Estranhamente, ou talvez não, logo no dia seguinte o líder do PS-Açores surge na comunicação social, e em particular com especialíssimo relevo na RTP-Açores, a criticar gratuitamente a líder do PSD-Açores. Se há conclusão que se devia ter retirado das últimas eleições nacionais em que Passos Coelho ganhou e Sócrates perdeu, é que as pessoas estão fartas dos ataques pequeninos e gratuitos entre políticos. Já não fazem qualquer sentido, se é que alguma vez fizeram. Mais, acabam por denegrir, não só, a própria actividade política, que deveria ser nobre, mas também eles próprios, nomeadamente aquele que faz o ataque. Aparentemente César não aprendeu a lição com o seu camarada Sócrates e persiste nos mesmos erros. Os mesmos erros tanto a nível de governação, como ao nível do estilo de estar na política: o ataque pessoal ao adversário e o controle da comunicação social. Talvez porque não conhece outra forma de estar na política.
No Conselho Regional do PSD-Açores, Berta Cabral fez um diagnóstico sobre a situação actual nos Açores. Evidentemente criticou o estado de coisas. Mas com base em factos. Na verdade, o desemprego hoje nos Açores é o mais alto de sempre. As passagens aéreas para o continente são as mais caras de sempre. Temos uma dívida pública mais alta de sempre. São críticas válidas e com base em números reais. Para mais, Berta Cabral está a criticar a governação de César porque, de uma forma aberta e clara, é candidata à posição de Presidente do Governo Regional dos Açores. Não são, portanto, criticas gratuitas. São críticas de quem se apresenta como uma alternativa. É assim que funciona a Democracia.
Pelo contrário, César, no meio da indefinição sobre o seu futuro e sobre quem será o candidato do PS à Presidência do Governo em 2012, acaba por ficar sem argumentos. E é assim que recorre ao ataque pessoal, através de considerações que têm pouco de verdadeiras. Afirma o líder do PS Açores que quando Berta Cabral deixou o cargo de Secretária Regional das Finanças em 1996, os Açores estavam sem dinheiro. Em primeiro lugar é preciso dizer que a actual líder do PSD ocupou esse cargo durante um ano apenas. Mas ainda assim, e ao contrário do actual modelo socialista de esconder a verdade das contas públicas, a primeira medida que Berta Cabral tomou enquanto Secretária das Finanças foi a de clarificar e divulgar todas as contas da nossa Autonomia. É típico da actual Presidente da Câmara de Ponta Delgada. Transparência acima de tudo. Ficou-se, assim, a saber que em 1996 os Açores tinham uma dívida que rondava os 500 milhões de euros. Depois, como se sabe, César entrou para o governo em 1996 e num golpe eleitoralista, Guterres, então primeiro ministro, limpou a dívida pública dos Açores. Assim, a governação de César começou com zero de dívida pública. Hoje, estima-se (e estima-se porque o governo insiste em não ser transparente quanto às contras públicas) que a dívida pública dos Açores ascende aos 2 mil milhões de euros. Ou seja, de 1975 a 1996, acumulou-se 500 milhões de euros de dívida. De 1996 até hoje acumulou-se 2 mil milhões. E isto já para não falar do facto de todas as obras estruturais que foram feitas até 1996 e para não falar dos milhares de milhões de euros vindos da União Europeia a partir de meados dos anos 90. Para onde foi todo esse dinheiro nos últimos 16 anos? Será que tem alguma coisa que ver com o facto de se ter passado de 4 para mais de 50 empresas públicas e todos gestores e administradores que acarretam?
Estamos a um ano de termos eleições regionais. Em vez destes ataques gratuitos, devíamos era estar já a debater o preocupante futuro que nos espera. Mas para isso, era preciso o Partido Socialista definir-se e dizer como e com quem vai a jogo. Era essa a atitude digna e de respeito para com os Açorianos. Mas como se vê, o importante para César é denegrir a imagem dos seus adversários e manter o tabu de modo a manter o poder sobre as demasiadas clientelas que vivem do erário público. Longe das suas prioridades está o desenvolvimento dos Açores. As semelhanças com Sócrates são tantas e demais evidentes. De facto, César e Sócrates juntos conseguiram destruir um país e uma região.


