30 março 2011
Da China a Alvalade
28 março 2011
A culpa
25 março 2011
Fim de Ciclo
Não tenho dúvidas: com a queda de Sócrates inicia-se o pior momento do Portugal contemporâneo. Estamos perante uma mudança de ciclo que, como a História nos ensinou, têm sempre consequências gravosas.
Nas nossas vidas estamos obrigados a cumprir e seguir uma série de leis e regras que nos são impostas pelo Estado. É o chamado Contrato Social que assinamos, involuntariamente, ao nascermos nesta era. Estas leis e regras foram criadas tendo vários objectivos, mas o essencial serviam para garantir a ordem, a segurança e o progresso e melhoramento das condições de vida da sociedade no seu todo e garantir a cada cidadão individualmente os seus direitos. Este cenário exigiu uma ferramenta que servisse de dissuasão à quebra das leis. E é assim que surge a Justiça e toda a sua arquitectura de penas e processos. Hoje o modelo, apesar de todas os seus problemas, está totalmente implementado e cada um de nós é educado e formado na certeza que a quebra das leis acarreta um preço a pagar.
Durante muitos anos o Estado era o último poder. Não existia nenhum poder terreno que lhe sobrepusesse. Havia apenas outros poderes iguais, nos outros Estados. A evolução e os factos, que não importam agora aqui pormenorizar, levaram ao surgimento de poderes superiores ao Estado, no caso as organizações supra-estatais como é o caso da União Europeia. Tal como na relação entre os cidadãos, também a relação entre Estados neste novo cenário teve que ser organizada com regras e Leis, de modo a garantir, também, a ordem e o desenvolvimento. E tal como acontece com os cidadãos, a quebra das regras pelos Estados estará sujeita a penas, no âmbito supra-nacional. Portugal, tal como outros países da UE, quebraram os compromissos a que estavam obrigados e terá que pagar uma dura pena.
Existem, como é evidente, demasiadas diferenças entre as duas situações descritas. Mas há uma que é fundamental: enquanto que por um lado é o cidadão, por si só, que é responsabilizado pelos seus actos e paga a devida pena individualmente, no caso do Estado quem paga somos todos nós e, pior ainda, os responsáveis directos pelas acções que levaram à infracção acabam por ter uma pena muito pouco significativa. José Sócrates, por exemplo, na pior das hipóteses, ficará só com a reputação do pior Primeiro Ministro de sempre de Portugal.
Os números não enganam, Portugal, a partir sensivelmente de 1995, passou a viver muito acima das suas reais capacidades, beneficiando, exactamente, do ter aderido à organização supra-nacional União Europeia. Os nossos sucessivos líderes governamentais portaram-se à imagem do pior do nosso país pós-25 de Abril, desfrutaram desenfreadamente dos direitos, mas pouco se importam com os deveres. Neste período, a dívida pública disparou dos 60% do PIB para mais de 100% actualmente. Foram 3 anos com governos sustentados pelo PSD e CDS-PP e 13 anos de governos socialistas. E tal como Margaret Thatcher afirmou, o socialismo só dura até acabar o dinheiro dos outros.
E não nos iludamos, nos Açores a situação é a mesma, senão pior. Vivemos dos apoios da UE e da Lei de Finanças Regionais. Para além disso, não temos nenhuma capacidade de criação de riqueza. Mais tarde ou mais cedo vamos também ser chamados a pagar a factura.
Fomos enganados pelos nossos governantes. Cultivaram a ideia do oásis. Incentivaram o uso abusivo do crédito. Nas pessoas e nas empresas. Hoje estamos todos endividados. Desde a região, através dos estratagemas das empresas públicas, até às famílias, passando evidentemente pelo sector privado.
E porquê? Recorrendo novamente à analogia do início, diria que Portugal e os Açores cometeram uma espécie de crime de colarinho branco. Se numa sociedade individual, são cometidos para o enriquecimento ilícito, no cenário da sociedade dos governos serão cometidos para a manutenção do poder. Resumo nesta expressão o porquê de termos chegado a esta situação: sede de poder eterno.
É urgente cultivar uma governação de responsabilidade. De falar a verdade aos cidadãos de uma vez por todas. Porque mais tarde ou mais cedo, como em tudo, a verdade virá ao de cima e aí as consequências serão sempre piores. A História encarregar-se-á de indicar o início do séc XXI como o fim dum ciclo e começo de outro e rotular Sócrates e César como os rostos da subsequente desgraça.
O jornalismo sofre de rigor mortis?
“Se o Governo [Regional] autorizou é porque é legal.” Porque há-de o jornal [Açoriano Oriental) dizer que é ilegal?
Separação de poderes?! Princípio da legalidade?! O que é isso?!!!
24 março 2011
PEC4 vai ser atingido
Dormem na Gare de Oriente e são recenseados nas Torres São Rafael e São Gabriel, as duas torres emblemáticas do Parque das Nações.
Os Censos 2011 obrigam a que a pessoa seja recenseada num alojamento familiar, o que exclui escritórios, hóteis e, claro, a rua. E vão contar os sem-abrigo pela primeira vez em separado.
As estações de comboio não são alojamentos e muito menos familiares. E os 34 sem-abrigo que dormem na Estação do Oriente, em Lisboa, têm de ser incluídos nos dois edifícios com famílias mais próximos: as Torres São Rafael e São Gabriel. Mesmo que tenham a designação de sem-tecto.
23 março 2011
Cleaning

Mais depressa se apanha um mentiroso...
Os Dias do Fim
O governo regional dos Açores do PS está completa e claramente em fim de ciclo, com consequências directas para os Açorianos.
Nesta reportagem da RTP-Açores ficamos esclarecidos que o importante para os senhores que ocupam as direcções dos organismos, não é a defesa intransigente dos interesses das populações, mas sim as pequeninas disputas de egos.
É o próprio João Luís Gaspar, do centro de vulcanologia da Universidade dos Açores, e que tinha abandonado o cargo de Director Regional do Ordenamento de Território e Recursos Hídricos há uns meses atrás, que diz não haver diálogo com a Protecção Civil dos Açores e que o sistema de alarme em caso de derrocada não funciona por falta de cooperação entre as duas entidades.
José Contente, na sua incessante e recente busca de protagonismo, esteve presente numa reunião entre as duas partes, mas como a peça mostra, neste momento já pouco há a fazer: estão todos fechados nas suas capelinhas, tentando assegurar os seus pequenos poderes.
A leitura é fácil: estas pessoas estão mais que instaladas nos seus poleiros, devido ao muito tempo de poder. Estão viciados, cegos e acabados.
21 março 2011
Velhos são os trapos!

Sorria castamente
Com o sorriso alegre dos heróis.
16 março 2011
Ainda somos assim?!
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896
14 março 2011
Palestra - dia 15 - Divulgação
09 março 2011
Uma analogia chatinha à reacção de César

"oh pá, já percebi que faço tudo mal (na reacção de César: "confesso que é fácil dizer o que está mal no país"), não precisam de ser tão cruéis comigo e realçar os meus erros diante de toda a gente (na reacção de César: "foi um discurso cruel").
Num comentário acusam-me de ter descontextualizado as palavras do senhor César. Concretamente, a Justina da Carreira de Tiro diz que a reacção ao certo foi esta:
"Não foi um discurso no registo apropriado, foi excessivamente cruel no diagnóstico e pouco ousado na terapêutica."
E que, sendo assim, já se consegue compreender melhor o que quis dizer o senhor presidente.
Isto significa, então, que o rapazola irresponsável, confrontado com as consequências dos seus actos, disse:
"também não precisam de falar comigo nesse tom" (não foi um registo apropriado)
"já percebi que só faço asneiras, não precisam ser tão cruéis para mim" (é excessivamente cruel no diagnóstico)
"e agora o que querem que eu faça?!? digam-me por favor, eu não sou ninguém sem este lugar de presidente, eu faço tudo para me manter aqui, digam-me, por favor, soluções para remediar o mal que fiz" (pouco ousado na terapêutica)
Sai 350 jobs para a mesa do Sr. César

Ficámos a saber ontem que o Governo vai abrir concurso para 350 vagas na administração regional açoriana. Segundo fonte oficial, a ideia é reforçar a estabilidade dos quadros que representam 9,8% do PIB, em contraste com os 12.4% do PIB no continente. Quando no continente está-se a contratar um professor por cada 38 que se reformam. Quando nos Açores, 45% do Orçamento total da região destina-se exclusivamente a despesas de funcionamento. Quando está mais que claro que o grande problema que impede o desenvolvimento de Portugal e da região é exactamente o peso da máquina governativa. Fica comprovado que o PS-Açores está a utilizar aqui a execrável lógica eleitoralista. Isto nem são os clássicos jobs for the boys, como os que são nomeados assessores de imprensa das recém empossadas secretárias, ou os que já estão bem dentro do sistema a ganhar mais de 1500 e que precisam da remuneração compensatória. Não, isto trata-se, tão somente, da prova cabal e acabada da falha total das políticas deste governo em termos de emprego. Porque, evidentemente, o governo não pode ser a entidade empregadora duma larga fatia da população activa. Nos Açores são mais de 20 mil pessoas que trabalham na administração regional.
Além disso, o governo vai prorrogar em mais seis meses os estágios profissionais de 662 jovens. No fundo, consegue-se controlar os números do desemprego, em 662, durante mais uns mesitos.
Estes últimos anos deveriam ter sido muito melhor aproveitados pela sociedade açoriana, para se revitalizar economicamente. Se retirarmos a política do cimento e do betão, os consecutivos governos do PS são um fiasco. Educação? Saúde? Políticas sociais (mas de verdade e não atirar dinheiro)? Emprego? É tudo um falhanço. O que César deixa aos açorianos é uma região completamente sobre-endividada, sem qualquer capacidade de gerar riqueza, que vive às custas da solidariedade do Estado e da UE e onde apenas umas pequenas grandes clientelas saem muito, mas mesmo muito, beneficiadas.
08 março 2011
Senhor presidente, é assim tão difícil?
Tenho vários bilhetes-convite para um jantar de beneficência a favor da Associação de Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, o qual deveria ocorrer no próximo dia 19 de Março, no Açor Arena. Deveria, porque, entretanto, fui informado do seu adiamento. Porquê?
A razão é prosaicamente simples: o senhor presidente autorizou para a mesma data e local um torneio de futebol, pouco importando que antes se tivesse comprometido com a organização de tal jantar, apesar da disponibilidade mostrada para que o mesmo fosse uma realidade.
Quando se fez luz na sua douta agenda, perante o conflito e o incómodo da organização, foi incapaz de tomar uma decisão, mesmo simples, como seria a do caso, emaranhando-se em alternativas tão inadequadas que apenas serviram para impossibilitar a realização do dito jantar.
Do ponto de vista político, percebe-se a prioridade, mesmo se inadvertida. O povo quer circo, dá-se-lhe circo, nem que seja para esquecer a falta de pão.
Do ponto de vista da gestão, o caso fala por si: sem surpresa, adiou-se o que não devia.
Eu e todos os que querem ajudar a Associação de Perturbações do Desenvolvimento e Autismo só queremos participar num jantar de beneficência, ao qual a Câmara de Vila Franca também aderiu.
Por isso, senhor presidente, confirma que no próximo dia 07 de Maio o Açor Arena estará disponível para, finalmente, ser realizado o bendito jantar ou haverá algum torneio de sueca de última hora a provocar novo adiamento?
07 março 2011
Descubra as Diferenças - Os Museus

À partida, poderá parecer escusado uma ilha da dimensão de São Miguel ter dois Museus direccionados à arte contemporânea. E esta é uma ideia que até poderá fazer algum sentido. No entanto, importa desconstruir as relações custo-benefício destas duas obras, para podermos melhor compreender, de facto, a utilidade de cada uma delas.
Sobre o Centro de Arte Contemporânea, que ficará na Ribeira Grande, a informação divulgada ainda não é muita. Sabe-se apenas que terá um valor que ascenderá os 13 milhões de euros e será assinado pelos arquitectos João Mendes Ribeiro, Cristina Guedes e Francisco Campos.
Em 2009, na apresentação da recandidatura à Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral apresentou o projecto para o Museu de Arte Contemporânea, que ficará situado na nova Avenida do Mar, na zona nascente da maior cidade dos Açores. O custo desta obra será de, aproximadamente, 7 milhões de euros e será assinado por Oscar Niemayer, provavelmente o arquitecto vivo mais famoso do mundo. É fundamental referir que Niemeyer é o único arquitecto que concebeu uma cidade do zero e que é Património Cultural da Humanidade, a capital do Brasil, Brasilia. Ademais, segundo informação da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Museu será comparticipado em 85% por fundos comunitários que são direccionados à cultura e que de outra forma, poderiam não ser utilizados.
Por outro lado, o contrato assinado pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada e o gabinete de Niemeyer engloba todo o projecto arquitectónico em si e de todos os estudos de especialidade necessários e garante ainda que o Museu ficará inserido no Caminho de Niemeyer, uma rota de cidades mundiais que contam com obras do arquitecto. Trata-se, portanto, de muito mais do que um simples projecto de arquitectura, é também uma medida que coloca Ponta Delgada no mapa da cultura internacional. A construção do Museu em Ponta Delgada irá, então, revitalizar a economia, criar emprego e será uma aposta séria para a dinamização do turismo em São Miguel.
Sendo certo que existem muitas outras áreas seriam prioritárias, a aposta na Cultura nunca será excessiva. Basta ver que Ponta Delgada ficou a ganhar e muito com a co-existência do Teatro Micaelense e do Coliseu. Penso que o importante aqui é olhar às relações custo/benefício. Enquanto que o Museu de Ponta Delgada terá um custo irrisório para os contribuinte, apenas 15% dos 7 milhões do valor total da obra, mas com muitos benefícios, como vimos. O Museu da Ribeira Grande custará aos açorianos, pelo menos, 13 milhoes de euros e não se vislumbra grande mais valias, pelo menos, analisada a informação que o Governo libertou.
No entanto, já se começam a ouvir e a ler muitas vozes, relacionadas com o Partido Socialista, incomodadas com a construção do Museu pela Câmara de Ponta Delgada. E depois de termos visto os custos a benefícios que ambas as obras terão, torna-se compreensível que fiquem incomodados. É que com metade do preço, e ainda por cima comparticipado em 85%, Berta Cabral consegue uma obra de muito maior dimensão e com muitos mais benefícios para São Miguel. Não basta ter dinheiro e atirar para cima dos problemas.
É preciso trabalhar e saber gerir o bem público.
04 março 2011
O Dobro ou a Metade
Curiosamente, no dia a seguir à publicação da dita Resolução, a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, apresentou o projecto de construção do novo Museu de Arte Contemporânea. Esta obra de grande magnitude, que servirá a maior cidade dos Açores, terá um valor total de 7 milhões de euros, que serão comparticipados em 85% por fundos comunitários que, de outra forma, não seriam executados.
O dobro ou a metade. Depende da perspectiva.
03 março 2011
28 fevereiro 2011
A nomeação de Mário Mesquita para a FLAD - o que mudou?
No entanto, passados quase 5 anos sobre a nomeação de Mário Mesquita e aquilo que os Açores ganharam foi pouco mais que uma ou outra apresentação de um livro feita em Ponta Delgada. Ridículo, portanto. E caso para o Dr. Bradford olhar para trás e assumir o engano.
A questão é simples: a FLAD deve ou não servir os interesses dos Açores? A verdade é que a sua criação se deve ao acordo de cooperação entre EUA e Portugal, que existe devido à presença dos americanos nas Lajes. Mas, nos Estatutos da FLAD não há nenhuma referência aos Açores. E sabia-se que os próprios membros do Conselho Executivo da FLAD nem queriam ouvir falar em interesses específicos dos Açores. Portanto, a nomeação de Mário Mesquita nunca poderia ser vista como uma vitória do governo de Carlos César. No máximo é uma vitória do próprio Mesquita, que nem vive nos Açores há décadas.
Esta sim, é uma questão de Autonomia. A FLAD existe devido aos Açores. Se a FLAD não tem uma acção especialmente direccionada para os Açores, como é o caso, então coloca em causa todo o edifício autonómico açoriano. Porque, no fundo, dizem-nos que fazemos parte de um todo que é Portugal e não podemos ter um regime de excepção. Mas o nosso regime de excepção existe, e existe exactamente devido à nossa condição de insularidade e à nossa posição geo-estratégica no meio do Atlântico, que, no fim, justifica a existência da FLAD.
Com os documentos agora divulgados pela Wikileaks confirma-se o que já se temia, a FLAD existe, isso sim, para salvaguardar os interesses de um punhado de pessoas. A FLAD, nos actuais moldes, é uma derrota para os Açores. Com ou sem Mário Mesquita.
A ver, com atenção, a reportagem sobre a FLAD realizada por altura da nomeação de Mesquita. E confirmar o auto-engano de Bradord e do Governo regional dos Açores, ao esperar de Mesquita o que sabiam que nunca iria ser possível.
25 fevereiro 2011
Governo Regional: os Açorianos exigem respostas

Ainda por cima, o PS Açores chumbou um voto de protesto, que tinha sido apresentado pelo PSD na ALRA, contra a não transferência dos valores de IRS para as Autarquias. A pérola é a justificação: "serenidade e bom senso". Então, na questão da remuneração compensatória, foi o que se viu por parte do PS-Açores. Qualquer reacção era um ataque à Autonomia dos Açores, num comportamento claramente agitador e de tensão. Agora, que o governo de Sócrates (quem sabe já numa reacção à questão da remuneração compensatória) corta aos Açorianos dinheiro que é nosso, aqui sim, num claro ataque à Autonomia, o PS-Açores põe-se à defesa e fica com medo de reclamar o que é dos Açorianos, por direito.
Os socialistas que ocupam o governo regional dos Açores têm que compreender que, antes de mais, estão aqui é para defender os Açorianos e não para fazerem jogadas palacianas internas do PS.
22 fevereiro 2011
Os golos pagam multa?!
Serviço Madeirense de Transporte Aéreo

18 fevereiro 2011
17 fevereiro 2011
09 fevereiro 2011
Mais um eurito e qualquer coisa
- aumento do complemento regional de pensão: +4.4% passa a ser 45€.
- remuneração complementar regional: +2.1% passa a ser 55.87€.
07 fevereiro 2011
A Remuneração Discriminatória
A remuneração compensatória para os funcionários públicos Açorianos, que ganham entre os 1500 e 2000 euros foi uma medida altamente injusta e irresponsável, que tem o cunho pessoal de Carlos César.
É uma quebra no compromisso de solidariedade nacional que regula a relação entre os Açores e o continente, que poderá ter efeitos negativos, no que toca as transferências do Orçamento de Estado para a Região no futuro.
Mas, essencialmente, a remuneração compensatória é um ultraje para a esmagadora maioria dos Açorianos, que só em sonhos, aufere entre 1500 e 2000 euros por mês. Carlos César alega que esta é uma questão de Autonomia. Que temos a capacidade de gerir os nossos meios como entendemos . Ainda bem que assim é, ainda bem que temos o poder para gerir o nosso dinheiro público. Mas a questão que se levanta então é porquê não atribuir essa verba a outros sectores que ganham muito menos? Se é verdade que os cortes salariais só começam a partir dos tais 1500 euros, não deixa de ser também verdade que os que ganham menos, ou seja a larguíssima maioria dos Açorianos, estão também com maiores dificuldades no começo deste ano de 2011, devido ao aumento de quase todos os bens de consumo, com os combustíveis logo à cabeça, com 3 aumentos só no mês de Janeiro. A leitura só pode ser uma: a remuneração compensatória vai direitinha para os quadros médios-altos da Administração do Governo regional, as chefias do Governo de César.
Confrontado com o descontentamento de toda a população açoriana, excepto claro as suas chefias que ganham os tais 1500 a 2000 euros, Carlos César tratou de minimizar os danos políticos, contra-atacando os seus adversários. E é aqui que se vê a verdadeira natureza do Presidente do Governo Regional. Porque, na verdade, a sua principal preocupação deveria ser a de tratar todos os Açorianos por igual. Deveria ser a de colocar todas as disputas partidárias de parte, em nome do superior interesse dos Açores. Mas não. Perante a discriminação que a remuneração compensatória implicou entre os Açorianos, César, em vez de tentar solucionar o problema, agravou-o, pois o seu principal objectivo foi atingir os seus adversários políticos. A veia trauliteira de César levou-lhe a melhor novamente.
Ao alargar a remuneração às Autarquias, com o requinte destas poderem escolher se a implementam ou não, o consórcio parlamentar encabeçado pelo PP, mas com o alto patrocínio do PS, está a tentar deixar os autarcas sociais-democratas numa posição desconfortável. Isto é admissível para o Partido que sustenta o Governo regional? Andar a brincar com os dinheiros públicos, a incentivar discriminações, apenas e só para atingir os seus adversários políticos? É uma atitude gravíssima, que diz muito do tipo de políticos que temos e que explica em muito o enorme buraco em que se encontra a Região. Políticos que têm como prioridade atingir os adversários políticos e não a defesa das suas populações, não nos servem.
Este truque político tem a mão escondida de Carlos César e mais não é que uma tentativa primária de dividir para reinar, porque incentiva claramente a discriminação negativa entre os Açorianos. E pior é que é tão simplista que nem terá o resultado político que se esperava. A Presidente da Câmara de Ponta Delgada e líder do PSD já veio dizer que a questão da escolha, por parte das autarquias, nem se coloca, porque depois de aprovadas e promulgadas, as leis são para se cumprir, concorde-se ou não com elas. O tempo e lugar para discordar já passou. Foi na Assembleia Legislativa Regional, onde o PSD, aliás, apresentou uma alternativa bem mais justa. Nada mais simples.
A questão prende-se agora com a capacidade financeira das autarquias Açorianas para implementarem a remuneração compensatória. Pois, a maioria das Câmaras dos Açores vivem com enorme garrote económico decretado, exactamente, pelo directório de César e Sócrates. Com 2012 a aproximar-se, a tendência será dos ataques políticos serem cada vez piores. O problema é que quem paga, em última análise, são sempre as pessoas.
Infelizmente.



