11 maio 2011

O Programa Eleitoral do PSD vai para além da troyka...

O Programa Eleitoral do PSD vai além daquilo que a troyka nos pediu. Esta é uma ideia que está a circular com alguma frequência. E bem, digo eu. O Programa prevê, efectivamente, algumas medidas mais profundas.

As medidas da troyka têm como objectivo tirar Portugal desta crise em que Sócrates nos enfiou. Têm como objectivo o crescimento económico do país. Libertar-nos das amarras do estado obeso e sobrecarregado que nos obriga a impostos altíssimos.

O Programa do PSD pretende também garantir o tal Estado Social, de que o PS tanto fala. É que, o Estado Social não se paga sozinho. Tem que ser sustentável. Ou isso, ou desaparece mesmo. Aliás, o próprio governo dos Açores já reconheceu isso mesmo ao introduzir as taxas moderadoras no serviço regional de saúde. A diferença é que o PS, de cá e de lá, diz uma coisa e faz outra. O PSD diz ao que vai.

Agora, há uma diferença fundamental, no que toca a nós, regiões autónomas. É que a troyka exigiu que se diminuísse a grande conquista autonómica que são os benefícios fiscais que temos, por via da nossa insularidade. Só se compreende essa medida da troyka porque o governo dos Açores “vende” lá fora a ideia do oásis. É porque temos superavits. É porque mal temos desemprego. É porque temos dinheiro de sobra para compensar quem já ganha bem e trabalha para o governo. Etc. Perante isso, é evidente que a troyka disse: “corte-se nos Açores”. Só que quem vive aqui nestas ilhas sabe bem que tudo isso não passa dum embuste. Que o desemprego é desesperante. Que somos pobres. Que vivemos com enormes dificuldades (a larguíssima maioria dos Açorianos, quero dizer). E não são só os Açorianos que sabem disso. O PSD de Passos Coelho também o sabe. Por isso o Programa Eleitoral do PSD vai além da troyka, mas não no que diz respeito às regiões autónomas. Porque o Programa Eleitoral do PSD, ao contrário daquele do PS, é um documento responsável e com olhos num futuro sustentado. O do PS tem uma capa bonitinha, de resto é um deserto de ideias e um regurgitar de lugares-comuns.

Portanto, sim, o Programa Eleitoral do PSD vai além da troyka e sim é uma coisa boa. Mas não, o programa da troyka não foi bom para os Açores. Porque quem deveria ter defendido os nossos interesses, ficou e mantém-se calado. Se fosse para defender uma remuneração compensatória que toca apenas alguns açorianos que já ganham bem, havia todo o barulho que se sabe. Se é para defender todos os Açorianos e nossa Autonomia, não contem com eles.

08 maio 2011

Portugalnomics: Ep. 1



A questão que se coloca, depois de ver este vídeo é: com todas essas qualidades, feitos e valências, como é possível estarmos nesta terrível situação? O José Sócrates responde.
P.S.: E o facto de termos mais telemóveis que habitantes talvez pudesse ter sido evitado...

06 maio 2011

Obviamente, demita-se.

O Correio dos Açores publica hoje uma preciosa entrevista com a Presidente da ATA (Associação do Turismo dos Açores), Luísa Schanderl. Uma entrevista bastante clara, em que se nota a cumplicidade que há entre os dois intervenientes. É quase como que uma conversa de amigos.
Diz a senhora Luísa Schanderl que "no preço final (das passagens aéreas nos Açores) temos que ter em conta o número de passageiros potenciais e nós temos uma falta de massa crítica, quer interna, quer externa, para preencher os voos, o que nos penaliza, traduzindo-se no preço das passagens".
À primeira, à segunda, à terceira vista podem parecer apenas palavras soltas sem qualquer conexão entre elas, mas não deve ser, porque, que diabo, esta é a Presidente da ATA! Isto tem que fazer sentido. Vamos reflectir...

Adiante.
A entrevista trata de assuntos de grande importância para os Açores, aborda-se o tema do Turismo numa prespectiva macro. Daí não haver necessidade de se falar naquele pormenor de somenos que é a página visitazores.com (ou .org). Realmente, não faz qualquer sentido a senhora Presidente da ATA nos explicar porque razão adjudicou por ajuste directo a prestação de serviços de produção do site oficial do Turismo dos Açores à empresa Icom Medialab, por 150 mil euros em Fevereiro de 2010, para já este ano, em Março de 2011, ter adjudicado o mesmo serviço à empresa Pangemédia do ex-líder da Juventude Socialista, Nuno Tomé, por 176 mil euros. Aliás, a senhora Presidente até pensa que explica, quando afirma "que não é correcto dizer-se que a construção do sítio custou à região mais de 320 mil euros, uma vez que a verba é comparticipada pelo Proconvergência, ou seja, por fundos comunitários". Ou seja, não faz mal!A sério, Senhora Luísa Schanderl, eu não sei que qualidades tem para ocupar esse(s) lugar(es), mas com base naquilo que diz publicamente, fico muito preocupado por ser uma pessoa assim a gerir os milhões que a ATA gasta na "promoção turística dos Açores".

29 abril 2011

Querem amordaçar-nos!

Se dúvidas houvesse, ficaram agora desfeitas pelo pena do director da TSF:

"...a editora do Fórum procurou equilibrar, retirando da nossa página perguntas mais assertivas e mais incómodas para o líder do PS..."

Vamos lá ver se entendemos: o "querido líder" é entrevistado e o partido mobiliza os apaniguados para laudatoriamente entupirem a antena; mesmo assim, ao que parece, alguém consegue furar o esquema e fazer perguntas sobre o país real; a pergunta incomoda o "querido líder"; a editora censura a pergunta.

Tudo normal. Foi mais um Fórum TSF.

Na Coreia do Norte, os aparelhos de rádio são sintonizados na estação estatal e bloqueados. Quem se atrever a tentar desbloqueá-los vai parar ao Gulag e o "paraíso" continua. Em Portugal, não é preciso tal extremo: basta o "critério jornalístico", eufemismo, nos últimos 37 anos, para o acto de censura.

Em Portugal, despuradamente, parece que o PS interfere na comunicação social. Silêncio absoluto. Ninguém fica incomodado, sobretudo os impolutos, maioria e primeiros interessados na demarcação.

A ERC irá assobiar para o lado. E, desleixados que somos, nós também.

27 abril 2011

37 Primaveras depois...

Assinalámos mais um aniversário do 25 de Abril, com os cada vez mais esbatidos festejos nos centros das principais cidades, ao som das velhinhas canções de intervenção. Mas passados estes 37 anos o que fica realmente da revolução do cravos?

Para nós, que já nascemos e crescemos no pós 1974, esta é uma análise que pode e deve ser feita com outro distanciamento e outra frieza, que nos permitem, talvez, tirar conclusões diversas daquelas a que fomos habituados a ouvir.

O Estado Novo foi um regime ditatorial que dirigiu os destinos de Portugal durante mais de 40 anos. Ao contrário do que muitos dizem, não foi um regime fascista, na verdadeira acepção da palavra. Foi, no entanto, um regime que teve muitos defeitos, entre os quais, obviamente, o facto de limitar as liberdades individuais dos cidadãos e a respectiva repressão. Também foi o regime responsável pela longa e desnecessária guerra no Ultramar, que marcou toda uma geração. Em todo o caso, o Estado Novo também foi bem sucedido nalgumas áreas que importa relevar sem qualquer complexo. Desde logo, e através duma astuta política externa, manteve Portugal fora dos horrores da II Guerra Mundial. Neste contexto, aliás, é fundamental realçar a importância que os Açores tiveram, pois foi a posição geoestratégica das nossas ilhas que deu a Salazar um poderoso trunfo, que soube sempre usar com mestria na relação com Churchill e Roosevelt. Mas é na forma como o Estado Novo geriu as contas públicas que devemos centrar agora as nossas atenções.

Salazar herdou um país sem rei nem roque, um país que conseguiu a proeza de ter tido 45 governos entre 1910 e 1926. Desse marasmo político-social, surgiu a Ditadura que, apesar de tudo, conseguiu equilibrar as contas públicas de Portugal. É certo que o fez à custa de muita austeridade e de sacrifícios da população, mas o que é factual é que se assistiu a um crescimento económico. E é neste contexto que devemos fazer um paralelismo com a situação que se vive hoje. Se o regime de Salazar exagerou na austeridade, o regime de Sócrates exagerou no despesismo. É conveniente fazer uma analogia simples para compreendermos como Sócrates governa o país: uma família antes de entrar em grandes gastos, tenta perceber muito bem até onde pode gastar. É claro que a banca vai apresentar soluções de crédito fácil em que pode gastar agora para pagar depois, mas cabe a essa família perceber se tem ou não capacidade para assumir essa responsabilidade. E foi isso que fizeram os governos socialistas dos últimos anos. Cultivaram uma política de despesismo e irresponsável de gastar o que se tem e o que não se tem.

Precisamente nas comemorações do 25 de Abril de 2003 o então Presidente da Republica, Jorge Sampaio criticava o PSD que governava na altura, com uma frase que ficaria para a História. Dizia Sampaio que há mais vida para além do Orçamento, a propósito da linha que os sociais-democratas estavam a seguir de contenção orçamental. Veio a perceber-se depois que Sampaio tinha já delineado um plano para derrubar o governo do PSD e do CDS de modo a preparar o caminho para o seu camarada Sócrates. Os resultados desse plano maquiavélico estão agora à mostra: um país na bancarrota e uma mão cheia de seguidores de Sócrates muito bem colocados.

37 anos depois, concluímos que os governos do PS retiraram ensinamentos do pior do Estado Novo: mais precisamente na arte de manipulação da comunicação social, ou no descartar de indivíduos contrários aos seus interesses, por exemplo Teixeira dos Santos, ou Ana Gomes. Não aprenderam nada do positivo do regime ditatorial, pelo contrário.

Passados 37 anos sobre o 25 de Abril, encontramos-nos numa situação pior, muito pior do que em 1974. Uma situação, aliás, que muitos comparam ao final do século XIX. Nós não merecíamos isto. Tivemos muitas oportunidades que foram pura e simplesmente desperdiçadas. Não merecíamos ter sido invadidos pelos tecnocratas do FMI e da Comissão Europeia para nos ensinarem como nos devemos governar.

24 abril 2011

Evidências não se discutem

Pode-se não gostar dele, mas, se há coisa que Mário Soares tem intrincada em si, até à sua mais ínfima partícula, é a política.

O "Sinto que Pedro Passos Coelho é uma pessoa confiável", dito categoricamente por ele, desfaz qualquer branqueamento eleitoralista gizado por Sócrates, respectivos apaniguados e porta-vozes no "quarto poder".

No fundo, com uma frase destas, Soares lembra-nos que, por todo o seu percurso profissional, académico e político, José Sócrates não merece qualquer credibilidade.

Mesmo estando só provadas as inépcias políticas, Soares aponta ao resto, face às cambalhotas diárias com Sócrates que nos brinda, actuando com o mesmo à vontade com que Jim Carrey parodiava em "O Mentiroso Compulsivo". Só que este era na ficção e fazia-nos rir.

"Sinto que Pedro Passos Coelho é uma pessoa confiável", dito por Mário Soares, deveria fazer corar de vergonha qualquer socialista, nem que fosse pelo facto de ter sido dito por ele, mas, sobretudo, numa altura em que Sócrates pôs o País na bancarrota, pelos encómios às piruetas dignas duma "Giselle", quiçá em troca de um autógrafo numa qualquer carta de favor.

"Sinto que Pedro Passos Coelho é uma pessoa confiável" é uma carta de alforria para qualquer socialista com memória e consciência.

Agora, basta lembrá-lo ao povo português. Delenda Sócrates!

23 abril 2011

Legado

"Nós somos uma velha nação que vive agarrada às suas tradições e por isso se dispõe a custear com pesados sacrifícios a herança que do passado lhe ficou."

22 abril 2011

La Palisse e Maquiavel

Em qualquer actividade, o planeamento, prevenindo a própria violação das regras que tornam aquela legítima, é a chave-mestra das conquistas que se seguem.

Só os anjinhos, mesmo percebendo isso, continuam a pensar que tudo se resume à táctica e que os adversários seguem as regras do jogo.

Lembrando a hipocrisia acaciana, as públicas virtudes não são próprias de um meio onde imperam os vícios privados.

Por isso, vão continuar a ser beatificamente trucidados.

E, no fim, baterão pirricamente palmas a si próprios, alegrados com o seu desempenho.

21 abril 2011

Muitas órgias, muitas órgias!

Não é um Basílio, nem primo nem Horta, mas o "No meu meio sou conhecido como o Telmo da obra, na rua sou o Telmo do ‘Big Brother’ " é candidato socialista a deputado pelo Círculo de Leiria.



Aqui ficam algumas das frases de Telmo no Big Brother de 2000:

"A pessoa mais próxima é a que descarrego mais tudo"

"Uma pessoa vira-se para um lado e se for preciso desvira-se"

"O que apetece no grupo é... sexo em grupo... muitas órgias... muitas órgias"

"Quem é que quer esta lata de atum mais eu?"

"O antebraço? Como o próprio nome indica é o que está antes braço, ou seja, o ombro"


Se ganharem, vai a ministro!

20 abril 2011

O cavalo nunca se abate



Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

19 abril 2011

Até tu, conciliador?



"O diagnóstico foi errado e a terapêutica foi errada.


O doente tinha uma pneumonia,


precisava de antibióticos


e a análise que o Governo fez foi que


o doente tinha uma gripe e só precisava de aspirinas."

18 abril 2011

Há muita poeira no ar - 2

«O pior é pensar-se que se pode realizar qualquer política social com qualquer política económica; que se pode erguer qualquer política económica com qualquer política financeira».

"Juntos Conseguimos"...

... gastar 300 milhões de euros no TGV ...

17 abril 2011

Nem revelação, nem milagre



Sobre o pensamento e a acção destes cavalheiros, e doutros profetas ideologicamente próximos, só me ocorre resumi-los assim:

Quando não consegues conquistá-los, envenena as suas águas.

16 abril 2011

Há muita poeira no ar

«As discussões têm revelado o equívoco, mas não esclarecido o problema; já nem mesmo se sabe o que há-de entender-se por democracia».

15 abril 2011

Eis a Questão

Com o nosso voto, vamos estar a confiar o nosso dinheiro de contribuintes. Confiar o nosso dinheiro a Ricardo Rodrigues... Hummm.

Agora continuem a assobiar para o lado

10 abril 2011

Rosa a martelo

Chutada, nortecoreanamente, para lá da meia-noite, Ana Gomes, não obstante, vergastou a acefalia vigente:


"É preciso que o PS reconheça com humildade que nem sempre tudo foram rosas na governação e que nem sempre a rosa cheirou muito bem".


Duvido que a evidência surta qualquer efeito. Com o olfacto impregnado de outros odores, os velhinhos já tinham partido para as marisqueiras matosinhenses, de bandeira nacional na mão, anestesiados pelo unanimismo e extasiados com a qualidade do camarão-tigre.


Como costume, o PS não convive nada bem com a diferença democrática.

09 abril 2011

Somos homens ou ratos?

1 - Quem, no seu perfeito juízo político, aceitará, sem qualquer rebuço, um "Compromisso para Portugal", onde, entre ilustres e bem-intencionados subscritores, consta Jorge Sampaio, avô da bancarrota socretina?


2 - Quem, no seu perfeito juízo político, aceitará o calculismo primário da manutenção do poder pelo poder, partindo da ideia de que o PS mais depressa se aliaria ao CDS do que ao PSD, alegando que este partido não terá uma liderança capaz desde Sá Carneiro, quando o PS não tem líder, ou melhor, tem José Sócrates?


3 - Quem, no seu perfeito juízo político, aceitará fazer parte de um Governo de "consenso" em que um dos partidos elegíveis tem José Sócrates como grande timoneiro?


4 - Quem, no seu perfeito juízo político, não chama a tudo isto alienação?


Por uma vez, haja decência!

Eu, porque ainda não estou louco, sei muito bem o que não quero. Quem me segue?


Post-scriptum: Quem não vê nas palavras (e acções anteriores) de Carlos César "farpas" suficientes para trilhar paulatinamente o longo caminho do reconhecimento (socialista) nacional? Vai a votos dia 5 de Junho ou aguardará o pós-eleitoral congresso extraordinário do PS?

08 abril 2011

História Verídica


Dia 8 de Abril de 2011, à tarde.
Toca o telefone de casa.
- Sim?
- Tem 5 minutos para responder a umas perguntas?
- Humm. Ok, pode ser.
- Ora bem, o meu nome é ______ (era uma menina) e estou a ligar da empresa Eurosondagem.
- Ok
- No caso de Carlos César não se recandidatar, qual dos seguintes prefere para liderar o PS-Açores? Sérgio Ávia, José Contente ou Vasco Cordeiro?
- (resposta)
- Nas eleições regionais de 2012 se tiver que escolher entre Sérgio Ávila ou Berta Cabral?
- (resposta)
- Nas eleições regionais de 2012 se tiver que escolher entre José Contente ou Berta Cabral?
- (resposta)
- Nas eleições regionais de 2012 se tiver que escolher entre Vasco Cordeiro ou Berta Cabral?
- (resposta)
- Obrigada e boa tarde.
- De nada. Boa tarde.

06 abril 2011

Espelho meu, espelho meu...

...haverá nariz mais bonito do que o meu?

Um antipático contra todos





Su escandalosa manera de hacerse con una licenciatura como ingeniero teniendo en cuenta que cuatro de las cinco asignaturas las impartía un profesor al que luego otorgó un cargo importante en el Gobierno y la quinta el propio rector de una universidad privada de Lisboa que acabó siendo cerrada precisamente por el cúmulo de irregularidades que aparecieron al investigar el escándalo, o que algunos de los pocos exámenes que constan en su expediente los enviaase por fax desde el despacho de primer ministro o que el título lleve fecha de expedición en un domingo, no le impidió aparecer en televisión defendiendo su honorabilidad y acusando a sus adversarios de inventarse un plan para perjudicarlo. [...]


05 abril 2011

A Cultura RSI


É uma certeza: os Açores vão passar a receber muito menos apoios da União Europeia. Após vários anos em que os fundos comunitários foram sempre aumentando, agora é altura de começarem a desaparecer.

Como se sabe, a atribuição de fundos pela UE, no âmbito da sua Política Regional, esteve, até agora, dependente do PIB das regiões. As regiões que tinham um PIB até 75% da média europeia, eram consideradas “objectivo 1” eram, portanto, as mais pobres e que precisavam dos maiores apoios.

A partir de meados dos anos 90, altura em que a UE começou a intervir mais nas políticas de coesão regional, os Açores e a Madeira foram sendo beneficiados nos sucessivos quadros de apoio, com direito a muitos milhares de milhões de euros, porque eram, efectivamente, regiões que precisavam de ver melhoradas as suas condições. Precisamente, os programas de apoio comunitários tinham como objectivo aproximar o PIB e, consequentemente, o nível de vida das regiões “objectivo 1” em relação ao resto da Europa. Em 1996, por exemplo, e segundo dados do Eurostat, os Açores tinham um PIB que rondava os 60% da média europeia, enquanto que a Madeira estava um pouco acima dos 65%. Ambas estavam, pois, bem enquadravas na política de apoio da União Europeia e eram, por isso, elegíveis para os diversos programas de ajuda comunitários. No entanto, os resultados foram muito diferentes nas duas regiões autónomas portuguesas, porque, segundo também o Eurostat, dez anos depois, em 2006 portanto, o PIB dos Açores situava-se nos 65% e o da Madeira nos 90%. Ou seja, naquele periodo de 10 anos, o PIB nos Açores aumentou 5% e na Madeira 25%. A Madeira deixou, assim, de ser uma região “objectivo 1”. Deixou de estar tão dependente dos apoios comunitários, porque usou-os para dinamizar a sua própria economia. Usou-os de forma reprodutiva. Nos Açores, os muitos milhões que vieram da União Europeia perderam-se. Foram simplesmente gastos.

Há aqui toda uma lógica de dependência e de desperdício de oportunidades que não pode ser ignorada. Os sucessivos governos do Partido Socialista nos Açores cultivaram uma cultura de caça ao apoio comunitário, sem haver nenhum tipo de política estruturante por trás.

A ideia dos nossos governantes seria a de nos manter sempre pobrezinhos, para nos mantermos sempre elegíveis às ajudas comunitárias. Uma política obviamente desastrosa, irresponsável e calamitosa para os Açorianos. Porque, como se sabe, estas ajudas comunitárias não são para durar para sempre, são vistas, isso sim, como algo temporário, que sirva de alavanca para dinamizar as economias locais. Não são esmolas. São uma espécie de muleta que nos é emprestada até sermos capazes de andar sozinhos. O problema é que os governos do PS habituaram-se a si próprios e aos Açorianos à muleta e agora a União Europeia vai nos tirar o apoio.

É que com a entrada na União Europeia dos países do Leste, existem novas regiões a necessitar dos apoios comunitários. Regiões que também são pobres e que nunca usufruíram das ajudas comunitárias. Além disso, perante o momento de crise que se vive em todo o mundo e perante a forma irresponsável como alguns governos desperdiçaram as ajudas comunitárias, como é o caso dos Açores, é evidente que os países contribuintes para o orçamento da União Europeia, vão se retrair. Ou seja, o bolo vai ser muito mais pequeno e vai haver mais candidatos.

E é agora que vamos começar a pagar por todos estes anos de políticas irresponsáveis. Desperdiçamos todos os apoios, não criamos riqueza, não dinamizamos a nossa economia e, pior que tudo, ficamos dependentes das ajudas externas.

E aqui se vê a incapacidade ou a irresponsabilidade dos governos liderados pelo PS nos Açores. É que nada disto é novidade para ninguém. Já se sabia que os apoios comunitários iam passar a ser menos e iam passar a ser repartidos por mais regiões. Já se sabia que os programas de apoio eram limitados no tempo e que teriam de ser muito bem aproveitados, para rentabilizar e dinamizar a economia. O que os nossos responsáveis fizeram foi o oposto: usaram esses apoios para fazerem obras megalómanas e para darem a ideia que vivemos num paraíso. Foram constantemente adiando os problemas, passando a ideia que poderíamos viver para sempre dos apoios externos. Uma total irresponsabilidade, como agora se constata.

03 abril 2011

Resumo de uma época desportiva

O campeão correu muito.

O vice-campeão correu normalmente.


A arbitragem correu sempre no ritmo certo.


O secretário de Estado do Desporto (?) foi corrido.

30 março 2011

Da China a Alvalade



Levantar, levantam muitos; sobrevoar, sobrevoam poucos; aterrar, ao que parece, não aterra nenhum. De facto, o deserto de Gobi tem muita areia.

28 março 2011

A culpa

António Bagão Félix, no Diário Económico:


«A culpa de não haver PEC 4 é do PSD e do CDS. A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3. A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.


Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda. E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é apenas dos 3 anos de governação não socialista.

A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.

A culpa é dos mercados. Excepto do “mercado” Magalhães. A culpa é do ‘rating’. A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro. A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.

A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho.

A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames. A culpa é dos submarinos. A culpa é do TGV espanhol. A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura.

A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da ‘pen’. A culpa é do funcionário do Powerpoint. A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa. A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI. A culpa é de uma qualquer independente universidade. E, agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal. A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam. A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos.

A culpa é do excesso de pensionistas. A culpa é dos desempregados. A culpa é dos doentes. A culpa é dos contribuintes. A culpa é dos pobres.

A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime. A culpa é da meteorologia. A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.

A culpa é da insensibilidade. Dos outros. A culpa é da arrogância. Dos outros. A culpa é da incompreensão. Dos outros. A culpa é da vertigem do poder. Dos outros. A culpa é da demagogia. Dos outros. A culpa é do pessimismo. Dos outros.

A culpa é do passado. A culpa é do futuro. A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias. A culpa é da esquerda. A culpa é da direita. A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.

Há sempre “novas oportunidades” para as culpas (dos outros). Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera, foi culpa do PM de Cabo-Verde.

No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria absoluta ao imaculado. A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa. Povo ingrato! Basta! Na passada quarta-feira, a culpa… já foi.»

25 março 2011

Fim de Ciclo

Não tenho dúvidas: com a queda de Sócrates inicia-se o pior momento do Portugal contemporâneo. Estamos perante uma mudança de ciclo que, como a História nos ensinou, têm sempre consequências gravosas.


Nas nossas vidas estamos obrigados a cumprir e seguir uma série de leis e regras que nos são impostas pelo Estado. É o chamado Contrato Social que assinamos, involuntariamente, ao nascermos nesta era. Estas leis e regras foram criadas tendo vários objectivos, mas o essencial serviam para garantir a ordem, a segurança e o progresso e melhoramento das condições de vida da sociedade no seu todo e garantir a cada cidadão individualmente os seus direitos. Este cenário exigiu uma ferramenta que servisse de dissuasão à quebra das leis. E é assim que surge a Justiça e toda a sua arquitectura de penas e processos. Hoje o modelo, apesar de todas os seus problemas, está totalmente implementado e cada um de nós é educado e formado na certeza que a quebra das leis acarreta um preço a pagar.


Durante muitos anos o Estado era o último poder. Não existia nenhum poder terreno que lhe sobrepusesse. Havia apenas outros poderes iguais, nos outros Estados. A evolução e os factos, que não importam agora aqui pormenorizar, levaram ao surgimento de poderes superiores ao Estado, no caso as organizações supra-estatais como é o caso da União Europeia. Tal como na relação entre os cidadãos, também a relação entre Estados neste novo cenário teve que ser organizada com regras e Leis, de modo a garantir, também, a ordem e o desenvolvimento. E tal como acontece com os cidadãos, a quebra das regras pelos Estados estará sujeita a penas, no âmbito supra-nacional. Portugal, tal como outros países da UE, quebraram os compromissos a que estavam obrigados e terá que pagar uma dura pena.


Existem, como é evidente, demasiadas diferenças entre as duas situações descritas. Mas há uma que é fundamental: enquanto que por um lado é o cidadão, por si só, que é responsabilizado pelos seus actos e paga a devida pena individualmente, no caso do Estado quem paga somos todos nós e, pior ainda, os responsáveis directos pelas acções que levaram à infracção acabam por ter uma pena muito pouco significativa. José Sócrates, por exemplo, na pior das hipóteses, ficará só com a reputação do pior Primeiro Ministro de sempre de Portugal.


Os números não enganam, Portugal, a partir sensivelmente de 1995, passou a viver muito acima das suas reais capacidades, beneficiando, exactamente, do ter aderido à organização supra-nacional União Europeia. Os nossos sucessivos líderes governamentais portaram-se à imagem do pior do nosso país pós-25 de Abril, desfrutaram desenfreadamente dos direitos, mas pouco se importam com os deveres. Neste período, a dívida pública disparou dos 60% do PIB para mais de 100% actualmente. Foram 3 anos com governos sustentados pelo PSD e CDS-PP e 13 anos de governos socialistas. E tal como Margaret Thatcher afirmou, o socialismo só dura até acabar o dinheiro dos outros.


E não nos iludamos, nos Açores a situação é a mesma, senão pior. Vivemos dos apoios da UE e da Lei de Finanças Regionais. Para além disso, não temos nenhuma capacidade de criação de riqueza. Mais tarde ou mais cedo vamos também ser chamados a pagar a factura.


Fomos enganados pelos nossos governantes. Cultivaram a ideia do oásis. Incentivaram o uso abusivo do crédito. Nas pessoas e nas empresas. Hoje estamos todos endividados. Desde a região, através dos estratagemas das empresas públicas, até às famílias, passando evidentemente pelo sector privado.


E porquê? Recorrendo novamente à analogia do início, diria que Portugal e os Açores cometeram uma espécie de crime de colarinho branco. Se numa sociedade individual, são cometidos para o enriquecimento ilícito, no cenário da sociedade dos governos serão cometidos para a manutenção do poder. Resumo nesta expressão o porquê de termos chegado a esta situação: sede de poder eterno.


É urgente cultivar uma governação de responsabilidade. De falar a verdade aos cidadãos de uma vez por todas. Porque mais tarde ou mais cedo, como em tudo, a verdade virá ao de cima e aí as consequências serão sempre piores. A História encarregar-se-á de indicar o início do séc XXI como o fim dum ciclo e começo de outro e rotular Sócrates e César como os rostos da subsequente desgraça.

O jornalismo sofre de rigor mortis?

Hoje, aquando da mostra das primeiras páginas dos jornais, a sui generis frase, a propósito de um dos títulos, foi mais ou menos esta:

“Se o Governo [Regional] autorizou é porque é legal.” Porque há-de o jornal [Açoriano Oriental) dizer que é ilegal?

Separação de poderes?! Princípio da legalidade?! O que é isso?!!!

Para alguns, cá na Região, isso é coisa de somenos, pois, se algo deixa de existir sempre que acontecer a confusão ou a acessão (jurídicas, mesmo em sentido impróprio), para quê perder tempo com estas minudências?

Numa Região que sempre teve bons jornalistas, o que queremos agora? Rigor, transparência, verdade e sapiência ou uma espécie de enlatado sem credibilidade, que corre ao sabor do vento e da disposição momentânea, onde tudo cabe e tudo pode ser dito ou escrito sem pudor e, sobretudo, sem qualquer reacção? Somos acéfalos?!

24 março 2011

PEC4 vai ser atingido

Sem-abrigo recenseados em habitação de luxo

Dormem na Gare de Oriente e são recenseados nas Torres São Rafael e São Gabriel, as duas torres emblemáticas do Parque das Nações.
Os Censos 2011 obrigam a que a pessoa seja recenseada num alojamento familiar, o que exclui escritórios, hóteis e, claro, a rua. E vão contar os sem-abrigo pela primeira vez em separado.
As estações de comboio não são alojamentos e muito menos familiares. E os 34 sem-abrigo que dormem na Estação do Oriente, em Lisboa, têm de ser incluídos nos dois edifícios com famílias mais próximos: as
Torres São Rafael e São Gabriel.
Mesmo que tenham a designação de sem-tecto.


No meio de tanta riqueza espontânea, quantos se vão recensear no Edifício Heron, na esquina da Rua Castilho com a Braamcamp?

23 março 2011

Cleaning


Tal como notei aqui, a estrada para lado nenhum teve um fim. Em Maio, provavelmente a 22 ou a 29, virá quem melhor fará. Não vai ser fácil, tal o estado calamitoso em que nos vão deixar, mas também não será impossível, mesmo quando, finalmente, for conhecida a dimensão do verdadeiro buraco financeiro que remoinha o País.

Oxalá o Portugal de 2011, que já aguentou pauladas, sofreu coices atrás de coices, foi tornado miserável, demonstre que não está imbecilizado nem resignado e acredite que hoje foi o epitáfio socrático. Ele merece e nós merecemo-lo muito mais!

Mais depressa se apanha um mentiroso...



Prova acabada de como o PS e o Governo mente e engana os Açorianos. Fica demonstrado, nesta peça da RTP-Açores, que o Governo, através da Lotaçor, põe no lixo toneladas de peixe, enquanto se sabe que há pessoas que passam fome nos Açores. O governo do PS está já naquela fase de viver das aparências.

Os Dias do Fim


O governo regional dos Açores do PS está completa e claramente em fim de ciclo, com consequências directas para os Açorianos.

Nesta reportagem da RTP-Açores ficamos esclarecidos que o importante para os senhores que ocupam as direcções dos organismos, não é a defesa intransigente dos interesses das populações, mas sim as pequeninas disputas de egos.

É o próprio João Luís Gaspar, do centro de vulcanologia da Universidade dos Açores, e que tinha abandonado o cargo de Director Regional do Ordenamento de Território e Recursos Hídricos há uns meses atrás, que diz não haver diálogo com a Protecção Civil dos Açores e que o sistema de alarme em caso de derrocada não funciona por falta de cooperação entre as duas entidades.

José Contente, na sua incessante e recente busca de protagonismo, esteve presente numa reunião entre as duas partes, mas como a peça mostra, neste momento já pouco há a fazer: estão todos fechados nas suas capelinhas, tentando assegurar os seus pequenos poderes.

A leitura é fácil: estas pessoas estão mais que instaladas nos seus poleiros, devido ao muito tempo de poder. Estão viciados, cegos e acabados.

21 março 2011

Velhos são os trapos!


E a natureza fresca, omnipotente,
Sorria castamente
Com o sorriso alegre dos heróis.

16 março 2011

To make bright and clear your path

Ainda somos assim?!

'Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...'

Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896

14 março 2011

Palestra - dia 15 - Divulgação

Acalentando esperança no futuro, deixo aqui público louvor à iniciativa dos alunos do 12º ano, turma M, da Escola Secundária Antero de Quental, fazendo a competente divulgação e o apelo à participação de todos, como prova do mérito.

09 março 2011

Uma analogia chatinha à reacção de César


A reacção de Carlos César ao discurso de tomada de posse de Cavaco Silva faz lembrar aqueles rapazolas enervantes, que só fazem brincadeirinhas parvas que acabam sempre mal , prejudicando directamente os outros e depois, quando os mais velhos o confrontam com a realidade, reage assim:

"oh pá, já percebi que faço tudo mal (na reacção de César: "confesso que é fácil dizer o que está mal no país"), não precisam de ser tão cruéis comigo e realçar os meus erros diante de toda a gente (na reacção de César: "foi um discurso cruel").

Adenda:
Num comentário acusam-me de ter descontextualizado as palavras do senhor César. Concretamente, a Justina da Carreira de Tiro diz que a reacção ao certo foi esta:

"Não foi um discurso no registo apropriado, foi excessivamente cruel no diagnóstico e pouco ousado na terapêutica."

E que, sendo assim, já se consegue compreender melhor o que quis dizer o senhor presidente.
Isto significa, então, que o rapazola irresponsável, confrontado com as consequências dos seus actos, disse:

"também não precisam de falar comigo nesse tom" (não foi um registo apropriado)

"já percebi que só faço asneiras, não precisam ser tão cruéis para mim" (é excessivamente cruel no diagnóstico)

"e agora o que querem que eu faça?!? digam-me por favor, eu não sou ninguém sem este lugar de presidente, eu faço tudo para me manter aqui, digam-me, por favor, soluções para remediar o mal que fiz" (pouco ousado na terapêutica)

Discurso de Cavaco numa frase


Eis, cristalino, o alfa e o omega da governação twilight zone.

Anedota do dia na blogosfera

Sai 350 jobs para a mesa do Sr. César


Ficámos a saber ontem que o Governo vai abrir concurso para 350 vagas na administração regional açoriana. Segundo fonte oficial, a ideia é reforçar a estabilidade dos quadros que representam 9,8% do PIB, em contraste com os 12.4% do PIB no continente. Quando no continente está-se a contratar um professor por cada 38 que se reformam. Quando nos Açores, 45% do Orçamento total da região destina-se exclusivamente a despesas de funcionamento. Quando está mais que claro que o grande problema que impede o desenvolvimento de Portugal e da região é exactamente o peso da máquina governativa. Fica comprovado que o PS-Açores está a utilizar aqui a execrável lógica eleitoralista. Isto nem são os clássicos jobs for the boys, como os que são nomeados assessores de imprensa das recém empossadas secretárias, ou os que já estão bem dentro do sistema a ganhar mais de 1500 e que precisam da remuneração compensatória. Não, isto trata-se, tão somente, da prova cabal e acabada da falha total das políticas deste governo em termos de emprego. Porque, evidentemente, o governo não pode ser a entidade empregadora duma larga fatia da população activa. Nos Açores são mais de 20 mil pessoas que trabalham na administração regional.

Além disso, o governo vai prorrogar em mais seis meses os estágios profissionais de 662 jovens. No fundo, consegue-se controlar os números do desemprego, em 662, durante mais uns mesitos.

Estes últimos anos deveriam ter sido muito melhor aproveitados pela sociedade açoriana, para se revitalizar economicamente. Se retirarmos a política do cimento e do betão, os consecutivos governos do PS são um fiasco. Educação? Saúde? Políticas sociais (mas de verdade e não atirar dinheiro)? Emprego? É tudo um falhanço. O que César deixa aos açorianos é uma região completamente sobre-endividada, sem qualquer capacidade de gerar riqueza, que vive às custas da solidariedade do Estado e da UE e onde apenas umas pequenas grandes clientelas saem muito, mas mesmo muito, beneficiadas.

08 março 2011

Senhor presidente, é assim tão difícil?

O médico a tempo parcial que exerce a meio tempo o seu primeiro e último mandato como presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo continua igual a si próprio na capacidade de decisão na gestão da res publica camarária.

Tenho vários bilhetes-convite para um jantar de beneficência a favor da Associação de Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, o qual deveria ocorrer no próximo dia 19 de Março, no Açor Arena. Deveria, porque, entretanto, fui informado do seu adiamento. Porquê?

A razão é prosaicamente simples: o senhor presidente autorizou para a mesma data e local um torneio de futebol, pouco importando que antes se tivesse comprometido com a organização de tal jantar, apesar da disponibilidade mostrada para que o mesmo fosse uma realidade.

Quando se fez luz na sua douta agenda, perante o conflito e o incómodo da organização, foi incapaz de tomar uma decisão, mesmo simples, como seria a do caso, emaranhando-se em alternativas tão inadequadas que apenas serviram para impossibilitar a realização do dito jantar.

Do ponto de vista político, percebe-se a prioridade, mesmo se inadvertida. O povo quer circo, dá-se-lhe circo, nem que seja para esquecer a falta de pão.

Do ponto de vista da gestão, o caso fala por si: sem surpresa, adiou-se o que não devia.

Eu e todos os que querem ajudar a Associação de Perturbações do Desenvolvimento e Autismo só queremos participar num jantar de beneficência, ao qual a Câmara de Vila Franca também aderiu.

Por isso, senhor presidente, confirma que no próximo dia 07 de Maio o Açor Arena estará disponível para, finalmente, ser realizado o bendito jantar ou haverá algum torneio de sueca de última hora a provocar novo adiamento?

07 março 2011

Descubra as Diferenças - Os Museus


À partida, poderá parecer escusado uma ilha da dimensão de São Miguel ter dois Museus direccionados à arte contemporânea. E esta é uma ideia que até poderá fazer algum sentido. No entanto, importa desconstruir as relações custo-benefício destas duas obras, para podermos melhor compreender, de facto, a utilidade de cada uma delas.

Sobre o Centro de Arte Contemporânea, que ficará na Ribeira Grande, a informação divulgada ainda não é muita. Sabe-se apenas que terá um valor que ascenderá os 13 milhões de euros e será assinado pelos arquitectos João Mendes Ribeiro, Cristina Guedes e Francisco Campos.

Em 2009, na apresentação da recandidatura à Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral apresentou o projecto para o Museu de Arte Contemporânea, que ficará situado na nova Avenida do Mar, na zona nascente da maior cidade dos Açores. O custo desta obra será de, aproximadamente, 7 milhões de euros e será assinado por Oscar Niemayer, provavelmente o arquitecto vivo mais famoso do mundo. É fundamental referir que Niemeyer é o único arquitecto que concebeu uma cidade do zero e que é Património Cultural da Humanidade, a capital do Brasil, Brasilia. Ademais, segundo informação da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Museu será comparticipado em 85% por fundos comunitários que são direccionados à cultura e que de outra forma, poderiam não ser utilizados.

Por outro lado, o contrato assinado pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada e o gabinete de Niemeyer engloba todo o projecto arquitectónico em si e de todos os estudos de especialidade necessários e garante ainda que o Museu ficará inserido no Caminho de Niemeyer, uma rota de cidades mundiais que contam com obras do arquitecto. Trata-se, portanto, de muito mais do que um simples projecto de arquitectura, é também uma medida que coloca Ponta Delgada no mapa da cultura internacional. A construção do Museu em Ponta Delgada irá, então, revitalizar a economia, criar emprego e será uma aposta séria para a dinamização do turismo em São Miguel.

Sendo certo que existem muitas outras áreas seriam prioritárias, a aposta na Cultura nunca será excessiva. Basta ver que Ponta Delgada ficou a ganhar e muito com a co-existência do Teatro Micaelense e do Coliseu. Penso que o importante aqui é olhar às relações custo/benefício. Enquanto que o Museu de Ponta Delgada terá um custo irrisório para os contribuinte, apenas 15% dos 7 milhões do valor total da obra, mas com muitos benefícios, como vimos. O Museu da Ribeira Grande custará aos açorianos, pelo menos, 13 milhoes de euros e não se vislumbra grande mais valias, pelo menos, analisada a informação que o Governo libertou.

No entanto, já se começam a ouvir e a ler muitas vozes, relacionadas com o Partido Socialista, incomodadas com a construção do Museu pela Câmara de Ponta Delgada. E depois de termos visto os custos a benefícios que ambas as obras terão, torna-se compreensível que fiquem incomodados. É que com metade do preço, e ainda por cima comparticipado em 85%, Berta Cabral consegue uma obra de muito maior dimensão e com muitos mais benefícios para São Miguel. Não basta ter dinheiro e atirar para cima dos problemas.

É preciso trabalhar e saber gerir o bem público.

04 março 2011

O Dobro ou a Metade

Ficou-se a saber, através da Resolução 19/2011 de 2 de Março de 2011, que o projecto de construção da nova Biblioteca de Angra do Heroísmo sofreu uma derrapagem de 705 mil euros, porque, e passo a citar, "verificou-se que as fachadas revestidas a vidro U-Glass, não seriam exequíveis, com as características projectadas, tendo-se concluído pela utilização de vidro temperado". Ora, a obra já estava orçada em cerca de 13 milhões de euros, pelo que ficará, por agora, por um valor final de cerca de 13.7 milhões de euros.

Curiosamente, no dia a seguir à publicação da dita Resolução, a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, apresentou o projecto de construção do novo Museu de Arte Contemporânea. Esta obra de grande magnitude, que servirá a maior cidade dos Açores, terá um valor total de 7 milhões de euros, que serão comparticipados em 85% por fundos comunitários que, de outra forma, não seriam executados.

O dobro ou a metade. Depende da perspectiva.