30 janeiro 2011

Corta-Fitas

O nosso pequeno canto foi parar ao blogue corta-fitas.

28 janeiro 2011

Para se saber de quem é tem de se saber a quem pertence

Extraordinária a prestação do ex-presidente Sampaio como testemunha no julgamento do camarada Penedos. "As prendas de Natal não cabiam em três salas [...] Nunca comprei uma caneta ou um relógio, mas nunca me senti minorado na minha honestidade por causa disso.".

Não percebendo que não está em causa a sua inquestionável honestidade, nem sequer a eventual bondade desinteressada dos ofertantes, o camarada Sampaio, tal e qual como Mário Soares, já agora, que encheu a sua Fundação com ofertas destinadas ao Presidente da República, confunde a sua pessoa e o cargo que ocupou. Para ele, a distinção não releva. E a aceitação de presentes ao Presidente da República e posterior pública inversão da posse, para a sua esfera privada, enquanto cidadão, legitimam, sem qualquer rebuço ético-moral, a usucapião.

Se se considerar que as palavras do ex-presidente Sampaio foram proferidas num contexto judicial em que estão em causa, entre outras coisas, uns quantos alegados favores alegadamente pagos com uns quantos milhares de euros ou com umas alegadas cristaleiras da Vista Alegre, o que resulta inquietante para o cidadão comum é a ligeireza de costumes, ou respectiva análise, por quem, atenta a exposição pública e o facto de ter exercido o mais alto cargo político da Nação, deveria, pelo permanente escrutínio a que está sujeito, saber conjugar os pronomes possessivos e, sobretudo, compreender que as ofertas podem ser inofensivas mas têm destinatários concretos que não se encerram no próprio ego. Me, myself and I, não deveria ser o código de conduta de um político.

"Esta caneta que uso foi-me oferecida. Mas não sei dizer quem ma deu", legitima qualquer cidadão a dar boleto a uma qualquer liberalidade, por mais excêntrica que esta possa ser.

Mutatis mutandis, e passe o exagero, se alguém, que não conhecemos de lado algum, nos depositar uns milhões de euros na conta bancária e os começarmos a gastar, aceitando a benesse, também poderemos dizer que nos foram oferecidos, por desconhecermos o depositante? Segundo o precedente, sim e estaremos de consciência tranquila.

Perante exemplos destes, poder-se-à apontar o dedo e atirar a primeira pedra?

E, depois, queixam-se da abstenção...


27 janeiro 2011

César "Elvira"

Do Facebook, para os resistentes.

"Sempre que César perde umas eleições, culpa a abstenção. Mas quem, mais que ninguém, tem responsabilidades directas da população se afastar da política? Que tal o Presidente do Governo Regional dos Açores nos últimos 15 anos? São intervenções pouco dignas, para o mais alto cargo político dos Açores, como as que proferiu ontem, que contribuem directamente para o abstencionismo..."

"César acusa tudo e todos, mas não olha para si. A única "dona elvira" nos Açores é o próprio, que está em funções políticas regionais desde o ano da graça de 1984. Vai fazer 27 anos, portanto! Sempre aqui nos Açores, sempre. Record completamente imbatível nas nossas paragens. Parabéns, então."

Que nível, para um Presidente do Governo Regional dos Açores, usar termos como "donas elviras". Enfim, nada de novo.

26 janeiro 2011

Os iluminados

A critica ao discurso do vencedor Cavaco Silva é verdadeiramente significativo dum grupinho de auto-intitulados “iluminados”, que lida mal, muito mal, com a Democracia.

Foram os primeiros a embarcar numa campanha de ataque pessoal contra Cavaco Silva, mas depois mostram-se muito chocados por aquele reagir às críticas que eles próprios lhe dirigiram.

É que é perfeitamente inacreditável que não se vá à origem do problema. Cavaco Silva reagiu no discurso de vitória porque estas mesmas pessoas que agora o criticam andaram duas semanas a lançar dúvidas sobre a sua pessoa. E ai de quem se atrevesse a falar em Argel. Não, os princípios de liberdade de expressão só têm um sentido para esta gente.

A esquerda curto-circuito, é a esquerda que defende os pobrezinhos, mas não se mistura com eles. É a esquerda da pseudo-elite. É a esquerda da solidariedade, mas ao longe. É a esquerda dos direitos, mas não dos deveres. É a esquerda anti-europa, mas que é a primeira a abusar dos apoios que de lá vêm. É a esquerda que condena o mercado aberto, mas que exige dinheiros para as exposições e para os museus. É a esquerda que em público acha ultrajante que a cultura seja só para uma minoria, mas que se sente incomodada quando a sua cultura é invadida. É a esquerda que não cria riqueza, mas que vive ricamente às custas do Estado.

É que esta esquerda lida mal com a realidade, que ela própria construiu. Esta esquerda quer um país iletrado, porque é mais fácil, porque só assim se tornam elite, mas esta esquerda não aceita o facto de quem decide são as maiorias. Esta esquerda quer, por isso, “educar” a populaça, mas depois como se mantêm como elite?

É a esquerda curto-circuito? Errado. É apenas um grupinho de pessoas que tomaram de assalto alguns dos valores da esquerda, mas que descartaram os que não lhes interessavam. A verdadeira esquerda não é isto.

Aleluia! Três penalties!

Três! Belisquem-me! Três! Belisquem-se! Marcaram três penalties a favor do Benfica num só jogo! Deviam ter sido quatro, mas, caramba, até quase perdoo o homem pela esquecida, só pelo feito!

Para esfrangalhar os nervos, falhamos duas, decerto por falta de hábito e incrédulos com tão inusitada situação.

Apesar de não ter sido para o campeonato (aí continuam a ser proibidas), com tanta fartura e num só jogo, os senhores do apito já ganharam os créditos suficientes para não voltarem a marcar mais nenhuma a favor do Benfica, por mais evidentes que sejam, não vá o senhor Vitor Pereira, naquelas análises como só ele sabe fazer, vir a terreiro puxar-lhes as orelhas, como a última, na qual parece que o único erro das últimas dezenas de jogos foi a validação do golo do Saviola (para mim é do Cardozo), em Coimbra.

Esta época, se os árbitros tivessem marcado as grandes penalidades existentes a favor do Benfica e não tivessem assinalado, grosseiramente, as inexistentes a favor de outro clube, a revalidação do título seria muito mais do que uma miragem. Mas, como se viu no passado fim-de-semana, em Aveiro, quando é necessário, lá acontece o Céu.

Depois de todos verem o que aconteceu a equipas como a Naval, Braga, Académica, Guimarães, Setúbal ou Beira-Mar (por enquanto e dito assim de cor), poderá ainda o Benfica aspirar a ser campeão?

24 janeiro 2011

Da Vitória de Cavaco à Derrota de César


Cavaco Silva foi o vencedor incontestado das eleições Presidenciais de Domingo passado. A vitória foi em toda a linha, não merecendo qualquer tipo de contestação. Uma vitória que dá alguns sinais, porém, que convém registar.

Desde logo, trata-se duma vitória que, por um lado, garante estabilidade e continuidade, uma vez que mantemos o mesmo Presidente da Republica e porque mantemos o nosso capital de credibilidade junto dos mercados externos. Este é um ponto que se reveste de alguma ironia, pois a necessidade de credibilidade para financiamento externo, só existe por causa dos governos socialistas. E os portugueses perceberam muito bem que, votando em Cavaco, davam um sinal de mudança, uma vez que todos sabíamos que o Partido Socialista nacional e dos Açores apoiou claramente o candidato derrotado, Manuel Alegre.

O resultado de domingo também merece uma atenção redobrada pelos altos níveis de abstenção registados. Com efeito, e apesar de todos os apelos feitos, a população não se dirigiu às urnas, demitindo-se, assim, de exercer o seu direito de voto. A razão principal residirá no facto de termos assistido a uma campanha eleitoral verdadeiramente pobre em termos de ideias para o país. O que se assistiu foi a um conglomerado de forças contra a candidatura de Cavaco Silva, que assentaram os seus argumentos em ataques pessoais. Ficou provado, uma vez mais, que a população não gosta deste tipo de política. A população afasta-se do ataque pessoal, da política pequena, do golpe baixo. E todos, com excepção de Cavaco Silva, embarcaram nesse tipo de campanha. Os resultados demonstram isso mesmo, pois o eleitorado de Cavaco Silva foi votar. Os que se poderiam rever noutra qualquer candidatura é que se desmobilizaram, porque sentiram, claramente, que o modo como os cinco derrotados, liderados por Alegre, conduziram a campanha foi totalmente errado.

E aqui entra a questão açoriana, porque cá a campanha da difamação e do ataque pessoal atingiu níveis muito mais preocupantes, que se reflectiu, como é normal, na maior abstenção que se registou nos Açores, em contraste com o continente. Para mais, nos Açores, a candidatura de Manuel Alegre teve o apoio da máquina socialista açoriana em peso, ao contrário do que aconteceu no continente. Foi aqui, nos Açores, que Alegre arrancou com a sua candidatura, ao lado de Carlos César e de todo o aparelho socialista açoriano. César empenhou-se pessoalmente na campanha de Alegre, tendo participado activamente na tal estratégia de ataque a Cavaco Silva. O povo respondeu a César de forma clara. Ou seja, os resultados eleitorais, ao nível Açores, não podem ter outra leitura: tratou-se duma derrota pessoal de Carlos César!

Estranhou-se, por isso, a reacção pouco importada que o Presidente do Governo dos Açores teve aos resultados. No entanto, é uma reacção típica e sobejamente estudada ao nível dos comportamentos humanos: Carlos César está a tentar ignorar o elefante que lhe entrou na sala no Domingo. Está a tentar cuidar das aparências. No entanto, de pouco ou nada lhe valerá tal atitude. É que todos sabíamos que nesta eleição presidencial também se jogava muito do futuro de César. A recondução de Cavaco Silva na Presidência da Republica significa que vamos ter uma defesa intransigente do que está escrito na Constituição e no Estatuto Político Administrativo dos Açores. E sendo assim, não haverá lugar a leituras enviesadas da norma sobre a limitação dos mandatos do Presidente do Governo Regional dos Açores. Com Cavaco Silva, não haverá jeitos ou ajustes de contas. Com Cavaco teremos o que está escrito na Lei. Daí também se possa explicar todo o ardor que a família César colocou na candidatura de Alegre, como que se as suas vidas daquilo dependessem. Novamente com uma ponta de ironia do destino, Cavaco mais não vai fazer do que cumprir a vontade do legislador, que, no caso, foi o próprio César, que escreveu a dita norma da limitação de mandatos, dizendo, desde logo, que não se poderia recandidatar.

Os resultados de Domingo foram negros para o Cesarismo de convertidos, não o terão sido tanto assim para os socialistas dos Açores.

A Mente Livre tem razão

Subscrevo na íntegra o Mente Livre, que em linguagem precisa e cristalina, mostrou o que os Açorianos (exactamente assim, com A grande) pensam sobre as diatribes da politiquice e, sobretudo, de que, com excepção de uns quantos apaniguados locais, cristalizados no tempo, a Autonomia é irreversível e natural, apesar deles e dos fantasmas que só eles vêem.

23 janeiro 2011

Efeito de boomerang

Quando votei nas últimas eleições presidenciais do Sport Lisboa e Benfica, fi-lo sentado, na cadeira da minha secretária, aqui em Ponta Delgada, através do voto electrónico no site do clube. Em meia dúzia de segundos, estava despachado. A votação decorreu normalmente. Ninguém clamou fraude eleitoral. O Benfica, como sempre na vanguarda da transparência, demonstrou como era e é fácil ultrapassar o arcaísmo dos procedimentos eleitorais.

Nas eleições para a Presidência da República, ainda há milhares de eleitores à espera de saberem o respectivo número para poderem votar porque queriam mesmo exercer esse seu direito. Serão, para todos os efeitos, abstencionistas.

Independentemente de sermos um povo que faz tudo à última da hora, hoje provou-se que as Novas Tecnologias do Simplex socretino são um flop.

Até parece que, nestas eleições, a malevolência era mesmo a abstenção "involuntária". Era útil, não era? Knock-out por boomerang.

Os resultados?! Como era previsível, ganharam todos, Sócrates incluído, excepto os dois candidatos socialistas e o Ardemares.

21 janeiro 2011

Uma vez que não há limites,

e tal e qual como fizeram com Sá Carneiro ou Freitas do Amaral, deveremos esperar alguma malevolência no dia de reflexão?

20 janeiro 2011

Porque vou votar

Perguntava-me um amigo como poderia eu, um crítico da República, monárquico não dogmático, pensar em ir votar no dia 23, lembrando-me uma frase que costumo usar: “deixo essa questão para os republicanos.” Não seria contraditório? Com efeito, parecendo-o, não o é.

Primeiro, mesmo resultando a minha preferência pela Monarquia, em parte, da incapacidade de bom exercício do cargo que os sucessivos presidentes demonstraram, revelando-se inabilmente mais interessados em si próprios e na sua família política do que no bem-estar do País, não deixa de ser relevante e, porventura, essencial que eu, cidadão português, prefira, in casu, preocupar-me com o País em vez de fazer um auto de fé sobre o regime.

Em segundo lugar, olhando o actual estado global da Pátria, que é de cada um de nós, na qual nos inserimos e que nos afecta, mesmo quando passivos, não poderia ficar indiferente, atilhado pelo meu credo, vivendo, em plena crise política, social, económica e ético-moral, de uma forma amorfa e acéfala e deixar que a esperança na alteração deste estado de coisas a que o socialismo nos conduziu, e que já classifiquei de twilight zone, pudesse continuar ou ser agravado com a ascensão ao mais alto cargo da Nação de um qualquer dandy, por mais letrado e democrata que invoque ser. Por isso, irei votar no dia 23 de Janeiro.

Contrariamente a muito boa gente, não fiquei surpreendido com a campanha eleitoral, se é que se pode assim chamar ao tempo dedicado à iliteracia sobre a função presidencial continuamente demonstrada pela maioria dos candidatos. É esta falta de conhecimentos básicos sobre as regras constitucionais que regem a Presidência da República, aliada à incapacidade de perceber, face às mesmas, qual o papel reservado à função e consequente actuação no respectivo exercício que, rápida e certeiramente, nos fazem afastar de candidatos instrumentais, cuja única justificação para existirem nada tem a ver com o cargo a exercer.

José Coelho é um daqueles patuscos cidadãos que animam qualquer festa e que também tinham uma função na corte do rei Artur, mas que fica bem como exemplo de abertura democrática a todos os cidadãos. Nada mais.

Francisco Lopes aparece em nome do Partido, para pregar a crença proletária do Partido, marcar o ponto do Partido, para no fim o Partido merecer a subvenção pelo mérito da cassete já roufenha a tocar para a brigada do reumático estaliniano. Missão cumprida.

Defensor de Moura se alguma vez pensou, na sua extrema vaidade, que seria o outsider socialista, depressa demonstrou que apenas existia para fazer o trabalho sujo que outrem não poderia fazer. É o exemplo pérfido dos candidatos.

Fernando Nobre encarna a ingenuidade política. Embarcou, ou fizeram-no embarcar, nesta aventura como se fosse uma lufada de ar fresco, por não ter passado político e ter presidido à AMI, apresentando-se como um novo paradigma. Parecendo querer mudar o mundo, apenas revelou a inocente ignorância da função. Dizem-no instrumento do clã Soares na guerra inter frates o que, provavelmente, não mereceria.

Manuel Alegre é o expoente do radicalismo vindo da I República. Vive e respira aquele tempo ditatorial, encapotado de democracia, até à sofreguidão da permanente contradição. Candidato do Bloco de Esquerda, o que, por si só, diz tudo, foi aproveitado pelo Partido Socialista para ser definitivamente exorcizado das suas entranhas. Usou e abusou de leviandades sem nexo, mostrou ser factor de instabilidade, apropriou-se da Democracia, não se demarcou das torpes insinuações e acusações que os seus apoiantes ou Defensor de Moura permanentemente tentavam inculcar nos eleitores contra Cavaco Silva. Tristemente, dividindo os portugueses, apresentou-se como o presidente do povo de Esquerda. Guilhotinou-se. Sai pela porta dos fundos, directamente para as pantufas e lareira de sua casa.

Cavaco Silva é o único dos candidatos que sabe como funciona o planeta Terra e a União Europeia, em particular. Foi o único candidato que se apresentou ao eleitorado com a perfeita noção do que é ser Presidente da República. E não foi por exercer o cargo. De todos os presidentes da República, foi aquele que melhor o exerceu. Patriota, percebeu e conseguiu mostrar que, em Democracia, é possível o respeito e a colaboração institucional entre órgãos políticos, sem o escrutínio permanente da lança. Mesmo que não se concorde com todas as suas acções, e eu não concordei, é, no presente, o fiel da balança. Tem noção precisa do sentido de Estado. Traz a credibilidade e respeitabilidade de que o País precisa nos momentos atribulados. É confiável. Dele não se espera qualquer traição ao juramento que prestará na tomada de posse. Acima de tudo, é a pessoa mais lúcida do actual espectro político, sendo ele quem poderá transmitir a necessária calma, externa e internamente, quando as circunstâncias políticas, sociais e económicas se agravarem ainda mais.

Por tudo isto, vou votar e vou votar Cavaco Silva.

17 janeiro 2011

A função pública já sabe quanto vai perder

Acabei de ver a minha folha de vencimento. Como esperava, ainda é pior do que a pregação demagógica do senhor Pinto de Sousa indiciava e desprezando a realidade legal que deveria reflectir. Como não trabalho para o senhor Carlos César, a remuneração do meu trabalho foi vilipendiada sem consentimento, por causa das tropelias aventureiras que o país vive em nome da twilight zone.

Porque o socialismo só se sente realizado na pobreza e na intimidação silenciadora, na presunção de que todos vivem na Quinta, a peleja seguirá no local próprio, e no qual eu acredito, apesar das estórias e do dito, isto é, no Tribunal, caso a legalidade não seja reposta.

10 janeiro 2011

Já que o cheque não aparece,

e como não acredito que o mesmo se transforme numa transferência bancária, para encerrar o assunto, lembro apenas que na comissão de honra do poeta Alegre está Fernando Lima Valadas Fernandes, gestor de profissão, que não tem nada a ver com a SLN, nem nunca teve nada a ver com a Mota-Engil, e, já agora, que a Galilei, novo nome da SLN, segundo os sempre mal-informados blasfemos, não tem nada a ver com a sede de candidatura do poeta Alegre.

Se, por mero acaso do destino, tiverem, será mesmo por mero acaso do destino e nada mais.

Um cidadão tem direito a escolher o seu candidato e, se for nobre o suficiente, pertencer à sua comissão de honra, e o candidato tem todo o direito de escolher, onde bem lhe aprouver, o local para sede da sua candidatura.

A seriedade democrática é mesmo assim, pura e cristalina, sempre à mão de uma simples corrida pela Net. Tout court!

03 janeiro 2011

Perspectivando '11

Passadas as festividades, é tempo de encararmos a dura realidade novamente. Com a entrada do novo ano, somos confrontados com aumentos em tudo. Uns produtos sobem de preço mais que outros, mas a verdade é que, por via do aumento do IVA, tudo irá subir. Um aumento de IVA, diga-se, que foi aprovado pelo PS-Açores na Assembleia da Republica e que trará enormes benefícios ao Governo dos Açores, mas não aos Açorianos, como já vamos ver. Temos, pois, que estar preparados para que, no final deste mês de Janeiro, todas as contas, como da luz, da água, dos telefones e tudo mais, venham um pouco mais caras. Depois há que registar o aumento dos combustíveis, que, aos poucos, vai chegando aos níveis dos preços que são praticados no continente. Só para se ter uma ideia do aumento vertiginoso do preço das gasolinas, basta dizer que no ano que agora acabou, os preços subiram 15 cêntimos. Como consequência, aumentam os preços dos transportes públicos. Outro aumento que se deve levar em conta é o da taxa de combustível no transporte de mercadorias, que será nada mais nada menos que de 50%. Nós, como ilhéus que somos, dependemos directamente dos transportes de mercadorias para o nosso abastecimento. Como é evidente, esse aumento irá também traduzir-se no preço final dos produtos e, como sempre, será o consumidor final a pagar a factura.

Por outro lado, os rendimentos irão se manter e, nalguns casos, descer. Ou seja, e como já se antecipava, cada vez menos dinheiro ficará nos bolsos das pessoas e das empresas. No que diz respeito às pessoas, isto significa uma redução na qualidade de vida, com necessidade de se ter que apertar o cinto e cortar no mais que se puder. Como consequência teremos um ainda maior abrandamento da economia, afectando fatalmente muitas empresas. Aliás, e a este propósito, basta dizer que em 2010 no continente foram à falência 11 empresas por dia! Inacreditável! E tudo isto leva ao agravamento daquele que é sem qualquer dúvida o maior problema que se nos coloca actualmente: o desemprego.

Em 2005, José Sócrates prometia a criação de 150 mil empregos, caso se tornasse primeiro ministro. Porém, a verdade dos números diz-nos que o desemprego em Portugal aumentou em 15% desde que José Sócrates chegou ao poder. Por cá, a situação é em tudo semelhante, os números do desemprego nos Açores são sempre um mistério, pois são constantemente mascarados através dos programas, criados pelo governo, de qualificação profissional e afins. No entanto, a realidade é clara: o desemprego nos Açores começa a ser uma verdadeira tragédia, que afecta cada vez mais famílias e para a qual, o Governo regional não tem sabido dar respostas.

E isto traz-nos à conclusão que o socialismo falhou redondamente na governação de Portugal e dos Açores. Agarrados ao poder, os socialistas usam e abusam dos dinheiros públicos para manterem a hegemonia. A sua filosofia é simples e está há muito diagnosticada: por dinheiro em cima. Mas isso é feito com alguma subtileza. É o aparelho público para o clientelismo e é o RSI para os restantes. Basta ver que cerca de 50% do Orçamento da Região para 2011 é para despesas de funcionamento. E isso até nem seria fatal, não fosse o facto desse dinheiro ser emprestado. Porque, se esse dinheiro fosse apenas nosso, o dinheiro público dos Açorianos, era um problema nosso, que acabaria por ser resolvido cá, entre nós. Mas como se sabe, nós não produzimos para o nível de vida que este governo tem, pelo que andamos sempre à caça das transferências externas. Uma triste realidade, sem dúvida. Portanto, o mais que a governação socialista faz é adiar os problemas. Em Portugal, muito se fala da entrada do FMI. E porquê? Porque se praticou a mesma política do adiar. O FMI vem-nos dizer que acabaram-se os adiamentos. É uma questão de olhar seriamente para a História recente e ver que, inevitavelmente, o que se passa no continente, chegará aos Açores.

E agora, com o fututo político do país com muitas certezas, o que já se vê e que, concerteza, se irá ver ainda mais nos próximos tempos, é o aproveitar o que resta. Não haja dúvidas, os fins são sempre tristes e penosos, seja em que circunstância for.

Alegres coerências para 2011

O vate Alegre, segundo palavras suas, está de acordo com a gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde do camarada e amigo António Arnaut, ao mesmo tempo que também está de acordo com o pagamento de taxas moderadoras impostas pelo Governo. Fica, pois, (mais) uma coerência de quem pensa que isto ainda vai lá com conversa fiada e a demagogia de frases vagas e sem conteúdo, próprias de conversa de café. Assim, cumprindo-se o princípio constitucional do acesso à saúde tendencialmente gratuito temos que:


O n.º 2 do artigo 1.º do Decreto -Lei n.º 173/2003, de 1 de Agosto, alterado pelos Decretos -Leis n.os 201/2007, de 24 de Maio, 79/2008, de 8 de Maio, e 38/2010, de 20 de Abril, determina que o valor das taxas moderadoras é aprovado por portaria do Ministério da Saúde, sendo revisto e actualizado anualmente tendo em conta, nomeadamente, o índice de inflação.
As taxas moderadoras aprovadas pela Portaria n.º 34/2009, de 15 de Janeiro, encontram -se desactualizadas quer quanto ao valor quer quanto à tipologia dos actos, pelo que se torna necessário proceder à sua revisão.
Esta revisão teve em consideração as perspectivas macroeconómicas prevista no relatório do Orçamento do Estado para o ano de 2011.
Assim:
Ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 1.º do Decreto -Lei n.º 173/2003, de 1 de Agosto, na sua redacção actual, manda o Governo, pelo Secretário de Estado da Saúde, o seguinte:
Artigo 1.º
Objecto
As taxas moderadoras constantes da tabela anexa à
Portaria n.º 34/2009, de 15 de Janeiro, são actualizadas
nos termos da tabela anexa à presente portaria.
Artigo 2.º
Revogação
É revogada a Portaria n.º 34/2009, de 15 de Janeiro.
Artigo 3.º
Entrada em vigor
A presente portaria entra em vigor em 1 de Janeiro de
2011.
O Secretário de Estado da Saúde, Óscar Manuel de
Oliveira Gaspar, em 14 de Dezembro de 2010.

30 dezembro 2010

A Doutrina Social da Igreja e a Esquerda

Da Encíclica Rerum Novarum emitida pelo Papa Leão XIII:

A solução socialista

3. Os Socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para - os Municípios ou para o Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Pelo contrário, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciar as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social.

O comunismo, princípio de empobrecimento

7. Mas, além da injustiça do seu sistema, vêem-se bem todas as suas funestas consequências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como consequência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria. Por tudo o que Nós acabamos de dizer, se compreende que a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública. Fique, pois, bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer por todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo é a inviolabilidade da propriedade particular.


Não há dúvida de que existem ideias simples que até um vate deveria compreender.

29 dezembro 2010

Alegres divagações

Extraordinário! Estou quase atordoado por julgar viver noutro planeta, desde já garantindo que não fumei qualquer substância psicotropica nem estou sob o efeito dos leves vapores vínicos consumidos na época natalícia. Não! A razão é menos prosaica. Acabei de ouvir o representante do Bloco de Esquerda no Partido Socialista, partido do qual foi fundador, passar 16 minutos a atacar o Partido Socialista, por este estar a destruir o "Estado Social" e a entregar-se nas mãos do "grande capital", esquecendo-se de que é militante desse mesmo partido, de que é esse mesmo partido que está no Governo e de que é esse mesmo partido que está no Governo que o apoia na sua candidatura presidencial.

Si non è vero, è bene trovato.

28 dezembro 2010

2010

Feliz 2011!

23 dezembro 2010

As crianças vão ter Natal!

Graças à generosidade de uma pessoa que prefere manter o anonimato, as crianças que referi aqui vão poder estar com a família no Natal. Mais ainda, foram muitas, e de vários estratos economico-sociais, as pessoas que, de forma solidária e altruísta, prestaram o seu contributo para que as mesmas pudessem ter outros apoios que, nesta altura, são urgentes e inadiáveis. Para todas, fica a pública homenagem pela sua bondade.

O que dirá agora o jornalista CP 536?


Escrevi no blogue do mesmo o seguinte:


Esclarecimento

Uma simples leitura do Diário da República desmistifica a frase. As leis estão lá à disposição de todos. Não há nada escondido nem há benesses escondidas ou para além da lei.

Em segundo lugar, sempre poderá dizer-se que a única maneira de ter funcionários especializados em determinadas áreas na Região, e que ela não tem nem poderá ter, face aos poderes em causa e à insuficiência de meios humanos especializados, será com alguma compensação e que, desde já lhe confirmo, é bastante insuficiente. Aliás, até parece que ficou "assanhado" por se tratar da administração central, face à omissão, por exemplo, das benesses dadas aos funcionários da SATA, autonomicamente esquecidos.

Em terceiro lugar, se há problemas com a Saúde na Região, sector na exclusiva dependência do governo regional, ou se quiser da Autonomia, devem-se apenas à inércia e incapacidade do governo regional, algo que tange também os transportes e a política que define a sua estruturação. Não é por acaso que o governo regional, mesmo oferecendo muitos subsídios e outras compensações, não consegue atrair médicos para a RAA. Nisso, sofrem os açorianos e os que se deslocaram de outras zonas do país para aqui trabalhar e viver com prazer, porque também eles são açorianos. Termino, dizendo-lhe que a autonomia também deve ser solidária para com o todo nacional. Impõe-no a Constituição mas, sobretudo e antes, impõe-no a ética e a moral, ambas muito arredadas da política actual, nacional, regional e local. E os fazedores de opinião regionais, sabem-no.

Pessoalmente, não sendo fazedor de opinião nem submisso a qualquer um, continuarei a pensar pela minha cabeça os Açores e o País e a fazer o melhor que puder por eles, mesmo quando discorde das acções dos decisores políticos, cá e lá, como agora, cá e lá.

Cordiais saudações


O jornalista CP 536 nada me retorquiu, nem tinha de fazê-lo, porque é livre.


Não vi, até ao momento em que escrevo, o jornalista CP 536 vir a público insurgir-se contra estes putativos subsídios dados aos funcionários regionais.

Não vi, até ao momento em que escrevo, o jornalista CP 536 vir a público perguntar "Por que se escondem essas regalias e os governantes que as autorizaram?"

Será que o jornalista CP 536, até por ter sido assessor de imprensa do presidente do governo regional, sabia da existência destes subsídios? Se sabia porque os omitiu na sua comunicação? Se não sabia, porque razão está agora calado quanto aos mesmos? Já não são discriminatórios? Ou, afinal, já não se enquadram no tal direito à diferença?

Finalmente, porque razão não interpela o jornalista CP 536 o governo regional quanto ao exercício das suas competências, relativamente à Saúde, e ao fiasco que tem sido a execução da política do sector? Não o incomodam os alegados contratos milionários com especialistas vindos do continente para fazer urgências, por exemplo? Ou a sua incapacidade para conseguir trazer médicos para a RAA?

Não fica incomodado com a incapacidade que o governo regional revela para conseguir cumprir a Autonomia nos sectores que são da sua exclusiva competência estatutária?

Citando Cristóvão de Aguiar: "É temerário reverter-se três ou quatro mil vozes, por mais berreiro que façam, na voz de um povo inteiro...".

O resto é água, muita água. E não é da chuva.

21 dezembro 2010

Eu, Açoriano, Estou Todo Endividado.

O tribunal de contas apresentou o Parecer sobre a conta da Região Autónoma dos Açores no ano 2009. É um documento arrasador para os Açorianos, um documento que diz preto no branco o que há muito se especulava: a Governação de Carlos César tem vindo a endividar os Açores de modo quase irrecuperável. As gerações futuras de açorianos irão ter que pagar os excessos que se cometeram nos últimos 14 anos e terão muitas dificuldades em desenvolver a região.

O caso mais gritante será o da Saúde, onde, segundo o parecer do tribunal, as contas dos Hospitais foram totalmente saneadas em 2007, mas que passados apenas dois anos encontram-se em falência técnica. Estamos a falar de resultados líquidos que rondam os 200 milhões de euros negativos e de empréstimos que aumentaram 8 vezes em apenas um ano.

Depois há o Sector Publico Empresarial dos Açores, que são as empresas de capitais públicos controladas total ou parcialmente pelo Governo regional. Essas empresas, no seu total, aumentaram a dívida num ano apenas em 20%, chegando no final de 2009 ao valor de 820 milhões de euros. Ou seja, é perfeitamente aceitável pensar que a dívida do sector público empresarial dos Açores tenha aumentando mais cerca de 20% neste ano de 2010, podendo ser cerca de mil milhões neste momento.

Além da dívida da Saúde e do Sector Público Empresarial dos Açores, há que aumentar ainda os valores da dívida directa, bem como as responsabilidades decorrentes das parcerias público-privadas estabelecidas pelo governo regional. Ou seja, é fazer as contas e ver o tamanho da dívida.

E o que tem o PS para mostrar que justifique esta enorme dívida? Tem muito trabalho feito ao longo dos anos, não haja dúvida, principalmente ao nível de infra-estruturas, estradas, imóveis públicos, etc. Mas a ideia que fica é que ao longo destes 14 anos de governação, o Governo de Carlos César não soube evoluir com o tempo. O desenvolvimento de uma sociedade faz-se harmonicamente e por passos. Os Açores estiveram abandonados à sua sorte até 1975, altura em que conquistamos a nossa Autonomia. Depois, os Governos do Dr. Mota Amaral sanearam os principais problemas que impediam o desenvolvimento da Região, dotando-nos do essencial para evoluirmos. Em 1996 entrou para o poder Carlos César que beneficiou dos enormes apoios concedidos pela União Europeia e pelos governos de Guterres e conseguiu dar seguimento ao apetrechamento das nossas ilhas. Agora, em 2010 era altura de estarmos já numa fase em que o poder devia apostar no desenvolvimento económico, apostando em novas áreas, como ensino de excelência, as novas tecnologias, etc., ao mesmo tempo que agora já deveríamos ter capacidade para dar um apoio mais condigno aos nossos idosos, que muitas vezes vivem na total pobreza e aos jovens que ou estão no desemprego ou estão empregados precariamente.

Ora, foi algures no passado recente que o governo de Carlos César não soube romper com o modelo de desenvolvimento que tinha e foi-se deixando afundar num sem-número de relações de dependência com o intuito de se eternizar no poder. E é exactamente por estas razões que o caminho para este modelo socialista não pode ser outro a não ser o do endividamento. Porque para se manter no poder, o Governo socialista precisa de manter e aumentar a máquina governativa, porque precisa de manter muitas famílias sob o jugo do Rendimento Social de Inserção, porque precisa de manter asfixiado o sector privado. Este Governo sente necessidade de ser omnipresente, sob pena de perder o poder. E essa omnipresença tem um preço muito alto, que se paga endividando, porque não temos nos Açores capacidade de criar riqueza, porque, novamente, o governo não permite e não dá condições. Acaba sempre por ser uma pescadinha de rabo na boca, um ciclo vicioso, que tem que ser, necessariamente, quebrado.

O PS argumenta que o valor da dívida não é tão alto como se diz, mas admite, porque as evidências são claras, que os Açores têm uma enorme dívida e que não conseguimos quebrar o ciclo de a aumentar cada vez mais.

Os Açores precisam urgentemente de novos protagonistas. Novas ideias e um novo conceito de desenvolvimento económico que nos tire definitivamente da cepa torta. Se analisarmos bem temos tudo, temos condições naturais, somos pessoas de garra e que nunca desistem, falta-nos uma governação que pense, acima de tudo, em todos os Açorianos e não apenas em 3700 funcionários públicos.

19 dezembro 2010

Bom Natal, senhor Laurentino!

Neste que é o seu último Natal como secretário de Estado do Desporto, não posso deixar de lhe desejar um bom e retemperador descanso, na casinha do Gerês, partilhando eventualmente uma amena cavaqueira com o seu vizinho, aquele que, de vez em quando, vai lá ao quintal tirar-lhe umas quantas peças de fruta ou de hortaliça, já não sei muito bem, na certeza de que o merece pelo seu esgotante esforço ao longo destes anos. Na minha memória, e para a sua história como governante, ficam a sua dedicação total a apoiar o António do Dr. Horta e a FPF para correr com Queiroz. E o total alheamento do combate à corrupção desportiva, tarefa que, no seu dizer, não competia ao Estado mas aos órgãos próprios da actividade em causa. E, para nosso bem, perder a organização do Mundial de Futebol. É pouco. É porventura injusto da minha parte, eu sei. Mas acredite que fiz um esforço hercúleo para descobrir mais, mas não consegui, por absoluta incapacidade minha, insisto, embora V. Exª tenha feito parte de um Governo que, parecendo querer mudar tudo, pouco fez, e o que fez, fê-lo mal. No entanto, confio que, um dia, alguém, muito mais capaz e talentoso do que eu, lhe há-de fazer justiça. E será muita, de certeza. A si e ao Governo.




P.S - Julgo que o mesmo vizinho, entre duas cavadelas na terra, lhe explicará, filosoficamente, como um pé se transforma numa mão, sem recurso a qualquer cirurgia e sem que alguém fique espantado, pois, no jogo jogado, chuta-se sempre com o pé que está mais à mão. Apesar de ser conversa privada, se no-la transmitir, será um acto de solidariedade nacional.

17 dezembro 2010

€88,50 e o resto é conversa...fiada entre a SATA e o Governo

Quando a esmola é grande até o pobre desconfia. Acabei de falar com o serviço de atendimento da SATA, tendo permitido a gravação da chamada, a fim de saber as condições para a aquisição das publicitados novas "tarifas promocionais". Desmentindo logo a própria publicidade (a partir de 19 de Dezembro), a simpática menina não me deixou fazer reserva para a próxima semana, atirando essa possibilidade para uma data algures em Janeiro, sabendo as restritíssimas condições (21 dias antes da viagem e não reembolso em caso de cancelamento) para adquirir as passagens mais baratas e a penalização de €100 (cem euros!!!) pela sua alteração. Quanto às passagens a €99,50, com excepção de terem de ser adquiridas até 14 dias antes da viagem, nada mais se sabe sobre as demais condições. Balbuciei, em tom ligeiramente irónico, algo sobre um equívoco publicitário das ditas e agradeci a simpatia e o esclarecimento (?).

O dia 18 de Abril de 2010 nunca existiu na agenda do PS-Açores, mesmo que nesse dia se tenha realizado um congresso regional onde foram prometidas passagens aéreas abaixo de 100 euros, sem restrições, conforme o pomposo anúncio público do promitente. Segundo a lenda, jamais o presidente do PS-Açores faria uma promessa ao povo açoriano que o presidente do Governo Regional não pudesse cumprir. Como sabemos, qualquer um deles, como predestinado, é homem de palavra e, quando se juntam, acreditam que prometem que cumprem e que cumprem o que prometem. E como só os predestinados cumprem, eles cumpriram, mas num sentido tão restrito, que quase se escapa o conceito e fazem desaparecer o tal dia de Abril.

Aliás, a comprová-lo, está o facto de que, depois da publicação no JOCE, a 20 de Outubro, que diferia a entrada em vigor por 60 dias, conforme o insuspeito Açoriano Oriental noticia hoje, as ditas tarifas deveriam entrar em vigor dia 19 de Dezembro, notícia que a SATA também plantou no meu telemóvel e no meu e-mail. Afinal quem não cumpriu foi mesmo a transportadora aérea, que, em leviano afã, prometeu uma prenda de Natal a estudantes e residentes que não existe. E eu a pensar que o Pai Natal existia para todos os açorianos!

Porquê a publicidade equívoca feita pela SATA?!
Porque razão o Governo Regional não cumpriu a promessa feita a 18 de Abril de 2010?!

15 dezembro 2010

César e os seus 3700 funcionários contra todos Açorianos

Como não poderia deixar de ser, o Representante da Republica vetou o absurdo que era o regime compensatório. E a sua declaração de veto é simplesmente certeira. E não vale a pena levantarem os habituais fantasmas do centralismo e tudo mais, que isso é fugir ao assunto, comprovando apenas que a medida é errada e discriminatória.

Vejamos alguns pontos da declaração do Representante da Republica:

2. Antes de mais, quero fazer a precisão de que a minha discordância, expressa neste veto, não se dirige ao Orçamento, qua tale, que esse não discuto, mas apenas à norma do artigo 7º. do diploma que o aprovou e que cria uma … “remuneração compensatória

4. (...) Os órgãos de Governo Regional agiram aqui no desenvolvimento e na efectivação de um compreensível impulso de protecção dos seus funcionários mais carenciados e afectados pelo corte salarial decretado no Orçamento Nacional. Só que isso é uma parte da realidade, que sendo relevante, silencia ou despreza a outra parte da realidade nacional envolvente. Na verdade, afronta injustificadamente as situações paralelas e similares dos funcionários atingidos pelo rigor do orçamento nacional, alguns dos quais a prestar serviço na Região, e bem assim, muitos dos funcionários da Administração Local.
Enquanto a medida discriminatória e profundamente injusta, se não mesmo de incompreensível egoísmo.

5. E não vale argumentar com a penosidade do trabalho nos Açores, pelo isolamento, pela onerosidade que a distância agrava, enfim por aquilo a que vulgar e repetidamente se chamam os preços, os custos e os sacrifícios da insularidade. Tudo isso é exacto, mas aceitável e atendível noutros planos, onde, aliás há muito se vêm praticando efectivamente medidas de compensação, protecção, apoio e incentivo de efeitos mais generalizados e abrangentes.

6. Nem se diga que a remuneração compensatória não custa um cêntimo ao Orçamento Nacional ou ao contribuinte continental. É uma afirmação superficial e de validade apenas formal.
Mas também não pactuamos com a queixa e o lamento de séculos, que, por isso mesmo já entrou no imaginário político açoriano, de que tudo o que de nefasto acontece nos Açores é fruto de um centralismo cego e anacrónico. Não se nega a existência esporádica de motivações centralistas e preconceituosas. O centralismo existe, efectivamente. E curiosamente, e por ironia, alimenta-se de situações como esta.

7. (...) Não é uma mera situação de dificuldade conjuntural e transitória que podia consentir ou justificar tratamentos e soluções diferenciados que a própria dimensão da Autonomia legitimaria.
Não é disso que se trata. Trata-se antes de uma situação de catástrofe nacional, da responsabilidade de muitos – ou de todos – ao longo dos tempos que pode arrastar Portugal para o descrédito, a miséria, a bancarrota.
(permita-me o Sr. Representante fazer uma correcção, é que esta situação de miséria está a acontencer devido mesmo só a alguns, aos que estão há 15 anos seguidos no poder, o PS. No continente desde 1995, com um intervalo de 2 anos e aqui nos Açores desde 1996).

Insistir nesta medida será uma irresponsabilidade, um absurdo. É mais que evidente, e temos dizer as coisas com as letras todas, esta medida era para proteger alguns boys que já ganham bem e que trabalham para o Governo. É para isto que queremos fazer uma guerra com o continente?!? Imagine-se cada vez que Bruxelas puxa as orelhas a Portugal sobre maus gastos, se se pensasse logo em centralismos e independências! Se se queria amenizar os efeitos da crise nos Açores, porque não aprovar a proposta do PSD de redução do IRS que abrangia todos por igual? Eu respondo. Porque não. Porque o PS faz política pequena. É do contra, porque sim. Pronto.

Para mais, este PS defensor da Autonomia não pega. Foi este mesmo PS que abandonou a sala da Assembleia na altura da votação dos símbolos heráldicos da Região! Porque na altura era o que mais lhes convinha. Agora convém fazer isto. É tudo conveniências. O objectivo é só ajudarem-se a si próprios. Porque o PS-Açores aprovou o Orçamento de Estado para 2011, mas é o primeiro a não cumprir.

Carlos César está cada vez mais sózinho. É um agonizante definhar, em que parece que já percebeu que vai cair, mas que vai levar consigo os Açorianos. Neste caso, claramente, tentou fazer o que sempre fez, dar um extra aos seus, mas a situação virou-se contra ele. Este tipo de problema já foi diagnosticado há muito tempo por Platão n'A Republica: "o tirano precisa de identificar - ou de fabricar - um inimigo comum ao seu povo, para se manter no poder, ou reforçá-lo."

Os Açores, os Açorianos, não mereciam isto!

Frase para o dia

" Numa crise, as pessoas procuram uma liderança forte, alguém que seja competente e queira tomar o comando, não querem exibições públicas de acenar com a mão ou dúvidas ou prevaricações". Ou provocações gratuitas, pensamos todos.
Nota: Entre comas, uma frase de Andrew Sullivan, in A Alma Conservadora.

13 dezembro 2010

Carlos César não é Pai Natal para estas crianças

1 - Chamemos-lhe Filomena. É mãe solteira, tem dois filhos pequenos a seu cargo, bem como uma irmã, ainda menor. É pessoa honesta e trabalhadora e gostaria de não depender de apoios sociais. Contudo, apesar de trabalhar, não consegue. Mas trabalha, porque assim foi educada e sempre no desejo de não necessitar de apoios sociais. Por azar da vida, a sua filha foi atingida por doença incurável, o que obrigou à deslocação de ambas para um Hospital no continente. O seu filho e a irmã ficaram por cá, deixados em mãos amigas, é certo, mas com o estigma do afastamento por tempo indeterminado, na ânsia de salvar uma vida. O filho, sempre triste e saudoso, gostaria de passar o Natal com a mãe e a irmã. Apesar da boa vontade dos técnicos do Instituto de Acção Social, tal não será possível. Não há dinheiro para oferecer tal prenda. Nem mesmo da rubrica das despesas imprevistas. A dotação orçamental já tem destino e estas crianças não votam.

2 - Chamemos-lhe Antónia. É avó extremosa, com netos a seu cargo que os acasos da vida depositaram em sua casa. A sua neta Vanessa, chamemos-lhe assim, nasceu com problemas de saúde vários, que obrigaram a intervenções cirúrgicas no continente. A Vanessa cresceu. Tem 5 anos e vinte e poucos quilos e quer colo, muito colo, demasiado colo para a fragilidade da avó. Esta só quer um simples carrinho de bebé, no qual possa transportar mais comodamente a Vanessa. Apesar da boa vontade dos técnicos do Instituto de Acção Social, tal não será possível. O último carrinho foi para um bebé igualmente carenciado. Também não há dinheiro para comprar outro. Nem mesmo da rubrica das despesas imprevistas. A dotação orçamental já tem destino e esta criança não vota.

11 dezembro 2010

Carlos César tem razão

Carlos César tem razão. Os Açores não têm muitos recursos disponíveis, designadamente financeiros. Estão é mal geridos por ele. Carlos César porque geriu mal os recursos naturais, humanos e económicos açorianos e os recursos financeiros postos à disposição dos açorianos, consegue manter há 15 anos a Região como a mais pobre do país e uma das mais pobres da Europa, a caminho de ser ultrapassada pelos novéis países da União Europeia. Estes últimos estão seriamente comprometidos no seu desenvolvimento e, sobretudo, possuem, na globalidade, recursos humanos mais qualificados do que o "faz-de-conta" académico que o socialismo quer fazer crer que possuímos. Carlos César tem razão onde eu gostaria que não a tivesse. E, lamentavelmente, não se dá conta disso porque julga que ele é a Autonomia, esquecendo a História da mesma e esquecendo que nós, povo, também a conhecemos, posições dele incluídas. É por este legado que será lembrado, quando a História o julgar, apesar dos sempre disponíveis revisionistas.

10 dezembro 2010

Playlist 10122010


  • Fanfarlo - Drowning Man

  • The Brian Jonestown Massacre - Miss June '75

  • Eux Autres - Go Dancing

  • The Raveonettes -I Wanna be Adored

  • Weekend - Coma Summer

  • The Arcade Fire - Half Light I

09 dezembro 2010

Opinião de um votante em Carlos César

EU ATÉ VOTEI NO HOMEM

Não posso deixar de achar fantástica a cruzada do senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, para proteger os seus conterrâneos Açorianos do flagelo das medidas de “saque” do Governo da República.

Fico até perplexo com tanto empenho e conduta imperial do César.

É que desconhecia completamente esta sua faceta altruísta e este seu poder manifestamente económico. Aliás, fico até duvidoso se se tratará do mesmo Presidente ou do seu clone. Clonagem que até nem seria nada surpreendente tendo em vista a moda implantada pelos “Líderes” por esse Mundo fora.

Supondo que este seja o verdadeiro Carlos César e que afinal, no segredo mais extraordinariamente preservado, tenha sido descoberto petróleo nas margens dos Açores, não posso deixar de ficar indignado pelo que nunca fez e que afinal podia perfeitamente ter feito, para permitir uma melhor qualidade de vida aos Açorianos.

Desde logo poderia e deveria tomar as seguintes medidas:

1- Criar uma Unidade Oncológica e outras em diferentes áreas de saúde; avençar médicos especialistas, para evitar o duplo sofrimento dos açorianos que têm que ser “repatriados” para o Continente, por falta de meios médicos nos Açores.
2- Comparticipar os produtos lácteos – de que afinal os Açores são produtores – de modo a que na Região, esses bens alimentares aí produzidos não sejam, pasme-se, mais caros do que no Continente. (Vivi 11 anos nos Açores e nunca comi queijo ou leite açoriano, tão baratos como no Continente.)
3- Subsidiar os transportes de mercadorias, para que o custo de vida nos Açores não seja tão elevado, e os açorianos usufruam do direito de pagar o mesmo preço, nas Ilhas, por um artigo semelhante adquirido no Continente.
4- Investir na área da educação em cursos profissionais, que sejam realmente uma resposta credível profissionalmente, e em cursos universitários que tenham “futuro”, para que os alunos não se vejam obrigados a pôr a casa às costas e a debandar para o Continente.
5- Contribuir para a liberalização das rotas aéreas, para que viajar de e para os Açores não esteja sujeito a um preço absurdo, que ultrapassa vertiginosamente muitos dos valores pagos nos diferentes percursos efectuados na Europa.

É que desta forma, grande parte dos açorianos está impedida de usufruir da sua vontade genuína de viajar, de conhecer as outras Ilhas do seu Arquipélago e o seu País. (Não nos podemos esquecer de que durante anos houve um Programa Governamental dirigido aos povos escandinavos e que os transportava para os Açores ao preço da chuva.)

Estas são apenas algumas, de muitas outras pequenas medidas que deviam e pelos vistos, dado que há “fundos”, podiam ser implementadas.
Surpreende-me, portanto, tanta polémica a nível institucional e na comunicação social por tão pouco, quando há tanto por fazer pelos Açores.

Por mim, que votei no homem, e por duas vezes, o que verdadeiramente me deixa furibundo é que ele me tenha feito acreditar que os Açores eram um Região periférica e pobre, quando afinal são um Império rico.

Carlos Santos Oliveira

08 dezembro 2010

Ab alio spectes alteri quod feceris

«Com este PS os portugueses aprendem que os interesses do Estado se confundem com os interesses daquela organização de imbecis e cretinos. Dos muitos abusos e desmandos, agora é dentro do próprio PS que desmandam uns aos outros... Quando se criam e alimentam seres vorazes e sem regras, mais cedo ou tarde, as criaturas mordem até as próprias mãos de quem os criou e alimentou!! Carlos César, ex jornalista de mediocre carreira, nascido nos Açores em 1956, é agora presidente da região autónoma dos Açores.»


«Carlos César usa um truque de que Alberto João Jardim costuma abusar: uma crítica, uma frase desfavorável ou, até, uma admoestação de uma autoridade da República - ou mesmo um reparo de qualquer outra entidade... -, dirigida ao presidente do Governo Regional ou à sua governação, transforma-se, num ápice, num ataque "ao povo da Região Autónoma". O líder confunde-se, assim, com o povo, que lhe serve de escudo humano contra as observações do "cubano" (nas palavras de Jardim), do poder central ou do cidadão continental. É uma mentalidade muito mais colonialista, no complexo de inferioridade que demonstra, do que aquela que esta atitude dos líderes regionais pretende denunciar. E é, sobretudo, a aplicação de um ensinamento de Platão na sua A República: o "tirano" (neste caso, o líder) precisa de identificar - ou de "fabricar" - um inimigo, comum ao seu povo, para se manter no poder, ou reforçá-lo.»

E o PS o que diz?
«Vital Moreira considera a decisão "politicamente inaceitável" e rotula-a de "infeliz episódio"; Renato Sampaio sustenta que "devia haver um pouco de pudor"; Vítor Ramalho diz que a posição "não tem justificação"; Ana Paula Vitorino classifica a excepção de "pouco razoável"; Vera Jardim admite que não "simpatiza nada" com estas medidas; Strech Ribeiro sente-se incomodado; e Miranda Calha acrescenta que "não [lhe] parece bem" a decisão do executivo regional socialista.»

Futebol à portuguesa

FUTEBOL À PORTUGUESA
18:00, quarta-feira, 8 dezembro de 2010, Autor: JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA

" O jogo FC Porto-Vitória de Setúbal teve três grandes protagonistas: o treinador do Vitória, Manuel Fernandes, o treinador do Porto, André Villas-Boas, e o árbitro Elmano Santos.

Manuel Fernandes admitiu deixar o futebol e não é caso para menos: jogar no campo de um adversário muito mais poderoso e, depois de equilibrar o jogo, ser derrotado pelo árbitro, é muito triste.

Villas-Boas estava castigado e assistiu ao jogo na bancada. Mas passou todo o tempo a falar pelo walkie-talkie com o adjunto sentado no banco. Para que servem então os castigos aos treinadores? Para assistirmos a estas farsas?

Finalmente Elmano Santos. Com todo o respeito, creio que não estava na posse de todas as suas faculdades. Para lá de outros erros ridículos, marcou um penálti contra o Vitória por uma falta que ele próprio não viu e anulou um golo ao Vitória por razões que só ele conhece.

Se não tivesse marcado o penálti que deu a vitória ao FC Porto ninguém se queixava: nem a suposta “vítima” da falta. E se tivesse validado o golo que dava o empate ao Vitória também ninguém se queixava: todos os jogadores, guarda-redes incluído, se fizeram ao lance, ninguém dando por que ele não tinha apitado.

Aqui, julgo que se passou o seguinte: primeiro, ele precipitou-se e marcou o penálti; depois arrependeu-se de o ter feito; finalmente, quando viu a bola lá dentro, assustou-se e mandou-o repetir.

Pela sua cabeça passou um filme a 100 à hora. E respirou fundo quando, na repetição, viu a bola sair por cima.

Enfim, foi um jogo para esquecer. Mas por que razão, nestes jogos, o FC Porto será quase sempre o beneficiado? "


Nota: Bold meu

07 dezembro 2010

Custa tanto lidar com a Verdade


“Ora, é bom que se saiba, e que não sabendo se pense nisso, que a medida em questão (complemento remuneratório regional) não custa um cêntimo a mais que seja, nem ao Estado, nem muito menos aos cidadãos dos país (..)”

Não sei que contas se fazem no governo, mas o que se deve querer dizer com isso é que o complemento não é retirado das transferências do Estado, que representam 26% do Orçamento da Região. Como se fosse possível fazer uma abordagem tão redutora!

Mas então se não custa um cêntimo ao Estado português, nem aos cidadãos do continente, custa a quem? Aos açorianos, talvez? Então, significa que todos açorianos estão a contribuir para o complemento remuneratório regional. Mesmo aqueles que têm também um ordenado entre 1300 e 2000 euros e que trabalham em qualquer lugar, menos na administração regional.

Como o Marcelo disse, esta medida divide acima de tudo os próprios Açorianos.

06 dezembro 2010

O contribuinte tem o direito de saber

1 - Se a prevista compensação monetária aos funcionários regionais vai sair da rubrica destinada a despesas imprevistas, o dinheiro necessário para a reconstrução da Fajãzinha, destruída por imprevista calamidade, vai sair da rubrica prevista e destinada ao pagamento de salários dos ditos ou da rubrica prevista e destinada a pagar os salários e outras despesas do senhor presidente do governo regional?

2 - Na defesa do bom nome dos próprios, quem pagou as deslocações dos cidadãos Carlos e Luísa César à ilha Terceira, onde ambos, a título privado e no exercício legítimo dos respectivos direitos de cidadania, prestaram apoio público à candidatura presidencial do poeta Alegre?


05 dezembro 2010

"Até tu, Brutus", a Ironia de César

Vincenzo Camuccini - Morte de Césare

Quem fica a ganhar com medida de compensação de salários ordenada por Carlos César? Os 3.700 altos funcionários governamentais que já ganham bem, entre 1500€ e 2000€. E César que está a fazer tudo para se demarcar de Sócrates, talvez para se posicionar como seu possível sucessor. Seja como for, os açorianos não mereciam isto. Não merecíamos estar no centro da actualidade nacional, pelas piores razões. César não devia ter feito isto aos Açorianos. Não vale tudo em política, apesar de tudo, e não se pode brincar assim com a vida das pessoas que ganham pouco ou nada. As jogadas palacianas pelo poder têm limites. E o pior de tudo é que nem valerá de nada, porque César prometeu a compensação antes de Teixeira dos Santos dizer que são para sempre, pensando que poderia remediar a situação durante um par de anos, recorrendo a uma dotação financeira para situações imprevistas e porque César, faça o que fizer, jamais se conseguirá demarcar da imagem de parceiro de luxo de Sócrates. Todos sabemos e a História não mente: “Juntos Conseguiram”. E assim também se vê a fibra das pessoas, que deixam os seus parceiros nos piores momentos por interesses pessoais. O fins são sempre tristes.