31 maio 2009

Uma Sociedade de "Casos"

O ponto de partida deste post, é o designado “caso Alexandra”. Já todos o conhecemos, pois a Comunicação Social pegou neste drama pessoal e tornou-o numa desgraça pública. O denominado 4º Poder, tem tido o mau hábito de retirar da cartola das fatalidades sociais, alguns “casos” que nos chocam e nos despertam para os dramas alheios, martirizando-nos durante dias com os relatos chocantes e com as mais pequenas trivialidades de cada um destes “casos”.

Se por um lado a Comunicação Social nos deve despertar para algumas realidades esquizofrénicas e escondidas, por outro, não deve – em minha opinião – explorá-los durante dias a fio, como se fossem elas as únicas e as mais dantescas. Estes “casos” acabam por ter todo o enfoque mediático e o privilégio da denúncia pública. São acompanhados pelos mais diversos especialistas na matéria, que os dissecam ao mais ínfimo pormenor por detrás do grande ecrã, aos microfones das rádios ou nas páginas dos jornais, relegando para segundo plano outras realidades e angústias que mereceriam igual preocupação e indignação, mas que sem tamanha exploração e publicidade, são esquecidas e permanecem escondidas.

É certo e sabido, que tais “casos” – pela dimensão mediática que atingem -, acabam por ser alvo de um tratamento especial, puxando para si todos os recursos e atenção que o “caso” requer. Passam por cima daqueles que, sendo igualmente gravosos ou chocantes, não têm a duvidosa regalia de serem os eleitos dos OCS.

E nós, cidadãos desta Sociedade de “casos”, também nos deixamos, por vezes, alimentar por este sensacionalismo frenético, pois assim que conhecemos os primeiros contornos destes “casos” ficamos como que dependentes e desejosos dos relatos e pormenores que a imprensa vai desfiando, alheando-nos das adversidades com que nos deparamos no nosso quotidiano, ou que se encontram na nossa cidade, freguesia ou rua.

Uma sociedade é constituída por vários micro cosmos, por outras pequenas teias de relações e realidades. O meu ideal é o de uma sociedade constituída por várias comunidades, que olham mais para o seu interior do que para o seu todo, e que, dessa forma, conseguem descobrir os seus males (ou “casos”) antes de se depararem com o infortúnio colectivo.

Se cada um de nós olhar à sua volta, em vez de se centrar naquilo que o 4º Poder nos emana, em lugar de chorar colectivamente, poderemos indignar-mo-nos com as infelicidades que nos estão mais próximas e, ai sim, poder ser parte activa na resolução do problema, ou, no mínimo, da sua denúncia a quem de direito.

Mas o sofá das nossas casas continua a ser, além de mais cómodo, menos exposto às consequências que da denúncia ou participação activa nos possam advir. Por isso, alguns de nós continuam a sentir que o Dever é dos outros, mas que o Direito é nosso.

Zissou em Estreia


Na SIC, em estreia, um dos melhores filmes dos últimos tempos. Falado neste blogue já por duas vezes: aqui e aqui.

Desta vez, fica uma das cenas finais a bordo do submarino de Zissou ao som de Sigur Rös.

30 maio 2009

A Viagem Faraónica

O jornal "Expresso" tem uma peça interessante sobre o dinheiro gasto nas comemorações do Dia da Autonomia na América do Norte e procurou saber junto do gabinete de Carlos César quem convidava e pagava quanto e a quem nesta viagem. A resposta foi de que " não era possível dar uma resposta".
No entanto, o "Expresso" dá umas luzes que nos permitem, no mínimo, fazer uma contas de cabeça:
  • a comitiva é composta por 200 pessoas;
  • normalmente, cada viagem PDL-TOR custa 600€. Neste caso, porém, a SATA fez um desconto de 50%. Das duas uma; ou a SATA tem uma margem de lucro absurda em cada viagem, da ordem dos 50%, ou vai perder dinheiro nesta operação. 200x300= €60.000;
  • a viagem arrasta-se durante uma semana e meia e tem, pelo menos, uma ligação de Rhode Island para o Canadá. Multiplique-se os transportes terrestres, a alimentação e a estadia por 200;
  • No Canadá, a comitiva divide-se entre o Four Seasons e o Toronto Yorkville. No primeiro uma noite custa, pelo menos, 300 USD. Mas certamente houve desconto.

O que diria Vital Moreira das celebrações do Dia da Autonomia na América do Norte e de todos os gastos que lhe estão associados. Quem olha para as regiões autónomas como autênticos sorvedouros dos dinheiros públicos, como é o caso do cabeça-de-lista socialista às Europeias, certamente que condena prontamente este tipo de despesismo. É raro, mas aqui estaria ao lado de Vital Moreira.

Nice Price

O out let de discos da Disrego no Parque Atlântico é uma óptima oportunidade para recuperar alguns discos a preços reduzidos, como Ringleader of the Tormentors (Morrisey), que inclui estas duas preciosidades Dear God Please Help Me e In the Future when all's Well; ou The Trouble with Being Myself (Macy Gray) She ain't Right for You. Mas há mais.

28 maio 2009

Será democracia, senhor César?

Numa altura em que muita gente, incluindo o Presidente da República, tenta transmitir e fazer compreender às pessoas que é fundamental e essencial exercerem o respectivo direito de voto e que este, entre outros aspectos, é garantia do exercício e existência da democracia, há políticos, mesmo que involuntariamente, que estão sempre a dar pretextos para quebrar os ténues elos que ainda as ligam a essa ideia fundamental.

Desta vez, foi o senhor Carlos César quem decidiu apelar ao voto de uma forma no mínimo original. Fazendo fé na notícia, o senhor Carlos César parece não compreender que a democracia se rege por princípios diferentes daqueles que postulou como necessários para o bom exercício dos cargos políticos.

Tornar obrigatório o voto não é a melhor forma de incentivar os eleitores a participarem nos actos eleitorais; pelo contrário, sendo uma medida ditatorial, é um convite directo ao respectivo afastamento e ao aumento do abstencionismo e, mais radicalmente, à desobediência civil, caso, algum dia, uma cabeça mais iluminada decida passar da teoria à prática.

Da minha parte, se assim for, serei o primeiro da barricada, exactamente porque, em democracia, tenho o direito de escolha e esse engloba, por muito que custe ao senhor Carlos César, o direito de não votar, sejam quais forem os fundamentos da minha decisão.

Os políticos são e terão de ser sempre responsáveis, independentemente do número de eleitores que os elegeram, sob pena de a sua "irresponsabilidade" no exercício dos cargos que ocupam serem a principal razão para o alheamento dos eleitores dos actos eleitorais, ao contrário do que afirmou o senhor Carlos César.

Para lá disso, só por ingenuidade é que se poderá pensar que a legitimidade democrática advém do número. Esse tipo de contabilidade é própria de "democracias populares", nunca de um regime solidificado como o português.

Penso eu, ou melhor, pensava. Ainda bem que hoje é dia 28 de Maio. Just in case!

Long Live The King

27 maio 2009

Bater no Ceguinho

Parece que já está mais do que provado que um voto dos açorianos no PS nas Europeias será quase uma traição aos nossos princípios autonómicos. Para os próprios socialistas açorianos, votar no PS nas Europeias criará, no mínimo, uma comichão chatinha atrás da orelha. Senão vejamos, quando Vital Moreira, num dos seus já míticos artigos anti-autonomias, diz que “continua a prevalecer nas regiões autónomas, sem grandes diferenças entre elas e entre as diversas forças políticas regionais, o entendimento de que elas só têm direitos e nenhumas obrigações” (2008) está, evidentemente, a colocar tudo dentro do mesmo saco, desde o PS Açores ao PSD Madeira e está a colocar ao mesmo nível Carlos César e Alberto João Jardim. É claro que eu não tenho a mesma opinião que Vital, mas eu não penso votar nele, de qualquer das formas.


Por outro lado, na Madeira, o PS, nestas Europeias, tem ainda mais problemas que nos Açores (por muito complicado que seja acreditar nisso). É que o candidato madeirense dos socialistas dificilmente será eleito, uma vez que foi colocado num desprezante 11º lugar da lista (só mesmo se Ana Gomes e Edite Estrela não forem para o PE é que o madeirense terá uma réstia de hipótese). Isto só prova que o PS não encara os Açores e a Madeira como Regiões Autónomas com especificidades próprias, que necessitam de ter representação firme e sua na UE. Não, o PS olha para as ilhas com o vulgar desdém de quem está na política apenas com interesses próprios e não para a defesa intransigente do bem-estar das populações e note-se que só concede aos Açores um deputado europeu, porque César ainda está no poder. Mas que fique registado: hoje foi a Madeira, amanhã poderão ser os Açores!


Mas mesmo sem falarmos nos Açores e na Madeira, parece que Vital Moreira não granjeia simpatias em praticamente nenhum quadrante da sociedade política portuguesa, a não ser, claro, em Sócrates e os seus yes-men/women-câncio. À esquerda, é visto (e muito justamente) como um traidor, à direita é visto como um ex-comunista. Como se tudo isto não bastasse, o senhor é completamente ridicularizado pelos seus adversários nos debates. Até meteria pena, não soubéssemos nós a peça que está debaixo daquele ar bonacheirão de Avô Cantigas em câmara lenta.

26 maio 2009

Bastonadas

Quando se juntam dois paladinos do justicialismo, ainda por cima em público, de certeza que acabará por acontecer um "duelo ao sol", com a diferença de que aqui não há qualquer diferendo entre o bom e o mau que nos leve a tomar partido por qualquer um deles. Por isso, limitamo-nos a assistir, sabendo que a vitória irá pender para aquele que conseguir encurralar o outro com um qualquer truque mais sorrateiro, nem que seja o encandeamento solar.

Não sendo um duelo de titãs, porque o argumento e os actores eram de série B, restou-nos apenas aguardar o momento em que um deles (qual, era a única imprevisibilidade) conseguiria dar uma estocada letal no outro.

Saiu a fava ao Octávio Machado da Justiça, o qual, habituado à concessão de infindáveis tempos de antena, e certamente confiante e inebriado pela sua própria capacidade oratória, desdenhou a fisga da traquejada justicialista, acabando por infligir em si próprio um K.O técnico, perante o olhar embevecido e complacente da sua homónima. Um frete, um simples frete, ditou o resultado. Será o final?

25 maio 2009

Silêncio... que se vai cantar o fado


Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!
in Poema do Silêncio, José Régio (excerto)

24 maio 2009

Europeias 09 - programas/propostas eleitorais

A campanha eleitoral já está na rua.
Note-se o frenesim em torno da distribuição de beijinhos, canetas, bonés, entre outras traquitanas. Entre estas e os insultos de parte a parte, fica sempre a faltar o essencial, isto é, o que interessa realmente ao cidadão: saber no que vai votar.

Aqui vos deixo os links para os programas/propostas eleitorais dos partidos e das coligações que nos pedem o nosso voto. Certamente menos úteis do que um bom Zippo ou uma BIC, mas mais importantes na ponderação do nosso precioso voto.

Partido Socialista
Partido Social Democrata
Coligação Democrática Unitária (PCP/Verdes)
Bloco de Esquerda
Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses
Movimento Esperança Portugal
Movimento Mérito e Sociedade
Partido Popular Monárquico
Movimento Partido da Terra
Partido Humanista
Partido Operário de Unidade Socialista
CDS-PP
Partido Nacional Renovador (+ perto que encontrei do programa)

Contra a Autonomia, Concretamente

Foto (clicar para ver melhor) digitalizada da revista "Grande Reportagem", de Setembro de 2002.


Por muito que agora “canse” ao Tibério Dinis falar-se no Vital Moreira, a verdade é que o cabeça-de-lista do PS às Europeias é claramente contra as Autonomias, ponto. E parece-me totalmente descabido fazer comparações entre o peso que teve Paulo Rangel e Vital Moreira na questão da aprovação do renovado Estatuto dos Açores. É que, melhor que eu, o Tibério deveria saber que a opinião e os (muito bem pagos) pareceres de Vital Moreira, a par de mais um ou dois, são fulcrais e fundamentais em assuntos constitucionais. Paulo Rangel é um deputado, com uma curta história na política nacional, que se absteve naquela questão. Vital Moreira tem um historial centralista, típico da pior linha comunista.

Mas já que o Tibério quer falar de outros exemplos de inimigos da Autonomia, para quê ir tão longe? É que aqui mesmo, nos Açores, há exemplos bem piores. Que me diz o Tibério do facto do PS-Açores ter sido contra a aprovação dos símbolos heráldicos dos Açores, abandonando a sala no momento da votação, deixando o PSD-Açores votar sózinho a sua proposta? Ou, que me diz o Tibério do facto do actual Presidente do Governo Regional dos Açores ter sido claramente contra o 6 de Junho, ao ponto de ter organizado uma contra-manifestação no dia 17 de Junho de 1975 (foto)?

23 maio 2009

Os equívocos de Cláudia Cardoso

Quando vi a reportagem televisiva sobre o caso da professora de Espinho, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que estávamos perante mais caso carnavalesco típico da educação portuguesa dos filhos de Rousseau e ri-me, confesso que ruidosamente, das incongruências, ameaças e insultos que fui ouvindo, incluindo as partes deliciosas sobre as “órgias romanas”, o que vindo de uma professora de História, enfim…, mas sempre confortado pela sensação de que até aquelas crianças percebiam o caricato da situação disfuncional, certamente mais de outro foro que não o pedagógico.

Só volto à estória porque a senhora professora-deputada Cláudia Cardoso assinou um artigo no Açoriano Oriental, no qual pregou sobre os malefícios tecnológicos, hoje ao dispor das nossas criancinhas, certamente porque permitiram desmascarar a tal situação abjecta, ao que parece conhecida de todos na Escola, mas, pelos vistos, olimpicamente ignorada, durante 3 anos, por aqueles que devem zelar pelo normal funcionamento da mesma, Conselho Directivo e Direcção Regional de Educação.

A senhora professora-deputada Cláudia Cardoso foi incapaz de compreender o cerne da questão. Na realidade, seguindo uma linha de pensamento logicamente redutora, remeteu, convenientemente, os acontecimentos para uma mera aula de sexologia (como se tal fosse normal na disciplina de História). Se era para isso, ter-lhe-ia bastado aconselhar o visionamento do programa daquela velhinha que passa na SIC Mulher ou de um outro da TVI 24 para explorar, por um lado, o Kamasutra tecnológico e, por outro, o da asneira. Certamente tiraria ilações sobre como não falar de sexo aos jovens.

O artigo publicado, nos termos em que o foi, seria absurdamente certeiro, se o caso não fosse de uma seriedade de contornos bem diferentes do que aqueles que, naturalmente, a senhora deputada-professora lhe quis atribuir.

Seguindo a linha de raciocínio articulado por Cláudia Cardoso, esta, por certo involuntariamente, acabou, no seu escrito, por legitimar todo e qualquer acto cometido contra as pessoas, por uma qualquer ditadura. Por exemplo, qualquer actuação em desconformidade com as leis legitimamente emanadas pelo órgão legislativo de um regime ditatorial, é ilegal e, por isso mesmo, quem agir contra a lei, mesmo pelos motivos mais nobres – a luta pela liberdade, por exemplo -, deverá ser exemplarmente punido.

Estes alunos são uns fora-da-lei e filhos de fora-da-lei, segundo o raciocínio implícito no escrito da senhora deputada-professora, por terem gravado, sem autorização, uma aula, a fim de poderem denunciar uma actuação, digamo-lo suavemente, deslocada da professora, forma única de credibilizarem as suas queixas nas quais apenas os respectivos pais acreditavam.

Incompreensivelmente, Cláudia Cardoso insurge-se contra a única forma possível para miúdos de 12-13 anos tornarem público e denunciarem práticas que, pelo seu terrorismo verbal, constituem um gravíssimo atentado contra crianças (crianças, senhora professora-deputada, crianças, percebeu?!), desta forma desvalorizando e omitindo qualquer referência ao facto indelével de a senhora professora espinhense usar coacção psicológica sobre as mesmas, valendo-se do seu duplo estatuto de adulta e de professora.

Para Cláudia Cardoso, é irrelevante a ameaça expressa por quem dá as notas ou sobre o que poderão fazer às alunas os "amiguíssimos" do filho da professora espinhense.

Tudo isso é irrelevante, por estarmos perante seres descendentes de "praticantes de bufaria e promotores da desconfiança". Logo, criminosos em potência.

Estaline, na sua tumba, rejubilará, com certeza. Mugabe, no seu púlpito, dançará. Mahamoud Ahmadinejad sentir-se-à legitimado para continuar a mandar lapidar mulheres ou homossexuais.

Naturalmente, quando escreveu isto, a senhora professora-deputada Cláudia Cardoso estaria a pensar, entre outros, no caso do professor Charrua, com o qual, presumo, se terá, certamente, mostrado publica e inequivocamente solidária, por ter sido alvo dos tais praticantes de bufaria, a não ser que essa bufaria tenha sido praticada por quem agiu nobremente, em nome da estabilidade e da defesa dos representantes das instituições democráticas e, portanto e por isso, devidamente justificada, como parece querer concluir quando se interroga sobre as razões da revolução.

Além do mais, a senhora professora-deputada Cláudia Cardoso não tem uma única palavra de condenação sobre as atitudes da professora de Espinho, as quais omite, refugiando-se numa indecifrável frase: “ Bem sei que há professores impróprios para consumo.” Solidariedade para com os indefesos?

Finalmente, porque estamos perante um caso em que um adulto atinge, coage e achincalha crianças e parece que se quer escamotear esse facto, lembra-se à senhora professora-deputada Cláudia Cardoso que a Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas, em 20 de Novembro de 1989, e ratificada por Portugal, em 21 de Setembro de 1990, diz, entre outras coisas, no seu Preâmbulo que:

[…] Tendo presente que, como indicado na Declaração dos Direitos da Criança, adoptada em 20 de Novembro de 1959 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, «a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais, nomeadamente de protecção jurídica adequada, tanto antes como depois do nascimento» […]

e que:

[…] Artigo 16
1. Nenhuma criança pode ser sujeita a intromissões arbitrárias ou ilegais na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou correspondência, nem a ofensas ilegais à sua honra e reputação. 2. A criança tem direito à protecção da lei contra tais intromissões ou ofensas. […]

pelo que, se aceitar isto, certamente entenderá que, neste caso concreto, os fins justificaram os meios e que a Revolução se fez exactamente para isto. Plenamente!

O Regresso de Sancho

Poucos ou nenhuns dos jovens de hoje se lembrarão ou sequer um dia conheceram ou ouviram falar dos ténis Sanjo, mas no meu tempo - há mais ou menos 20 anos -, quando estava por volta dos 16, esses ténis eram muito comuns entre uma certa classe média urbana de Ponta Delgada. Custavam na altura 1500 escudos (uma fortuna), hoje 7,5 € (uma pechincha). Ténis brancos In. Ténis pretos com sola branca Out. Completamente Out, eram até considerados "raflex". Como tínhamos de ser poupadinhos, fazíamos os possíveis para que eles durassem 2 anos. Alguém hoje sabe lá que isso é. Sanjo.

PS - Quando descobri as Tiger, nunca mais quis saber de outra coisa.

22 maio 2009

É d' Homem


Para quem não viu em directo, aqui fica o vídeo do Jornal Nacional de hoje, sexta-feira, onde o (ainda) Bastonário da Ordem dos Advogados diz a verdade nua e crua a Manuela Moura Guedes.

Às Voltas


A cronista do regime, Cláudia Cardoso, escreve um interessante artigo no Açoriano Oriental, sob o título "Pides de trazer por casa", sobre o caso em que uma aluna gravou as obscenidades duma professora de História, em plena sala de aula. A dada altura, a deputada Cardoso escreve o seguinte, devidamente realçado em bold: “Os meninos da era digital transformam as suas capacidades técnicas em armas poderosas e perigosas. Com o embevecimento dos papás e sem a devida condenação social. Em que adultos se transformarão estes meninos quando deixarem os bancos da escola”.

Eu acrescentaria mais qualquer coisa, em que adultos se transformarão os meninos a quem é dado um cartão sob o slogan “TU PODES TUDO”?

20 maio 2009

Olhando Para Trás



  • Chapterhouse - Breather (LP, Whirlpool, 1991, Dedicated Records)

  • Beastie Boys - No Sleep Till Brooklyn (LP, Licensed to Ill, 1986, Def Jam)

  • The Charlatans - Sproston Green (LP, Some Friendly, 1991, Beggars Banquet)

  • Far - Monkey Gone to Heaven (LP, Where is my Mind? A Tribute to the Pixies, 1999, Glue Factory Records)

  • Ruby - Paraffine (LP, Salt Peter, 1995, Sony Music)

  • The Wolfgang Press - Shut That Door (LP, Birdwood Cage, 1988, 4AD)
  • Ambiente - Contradições

    Parece-me evidente que se está a entrar num estado de paranóia relativamente a legislação sobre Ambiente. A regulamentação é exagerada e as obrigações descabidas. Em muitos casos, a UE legisla de forma horizontal, ou seja de igual modo para todos as regiões, o que, frequentemente, resulta em legislação desnecessária, para não dizer, contraproducente.

    Por outro lado e apesar disso, o Ambiente nos Açores é muito maltratado. Por exemplo, temos legislação do mais avançado no que toca a inspecções de aparelhos de ar condicionado, mas não temos legislação que se oponha a ataques devastadores à Natureza, como foi/é a Fajã do Calhau.

    Vamos acertar no Totobola

    Com a época futebolística a chegar ao fim, esquecendo um ou outro prémio carreira e outro prémio anual, a descontracção consiste em acertar no clube que ganhará cada jogo.

    1 - Benfica-Belenenses, Cosme Machado (Braga)
    2 - P. Ferreira-Trofense, Olegário Benquerença (Leiria)
    3 - Naval-V. Setúbal, Carlos Xistra (Castelo Branco)
    4 - Rio Ave-E. Amadora, João Ferreira (Setúbal)
    5 - FC Porto-Sp. Braga, Pedro Proença (Lisboa)
    6 - Sporting-Nacional, Paulo Baptista (Portalegre)
    7 - Feirense-Santa Clara, Paulo Costa (Porto)
    8 - Beira-Mar-U. Leiria, Jorge Sousa (Porto)
    Quem quiser pode lançar palpites na caixa de comentários.
    Noutro registo, eu, candidato assumido ao cargo de treinador do Glorioso e sem espiões no Seixal, armado em J.J., avanço já a equipa do SLB, se o actual for arrojado: Moreira, Maxi, Luisão, M. Vitor, Jorge Ribeiro, Bynia, Carlos Martins, Aimar, Urreta, Di Maria e Cardozo.

    19 maio 2009

    Tolerância Máxima

    Linkem a Cannes, a Jim Carrey e a Ewan McGregor, mas longe dos vossos filhos. Será que nos devemos linkar ao futuro porque é moda? Ou porque é um mal da civilização? Ou devemos simplesmente tolerar a homossexualidade porque sim? Serão os genes + um certo abrandamento dos usos e costumes do típico matcho tradicional? Responda quem cientificamente sabe.

    18 maio 2009

    FLA: 35 Anos Depois - Debate

    Os alunos do curso de Estudos Europeus e Política Internacional do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores convidam toda a comunidade académica a participar, no próximo dia 19 de Maio, no debate sobre a contextualização da Frente de Libertação dos Açores na história recente dos Açores.

    Com o titulo “FLA: 35 anos depois”, o debate será presidido pelo Professor Doutor Luís Andrade e moderado pelo Dr. Paulo Simões, director do Açoriano Oriental da TSF-Açores, e contará com a presença do Sr. José Almeida, Dr. Carlos Melo Bento, Professor Doutor Carlos Amaral, Jornalista Jorge Nascimento Cabral e o ex-Comandante da Policia Militar, Sr. Furtado Dias que discutirão os principais momentos da época. Após a sessão de debate, os convidados disponibilizar-se-ão para responder às questões interpostas pelo público.

    Dia- Terça-feira, dia 19 de Maio, às 10h00
    Local - Anfiteatro C da Universidade dos Açores

    Momentos Confrangedores de um Fim de Semana Longo

    - Atribuição dos prémios para “melhor” actor/actriz nos Globos d’Ouro na SIC, numa imitação ridícula da fórmula Óscares deste ano.
    - Globos d’Ouro.
    - Filmagens das celebrações das equipes de futebol dentro dos respectivos balneários. Haverá necessidade?
    - José Eduardo Bettencourt, candidato à presidência do Sporting: “Paulo Bento forever”?!?
    - José Veiga, à saída do Tribunal (pois claro): "Posso voltar daqui a seis meses ou daqui a uns anos (ao Benfica)."

    17 maio 2009

    Abstenção militante ou cobardia política?

    Portugal é um país engraçado. É engraçado por se sentir eternamente adiado; é engraçado porque cada cidadão sente que não ocupa o devido lugar ou não sabe como chegou ao lugar que ocupa. Como escreveu Fialho de Almeida " mais raras ainda parecem dignas do destino a que foram erguidas ".

    Nessa medida, são os políticos, por razões óbvias, que estão mais sujeitos a este olhar e ao escrutínio público, facto que, por si só, os deveria imediatamente auto-responsabilizar não só no sentido de bem exercerem os cargos para que foram eleitos, mas, sobretudo, e previamente, se serão capazes de exercer dignamente os mesmos. Entre outros aspectos, esta dignidade no exercício de um cargo político implica sempre a capacidade de ter uma opinião, ser capaz de a defender e, não menos importante, ter capacidade de decidir e de assumir a decisão, qualquer que ela seja. Se um eleito não possuir estas características mínimas, sou incapaz de perceber, sem especular, qual a razão que o levou a aceitar o exercício de um cargo que implica sempre a tomada de uma decisão.

    Por outro lado, revela-se igualmente engraçada a forma como os partidos escolhem aqueles que pretendem mostrar aos eleitores como sendo os portadores daquelas qualidades supremas que sejam distintivas o suficiente para conseguir captar o voto fundamental. Por norma, escolhem, para cabeça de lista, um nome suficientemente conhecido junto dos potenciais votantes, cujo prestígio pessoal se sobreponha ou possa ser sobreposto ao do próprio programa eleitoral e, além disso, possa dar alguma credibilidade política à maioria dos restantes elementos candidatos, virtualmente ilustres anónimos, e cuja escolha se revela sempre um mistério mais insondável que os desígnios do Senhor.

    Eleitos todos e ultrapassado o deslumbramento, depressa, os mais ingénuos, descobrem a democrática disciplina partidária que os obriga a votar, não segundo a sua vontade, mas, sob apertada vigilância, segundo os cânones pré-estabelecidos pela direcção do respectivo partido.

    Se, de uma maneira geral, tal não faz grande mossa, até porque se supõe que todos estarão basicamente de acordo nas matérias em discussão (obviamente por serem do mesmo partido), já o mesmo não se passa aquando das chamadas matérias de consciência. Aí, espera-se que todos e cada um, perante a eventual liberdade de voto, assumam a sua individualidade, antes diluída, e cumpram o que se lhes exigiu quando foram eleitos: decidir exclusivamente com fundamento nas suas próprias convicções.

    É nestes momentos que os ilustres anónimos poderão libertar-se de tal espartilho, ao assumirem clara e frontalmente uma opinião que pode ser diferente ou igual à dos restantes mas que tem, agora, o cunho da pessoalidade. Rarissimamente, mas, nestas alturas, há ilustres anónimos que se distinguem pela certeza e pela clarividência na expressão do seu voto, tornando-se, por isso mesmo, politicamente credíveis. Depois, há os restantes anónimos, que anónimos continuarão, felizes com o lugar que lhes coube em sorte na elaboração da lista de candidatos.

    Pelo meio, os eleitores, habitualmente divorciados daquilo que se passa nestes centros de decisão, mostram-se mais atentos, até porque, nestes casos de liberdade de voto em matéria de consciência, sempre poderão tentar perceber e conhecer aqueles que presumiram perceber e conhecer nos discursos que encheram as ruas de promessas.


    A alma do eleitor busca apenas uma ideia, uma simples palavra idiossincrática, que a leve a ter fé naqueles que se apresentaram como sendo os arautos da mudança, querendo ver neles rostos de coragem e de capacidade de decisão que possam transformar a eterna esperança em certeza efectiva, com isso esperando, independentemente daquilo que decidirem, que, pelo menos, decidam, sem concessões, dada a tão propalada liberdade de voto.

    Por isso, certamente sentir-se-ão traídos e frustrados, quando algum dos seus eleitos, ilustre ou anónimo, se revela incapaz de demonstrar que pensa e é capaz de tomar uma decisão por muito impopular que ela seja, sobretudo se a respectiva opinião e consequente voto sejam decisivos para a eventual aprovação da tal matéria de consciência, ainda por cima com o agravante recurso a expedientes de desresponsabilização pessoal que roçam o patético.


    Depois de tudo isto, hipocritamente, há sempre uns quantos, desta feita normalmente ilustres, que se manifestam desolados pelo agravamento do divórcio entre eleitores e eleitos e o lógico aumento da abstenção. Afinal não era isto que eles pretendiam quando por cobardia política se mostraram incapazes de decidir?

    Dá-lhes Santa Clara


    Neste solarengo Domingo do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o Santa Clara joga uma cartada decisiva para a subida de divisão, contra a Oliveirense, no Estádio de São Miguel.

    O CDSC venceu por 3-1. Na próxima jornada, decide-se tudo.

    Festas do Senhor

    De longe as melhores de que tenho memória. De longe as que melhor incorporaram o sagrado e o profano.


    16 maio 2009

    Angola; clã Dos Santos

    Angola é uma democracia encapotada. Lembro-me bem de uma “benesse” que o primeiro Governo a tomar conta dos destinos do país – pós guerra civil entre MPLA e UNITA -, e, consequentemente, do Parlamento Nacional, que teve por base a concessão a cada deputado nacional de um automóvel Mercedes. Foi uma medida para agradar a todos e calar algumas vozes potencialmente incómodas. Resultou! Aquilo a que se tem assistido é a uma oposição calada, envergonhada e colaborante, pois os benefícios também a ela chegam. Até no último acto eleitoral essa realidade foi patente. Por isso, o clã Dos santos continua a tomar conta do país a seu bel-prazer, e com dividendos nunca possíveis numa verdadeira democracia.
    Preocupante é que, mesmo em Portugal, se teima em não penalizar o crime de enriquecimento ilícito, como se a inversão do ónus da prova não fosse de encontro ao combate à corrupção e resultasse em benefício do interesse público.

    A protecção também absorve os amigos que forneciam as armas ao regime que toma conta dos destinos de Angola. Quem não se recorda do amparo ao comerciante de armas francês Pierre Falcone, com mandado de captura internacional, e que o Governo Angolano teve o desplante de o colocar como representante do país nas UNESCO, concedendo-lhe, deste modo, imunidade diplomática. Para família e amigos há sempre lugar....

    Os proventos dos que gerem e detêm o lucro dos vastos recursos naturais desta grande potência Africana, continuam nas mãos de um restrito número de privilegiados, curiosamente – ou talvez não -, todos familiares ou pessoas muito próximas do presidente de Angola. (Já aqui aflorados num post em 2007).

    Chegou a falar-se da possibilidade (ou convite?) de uma das filhas de José Eduardo dos Santos, adquirir o Hotel Casino que se encontra em fase de conclusão na cidade de Ponta Delgada. Obra que, em minha opinião, representa um verdadeiro atentado arquitectónico e paisagístico na cidade de Ponta Delgada.

    Mas o clã Dos Santos, para além da participação em várias grandes empresas e bancos em Portugal, também continua a fazer crescer o seu poderio em território Angolano, conforme atesta esta notícia no Semanário Económica de hoje. Ou seja, Isabel dos Santos, primogénita do presidente Angolano, e abastada empresária, continua a ser uma parceira apetecível para empresas portuguesas, pois prepara-se, agora, para ser a cabecilha do Grupo ZON em território Angolano.

    Mais um dúbio negócio, com sabor a proteccionismo, e com a bênção dos interesses económicos – desta feita, portugueses -, em território Angolano, onde os apelidos parecem ter mais força do que o mercado livre. As portas abrem-se ou fecham-se ao sabor das conveniências de quem é Rei e senhor de uma das maiores nações Africanas.

    A Ética parece já não interessar no mundo dos negócios dos tempos modernos, pois o lucro é quem mais ordena. Onde há petróleo e diamantes, tudo se resolve sem levantar ondas, pois com mar manso os cidadãos ficam serenos, logo cegos, e os pervertidos têm a margem de manobra desejada.

    Quem perde com esta falta de Ética?

    15 maio 2009

    Os Blogues e a Intervenção Política

    Injustamente, esqueci-me de incluir nos dados positivos o Movimento Contra a Sorte de Varas, iniciado pelo InConcreto e seguido por, cerca de, 50 blogues (este incluído). Resta saber até que ponto teve influência nas decisões pessoais que cada deputado teve de tomar por si próprio(alegadamente).

    Sinceramente e por aquilo que sei, a blogosfera made in Açores é vista por um bom número de deputados e políticos em geral. Aliás, muitos têm o seu próprio blogue, twitter, facebook, etc., nem que seja para seguir a moda. Portanto, será legítimo pensar que sim, que o Movimento Contra a Sorte de Varas e toda argumentação que lhe foi associada, tanto ao nível de posts, como ao nível de comentários, teve influência entre os indecisos e até, quem sabe, entre alguns dos que começaram por ser a favor. Porque, verdade seja dita, alguns dos argumentos a favor da introdução daquela abjecta actividade foram simplesmente patéticos.

    Não se tenha dúvida: a internet está a ocupar um espaço cada vez maior na actividade de opinião política, às custas, evidentemente, dos jornais. Nos Açores, esse movimento será ainda mais evidente, dada a letargia a que a comunicação social tradicional está entregue. Além do imediatismo e da rapidez com que a informação/opinião circulam, a internet e os blogues, em particular, têm outras vantagens decisivas, como o debate e troca de ideias e, em muitos casos, a abordagem que os autores têm relativamente à sua intervenção.

    Não posso deixar de incluir nestas breves linhas, uma consideração sobre o anonimato: também esta especificidade da internet poderá ser considerada uma vantagem em relação aos media tradicional, porque, em muitos casos, poderá ser a única forma de certos indivíduos colocarem cá fora aquilo que pensam, sem receios de nenhuma espécie. No entanto, receio que o anonimato retire alguma da credibilidade que, com enorme dificuldade, os blogues têm vindo a construir. De resto, o factor anonimato será apenas mais uma razão para que, mais tarde ou mais cedo, se tenha que regular, de alguma forma, a intervenção na net. Simplesmente não podemos ficar ao dispor de ataques vis, ameaças, boatos, plágios, etc. sempre que um qualquer assim o entenda.

    A Liberdade, mesmo na net, tem limites.

    14 maio 2009

    Promoção

    Depois do Allgarve, surge agora uma nova forma de promoção do país. O Allcorrupt.
    Ao que parece, já conseguiu atrair a atenção um pouco por essa Europa fora.

    Reuters - Lisbon on Tuesday launched a disciplinary process against the Portuguese chief of EU anti-crime coordination agency Eurojust, over allegations he pressured investigators to shelve a corruption case.

    EUOBSERVER/BRUSSELS – The EU’s judicial co-operation body, Eurojust, on Wednesday tried to distance itself from a scandal involving its head, Jose da Mota, who allegedly put pressure on prosecutors in order to stop a corruption probe involving Portuguese Prime Minister Jose Socrates.

    Resultado da Votação

    Felizmente, a Sorte de Varas não foi aprovada. É o único dado positivo que se pode extrair de todo este episódio. Porque, de resto, constata-se que a ALRA não está a saber lidar com os poderes conferidos pelo novo Estatuto. Constata-se que pode acontecer um desvairo destes de um qualquer deputado que caia de para-quedas nestes Açores e nos queira impor os costumes de outras terras. E constata-se, finalmente, que o actual modelo legislativo regional está nas últimas. No papel é uma coisa, mas a realidade é bem diferente. O Governo é que tem o poder todo, remetendo para a ALRA apenas questões incómodas, como foi o caso, ou pequenos pormenores.

    13 maio 2009

    Post Aberto Dedicado à Menina da Rádio

    clicar na imagem


    Caríssima Menina da Rádio,

    É com muito gosto que acedo à sua interpelação de colocar a fotografia de um exemplar do sexo masculino. No entanto, devo dizer que não foi fácil. Por duas razões, essencialmente:

    1) a decisão de fazer um post desta natureza. O debate mental que tive nestas útlimas horas foi desgastante, mas finalmente decidi ir em frente, apesar de todas as consequências que isso poderá acarretar para o entendimento que tenho da minha própria existência.

    2) a escolha da foto. Como antes lhe disse, não sei avaliar a estética masculina, mas perante a obrigatoriedade de o fazer, optei pelo James Bond e devo realçar que é O James Bond. Na verdade, Sean Connery encarna na perfeição o personagem criado por Ian Fleming e a imagem em questão representa, talvez, o seu ponto mais alto, no seu melhor filme: o jogo de golfe em Goldfinger.

    Espero que disfrute, pois não prevejo que tão cedo se repita algo do género.

    Sinceros Cumprimentos.

    Ele é...


    … twitter…
    … facebook…
    … internet…
    … sms…
    … e-mail…
    … electrónico…
    … digital…
    … tecnológico…
    … Sejam benvindos ao Admirável Mundo da Política Digital. Hoje, o dia em que foi noticiado aqui que José Sócrates contratou equipa de Obama para tentar vencer com maioria absoluta as eleições legislativas nacionais.

    Igreja de Nossa Senhora de Fátima

    Imagem retirada deste blogue, onde podem-se encontrar muitas mais.

    Foi inaugurada ontem a igreja de Nossa Senhora de Fátima no Lagedo. Marcada claramente pelo impacto que tem na paisagem local, esta obra deve ser vista como um marco arquitectónico do nosso tempo para as gerações futuras. Por outro lado, espera-se que este novo santuário tenha uma função de cariz social, abrindo e arejando, na medida do possível, aquele bairro a novas pessoas e a novas vivências e quebrando parte do estigma que lhe está associado.

    12 maio 2009

    Está na Hora de Mudar


    Playlist renovada com cinco temas de 2009.
    • Sonic Youth - Sacred Trickster (do album The Eternal, lançado a 8 de Junho pela Matador)
    • Yeah, Yeah, Yeahs - Little Shadow (do album It's Blitz)
    • Deleted Scenes - Fake Id's (do album Birdseed Shirt)
    • Pinstripe 45s - Times Like These (do myspace)
    • Micachu & The Shapes - Lips (do album Jewellery)

      Além disso, temos Mónica Belucci, cortesia de Miguel Marujo.

    Não à Sorte de Varas


    Pessoalmente, adiro, sem reservas, ao Movimento Contra a Sorte de Varas nos Açores, criado pelo Tibério Dinis. Não é tanto pela questão da tradição (ou ausência dela), nem pelo mau uso das novas competências do Estatuto, é porque cria em mim um sentimento de repulsa pela forma como o animal é tratado.

    P.S.: Se alguém desejar falar de outro assunto que não a sorte de varas, tipo matadouros, então crie um fórum para esse efeito. Doutra forma, não contem comigo para esse tipo de debate.

    11 maio 2009

    A Bela Vista, tem sido Mal Vista

    Os números do Relatório Anual de Segurança Interna, referentes ao ano de 2008, já haviam revelado que a criminalidade violenta e muito violenta em Portugal sofreu um aumento brutal, na ordem dos 10%.

    Estes números davam já indicações para - num cenário de crise mundial e nacional -, a tendência ser a de continuar a aumentar, em lugar de sofrerem um decréscimo. Aliás, tal decréscimo, só poderá acontecer com medidas de fundo, que não foram, pelo menos ainda, tomadas por quem de direito, o Ministério da Administração Interna.

    O mundo criminal continua a atrair muitos jovens, que vêem nele uma forma rápida e sem grande esforça e sacrifício diários, para conseguirem dinheiro ou bens alheios. A toxicodependência é, seguramente, uma das razões para que, jovens e menos jovens, desesperados, optem por uma vida de crime. Mas a sociedade de consumo, que valoriza mais o ter do que o ser, também é fortemente responsável por esta escalada de violência.

    Todos sabemos que os trabalhos exigem responsabilidade, são duros, quotidianos e mal remunerados, e que o desemprego está em alta. Mas as soluções de realojamento que têm sido adoptadas por sucessivos Governos e Autarquias, em nada ajudam a disseminar os grupos de jovens (na sua maioria) que se agrupam com o objectivo de, pela força das armas, violência e coacção sobre terceiros, conseguirem o dinheiro e os bens que pretendem. Colocar grupos vulneráveis e socialmente excluídos, com baixa escolaridade e parcas expectativas de vida futura, todos num mesmo espaço, contribui, em larga medida, para a facilitação da formação de grupos criminais. Há que associar estas faixas da população, a outras menos susceptíveis a enveredarem por caminhos de delinquência.

    O bairro da Bela Vista, que tem conhecido dias de enorme tensão, é só mais um desses bairros que, de quando em vez, explodem. Desta vez o pretexto foi a morte de um jovem do bairro, baleado pela polícia, enquanto esta perseguia a viatura em que a vítima seguia, e que, alegadamente, terá sido responsável por um assalto no Algarve. Terá lá ido passar férias…..?

    Alguns moradores deste bairro – na sua maioria na casa dos 20 anos -, logo se apresentaram perante as câmaras das várias televisões que para ali se deslocaram, assegurando que o jovem baleado pela polícia “era bom rapaz”, e que, por isso, “exigiam justiça”. Mas a forma que esses pretensos amigos da vítima encontraram para “exigir justiça”, foi tudo menos Justa e aceitável.
    Aquilo a que temos assistido nos últimos dias, é um ataque à autoridade, aos policias em geral, e à esquadra da PSP de Setúbal em particular. Desde disparos contra a referida esquadra, até ao lançamento de Cocktail Molotov e pedras contra os agentes da PSP, passando pela queima de viaturas e outros bens alheios, tudo serviu para “apelar à justiça”. Mas não à ordem pública e ao respeito por essa mesma justiça que se apregoa.

    A revolta social está instalada, mas estou seguro que tais atentados à segurança policial e pública, pouco têm a ver com o jovem que morreu. Este foi só um pretexto, e se a repressão policial não for forte e eficaz, corremos o risco da sociedade ficar vulnerável perante os criminosos, pois os agentes da autoridade ficam reféns destes bandidos e espartilhados na sua acção em defesa do cidadão cumpridor da Lei.

    Claro que não basta a repressão policial perante casos destes. Uma também forte e eficaz intervenção social, junto destas pessoas, no interior destes bairros, é a forma mais eficiente e duradoura para promover uma mudança social, desejável e que favorece a sociedade onde, afinal, estes criminosos estão inseridos.

    Cada vez acredito menos na reabilitação em meio prisional – salvo raras excepções, por empenhamento dos técnicos de reinserção social e a indispensável vontade de alguns reclusos -, pois as cárceres têm péssimas condições (por exemplo o Estabelecimento Prisional de PDL chega a ter 16 reclusos por cela), não sendo capazes de efectuar uma separação dos diferentes presos (por delito praticado, ou entre os já condenados e aqueles que se encontram a aguardar sentença) nem tão-pouco têm técnicos de reabilitação em número suficiente para que se possa fazer um eficaz acompanhamento dos que se encontram enclausurados, e uma desejável e fundamental vigilância e apoio aos que são restituídos à liberdade, porque o regresso ao meio de origem é, só por si, um convite às recaídas. Por isso, em vez de regeneradores e potenciadoras de uma mudança de atitude perante a vida pós cumprimento da pena, são antes escolas superiores de crime. É sabido – e assumido pelos próprios responsáveis da Direcção Geral dos Serviços Prisionais -, que a entrada de droga nas cadeias é algo difícil (impossível, digo eu) de resolver e evitar. Tudo isto contribui para um mau ambiente prisional e a proliferação de diversas doenças infecto contagiosas.

    Urge dar esperança às crianças e jovens mais desfavorecidos, por isso a solução está na Prevenção. As crianças que crescem nestes meios pejados de violência e crime, tendem a idolatrar aqueles que são respeitados, ou antes, temidos, lá no bairro. Esta atitude é meio caminho para enveredarem por trilhos de delinquência e desvio à norma. Não sou defensor da descida da idade penal – actualmente situada nos 16 anos -, mas sim numa intervenção cada vez mais precoce, quer a nível da capacitação e orientação parental, quer na intervenção ocupacional das crianças, por serem recursos facilitadores da abertura de novas perspectivas de vida e de uma capacidade relacional mais assertiva e, por conseguinte, mais duradoura e consequente com os padrões morais e culturais da sociedade onde estão inseridas.

    SATA Rally Açores














    Foi um excelente ráli, apesar do Guia e Roteiro Oficiais que nem tinham os horários das PEC e que estavam pejados de erros de português, apesar do inglês macarrónico de alguns repórteres que fizeram a, ainda assim, bela cobertura do evento e apesar dos contra-tempos normais nestes eventos, com os acidentes (obrigadinho, Häninnen) e nestas ilhas, com a conhecida instabilidade do tempo.

    Para um relatório completo, com imagens e todos os vídeos da RTP e do Eurosport, remeto-vos para o blogue Rally Azores.

    É impossível ficar indiferente às fantásticas imagens do heli e a todo o "especial" do Eurosport (no vídeo).

    09 maio 2009

    Dia da Europa

    À beira das eleições europeias, com previsões de uma abstenção com valores deveras preocupantes, as instituições e os partidos políticos esforçam-se para atrair a atenção de cidadãos e eleitores.
    Hoje comemora-se o Dia da Europa e um pouco por todo o lado, assistimos a celebrações das mais variadas formas.
    Muito há para dizer sobre o momento que a Europa vive. No entanto, esta data, parece-me uma boa oportunidade para reler a declaração de Robert Schuman a 9 de Maio de 1950.

    É incrível a actualidade destas palavras.

    Isto ainda vai acabar mal

    Rua dos Mercadores. Não se trata de estar a favor desta ou daquela opinião. Mas o que lá se está a passar é a pura anarquia: peões sem passeios, automóveis sem faixa de rodagem, carrinhas e outros estacionados por tempo indeterminado (não há parquímetros, nem sinais de estacionamento proibido).
    Passeiem pela baixa. Vejam com os vossos olhos. Exija-se bom senso.
    Rua dos Mercadores. Não será irónico?

    08 maio 2009

    A RTP-A e a meteorologia

    Fosse sempre assim e tudo estaria bem.
    Durante esta semana, dei conta do afinco objectivo que acometeu o jornalista que apresenta o programa Bom Dia Açores. Com efeito, foi bonito de ver que, finalmente, até eu, um pobre descarrilado na matéria, pude compreender o tempo que faria nos Açores. Desta vez, o senhor apresentador, habitualmente trapalhão e confuso na abordagem temática, deixou os especialistas explicarem, do princípio ao fim e em sequência lógica, a meteorologia nas ilhas. Não sei o que se passou com as restantes pessoas, mas a consequência lógica para mim foi evidente: consegui sair de casa sem guarda-chuva num dia de sol.
    Nem que seja só por isso, decidi que passarei a ser um fã incondicional do Rally dos Açores, independentemente dos seus custos e do real impacto na economia açoriana.

    07 maio 2009

    O Poder do 4º Poder

    Baseado em factos verídicos:

    Numa pequena altercação num estabelecimento público, entre um funcionário e um utente, o funcionário portava-se de forma um pouco rude e até a roçar a falta de educação. A dada altura, o utente perde a paciência e ameaça chamar a … televisão. Logo tudo muda e num piscar de olhos, o funcionário desfaz-se em desculpas.

    06 maio 2009

    "O lado oculto do país" by VB

    O nosso caríssimo comentador Voto Branco enviou-nos um texto, para a caixa de correio do blogue, no passado dia 6 de Abril. Por razões difíceis de explicar, raramente consultamos a dita, pelo que só hoje vi o email. Portanto e com o devido pedido de desculpas ao Voto Branco, aqui fica o seu postal, que publico com grande satisfação:

    "O lado oculto do país!

    Os sucessivos governos são peritos em lançar medidas atrás de medidas, abrangendo todas as áreas sociais, ás quais nunca chegamos a saber os seus resultados práticos.

    Ora vejamos,

    O Ministério da Segurança Social e do Trabalho, lançou o Rendimento Social de Inserção (RSI), mais conhecido por rendimento mínimo, com o objectivo de diminuir as desigualdades sociais e permitir a todos os cidadãos uma vida digna.. Os resultados concretos nunca foram divulgados, a não ser o número de beneficiários que aumenta de ano para ano. Na prática o que esta medida proporcionou - em grande parte dos casos - foi o aumento das vendas de plasmas, LCD, antenas parabólicas, automóveis, motos, computadores e outros bens de primeira necessidade, continuando a aumentar as desigualdades entre ricos e pobres (alguns de espírito).

    O mesmo Ministério lançou os Programas de Estágio na Administração Pública e Autarquias locais (PEPAP e PEPAL) de forma a auxiliar os jovens licenciados e não licenciados a entrar no mercado de trabalho. Os resultados desta medida nunca foram publicados, pois quase a totalidade desses estagiários ao final do ano de estágio voltou para o desemprego, já que nenhum ou quase nenhum organismo os pode integrar por falta de verbas, resultado da reforma da administração pública em curso. Na prática o que esta medida proporcionou foi diminuir por algum tempo as listas de inscritos nos Centros de Emprego e assim poder divulgar números “forjados” do desemprego.

    O Ministério da Educação lançou os programas PER, PROFIJ e outros, todos com o objectivo de combater o abandono escolar e o insucesso escolar. Mais uma vez os resultados divulgados são apenas a dar conta da diminuição do número de alunos a abandonar o sistema de ensino. Na prática o que se constata é a quantidade absurda de jovens que não sabem ler, escrever e fazer contas óbvias, sendo que alguns deles acabam com um “canudo” debaixo do braço.

    O Governo prometeu a cobertura a 100% do país das redes de banda larga, o facto é que pelos vistos alcançou mesmo os objectivos. Mas na prática chega-se ao cúmulo de algumas aldeias deste país terem acesso à Internet em banda larga mas não disporem de saneamento básico, isso sim, um equipamento que se traduz na melhoria da qualidade de vida de um país.

    O Governo “adoptou” o Magalhães, esse belíssimo computador portátil, prometendo-o a todos os alunos do ensino básico por quantias irrisórias. Ainda não se conhecem os resultados práticos, mas já se sabe que está cheio de “bugs” e “erros de ortografia”. Nesta matéria o governo já está a perder, mas o jogo ainda não acabou.

    Estes são alguns dos exemplos do lado oculto do país em que vivemos, trabalhamos e pagamos impostos!"

    Rally Açores - Começo Tremido


    Não tenho qualquer dúvida que mais de metade dos açorianos ainda não se deu bem conta da importância do evento que decorre em São Miguel no próximo fim-de-semana. De facto, o SATA Rally Açores deste ano poderá ter um impacto importante na promoção da marca "Açores", por via de estar incluído no IRC e por trazer às nossas estradas aqueles que certamente serão os campeões do mundo da especialidade no futuro, mas acima de tudo porque terá cobertura televisiva pelo Eurosport, canal que chega a 116 milhões de casas em 59 países. É muita gente.

    Será, portanto, de esperar que tudo esteja preparado ao milímetro para que o rally corra ... sobre rodas. O primeiro contacto que a maioria dos aficionados terá com o rally será através do "Guia Oficial". No entanto, pelo menos comigo, esse primeiro contacto não foi o melhor. Muito mais do que crítica fácil, estas palavras devem ser levadas em conta de forma séria, para que, pelo menos, não se repita no futuro. Desde erros de português, até à falta de acentuação (muito frequente), passando por construções frásicas no mínimo estranhas e repetitivas até à exaustão, os textos deste Guia são de uma qualidade deveras preocupante, que indicia falta de atenção.

    De resto, esperam-se três dias de emoções fortes onde natureza e tecnologia unem-se num espectáculo fascinante.

    05 maio 2009

    Jantar jantar jantar


    Agora que a família cresceu, que tal um jantar?

    Os Cinco na "Máquina de Lavar"

    Este blog é apenas mais um dos milhares que pululam a blogosfera nacional. Tem sede nos Açores, mas não centra as suas abordagens somente neste edílico arquipélago - nem os seus autores são todos autóctones – pois os interesses dos que por aqui escrevem, vão para além deste Oceano que nos abriga e aprisiona.

    Esta máquina foi posta a funcionar pelas mãos do meu amigo de longa data Rui Gamboa, que, alguns meses depois, e após alguma insistência (a qual agradeço), me colocou como segundo escriba deste espaço. Assim permanecemos postando por aqui, os dois, durante quase três anos.

    O seu nome - já aqui explicado -, não tem por base lavar roupa suja, mas antes agitar algumas águas, e apresentar opiniões e olhares, sobre várias temáticas e devaneios, consoante a sensibilidade e interesses dos seus autores. Aquilo que não é, de todo, é uma feira de vaidades, nem pretende ser propriedade de um ou dois autores. Por este facto, e porque a diversidade é uma qualidade apreciada por nós dois, decidimos, em conjunto, convidar mais dois amigos para fazerem parte da nossa equipa. Refiro-me ao José Gonçalves e ao Sérgio Santos. Por razões que só ao último dizem respeito, só agora este pôde aceder ao nosso convite. Pelo caminho surgiu o Luís Almeida – o único “maquinista” que eu não conhecia -, que tendo em conta a sua actividade profissional, nos pareceu uma boa forma de abrir caminho a novas ideias e abordagens.

    Em suma, serve este post para dar as boas vindas ao nosso amigo Sérgio, o último maquinista a assumir os comandos desta “Máquina de Lavar”. Caríssimo, congratulamo-nos com a tua chegada, por múltiplas e válidas razões.

    N.B.- Nos meus tempos de criança, havia as aventuras de “Os Cinco”, mas nestes cinco que aqui escrevem, não há nenhum cão. :)

    04 maio 2009

    Panis et Circenses

    Julgo não me enganar ao insistir que o homem deveria ter coragem para tomar uma atitude a sério, pois ninguém pode ficar indiferente ao conteúdo desta entrevista. A pergunta que se coloca é a de saber qual a atitude: o recurso, uma vez mais, a este expediente ou ser mais profícuo e fazer o que há uns tempos escrevi aqui ? Realisticamente, pelo que conheço dele, tenho quase a certeza que a montanha vai novamente parir um rato!

    03 maio 2009

    Juego del Viento, Sombra del Angel

    "Uno de los primeros recursos propios del escritor profesional que Isabella había aprendido de mí era el arte y la práctica de procrastrinar. Todo veterano del oficio sabe que cualquier ocupación, desde afilar el lápiz hasta catalogar musarañas, tiene prioridad al acto de sentarse a la mesa y exprimir el cerebro. Isabella había absorbido por ósmosis esta lección fundamental y al llegar a casa, en vez de encontrarla en su escritorio, la sorprendí en la cocina afinando los últimos toques a una cena que olía y lucía como si su colaboración hubiera sido cuestión de varias horas."
    Záfon, Carlos Ruiz, El Juego del Angel, pág. 412, Edição espanhola da Editora Planeta.
    Disponível em português na Dom Quixote.
    Um excerto de um dos livros que no último ano me deu mais prazer a ler. Li o original em castelhano, quase 700 páginas, comprado numa livraria de Santiago de Compostela. Confesso que para quem gosta de emoções fortes, é um experiência única. Antes lera A Sombra do Vento, igualmente genial.
    Advirto que há quem considere Carlos Ruiz Záfon um autor (imaginem os aficcionados) "light"! Será para rir?

    02 maio 2009

    A Inquisição e a Justiça

    Foi no século XVI, e através de solicitação do monarca D. João III, ao Papa Paulo III, que é instituída, por bula papal, a Santa Inquisição em Portugal. Esta, não passava de um Tribunal Eclesiástico, ou do Santo Ofício, gerido pela Coroa nacional, e que tinha como principal objectivo controlar os hereges e infiéis. Não era por acaso que o inquisidor mor nessa época, era D. Henrique, irmão de D. João III, encarregue da execução dos autos-de-fé.
    Foi uma época de enormes barbaridades, em que o recurso à tortura, para conseguir uma confissão do denunciado, era prática comum e com requintes de malvadez extrema.
    As penas eram variáveis, mas a mais dantesca era sentença que condenava o suposto herege, a ser queimado vivo numa fogueira, e em praça pública.

    Nos dias que correm, felizmente que tais actos estão a séculos de distância, e que práticas tão medonhas, são somente parte da História da Igreja Católica e dos reinos que a ela se subordinavam.

    Mas se os Estados modernos são laicos, já no que toca à administração da Justiça - e aos seus actores e executores -, esta parece continuar a ser alvo de um controlo apetecível por parte da “coroa” dos tempos modernos. Subsistem verdadeiros atentados ao princípio da separação entre poder político e judiciário. Só para citar alguns exemplos mais recentes e mediáticos; temos o responsável pelo sindicato dos magistrados do MP a revelar haver pressões para um arquivamento do “caso Freeport”; a colocação no conselho superior do MP do irmão do, então, Deputado e Arguido, Paulo Pedroso; a tentativa de equiparação dos magistrados a “simples” funcionários públicos; o próprio “caso Maddy”, etc. Dos que mais me escandalizou nos últimos tempos, encontra-se a alteração do artigo 30, na sua alínea 3, do Código Penal - aquando da recente revisão do mesmo -, e que foi efectuada enquanto durava (dura) o processo “Casa Pia”. Esta alteração vai contra as vítimas, beneficiando largamente, digo, escandalosamente, os agressores sexuais, que, assim, vêem as suas penas substancialmente reduzidas no caso de crime continuado contra a mesma vítima.

    A Justiça é um bem, um Direito inamovível, e indispensável numa sociedade. A sua autonomia é um dos maiores ganhos das democracias modernas e um garante da sua continuidade. Quem atenta contra a Justiça, atenta contra os cidadãos, a sociedade e a própria Democracia.

    Os Tribunais, e quem lá trabalha, não têm merecido a atenção e cuidado que lhes é devido. Os relatos de agressões e desrespeito para com os magistrados são cada vez mais recorrentes. Não são raros os roubos de caixas multibanco que se encontram dentro das instalações dessas sedes da justiça. E hoje, mais um episódio que demonstra a incúria e desleixo com que as instalações onde se administra a justiça são tratadas. Conferir Aqui.

    A justiça já está informatizada, tem o Habilus e as suas habilidades e imperfeições. Mas a protecção dos cidadãos não passa por meros avanços tecnológicos nessa fulcral área, passa, sobretudo, pela dignificação e manutenção de um estatuto diferenciado e autónomo para os magistrados, e por uma protecção conveniente e eficaz dos que lá trabalham e dos processos que estão a seu cargo.

    Já não se queimam pessoas em praça pública – graças a Deus -, mas o Legislador tem queimado em praça pública (e não só) a Justiça e os seus agentes, em sucessivos “autos-de-fé”. Hoje foram só processos queimados, originando a perda de muito trabalho (logo documentos e dinheiro) e, quiçá, comprometendo, uma vez mais, que a justiça se cumpra com Rigor e Verdade.

    Quem será o padre António Vieira, da contemporaneidade?

    Carvalho da Silva VS. Vital Moreira

    Quando o Wrestling sobe à rua, desce à praça a humana incongruência de ataques e contra-ataques pessoais, políticos, partidários, eleitorais, e as cínicas desculpas e suas sentidas intenções, cada um lavando mais branco que o outro.
    Afinal, os acontecimentos de ontem não passaram apenas de um arrufo de ex-amantes políticos. Nada que não dê para apagar. Volta Marx, eu perdoo-te.

    01 maio 2009

    Transmigração

    Nos idos da década de 80, andava meio Portugal fascinado pelas teorias místicas de Lobsang Rampa, alegado Lama Tibetano, vendendo-se os seus livros em catadupa. No fundo, foi outro percursor de Paulo Coelho, outro fenómeno esotérico de vendas. Pessoalmente, ainda li um livro, cujo título me escapa momentaneamente, mas no qual ele dizia que se pusessemos uma mulher nua em frente a um espelho, às escuras, e nos concentrassemos apenas e só na pureza da mente veriamos uma aura torneando o corpo. Confesso ter feito várias experiências, para tentar comprovar a tese, mas, como ser imperfeito que sou, apenas consegui vislumbrar o Nirvana terreno.
    Mas Lobsang Rampa vem a propósito de outra coisa também mais terrena que aconteceu em Lisboa. Pelo que nos é noticiado aqui, parece que Lobsang Rampa teria razão noutra sua tese, quando defendia que se o nosso corpo fosse infinitamente aumentado, verificaríamos que o mesmo não forma um só bloco mas é composto por um número infinito de partículas microscópicas que poderiam atravessar uma parede de tijolos. Partindo daqui, qualquer um pensará que desta teoria se poderá extrair a ideia de que os fantasmas existem, mas que afinal são muito terrenos. Voltando ao acontecimento de Lisboa, começo a pensar que é verdade. Pense-se nas possibilidades: ou alguém conseguiu moleculizar-se e penetrar através das paredes de tijolo, fazendo, depois, desaparecer o objecto cobiçado ou então este, talvez vivendo já uma segunda vida, resolveu transmigrar, por entender que ainda não era tempo de se dar a conhecer, por o seu processo de purificação ainda não ter atingido aquele grau de pureza que lhe permitirá o retorno à vida num estádio superior ao que detinha anteriormente. Seja como for, perante o sucedido, penitencio-me, publicamente, por não ter dado o crédito merecido a Lobsang Rampa, inclinando-me perante a sua memória.

    No Divã com João Paulo Guerra


    Jornalista e investigador, João Paulo Guerra é o autor de Diz que é uma Espécie de Democracia, uma espécie de flashback ao país político da última década, encontrando um país depauperado por episódios anedóticos, vícios mesquinhos, corrupção desenfreada, fait divers, e outros factos que não nos lembramos mais, mas que se passaram e que tiveram uma importância decisiva para o estado a que chegou o país.

    Uma leitura que nos faz falar falar falar e falar e falar e falar e falar dos políticos que temos.