas [Pacer], no longínquo ano da graça de 1996. Os The Amps foram, afinal, outro projecto paralelo da Kim.

Ouvir Pacer é o mesmo que ouvir um dos discos das Breeders dos anos 90. Aquela melodia potente de guitarras graves e palpitantes, aquele baixo marcante, a bateria forte e a voz angelical e viciante da Kim Deal. No fundo, o som cru e verdadeiro de uma jovem que desbravou novos terrenos do rock dito alternativo. Soa exactamente ao mesmo. E por isso mesmo, soa-me bem, soa-me muito bem. Ainda bem que não conheci esse disco na altura devida, porque tenho o prazer de o descobrir agora.

PS: em discos destes, acho uma injustiça realçar um tema, mas se o tivesse de fazer neste caso, diria Bragging Party. (na playlist ao lado, basta clicar play)

Leituras em Dia

Sugiro leituras para quem vai ter fim-de-semana:

- Cartas da Terra, Mark Twain, Bertrand

- Último Acto em Lisboa, Robert Wilson, Dom Quixote

- De Cada Amor tu Herdarás Só o Cinismo, Arthur Dapieve, Quetzal (muito bom este)

- As Vinhas da Ilusão, Benedeta Cibraria, Porto Editora

Da Favela para a Orquestra

Para lá das nossas reservas para com o regime de Hugo Chavez, a Venezuela foi capaz de produzir um maestro genial que vive com o mundo a seus pés: jovem, talentoso, trabalhador, exigente.

Mais do que um herói social, é uma representação que perturba a ordem intelectual estabelecida e standardizada.
Gosto em especial desta foto.

Descubra as Diferenças

O Açoriano Oriental, jornal mais antigo de Portugal, apresenta hoje uma notícia sobre desemprego, com números interessantes.

Ora, informa-nos o AO que o deputado António Marinho revelou um estudo do Instituto de Emprego e Formação Profissional que diz que aumentou em 24,4% o número de inscritos nos centros de desemprego da Região, relativamente ao mesmo mês do ano passado. Apesar disso, a notícia diz-nos que "em termos regionais os Açores ainda detinham em Março a percentagem mais baixa do país de desemprego registado [1.1%] (...)"

Uma pesquisa rápida no INE diz-nos que o desemprego ronda os 5.7%, no último trimestre de 2008, nos Açores. Mas como o melhor mesmo nestas questões de Números e Números, é ver o blogue do jornalista Rafael Cota, aqui fica o seu mais recente quadro sobre desemprego nos Açores.


23 abril 2009

De Luto


Hoje devemos sentir vergonha se sermos portugueses. Otelo Saraiva de Carvalho, provado em tribunal como líder da organização terrorista FP-25, que assassinou 17 pessoas, vai ser promovido a Coronel das forças armadas, com todas as regalias que isso acarreta.

É triste.

É já no Próximo Ano Lectivo

Se a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, levar por diante aquilo que afirmou a 12 de Setembro de 2007 - e que mereceu, na altura, este meu post -, é já no próximo ano lectivo (2009/2010), que entra em vigor o alargamento da Escolaridade Mínima Obrigatória, dos actuais 9, para os 12 anos (sem contar com a, também, obrigatoriedade do ensino pré-escolar).

Se dúvidas houvesse, José Sócrates já veio dissipá-las, assegurando que esta será mesmo uma realidade, originando que um aluno só poderá abandonar as salas de aula ao completar o 12º ano, ou quando perfizer 18 anos. Conferir aqui, no Jornal Público on-line.

Vivemos num país de sonhos e idealismos despropositados. Não é (somente) com Leis que se mudam mentalidades e se elevam as exigências e anseios individuais.

Há quem defenda que são as estatísticas que norteiam as actuais medidas legislativas. Mas a avaliar por esta notícia do Açoriano Oriental de 14 de Abril, fico com sérias dúvidas…

Prevejo duas hipóteses; ou este objectivo não vai dar em nada - por ser inviável e descabido da nossa realidade social e escolar, o que remete para o post que escrevi a 12 de Setembro de 2007; ou o facilitismo e o laxismo serão alargado, agora, também ao Ensino Secundário….perdão, aos três últimos anos do futuro Ensino Obrigatório.

E há outra questão, de somais importância; os jovens com mais de 16 anos que vão, contrariados, ter de continuar nas escolas, poderão torná-las em locais de maior violência, indisciplina e centros de bullying.

Dúvida parental: Porque insistem as escolas em realizar pausas, durante os períodos lectivos, para formação dos professores?
Não poderiam/deveriam aproveitar as férias lectivas para realizar semelhantes formações e outros expedientes?
É que os pais e encarregados de educação agradeciam, pois já basta terem de encontrar soluções alternativas (quando as há) aquando das férias lectivas.

22 abril 2009

Sociólogos, Páscoa até quando? - parte III

Do que vem dito, verifica-se que a Europa tem um problema sério a resolver com o Islão.
Apesar de o terrorismo ser uma ameaça directa para as vidas dos europeus, tal não representa o principal problema, até porque também representa uma ameaça para o resto do mundo, incluindo os países muçulmanos.
A ameaça é de outra natureza e vai penetrando suave e pacificamente no território europeu. Aproveitando-se da liberdade concedida pelo Estado de Direito e pelo defesa europeia do multiculturalismo, o islamismo penetra nas comunidades muçulmanas, de forma a isolá-las e, assim, impedir a contaminação pela cultura ocidental.
Aproveitando-se do insucesso ou do desenraizamento, principalmente dos jovens, oferece-lhes uma visão coerente da sua situação e aponta-lhes um caminho para o futuro. Deste modo, a vida dos desenraizados passa a ter um sentido. Aos que têm uma visão diferente do Ocidente, que se encontram integrados e que, por isso, percebem e aceitam a diversidade cultural, rejeitando as interpretações radicais, tratam de os perseguir e coagir, a fim de os reduzir ao silêncio.
Ao mesmo tempo, por consequência da não afirmação dos valores tradicionais europeus e da (in)consciência europeia, aproveitam para tentar impor a interpretação dos seus direitos, escudando-se no multiculturalismo, de forma a que os mesmos não se enquadrem nos valores e direitos tradicionais da Europa.
Com isso, pretendem que a Sharia seja aceite, passando esta a vigorar para os muçulmanos, enquanto que as leis comuns do Estado de Direito dos países de acolhimento seriam aplicadas aos restantes cidadãos. Em último caso, o principal desiderato, é retroceder 500 anos, para o tempo em que as diferentes comunidades se regiam por leis próprias e exclusivas.
Tal estratégia não só não está imbuída em qualquer segredo como poderá ser combatida com perseverança. Efectivamente, desde logo, a Europa deverá tentar limitar a influência extremista junto daqueles que rejeitam uma interpretação radical da sua fé e querem e procuram integrar-se na sociedade europeia. Além disso, a Europa deverá limitar os fluxos migratórios, cujos excessos são fontes de marginalização, terá de tratar de forma idêntica os emigrantes no mercado de trabalho (afastando-se de algum racismo que condena mas pratica), deverá patentear firmeza institucional perante o radicalismo islâmico, afirmando a sua incompatibilidade com os valores sociais e jurídicos europeus, terá de evitar a criação de estados dentro do Estado e a discriminação de género nas comunidades muçulmanas, transmitindo a ideia de que todos são livres e iguais perante a Lei e, sobretudo, deverá reintroduzir os jovens no sistema educativo, não só porque a educação é essencial para a percepção dos valores sociais e políticos europeus como também a interacção geracional, pela sua proximidade e informalidade, é um meio de integração social.

21 abril 2009

À Volta dos Livros com F.J.V.


23 de Abril celebra-se o Dia Mundial do Livro na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada com muita tecnologia à mistura e com Francisco José Viegas ao leme de uma Tertúlia que se deseja concorrida e participativa.
Pelas 18h30. E traga o livro da sua vida.

20 abril 2009

Autonomia de Papel

A 30 de Março, escrevo o seguinte: “Está outra vez na ordem do dia a discriminação positiva relativamente ao número de mulheres nas listas dos Partidos às eleições. E, novamente, afirmo ser totalmente contra. O único critério formal que deve nortear a escolha dos candidatos é a sua competência para o cargo a que concorrem."

E a 6 de Abril, que “garantir um círculo regional às Europeias deverá ser um desígnio de todos açorianos.”

Nunca pensei, porém, que chegássemos à lamentável situação que hoje foi notícia.

Acrescento apenas a minha total solidariedade para com a pessoa do Dr. Duarte Freitas e admiração pelo excelente trabalho que desenvolveu em prol dos Açores no Parlamento Europeu.

Os Açorianos não esquecerão.

Casa Portugal, à Braamcamp



Faça a sua reserva!

Sem demora!

Taxes Free and lot of Sports!

Por uns Açores mais Endémicos

Já era conhecida a intenção do Governo Regional, através da Secretaria do Ambiente, de levar a cabo um combate às espécies da nossa flora consideradas invasoras, ou seja, tidas como prejudiciais para a vegetação endémica. Para tal, foi apresentado no início deste ano o Plano Regional de Erradicação e Controlo de Espécies de Flora Invasora em Áreas Sensíveis.

Na altura em que foi anunciada esta medida governamental - que eu considero excelente e de enorme interesse para a Região e para a protecção e preservação do nosso património natural -, o Blog “Fórum ilha das Flores” fez um excelente resumo do tema. Conferir aqui.

No Telejornal de ontem (19 Abril), e na sequência da apresentação do livro “Flora e Fauna Terrestre Invasora na Macaronésia”, que teve como coordenador científico - no âmbito do projecto Bio-Natura -, Luís Silva, da Universidade dos Açores, Álamo de Menezes apresentou o referido Plano, que visa “a conservação da biodiversidade no Arquipélago”, em especial nalgumas zonas mais sensíveis ou de especial importância ambiental e paisagística.

Luís Silva, adverte para impossibilidade de serem erradicadas todas as cerca de 100 espécies invasoras que constam da obra agora lançada. O mesmo adianta, que este será um bom instrumento para que os responsáveis por esta área, possam definir prioridades de erradicação ou controlo de algumas destas espécies nefastas, contribuindo, assim, para a diminuição do impacto negativo das mesmas nos nossos ecossistemas naturais.
Este Plano estará disponível para consulta pública até ao Verão.

19 abril 2009

A Moral no deserto

Há quem afirme que Nixon se afogou na Porta da Água por causa da sua paranóia ou a dos seus assessores, o que vai dar ao mesmo. Verdade ou não, o facto é que nunca se compreendeu totalmente a razão pela qual o seu estado delirante (ou o dos seus assessores) o levou a embrenhar-se numas escutas ilegais na sede do seu adversário, sendo certo que as sondagens lhe davam como garantida a sua reeleição, como acabou por suceder. Graças ao famoso Garganta Funda (que certamente nunca esqueceu Linda Lovelace) e à persistência de dois jornalistas, a história tornou-se pública, mesmo enfrentando a poderosa máquina de protecção e propaganda do então Presidente. No mais, as evidências levaram àquilo que é normal numa democracia a sério: a demissão. Por cá, há quem se entretenha a criar fait-divers, em vez de assumir o único gesto nobre que se lhe impõe. Talvez por coisas destas, haja quem pense que a nossa democracia está mais próxima da de Chavez do que da americana. Pessoalmente, não tenho quaisquer dúvidas.

E se a Guerra das Estrelas fosse feita nos Açores?

Não é Hollywood! Nem tanto Bollywood! Não é o Super-Homem! Não é o Toni Carreira! Vão ter de linkar abaixo para ver, vale mesmo a pena, enviado por e-mail por um amigo. Parabéns aos Tunalhos.

http://www.acorestube.com/video/2077/E-se-a-Guerra-das-Estrelas-tivesse-sido-feita-nos-A%C3%A7ores

Boas gargalhadas!

PS - Não sei fazer uploads. As desculpas pelos transtornos.

Elitismo, Olga Roriz e turistas de São Jorge

Depois de uma reunião onde se aflorou o tema do elitismo na literatura, e depois da discussão se prolongar por um almoço tardio, concluiu-se que não existe elitismo na literatura. Considere-se apenas literaturas diferentes (talvez diversas) para públicos e targets diferentes (diversos). No mercado subsistem coevamente Susan Sontag, Toni Carreira, Roberto Bolaño, Margarida Rebelo Pinto e Martin Amis.
Olga Roriz no Teatro Micaelense com Inferno, sala timidamente cheia, elenco reduzido (apenas 5 bailarinos, 3 F, 2 M), performance irónica, obcessiva, transgressora, com selecção musical diversificada. No final gostei, mas... Faltou qualquer coisa.
Turistas de São Jorge visitaram São Miguel e declararam a um jornalista que vieram em busca de... confusão!

18 abril 2009

Livreporto



Fosse o Presidente Jorge Sampaio e o Primeiro-Ministro Santana Lopes ...

Sociólogos, Páscoa até quando? - parte II


A Europa (alimentada pela realpolitik económica) não percebe que o Hamas decretou que não existiria qualquer Estado judaico independente entre o rio Jordão e o Mediterrâneo e que o Hezbollah, além de tomar o Líbano, pretende destruir Israel.
Por outro lado, os europeus não perceberam, ou fingem não perceber, que o “mainstream intelectual”, órfão desde 1991, pressente as novas causas “de explorados contra exploradores”, agudizando o discurso anti-israelita e alimentando o extremismo islâmico, que poderá fragilizar a segurança europeia.
Hoje, os europeus, porque receiam enfrentar os fantasmas do passado bélico, do confronto com o inimigo, ainda por cima invisível e imprevisível, preferem, em nome da bondade civilizacional, não definir os limites da recepção de muçulmanos que pretende ter dentro das suas fronteiras.
Na realidade, a Europa terá de perceber que em vez de lançar “achas para a fogueira”, deverá, antes, exercer diplomaticamente a sua influência, apresentando-se como exemplo a seguir, realçando os valores intrínsecos mais proeminentes que motivam a atracção do resto do mundo e as consequentes migrações para o seu interior. Como diz Joseph Nye “ In nations, it rests upon culture (where it is attractive to others), values (when they are applied without hypocrisy), and policies (when they are inclusive and seen as legitimate in the eyes of others.)".
Por tudo isto, os europeus têm de compreender que só mantendo e reforçando a sua cultura, a sua estabilidade, a sua prosperidade, os seus valores, poderão ser o elo para paz e, para isso, é fundamental perceberem que têm dentro das suas fronteiras cerca de 20 milhões de muçulmanos, nem todos pacíficos nem todos extremistas, mas em larga maioria susceptíveis, e que a sua presença é um desafio constante à harmonia social, levantando questões que os europeus já tinham vivido, discutido, assimilado e encerrado, entre as quais a liberdade religiosa (e por arrastamento, a própria Liberdade, no sentido que Isaiah Berlin definiu como ausência de coerção intencional de terceiros) e a sua identidade.
Esta susceptibilidade é ambivalente, uma vez que a sua integração ou a sua “guetização” dependerão da forma como a Europa transmite os valores essenciais da sua civilização.
Hoje, os europeus, porque receiam enfrentar os fantasmas do passado bélico, do confronto com o inimigo, ainda por cima invisível e imprevisível, preferem, em nome da bondade civilizacional, não definir os limites da recepção de quem e de quantos pretendem ter dentro das suas fronteiras.
Prudência na aceitação, clarividência na convivência, firmeza na integração, mais dos que “chavões políticos”, terão de ser as atitudes básicas na recepção dos emigrantes, afinal os limites essenciais para o tão pretendido multiculturalismo europeu.
No mais, a Europa enfrenta desafios novos como a redefinição das suas fronteiras, com a eventual integração de novas unidades políticas, cuja matriz cultural é objectivamente diversa e que constitui um desafio para os pilares fundamentais da civilização europeia.
No seguimento, a Europa conhece as suas vulnerabilidades: uma política de defesa incipiente, uma dependência energética extrema, um acentuado decréscimo demográfico e uma pressão migratória elevada, o que terá de a levar a redefinir o seu posicionamento geoestratégico perante os vizinhos, por ser essencial para a sua sobrevivência.
E se conhecer as suas fragilidades, já é um passo, maximizar as oportunidades para demonstrar o seu poder dentro e fora das suas fronteiras, será a própria sobrevivência.

16 abril 2009

Queremos autóctones medíocres, ou forasteiros capacitados?

Vem este post a propósito de uma conversa com uma amigo que, por razões profissionais da sua mulher, veio parar aos Açores. Tanto um como o outro desconheciam, quase em absoluto, a realidade, cultura e modos de vida das nossas gentes insulares. De inicio estranharam, mas por vontade e tenacidade, foram entranhando a nossa realidade, ao ponto de hoje estarem completamente integrados na nossa sociedade. Por via do trabalho de ambos, estabeleceram-se por cá, e o cartão de contribuinte fiscal, bem como o de saúde, entre outras obrigações e direitos, levam já o selo de made in Açores. Só mesmo os próprios é que não foram cá fabricados ou nados, mas já amam estas ilhas de bruma.

Eu como amigo posso ser suspeito, mas como amigo que sou, também os conheço bem, por isso afirmo sem pudor que são, para além de excelentes pessoas - o que a mim, enquanto amigo me diz respeito -, são também óptimos e briosos profissionais.

Mas, ao fim de alguns contratos, um deles viu-se no desemprego. Mas, como pessoa tenaz e persistente, logo (re)ingressou na Universidade dos Açores, procurando valorizar-se e buscar mais ferramentas para enfrentar o, cada vez mais, beluíno mercado de trabalho.

São ambos continentais, portugueses, portanto, mas asseguram-me que, de quando em vez, sentem algum desconforto perante pessoas de cá, que olha para a sua opção - reafirmo a opção -, com alguma desconfiança, quase que pensando que a vinda para os Açores foi uma fuga à falta de empregabilidade no continente, e, como tal, só procuram uns anitos de trabalho para fazer currículo, para depois abalarem em direcção á “metrópole”. O que é certo é que já lá vão uns anitos, e eles por cá permanecem. Só continuam a “estranhar” a falta e distância da família…..bem, também se queixam do preço das passagens aéreas, mas este é um queixume geral, também manifestado por autóctones.

Tudo isto para dizer que, somente os "velhos do Restelo" acomodados e agoirentos, podem preferir um medíocre Açoriano, a um brioso e aplicado profissional, somente por este último não ter aqui nascido.

Somos tão Portugueses como Europeus, e as fronteiras e liberdade de circulação de pessoas dentro do espaço europeu, há muito que deixou de ser um entrave nesta nova Europa. Agora é chamado de espaço Schengen, o que fez com que fossem abolidas as escrupulosas e apuradas revistas e controlos fronteiriços.

Para mim, as pessoas valem o que valem, por si, por aquilo que são. Mas é inquestionável que umas são mais capazes do que outras - pelo menos em determinadas áreas.

Por isso, se queremos elevar esta Região a patamares mais altos, aumentando o seu PIB per capita (gerar riqueza), não devemos olhar ao local de nascimento, mas antes aos factores pessoais e capacidades laborais de cada pessoa.

N.B.- recordo-me de um diferendo entre o GR Madeira e os professores, porquanto aquela Região criou, em tempos (não sei se se mantém) um mecanismo que favorecia os professores Madeirenses aos professores portugueses de outras regiões do país. Não creio que seja esta a fórmula para criar um melhor ensino e, consequentemente, alunos mais bem preparados e habilitados.

15 abril 2009

Um aniversário normal

A 'Máquina de Lavar' fez 3 anos. São cerca de 900 posts, algum tempo investido, muita música ouvida, debate q.b. e um futuro que se quer ... normal.

14 abril 2009

Blá Blá Blá, Blá Blá Blá


Quem disse que António Guterres, o Dialogante, era uma Picareta Falante, enganou-se.

Navios, Aviões e a (Ir)Responsabilidade

Já não valerá a pena dizer que Berta Cabral defendeu, no fim do congresso do PSD em Janeiro deste ano, a rescisão dos contratos com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo [ENVC]. Nem valerá a pena especular sobre o efeito que essas declarações poderão ter tido nas hostes socialistas. Nem muito menos valerá a pena procurar saber se a ida de Vasco Cordeiro para a Secretaria da Economia foi para salvar o caso “Altântida”, ou afastar o próprio da corrida à liderança do PS, ou nenhuma das duas. Porque neste momento há questões mais importantes para tratar, questões de fundo.

O AO noticia hoje [convenientemente] que os novos aviões da SATA, os Bombardier, começarão a voar já em Junho. Ao todo serão quatro Q400 de 80 lugares e dois Q200 de 37 lugares. Ou seja, e segundo os números da própria notícia, passaremos dos actuais 318 lugares, que toda a actual frota disponibiliza, para 394 lugares com os Bombardier. Se, por outro lado, levarmos em linha de conta que, segundo a auditoria do Tribunal de Contas, os dois navios encomendados aos ENVC teriam uma capacidade máxima de 750 passageiros e 140 viaturas [no caso do navio C258, mais conhecido por 'Atlântida'] mais 400 passageiros e 34 viaturas [do navio C259], ficaríamos com um total de 1544 lugares todo o ano para o transporte de passageiros inter-ilhas marítimo e aéreo, mais 174 viaturas. E a questão que se levanta é: sendo a SATA e a Altanticoline empresas públicas, ou seja com o mesmo dono, terá havido uma articulação entre ambas de forma a não haver uma oferta sobre-dimensionada? Será que, na fase de decisão política sobre que tipo de aviões e navios a adquirir, se pensou em estudar os possíveis passageiros que uma e outra poderiam ter, de forma a optimizar a utilização dos equipamentos a comprar?

Esta e outras questões leva-nos necessariamente ao eterno debate do público/privado. Se o dono daquelas duas empresas fosse um privado e se tivesse a investir capital seu e não público, teria outro cuidado, ou não? Porque, no caso do dono ser um político no serviço público, como se vê, se der para o torto, no máximo perde a eleição, mas no caso do dono ser um privado …. bem, no fundo cada um de nós é um gestor privado à sua medida e sabemos bem o que nos acontece caso façamos más opções com o nosso dinheiro.

12 abril 2009

Sociólogos, Páscoa até quando?


Hoje foi igual a Ontem e o Amanhã será igual a Hoje. Eis o lema do Médio Oriente nos últimos sessenta anos; este deverá continuar a sê-lo nos próximos anos. Trata-se de manter o movimento do Relógio Perpétuo.
Se há alguma coisa de que se pode ter a certeza nas relações internacionais, no mundo contemporâneo, é a de que o barril de pólvora do Médio Oriente tem sempre um rastilho pronto a ser ateado. Na realidade, o conflito israelo-árabe, sendo, à escala, um pequeno conflito, apresenta-se com uma dimensão universal, como se fosse o único a desenrolar-se na Terra. Todos pressentem que ali se joga o futuro do Ocidente, todos sentem, duma forma ou de outra, que, além da disputa da terra, o que está em jogo são os valores civilizacionais. É uma parte do trajecto histórico que se defende e se ataca.
Na verdade, a disputa da terra, que, no passado, originou guerras devastadoras, representa para os judeus e o Estado de Israel a única hipótese de sobrevivência. Ao mesmo tempo, a Europa olha para o conflito como mãe de Israel e refém da sua relação com o mundo muçulmano. Entrincheirada entre os beligerantes, a Europa poderá ter perdido a noção da sua própria sobrevivência, enquanto representante de uma civilização que se apresenta como pioneira na defesa dos valores mais intrínsecos da condição humana.
Para os seguidores do Islão, o planeta está dividido entre Dar al-Islam, os locais sobre o seu controlo, e Dar al-Harb, as zonas a conquistar. Para os extremistas politico-religiosos muçulmanos, Israel e Europa representam, de forma diferente, as zonas a conquistar: bélica, a primeira, por invasão pacífica, a segunda. Conseguiremos, algum dia, tomar consciência de que o nosso modo de vida, tal e qual como o praticamos e conhecemos (quase sem nos apercebermos da sua real importância), poderá estar mais próximo do fim, por inércia ?

11 abril 2009

Paulo Coelho S.A.

Fui desde sempre avesso a Paulo Coelho. Sempre achei que o escritor era mais parra que uva. No entanto, chegou o dia em que passei uma tarde a ler uma das suas obras de referência. Estava em Lisboa, era Inverno e fazia frio. Até que me soube bem ler o livro O Alquimista, não é o pior livro do mundo. Mas está longe de ser um livro que me tivesse marcado, como marcou e continua a marcar milhões em todo o mundo.
Vem a propósito de estar para breve uma biografia daquele autor brasileiro da autoria de Fernando Morais. Preparem-se os/as fãs menos avisadas. O livro vai dar que falar pelos escândalos que envolvem o autor e o seu envolvimento em processos menos claros.
A não perder o resto da história.

10 abril 2009

O Futuro que será e O Futuro que poderia ser


Ponta Delgada terá, a partir de 2010, uma escola privada que leccionará do 1º ao 12º ano. [notícia]

Por outro lado, e correndo o risco de estar a cometer uma enormidade, mas com o simples objectivo de mostrar que há mais mundo do que construir um navio de raíz, deixo uma ligação de um navio construído na Austrália, comprado pela Brittany Ferries por cerca de 30 milhões de euros, que faz a ligação entre o norte da Espanha e o sul da Inglaterra. Um navio com uma velocidade máxima de 40 nós e com um tamanho e capacidade de carga semelhante àquele a que foi chamado uma vez o 'Atlântida'.

Prémio Leya 2008



O esperado Prémio Leya 2008 deu finalmente à estampa. Trata-se do livro O Rastro do Jaguar de Murilo Carvalho, jornalista e realizador de documentários que tem trabalhado em revistas e televisões brasileiras.
Em O Rastro do Jaguar, que reconta uma história verídica que teve personagens reais, a acção passa-se no virar do século XIX. Pereira, um antigo jornalista, de origem portuguesa, revisita as suas memórias, viajando por um Brasil que defronta uma guerra sangrenta com o vizinho Paraguai, e onde as populações indígenas, humilhadas e indignadas, tentam regressar sem êxito à floresta virgem, onde o Mal não existe, local de onde aliás nunca deveriam ter saído. Isso não nos faz lembrar alguém?
Uma Páscoa Feliz!

09 abril 2009

Denúncias Anónimas; Legitimas ou Descartáveis?

Muito se tem falado - a propósito do caso Freeport -, da importância ou cobardia, subjacente às denúncias anónimas.

Tendo como fonte uma noticia do Diário de Noticias de Sábado, 4 de Abril, apresento abaixo duas opiniões de dois magistrados judiciais, sobre este tema.

Carlos Alexandre, juiz-presidente do Tribunal Central de Investigação Criminal, refere que “A denúncia anónima é bastante necessária nos tempos que correm.” Este magistrado tem acompanhado o caso Freeport, que, como é sabido, foi despoletado por uma carta anónima. Carlos Alexandre lamenta as muitas dificuldades da prova neste tipo de crimes (corrupção), reforçadas com alterações legislativas que restringem as intercepções telefónicas e limitam o âmbito das buscas. Este magistrado aceita a ideia de criar o crime de enriquecimento ilícito, mas diz que é essencial voltar a valorizar os depoimentos que se prestam no inquérito.

Também o procurador geral adjunto, Euclides Dâmaso, pronunciando-se a propósito desta forma de denúncia, afirma que “Com o carácter endémico que a corrupção tem assumido, o envolvimento de de titulares de poderes do Estado e o justo receio de retaliações ilícitas ou até legais, aconselha-se vivamente que não se desvalorizem as denúncias anónimas.”. E o mesmo acrescenta, “Elas constituem, muitas vezes, a única forma de participação dos cidadãos no controlo da corrupção.”

Aconselho, ainda, a leitura do texto da professora Doutora Fernanda Palma, no site da "IN VERBIS - Revista Digital de Justiça e Sociedade", bem como os comentários ao texto em questão. A LER AQUI.

08 abril 2009

Quo vadis, Sócrates?

Vivendo nós num país em podemos pensar tudo, dizer pouco e fazer nada, há alturas em apraz a todos louvar a coragem revelada por algumas pessoas. Nesse sentido, quem não gostaria de ter escrito este post? Ver aqui: http://http//geracaode60.blogspot.com/2009/04/deve-socrates-demitir-se.html

O cidadão e o hospital

O cidadão pensou, hesitou e voltou a pensar, já que a decisão não era fácil e, sobretudo, seria inédita. Finalmente, a custo, decidiu-se: iria recorrer aos serviços de saúde de um hospital público, argumentando consigo mesmo que pagava impostos e o exame médico até era relativamente dispendioso. Confiante, telefonou para o hospital e veio a primeira contrariedade: afinal, não podia marcar o exame médico por telefone, teria de se deslocar ao dito. Está bem, minha senhora! Lá foi e a quase simpática menina recebeu a requisição e, nova surpresa, informou-o de que seria contactado posteriormente para “lhe dizer a data do exame”. Quando? “Daqui a uma semana”. Muito obrigado e boa tarde!

A semana passou e o telefonema não chegou. Pelo meio, pessoa amiga, sabedora da sua inexperiência, disse ao cidadão que iria falar com alguém, senão o exame ficaria para as calendas gregas. Muito obrigado mas não, porque o cidadão não gostava de “cunhas”. Orelhas moucas, uns dias mais tarde, a pessoa amiga noticiou-lhe que afinal o exame demoraria. O quê? Afinal sempre intercedera por si? Que sim e pedia desculpa, mas, como o cidadão não conhecia os meandros dos serviços públicos de saúde, temeu que, por causa da sua ingénua postura, a saúde do cidadão se debilitasse. Obrigado pela preocupação, o que vale é a intenção, etc, mas então o que falhara? A “cunha” não era boa? Já que chegaramos aqui, não seria boa ideia meter a cunha via Presidente de Câmara, Deputado, Secretário Regional ou, quiçá, através de Sua Excelência? Que não, que não! A cunha até era boa e eficaz. O problema era outro: dado o tipo de exame, estava em lista de espera. Oh, espantou-se o ingénuo cidadão, mas tinha ouvido dizer que não havia listas de espera. Que sim, senhor, era verdade, aqui na Região, segundo fontes oficiais, isso não existia, esses problemas só aconteciam no Continente, onde não sabem gerir a coisa pública. Não na Região, que ideia mais absurda! Na realidade, o problema era outro: estava em lista de espera por falta de doentes! O quê?!!! Então as listas de espera (que a Região, oficialmente, não tem) não existiam por excesso de doentes mas, antes, por falta deles? Que sim, que era verdade, e não, não era Kafka renascido, a verdade era que, neste oásis onde não há crise (segundo Sua Excelência), só existiam listas de espera por falta de doentes, nunca por excesso. Por isso, teria que esperar que existissem doentes para que a lista de espera atingisse o ponto de intersecção no qual deixaria de ser lista de espera por escassez para o ser por excesso e, aí, seria imediatamente atendido, para deixar de haver listas de espera. O cidadão não compreendia coisa tão simples?! Então o cidadão já não se lembrava da teoria da formação dos preços? Isto dos hospitais era parecido (it’s economics, stupid!).

Ainda aturdido, mal ouvindo a pessoa amiga, o cidadão telefonou, de imediato, para Lisboa (essa terra de negreiros), contactando o hospital privado a que recorria habitualmente, no tempo em que lá vivia, e marcou, telefonicamente, o respectivo exame médico, a realizar logo que o cidadão quisesse (ficou para as férias, felizmente próximas, já que as viagens aéreas não são baratas, como no Continente, porque, segundo as sábias palavras de um Secretário Regional, “...assim os açorianos sabem quanto pagam por cada viagem...”). O resto foi fácil, rápido e eficiente, como é óbvio.

Intimamente, o cidadão pediu desculpa a todas as pessoas que estavam na lista de espera por falta de doentes, por lhes ter aumentado o tempo de espera para entrarem na lista de espera por excesso de doentes, mas, certamente, estas entenderiam e, no seu lugar, fariam o mesmo, pois tratava-se da sua saúde, com esta não se deve brincar e ele até ia a Lisboa.

Rigor

O Director-Adjunto do mais antigo jornal português conduziu uma entrevista a Luís Rodrigues. Já pouco me interessam os conteúdos em relação à Quercus, no entanto dois apontamentos da própria entrevista, à atenção do jornal e do jornalista. O primeiro, de pouca importância, chamar Paulo ao Alexandre Pascoal. É um erro, mas que acontece. No entanto dizer (numa pergunta) que a direcção caiu porque tinha um deputado à ALRA e um vereador já tem que ser motivo de preocupação.

07 abril 2009

O Leitor, a Amante, a Fuga e o Julgamento

O Leitor (ed. ASA), Der Vorleser no original alemão, The Reader na língua dos camones, é um daqueles livros que se não tivesse um filme excitante a suportá-lo continuaria na penumbra por mais uma década. A 1ª edição data de Dezembro 1998, em Fevereiro último atingiu a 5ª edição, apesar de estar traduzido em quase 40 países e de ter entrado nas listas de preferências de Oprah Winfrey e ter sido a primeira novela alemã a habitar a top list de livros do New York Times.

Bernhard Schlink, autor do livro, é também jurista. E o facto de seu pai ter deixado uma carreira como professor de Teologia devido aos nazis, tê-lo-á impelido a criar uma história em torno do período em que o Fuhrer amedrontou a Europa e o Mundo.

O Leitor é uma história que começa por ser demasiado carnal e que aos poucos se transforma numa história de amor intenso entre Michael Berg, de apenas 15 anos, e Hanna Schmitz, de 36. Ele mais do que ela, refugia-se num amor que o levará quase à dependência, enquanto que ela vive levianamente essa relação até ao dia em que parte sem deixar rasto.

Tendo como pano de fundo uma sociedade próspera nos anos 60, Michael reencontra Hanna anos mais tarde em tribunal, quando este ainda estuda Direito, e ela se encontra à beira de ser julgada pelo seu passado nazi. Pelo meio muita reflexão sobre a jurisprudência em latu sensu e o conflito interior de uma geração que julgou apressadamente o passado nazi do seu país de modo a sentir-se ilibado relativamente ao mesmo em strictu sensu. Não conto mais…

O livro está escrito na primeira pessoa, os capítulos são curtos, não mais de 6/7 páginas cada um, linguagem directa, estilo despojado, lê-se em 3 horas para os mais rápidos, 6 horas para os mais lentos (como eu!).

PS - Não pude evitar o excesso de itálicos.

O que significa, afinal, ser Reformado?

Para o comum dos mortais, uma pensão de reforma só é paga a partir dos 65 anos, ou, mais cedo, se por razões de invalidez (incapacidade física ou psicológica para o trabalho), devidamente comprovada através de uma Junta Médica.

Mas, como é sabido, muitos gestores de empresas públicas e de outros organismos Estatais, começam a auferir pensões de reforma, logo após saírem dos cargos que exerciam nessas empresas ou organismos. A CGD e o Banco de Portugal, bem como os Deputados da Nação e das Regiões Autónomas, para além de alguns gestores públicos, mesmo após breves passagens por estes cargos, ao abandonarem as suas funções - e não me refiro a retiradas por invalidez -, são imediatamente brindados com pensões de reforma vitalícias, independentemente da idade que tenham.

Recordo-me, de há uns anos, receber um e-mail que dava conta das chorudas reformas de ex. deputados da nossa ALR, cujo número de titulares igualava os actuais membros do nosso parlamento.

Quem não se recorda de Campos e Cunha que, por breves 5 anos como funcionário do Banco de Portugal, ao sair, levou consigo uma pensão vitalícia de cerca de 5. 000 euros (cinco mil euros) mensais!!!? E Armando Vara, que ao abandonar a CGD (para ir para outra instituição bancária) foi promovido a funcionário de topo, para, assim, poder aceder a uns milhares de euros que lhe serão pagos até morrer !!! A CGD "defendeu-se" afirmando que era prática comum?!?!?

O economista Silva Lopes, em entrevista a Mário Crespo, alude a esta vergonhosa situação, e defende - e eu subscrevo -, que qualquer pessoa, independentemente das funções que exerceu, se não estiver incapaz para o trabalho, só poderá ter direito a receber a sua pensão, quando completar o seu 65º aniversário. Os exemplos devem vir de cima….

N.B.- Sócrates, nos seus primeiros anos de PM, teve a coragem de tomar medidas que limitaram a acumulação de vencimentos e pensões de reforma a titulares de cargos públicos. Mas, ainda assim, persistem situações de verdadeiro escândalo.

06 abril 2009

Um Rápido Olhar às Europeias

Curiosidades: Os Açores não têm um círculo nas Europeias. Há um acordo tácito entre os partidos para incluir um nome escolhido pelas suas filiais regionais em lugar elegível. O Parlamento Europeu tem actualmente 785 membros. Caso o Tratado de Lisboa seja ratificado, esse número passará para 750, caso o Tratado de Nice se mantenha em vigor, passará para 732. Em qualquer dos casos, Portugal perderá dois eurodeputados na nova configuração. Caso o processo de alargamento da EU prossiga, o número de eleitores a ter de ser representado aumentará, mas o número de eurodeputados não acompanhará esse aumento. Actualmente, o Luxemburgo é o país que tem o menor rácio população/eurodeputados com cerca de 66.000 habitantes por deputado, do lado oposto está a Alemanha com cerca de 800.000 hab./MEP. Portugal está no meio da lista com cerca de 400.000 hab./MEP. Os Açores, bem é fazer as contas entre população e os dois MEP’s. Conclui-se que garantir um círculo regional às Europeias deverá ser um desígnio de todos açorianos.

Factos: PSD-A com Duarte Freitas, PS-A sem candidato até ao momento
PS, Vital Moreira cabeça de lista, PSD, sem cabeça de lista até ao momento

Dados: dos 24 eurodeputados portugueses, Duarte Freitas é o 3º mais produtivo [de acordo com o ‘Expresso’ que teve por base os relatórios, intervenções e perguntas de cada MEP], membro da Comissão parlamentar das Pescas, Comissão parlamentar de Agricultura e Desenvolvimento Rural, membro da Delegação de relações com o Canadá. Vital Moreira, europeísta convicto, é contra o aprofundamento das Autonomias regionais, defende que as Regiões Autónomas deveriam contribuir mais para o Orçamento de Estado. Centralista, convirá ouvir a sua opinião sobre o possível círculo regional.

04 abril 2009

O Perfil Silva para Governar

Que alguns políticos tenham dificuldade em perceber como funciona um sistema democrático evoluído, isso não aflige ninguém. O pior é quando mais do que um, mesmo meia dúzia, ou uma dúzia, se juntam e governam, ensimesmados, um país.
Isso a propósito do editorial do semanário Sol sobre Augusto Santos Silva. Escreve JAS: “Santos Silva tem um problema: a imagem que projecta é muito agressiva, a sua expressão é por vezes quase sinistra, vemo-lo com facilidade fardado de oficial de um qualquer regime totalitário.”
Exageros à parte, se os há, de tão duras palavras, não deixa de ser um perfil muy pernicioso.

O Regresso aos Cofres?

A descoberta de uma rede de espionagem de dimensão Mundial, e que se introduziu e copiou informação de milhares de computadores em cerca de 100 países, vem mostrar o quão ligados estamos hoje a todos os que partilham este vasto universo que é a Internet.

A era da informática iniciou-se no século passado, por isso conhece nos dias que correm um desenvolvimento enorme, com descoberta de novas ferramentas e soluções a surgir a um ritmo quase diário. Por já vir do século passado, e ser inegavelmente um facilitador a todos os níveis, a informática está enraizada nas nossas vidas, e a maior parte de nós utiliza computadores todos os dias…..que mais não seja no local de trabalho.

Os discos rígidos dos computadores, arquivam uma enormidade e variedade de informação, desde a de carácter pessoal, até àquela de índole mais sensível a variadíssimos níveis. Pode ser a nível ideológico, industrial, médico, militar, político, criminal, fiscal, bancário, entre tantos outros.

Tudo isso para dizer, que se não fosse a genética, qualquer dia eu não conseguiria provar que sou o verdadeiro EU, ou que a minha pessoa não fez, aquilo que aparentemente lhe é imputável.

Sim, pois num Mundo ligado por uma rede violável - a net -, a tendência será a desvalorização de tudo o que esteja sujeito a infiltração e usurpação de dados. Logo, parece-me que caminhamos para uma solução em que a nossa identidade terá de ser provada geneticamente, sob pena de não ser validada, na medida em que os dados que circulam por ai, estão acessíveis a qualquer pessoa mal intencionada. Portanto, navegamos numa rede, mas sem a protecção dos malabaristas de circo.

É que na Internet, tal como no universo criminal, os malfeitores estão sempre um passo à frente das autoridades.

03 abril 2009

Vencida ou Vencedora?


Blackadder é cínico, cobardemente oportunista, interessado na manutenção e crescimento do seu próprio status e fortuna, independentemente do que e de quem o cerca.

Sugestões de Leitura

O primeiro post neste blog. Se eu tropeçar e cair, ok paciência. Vou começar por sugestões. De leitura pois está claro. É para o fim de semana.

- O Tigre Branco, Aravind Adiga, Presença
- Doida, não e não, Manuela Gonzaga, Bertrand
- London Fields, Martin Amis, Teorema
- Ponta Delgada, Memórias de uma Cidade, António Soares de Sousa, Veraçor

E é só. Bom fim de semana.

Snake Eyes


Excelentes histórias, excelentes actores, excelentes realizações [no entanto, a ver com atenção a interpretação que o Soderbergh fez do Che], excelentes personagens e excelentes músicas. Assim, em poucas palavras pode-se caracterizar a série Ocean's.

Porque a nossa equipe também aumentou num elemento e porque as bandas sonoras assinadas por David Holmes estão irrepreensivelmente bem construídas, a playlist presta tributo àquela trilogia de jogo e de heists.

02 abril 2009

Aquisição para a Máquina

Este é um blogue aberto. Desde o começo [este mês celebramos o 3º aniversário] que tentei incorporar novos membros, primeiro foi o meu grande e próximo amigo e companheiro de aventuras desde a nossa adolescência Pedro Lopes e mais recentemente foi o meu amigo e colega José Gonçalves. Em ambos os casos, o critério foi simples, serem pessoas que pensam a vida e a sociedade em que estão inseridos.

E é dentro desta linha que a equipe da Máquina de Lavar conta a partir de hoje com mais um colaborador, Luís Almeida.

Conheço o Luís há muito tempo, as nossas famílias são amigas, posso, por isso, avançar que se trata de uma pessoa com princípios, responsável, com opiniões bem formadas e, por via da sua actividade profissional, um especialista em livros.

Luís, acima de tudo, esperamos que sejas tu próprio. Diverte-te!

O Titanic do Governo Regional dos Açores

O JNAS, em mais uma das suas incisivas crónicas de quinta-feira para o Jornal Diário, apresenta-nos o Relatório do Tribunal de Contas [Secção Regional dos Açores] sobre a Auditoria à Atlânticoline.

O documento confirma muito do que se vinha especulando sobre os barcos que estão a ser construídos nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e mais ainda.

Vejamos então alguns excertos:

1.
«Os membros do C.A. da Atlânticoline, S.A., que autorizaram aditamentos incorrem, eventualmente, em responsabilidade financeira sancionatória;

• A data de entrega do Navio C. 259 foi postecipada para 31/05/2009, com fundamento no erro detectado no projecto. O prazo de execução do contrato passou de 565 para 983 dias. A Atlânticoline, S.A., contudo, já assumiu que esta data não será cumprida, por ter lançado concurso para afretamento de navio que irá operar com o Navio C.258;

• Em ambos os contratos, a Atlânticoline, S.A., considerou inexistir fundamento para a aplicação à ENVC, S.A., das penalidades;

• As penalidades existentes nos termos de ambos os Cadernos de Encargos, que oneravam o atraso na entrega entre o 1.º e 30.º dias, não constam dos contratos assinados entre as partes, sem que exista justificação para tal omissão;

• O atraso na entrega dos navios obrigou à renovação dos contratos de afretamento, celebrados em 2007, cujo encargo, em 2008, importou em 5,7 milhões de euros;

• Até 30/05/2008, foram transferidas verbas para financiar a construção dos dois navios, no montante de € 31 550 000,00, cuja proveniência foi o Capítulo 40 – Acção 24.01.A, verbas do Plano da Secretaria Regional da Economia. Foi autorizada ainda uma transferência residual pelo orçamento privativo do Fundo Regional de Apoio à Coesão e ao Desenvolvimento Económico;

2.
“O contrato relativo ao Navio C. 258, até 29/09/2008, sofreu quatro aditamentos, que importaram num sobre custo na ordem dos € 6 500 000,00, correspondente a um acréscimo de 16,3% sobre o valor da adjudicação.»
«1º Aditamento:
Aumento do número dos camarotes (de 8 suites e 5 duplos passou para 18 suites e 9 duplos) € 3 800 000,00, devido à “ necessidade de melhorar os níveis de comodidade estabelecidos inicialmente, tendo em conta o ambiente marítimo inter-insular específico em que este Navio irá operar”
Instalação do segundo impulsor de proa – € 850 000,00 (tomámos conhecimento, no decurso da execução do contrato, de que esta opção técnica estava a começar a ser implementada por um armador açoriano com grande experiência na operação nos portos das ilhas do arquipélago dos Açores, como forma de ultrapassar as dificuldades de manobra específicas dos portos açorianos e de permitir contornar possíveis problemas de funcionamento num dos impulsores”

3.
«Contudo, verifica-se que:
a) As alterações introduzidas não resultaram da entrada em vigor de regras técnicas, regulamentos, convenções internacionais ou quaisquer outras normas legais que imperativamente condicionassem a construção do navio;
b) O argumento da necessidade de arranjo da zona habitacional com base no apoio a situações de emergência não colhe na medida em que não é possível, por natureza, justificar uma opção estabelecida em adicional de 29/12/2006, com um relatório do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, datado de 03/07/2007;
c) Uma atempada e correcta previsão das necessidades permitiriam que o projecto inicial já contemplasse as alterações, porquanto “o ambiente marítimo inter-insular específico em que o Navio irá operar” ou características dos “diversos portos e alturas das marés” são dados básicos a ter em conta antes de pôr um projecto a concurso;
d) Existem situações de alteração, nomeadamente das zonas de lazer ou habitacionais, que se devem a uma mudança de intenção, nas quais o dono da obra altera soluções iniciais para outras que julga mais adequadas, designadamente “na sequência de balanço realizado após o fecho da operação anterior”.»

Estamos apenas a analisar uma pequena parte do documento, mas que serve para ilustrar a forma demolidora como o TC analisa a acção da Atlânticoline neste processo.

Esperam-se desde há muito, mas agora ainda mais, explicações do Governo Regional dos Açores relativamente a este assunto, porque têm de existir razões para que se tenham feito os tais aumentos nos camarotes e, enfim, para toda esta trapalhada em geral. Estão em jogo muitos milhões de dinheiros públicos e em qualquer outro país um Relatório desta natureza já teria tido consequências.

01 abril 2009

Cidades com data marcada!

Máquina de Lavar conseguiu apurar, junto de fontes fidedignas próximas da ALRA, que Vila Franca e Lagoa serão elevadas a cidades no próximo dia 01 de Maio. Afastando qualquer cenário de mais discussão pública, "por já tudo estar esclarecido", as mesmas fontes afirmaram que se procurou fazer coincidir a data com o Dia do Trabalhador, a fim de se poderem realizar grandes festas populares " em nome do futuro, do progresso e dos amanhãs que cantam ".
Segundo as mesmas fontes, PONTA GARÇA será, na mesma data, elevada à categoria de VILA, atenta a sua densidade populacional e a existência de infra-estruturas básicas, e ATALHADA será elevada à categoria de FREGUESIA, num claro projecto de investimento no futuro da mesma como pólo de desenvolvimento industrial e comercial. Deste modo, ainda segundo as mesmas fontes, ficam sanados eventuais atritos latentes, em nome da unidade e identidade comuns dos habitantes daqueles concelhos.

30 março 2009

Igualdade, sempre #2

Está outra vez na ordem do dia a discriminação positiva relativamente ao número de mulheres nas listas dos Partidos às eleições.

E, novamente, afirmo ser totalmente contra.

O único critério formal que deve nortear a escolha dos candidatos é a sua competência para o cargo a que concorrem.

A discriminação positiva encerra em si um desrespeito pelas reais capacidades das mulheres, pelo que deveriam ser as próprias as primeiras a exigirem a total igualdade.

Parece que todos concordamos num aspecto: queremos caminhar para uma sociedade onde cada indivíduo vale pelas suas acções e não pelas partes que fazem dele um todo, seja o género, a cor da pele, a idade, a religião, a naturalidade, etc. Discriminar, seja de que forma for, com base em alguma das anteriores, significa um passo atrás na direcção daquele cenário.

29 março 2009

Obrigado, Queirós!



Ontem, o Benfica não esteve representado nas Antas, nem institucionalmente, certamente por excomunhão papal, nem no campo. Deu no que deu!