26 maio 2011

Cortinas de fumo

Se bem nos lembramos, um dia, alguém da direcção socialista afirmou que o dinheiro do Estado, o nosso colectivo e , quiçá, o nosso particular, era privado, era do PS. Se assim não fosse, e se alguém contestasse, metendo-se com o PS, levava. E, qual Coreia do Norte, toda a gente emudeceu.

Hoje, com a mesma desfaçatez, insinuam que, se eles não ganharem, o País desaparece, por via do papão (abrileiro) das privatizações. Todo o País, se eles não ganharem, deixará de viver no Estado Social(ista), como se este existisse tal e qual como eles apregoam que existe. Só se for na twilight zone.

Com o medo da derrota, vale tudo, até o terrorismo verbal, única forma de exploração sentimental de um povo iludido e afastado do Conhecimento da causa das coisas, facto a que não são alheios os proponentes do dogma.

Fazer crer que privatizar significa destruir o Estado Social e, por consequência, o País, é uma ideia simplista, boçal e pacóvia, mas vendável, se a turba a engolir, anilhando-se ao chavão, mas, ainda que mil vezes repetida, uma mentira não deixa de continuar a ser mentira.

Se não fosse a sério, o sofisma, vindo de quem vem, até nos faria sorrir indulgentemente. Mas eles, obreiros da bancarrota, crêem na falácia!

Olhando melhor a falácia, por acaso, destruir este Estado Social(ista) até nem é uma má ideia. Se tudo é privatizável, e lembrando as apropriações que as línguas mais ímpias não esconderam, então, o País terá de volta aquilo que é seu, só que agora esbofeteado pela cruel mão da realidade: já não há anéis; foram empenhados.

Por isso, a 5 de Junho, compete-nos acabar com isto!

Delenda Sócrates!

25 maio 2011

Facilitando são todos "bons"

O teste intermédio de Físico-Químicas do 9º ano de escolaridade é o exemplo perfeito do processo de perversão a que se está a assistir no sistema de ensino português. Um modelo de avaliação que anula a hierarquização, promovendo o igualitarismo entre alunos bons, excelentes, medíocres, maus e mesmo os que nem são alunos. Provavelmente todos terão nota máxima.




As respostas neste teste em particular têm dois tipos de cotação: umas valem 4 pontos, outras 6. Vamos deixar um exemplo de cada uma.






Pergunta de cotação 6.










23 maio 2011

Estado Ocial

O emigrante vai sempre em busca de novas e melhores condições de vida e, sobretudo, sabe que só conseguirá tal se trabalhar. Trabalhar muito. E, se a sorte o bafejar, um dia regressará à sua terra com um pé de meia de fazer inveja aos vizinhos. Este é o emigrante normal em todo o mundo.

Em todo o mundo?! Não! Em Portugal, foi criada uma nova casta de emigrantes que não veio por causa do trabalho. Esta nova espécie migrante não veio trabalhar e ganhar dinheiro. Pelo contrário, são uma evolução das ONGs, dedicando-se ao voluntariado, sem quaisquer subvenções, procurando somente ajudar os mais necessitados do que eles. Altruísmo puro e duro, bondosamente primitivo, diria mesmo.

E a que se dedicam eles, de forma espontânea e sem auferirem quaisquer proventos monetários, aceitando em troca, apenas, umas frugais sandes de couratos e um refrigerante?

Nada menos, nada mais do que, desinteressadamente e apesar dos custos dos transportes e estadia, a apoiar Sócrates porque " é muito boa pessoa, tratou de dar a nacionalidade, tratou de tudo". Exactamente "tratou de tudo". Tudo o quê?

Repete-se, tudo o quê? O que faz mover esta mole humana que, ao contrário do que é normal, não trabalha? O rendimento mínimo?! Hum!...

Mas, acima de tudo, a culpa disto é de quem? Deles? Duvido. Têm fome e acreditam na ilusão da promessa, esquecendo-se ou, mais provavelmente, ignorando quem é o promitente-vendedor.

Com a exploração da miséria, a falta de vergonha resvalou para a inumanidade.

Se tal ainda for possível, descerá até onde?

Compete-nos acabar com isto!

A 5 de Junho, sejamos responsáveis, todos, em conjunto, e cada um, em particular, exercendo o direito de voto, redenção única da hecatombe.

Delenda Sócrates!

21 maio 2011

Em 5 de Junho, sejamos responsáveis!

Mesmo depois de completamente arrasado, José Sócrates continua a viver fora do espaço e do tempo, algures na twilight zone. Mas não se apercebe. Por isso, é perigoso.

Emaranhado na sua própria teia, a sua facies fala por si, cada palavra que profere é cicuta que engole espontaneamente. Mas não se apercebe. Por isso, é perigoso.

A racionalidade já não é mote que lhe ocorra no debate ou na explanação dos projectos em que ainda “vai pensar” (extraordinária esta!). Mas não se apercebe. Por isso, é perigoso.

José Sócrates não tem credibilidade para conduzir os destinos do País, sobretudo quando é o responsável directo pela calamitosa situação sócio-económica do mesmo. Mas não se apercebe. Por isso, é perigoso.

José Sócrates é o rosto que nos envergonha perante o resto do planeta. Mas não se apercebe. Por isso, é perigoso.

Compete aos portugueses, a cada um de nós, através da livre e democrática expressão eleitoral, afastá-lo da condução da coisa pública. Para nossa sanidade. Para nossa sobrevivência.

Depois do debate com Passos Coelho, só mesmo por fanatismo de seita, ou por interesses particulares, alguém poderá entender que Sócrates merece continuar a massacrar o País.

Depois do debate com Passos Coelho, qualquer cidadão com memória e consciência, se alguma dúvida tinha, ficou esclarecido de que não é Sócrates que o irá ibertar das grilhetas que o mesmo Sócrates lhe colocou.

Depois do debate com Passos Coelho, e apesar da subserviência branqueadora de uma boa parte do “quarto poder”, todos os cidadãos perceberam que o ciclo político de Sócrates acabou.

É tempo de mudança. É tempo de verdade. É tempo de realidade. É tempo de tudo aquilo que Sócrates não nos pode dar.

Delenda Sócrates!

O ensino regular do governo Sócrates

“Exame” de História do 9º ano:

1. Péricles, autor do discurso apresentado no documento 1, nasceu por volta de 495 A.C. e morreu em 429 a.C., datas que correspondem ao século
(A) IV a.C.
(B) V a.C.
(C) VI a.C.
(D) L a.C.

2. O regime político ateniense é elogiado por Péricles porque representava os interesses de
(A) toda a população.
(B) todos os cidadãos.
(C) todos os homens livres.
(D) todos os estrangeiros.


"Exame" de Geografia:

Portugal, Espanha, Itália e Grécia, tal como se pode observar na Figura 1, localizam-se no
(A) sul do continente europeu.
(B) norte do continente europeu.
(C) leste do continente europeu.
(D) oeste do continente europeu.


Com tanta dificuldade, as criancinhas vão ter um esgotamento!
Imagine-se se houvesse "exames" nas Novas Oportunidades!

17 maio 2011

Desemprego nos Açores - A bandeira do PS



Nós já sabíamos. Já andávamos a alertar há muito tempo para o erro sem precedentes que é o Governo regional não querer encarar de frente que temos um problema grave de desenvolvimento na região, que se traduz, principalmente, ao nível do desemprego. Através de variados esquemas e truques, o governo sempre conseguiu nos dar a ideia que a taxa de desemprego nos Açores não era tão alta como no resto do país. Que era uma questão perfeitamente controlada. Na verdade, nós, as pessoas, os cidadãos que andam na rua, suspeitávamos que não era bem assim, pois todos nós vemos que quase todas as famílias nos Açores têm pelo menos um caso de desemprego.

O governo regional preferiu usar a técnica da avestruz: enviou a cabeça na areia e ignorou o problema, na esperança, talvez, que o desemprego se fosse embora. É claro que não vai. Pelo contrário, uma atitude destas de quem tem a responsabilidade, só podia piorar tudo.

Precisamente, esta semana somos confrontados com duas notícias que devem nos merecer uma enorme preocupação e que confirmam todos os nossos piores receios. Desde logo, ontem mesmo foram divulgados dados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional que nos dizem que o desemprego aumentou nos Açores no último ano em 25%. E é necessário, desde já, registar que este número não revela, de modo algum, o verdadeiro problema do desemprego. E estes números não estão os muitos que se encontram em programas de formação profissional, que, para todos efeitos, também não têm emprego. Nem estão os que não estão inscritos. E como sabemos, há muita gente que simplesmente não está inscrita, ou porque estão longe, ou porque a muita burocracia necessária, os faz desistir.

Mas adiante. A situação vai mesmo piorar e muito. No telejornal da passada segunda-feira, um empresário ligado à construção civil garantiu que 900 trabalhadores, ligados à construção das SCUT em São Miguel, irão para o desemprego a partir do próximo mês de Junho (ver vídeo). Ou seja, se o último ano já foi catastrófico, com o tal aumento de 25%, espera-se que este ano seja muito pior, pois só num mês teremos um aumento de cerca de 10% na taxa de desemprego, com estes 900 trabalhadores ligados à obra das SCUT.

É importante, fundamental mesmo, voltarmos atrás no tempo, para Fevereiro passado, para sermos mais precisos. A líder do PSD-Açores dizia na altura “que entregar a obra mais cara do regime autonómico a um consórcio externo à região, quando muitas pequenas e médias empresas açorianas poderiam estar a fazer esta obra, é um erro político que a História encarregar-se-á de penalizar”. Ora, não foi preciso esperar muito tempo para começarmos a ver que Berta Cabral tinha efectivamente razão. Estamos a falar duma obra que ascende os 300 milhões de euros. O maior investimento jamais feito pela região autónoma. Seria do mais elementar bom -senso ter-se trabalhado no sentido que esse dinheiro tivesse ficado cá nos Açores, em empresas açorianas, que por sua vez, iriam ter que recorrer a outras empresas para todo o tipo de serviços necessários e que iriam reinvestir cá e dinamizariam assim a nossa economia local, criando, deste modo, emprego. Pelo contrário, o que foi feito foi adjudicar a obra a uma empresa estrangeira que levará o lucro para investir no seu país de origem. Se à primeira vista, recorrer-se à empresa espanhola poderá ter parecido mais barato, a verdade é que a longo prazo, vai sair muito mais caro.

Duas conclusões: por um lado a certeza da inabilidade do governo regional de Carlos César em gerir os dinheiros públicos. Por outro lado o redondo falhanço do mesmo governo regional no que toca a políticas de emprego. Não é com enormes obras pontuais que se disfarça o desemprego. Isso só funciona durante algum tempo. É um tipo de política condenada ao fracasso. O governo socialista de Carlos César, tal e qual como o de Sócrates, já agora, falhou. E já não há mais maneira de mascarar os números do desastre.

14 maio 2011

Poltriqueiro

Excerto do debate na TVI entre Paulo Portas e José Sócrates:

Paulo Portas: "O sr. disse que nunca seria primeiro-ministro com o FMI."
José Sócrates: "Não foi isso que eu disse. O que eu disse é que não estava disponível para ser primeiro-ministro com o FMI."
Judite de Sousa: "Não é a mesma coisa?"
José Sócrates: "Não. É diferente."


Só não disse qual era a diferença.

13 maio 2011

Amanhã turistiquem!

Diz-se por aí que os habitantes de Ponta Delgada foram convidados a não entupir a Avenida Marginal, não vão os "tourists" ficar mal impressionados com tanto mirone embasbacado perante a opulência da recepção. O remédio é o "melting pot" indumentário. Cuidem-se e usem e abusem da festança. Afinal, ainda que se vislumbre algum sentido, é paga por nós.

12 maio 2011

Ida às Urgências: 6 euros.

Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, 8 de Outubro de 2008, alguns dias antes das eleições regionais. Carlos César faz a promessa: “não implementar taxas moderadoras na Saúde, caso ganhe as eleições regionais”. Mas deixa a ressalva que isso só acontecerá se as contas públicas se mantiverem equilibradas.

Ponta Delgada, São Miguel, 12 de Maio de 2010, o jornal Açoriano Oriental noticia, no seguimento do anúncio feito pelo Secretário da Saúde que vão ser introduzidas taxas moderadoras, que cada ida às urgências custará 6 euros.

Agora, segundo as palavras do senhor vice-presidente do governo regional e responsável pelas finanças da região, Sérgio Ávila, os Açores estão muito bem e recomendam-se.

Portanto, das duas, uma: ou Carlos César quebrou deliberadamente uma promessa. Ou as contas públicas não estão assim tão equilibradas, como nos quer fazer crer o sr. Ávila.

O discurso que vivemos num oásis cor-de-rosa, só podia vir a dar resultados destes. Ando a desenvolver a tese que Sócrates não passa dum simples aprendiz de Carlos César. Governação irresponsável é aqui nos Açores.

11 maio 2011

O Programa Eleitoral do PSD vai para além da troyka...

O Programa Eleitoral do PSD vai além daquilo que a troyka nos pediu. Esta é uma ideia que está a circular com alguma frequência. E bem, digo eu. O Programa prevê, efectivamente, algumas medidas mais profundas.

As medidas da troyka têm como objectivo tirar Portugal desta crise em que Sócrates nos enfiou. Têm como objectivo o crescimento económico do país. Libertar-nos das amarras do estado obeso e sobrecarregado que nos obriga a impostos altíssimos.

O Programa do PSD pretende também garantir o tal Estado Social, de que o PS tanto fala. É que, o Estado Social não se paga sozinho. Tem que ser sustentável. Ou isso, ou desaparece mesmo. Aliás, o próprio governo dos Açores já reconheceu isso mesmo ao introduzir as taxas moderadoras no serviço regional de saúde. A diferença é que o PS, de cá e de lá, diz uma coisa e faz outra. O PSD diz ao que vai.

Agora, há uma diferença fundamental, no que toca a nós, regiões autónomas. É que a troyka exigiu que se diminuísse a grande conquista autonómica que são os benefícios fiscais que temos, por via da nossa insularidade. Só se compreende essa medida da troyka porque o governo dos Açores “vende” lá fora a ideia do oásis. É porque temos superavits. É porque mal temos desemprego. É porque temos dinheiro de sobra para compensar quem já ganha bem e trabalha para o governo. Etc. Perante isso, é evidente que a troyka disse: “corte-se nos Açores”. Só que quem vive aqui nestas ilhas sabe bem que tudo isso não passa dum embuste. Que o desemprego é desesperante. Que somos pobres. Que vivemos com enormes dificuldades (a larguíssima maioria dos Açorianos, quero dizer). E não são só os Açorianos que sabem disso. O PSD de Passos Coelho também o sabe. Por isso o Programa Eleitoral do PSD vai além da troyka, mas não no que diz respeito às regiões autónomas. Porque o Programa Eleitoral do PSD, ao contrário daquele do PS, é um documento responsável e com olhos num futuro sustentado. O do PS tem uma capa bonitinha, de resto é um deserto de ideias e um regurgitar de lugares-comuns.

Portanto, sim, o Programa Eleitoral do PSD vai além da troyka e sim é uma coisa boa. Mas não, o programa da troyka não foi bom para os Açores. Porque quem deveria ter defendido os nossos interesses, ficou e mantém-se calado. Se fosse para defender uma remuneração compensatória que toca apenas alguns açorianos que já ganham bem, havia todo o barulho que se sabe. Se é para defender todos os Açorianos e nossa Autonomia, não contem com eles.

08 maio 2011

Portugalnomics: Ep. 1



A questão que se coloca, depois de ver este vídeo é: com todas essas qualidades, feitos e valências, como é possível estarmos nesta terrível situação? O José Sócrates responde.
P.S.: E o facto de termos mais telemóveis que habitantes talvez pudesse ter sido evitado...

06 maio 2011

Obviamente, demita-se.

O Correio dos Açores publica hoje uma preciosa entrevista com a Presidente da ATA (Associação do Turismo dos Açores), Luísa Schanderl. Uma entrevista bastante clara, em que se nota a cumplicidade que há entre os dois intervenientes. É quase como que uma conversa de amigos.
Diz a senhora Luísa Schanderl que "no preço final (das passagens aéreas nos Açores) temos que ter em conta o número de passageiros potenciais e nós temos uma falta de massa crítica, quer interna, quer externa, para preencher os voos, o que nos penaliza, traduzindo-se no preço das passagens".
À primeira, à segunda, à terceira vista podem parecer apenas palavras soltas sem qualquer conexão entre elas, mas não deve ser, porque, que diabo, esta é a Presidente da ATA! Isto tem que fazer sentido. Vamos reflectir...

Adiante.
A entrevista trata de assuntos de grande importância para os Açores, aborda-se o tema do Turismo numa prespectiva macro. Daí não haver necessidade de se falar naquele pormenor de somenos que é a página visitazores.com (ou .org). Realmente, não faz qualquer sentido a senhora Presidente da ATA nos explicar porque razão adjudicou por ajuste directo a prestação de serviços de produção do site oficial do Turismo dos Açores à empresa Icom Medialab, por 150 mil euros em Fevereiro de 2010, para já este ano, em Março de 2011, ter adjudicado o mesmo serviço à empresa Pangemédia do ex-líder da Juventude Socialista, Nuno Tomé, por 176 mil euros. Aliás, a senhora Presidente até pensa que explica, quando afirma "que não é correcto dizer-se que a construção do sítio custou à região mais de 320 mil euros, uma vez que a verba é comparticipada pelo Proconvergência, ou seja, por fundos comunitários". Ou seja, não faz mal!A sério, Senhora Luísa Schanderl, eu não sei que qualidades tem para ocupar esse(s) lugar(es), mas com base naquilo que diz publicamente, fico muito preocupado por ser uma pessoa assim a gerir os milhões que a ATA gasta na "promoção turística dos Açores".

29 abril 2011

Querem amordaçar-nos!

Se dúvidas houvesse, ficaram agora desfeitas pelo pena do director da TSF:

"...a editora do Fórum procurou equilibrar, retirando da nossa página perguntas mais assertivas e mais incómodas para o líder do PS..."

Vamos lá ver se entendemos: o "querido líder" é entrevistado e o partido mobiliza os apaniguados para laudatoriamente entupirem a antena; mesmo assim, ao que parece, alguém consegue furar o esquema e fazer perguntas sobre o país real; a pergunta incomoda o "querido líder"; a editora censura a pergunta.

Tudo normal. Foi mais um Fórum TSF.

Na Coreia do Norte, os aparelhos de rádio são sintonizados na estação estatal e bloqueados. Quem se atrever a tentar desbloqueá-los vai parar ao Gulag e o "paraíso" continua. Em Portugal, não é preciso tal extremo: basta o "critério jornalístico", eufemismo, nos últimos 37 anos, para o acto de censura.

Em Portugal, despuradamente, parece que o PS interfere na comunicação social. Silêncio absoluto. Ninguém fica incomodado, sobretudo os impolutos, maioria e primeiros interessados na demarcação.

A ERC irá assobiar para o lado. E, desleixados que somos, nós também.

27 abril 2011

37 Primaveras depois...

Assinalámos mais um aniversário do 25 de Abril, com os cada vez mais esbatidos festejos nos centros das principais cidades, ao som das velhinhas canções de intervenção. Mas passados estes 37 anos o que fica realmente da revolução do cravos?

Para nós, que já nascemos e crescemos no pós 1974, esta é uma análise que pode e deve ser feita com outro distanciamento e outra frieza, que nos permitem, talvez, tirar conclusões diversas daquelas a que fomos habituados a ouvir.

O Estado Novo foi um regime ditatorial que dirigiu os destinos de Portugal durante mais de 40 anos. Ao contrário do que muitos dizem, não foi um regime fascista, na verdadeira acepção da palavra. Foi, no entanto, um regime que teve muitos defeitos, entre os quais, obviamente, o facto de limitar as liberdades individuais dos cidadãos e a respectiva repressão. Também foi o regime responsável pela longa e desnecessária guerra no Ultramar, que marcou toda uma geração. Em todo o caso, o Estado Novo também foi bem sucedido nalgumas áreas que importa relevar sem qualquer complexo. Desde logo, e através duma astuta política externa, manteve Portugal fora dos horrores da II Guerra Mundial. Neste contexto, aliás, é fundamental realçar a importância que os Açores tiveram, pois foi a posição geoestratégica das nossas ilhas que deu a Salazar um poderoso trunfo, que soube sempre usar com mestria na relação com Churchill e Roosevelt. Mas é na forma como o Estado Novo geriu as contas públicas que devemos centrar agora as nossas atenções.

Salazar herdou um país sem rei nem roque, um país que conseguiu a proeza de ter tido 45 governos entre 1910 e 1926. Desse marasmo político-social, surgiu a Ditadura que, apesar de tudo, conseguiu equilibrar as contas públicas de Portugal. É certo que o fez à custa de muita austeridade e de sacrifícios da população, mas o que é factual é que se assistiu a um crescimento económico. E é neste contexto que devemos fazer um paralelismo com a situação que se vive hoje. Se o regime de Salazar exagerou na austeridade, o regime de Sócrates exagerou no despesismo. É conveniente fazer uma analogia simples para compreendermos como Sócrates governa o país: uma família antes de entrar em grandes gastos, tenta perceber muito bem até onde pode gastar. É claro que a banca vai apresentar soluções de crédito fácil em que pode gastar agora para pagar depois, mas cabe a essa família perceber se tem ou não capacidade para assumir essa responsabilidade. E foi isso que fizeram os governos socialistas dos últimos anos. Cultivaram uma política de despesismo e irresponsável de gastar o que se tem e o que não se tem.

Precisamente nas comemorações do 25 de Abril de 2003 o então Presidente da Republica, Jorge Sampaio criticava o PSD que governava na altura, com uma frase que ficaria para a História. Dizia Sampaio que há mais vida para além do Orçamento, a propósito da linha que os sociais-democratas estavam a seguir de contenção orçamental. Veio a perceber-se depois que Sampaio tinha já delineado um plano para derrubar o governo do PSD e do CDS de modo a preparar o caminho para o seu camarada Sócrates. Os resultados desse plano maquiavélico estão agora à mostra: um país na bancarrota e uma mão cheia de seguidores de Sócrates muito bem colocados.

37 anos depois, concluímos que os governos do PS retiraram ensinamentos do pior do Estado Novo: mais precisamente na arte de manipulação da comunicação social, ou no descartar de indivíduos contrários aos seus interesses, por exemplo Teixeira dos Santos, ou Ana Gomes. Não aprenderam nada do positivo do regime ditatorial, pelo contrário.

Passados 37 anos sobre o 25 de Abril, encontramos-nos numa situação pior, muito pior do que em 1974. Uma situação, aliás, que muitos comparam ao final do século XIX. Nós não merecíamos isto. Tivemos muitas oportunidades que foram pura e simplesmente desperdiçadas. Não merecíamos ter sido invadidos pelos tecnocratas do FMI e da Comissão Europeia para nos ensinarem como nos devemos governar.

24 abril 2011

Evidências não se discutem

Pode-se não gostar dele, mas, se há coisa que Mário Soares tem intrincada em si, até à sua mais ínfima partícula, é a política.

O "Sinto que Pedro Passos Coelho é uma pessoa confiável", dito categoricamente por ele, desfaz qualquer branqueamento eleitoralista gizado por Sócrates, respectivos apaniguados e porta-vozes no "quarto poder".

No fundo, com uma frase destas, Soares lembra-nos que, por todo o seu percurso profissional, académico e político, José Sócrates não merece qualquer credibilidade.

Mesmo estando só provadas as inépcias políticas, Soares aponta ao resto, face às cambalhotas diárias com Sócrates que nos brinda, actuando com o mesmo à vontade com que Jim Carrey parodiava em "O Mentiroso Compulsivo". Só que este era na ficção e fazia-nos rir.

"Sinto que Pedro Passos Coelho é uma pessoa confiável", dito por Mário Soares, deveria fazer corar de vergonha qualquer socialista, nem que fosse pelo facto de ter sido dito por ele, mas, sobretudo, numa altura em que Sócrates pôs o País na bancarrota, pelos encómios às piruetas dignas duma "Giselle", quiçá em troca de um autógrafo numa qualquer carta de favor.

"Sinto que Pedro Passos Coelho é uma pessoa confiável" é uma carta de alforria para qualquer socialista com memória e consciência.

Agora, basta lembrá-lo ao povo português. Delenda Sócrates!

23 abril 2011

Legado

"Nós somos uma velha nação que vive agarrada às suas tradições e por isso se dispõe a custear com pesados sacrifícios a herança que do passado lhe ficou."

22 abril 2011

La Palisse e Maquiavel

Em qualquer actividade, o planeamento, prevenindo a própria violação das regras que tornam aquela legítima, é a chave-mestra das conquistas que se seguem.

Só os anjinhos, mesmo percebendo isso, continuam a pensar que tudo se resume à táctica e que os adversários seguem as regras do jogo.

Lembrando a hipocrisia acaciana, as públicas virtudes não são próprias de um meio onde imperam os vícios privados.

Por isso, vão continuar a ser beatificamente trucidados.

E, no fim, baterão pirricamente palmas a si próprios, alegrados com o seu desempenho.

21 abril 2011

Muitas órgias, muitas órgias!

Não é um Basílio, nem primo nem Horta, mas o "No meu meio sou conhecido como o Telmo da obra, na rua sou o Telmo do ‘Big Brother’ " é candidato socialista a deputado pelo Círculo de Leiria.



Aqui ficam algumas das frases de Telmo no Big Brother de 2000:

"A pessoa mais próxima é a que descarrego mais tudo"

"Uma pessoa vira-se para um lado e se for preciso desvira-se"

"O que apetece no grupo é... sexo em grupo... muitas órgias... muitas órgias"

"Quem é que quer esta lata de atum mais eu?"

"O antebraço? Como o próprio nome indica é o que está antes braço, ou seja, o ombro"


Se ganharem, vai a ministro!

20 abril 2011

O cavalo nunca se abate



Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

19 abril 2011

Até tu, conciliador?



"O diagnóstico foi errado e a terapêutica foi errada.


O doente tinha uma pneumonia,


precisava de antibióticos


e a análise que o Governo fez foi que


o doente tinha uma gripe e só precisava de aspirinas."

18 abril 2011

Há muita poeira no ar - 2

«O pior é pensar-se que se pode realizar qualquer política social com qualquer política económica; que se pode erguer qualquer política económica com qualquer política financeira».

"Juntos Conseguimos"...

... gastar 300 milhões de euros no TGV ...

17 abril 2011

Nem revelação, nem milagre



Sobre o pensamento e a acção destes cavalheiros, e doutros profetas ideologicamente próximos, só me ocorre resumi-los assim:

Quando não consegues conquistá-los, envenena as suas águas.

16 abril 2011

Há muita poeira no ar

«As discussões têm revelado o equívoco, mas não esclarecido o problema; já nem mesmo se sabe o que há-de entender-se por democracia».

15 abril 2011

Eis a Questão

Com o nosso voto, vamos estar a confiar o nosso dinheiro de contribuintes. Confiar o nosso dinheiro a Ricardo Rodrigues... Hummm.

Agora continuem a assobiar para o lado

10 abril 2011

Rosa a martelo

Chutada, nortecoreanamente, para lá da meia-noite, Ana Gomes, não obstante, vergastou a acefalia vigente:


"É preciso que o PS reconheça com humildade que nem sempre tudo foram rosas na governação e que nem sempre a rosa cheirou muito bem".


Duvido que a evidência surta qualquer efeito. Com o olfacto impregnado de outros odores, os velhinhos já tinham partido para as marisqueiras matosinhenses, de bandeira nacional na mão, anestesiados pelo unanimismo e extasiados com a qualidade do camarão-tigre.


Como costume, o PS não convive nada bem com a diferença democrática.

09 abril 2011

Somos homens ou ratos?

1 - Quem, no seu perfeito juízo político, aceitará, sem qualquer rebuço, um "Compromisso para Portugal", onde, entre ilustres e bem-intencionados subscritores, consta Jorge Sampaio, avô da bancarrota socretina?


2 - Quem, no seu perfeito juízo político, aceitará o calculismo primário da manutenção do poder pelo poder, partindo da ideia de que o PS mais depressa se aliaria ao CDS do que ao PSD, alegando que este partido não terá uma liderança capaz desde Sá Carneiro, quando o PS não tem líder, ou melhor, tem José Sócrates?


3 - Quem, no seu perfeito juízo político, aceitará fazer parte de um Governo de "consenso" em que um dos partidos elegíveis tem José Sócrates como grande timoneiro?


4 - Quem, no seu perfeito juízo político, não chama a tudo isto alienação?


Por uma vez, haja decência!

Eu, porque ainda não estou louco, sei muito bem o que não quero. Quem me segue?


Post-scriptum: Quem não vê nas palavras (e acções anteriores) de Carlos César "farpas" suficientes para trilhar paulatinamente o longo caminho do reconhecimento (socialista) nacional? Vai a votos dia 5 de Junho ou aguardará o pós-eleitoral congresso extraordinário do PS?

08 abril 2011

História Verídica


Dia 8 de Abril de 2011, à tarde.
Toca o telefone de casa.
- Sim?
- Tem 5 minutos para responder a umas perguntas?
- Humm. Ok, pode ser.
- Ora bem, o meu nome é ______ (era uma menina) e estou a ligar da empresa Eurosondagem.
- Ok
- No caso de Carlos César não se recandidatar, qual dos seguintes prefere para liderar o PS-Açores? Sérgio Ávia, José Contente ou Vasco Cordeiro?
- (resposta)
- Nas eleições regionais de 2012 se tiver que escolher entre Sérgio Ávila ou Berta Cabral?
- (resposta)
- Nas eleições regionais de 2012 se tiver que escolher entre José Contente ou Berta Cabral?
- (resposta)
- Nas eleições regionais de 2012 se tiver que escolher entre Vasco Cordeiro ou Berta Cabral?
- (resposta)
- Obrigada e boa tarde.
- De nada. Boa tarde.

06 abril 2011

Espelho meu, espelho meu...

...haverá nariz mais bonito do que o meu?

Um antipático contra todos





Su escandalosa manera de hacerse con una licenciatura como ingeniero teniendo en cuenta que cuatro de las cinco asignaturas las impartía un profesor al que luego otorgó un cargo importante en el Gobierno y la quinta el propio rector de una universidad privada de Lisboa que acabó siendo cerrada precisamente por el cúmulo de irregularidades que aparecieron al investigar el escándalo, o que algunos de los pocos exámenes que constan en su expediente los enviaase por fax desde el despacho de primer ministro o que el título lleve fecha de expedición en un domingo, no le impidió aparecer en televisión defendiendo su honorabilidad y acusando a sus adversarios de inventarse un plan para perjudicarlo. [...]


05 abril 2011

A Cultura RSI


É uma certeza: os Açores vão passar a receber muito menos apoios da União Europeia. Após vários anos em que os fundos comunitários foram sempre aumentando, agora é altura de começarem a desaparecer.

Como se sabe, a atribuição de fundos pela UE, no âmbito da sua Política Regional, esteve, até agora, dependente do PIB das regiões. As regiões que tinham um PIB até 75% da média europeia, eram consideradas “objectivo 1” eram, portanto, as mais pobres e que precisavam dos maiores apoios.

A partir de meados dos anos 90, altura em que a UE começou a intervir mais nas políticas de coesão regional, os Açores e a Madeira foram sendo beneficiados nos sucessivos quadros de apoio, com direito a muitos milhares de milhões de euros, porque eram, efectivamente, regiões que precisavam de ver melhoradas as suas condições. Precisamente, os programas de apoio comunitários tinham como objectivo aproximar o PIB e, consequentemente, o nível de vida das regiões “objectivo 1” em relação ao resto da Europa. Em 1996, por exemplo, e segundo dados do Eurostat, os Açores tinham um PIB que rondava os 60% da média europeia, enquanto que a Madeira estava um pouco acima dos 65%. Ambas estavam, pois, bem enquadravas na política de apoio da União Europeia e eram, por isso, elegíveis para os diversos programas de ajuda comunitários. No entanto, os resultados foram muito diferentes nas duas regiões autónomas portuguesas, porque, segundo também o Eurostat, dez anos depois, em 2006 portanto, o PIB dos Açores situava-se nos 65% e o da Madeira nos 90%. Ou seja, naquele periodo de 10 anos, o PIB nos Açores aumentou 5% e na Madeira 25%. A Madeira deixou, assim, de ser uma região “objectivo 1”. Deixou de estar tão dependente dos apoios comunitários, porque usou-os para dinamizar a sua própria economia. Usou-os de forma reprodutiva. Nos Açores, os muitos milhões que vieram da União Europeia perderam-se. Foram simplesmente gastos.

Há aqui toda uma lógica de dependência e de desperdício de oportunidades que não pode ser ignorada. Os sucessivos governos do Partido Socialista nos Açores cultivaram uma cultura de caça ao apoio comunitário, sem haver nenhum tipo de política estruturante por trás.

A ideia dos nossos governantes seria a de nos manter sempre pobrezinhos, para nos mantermos sempre elegíveis às ajudas comunitárias. Uma política obviamente desastrosa, irresponsável e calamitosa para os Açorianos. Porque, como se sabe, estas ajudas comunitárias não são para durar para sempre, são vistas, isso sim, como algo temporário, que sirva de alavanca para dinamizar as economias locais. Não são esmolas. São uma espécie de muleta que nos é emprestada até sermos capazes de andar sozinhos. O problema é que os governos do PS habituaram-se a si próprios e aos Açorianos à muleta e agora a União Europeia vai nos tirar o apoio.

É que com a entrada na União Europeia dos países do Leste, existem novas regiões a necessitar dos apoios comunitários. Regiões que também são pobres e que nunca usufruíram das ajudas comunitárias. Além disso, perante o momento de crise que se vive em todo o mundo e perante a forma irresponsável como alguns governos desperdiçaram as ajudas comunitárias, como é o caso dos Açores, é evidente que os países contribuintes para o orçamento da União Europeia, vão se retrair. Ou seja, o bolo vai ser muito mais pequeno e vai haver mais candidatos.

E é agora que vamos começar a pagar por todos estes anos de políticas irresponsáveis. Desperdiçamos todos os apoios, não criamos riqueza, não dinamizamos a nossa economia e, pior que tudo, ficamos dependentes das ajudas externas.

E aqui se vê a incapacidade ou a irresponsabilidade dos governos liderados pelo PS nos Açores. É que nada disto é novidade para ninguém. Já se sabia que os apoios comunitários iam passar a ser menos e iam passar a ser repartidos por mais regiões. Já se sabia que os programas de apoio eram limitados no tempo e que teriam de ser muito bem aproveitados, para rentabilizar e dinamizar a economia. O que os nossos responsáveis fizeram foi o oposto: usaram esses apoios para fazerem obras megalómanas e para darem a ideia que vivemos num paraíso. Foram constantemente adiando os problemas, passando a ideia que poderíamos viver para sempre dos apoios externos. Uma total irresponsabilidade, como agora se constata.