09 agosto 2009

Dêem-nos mais crédito

As declarações de Carlos César, como Presidente do Governo Regional dos Açores, a apelar ao voto no PS foram, como se sabe, para além do que é legítimo. Este é um dado factual.

Além disso, na mesma ocasião, César exprimiu uma opinião, que foi agora repetida pelo candidato PS pelo círculo dos Açores às Legislativas, Ricardo Rodrigues, onde disse que com Manuela Ferreira Leite será o "adeus ao Estatuto, a fundos", etc.

Que se saiba, o Programa de Governo do PSD ainda não é conhecido e os açorianos sabem disso. Quando o PSD apresentar o seu Programa de Governo, haveremos de compará-lo com os restantes e tiraremos as nossas conclusões.

07 agosto 2009

Por Falar em Coisas Tristes


Para desanuviar de tanta asneira que faz a Altanticoline (vide desembarque em Santa Maria e abandono de passageiros na Praia), vamos falar de assuntos giros. O Sporting.

Sinceramente, não compreendo o que se passa nas cabeças daqueles dirigentes de Alvalade. Não compreendo porque razão ainda não anteviram que o plantel, da maneira que está, não vai dar para mais do que lutar pelo 3º lugar. O João Gobern disse que dá 51% de hipóteses ao Porto para ganhar o Campeonato, 49% ao Benfica, isto porque o Porto tem a vantagem de ser campeão e 0% ao Sporting. Por muito que me custe, tenho de concordar com as hipóteses do Sporting. Mesmo os melhores jogadores do plantel, Polga, Moutinho e Liedson, são jogadores normais comparando com os do Benfica e Porto. Era preciso contratar jogadores, mas apenas conseguiram o empréstimo do Hernandez e do Caicedo, que sendo bons jogadores, não servem, nem de perto nem de longe, às necessidades leoninas.

Acima de tudo, o problema reside na abordagem de contenção que o Sporting tem vindo a ter. Para o normal adepto é bom saber que o clube não gasta mais do que pode, mas o que lhe interessa é ver a equipe a jogar futebol e lutar pelos títulos. Depois há a questão treinador. Acho muito bem que se dê estabilidade e que não se ande a trocar de 6 em 6 meses. Mas o que se passa com Paulo Bento já ultrapassou todos os limites razoáveis. Ele não serve, é conflituoso com os jogadores e limitado tacticamente. O Sporting deveria ter trocado de treinador esta época e ido buscar 4 ou 5 reforços a sério.

E isto tudo desemboca, como é claro, no relvado. A eliminatória contra o Twente foi calamitosa. Passaram, ainda bem, mas para qualquer sportinguista que se preze deve ter sido uma tortura ver aqueles jogos e constatar como um clube da grandeza do Sporting tem de sofrer para passar por um clubezeco de 2ª da Holanda (diria que o Twente corresponde ao Marítimo em Portugal, ou seja não é daqueles que surge logo atrás dos grandes).

Segue-se a Fiorentina, que também não sendo ainda um clube da dimensão de um Sporting, tem claramente um poderio superior ao Twente. Adivinham-se tempos difíceis para os lados de Alvalade. Tal como no ano passado, o melhor, se calhar, era nem ter passado a eliminatória, pois cheira-me a humilhação à la Bayern. Sinceramente, espero que não, porque eu gosto do Sporting ... é um clube simpático.

06 agosto 2009

Premonições

Com o aproximar das eleições, começam a existir sinais de que as coisas não irão ficar como estavam. Aliás, se eu acreditasse em bruxas, tarólogas, curandeiros e quejandos, afirmá-lo-ia com toda a certeza.

Como sou do partido de São Tomé, limito-me a tentar ver nos pequenos factos um indício de que algo vai mudar. Assim, a TAP, sempre conhecida como Take Another Plane, esta semana não só confirmou a regra como foi mais além e, duma assentada, ao descaminhar as malas de Sócrates, virou Maya e, como empresa com 10 milhões de accionistas que é, acrescentou o sentimento dos mesmos: Trick Another People. Parece-me bem!

Mas as eleições trazem outras movimentações mais interessantes: José Eduardo Moniz deixa a TVI. Lá se vai o Telejornal das sextas-feiras.

Mesmo a tempo, digo eu, que não sou nenhum Professor Doutor Karamba.

05 agosto 2009

...



Um pôr-do-sol bem acompanhado: Priceless.

A tocar a banda sonora de Vanilla Sky:
  • Peter Gabriel - Solsbury Hill

  • Thievery Corporation - Shadows of Ourselves

  • Chemical Brothers - Where do I Begin?

  • Leftfield & Afrika Bambaata - Afrika Shox

  • Sigur Rös - Svefn-G-Englar

Aproveitar Enquanto é Tempo



Em tese, a avaliação e consequente progressão na carreira dos funcionários públicos, faz todo o sentido. No entanto, este modelo, que já está em vigor no continente e que vai começar aqui nos Açores, é tão complicado e tão cheio de vícios à nascença que dificilmente irá ter o efeito desejado.

Hoje, porém, há uma notícia que desmoraliza ainda mais todo e qualquer funcionário público e que mostra bem a abordagem dos actuais decisores políticos do país. Então é assim: parece que o Governo criou uma situação excepcional para os funcionários públicos que ocupam cargos de direcção, permitindo-lhes progredir na carreira mesmo sem terem sido avaliados.

Genial!

03 agosto 2009

Fato e Gravata

Quem quer parecer importante, não dispensa o fato e a gravata. É a indumentária de quem quer parecer ser, em lugar de ser. O fatinho, acompanhado pela respectiva gravata - há os que preferem o laço, tipo Nicolau Santos, Batista Bastos ou Rui Vieira Nery -, dá logo um ar de quem sabe do que fala. Um estatuto ganho à custa do que se veste e não do que se vale.
Um gajo engravatado e com jaqueta, pode por vezes dizer meia dúzia de asneiras, entre outras tantas mentiras, que muitos logo desvalorizam, considerando simples falhas na sua alocução e incoerências fruto do cansaço. Quem tem como traje esta indumentária, é cercado por uma certa áurea de eloquência e sabedoria, que, embora não tendo, parece ter.

É incrível como uma (ou duas) peça de roupa tem tamanha capacidade ilusória!

Um político competente, se ousar dispensar um bom casaco e o nó da gravata, corre o risco de ser desvalorizado, vilipendiado até, pois sem a protecção do “parecer ser”, somente o “ser” não lhe basta. E o exemplo do político, pode ser extrapolado para várias áreas e sectores profissionais.

É triste que assim seja. É a demonstração clara de uma sociedade que vive de aparências. De um país que primeiro vê a capa, e só depois o conteúdo. O marketing, que consegue vender a embalagem sem que antes se conheça a qualidade do seu interior. O cenário, que deslumbra a plateia, e desvia as atenções do mau actor.

Basta ver que, para impressionar e vender credibilidade, qualquer banqueiro impõe aos seus funcionários esta forma de vestir. A sua forma de vestir, qual Capone dos tempos modernos!
Um profissional liberal, não arrisca passear-se em público sem estar trajado a preceito, preferindo, portanto, esta forma de vestir, pois antes de se saber quem é, e o que vale, já se pressupõe que seja bom, de bem, e crível.

Pois é, a alegoria do fato e gravata pode ser transposta para muita da realidade, de muitos dos intervenientes da vida pública. Já diz o ditado: vícios privados, públicas virtudes.

Tinha razão o Zeca Afonso quando cantava: eles comem tudo e não deixam nada……eu acrescentaria, os gajos engravatados por prazer. Sim! Pois quem a isso é obrigado, é vítima, e não vilão neste filme.

Estou farto desta sociedade engravatada e daqueles que se julgam mais do que, na realidade, são. Começo a deixar de ter pena deles, e a iniciar um processo de desdém por esta gentinha.
Deve ser do calor, e da pouca roupa que se quer no verão.

Boas Férias.

N.B.- Congratulei-me com a pena de prisão - que espero seja mesmo efectiva -, ao engravatado Isaltino. Aguardo, agora, pela sentença do tão badalado “caso Casa Pia”.

31 julho 2009

O Estatuto Inconstitucional e o Joguinho Político Desastroso para os Açores

Pedem-nos que recordemos que Paulo Rangel solicitou a fiscalização sucessiva da constituicionalidade do diploma do Estatuto Político Administrativo dos Açores.

Nós respondemos que os representantes eleitos, entre eles deputados no Parlamento, deputados da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Presidente do Governo Regional dos Açores, etc., compromentem-se a defender a Constituição da Republica Portuguesa. Se, como se comprova agora, o diploma do novo Estatuto era inconstitucional, a única pessoa que honrou o seu compromisso foi o Paulo Rangel.

O processo deste Estatuto foi todo mal conduzido pelo poder açoriano e o resultado está à vista. Deveriamos ter lutado por outras normas que foram deixadas cair e deixar cair a tal norma que é, de facto, inconstitucional, além de não ter qualquer efeito prático para os açorianos. Para se alterar o Estatuto no sentido que era desejado, seria imperativo alterar antes a CRP.
Os interesses dos açorianos não foram acautelados neste processo e espera-se agora que este episódio não tenha ainda mais efeitos negativos para os Açores, numa futura revisão constitucional.

Esse pedido para nos recordarmos do Paulo Rangel é mais um episódio de uma sede pelo poder e pela intriga, tal e qual como o processo do Estatuto. Pouco se preocupam com os interesses da população, querem é o jogo de poder e movem-se em círculos fechados. Continuam a pensar e a agir como se a população fosse estúpida.

30 julho 2009

iConferência


Ora cá está uma iniciativa louvável do companheiro de andanças, Tibério Dinis do InConcreto.

FÉRIAS


Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflecte!

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -.

29 julho 2009

Welcome Back


Pelas piores razões, temos de regresso a esta estranha Fórmula Um o mago do volante Michael Shumacher.

Para celebrar esse regresso e as notícias sobre Massa:


  • Breeders - Hellbound

  • Liz Phair - Statford on guy

  • Talking Heads - Psycho Killer

  • Scout Nibblet - Hide and Seek

  • Joe Jackson -One More Time

Na Pré

Dois apontamentos sobre cada um dos dois vindouros actos eleitorais (por enquanto apenas no âmbito do continente).

Autárquicas e o debate António Costa-Pedro Santana Lopes. Fresquinhos da guerra dos vídeos na net, os dois candidatos à maior Câmara Municipal do país esgrimiram ideias com clara vitória para o candidato social-democrata. António Costa tentou usar e abusar da táctica “você está nervoso, acalme-se”, não acautelando, porém, que Santana poderia usar isso a seu favor, como o fez. De facto, o eterno Santana assumiu-se como um homem com o sangue na guelra, mais hands on approach, ao contrário de uma abordagem passiva, de cadeira de gabinete. No entanto, o elemento vital terá sido as discrepâncias evidentes que encerra a candidatura de Costa. Santana percebeu que aquela coligação colada à cuspo está pejada de contradições e encontrou ali um filão que aproveitou até se lhe acabar o tempo. Helena Roseta pensa duma forma sobre um assunto, Sá Fernandes doutra forma sobre outro assunto, etc. Uma trapalhada. De resto, goste-se ou não do estilo (confesso que não aprecio), a verdade é que Pedro Santana Lopes tem a escola toda e se ganhar, estará novamente relançado politicamente. Até onde, é a questão.

Legislativas: Numa medida claramente eleitoralista e demagógica, Sócrates anunciou contas poupança no valor de 200€ para bebés nascidos a partir de Setembro. O truque está na impossibilidade de se tocar nesse dinheiro até se atingir a maioridade. Ou seja, ninguém beneficia, as crianças, porque daqui a 18 anos, o valor de 200€ ou 500€ será outro. Os contribuintes, os pais? … A banca? Apenas a certeza que estes governantes pensam que os eleitores são estúpidos, como alguém já disse claramente, pode explicar a aprovação duma medida destas. Se era para brincar, antes prometessem mais 150 mil postos de trabalho.

28 julho 2009

Siza Vieira - Complexo desportivo em Cornellà de Llobregat, Barcelona


Siza Vieira é sem dúvida para muitos o grande nome da arq. portuguesa e um nome de referência também além fronteiras.
Aqui fica uma obra sua para desfrutar. Um complexo desportivo em Barcelona ao qual é impossível ficar indiferente.

27 julho 2009

Cold War Series


Verdadeiramente indispensável, a série documental Cold War está na sua totalidade na internet. Produzida em 1998 por Jeremy Isaacs, narrada por Kenneth Branagh e com o patrocínio de Ted Turner, a série começa nas origens da Guerra Fria, passando pela II Guerra Mundial e acabando na queda do muro de Berlim.

Estes 24 episódios resultam num documento histórico de grande valor, com relatos na primeira pessoa dos próprios intervenientes.


São cerca de 50 minutos a multiplicar por 24, por isso o melhor é ir vendo aos poucos, mas cada episódio tem a sua própria história e encaixa-se perfeitamente no quadro geral que acabamos por ter.

1. Comrades (1917–1945)
2. Iron Curtain (1945–1947)
3. Marshall Plan (1947–1952)
4. Berlin (1948–1949)
5. Korea (1949–1953)
6. Reds (1948–1953)
7. After Stalin (1953–1956)
8. Sputnik (1949–1961)
9. The Wall (1958–1963)
10. Cuba (1959–1962)
11. Vietnam (1954–1968)
12. MAD (1960–1972)
13. Make Love Not War (The 60s)
14. Red Spring (The 60s)
15. China (1949–1972)
16. Détente (1969–1975)
17. Good Guys, Bad Guys (1967–1978)
18. Backyard (1954–1990)
19. Freeze (1977–1981)
20. Soldiers of God (1975–1988)
21. Spies (1944–1994)
22. Star Wars (1981–1988)
23. The Wall Comes Down (1989)
24. Conclusions (1989–1991)

Medeiros Ferreira tem razão (quase toda)

José Medeiros Ferreira, sempre atento, lembrou a importância do dia 24 de Julho de 1833. A importância do dia, não interessa historiar agora. A importância da sua nota advém, não da popular proposta de feriado (aceitável, juntamente com o dia 25 de Novembro de 1975, defendo eu), mas da sábia lição: "sou [...] defensor das liberdades públicas num país difícil para elas". Tem razão. Apenas faltou lembrar, sobretudo para alguns filhos de Abril, que também o é das privadas. É que actualmente em nome das públicas, há quem tente coarctar as privadas e sem umas, as outras...

26 julho 2009

Com Cara ou com Capote

É certo que os Blogs são páginas de escrita livre, despojados de formalidade e que abarcam temas variados e tão díspares como o dia-a-dia do seu autor, até à reflexão sobre os temas sociais e políticos, passando por aqueles de índole desportivo e sócio-cultural.
A blogosfera tem, portanto, várias facetas e vários intervenientes, desde os autores dos blogues, até aos comentadores, que, à semelhança dos primeiros, podem ser anónimos, semi-anónimos e claramente identificados.
Também é sabido, que o/s autor/es de cada blog, podem optar por não ter caixa de comentários, tê-las completamente livres de qualquer censura, ou com moderação activada. Tudo depende da vontade do/s seu/s autor/es. Simples, não!? Liberdade de escolha, pura e dura.

Se para o comum dos cidadãos, este universo blogosférico não tem qualquer importância ou significado, já para outros, representa um modo de partilha e troca de opiniões, de exposição de actividades ou interesses, revestindo-se, cada qual, de uma ou várias entidades próprias, conforme seja unipessoal ou colectivo.
Á semelhança do/s autor/es, também os comentadores têm várias formas de se manifestar. Cada pessoa, a cada momento, decide o que escrever e como manifestar a sua vontade ou opinião. Livremente, portanto.

Dito isto, passemos ao lado B.
No caso do nosso blog - que é colectivo -, existem, claramente, vários estilos e abordagens, derivando, dai, a multiplicidade de textos que por aqui surgem. De salutar, digo eu.
Ao contrário de outros blogs que surgem no nosso país ou região, este não tem uma ideologia definida, nem, tão-pouco, uma linha editorial oficial. Somos - agora -, 4 cidadãos distintos, e, como tal, com leituras e pontos de vista que por vezes podem ser coincidentes, enquanto que noutras ocasiões e assuntos podem divergir.

Escrevo esta declaração de interesses, pois já tentaram catalogar este blog como sendo pró PSD. Pois afirmo, claramente, e sem receio de ser desmentido por qualquer dos meus colegas e amigos que aqui escrevem, que tal não corresponde à verdade. De todo.

Se alguém quiser encontra blogs recentes que defendam claramente um partido - e vou restringir-me ao PS e PSD -, quer na blogosfera feita nos Açores, quer na blogosfera do continente, deixo aqui dois exemplos com o respectivo endereço.

A nível Regional temos: pró PSD “Metropolitano Açores”; pró PS “Mataram a Tuna”
A nível continental temos: pró PSD “Jamais”; pró PS “SIMplex”

A diferença está na forma como cada um se “mostra” aos seus visitantes, sendo que por cá a preferência vai para o trajo tradicional, o Capote e Capelo, enquanto que no continente os seus autores dão a cara.....ou a face, conforme se queira.

Porquê? Deixo a caixa de comentários à disposição de quem quiser lançar palpites.
Eu tenho o meu: a diferença estará, porventura, no facto da dependência em relação ao partido e ao Estado ser menor no continente do que por cá.

25 julho 2009

FACES

O jovem deputado César assinou um artigo no AO onde insinua que a blogosfera é composta de uns quantos cobardes anónimos que, certamente, interpreto eu, se escondem sob a capa da impessoalidade de um qualquer nome para denegrir a seriedade, o bom nome e o trabalho daqueles que, como o próprio, se dedicam altruisticamente à causa pública.

Não conheço o jovem César, apenas sabendo, pelos panfletos de campanha, que o mesmo é filho do seu poderoso pai, que é estudante e, vai fazer um ano, deputado regional, desconhecendo-lhe obra produzida, talvez por ignorância ou falta de pesquisa minhas. Aliás, neste aspecto, não saberei mais do que os demais açorianos, sendo que, por ser defensor acérrimo da vida privada, me é completamente indiferente o que o mesmo faça da e na dele. Interessa-me, apenas, aquilo que o mesmo produza enquanto representante eleito e o respectivo reflexo na vida dos cidadãos e, por isso, o que diz em público, público é.

Nesse aspecto, o jovem deputado César deu o corpo à crítica uma vez que, como escreveu, sendo “os Açores, mesmo grandes, mesmo dispersos geograficamente por 9 ilhas, 19 concelhos e 156 freguesias, são uma terra pequena, onde factos e histórias de vida se entrecruzam”, é vox populi que o mesmo nunca terá trabalhado na vida, com excepção de estudar, até ser eleito deputado (desde já me penitencio publicamente, se tal não corresponder à verdade), além de ser filho de quem é.

Por isso não causará surpresa que o mesmo tenha aposto a sua assinatura em frases como esta: “o curioso mesmo é que um debate no twitter ou até mesmo no facebook, é sempre muito mais frontal, porque identificado, do que um debate na blogosfera, onde a páginas tantas somos confrontados por anónimos, que não assinam por 1001 razões”.

Mostrando, neste particular, estar aquém e além da realidade diária daqueles que labutam duramente, mas nunca dentro dela, ainda acrescentou que o recurso ao anonimato na blogosfera se deveria a razões tão singelas e, para ele, tão patéticas quanto estas: “O meu patrão, se descobre, despede-me, e outras coisas tão ou mais engraçadas que nos trazem à memória outras histórias menos contundentes mas tão ou mais hilariantes”.

Obviamente que isto de se pretender escrever umas quantas ideias, por mais claras e acertadas que sejam, em contra-ciclo com as orientações e o pensamento unidireccional do “patrão”, e, simultaneamente, ter de pensar no respectivo ganha-pão e no futuro da família, é impensável, em democracia, pois a mesma até permite a liberdade de expressão e ele, Francisco César, até é a prova disso (não que discorde do patrão mas porque diz o que pensa, o que é salutar e de louvar), sendo um exemplo para todos nós, incluindo os cobardolas do Metropolitano Açores.

Aliás, com uma afirmação tão veemente como esta, a blogosfera poderá estar descansada porque, nos Açores, não haverá qualquer tique de censura, como na China, e, além disso, teremos a garantia (palavra de deputado!) de que em quaisquer serviços públicos (os privados é outra coisa) se houver algum funcionário mais afoito a emitir opiniões diferentes das respectivas chefias, jamais será remetido para um qualquer cubículo, sem distribuição de trabalho, apenas por ser diferente. Em nome da liberdade de expressão, claro!
No mais, o twitter é que é bom porque é moderno, mostra que quem o usa é fashion e lá até podemos “falar” de qualquer pessoa que esteja ao nosso lado, sem termos a maçada de a interpelar e confrontar com ideias diferentes ou com as suas próprias contradições, não termine aquilo numas quaisquer bastonadas queirozianas, ou (ironia!) se possa recorrer ao mesmo por não se ter ideias para expor ou contrapor, pois o importante é a identidade.

Moral da estória? Sem saber explicar a razão, tudo isto me faz lembrar as pequenas discussões que tinha com o meu pai relativamente aos aumentos de mesada: eu pedia, ele dizia que não, fingia uma birra, fingiamos amuo os dois e depois lá vinha o aumento, abraçado pelo genuíno e eterno amor paterno-filial.

Da minha parte, só tenho a dizer: Obrigado, pai, porque aprendi a negociar com a minha descendência!



Post-Scriptum: Na minha caixa de comentários, por todas as razões que quiserem, não há nem haverá moderação de comentários.
Post-Scriptum 2: Um slogan de campanha: Liberdade de Expressão, Democracia em Acção.

24 julho 2009

Pandemia de Lucro

Portugal é um dos muitos países afectados pela estirpe H1N1 do vírus da gripe. Ana Jorge, Ministra da Saúde, já decidiu avançar com a compra de 3 milhões de vacinas, que custarão ao erário público 45 milhões de euros. Hoje, Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e Segurança Social, chegou a acordo com os representantes dos empregadores, e afirma que o Estado vai assumir o pagamento das baixas médicas motivadas pela gripe A. Prevê que tal medida custe 70 milhões de euros. Mas Bagão Félix, ex titular da pasta, fez os seus cálculos, e defende que, se 1 milhão de portugueses com um vencimento mensal de 800 euros, forem afectados por esta "pandemia", o custo real dessas baixas poderá ascender aos 200 milhões de euros. Nesta estimativa, Bagão Félix inclui, não só o pagamento do subsídio por doença, mas também as perdas por parte do Estado, que advêm dos patrões não efectuarem os descontos para a Segurança Social dos trabalhadores afectados, bem como o não pagamento de IRS durante o tempo que dura a baixa médica. O que para uns é lucro, para outros representa despesa.!
Abaixo deixo um texto que recebi via e-mail, que desmascara e põe a nu, o real impacto e importância desta "pandemia", empolada pelos média e que vai de encontro aos interesses de algumas grandes farmacêuticas. Há outras enfermidades que, de forma mais simples e barata poderiam ser controladas e tratadas, mas que não merecem igual atenção e investimento ciêntifico.

"Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina???
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro. Os noticiários, disto nada falam! No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centimos.
Os noticiários disto nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.Os noticiários disto nada falam! Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves......os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos...25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.
Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?
Porque atrás desses frangos havia um "galo", um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões de doses aos países asiáticos. Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares delucro.
-Antes com os frangos e agora com os porcos.
-Sim, agora começou a psicose da gripe porcina.
E todos os noticiários do mundo só falam disso...
-Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...
-Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...
-E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um "galo"... ¿ atrás dos porcos... não haverá um "grande porco"?
A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal accionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque...
Os accionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos,estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidosoTamiflú.
A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países. Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meiosde comunicação. Se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres.
Essa seria a melhor solução."

Santana vs Alegre

Foi hoje conhecido o resultado de uma sondagem efectuada a cidadãos residentes no concelho de Lisboa , e que tinha por base aferir a intenção de voto, nas próximas eleições autárquicas, à maior Câmara Municipal do país; a da capital, Lisboa.

Com Helena Roseta a “encostar-se” ao PS, o candidato António Costa descola de Pedro Santana Lopes nas sondagens, conseguindo uma distância de quase 10 pontos percentuais.
Esta sondagem, embora com 26,4% de inquiridos que se negaram a responder, ou deram como resposta não saber em quem vão votar, apresenta os seguintes resultados:
* António Costa - 46,4%
* Pedro Santana Lopes - 37,8%
O BE surge em terceiro lugar, seguido da CDU.

A confirmar-se a vitória do actual presidente da Câmara Lisboeta, e se o PSD seguir o bom exemplo do PS - negar duplas candidaturas, ou seja, que um candidato a uma autarquia não pode constar das listas às legislativas - creio que Pedro Santana Lopes seguirá as pisadas de Manuel Alegre, abandonando, assim, a Assembleia da República….mas sem direito a sessão plenária com discursos de despedida, elogios e homenagem. Alegre sempre foi vaidoso, e pensa valer mais do que, na realidade, vale. Talvez acabem aqui as semelhanças entre ambos?!
Não corro o risco de dizer que é desta que as “Santanetes” perdem o seu ídolo, mas a concretizar-se o que esta sondagem prevê, Santana corre o risco de já ter tido os seus dias de glória. É que depois de lhe ter sido entregue o lugar de Primeiro Ministro e o de Deputado da República, pode continuar em queda livre e acabar como Vereador.

É uma função digna e que dá muito trabalho, mas também poucas mordomias. Por isso creio que ele não fique tão alegre quanto Alegre, que ambiciona, digo eu, acabar como PR.

23 julho 2009

Também estou Farto


Por sugestão do nosso amigo Activista de Sofá, adiro, sem reservas, ao movimento Fartos.


É o mínimo que podemos fazer.

O Futuro a Partir do Fim das Quotas

Ao fim de quase um ano, conhece-se o vencedor do concurso público internacional, lançado pelo Governo Regional dos Açores, para contratação de uma empresa de Lobbying junto da UE. Assim, durante doze meses, a APCO Worldwide irá ser um parceiro “com reconhecida experiência, contactos privilegiados e com a capacidade técnica necessária para complementar o trabalho do Governo dos Açores na defesa dos interesses da Região junto das instituições da União Europeia, na sua promoção e projecção junto dos Estados membros e na procura de novas oportunidades para o seu desenvolvimento”.

Ironicamente, no mesmo dia ficou-se a saber que a Comissão Europeia irá mesmo acabar com o sistema de quotas leiteiras, prejudicando assim os interesses dos açorianos.

Duas questões.
1) sempre se soube que as quotas leiteiras iam acabar. O modelo económico em que se baseia a União Europeias não suporta eternamente sistemas de quotas. Ainda assim, o paradigma de Política de Coesão, que foi ganhando adeptos ao longo dos anos '90, permitiu, e bem, o arrastar no tempo daquele modelo, pondo também ao dispor dos Açores meios para acautelar o fim que agora se assiste. De qualquer das formas, a ultraperificidade dos Açores nunca irá desaparecer, por muitas ajudas económicas que existam. Assim, será importante garantir igualdade aos produtores açorianos, que não podem sair prejudicados devido à distância entre si e do continente. E isto leva-nos ao ponto

2) Os Açores precisam duma representação junto da União Europeia, não tanto para exercer influência diplomática ao mais alto nível, porque, convenhamos, não temos qualquer peso para tal, nem mesmo debaixo da asa portuguesa, mas para fazer sentir a nossa identidade cultural e as nossas especificidades. A empresa agora contratada servirá, pontualmente, para dar o conhecimento técnico necessário perante cada dossiêr, mas é imperativo a presença física dos próprios açorianos nas reuniões de decisão e principalmente nas cantinas, bares e corredores dos edifícios comunitários.

O regime de quotas pode ter acabado, mas o conceito de Região Ultraperiférica é parte integrante do Direito Primário Comunitário e a Comunicação da Comissão para as RUP, que está em vigor, também oferece um vasto leque de instrumentos para os Açores. Mas, cada vez mais, a União Europeia entende, e bem, que se deve afastar do modelo assitencialista. Vivemos uma fase de transição importante, temos de saber tirar o melhor.

22 julho 2009

Postal com Dedicatória


Não vou propor o Luís Almeida para membro honorário deste blogue, como alguém disse. Vou, isso sim, dedicar-lhe este post com (quase) tudo que faz a vida ter sentido.
  • Tom Tom Club - Suboceana

  • Au Revoir Simone - A Violent Yet Flammable World

  • Tv on the Radio - Halfway Home

  • The Wolfgang Press - Birmingham

  • Cat Power - Rockets

E ainda duas meninas apanhadas de surpresa, abafado, claro, ao Miguel Marujo. Só espero que a Menina da Rádio não leve a mal, mas isto uma vez por mês, no máximo, uma pessoa arranja um motivo para postar fotos giras.

Enjoy!

21 julho 2009

Sobre a Inconstitucionalidade do Estatuto

As recentes notícias dizem aquilo que já se esperava, o novo Estatuto Político Administrativo dos Açores vai ser chumbado pelo Tribunal Constitucional. Além de dar razão ao Presidente da Republica (sendo assim, mais um prego no caixão do actual Governo de Sócrates), esta notícia dá também razão a todos que mostraram reservas em relação ao Estatuto na votação da Assembleia da Republica. Efectivamente, quem manifestou dúvidas quanto à constitucionalidade do diploma, tinha razões para isso. A bancada parlamentar do PSD que se absteve estava apenas a defender a CRP, não estava a ser anti-autonomista. Ao contrário de outros artigos, esses sim, importantes para a nossa Autonomia, o artigo da discórdia deveria ter sido deixado cair, pois trata de um assunto (dissolução da Assembleia Legislativa Regional dos Açores) que na História da Autonomia nunca teve aplicação. Se a questão tivesse sido conduzida tendo os interesses dos Açorianos como única prioridade, nunca estaríamos a passar por isto. A questão que pode e deve ser levantada é sobre a própria CRP.

Ao contrário das opiniões expressas por Vital Moreira contra as Autonomias, a abstenção na aprovação do Estatuto, demonstrou apenas dúvidas quanto à constitucionalidade que agora se confirmam.

F I M

Caros companheiros da MDL
Caríssimos comentadores, identificados, anónimos, amistosos, hostis,
Termino aqui a minha presença neste blog, aguardava apenas a melhor oportunidade, pareceu-me agora, ainda que muitas vezes eu falhe no cálculo, é normal. As razões estão à vista, contudo não saio triste, muito menos decepcionado, ou cabisbaixo, como um de vós (comentador anónimo) se me referiu. Saio por não ter já mais paciência da cobardia de 2 ou 3 que andam por aí, de não saberem separar o trigo do joio, saio por camaradagem pelos meus colegas que fazem o blog, que continuará, saio porque sou e sempre fui filho de gente honrada, honesta e trabalhadora, os meus valores são os do trabalho e do respeito pelo próximo, e no fundo por não ter necessidade absolutamente alguma de passar pelo que tenho passado. Sei respeitar a opinião dos outros, mesmo quando eles não merecem que se respeite a deles. Estou habituado a grandes discussões, estudei na mais revolucionária faculdade do país (FCSH-UNL, av. de Berna, Lisboa), e esgrimi muitos argumentos com muitos PSR's, hoje assessores do BE no Parlamento Nacional. Portanto o que os alguns intentaram só me fortalece. Ao contrário, não sei o que vocês ganharam. Portanto adiante, pois el camino se haz caminando.
Para os meus colegas de blog... O meu sentido agradecimento pelo apoio das últimas semanas, obrigado pelo café, respeito a opinião de cada um de vós sobre a minha saída, mas compreendam. Talvez não tivesse passado o tempo suficiente de amadurecimento, mas desistir de algo não é uma tragédia, nem doença. Desejo as maiores felicidades pessoais e colectivas!
A todos os outros, um honesto bem haja!
PS - R., sabes o que deves fazer!

19 julho 2009

Transporte Marítimo dos Açores, ou o Resultado de Muito Tempo no Poder


O Açoriano Oriental noticia que "a empresa que gere o transporte marítimo de passageiros e viaturas nos Açores deverá em breve contratar um estudo a uma consultora internacional da especialidade a fim do Governo Regional reavaliar o modelo de operação a aplicar".


Segundo o diário micaelense, "o estudo terá três propósitos: ‘medir’ a vertente económico/financeira da operação; apurar o tipo de navios mais adequados para operar no arquipélago - tendo em conta os objectivos da operação sazonal de transporte de passageiros e viaturas -, e, por fim, avaliar a operacionalidade da própria operação. Ou seja, por exemplo, aferir da necessidade de eventuais intervenções em portos".


Ou seja, que raio andou o Governo regional dos Açores a fazer nos últimos anos em relação a transporte marítimo??? Porque isto comprova que até agora não houve qualquer estudo desta natureza e que todas as dispendiosas decisões foram tomadas tendo por base os devaneios dos responsáveis. É preciso um barco para transporte? Nas últimas férias que o sr. director passou em qualquer sítio, viu um que tinha uma cor gira e era grande. Está decidido. Faça-se um igual. Não façam-se dois. E passados uns bons tempos, lembram-se que os barcos já estão a ser construídos e vão ver como está a correr e nessa altura decide-se que são precisos mais uns camarotes luxuosos, mesmo contra o conselho dos entendidos. Foi assim que se passou? Se não foi, parece.


Isto ultrapassa em muito a mera incompetência, isto é desleixo e irresponsabilidade típico de quem está no poder há tempo demasiado.


No passado dia 19 de Março, escrevi aqui um post com o título "Quero acreditar que somos governados por gente competente", que dizia o seguinte: "quero acreditar que houve estudos e que certos critérios nortearam esse processo de escolha [que levou à construção dos navios em Viana do Castelo] (...) Quero acreditar que se seguiu à risca um plano de acção [que deverá existir], de forma a dar o melhor uso aos dinheiros públicos. (...) Quero acreditar que os fiascos passados nesta matéria tenham servido para por de sobreaviso as autoridades açorianas, de forma a reconfirmarem, duas ou três vezes, cada decisão que tomaram neste processo. Quero acreditar que foram feitos estudos económicos sobre os números de passageiros e de carga que se esperava carregar, de forma a não projectar um barco sobre-dimensionado ou sub-dimensionado."


Confirma-se, portanto, que foi tudo feito e decidido sem qualquer estudo.


Convém alertar os responsáveis governamentais, antes de mais decisões que nos custam milhões de euros, que o Governo é, em última análise, responsável pela SATA e pela Atlaticoline, duas empresas que fazem o mesmo serviço, ainda que utilizando meios diferentes. Portanto, será elementar que se inclua a SATA na equação em estudo. O transporte marítimo deverá complementar o já existente transporte aéreo regional.

17 julho 2009

O artigo da discórdia

Dispõe a Constituição da República Portuguesa que:


Artigo 46.º
Liberdade de associação

1. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal.
2. As associações prosseguem livremente os seus fins sem interferência das autoridades públicas e não podem ser dissolvidas pelo Estado ou suspensas as suas actividades senão nos casos previstos na lei e mediante decisão judicial.
3. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela.
4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.



Em declarações à SIC, o social-democrata Alberto João Jardim disse que defende que a Constituição não devia proibir ideologias, mas como isso acontece, considerou que a legislação deve ser mais explicita, proibindo antes «qualquer ideologia totalitária».

A democracia é a liberdade de opinião e a diferença de opinião e, por isso, proibir opiniões, enfim, é uma ideia […] não faz sentido nenhum”, disse Francisco Louçã.

Alberto João Jardim não tem razão: o nº 4 do referido artigo não precisa de ser revisto, está a mais.

Mas o que importa realçar, perante a sequência de frases, é que parece só haver uma atitude coerente: o Bloco de Esquerda deveria, numa atitude democrática, somar mais uma causa às suas causas e lutar pela revogação do nº 4 do artigo 46º da Constituição Portuguesa.

Isso sim, seria uma atitude verdadeiramente democrática. Até lá…

16 julho 2009

E ainda só estamos na pré-época!

Já informei os meus amigos, sobretudo aqueles que não são adeptos do Glorioso, de que este ano iria estar mais atento aos pequenos pormenores que podem contribuir para um título. Não me refiro aos pomenores que se passam, na noite do segredo, fora das quatro linhas mas, especificamente, ao que se passa dentro delas e à interacção entre os diversos intervenientes dos jogos.

Ainda a época a sério não começou e já eles começaram. Por isso cá estou eu para mostrar um preâmbulo dos pequenos pormenores, os tais que podem contribuir para a diferença final.
Repare-se no primeiro pormenor (e no delicioso alheamento - "falta" - do habitual comentador):



E agora o intimidante pormaior (acompanhado pelo habitual comentador -"pretensa falta"- e pelo meu desejo de que a cor do cartãozinho seja a mesma quando for a sério):

15 julho 2009

Cabecinhas Pensadoras

Quem viu o episódio de ontem da série cómica "Os últimos dias de Sócrates", fez logo a comparação com o já mítico episódio da série cómica "Os últimos dias de Guterres". Inevitavelmente, o resultado foi este.


Roubado no 31 da Armada.

14 julho 2009

Afinal Quantos Somos?

A abstenção foi amplamente debatida após as últimas eleições Europeias. Aliás, era imperativo que o fosse, pois os dados da abstenção foram vergonhosos, e demonstram um distanciamento e alheamento dos portugueses em relação à política….ou vice versa.
Surgiu, e bem, na sociedade civil, um “Movimento pró Voto”, que promoveu inclusive um debate público, realizado na Universidade dos Açores. Este Movimento é encabeçado por um dos membros desta “máquina”; o Sérgio Santos.
Mas os números aberrantemente absurdos da abstenção, podem ter sido empolados por vários factores. Desde logo, estas eleições foram as primeiras que dispensaram a anterior obrigatoriedade do recenseamento eleitoral, passando os cidadãos portugueses com mais de 18 anos, a ficarem automaticamente inscritos nos cadernos eleitorais. Este facto pode ter contribuído para uma falta de consciência de alguns mancebos, que entretanto conquistaram a maioridade, mas que desconheciam estar em condições de exercer o seu Direito e Dever Cívico.
Depois, a Comissão Nacional de Protecção de Dados da AR, realizou uma fiscalização ao Sistema Integrado de Gestão do Recenseamento Eleitoral (SIGRE), e, do seu relatório, constam várias falhas. (Ler aqui no I)
De entre as situações mais caricatas - não fosse o caso de serem graves e embaraçosas -, está o de uma mulher cujo nome consta 614 vezes nos cadernos eleitorais!!! Há também 9600 nomes iguais, e pessoas já falecidas que ainda constam como votantes. Um dos casos teria - acaso fosse vivo -, lugar no Guinness Book of World Records, pois nasceu ainda no século XIX, e teria hoje 136 anos!!!
Mas no rescaldo dos resultados eleitorais, a comunicação social também descobriu quem se esforçasse por baixar o, já previsível, elevado nível de abstenção. Foi o que fizeram alguns nossos concidadãos, que não prescindiram de votar por duas vezes, aproveitando o primeiro acto eleitoral pós Cartão do Cidadão.
Vamos ver o que se corrige nesta próxima fiscalização do SIGRE. Pois, caso contrário, Irão acontecer por cá, falhas que apontamos aos de .

Ingenuamente inconstante

O dr. Vítor Constâncio ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou.
Fiado na sua imensa autoridade, o dr. Vítor Constâncio decidiu pregar um raspanete à Assembleia da República por esta se ter imiscuído nos meandros da supervisão. Nem o relatório final da comissão de inquérito ao BPN, feito à sua medida, conseguiu acalmar os ânimos do governador do Banco de Portugal.
O PS, através da deputada Sónia Sanfona, fez o que pôde: ignorando olimpicamente meses de trabalho parlamentar, apresentou um texto inócuo e inconclusivo, recheado de citações oficiais e de desculpas de mau pagador. Imune a este tipo de simpatias, o dr. Constâncio apresentou-se imediatamente ao país, disposto a desfazer qualquer dúvida sobre a sua iluminada pessoa. Ele que, num dia feliz, já confessara a sua santa "ingenuidade", achou-se agora no direito de explicar que a sua extraordinária actuação estava muito acima das capacidades de qualquer deputado.
Como se viu, só ele, na sua infinita sabedoria, se considera em condições de se avaliar a si próprio, longe da chicana parlamentar e dos golpes sujos da oposição. E ele, como se viu também, considera-se muito: não há falha que o atinja, nem offshore que o diminua. Em guerra aberta com a realidade, o dr. Constâncio acabou, no entanto, por mostrar aquilo que já não consegue ser: um governador do Banco de Portugal.
Durante anos, com suave persistência, o dr. Constâncio transformou o Banco de Portugal numa espécie de porta-voz oficial do ministério das Finanças, com défices ao sabor do cliente e previsões à altura das suas necessidades. A crise económica alargou-lhe os horizontes, juntando à sua reconhecida incompetência política uma inesperada incompetência técnica que, durante meses a fio, se exibiu, com esplendor, na Assembleia da República. Instrumentalizado pela oposição, o porta-voz do ministério das Finanças acabou por se tornar numa figura menor que, neste momento, incomoda já o próprio Governo. Só ele, na sua megalomania, é que ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou.
A conferência de imprensa que deu, na semana passada, foi a prova de que já ninguém precisava. Enrolado na sua imensa arrogância, o dr. Constâncio pretendeu apresentar-se como um mártir iluminado, sem compreender que o papel de vítima era o único que já não lhe assentava. O exercício saldou-se, como seria de esperar, num espectáculo mais ou menos patético que confirmou apenas a solidão de um homem que se incompatilizou com o cargo que ainda ocupa. Pior seria impossível.


Constança Cunha e Sá, no Correio da Manhã

13 julho 2009

Antes de ser já o era!

Não costumo ligar muito a este tipo de atoardas e muito menos tecer comentários públicos sobre as mesmas, mas, dado que estamos quase na época oficial das ditas, não resisto a comentar isto, numa espécie de inauguração da época. Voltando ao assunto, depois de, no ano passado, um concidadão da jovem promessa ter apenas demorado "cinco minutos" a assinar, não podemos deixar de louvar o esforço que o clube do rapaz fez em prole da alfabetização, conseguindo agora que a aposição de uma assinatura só demorasse quatro minutos, um novo recorde para aquelas bandas, mas já impossível de bater por um qualquer Falcão que já deveria ter aterrado há três dias e parece que ainda não atinou com a rota. Além disso, olhando o "dixote" como um embrião já injectado da "habitual e fina ironia", que dizem ser apanágio daquelas bandas (em vez dos sérios conselhos familiares que muitos pensavam ser a vocação lá do sítio), parece certa a continuação da alfabetização ao longo dos próximos anos, de tal sorte que, lá para 2013, um qualquer rapazola há-de chegar antes de vir. Um fenómeno religioso, sem dúvida, porque a ciência não tem explicação para o mesmo. Pena é o tal Falcão, mas de certeza que, a chegar, declamará os Lusíadas de fio a pavio, fazendo corar de vergonha qualquer aluno do Secundário!

12 julho 2009

Benfica 09/10. Primeiras Impressões.

O Benfica fez o seu primeiro jogo contra o Sion e já dá para tirar algumas conclusões. Em primeiro lugar o sistema táctico, manifestamente ofensivo, em oposição àquilo que têm sido as preferências dos treinadores dos últimos tempos. De facto e sem surpresa, Jesus joga num 4*4*2 losango, a sério. São cinco jogadores de forte pendor ofensivo: os dois vértices laterais do meio-campo (no caso de hoje, Martins e Dimaria), o médio ofensivo (Aimar) e os dois avançados (Saviola e Cardozo), que garantem uma mentalidade virada para a baliza adversária. Óptimo, portanto.

Em termos de plantel, no entanto, há ainda algumas questões a tratar. A mais flagrante, talvez, a posição de médio defensivo. Neste modelo de losango, o trinco assume uma importância vital, pois é o único que garante total solidez defensiva no meio-campo. Há vários jogadores com características semelhantes, mas sem aquelas que parecem essenciais ao trinco. Yebda, Amorim e Ramires são jogadores de muita mobilidade e sem a cultura necessária para jogarem sozinhos naquela posição, ao contrário, por exemplo, de um Petit, ou, para não ser acusado de ‘clubite’, dum Costinha.

Por outro lado, temos a questão Aimar. Neste sistema de Jesus, Aimar tem tudo para explorar ao máximo as suas fantásticas qualidades técnicas, pois como o Benfica joga com dois avançados, há mais espaço para jogar mais atrás. No entanto, todos sabemos dos problemas físicos do argentino, que o têm colocado no estaleiro durante largos períodos nas últimas temporadas. Assim, seria da mais elementar prudência ter outro jogador, ao nível da grandeza do Benfica, para substituir o Aimar quando estiver lesionado, ou mesmo em baixo de forma. Não estou a ver outro jogador do actual plantel benfiquista com tais capacidades. Mas esperemos.

Por fim, a maior dúvida de todas: afinal qual a cor do cabelo do Jorge Jesus?

História de um mundo que não é o meu

Trinta e cinco anos depois, vem-me à memória a luta entre as duas perspectivas sobre o rumo que o país deveria seguir. De um lado, propunha-se a imposição do modelo utópico da distribuição da pobreza por todos; do outro, corajosamente, argumentava a lucidez de quem percebeu exactamente onde é que esse caminho acabaria por nos conduzir e que a História confirmou. Pelo meio, ficou a destruição de uma Herdade que era um exemplo económico no Portugal agrário, esmagada por uma "comprativa" Peter Pan.

11 julho 2009

Ahora es el momento

Vacilei entre Bob Dylan, Lady Gaga, Dan Auerbach. Esta música dos Moloko foi the choosen one. A tradução castelhana é horrível. Não procurei outra versão.

10 julho 2009

Assembleia Legislativa Regional dos Açores. Que utilidade?


Acabou mais uma semana de reuniões plenárias na cidade da Horta e a credibilidade da política açoriana sofreu mais um forte abalo. De que interessa debater o distanciamento das populações da política, se depois assistimos a tristes espectáculos, como foi o caso? Mais, de que vale dizer que a Internet pode ser uma excelente plataforma para o debate político e de ideias, se depois é usada daquela forma?

Adiante.

A verdade é que pouco, ou mesmo nada, de importante foi discutido (quanto mais decidido) sobre a vida dos açorianos, assistindo-se apenas a picardias que resultam, acima de tudo, da percepção de todos os agentes políticos da região do momento de mudança que vivemos. Só assim se explica as recentes movimentações no xadrez e, em casos específicos, do sacrificar dos peões por parte daqueles que sentem o Rei em perigo de xeque.

No entanto, merece atenção a recusa, por parte da bancada socialista, da criação de uma Comissão Parlamentar de inquérito ao processo de construção dos navios Atlântida e Anticilone, proposta por todos os restantes partidos representados. Com efeito, este episódio até teria piada, mas apenas se o líder parlamentar do PS fosse um dos actores dos Monty Python e a Assembleia Legislativa Regional o cenário do Sentido da Vida. A verdade, porém, é que o destino dos milhões que estão empatados naquele projecto megalómano interessam sobremaneira aos açorianos, ainda mais no momento de crise e desemprego que se vive. Mas os socialistas preferiram chutar a bola para a frente, na esperança de ganharem algum tempo. É, porém, uma estratégia destinada ao fracasso, pois os açorianos não são, efectivamente, estúpidos e já perceberam que - além de tudo mais que possa existir nesta novela da Atlanticoline -, há uma enorme dose de incompetência.

Falar muito, dizer pouco

Eu sei que ainda há quem as profira, mas confesso que tenho saudades de ouvir umas boas imbecilidades, daquelas tão ingenuamente puras que, para lá da comiseração, quase merecem um nicho de simpatia, porque genuínas. Por isso, nada como recorrer aos bons velhos tempos dos amantes da Utopia e admirar a sua extraordinária capacidade de arregimentação. Por onde andará tão vetusto jovem?

09 julho 2009

O Tal País

O Alexandre Homem Cristo escreve no Cachimbo de Magritte que Há uma euforia de manifestos em Portugal, em escrevê-los, em discuti-los e em refutá-los escrevendo outros manifestos, que por sua vez serão discutidos e refutados. No fim, ninguém concorda com ninguém. Mas há um ponto sobre o qual podemos concordar: já nada disto serve de alguma coisa.

Ainda sobre estes manifestos, o professor de economia na Columbia University, Ricardo Reis, dá uma boa ajuda na compreensão do que pode ser, ou não, melhor para o futuro económico do país.

O "X" Marca a Qualidade (ou não)

Com o começo do mês de Julho, assistimos às televisões generalistas inaugurarem as suas grelhas de Verão. Na mesma linha, talvez, o jornal Açoriano Oriental decidiu alterar o layout das páginas destinadas à opinião, numa espécie de baralhar e voltar a dar, só que empacotando tudo na mesma página. O resultado é deveras constrangedor; além do efeito visual maçudo e complicado, os textos tiveram de passar por uma dieta rigorosa - certamente para seguir a moda de Verão -, o que os torna praticamente inúteis, dado o pouco espaço para desenvolver ideias que é reservado aos autores.

Ora bem, deverá ser por estas razões que vamos encontrando pérolas dignas de registo no espaço de opinião diário do AO. Pois então, na passada terça-feira, o twiter Repórter X fazia uma comparação verdadeiramente descabida entre a Câmara Municipal de Ponta Delgada e o Governo Regional (através da Direcção Regional de Cultura) sobre os montantes dos apoios atribuídos a agentes culturais. Será (quase) escusado dizer que a capacidade financeira dessas duas entidades não é comparável. Depois, a crónica parte para o obrigatório juízo de valor. Assim, sentencia o Repórter X que os eventos culturais promovidos pela CMPD são nivelados por baixo e populistas e não têm um factor qualitativo e inovador, aludindo certamente àqueles do Teatro Micaelense.

Então o que é qualidade e inovação? E o que é populista e nivelado por baixo? Como se consegue catalogar cultura desta forma? Será que qualquer evento que esteja apinhado de gente é populista e não presta? Haverá um número máximo de espectadores para um evento ser considerado inovador e com qualidade? Não haverá aí influência partidária no meio desse catalogar em série por parte do X?

08 julho 2009

O Estado da Educação

Depois do que se lê e constata aqui, a única conclusão a que podemos chegar é que no sistema educativo português, contrariamente ao que pensava, só existe unanimidade numa disciplina: Educação Física. Essa sim, é fundamental para políticos, cientistas e alunos contribuirem para o respectivo desenvolvimento pessoal e para o colectivo nacional porque "... a Educação Física é reconhecida como sendo tão importante como a Matemática e o Português, por todas as competências que desenvolve - como o espírito competitivo e o espírito de equipa, fundamentais em qualquer mercado de trabalho..." e, além disso, " Não há dúvida de que os alunos com boas notas a Educação Física estarão melhor preparados para lidar com as dificuldades futuras e os stresses da competição académica, independentemente da área que seguem e das notas nas outras disciplinas. E isso não é, nem pode ser, mau para o acesso ao Ensino Superior." Eureka!

O Deserto Deserto

Às vezes, lá onde moro, fico à noite a olhar as estrelas como as do deserto
e oiço o tempo a passar, mas não me angustia mais: eu sei que é justo e
que tudo o resto é falso.
in No Teu Deserto, Miguel Sousa Tavares, advogado, jornalista, viajante, escritor, comentador, fumador, portista. Ele de si próprio: "Fiz filhos, construí casas, escrevi livros e plantei árvores. Gosto da ideia da continuidade das coisas." Já em Ponta Delgada.

Da Liberdade de Expressão... Ou não!

Ontem, na Horta, foi assim. Notícia fresquíssima via AO.

06 julho 2009

Música para o 'eu'

Vertigo (1958)


Acho que não tenho guilty pleasures. Aquilo de que gosto faz parte de um percurso musical longo, por vezes sinuoso e sempre orgulhosamente independente, que fiz ao longo destes anos.

Só fazendo um caminho assim – ou semelhante – se pode ouvir a música na actual lista, com headphones e volume bem alto, fechar os olhos e ... esquecer até o tempo.

Não espero que gostem, não é essa a intenção.
  • Electrelane - To The East
  • Clinic - Walking Thee
  • Broadcast - Tender Buttons
  • The Organ - Let the Bells Ring
  • Blonde Redhead - 23

McNamara


A morte de Robert McNamara serve para recordar o magnífico documentário The Fog of War – Eleven Lessions on the Life of Robert S. McNamara .

De facto, neste filme McNamara revê toda sua vida pública, onde esteve envolvido desde os bombardeamentos às cidades japonesas no final da II Guerra Mundial, até ao escalar do guerra no Vietname, passando, claro, pela Crise dos Mísseis de Cuba. Pode ler-se aqui informações mais detalhadas sobre o filme.

Mais do que um documento histórico de grande interesse, este filme mostra um homem em final de vida a tentar lidar com o seu passado e com as centenas de milhar de vidas que se perderam em consequência directa das suas decisões.

A torrentizar.

Um Bom Princípio

O PS decidiu que nas próximas eleições - autárquicas e legislativas -, os candidatos que figurarem nas listas às autárquicas, não poderão surgir nas listas a candidatos a Deputados da Nação. É, sem dúvida, um bom princípio, um preceito que abona em favor da transparência e da veracidade eleitoral.

Poderiam tê-lo feito já nas eleições ao Parlamento Europeu, evitando, assim, que Elisa Ferreira e Ana Gomes estivessem presentes em duas frentes - candidatas a Euro deputadas e candidatas a autarquias. Os socialistas ter-se-ia esquivado, pelo menos, a algumas críticas internas, que, estou em crer, surgiram, porque quem as proferiu contariam com um lugarzito na AR, caso não conseguisse ganhar a autarquia a que se candidata. Este mal-estar demonstra que estariam dispostas a ser presidente de câmara, mas que, acaso não o conseguissem, prefeririam sentar-se no Parlamento, do que num lugar de vereação na Câmara Municipal à qual concorrem.

Não será de estranhar, que duas das vozes criticas desta decisão de Sócrates, sejam mulheres. Sim. Pois com a actual lei da paridade, estas senhoras socialistas, já se viam a fazer parte das listas às legislativas, na ânsia de “facilitar” o preenchimento de 1/3 dos lugares das referidas listas. (por esta, e outras razões, sou contra a lei da paridade)

Esta separação de figuras que constam das listas a eleições distintas, parece-me ser uma atitude coerente e que vai de encontro à verdade e clareza que se deseja na politíca. De outro modo, os eleitores, que já se sentem distantes e indiferentes à politica em geral, e às eleições em particular, ficariam confusos com os mesmos rostos em listas distintas. Saberiam que estavam a ser iludidos, e provocaria, ou alimentaria ainda mais, o descrédito que muitos têm em relação aos políticos e às suas reais ambições. Os cargos políticos e os desafios eleitorais, devem ser aceites pelas pessoas como forma de servir a comunidade, a sociedade a que pertencem, e não como forma de se servirem a elas próprias.

Todos sabemos que muitas vezes as caras que surgem em lugares cimeiros das listas partidárias, somente lá surgem como chamariz. Não raras vezes, em eleições legislativas e regionais, os primeiros candidatos são autarcas, que todos sabemos não abandonarão as suas funções para integrarem os lugares a sufrágio….e se o fizessem, estavam a atraiçoar aqueles que os elegeram para o cargo camarário, pois não cumpririam o seu mandato.

Esta decisão - de não integrar os mesmos nomes em eleições distintas -, vai também de encontro ao que o PS e a generalidade dos partidos defendeu : a separação destes dois actos eleitorais. Abre também caminho a uma renovação das listas, e à entrada de caras novas no cenário eleitoral, quebrando o circuito interno a que muitos partidos nos têm habituado.

Vamos ver se se torna regra, ou se será uma excepção atendendo à particularidade deste ano eleitoral.

05 julho 2009

Ainda o voto obrigatório

Ainda que as sociedades humanas tenham evoluído com base na Lei, e não na Moral, é óbvio que a minha opinião sobre o voto obrigatório é Não, mas compreendo os que o advogam, pelas razões políticas e também pelas filosóficas. Na sua origem estará uma premissa nobre: aproximar uma vez mais a política dos cidadãos desacreditados. Mas essas coisas não se definem por decreto. Se o sistema está corcunda, então tratemo-lo na raiz, e não nos ramos terminais (eleitores).
Concordo em absoluto que um eleitor ao não votar seja penalizado com alguma sanção, porque fazer parte de uma sociedade permite-nos usufruir de direitos, mas obriga-nos a cumprir os deveres. Ao não cumprirmos um dever, estamos a quebrar um compromisso tácito entre Estado-Cidadão.
Mas a questão do afastamento, ou como queiram chamar, dos cidadãos/eleitores e a política em geral, e as eleições em particular, levanta outro ainda problema grave. À medida que formos assistindo ao afastamento/distanciamento dos bons homens (humana, ética e tecnicamente) da política, este espaço vai sendo invadido por uma espécie nova de homo politicus sem o necessário nível intelectual e experiencial, que vê estritamente na política uma oportunidade de subir na vida e dar nas vistas. Quantos não conhecem assim?

04 julho 2009

O melhor dos 80's

O Rui deu o pontapé de saída. Supertramp faz lembrar o melhor dos 80's do século passado. No entanto há muito mais para descobrir, ou melhor, redescobrir nos golden days do rock. Em 1 Música por Semana Every Breath You Take dos Police. Já viram o Sting tã novim!

03 julho 2009

Razão e Paixão


Mataram a Tuna, Mataram as Leis

Uma vez que este blogue não admite comentários, deixo aqui a questão que se me levantou ao ler o post em questão.

"Moralidade"? Haverá conceito mais subjectivo que "moralidade"? O que para uns pode ser moralmente correcto, para outros não. Embora leigo (longe de ser mestre) na matéria, aventuro-me a dizer que as Leis existem exactamente para delimitar aquilo que é compreendido pela maioria como correcto.

No entanto, admito o contraditório na caixa de comentários, como é evidente.

02 julho 2009

Supertramp


Crescer com irmãos mais velhos acarreta muita chatice, sem dúvida, mas tem os seus lados positivos também. Desde o respeitinho por regimes hierárquicos tácitos, a saber lidar com a difícil arte de comprometer, temos também a garantia de conhecer a música que a geração anterior à nossa ouve. Foi assim, portanto, que fiquei a conhecer e, por fim, gostar de bandas como os Pink Floyd, os Genesis, o Mike Oldfield ... os Supertramp. Como a vida nos Açores naqueles tempos não era fácil, muito menos para famílias numerosas (como era o caso), comprar discos era daquelas coisas que se faziam uma vez por ano, quando se recebia o cheque-disco no aniversário. Um dos meus irmãos, penso eu, lembrou-se de comprar Crime of the Century dos Supertramp de Roger Hodgson. Ora, na playlist estão algumas das músicas desse mítico disco, que simplesmente não soam ao mesmo por não terem o ruído do vínil. Ainda assim, é bom, é muito bom.

"Colarinho Branco"

Nuno Cardoso, ex presidente da Câmara Municipal do Porto, foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa, por ter beneficiado o Boavista FC num processo de licenciamento de dois lotes de terrenos onde se construíram vários prédios.

Nuno Cardoso, redigiu com o seu punho um despacho de arquivamento das contra-ordenações correspondentes aos ilícitos praticados pelo referido clube, mas não se coibiu de, em sua defesa, afirmar «que os tais despachos lhe teriam sido ditados».

Mas quem o viu na TV, a sair do Tribunal com um ar triunfante, depois de condenado a 3 anos de pena suspensa, deve - como eu -, ter ficado confuso ao ouvi-lo admitir recorrer da decisão, adiantando, logo em seguida, «que após oito anos de "recolhimento" vai regressar à política, não especificando porém em que moldes.»
Já o ex conselheiro de Estado Dias Loureiro - antigo administrador da SLN, sociedade detentora do BPN -, que se manteve enquanto pôde, resguardado pela função que lhe foi atribuída pelo PR, demonstrou uma ingenuidade que não se coaduna com capa de bom gestor que quis transmitir durante anos, ao afirmar aos jornalistas: «Pude dizer ao senhor magistrado que só hoje é que percebi alguns contornos, sobretudo do negócio da Biometrics, que me passaram completamente ao lado», acrescentando ainda que foi «confrontado com documentos que nunca tinha visto».

Depois, perante a assunção do estatuto de arguido diante das câmaras de TV, um jornalista pergunta-lhe: “E quanto a medidas de coacção?” . Dias Loureiro responde prontamente e desvalorizando o seu estatuto: “Não, nada…não há medida de coacção.”. Um outro jornalista riposta: “Talvez Termo de Identidade e Residência?”. Ai, o ex conselheiro de Estado admite desvalorizando: “Sim. Isso é o comum em todos os casos.”

Enfim, tudo tranquilo, pois a vergonha e o véu não caem, a quem se habituou a usar, e a ser visto, de “colarinho branco”.

01 julho 2009

A Crise!? Qual crise?...


Ou então alguém que me explique, se me não falha a memória: no mesmo dia temos João Pedro Paes na Ribeira Grande, Roger Hogdson em Ponta Delgada, Pedro Abrunhosa na Povoação. Quem souber os números que envolvem estes artistas do microfone doirado, que me e-maile. No entanto há artistas regionais na prateleira apenas porque não tiveram uma digna oportunidade de actuação.