01 julho 2009

A Crise!? Qual crise?...


Ou então alguém que me explique, se me não falha a memória: no mesmo dia temos João Pedro Paes na Ribeira Grande, Roger Hogdson em Ponta Delgada, Pedro Abrunhosa na Povoação. Quem souber os números que envolvem estes artistas do microfone doirado, que me e-maile. No entanto há artistas regionais na prateleira apenas porque não tiveram uma digna oportunidade de actuação.

30 junho 2009

Tropa de Elite


Já tinha ouvido falar e já tinha visto algumas apresentações. No entanto, tudo foi insuficiente para o impacto que o filme tem.

Tropa de Elite, filme brasileiro que nos mostra a dura realidade da vida no Rio de Janeiro e a contínua guerra civil entre Polícia e criminosos. As quase duas horas mostram-nos o funcionamento interno da Polícia brasileira, por um lado, as dificuldades e a corrupção, por outro lado, a entrega e esforço com que um implacável e restrito ramo da Polícia combate o crime nas favelas, o BOPE.

Um filme violento, tal como é a vida dos polícias e criminosos no Rio. A não perder.

Estado de Alerta

Depois de ter feito manchete, num jornal diário de S. Miguel, a noticia de que esta ilha poderia ser alvo de uma ou duas erupções vulcânicas nos próximos 20 anos, tive conhecimento de que o CVARG - Centro de Vulcanologia e Avaliação de Risco Geológicos da Universidade dos Açores, obteve a classificação de «excelente» num processo internacional que avaliou cerca de 350 unidades de investigação e desenvolvimento nestas áreas.

Segundo notícia o matutino DN, esta avaliação foi levada a cabo a pedido da Fundação para a Ciência e Tecnologia e por peritos internacionais, maioritariamente de universidades inglesas, que se deslocaram por várias vezes aos Açores entre os anos de 2007 e 2009.

O relatório desta avaliação, refere-se ao CVARG como «uma unidade de classe mundial, com objectivos bem focados, tornando-se num excelente exemplo organizacional que muitos outros centros de investigação deveriam adoptar», estendendo o elogio ao seu corpo de investigadores.
É bom saber que temos competência demonstrada e reconhecida nesta área, pois somos uma região vulnerável a fenómenos sísmicos e de vulcanologia.

Mas não posso deixar de ficar mais apreensivo com a noticia que destaco no primeiro parágrafo, pois este «excelente» faz com que eu fique em Estado de Alerta nos próximos 20 anos.

27 junho 2009

Um absurdo do sistema educativo

Não sei quem foi o praticante de sofá do Ministério da Educação que teve a ideia. No entanto, ela é mais um absurdo do sistema educativo português. Refiro-me, concretamente, à inclusão da disciplina de Educação Física no computo geral para a definição da média valorativa anual do ensino secundário.

Com efeito, sob o pretexto da promoção da saúde, alguém resolveu "igualizar" Educação Física e as restantes disciplinas, como se elas tivessem todas a mesma e primordial importância no acesso ao ensino superior.

Imagine-se alguém que quer entrar em Medicina, tem vocação para para médico, mas é incapaz de andar mais depressa do que uma tartaruga, quanto mais fazer um flique-flaque. Tem média de 19 valores em todas as disciplinas, com excepção dos míseros 10 ou 11 valores na essencial Educação Física. O que é que lhe vai acontecer? Pois!...
O que se está a criar é a possibilidade de alunos brilhantes não entrarem nos cursos universitários para os quais estão vocacionados porque a tal disciplina essencial lhes vem "compor" a média.

Claro que tem sempre a possibilidade de apresentar atestado médico demonstrativo da sua incapacidade e passar a ser avaliado doutra forma, fazendo testes escritos e tirando notas idênticas ou superiores às dos melhores alunos vocacionados para a tal disciplina, contornando, assim, a moral da lei da "saúde escolar".

Esta semana, soube de um aluno ao qual a tal disciplina essencial para o seu curriculum lhe "rouba", só este ano (imagine-se até ao 12º ano), apenas 0,7 valores, que lhe podem ser fatais para o resto da sua vida.

Obviamente, está a pensar em contribuir para a saúde escolar como treinador de bancada.

Mulatu Astatké

Um fugaz momento de boa disposição no evoluir do país cinzento e politizado em que vivemos há mais de 8 séculos.

26 junho 2009

Que mais pode querer uma mulher?

Meyer, Stephenie... 35 anos... Norte-americana... Casada... Mãe de 3 filhos... Bonita... Inteligente... Autora de uma das mais prolíficas tetralogias da literatura mundial, a saga Luz e Escuridão, que gira em torno da relação entre a jovem Bella Swan e um vampiro, Edward Cullen. Os 4 livros da saga - por ordem: Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer - estão a dar que falar sobretudo entre os jovens adolescentes que aderiram massivamente à escrita de Meyer, o que contraria a velha escola gaiteira que dizia que os jovens de hoje não lêem, ou que lêem muito pouco. Pois o segredo está à vista. Junte-se-lhe uma boa estória, personagens bem desenhadas, enredo empolgante, uma mensagem que apela à inteligência e a emoções intensas, porque acessíveis, e a estatística de leitura entre os jovens vai subir. Querem lá os adolescentes saber se é light ou de cordel. A intenção é pô-los a ler. E através da leitura adquirirem novas vivências que por sua vez lhes trasmitam novas atitudes perante os outros e perante o mundo.

25 junho 2009

Sessão Pública de Debate: “Da Abstenção ao Voto Obrigatório”

O Segredo está no Açúcar

Na Revista NS, que acompanha o Diário de Notícias de Sábado, pude ler um artigo que dá alguma esperança no que toca à preservação das casas antigas que ocupam os centros históricos das mais provectas cidades Açorianas, bem como do mobiliário de várias épocas que embelezam os seus interiores.

Com o título “Insecticida de Açúcar”, o texto alertava: “É uma Boa notícia para os agricultores mas também para o planeta. O açúcar, numa versão modificada, consegue anular a barreira do sistema imunitário das térmitas e torná-las vulneráveis a um ataque de fungos, por exemplo. As térmitas, que são responsáveis por grandes estragos nas colheitas e também no interior das casas, protegem-se produzindo proteínas que destroem qualquer molécula invasora. O açúcar modificado engana esta «barreira invisível» e deixa as térmitas desprotegidas. Falta agora transformar este efeito num produto utilizável.”

Afinal, o segredo para acabar com as térmitas que se alimentam do nosso património arquitectónico, está no açúcar.
E não são só as madeiras - que suportam e embelezam as casas Açorianas -, que podem usufruir desta recente descoberta. A SINAGA, a braços como uma crise de produção por via de normas comunitárias que impedem a importação de matéria prima, pode ter, aqui, uma janela de oportunidade. Haja vontade e saber para apostar nesta inovação.

23 junho 2009

Obrigação de Esclarecimento

Perante as dúvidas que foram levantadas na caixa de comentários do post abaixo, apraz-me informar que a Legislação que regulamenta os actos eleitorais, que está disponível no site da Comissão Nacional de Eleições, diz o seguinte:
I- A caracterização do exercício do direito de voto como um direito e um dever cívico exclui a obrigatoriedade do voto ou a consideração do sufrágio como um dever cívico sujeito a sanções penais ou outras.
Recorde-se que, por exemplo, na lei eleitoral do P.R. (artº 72º nºs 2 e
3 do DL nº 319-A/76) as sanções aí cominadas a quem não exercesse o direito de voto foram
declaradas inconstitucionais, com força obrigatória geral, pela Resolução nº 83/81 do Conselho
da Revolução. Idêntica situação ocorreu com o artº 68º nºs 2 e 3 da anterior lei eleitoral das
autarquias locais (DL nº 701-B/76).
O fundamento dessa declaração de inconstitucionalidade repousou na violação do artº 18º nº 2
da C.R.P. (actualmente com redacção equivalente) que impedia a restrição de liberdades,
direitos e garantias para além dos casos previstos na Constituição, conjugado com os artºs 48º,
125º e 153º (hoje artºs 48º, 49º, 50º, 122º e 150º).
Sobre o assunto v. a nota VII ao artº 49º da C.R.P. in “Constituição da República Portuguesa -
anotada - 1993” - 3ª edição - revista, de Vital Moreira e Gomes Canotilho."
Foi aqui transcrito apenas o conteúdo referente à Lei Eleitoral à Assembleia da República, mas existe o mesmo entendimento, nesta matéria, para as restantes leis eleitorais, em vigor em Portugal, como se pode constatar no site da CNE.

O Balão Furado de Mariana Matos

Alguém que assina como Mariana Matos, no jornal Açoriano Oriental, escreve um autêntico tratado de traulitada político-partidária, do pior que se tem visto nos Açores nos últimos tempos, mas revelador, muito revelador, do estado de nervosismo e de divisão que se vive para os seus lados.

Antes de mais, uma frase que vai ficar nos anais das tontices: “voto obrigatório, nos Açores, como forma de proteger a nossa democracia”. Esta enormidade só pode ser explicada porque certas pessoas entendem a democracia mesmo como sendo deles.

Depois, é muito engraçado o facto de estarem a fazer o papel do defensores do debate. Ora, pergunto eu, que contributo foi dado, até ao momento, por estes cronistas de trazer por casa, para o debate sobre a abstenção? Diz Matos que outros “não estão disponíveis para discutir ou debater nada que não esteja relacionado com as suas intenções”. Bom, resta saber quem são “eles”, porque exactamente acima do conjunto de palavras reunidos por Matos no Açoriano Oriental, há um artigo, bem fundamentado, defendendo o voto facultativo, em oposição ao obrigatório. Portanto, além da ausência de argumentos apresentados por Matos, o timing não podia ter sido pior.

De resto, não vale a pena sequer escrever muito mais sobre aquele conjunto de palavras de Matos, mas só para que fique bem claro o que está a passar, cá vai: 1) César disse, na noite da derrota nas Europeias, que Manuela Ferreira Leite ia ser o alvo dos socialistas, numa espécie de paga pelo que foi dito sobre Vital Moreira (bem dentro do estilo e linha revanchista deste PS) e 2) esta súbita e mal disfarçada preocupação com a abstenção, não passa de um mal-estar do PS com a própria população, como ficou provado com a afirmação da “estupidez dos que não votam”, porque enquanto a abstenção serviu os seus interesses, nunca se falou no assunto. E que melhor maneira que tratar dos “estúpidos” que não votaram, do que os obrigar a votar?

O debate sobre o desinteresse da população nos assuntos políticos, que se reflecte depois na abstenção, é que deve ser feito e sobre esse assunto convém aos responsáveis governativos olharem para dentro, antes de lançaram ideias típicas de regimes totalitários, como é o caso do “voto obrigatório”. A população está arredada da política, em muito, devido a este tipo de conjunto de palavras que Matos publicou.

Ver Baleias, ou Caçá-las?

Ainda me recordo de, em 1986, ser proibida a caça à Baleia nos Açores, por via de um Tratado Internacional, também assinado por Portugal. Nessa altura a decisão foi recebida com tristeza por grande parte dos Açorianos, em particular pelos habitantes da ilha Montanha, com fortes tradições baleeiras.

Foi em 1987 que foi arpoada, nos mares dos Açores, a última baleia. Esta excepção foi concedida - pois já vigorava a proibição -, para que um Britânico pudesse registar em documentário o modo tradicional e rudimentar com que os bravos baleeiros se lançavam ao mar, para defrontar e matar o maior mamífero do Planeta. Outros tempos, em que a parca economia das ilhas, também subsistia à custa do que se extraía desses cetáceos.

Deixo aqui um texto do Blogue “Notas do meu retiro”, do conhecido escritor, investigador e jornalista picoense, Ermelindo Ávila, e que considero uma boa síntese para aqueles que queiram conhecer alguns episódios, relatos e memórias desta pesca, com ares de caçada, bem como da arte da construção naval a ela associada. Também nele constam as sucessivas Leis que regeram esta actividade.

Pensei que esta, era uma prática já extinta nos nossos mares, mas este Mundo não é feito de certezas.

Orgulho-me dos bravos que escreveram este capítulo na nossa História - o da caça à Baleia. Mas nos dias que correm, são os museus e as recordações desse tempo que nos podem valer, e não um regresso à matança. Até porque se fosse retomada esta prática, os meios nela empregue seriam, como se sabe, bem mais dizimadores, e não artesanais como o eram.

Ainda convivemos com estes belos mamíferos, que há séculos cruzam os nossos mares, mas agora, em vez de os perseguirmos para manchar de sangue as nossas águas e dai retirar o ganha-pão de muitas famílias, procuramo-los para os apreciarmos, e para gáudio de quem nos visita. É este o futuro, e é dai que podem advir os dividendos para a nossa economia. Não anseio por um regresso ao passado, por mais orgulho que nele tenha.

Por isso, foi com tristeza e receio que ouvi o Ministro do Ambiente (!), Nunes Correia, admitir que a morte em águas nacionais destes grandes cetáceos não está posta de parte. (Conferir Aqui)

22 junho 2009

Girl Power


A Polly Jean do começo de carreira, que aqui se apresenta, é potência pura e dura, é melodia, é raiva contra o sistema, é guitarrista, é letrista, é compositora … a one-woman-show.

- Rub it ‘till it bleeds
- Yuri G
- Oh my lover
- Dry
- Down by the water

Voto obrigatório? O Bloco resolve!

Se há partidos que devem a sua existência ao 4º poder, a escolha assenta como uma luva no BE.

O BE era visto, inicialmente, como aquele grupinho de malta porreira que nos fazia rir por mandar umas bocas giras, que emprenhavam os ouvidos e até davam para contar umas anedotas, e pela solidariedade com a malta das "brocas", em plena violação legal, no Chiado, perante o ar complacente da Lei e da Ordem. Uns patuscos, portanto!

Pelo meio, dois ou três dirigentes intelectuais, de falinhas mansas e conivências jornalísticas, foram aparecendo aqui e ali, principalmente na televisão, em programas onde os deixam expor a doutrina, sem qualquer interrupção ou pergunta mais incómoda que evidencie as contradições.

Sem nada a perder, e sem perspectivas de algum dia terem responsabilidades maiores do que a de nos fazerem sorrir, a rapaziada acha agora que deve ser levada a sério, não percebendo que a sua essência e a sua razão de êxito assentam no simples facto de ninguém os levar a sério.

Talvez seja esse o nosso erro, pensarmos que eles só existem para se queixar e não para governar.

Olhando para aqueles patuscos com olhinhos de carneiro mal morto, até parece que estamos perante aqueles cachorrinhos recém-nascidos, tão fofinhos que não se pode deixar de gostar deles!

Vai sendo tempo de começarmos a esgazear o jocoso sorriso, até porque o Pregador Laico, com um despautério directamente proporcional à respectiva convicção, o disse:

LC - Gostava de ser primeiro-ministro um dia?
- Eu disputo a eleição para a formação do Governo.
ARF - Para ser primeiro-ministro?
- Com certeza.

Perante a possibilidade de a memorável Albânia do camarada Enver Hoxha ficar à distância de uma cruzinha, resolve-se, desde logo, a questão do voto obrigatório, por legitimação popular ad aeternum.

Pessoalmente, por razões óbvias, começo a considerar, seriamente, a possibilidade de emigrar. Quase, por enquanto...

20 junho 2009

Que liberdade, André Bradford?

A saga do voto obrigatório, em vez de ser devidamente remetida para a gaveta do esquecimento, pelo menos enquanto for vista pelo prisma da conveniência (a culpa é desses não inteligentes que, desta vez, não me deram jeito nenhum), continua a ser trazida à luz do dia, porventura até se tornar um caso corriqueiro, perante o qual o cidadão-eleitor se mostre (con)vencido, por exaustão.

Desta vez foi André Bradford a repetir César, ainda que num prisma mais cauteloso e mostrando abertura para outro tipo de discussão, certamente conducente a perspectivas mais próximas da realidade e mais fundamentadas. Não vou repetir o que já disse aqui e aqui, dando-o como reproduzido, mas reafirmo a minha total oposição ao dito voto obrigatório, em nome da liberdade.

Correndo o risco de irritar alguém, apenas quero lembrar que o que está em causa na imposição do voto obrigatório é o conceito de liberdade em si mesmo.

Sendo breve, temos que:

De um lado, a liberdade é vista como sendo algo inato ao próprio Homem, é um direito natural, com o qual já se nasce, dispensando-se, por isso mesmo, quaisquer intermediários na definição do seu uso. Dito doutro modo, na esteira de Isaiah Berlin, a liberdade consistirá na ausência de qualquer tipo de coerção ilegítima por parte de terceiros; trata-se do exercício pacífico de uma determinada opção sem a interferência de outrem. Vista assim, a liberdade apenas respeita à pessoa e à sua consciência, dispensando qualquer Rousseau que venha "obrigar os homens a serem livres".

Do outro lado da barricada, temos aqueles que não concebem a liberdade como um direito absoluto, antes vendo-a como uma mera concessão do Estado ao individuo. Nesta perspectiva, não existe liberdade, enquanto tal, existem liberdades concretas. Sob a tutela e fiscalização do Estado, essas liberdades são concedidas ao individuo na exacta medida das suas necessidades e, sobretudo, das necessidades desse mesmo Estado, que se julga legitimado pela "volonté générale", pelo que cada homem é visto como membro de um todo indivisível para o qual transfere todos os poderes sobre a sua pessoa.

Enquadradas as coisas, será caso para dizer, aproveitando a frase de Bradford, que " não (se) considera normal nem saudável que, 35 anos depois da implementação do voto livre", venha alguém querer racioná-lo, em nome das ditas liberdades. No século XX, essa atitude conduziu ao totalitarismo comunista, com as consequências conhecidas.

Não quero crer, por isso mesmo, que alguém, ainda que inconscientemente, queira de volta o Gulag.

Da Tolerância, 1994-2009

Há 15 anos no Terreiro do Paço foi assim durante a noite de despedida da Lisboa - Capital Europeia da Cultura 1994. Aníbal Cavaco Silva era então 1º Ministro. No palco improvisado Abrunhosa cantava:
E o primeiro ministro [Cavaco] o que tem que fazer ?
(assistência)
Talvez f****, talvez f****, talvez f*****
(novamente, mais força no timbre)
E o primeiro ministro [Cavaco] o que tem que fazer?
Talvez f****, talvez f****, talvez f****
2009,, onde anda a música dos Xutos e Pontapés, Sem Eira nem Beira, a não ser no Youtube, que supostamente fala do actual 1º Ministro (coisa mui grave). Onde está que desapareceu das maiores estações nacionais? O que se terá passado? Talvez…

19 junho 2009

Lobbying

Há uma contínua incompreensão das autoridades governativas regionais relativamente à relação com a União Europeia. Os exemplos surgem recorrentemente e hoje tivemos mais um.

Disse Vasco Cordeiro que a UE não está a dar a devida atenção aos Açores (estou a citar de memória), a propósito do regime de excepção - justamente - desejado pela nossa região na aplicação das taxas de CO2. Evidentemente, os Açores, pela sua natureza geográfica e subsequente dependência dos transportes aéreos, não devem estar afectados pelo sistema de taxas de CO2, uma vez que se vai reflectir, necessariamente, nos (já de si altos) preços das passagens aéreas e restantes serviços.

A acção dos Açores relativamente à UE deve ser a montante das tomadas de decisão. É necessário compreender a mecânica de funcionamento das instituições europeias, para chegar à conclusão que o lobby é essencial.

Há quase um ano, o governo dos Açores anunciou a contratação de uma empresa especializada em lobbying. Apesar de ser um passo na direcção certa, não parece ser a melhor opção, pois se poderia ser útil em momentos técnicos específicos, dificilmente teria o sucesso que só o sentimento de pertença pode conferir.

Velhos Temas, na Ordem do Dia

A construção daquele que já foi o novo aeroporto, -o da OTA -, já mudou de local, indo mesmo parar à margem Sul do Tejo, o tal “deserto” de Mário Lino. Mas antes dessa alteração de localização, foram gastos em variadíssimos estudos cerca de 100 milhões de euros. (fonte TVI)
Já o projecto do TGV, também ele uma das bandeiras do Governo de José Sócrates, tem sofrido sucessivos adiamentos, e uma multiplicidade de estudos que, segundo noticia a mesma TV nacional, já rondam os 93 milhões de euros.
Postei sobre estes dois Elefantes Brancos, a 13 de Outubro de 2006 (ler Aqui), e em 5 de Junho de 2007 (ler Aqui), e manifestei as minhas fortes reticências perante estes dois mega projectos.
Felizmente que tais promessas eleitorais não foram ainda concretizadas, pese embora seja escandaloso o montante já dispendido com tantos e tão variados estudos, que, fazendo as contas, roçam os 200 milhões de euros.

No que toca ao TGV, e depois da derrota eleitoral nas Europeias, o PM e o seu Ministro das Obras Públicas, já amansaram o discurso e fizeram saber que tal decisão caberá, unicamente, ao próximo executivo. Ou seja, por ora, fica a aguardar pelos resultados das Legislativas. Oxalá fique pelo caminho, e não chegue a Madrid.

Segundo notícia o semanário Económico, parece também ser esta a opinião de, pelo menos, 30 reputados economistas, que se reuniram para assinar um manifesto contra este tipo de investimentos públicos.

Já o novo aeroporto, que, até ver, será em Alcochete, nada se sabe…..pelo menos eu!!

18 junho 2009

Problema, ou Lógica?

Depois das últimas Eleições para o Parlamento Europeu, realizadas no passado dia 7, Portugal tem ainda mais dois actos eleitorais este ano. Refiro-me, como todos sabem, às eleições Autárquicas e às Eleições Legislativas.

As primeiras são marcadas pelo Governo, enquanto a definição da data das segundas cabe ao Presidente da República. No entanto, o calendário para a realização de ambos os sufrágios é, este ano, muito coincidente. A lei determina que as eleições Autárquicas se realizem entre os dias 22 de Setembro e 14 de Outubro, sendo que a sua data tem de ser definida (pelo Governo) com 80 dias de antecedência em relação ao dia limite para a sua realização. Já as eleições Legislativas devem realizar-se entre os dias 14 de Setembro e 14 de Outubro, podendo, no entanto, o PR, marcá-las com uma antecedência menor, ou seja, até 60 dias antes de 14 de Outubro.

Este ano é particularmente frutifico em actos eleitorais, o que pode, por si só, contribuir também para elevadas taxas de abstenção.

Em suma, atendendo à proximidade das datas possíveis, ao custo de cada acto eleitoral, ao desgaste que pode provocar nos eleitores, e ao facto de o país abrandar de cada vez que se verifica um acto eleitoral, eu sou apologista de que ambas as eleições tenham lugar no mesmo dia.

Eu não vejo que este facto seja um problema, mas antes uma solução lógica. A crise está instalada, por isso, mãos à obra.

N.B.- esta posição nada tem de partidária. Não é por essa bitola que me rejo.

Barroso x2


Apesar de tudo de mal que se possa ouvir neste nosso Portugal sobre Durão Barroso, a verdade é que o Presidente da Comissão Europeia fez um primeiro mandato quase imaculado, com presença discreta, mas determinada nas mais altas mesas de negociação e aguentando bem o barco em momentos tão complicados como o ‘não’ irlandês, ou a crise económica.

Bem coadjuvado pela restante Comissão e pelos seus assessores (com açorianos em lugar de destaque, em ambos os casos), José Manuel Durão Barroso vai ser agora reconduzido na Presidência do mais importante órgão da União Europeia, com o apoio massivo dos 27 Estados-membros.

Constará por direito próprio, no quadro de honra da Comissão, ao lado de personalidades como Delors ou Prodi.

Parabéns!

17 junho 2009

Paulo Mendes e a (não) Defesa do Voto Obrigatório

Um cronista que assina como Paulo Mendes defende o voto obrigatório no AO. Parece-me muito bem que o faça e parece-me muito bem que não ache “lunática” a ideia levantada pela “ave rara” César. *


No entanto, a forma como Mendes argumenta em favor da sua causa é que me parece pouco consistente. Cá estão, então, os seus argumentos:


- “outros países têm voto obrigatório”. Ora, se nalguns funciona, noutros nem por isso e todos (principalmente aqueles onde não é um desastre) têm realidades sociais muito diferentes da nossa.


- “Pervenche Bérez, Presidente da Comissão Económica e Monetária defendeu a necessidade de se abrir a discussão sobre o voto obrigatório”. Muito bem, eu também quero debater o assunto. E?


- No fim, Mendes afirma que é “ilusão pensar que o voto obrigatório pode tornar o indivíduo politicamente activo e participativo (…) mas pode contrariar os actuais níveis de abstenção”.
Ou seja, seguindo este argumento de Mendes, o importante seria mascarar os números da abstenção. No fundo, fazer de conta que está tudo bem, pois segundo esta tese, teríamos elevados níveis de participação, mas que, de todo, corresponderiam à realidade. Onde é que já vimos isso?


No entanto, verdade seja dita, o grosso do artigo baseia-se exactamente no reconhecimento que o voto obrigatório não serve de nada, apresentando o autor outras vias para melhorar os níveis de participação. Por isso, à primeira vista, não se compreende a clara e – aparentemente – propositada contradição. Deveremos ler a explicação nas entrelinhas? Talvez. Não sei.


*Entre aspas termos usados pelo próprio Mendes.

16 junho 2009

Cartoons


15 junho 2009

Sacudir a Água do Capote

Foi isto que fez, uma vez mais, Victor Constâncio na Comissão de Inquérito Parlamentar ao processo que levou ao descalabro do BPN…..ou como disse Vital Moreira, “à roubalheira” que ali teve lugar.
Como é obvio não aponto o dedo a Victor Constâncio na questão da “roubalheira”, pois não creio que o senhor Governador do Banco de Portugal tenha visto um cêntimo do que ali foi delapidado, e que conduziu à ruína desse Banco e à sua consequente nacionalização.
Mas enquanto responsável pelo órgão de regulação e fiscalização da Banca em Portugal, deveria assumir as suas responsabilidades pelo facto de ter estado de olhos vendados enquanto a tal “roubalheira” era levada a cabo. Mas não! Não se demite, nem assume qualquer responsabilidade ou falhas de regulação.

Os cegos, surdos e mudos - quais estatuetas de macacos -, embora pagos a peso de ouro, não tiveram qualquer culpa, pois as suas funções parecem estar espartilhadas por uma qualquer força sobrenatural.

Victor Constâncio, preferiu hoje apontar outros culpados, e afirmou, na referida comissão de inquérito, que “existe cerca de uma dúzia de responsáveis e cúmplices no que aconteceu no Banco Português de Negócios. E espero que todos sejam exemplarmente punidos.” E acrescenta, "O prejuízo no BPN não chega aos mil milhões de euros." Se calhar nós, os contribuintes, ainda devemos estar gratos!!?!
Pelos vistos, há quem queira andar à chuva, mas sem se molhar.

A vara de César

Como já tinha escrito aqui, tornar obrigatório o voto não é a melhor forma de incentivar os eleitores a participarem nos actos eleitorais. Não esperava voltar a falar do assunto, pelo menos tão cedo, mas o senhor Carlos César voltou à carga, desta vez indiciando tiques de sobranceria intelectual pouco condizentes com o cargo que exerce.

Com efeito, fazendo fé no AO, o senhor César voltou ao tema da abstenção dizendo e cito: « É estúpido deixar que os outros decidam sobre todas as questões que nos dizem respeito. ». Dando de barato que o senhor César votou e que, votando, escolheu um partido, no respectivo boletim de voto, ao lado de cujo nome apôs a legal cruzinha, resta-nos olhar para as suas palavras como um meio de voltar a falar da tão malfadada abstenção que desta vez não deu jeito nenhum.

Não vou repetir o que já escrevi aqui, mas, partindo da frase proferida, escrever o que na altura não escrevi.

Antes de mais, não esquecendo nunca que as interpretações são subjectivas, o que resulta da frase acima citada, como primeira interpretação, é que quem vota é inteligente e os restantes são outra coisa.

Nas eleições regionais de 2008, o partido liderado pelo senhor César obteve 45.070 (49,96%) votos, num universo de 192.956 inscritos, tendo votado 90.221 (46,76%) eleitores e sido não inteligentes 102.735 (53,24%) inscritos. Nas eleições europeias, o partido de que o senhor César é militante obteve nos Açores 16081 (32,86%) votos, num universo de 225552 inscritos, tendo votado 48941 (21,7%) eleitores e sido não inteligentes um pouco mais de 180.000 açorianos (É só fazer as contas, como diria um antigo Primeiro Ministro).

Olhando para os resultados eleitorais e para o que está subjacente à ideia do voto obrigatório e, à primeira vista, ao conceito de legitimação eleitoral extraido das palavras do senhor Carlos César, sempre se poderia concluir que o mesmo nunca deveria ter aceitado exercer o cargo que ocupa:
em primeiro lugar, por os não inteligentes serem em número superior aos inteligentes; em segundo lugar, porque a rácio entre os não inteligentes e os inteligentes que o elegeram é de uma disparidade tão assustadora que leva à óbvia interpretação de que terá sido eleito por uma ínfima minoria, carecendo, em conformidade, da etérea legitimidade democrática; por último, mas não descurando, uma vez que aceitou exercer o cargo naquelas condições, deveria considerar a respectiva demissão, face aos resultados das eleições europeias, exactamente porque muitos dos inteligentes de Outubro de 2008 deixaram de o ser em Julho de 2009, sendo certo que, muitos deles, terão votado no partido do senhor Carlos César. Se a legitimidade democrática advém da inteligência...

Segundo o AO, o líder socialista regional atribuiu algumas culpas na derrota eleitoral das Europeias, ao discurso de Vital Moreira.“Percebemos ao longo da campanha que as afirmações dele sobre a autonomia não iriam sair incólumes no resultado eleitoral”, terá afirmado. Nesta estrita perspectiva, e sabendo-se o que a autonomia representa para a maioria dos açorianos (digo maioria, por causa dos acontecimentos de 06 e 17 de Junho de 1975 que o Rui lembrou aqui), poderá sempre dizer-se que, provavelmente, houve inteligência... a mais!

No entanto, se a abstenção é, actualmente, o tema mais importante na agenda política regional e nacional, então todos deveremos contribuir com a nossa opinião.

O senhor Carlos César, com a habitual sagacidade e inteligência políticas, já o fez, nos termos conhecidos.

Da minha parte, também já contribuí, opondo-me ao voto obrigatório, afirmando que praticaria desobediência civil, caso o mesmo fosse instituido.

Mas, como me preocupo bastante com o assunto, não poderia deixar de acrescentar as seguintes sugestões:

1 - Alteração do regimento da Assembleia Legislativa Regional da Região Autónoma dos Açores, no sentido de proibir a abstenção dos deputados em qualquer votação. É o mínimo que se lhes pode exigir: pensar, discutir e decidir!

2 - Olhando para a sua própria casa partidária, lembrar ao senhor Carlos César que tem como deputado um senhor, cujo nome desconheço, mas que pura e simplesmente faltou à votação de uma proposta da qual era subscritor, sem que até à data fosse dada qualquer explicação aos inteligentes (já não digo para os outros) que não fosse a circunscrição às "razões familiares", seguida de um arrozoado ininteligível (pelos menos, para os não inteligentes) sobre a alteração ou não do resultado da votação, pelo que, depois disto, no mínimo e por coerência, deveria exigir a sua demissão ou a passagem a independente.

Seria, digamos, inteligente e talvez os não inteligentes se tornassem inteligentes, a bem da Região.

14 junho 2009

Straight ahead


Depois de ter lido isto aqui e mais esta contradição aqui, lembrei-me da única forma de arranjar uma diversão ao domingo e aborrecer os outros à segunda-feira, por apenas 50 cêntimos. Sádico, eu?!

Turisticamente falando...

A tradição e a experiência acumulada ao longo de centenas de anos fazem toda a diferença eu sei, afinal Winston Churchill passou lá férias, assim como muitos outros nomes sonantes, mas a diferença que separa o arquipélago dos Açores do arquipélago da Madeira, turisticamente falando, é abismal! Começa no profissionalismo dos recursos humanos, pessoas que dependem e fazem do Turismo uma carreira como outra qualquer, e acaba nas políticas orientadas e concertadas entre entidades públicas e privadas. Se queremos qualidade, os Açores têm um longo caminho a percorrer a partir daqui, e os desafios são mais que muitos. Exemplos: formação profissional, ao nível técnico e humano, investimento privado, inovação empresarial e empresários empreendedores, infra-estruturas adequadas à nossa dimensão e realidade, preservação da nossa identidade, entre tantas outras coisas.
O futuro começa já!

13 junho 2009

Sei Que Não Vou Por Aí


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços, E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou, Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

Cântico Negro de José Régio

12 junho 2009

Speedy Gonzalez

Depois de uma semana com um fim de semana a meio, e com nenhuma ou quase nenhuma oferta de animação, no próximo sábado, tente encontrar o seu paraíso perdido na buraka e não se esqueça de levar os sapatos vermelhos da Rita.

Ah, mas descanse porque parece que no domingo temos José Malhoa em S. Vicente.

11 junho 2009

Fora de Horas

A RTP - Açores, só hoje emitiu um programa que abordava os resultados das eleições Europeias, gravado na segunda-feira, dia seguinte ao das referidas eleições a debate.
Para mim, veio fora de horas.
Numa era em que a informação corre lado a lado com os acontecimentos que relata, transmitir um programa numa quinta-feira, 4 dias após as eleições em debate, ainda mais tendo sido gravado na segunda-feira, parece-me descabido, e não acrescenta novos dados às analises já feitas pelos mais diversos comentadores e, até, pelos políticos nela envolvidos, nos dias posteriores.

Durante o princípio da semana, já surgiram novas reflexões - fruto das declarações dos mais diversos quadrantes -, que não poderam ser tratadas, analisadas ou comentadas neste programa, pois este foi gravado no dia seguinte ao das eleições.

A mesa de comentadores presentes neste programa (ou outros), poderia ter surgido em paralelo com os presentes em estúdio na noite eleitoral, e que foi moderada pelo jornalista Rui Goulart. Traria mais brilho ao trabalho da RTP - Açores nessa noite de resultados, e mais descanso ao jornalista de serviço.

Ajudaria, certamente, a dar mais enfoque aos resultados nos Açores e uma maior diversidade e dinâmica àquela noite de leitura de resultados Regionais.

No mínimo, poderiam tê-lo transmitido na terça-feira (por força de ter sido gravado), dia anterior a um feriado, e mais próximo do dia do sufrágio.

Desta forma nada acrescentou.

10 junho 2009

Reflectir sobre a Abstenção

A abstenção do passado Domingo não pode servir para justificar os resultados, ponto. A abstenção do passado Domingo deve, isso sim, ser motivo de uma profunda reflexão por parte, não só, dos partidos políticos, mas também estudiosos, pessoas interessadas, responsáveis de poder local (de todas as zonas: rural e urbano), jovens, responsáveis de organizações económicas, sociais, etc., no fundo todos os que podem dar uma visão compreensiva da realidade que melhor conhecessem e do quadro geral.

Devemos ter como ponto de comparação a Madeira. Porque razão a abstenção na Madeira é recorrentemente mais baixa que nos Açores? Somos socialmente semelhantes e politicamente os madeirenses até teriam mais razões para não votar nestas eleições do que nós, desde logo devido à longa governação Jardim, mas também porque já sabiam que dificilmente iriam eleger mais do que um eurodeputado. Haverá um envolvimento excessivo do sector público na sociedade açoriana? Por exemplo, dos eixos de desenvolvimento da Comunicação da Comissão Europeia de 2004 para as RUP, os que dependem directamente do Governo regional estão a ser desenvolvidos, bem ou mal: o das acessibilidades, o da inserção regional e do da defesa ambiental, no entanto o do desenvolvimento económico, para o qual depende definitivamente o sector privado, continua por desenvolver, como bem se vê. Apesar de tudo, na Madeira há espaço para o desenvolvimento privado, há espaço para o exercer de uma cidadania activa. Porém, as razões para as disparidades entre as taxas de abstenção dos Açores e Madeira não podem ficar por aqui, deve haver mais.

É certo que o recenseamento automático deu outra dimensão aos números da abstenção. No entanto, e se descontarmos a questão da actualização dos eleitores que vão falecendo, os números da abstenção destas Europeias é que são os reais, pois até aqui, sem o recenseamento automático, estávamos perante uma realidade camuflada (ao estilo dos números do desemprego).

Dois outros actos eleitorais estão para acontecer ainda este ano, deste modo e apesar de tudo, este será o momento para reunir, debater, reflectir e, quem sabe, encontrar soluções.

09 junho 2009

O Estado da Legião

Private Joke

Hoje foi o meu dia de sorte! :)

Do Mau Perder

É deveras engraçado ler os cronistas do regime nestes dias após a derrota nas Europeias. Todinhos, sem excepção, estão a tentar justificar a derrota pela abstenção. É curioso, parece que foram todos afectados por um raio da mesma inspiração superior.

No entanto, esquecem-se que a abstenção é igual para todos, ponto 1, e que devemos partir do princípio que aqueles que votaram reflectem, grosso modo, o sentimento dos restantes. Doutro modo, estaríamos perante uma teoria da conspiração, onde todos os abstencionistas votariam PS.

Ponto 2: Houve uma subida da ordem do dez pontos percentuais da abstenção nas Europeias de 2004, para estas de 2009, de 69% para 78%. Uma subida similar registou-se nas últimas Legislativas regionais, que o PS venceu, de 44% em 2004, para 53% em 2008. Ou seja, o argumento que os cronistas socialistas usam para minimizar a vitória do PSD, poderá ser usado perfeitamente para a sua própria vitória na Legislativas de Outubro passado. A não ser, claro, que haja uma marca de abstenção, decidida por alguém com uma grandiosa visão do mundo, que defina o ponto a partir do qual se pode minimizar uma vitória, com base nos valores da abstemção. Além disso, estes actos eleitorais são, de facto, distintos, enquanto na europeias estamos elegendo dois dos 735 deputados ao Parlamento Europeu, nas legislativas regionais estamos elegendo o partido que irá formar o governo. Decididamenente, não é a mesma coisa.

Ponto 3: É mesmo urgente que se faça um debate sério sobre a abstenção. E será importante tomar como exemplo a Madeira, que tem sempre valores bem abaixo dos Açores. Nas últimas Legislativas na Madeira, em 2007, a abstenção situou-se nos 39% (em 2008, nos Açores foram os tais 53%) e nestas Europeias 59% dos madeirenses não votaram (ao contrário do 78% de açorianos). Será importante reflectir sobre estes números e sobre a forma como a cidadania é exercida nos dois arquipélagos. A impressão que fica é que nos Açores, o sector público (leia-se Governo regional) está presente em todos os aspectos da sociedade, não a deixando respirar e, consequentemente, retiranto as bases para o exercer da cidadania plena pelos cidadãos comuns.

De resto, já aqui referi que o caminho não pode ser a obrigação do voto, por muito que seja praticado noutros países, mas sim o criar condições para votar. Aproximar o voto aos eleitores, utilizando, por exemplo a mesma tecnologia que se usa para entrega electrónica de IRS e outras formas. Por outro lado, seria importante actualizar os cadernos eleitorais, pois o recenseamento automático trouxe muitos novos eleitores e parece que não há a mesma preocupação em relação aos que vão falecendo.

08 junho 2009

Perda de Identidade, ou Inevitabilidade Evolutiva?

As sociedades têm evoluído em várias áreas e de tendo por base uma identidade própria. Mas estas evoluções trazem consigo diversos desafios, e até problemas a estes inerentes. Mas este paradigma parece estar a ser alterado.

Vou centrar-me nas questões dos valores, das crenças, das normas (não Leis) e dos padrões de comportamento socialmente aceites, pois estas são, grosso modo, as formas informais de controlo social, ou seja, da manutenção de uma ordem social. Quando estes itens sofrem um modificação, estamos perante uma Mudança Social.

Quando uma Mudança Social ocorre de maneira muito rápida, dela advêm factores negativos. Uma mudança repentina, provoca insegurança e confusão nos indivíduos. Se a esta celeridade na alteração dos valores, crenças e normas vigentes, somarmos um desfasamento entre vários grupos dessa sociedade, então está aberto caminho para uma desorganização social, que pode conduzir a problemas sociais.
Num Mundo Globalizado - como este que “escolhemos” -, as mudanças são cada vez mais aceleradas, logo os problemas difundem-se de um forma generalizada, em catadupa.

Estamos num ponto de viragem, ou talvez, até de saturação. O Planeta terra, outrora revestido por uma paleta de cores, fruto do relativo isolamento e manutenção dos modos de vida de cada país, e pela preservação das suas culturas e costumes, caminha agora para uma certa uniformização. Os meios de comunicação social, bem como as facilidades de mobilidade, contribuem, em larga medida para este cenário actual.

Quando me refiro a “saturação”, digo-o pois as gerações que nasceram e cresceram na era da Internet e das TV´s por cabo, são cada vez mais monótomas, interiorizando e, por consequência, exteriorizando, as novas culturas de massa, relegando para segundo plano, e até desvalorizando ou ridicularizando, as suas culturas de origem.

Estaremos perante uma crise de valores?
Eu temo bem que sim, pois a perda e um controle social - indispensável para a organização social, que tem por base a continuidade de um comportamento padronizado e previsível -, conduz uma sociedade à tal confusão e insegurança dos seus indivíduos. (que atrás refiro)

A tecnologia - também ela um factor de mudança social -, tem levado a melhor sobre as novas gerações, quase me arrisco a dizer que é, nos dias de hoje, o cerne da mudança social que se vivência, pois o seu ritmo de actualização e inovação, tem desviado os jovens das suas culturas e costumes locais. A padronização de comportamentos, a imitação do que está na moda, e a reprodução dos estilos a ela inerente, destroem a paleta de cores que revestia o nosso Planeta, tornando-o cinzento e enfadonho. Acabar com a diversidade, é, a meu ver, regredir na evolução social.
A evolução, mudança social é inevitável e, até, desejada. Mas quando é levada a cabo de maneira abrupta e difusa, provoca problemas sociais imprevisíveis e, seguramente, uma perda de diversidade.

Como mudar esta tendência actual? Será possível e/ou desejável combater este “cinzentismo”?

Eleições no Benfica

Infelizmente, uma vez que o silêncio não é de ouro na Av. General Norton de Matos, em Lisboa, não é novidade nenhuma que se irão realizar eleições antecipadas no Glorioso.
Mais importante do que as eleições é que, depois de ter mostrado aqui, um daqueles adeptos de bandeira que se dispensam, agora descobriu-se mais um sócio que, felizmente, não poderá exercer o seu direito de voto. Com os devidos agradecimentos à Tertúlia Benfiquista, não resisto a reproduzir a respectiva ficha de sócio:


Para quem tenha dúvidas sobre quem é o cavalheiro, ei-lo aqui, de coluna vertebral perfeitamente apoiada no adepto da bandeira. E esta, hein?


07 junho 2009

The Tide is Turning


Um fim-de-semana à Benfica



Telma Monteiro
medalha de ouro na Taça do Mundo de Judo





Sport Lisboa e Benfica
Campeão nacional de Basquetebol pela 21ª vez

Da Liberdade de Expressão e do Mau Gosto

Bloggar é uma escolha, não um dom, e por isso os assuntos que no dia a dia postamos e os links que escolhemos para documentar ou expressar as nossas ideias é tarefa subjectiva. E as ideias são grosso modo subjectivas e pessoais, não são da Josefina Bonaparte, nem do Pipocas e Caramelos, nem do Luís Cardoso. E sobre uma ideia pode-se discordar, ou mesmo não gostar, mas não assiste o direito de desferir golpes baixos para diminuir criteriosamente quem blogga e simultaneamente colocar bloggers contra bloggers através de avaliações mesquinhas e sumárias. Se a memória me não falha, isso é tradição nos piores totalitarismos. Ou então a atitude: “Epá, nunca gostei da cor dos olhos do meu colega de carteira do 5º ano.”
Um blog consegue multiplicar a sua importância que a massa crítica cresce proporcionalmente. O blog cresce e multiplica as ideias, gerando novas ideias e conexões sociais, que se traduzem em novas adesões que são, ou não, estimadas/respeitadas por quem comenta. Ora, se o problema dessas mesmas pessoas ultrapassa aquilo que escrevo (ideias, opiniões, links, ou seja, escolhas subjectivas e pessoais), então tenham paciência, vão ter de se “desenrascar” de outra forma.
Bloggar é também um acto de coragem. Neste blog, como em quase todos que conheço, os posts são assinados objectivamente pelos seus autores, pessoas de carne e osso que fazem escolhas pessoais e subjectivas. Mas e quem são os comentadores? Qualquer um. Afinal Josefina Bonaparte ainda anda no reino dos vivos, e pipocas falantes tropeçamos nelas todos os dias.
Por último, peço desculpa aos meus colegas e aos frequentadores do blog, mas já era altura de assinar estas palavras. Não foi intenção impedir a boa campanha anti-abstenção que se fez aqui.
Bem haja a todos. E votem pois claro!

Movimento de Cidadania Pró Voto


Tudo indica que teremos novo recorde de abstenção, o que é triste, mas não estranho. A campanha foi morna e só mesmo aqui, na blogosfera, é que houve algum debate, ainda que infrutífero em termos de ideias, como não podia deixar de ser.

Dois grandes factores contribuirão para a abstenção: o desinteresse e o desconhecimento. Por um lado, há um desinteresse generalizado pela política, em geral, e pela EU, em particular. Por outro lado, parece impossível, à primeira vista, que se não se saiba que teremos hoje um acto eleitoral. [a reportagem da rtp-a foi incrível, de facto]

Vai daí, alguns estóicos jovens decidiram criar um projecto para levar as pessoas a votar. Utilizando os canais possíveis: fliers (pagos dos seus próprios bolsos), rádio, Internet, esta rapaziada criou, com entusiasmo próprio da juventude, um movimento com uma agradável imagem adjacente e com ideias fortes a completarem pacote.

Sem qualquer apoio, que não seja a vontade dos próprios, e sem qualquer objectivo que não o de informar/levar ao voto, este movimento já ganhou a sua causa, seja como for: exercer cidadania activa, sem esperar nada em troca.

Nem que seja pelo esforço destes jovens, votem!

06 junho 2009

06061975


*Informação dada pelo Consulado dos EUA em Ponta Delgada para a Secretaria de Estado, no dia 6 de Junho de 1975.
** Foto: contracapa da separata da Revista Atlântida, vol. XLVI (2001) "Caminhos Cruzados - O Processo Democrático e a Deriva Independentista dos Açores", de Saes Furtado.

Puppy

A música como expressão versátil de coisas que não sabemos explicar, em certos momentos, serve para muito mais do que dizermos se gostamos dela ou não. Por isso, para atender a um pedido antigo, aqui vai a 2ª música da semana: Puppy Toy, by Tricky. Bom fim de semana, se o tempo permitir!

05 junho 2009

Bob's Your Uncle



  • Blur - For Tomorrow (Modern Life is Rubbish, 1993)

  • Galaxie 500 - Bluethunder (On Fire, 1989)

  • Happy Mondays - Step On (Pills n' Thrills and Bellyaches, 1990)

  • Oasis - Supersonic (Definetely Maybe, 1994)

  • Ride - Burnin' (Tarantula, 1996)

Dia Mundial do Ambiente em Ponta Delgada

O Campo de São Francisco recebeu hoje uma bonita festa que celebrou o Dia Mundial do Ambiente. Estiveram presentes (quase) todas as Escolas do Concelho de Ponta Delgada que aderiram ao projecto Eco-Escolas, que apresentaram os trabalhos que fizeram ao longo do ano lectivo no âmbito daquele produtivo programa.

O dia ficou marcado por muita cor, juventude, animação, entretenimento, música, jogos, etc. Ao todo foram cerca de 500 crianças que encheram o Campo de vida.

De resto, será importante registar a sã e profícua parceria entre as entidades que organizaram este evento, nomeadamente a Câmara Municipal de Ponta Delgada e a Ecoteca de Ponta Delgada.

A Contagem Final para Bruxelas

A ter em conta nos próximos dias este tema musical, naïf, dos anos 80: Europe, The Final Countdown.

04 junho 2009

Movimento Pró-Voto


Cá está!

O Movimento Pró-Voto nasce da vontade de um grupo de jovens em querer contribuir para baixar os valores de abstenção. Entendemos que é urgente motivar os jovens para que exerçam o seu direito de voto, contribuido para o seu futuro. É imperativo participarmos na escolha dos deputados que nos vão representar em Bruxelas durante os próximos anos.

Apesar de estarmos focados nos eleitores mais novos, os que mais contribuem para os aberrantes números da abstenção, o objectivo é baixar a abstenção no seu todo.

É nosso desejo, fazermos a nossa parte enquanto elementos do processo democrático.

Podemos não mudar o mundo, mas pelo menos fazemos a nossa parte. Façam também a vossa e vão às urnas no próximo dia 7 de Junho.

DIVULGUEM!

Começaram as eleições europeias ´09


As eleições para a escolha dos novos deputados para o Parlamento Europeu, começam hoje em dois dos 27 Estados-membros da União Europeia: Reino Unido e Holanda
Depois dos britânicos e dos holandeses, será a vez da Irlanda e da República Checa votarem amanhã, seguindo-se, no sábado, a Eslováquia, Letónia, Malta e Chipre.Os restantes 19 Estados-membros, entre os quais Portugal, realizam as eleições no domingo.

03 junho 2009

The Man from Figueira da Foz

Alguns não se recordarão, mas foi este mesmo homem, actual Presidente da República, que em 1985 retirou o país do pântano económico da responsabilidade dos sucessivos governos do Bloco Central e colocou o país no mapa das economias modernas de mercado ocidentais. Hoje o seu nome é cobardemente referido como tendo escondido as acções da Sociedade Lusa de Negócios e de ter beneficiado os amigos que administravam o BPP. Mas alguém com dois palmos de testa acredita que ele teria necessidade disso? Honestamente, não se tratará este de um dos mais vis ataques a pessoas de bem dos últimos anos da compungida democracia nacional?

Nota: foto via Google.

02 junho 2009

Trauliteiro ao contrário

Miguel Portas habituou os portugueses a uma qualidade que existe cada vez menos nos políticos: a simpatia sincera e rasgada. Reparem que quando ele deambula pelo meio das populações reage sempre de uma forma desafectada e sem cinzentismos às interpelações por vezes incómodas das pessoas, ao contrário de outros colegas de labuta, e nomeadamente de outros bloquistas. Da necessidade de demonstrarem seriedade e preocupação pelos problemas que as pessoas estão a passar, obrigação em Portugal para que se chegue ao poder, fazia bem uma nova atitude: mais leve e desinstitucionalizada.
Ainda que não conte com o meu voto, deixo aqui alguma da originalidade de MP: blog e livro.

Passa Fora!

Isto é totalmente inaceitável. Como se não bastasse tudo o resto, Vital Moreira quer agora, por força, fazer “ligação directa” entre o PSD e o caso BPN.

Além de ser um golpe baixo - típico, no entanto, da esquerda trauliteira de onde vem Vital -, é acima de tudo uma facada na jugular da credibilidade política, para a qual todos os políticos deveriam contribuir. Mais, é um exemplo acabado dos fins justificarem os meios e de total ausência de argumentos para a corrida eleitoral em questão.

Este cabeça-de-lista do PS às Europeias estaria bem melhor sentadinho em casa (na Marinha Grande, de preferência) com uma mantinha em cima das perninhas, batendo com a bengala no chão e berrando impropérios para a tv.

Admiremo-nos depois se a abstenção atingir níveis estratosféricos!

Zé das Medalhas

Zé das Medalhas



Roque Santeiro contava a história de Luís Roque Duarte, um habilidoso artesão que fazia imagens de santos como ninguém. Roque acabou virando santo após morrer ao enfrentar sozinho o bandido Navalhada, que prometia arrasar com a cidade. Virou um mártir, um santo milagroso. Bom, mas a história não é exactamente essa. A verdade foi que Roque saiu fugido da cidade. Ficou com medo do bandido.

Mas manter o mito de Roque interessava e muito aos poderosos de Asa Branca. O coronel Sinhozinho Malta enriqueceu explorando a fé do povo e o turismo na cidade. Sua amante, a Porcina também ficou rica sustentando a ideia de que era a viúva de Roque.

Outro que muito se beneficiou foi Zé das Medalhas, dono da fábrica de santinhos e lembranças da cidade. Todas as semanas, centenas de fiéis desciam dos autocarros para se banhar na lama que acreditavam ser milagrosa. Centenas de velas eram acesas ao pé da estátua de Roque erguida na praça central da cidade. As missas de Padre Hipólito ficavam lotadas.
Tudo parecia tranquilo em Asa Branca até Roque decidir voltar à sua terra depois de dezassete anos. Sinhozinho, Zé das Medalhas e Porcina ficam desesperados e fazem de tudo para que o falso santo não conte toda a verdade ao povo.

O Padre Hipólito, que não sabia a verdade, fica chocado ao ver Roque novamente. É ele quem decide por fim à mentira ao tocar os sinos da igreja para anunciar ao povo que Roque estava vivo. Mas no exacto momento, o pai de Roque, o beato Salú, que estava em coma acaba despertando. Pronto. Era mais um milagre de Roque. 'O mito era mais forte que a verdade'.

01 junho 2009

Vermelho Benfica

Scarlett Johanson roubada ao Miguel Marujo

A tocar na Playlist:
  • Rodriguez - Heikkis Suburbia Bus Tour
  • Passion Pit - Moth's Wings
  • Jarvis Cocker - Angela
  • Black Moth Super Rainbow - Twin of Myslelf
  • Black Lips - I Hold (feat. GZA)