A quem de dinheiro, já que eu não tenho, ou de direito, neste caso por obrigação legal, lembro que a Lei nº 34/87, de 16/07, ainda que nunca aplicada, continua em vigor.
13 outubro 2011
Direito à indignação política
12 outubro 2011
César Fim
Para Carlos César, uma recandidatura só teria lugar caso se conjugassem uma série de factores. Desde logo, ter na Presidência da República alguém solidário com a sua causa de se eternizar no poder. Assim se explica o forte empenhamento que César colocou na campanha de Manuel Alegre. Não serviu de nada e Cavaco Silva saiu vitorioso e com um resultado muito expressivo nos Açores. César sabe que Cavaco Silva não é um político que mude de opinião de acordo com os intervenientes e que, se a situação se colocasse, iria fazer cumprir a lei da limitação de mandatos.
Mas ainda assim, César poderia ter escolhido a via da confrontação. Podia ter ido em frente e ser candidato, mesmo contra aquele que sabia ser o entendimento do Presidente da Republica. Para tal entraria no já habitual, falso e popularucho discurso de que Cavaco é anti-autonomias. Mas não o fez. César não se recandidatou, também, porque não quis. E aqui entra um segundo factor. Para Carlos César só faz sentido governar se houver muito dinheiro. E como ele, melhor que ninguém sabe, a sua governação nestes últimos 15 anos não foi capaz de dinamizar a nossa economia. Pelo contrário, somos dependentes das transferências externas da União Europeia e do Orçamento de Estado e sabemos que vai haver grandes cortes nas verbas para os Açores em ambos os casos.
Não tendo na Presidência o seu Alegre e sem ter o dinheiro que lhe facilitou a governação nestes 15 anos, César percebeu que nos próximos anos os Açores têm mesmo de mudar de políticas. São necessárias medidas que ele sabe não ter nem capacidade nem o pessoal com o know-how para as tomar. Além disso sabe que a sua concorrente nas próximas eleições seria Berta Cabral, pessoa com provas dadas de ser capaz de fazer a tal mudança política. Ora somando todos esses factores, é evidente que César preferiu o caminho da saída e não recandidatar-se.
Também convém desmitificar um pouco a questão dos sucessivos adiamentos do anúncio. Parece que, na verdade, os adiamentos não passaram duma tentativa de aguentar o barco o máximo de tempo possível. Como todos sabemos, assim que César anunciasse a sua não candidatura, a malha de dependências criadas à sua volta iria desmoronar-se. Também serviram para segurar o seu próprio partido e evitar uma guerra interna aberta, pois a apenas um ano das eleições, nenhum dos preteridos vai arriscar uma confrontação aberta, pois sabem que, antes demais, a sua primeira prioridade é manterem-se no poder. No entanto, em termos práticos, a verdade é que, a menos de um ano, as estruturas do PS terão de mudar de estratégia e defender um candidato que muitos, se calhar, até nem apoiam. Com efeito, conseguimos compreender as primeiras vozes que vêem demonstrar descontentamento pela forma oligárquica como Vasco Cordeiro foi escolhido. Estamos a falar do candidato ao mais alto cargo político da região, pelo que faria todo o sentido ouvirem-se as bases. Pelo contrário, o PS tomou a sua decisão mais importante dos últimos 16 anos numa sala com meia dúzia de pessoas. Revela uma grande falta de sentido democrático.
O capítulo César fecha-se sem luz e sem brilho. Agora os Açorianos olham para 2012 e procuram novas ideias, novas políticas e outros intervenientes. É tempo de virar a página e recomeçar.
11 outubro 2011
Como organizar uma biblioteca
10 outubro 2011
Confusões e atitudes
08 outubro 2011
Prefiro rosas
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis
07 outubro 2011
05 outubro 2011
01 outubro 2011
Honrar compromissos

30 setembro 2011
Verdade e consequência
A Lei nº 34/87, de 16/07, mesmo que nunca aplicada, está em vigor.
28 setembro 2011
24 setembro 2011
SATA, sou cidadão de segunda?
Para a SATA, na forma como estabelece regras internas com reflexos para os utentes, eu e todos os açorianos somos suspeitos. E suspeitos de quê? De não sermos açorianos.
De cada vez que viajamos e fazemos o tão propalado e moderno “web check in”, que, supostamente, deveria ter o efeito de agilizar os procedimentos de embarque e, consequentemente, permitir uma redução de custos operacionais, o que faz a nossa “querida” companhia aérea? Manda-nos buscar o cartão de embarque aos balcões.
De cada vez que isso me acontece, ou seja em todas as viagens que faço, questiono quem me atende sobre qual a razão. Já obtive respostas variadas, mas a mais comum é a de verificação da identidade e residência. Risível, no mínimo. Então a SATA não possui os meus dados? Sou passageiro frequente, faço o “check in” através da minha conta SATA, na qual constam os meus dados e, de cada vez que viajo, tenho de repetir este calvário? Entre incompetência e gozo sádico, é só escolher.
Além disso, o que verificam os funcionários quando lhes apresento o cartão de cidadão? Hoje, a malcriada que me atendeu, respondeu que era para confrontar os números de bilhete de identidade e de contribuinte, para ver se eram verdadeiros (“Nunca se enganou nisso?”, perguntou, presunçosa. “ Não, nunca me enganei”. Calou-se, talvez incrédula e espantada por eu saber ler e escrever correctamente o meu nome). E, já agora, na busca da veracidade, confrontá-los com o quê, perguntei, indignado com o estigma. “Com os dados na nossa base de dados”. Extraordinária resposta! Extraordinária forma de verdade! Extraordinária forma de controlar o erro! Se este existir, e admitindo-se a existência, o mesmo não poderá deixar de continuar a existir, por lá estar desde o início. Se é a fraude que se quer prevenir, esta não deixará, por causa disso, de continuar a existir, atentos os procedimentos.
À SATA, não lhe basta o lixo que nos dá como refeição (e a que preço!), não lhe basta os horários que nos impõe para exclusivo proveito, não lhe basta a inexistência de concorrência, não lhe basta as desculpas incongruentes, quando há atrasos, não lhe basta a forma como trata os nossos emigrantes, não lhe basta as indemnizações compensatórias, não lhe basta o preço estratosférico que nos cobra para daqui sairmos, não lhe basta os preços irrisórios que pratica no resto do mundo, em concorrência, não lhe basta o serviço público que mal presta. Não! Escudando-se no controlo necessário para receber as indemnizações compensatórias (mesmo que há socretinos meses não as receba), ainda tem de se armar em ineficaz polícia mais própria de regimes ditatoriais.
Para a SATA, primeiro está a culpa, depois a inocência.
Para a SATA, somos de segunda categoria, no tratamento e na cidadania, ilhéus ignaros que do mundo só têm a visão que o mar ou a ilha defronte oferecem.
Até quando aturaremos, impávidos, esta indignidade?
P.S. – Estou, desde Maio, a aguardar que sejam introduzidas milhas no meu cartão, relativas a uma viagem em “code share”. Perante a incapacidade, culpa a outra companhia aérea ou qualquer coisa parecida. Pena que, no meio de tanto zelo, mostre vontade nenhuma para resolver o caso.
Collina, venham mais!
21 setembro 2011
O Imperativo de Acabar com os Políticos Profissionais
Os acontecimentos dos últimos meses no país e na Madeira na semana que passou vêm comprovar que estamos num momento de mudança de ciclo, em termos de gestão política, em Portugal.
A História recente de Portugal ficou marcada pela austeridade e respectiva estabilidade económica do período designado por Estado Novo. Além disso, como se sabe, a Ditadura limitou muito o exercício de algumas liberdades hoje consideradas como fundamentais, o que, conjugado com a guerra do Ultramar, levou à Revolução de 25 de Abril de 1974.
Hoje, passados 37 anos, podemos dizer que os políticos portugueses não souberam gerir as transformações do pós 25 de Abril Com efeito, assistimos a uma cultura de direitos adquiridos, por um lado, e por outro, de aproveitamento pessoal por parte da classe política que geriu o país nas últimas décadas, que praticamente levaram o país à bancarrota. Estes dois factores conjugados criam um ciclo vicioso que é muito difícil de quebrar, pois ao dotarmos os cidadãos de direitos, sem lhes exigir deveres, estamos a colocar o eleitoralismo à frente da responsabilidade política. É claro que um partido que oferece todo o tipo de benesses, reúne todas as condições para vencer eleições. Mas a que preço é que se oferecem essas benesses? Pode o nosso país, ou no nosso caso, a região, pagar ad eternum esta cultura de direitos adquiridos? A situação actual diz-nos que não. O ciclo vicioso completa-se quando esses políticos, ao ganharem eleições, acostumam-se ao poder e fazem tudo para lá ficarem eternamente. As vantagens são, como sabemos, mais que muitas para quem usa o poder desta forma, alimentando, de forma vil, clientelas importantes para a manutenção desse poder e fazendo enriquecer aqueles que lhes são próximos, através de esquemas certamente anéticos e, provavelmente, nalguns casos, ilegais até.
É um ciclo insustentável que mais tarde ou mais cedo terá que implodir sobre si próprio. Foi isso que aconteceu em Portugal continental, é isso que se está a passar na Madeira e é isso que, inevitavelmente, se vai passar nos Açores. É o crónico problema do déficit, em que se gasta mais do que aquilo que se produz e tem que se recorrer ao empréstimo. Gasta-se porque é preciso alimentar toda uma máquina com o objectivo de se eternizar no poder. Numa palavra e a ser simpático: uma irresponsabilidade atroz
Mas esse período, felizmente, acabou. Hoje temos em Portugal continental toda uma série de políticos duma nova geração que têm um entendimento totalmente diferente da forma como se deve governar um país. Com alguns erros e hesitações à mistura, pois estão perante um trabalho herculeano, esta nova geração é mais técnica do que política. O que lhes move não é trabalhar para a sua próxima reeleição, como era o caso dos políticos que governaram Portugal até agora e como é o caso dos que governam os Açores e a Madeira há décadas, o que lhes move é colocar o país no caminho do crescimento. A maior prova disso veio exactamente daquele que é o melhor (ou pior, dependendo da perspectiva) exemplo do político português pós 25 de Abril: Mário Soares. O decano socialista atirou a matar contra o arquétipo da nova geração: o ministro da finanças Vítor Gaspar, dizendo que é um político ocasional. Nem mais, Dr. Mário Soares. É isso mesmo. Vítor Gaspar e os outros que compõem este novo governo não vivem da política, não se alimentam da política, como era e é o seu caso. São políticos ocasionais, como todos os políticos deviam ser.
O erro, Dr. Soares, está em si e no tipo de político como o senhor. O erro está em políticos que ficam 10, 20, 30 anos no poder. O erro está em políticos que passam o poder aos filhos, como se de uma herança se tratasse. A este propósito não podemos deixar de nos admirar e até registar alguma tristeza com o que se passa no PS-Açores. Um partido rico em quadros de grande qualidade: professores universitários, investigadores, técnicos superiores de todas as áreas com provas dadas, deixa-se ser comandando de forma dinástica pela família César. O cúmulo aconteceu há dias quando César pai recebeu César filho. Inacreditável, mas sintomático do erro que são os políticos profissionais que vivem da política. Pessoas que não fazem a menor ideia o que é um dia de trabalho, que vivem, usam e abusam do bem comum, como se fosse sua posse. Servem-se em vez de servirem. Esses políticos e esses erros quem os pagam são os cidadãos, com o seus impostos e com o seu trabalho.
Estes políticos deixaram a nossa sociedade doente e quase em fase terminal. Uma doença que estava diagnosticada há muito tempo, mas que foi sendo disfarçada no continente e Madeira enquanto se pôde e que vai sendo disfarçada, por enquanto, nos Açores. Felizmente o processo de cura, inevitavelmente dolorosa, diga-se, já começou no continente.
14 setembro 2011
César sabia da RTP-Açores e não fez nada
Só podemos especular sobre as razões que uns e outros tiveram: Lisboa numa lógica de contenção de custos. O governo regional dos Açores, talvez para não importunar os seus camaradas do PS de Sócrates. Na verdade, esta explicação encaixa perfeitamente naquilo que se sabe ser a postura do governo do PS nos Açores: por um lado, fazer de conta que está tudo bem, ir aparecendo nas notícias a cortar as fitas das inaugurações, mas por outro lado ir adiando os problemas para outros, no futuro, resolverem.
Em Dezembro de 2009, Guilherme Costa, Presidente do Conselho de Administração da RTP, nomeado pelo governo de Sócrates, visitou os Açores e avisou Carlos César que queria que a RTP-Açores passasse a janela da RTP-N. Ou seja, este projecto de redução de horas de transmissão e de redução de custos na RTP-Açores é conhecido do governo açoriano há muito tempo, que não fez absolutamente nada para o tentar inverter.
Mas o importante, neste momento, é mesmo pensar numa solução para mantermos a nossa televisão, porque, efectivamente, faz falta aos Açores. Assisto com alguma surpresa ao discurso do PS-Açores que se limita a exigir mais. É inacreditável! O PS-Açores não aprende. Ainda não perceberam que não há nenhum saco sem fundo com dinheiro. Todos nós queremos mais. Mais meios, mais e melhores ordenados, etc. A responsabilidade política reside exactamente na capacidade de se conseguir analisar a sociedade e redistribuir a riqueza de acordo com as necessidades de cada área e se atingir um desenvolvimento sustentado. O discurso do PS-Açores sobre esta matéria de exigir mais meios é contraproducente para os interesses da própria RTP-Açores. Porque é uma intransigência descabida, que serve de razão para o centralismo de Lisboa, que é transversal a todos partidos, avançar com as suas soluções unilateralmente. Porque não há meios, exactamente por responsabilidade do PS, portanto não pode o próprio PS continuar a exigir mais meios.
Por outro lado, usa-se o argumento do ataque à Autonomia e de como a RTP-Açores é um símbolo da Autonomia Açoriana. Rejeito esse argumento, porque Autonomia é nós sermos capazes de dar resposta às nossas necessidades. Não é pedir a Lisboa que as pague! De resto, o governo açoriano já salvou várias empresas privadas açorianas, como a Sinaga ou a conserveira Santa Catarina, por isso tem a obrigação de salvar uma empresa pública, como a RTP-Açores e os respectivos trabalhadores.
A televisão hoje é muito diferente do que era há 10, 20 ou 30 anos atrás. Hoje há uma enorme oferta, tanto a nível tradicional, como através das novas tecnologias. Ainda assim, existe espaço para haver um serviço público de tv e rádio açorianos, mas ajustado à realidade actual. Não faz sentido a actual grelha de programas da RTP-Açores, com séries, documentários e novelas repetidos do canal 1 ou da 2. Fazia sentido há uns anos, quando aqueles canais não chegavam aos Açores. Portanto, parece evidente que a RTP-Açores tem que concentrar os seus esforços num serviço público que dê respostas que mais nenhum outro canal consegue dar. E para isso nós, açorianos, temos que chegar a um consenso alargado sobre o que é serviço público, para depois o podermos defender.
Temos que fazer tudo para manter a nossa RTP-Açores. Mas se queremos ser uma região verdadeiramente autónoma, não podemos insistir no discurso de exigir mais a Lisboa. A solução terá de passar por uma responsabilidade partilhada, entre Lisboa e os Açores. Isto sim, é Autonomia!
A Fabulosa História do Site de Turismo dos Açores
Ora então, em 26 de Fevereiro de 2009 foi adjudicada à Icon Medialab a produção do site por 150.000€, com um serviço de manutenção que custava 1,000.000€ (sim, é um milhão).
Passados alguns meses, a 16 de Setembro, foi adjudicada à Market Iniciative a produção de conteúdos para o dito site por 23.742€.
Já este ano, a 24 de Março foi a vez da Pangemédia receber a bela incumbência de "webdevelopment" para o site. Valor: 175.940€
Finalmente, no passado dia 9 de Setembro, foi a Morfose (e veja-se bem como esta empresa é competente nisto de fazer sites, veja-se o site dos próprios) que ficou responsável por fazer uma data de coisas no site pelo valor de 64.686€.
O somatório fica para quem o quiser fazer. Da minha parte fica só a dúvida sobre se há alguns relacionamentos familiares entre os donos de algumas dessas empresas e as pessoas ligadas à Presidência do Governo regional.
12 setembro 2011
Sacudir a água do capote
11 setembro 2011
11 de Setembro

Há 10 anos, foi cometido um crime inqualificável contra a liberdade, a democracia e a Humanidade.
Dez anos depois, um homem chora a morte de um ente querido junto ao memorial que recorda os cerca de 3000 inocentes assassinados.
Por cá, um canal de televisão entretém o povo com uma qualquer teoria da conspiração sobre a morte de um homem, 7 anos depois, e a queda da Torre 7, onde este terá ouvido "várias explosões" e terá estado "várias horas" retido, caindo aquela como se de uma "demolição controlada" se tratasse, olvidando as contradições do próprio depoimento. Só faltou invocar a falta de 4000 judeus nesse dia ao trabalho no TWC, para cereja. Tenham vergonha!
09 setembro 2011
O Governo Regional dos Açores Explicado
A propósito da iniciativa em defesa da Lagoa das Furnas......Mandar a porcaria para debaixo do tapete!
A Crise Explicada
Após vários anos de gestão desastrosa, por parte, essencialmente, dos governos do PS liderados por José Sócrates, Portugal quase que entrou em bancarrota. Não fosse a intervenção da troyka e, segundo as palavras do ex-Ministro da Finanças, Teixeira dos Santos, o governo português nem teria dinheiro para pagar os ordenados e as reformas. Fomos, portanto, obrigados a contrair um enorme empréstimo, para salvar a nossa já débil e duvidosa soberania.
Como qualquer empréstimo, este também teve condicionantes e compromissos a cumprir. A troyka estabeleceu um plano que tem como fim o desenvolvimento económico de Portugal, com o objectivo de, por um lado, ter a certeza que vai reaver o seu dinheiro e, por outro lado, ajudar Portugal a entrar, de uma vez por todas, numa lógica de crescimento. Há, sem qualquer dúvida, uma ideologia de cariz liberal bem marcante nos métodos que a troyka impõe a Portugal. Uma ideologia que é seguida pelo governo de Passos Coelho. Uma ideologia liberal, que entra em clara oposição com a socialista que governou Portugal e os Açores nos últimos anos e como se viu, falhou … apesar das muitas oportunidades que teve. É, altura, de dar também uma oportunidade e tempo ao modelo que Passos Coelho quer implementar.
Duma forma bastante simplista, a cartilha socialista apostou no desinvestimento dos dinheiros públicos. O socialismo tem uma tendência natural para aumentar o espaço do poder público em detrimento do privado. Isto leva ao minguar do sector privado com consequente aumento de desemprego. A isto o socialismo responde com mais sector público. Aumenta a máquina estatal para, por um lado, garantir controlo sobre a sociedade e, por outro, oferecer emprego. Mas há uma falha em todo este processo: é que não se cria riqueza. Regra geral, é o sector privado, dada a sua natureza intrínseca, que está habilitado a produzir bens e mais-valias transaccionáveis que façam chegar riqueza ao país. E ao não se criar riqueza, entra-se numa espiral de endividamento, apenas travada, momentaneamente, através do recurso ao empréstimo.
É esta, pois, a herança socialista que Passos Coelho no continente está a tentar inverter, em que as despesas ultrapassam em muito as receitas. Em que a dívida pública é um problema gravíssimo. Na simplicidade e frieza dos números a solução é fácil: reduzir despesa e aumentar receita. No entanto, estamos aqui a falar de pessoas. De nós próprios, cidadãos que compõem este país. Logo, as medidas que são necessárias à quebra de ciclo, irão afectar-nos a todos.
As duras medidas que estão a ser implementadas pelo governo de Passos Coelho têm que ser entendidas como uma cura a uma grave doença. Diria que estamos em processo de quimioterapia para nos livramos do cancro que o PS de Sócrates nos deixou.
Aqui, nos Açores, ainda não chegou verdadeiramente o impacto desta crise. Aqui, nos Açores, continuamos a viver no modelo socrático, de endividar para disfarçar o buraco, apesar de aqui e ali já se sentirem os efeitos do fim do paraíso do dinheiro emprestado. Por outro lado, as imposições da troyka ainda nem chegaram bem aos Açores, uma vez que as contas da região ainda nem começaram a ser analisadas. Por isso temos que estar preparados para o que vem aí. Porque, dizem as notícias, a dívida pública dos Açores deverá ascender os 3 mil milhões de euros.
Os Açores são ainda, e apesar de às vezes poder não parecer, dadas as obras faraónicas que se fazem, uma região pobre. Durante todos estes anos de poder, o PS de César não conseguiu criar uma lógica de criação de riqueza. Pelo contrário, o que se vê é quase todas as empresas privadas açorianas, com as da construção civil à cabeça, com gravíssimos problemas e em risco de fechar. Se em Portugal continental ainda existem alguns sectores que exportam e trazem riqueza, nos Açores a situação é mesmo dramática. Se retirarmos o investimento feito pelo governo regional, que vem dos empréstimos e das transferências orçamentais de Lisboa e da União Europeia, não entra qualquer capital na nossa economia.
A situação é clara: quanto mais tempo o PS estiver no poder, maior serão os efeitos, posteriormente, para nós, população. Não tenhamos dúvidas: este governo do PS gasta o que não tem e, para tal, endivida a região. E a região somos nós. Logo, somos nós que vamos acabar por pagar, como se está a ver no continente. É urgente, pois, acabar com a governação socialista nos Açores.
05 setembro 2011
Ventos de mudança
Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
27 agosto 2011
26 agosto 2011
A equipa do Vitor Pereira não ganhou porque..
b) O árbitro cumpriu as leis do futebol
c) O árbitro cumpriu as leis do futebol
d) O árbitro cumpriu as leis do futebol
e) O árbitro cumpriu as leis do futebol
f) Não joga peva, quando o árbitro cumpre as leis do futebol
g) Outra razão, tipo não joga peva, quando o árbitro cumpre as leis do futebol
h) Os Blur publicaram o primeiro álbum há 20 anos
23 agosto 2011
Futebol, à míngua de assunto
Disseram-me que um tal Idalécio Martins, árbitro dos regionais, apitou um jogo da I Liga com competência e sem medo, ou seja, sem ciscos nos olhos ou na mente que lhe perturbassem a visão ou o discernimento.
Disseram-me que, eventualmente, o tal árbitro foi bafejado pela sorte, por aquele jogo ter sido morno, a dar para o fraco, mas tendo, por outro lado, o ambiente rodeante a escaldar até ao tutano, na marcação cerrada que se faz à sucessão do cargo de nomeador.
Disseram-me também que o teste não foi de fogo real, pois, para tal, exigia-se que, ao menos, um dos intervenientes fosse um outro clube..., mas que tinha sido melhor que nada.
Disseram-me que este súbito e anónimo Idalécio só tem importância por ter posto sob suspeição os critérios que sustentam a misteriosa ascensão de alguns apitadores até ao topo da carreira.
Disseram-me que ser familiar ou protegido de A ou B, ser adepto de C, ser adepto de D mas prejudicá-lo sempre em favor de C, ser visita assídua de E ou F, agradar a E, F ou G, ser sensível às "ofertas irrecusáveis" de A, B, C, E, F ou G, ter capacidade adrede para contradizer as suas próprias interpretações das regras do jogo, são qualidades muito apreciadas para uma rápida subida até ao topo.
Disseram-me que, em simultâneo, se pede alguma inteligência, sobretudo para agir agradavelmente, parecendo não o fazer.
Disseram-me que, pelo meio, face à evidência da real qualidade, e em nome da transparência, se promovem uns quantos competentes, para não parecer aquilo que parece que é.
Disseram-me que, mesmo assim, a arbitragem portuguesa é a melhor do mundo, excepto quando o acaso lhes engrena um qualquer Idalécio sem ambição e sem futuro. Como eles.
Ofereci os cafés, despedi-me e corri para o computador. E escrevi, antes que esquecesse.
16 agosto 2011
O futuro da RTP-Açores - Uma contribuição para o debate que se exige
Os Açorianos sentem e reconhecem a RTP-Açores como parte da sua própria identidade. Reconhecemo-la como símbolo da Autonomia, mas, verdade seja dita, são cada vez menos os açorianos que vêem realmente a RTP-Açores. O José afirmou, no post imediatamente antes, que é o 3º canal mais visto nos Açores. Permite-me, José, mas desconfio muito dessa classificação. O senso comum diz-me que é uma escassa minoria que vê RTP-Açores actualmente. E esses vêem as notícias. Na verdade, faz todo o sentido que assim seja, porque, efectivamente, toda a programação da RTP-Açores, à parte da informação, é amplamente ultrapassada em termos de qualidade pelo resto da oferta televisiva proposta aos Açorianos, no tal contexto de concorrência de que o José falou. É na informação que reside actualmente a grande mais-valia da RTP-Açores, porque é um serviço único e essencial para os Açorianos. Para os que cá vivem e para os que estão emigrados.
Temos, então, que fazer alterações na RTP-Açores. Quem paga assim o exige, no contexto do que os próprios estão a fazer. Que tipo de alterações, ao nível de gestão financeira? É praticamente impossível opinar sobre o assunto, pois a informação relativa aos exercícios financeiros da centro regional, está reduzida a umas breves referências no Relatório e Contas da casa-mãe.
Colocam-se-nos, pois, duas hipóteses para lidar com o Estado: ou seguimos o modelo do cruzar os braços, bater com o pé e dizer “não queremos, não queremos e não queremos, aliás, queremos mais meios e melhores condições”, ou podemos admitir que é preciso mudar e participar construtiva e activamente no respectivo processo.
O Estado central, o tal que paga a RTP-Açores, certamente descartará qualquer diálogo com a primeira atitude. Nesse caso, e porque as mudanças e os cortes vão mesmo avançar, o Estado analisará números e friamente chegará à solução da janela, com todos os problemas que isso representará para todos, à cabeça os trabalhadores.
Portanto, temos que ter aqui uma atitude sensata e fazer uma auto-avaliação sincera para podermos defender os princípios da nossa televisão e rádio dos quais não vamos abdicar. Para isso, há que saber reconhecer e separar o que é bom daquilo que não é bom e identificar os vícios instalados e corrigi-los a tempo, sob pena de "pagarem os justos pelos pecadores."Temos que saber nos concentrar no essencial da televisão e rádio dos Açores e saber abrir mão do acessório. E não podemos descartar custos para o Orçamento da região. É que não deixa de ser irónico estarmos a defender a RTP-Açores como símbolo da Autonomia, ao mesmo tempo que exigimos que seja o Estado central a pagar.
Enfim, parece-me claro que as actuais longas horas de emissão da RTP-Açores, com séries e documentários repetidos dos outros canais, vão ter que acabar, para darem lugar a uma concentração de esforços na informação, tanto ao nível dos serviços noticiosos diários, (Telejornal) como ao nível de grandes reportagens (inexistente actualmente), programas de debate de interesse regional (Estado da Região, ou Estação de Serviço, por ex.) Não significa isto, no entanto, que deixe de existir espaço para outros programas de cariz mais lúdico (ou não). Também me parece que a tripolaridade que se tentou implementar é insustentável; não fazia sentido querer-se ter meios técnicos iguais na Horta, Angra e Ponta Delgada para se produzir um serviço noticioso diário em cada uma dessas cidades. Mas a questão da tripolaridade, na generalidade, é algo que, mais tarde ou mais cedo, os Açorianos vão ter que enfrentar e compreender que, nalguns casos, como este da RTP-Açores o comprovou, apenas atrasa o nosso desenvolvimento sustentado enquanto arquipélago com nove ilhas.
Por todas as razões que conhecemos, o país, a região e todas as entidades que vivem com apoios estatais, terão que cortar na despesa. Existem muitas inequidades que devem ser corrigidas. A RTP-Açores é apenas mais um caso. O próprio actual Director da RTP-Açores assumiu, em 2008, que "havia uma gestão pouco rigorosa (...) uma gestão de mãos largas" antes de si. Nós já sabíamos que ia ser assim: os que virão depois é que vão pagar a factura. Já está a começar.
10 agosto 2011
RTP/Açores: o futuro 36 anos depois
Características idiossincráticas humanas aparte, a RTP/A e a SATA, ou, noutro aspecto, a Universidade, são símbolos da autonomia açoriana, porque, duma forma ou doutra, personificam o elo de ligação mais imediato entre as ilhas e as suas gentes. No mínimo por isto, tudo o que envolva cada uma delas tem de ser gerido com parcimónia, de preferência, com o cuidado da univocidade. Sobretudo, política.
A RTP/A que conheci há 20 anos, nada tem a ver com a realidade actual. É normal que assim seja. O País mudou e com ele a televisão. Há 20 anos, apenas existia a RTP; hoje, além da SIC e TVI, temos igualmente os canais que nos chegam via satélite ou por cabo. Temos aquilo que é desejável para o consumidor: concorrência. Esqueçamos, pois, quaisquer laivos de verossimilhança com o passado.
Tal facto, em circunstâncias normais, deveria ser motivo de incentivo para que os agentes políticos pugnassem por um entendimento sobre o que é essencial para que a RTP/A não desapareça. E é de sobrevivência que se trata, por muito que alguns deles, na ligeireza de pensamento de quem pensa apenas a curto prazo, tentem contornar a questão ou nem sequer consigam percebê-la.
Incontornável é que, no tempo do monopólio, a RTP/A pouco necessitava de mostrar. Sem concorrência, nem sequer a do grupo a que pertence, existia sem o cuidado de ter (precisar de) profissionais qualificados em qualquer posição da pirâmide. Quem cá vivia não conhecia outros e, consequentemente, o grau de exigência não existia ou, a existir, era-o para uma minoria tão ínfima que pouco incomodava o statu quo.
Por tal, é óbvio que nunca houve necessidade objectiva de ser apresentado um qualquer projecto estruturante que contribuísse para a definição do que deveria ser uma televisão de cariz regional. Por desnecessidade, políticos, trabalhadores e população conviviam bem com o amadorismo de alguns, a subserviência de outros, a inocuidade da maioria e a benfazeja qualidade de uma minoria. A ingenuidade apenas desejava que o pequeno ecrã funcionasse, enquanto que os outros queriam que funcionasse como eles queriam.
Hoje, a RTP/A apresenta-se-nos de forma diferente. Inserida num contexto de apertada concorrência, não se basta com a mera declaração de existência. Assim ninguém a quererá. Assim não terá razão de existência.
A Lei 27/2007, de forma genérica, trouxe um estrangulamento ao exercício do serviço público de televisão e contrangimentos de ordem organizacional e financeiros, que só prejudicaram a estrutura regional de televisão, minando qualquer intenção de modernização e autonomização da RTP/A.
Não fosse somente tal, também a inacção, inabilidade, incongruência ou assentimento (mesmo que tácito) políticos, Governo Regional à cabeça, permitiram que o processo de desenvolvimento de um canal de cariz regional, com um quadro de pessoal capaz e profissional, com equipamentos técnicos modernos e adequados, com instalações dignas e, sobretudo, com autonomia administrativa e financeira, fosse quase estrangulado pelos poderes centrais e boicotado por “interesses internos” comodamente instalados.
Apesar de tudo, louve-se a tenacidade quase inglória da actual equipa directiva, coadjuvada por alguns bons profissionais, que conseguiu arrancar com o portal Multimédia Açores, trazer novos equipamentos técnicos, como modernas câmaras para a informação, um novo estúdio ou começar com a Antena 3, em simultâneo com acções de formação para o pessoal. Para além disso, a RTP/A ascendeu ao 3º lugar como canal mais visto nos Açores, atrás da SIC e TVI, sendo que, por exemplo, em 2006, ocupava o 5º lugar. São dados para reflectir; são dados para nos incutir esperança quanto à viabilidade do canal regional.
Está, pois, na altura de abandonar quaisquer interesses particulares ou de mera táctica política, convergindo opiniões e acções que protejam o interesse regional. Expoente máximo da comunicação social regional, a RTP/Açores é de todos nós.
Consequentemente, parece congruente que se pugne por uma reformulação do conceito de serviço público, que se proceda a uma reorganização orgânica, afirmando-se o mérito como condição primordial do exercício da função laboral, que se criem condições para o aumento progressivo dos conteúdos, que se criem condições para que o Serviço Público Regional (rádio e televisão), além de se cimentar na Região, seja um meio de promoção dos Açores no exterior e um meio de aproximação às comunidades emigrantes.
Para tudo isto, é fundamental que à direcção regional sejam conferidos meios funcionais e financeiros e que aos profissionais sejam conferidas condições de trabalho dignas, afastando-se o opróbrio politico que lhes tolda as capacidades.
Tal desiderato só se alcançará com a criação do Serviço Público Regional de Multimédia, fundamental para o exercício da Autonomia. Palavra e acção aos políticos.
07 agosto 2011
ouvido num transporte público lisboeta
05 agosto 2011
03 agosto 2011
Sons do Verão '11
É estranho, mas esta banda já anda aí há vários anos e mesmo com este apelativo nome, para nós portugueses, nunca me chegou aos ouvidos. Auto-rotulados como de rock psicadélico, parecem-me, no entanto, mais elaborados e complexos que isso.
Interessante como a língua portuguesa influencia os nomes de algumas bandas. Assim de repente, recordo-me dos Rosa Mota e dos Tristeza.
29 julho 2011
Também são férias
27 julho 2011
A nomeação
21 julho 2011
18 julho 2011
Rally, turismo e cidadania
Significa isto que qualquer cidadão, para o bom exercício daquela, pode e deve questionar a administração da coisa publica, sempre que o entender e no livre exercício dos seus direitos, nas suas variadas acepções, sob pena de inocuidade, quanto aos ditos, e de vacuidade, quanto ao titular.
Ainda que as perguntas sejam eventualmente consideradas um disparate, qualquer cidadão tem o direito de saber como é gerido o erário público, sem que lhe seja apontado o estigma da idiotia.
Sendo certo que o País e a Região atravessam uma crise económica gravíssima, seria desleixo meu não pedir esclarecimento sobre a aplicação dos dinheiros públicos. Essa atitude mais não seria do que a demissão do direito de participação cívica activa. E, por muito incómodo que seja, todos temos o direito de pedir esclarecimentos e, acima de tudo, de ser devidamente esclarecidos.
O SATA Rally Açores não me incomoda. Pelo contrário, sou adepto. No entanto, não posso ser obtuso e omisso. Daí que, no mínimo, e enquanto contribuinte, tenha o direito de perguntar aos patrocinadores públicos quais os montantes totais financiados, qual o retorno esperado para a Região e para a SATA, face ao dispêndio, qual a política de financiamento preconizada para o futuro, atentos os resultados anteriores, assim como, porque recebe dinheiros públicos, tenha o direito de pedir ao clube organizador que preste contas. A isto, chama-se exercício activo da cidadania.
Numa altura em que a Região continua à procura da bússola do Turismo, afinal o fundamento último do elevado financiamento do rally, tenho o direito de perguntar sobre o que nos resta depois da injecção de capital e da (curta) exposição mediática. O turismo estruturado nos Açores não existe. O turismo açoriano vive de medidas avulsas, aleatórias e desfasadas no tempo (como esta última da captação tardia do turista nacional), procurando remediar problemas conjunturais, sem mostrar uma lógica sequencial. Para um leigo, como eu, e fazendo fé no que profissionais do sector disseram publicamente, mais parece que estes actos avulsos apenas contribuem para desbaratar, onerando os cofres regionais, sem qualquer retorno, por indefinição política.
Apesar de andarmos sem rei nem roque, alguns entusiastas ficaram abespinhados por terem sido levantadas estas questões. Preferirão o silêncio, eventualmente com receio de perder o rally. Eu também não o quero perder. Não obstante, quero, também, rigor nas contas públicas e quero, igualmente, clarificação das políticas de turismo e desportivas.
É assim tão incómodo? É assim tão difícil? Para mim, não, e, a julgar pelas palavras do presidente do Governo Regional, para ele também não. Por isso, porque esperamos?
Sinais dos Tempos
César vai reclamar a Passos Coelho que a receita da sobretaxa paga pelos Açorianos reverta para a "emergência social na Região".
1. Para se pedir mais, é necessário abandonar o discurso que tudo está bem nos Açores e reconhecer que há um problema grave nas contas públicas, logo, há o reconhecimento da situação de emergência social na Região.
2. Aos poucos vai-se sabendo o verdadeiro buraco em que o PS meteu os Açores.
16 julho 2011
Alguém viu o rally?
13 julho 2011
SATA Rally Açores. Que Futuro?
Esta semana corre-se na ilha de São Miguel mais uma edição do SATA Rally Açores, trazendo novamente até nós muitos dos melhores pilotos e máquinas da actualidade.
Como adepto incondicional desta modalidade, mas também como cidadão contribuinte, é com um misto de emoções que olho para o SATA. A minha veia de adepto dos rallys, constata que temos uma boa lista de inscritos, com muitos S2000 que garantem espectacularidade e, espero, portanto, competitividade e luta pelos primeiros lugares. No entanto, também do ponto de vista do adepto que há em mim, é com preocupação que vejo o constante decair da modalidade entre nós. Já lá vão os tempos em que tínhamos 60 ou mais concorrentes à partida da maior prova automobilística dos Açores. Sem dúvida que é um desporto extremamente dispendioso, pelo que não deve ser nada fácil montar toda a equipa necessária para se fazer o SATA. Acredito, aliás, que a larguíssima maioria das equipas açorianas perde muito dinheiro só para estar à partida.
Por outro lado, é também com muita preocupação que constato a total ausência de competitividade na modalidade nos Açores. Com efeito, e sem querer retirar qualquer mérito a ninguém, a verdade é que temos neste momento, nos Açores, o primeiro e os restantes. Eu, por exemplo, já raramente vou ver rallyes do regional, porque têm sempre um vencedor antecipado. Penso que era altura de se tomar alguma atitude para remediar esta situação, senão corre-se o real risco da modalidade simplesmente desaparecer entre nós. Como contribuinte, posso dizer que discordo do apoio de 85 mil euros que é concedido ao campeão regional de rallyes, com o intuito deste representar a região no nacional. Seria talvez mais justo repartir esse valor por mais equipas. Porque, o fundamental mesmo , neste momento, é reduzir o cada vez maior fosso entre o primeiro e os outros.
Sem qualquer tipo de saudosismo bacoco, diria que aqui há dez ou vinte anos atrás os rallys nos Açores eram verdadeiramente espectaculares. Além do facto que havia sempre, pelo menos, uma mão cheia de candidatos à vitória final, tínhamos também troços que se tornaram míticos. Todos nos lembramos da adrenalina ao ouvir os motores a descerem as Sete Cidades até chegarem até nós. Ou do fantástico troço do Faial da Terra. E mesmo o troço de Remédios, que apesar de ainda fazer parte do itinerário, já não é o que era. E, de facto, esta questão do desaparecimento dos nossos famosos troços de terra é algo que se deve pensar muito seriamente. Queremos, ou não, ter um bom e único rally em terra? Se sim, temos que proteger os nossos troços. Se não queremos, alcatroamos as estradas. Neste momento temos um “nim”. Ou seja, sim queremos um rally, mas não, não queremos manter os troços. É uma incoerência que não durará muito mais tempo. Mais tarde ou mais cedo, ou ficamos sem rally, ou passamos a proteger os troços.
Agora entra o lado frio de contribuinte. Coloco-me na pele dum cidadão açoriano que não tem qualquer interesse nesta modalidade. Será viável, neste momento de enorme crise em que vivemos, manter uma estrutura desta natureza? Sabemos que nós, contribuintes, através do governo regional, vamos entrar com um milhão de euros. Além disso há que contabilizar todo o apoio logístico que é dado pelo governo. E acima de tudo, o principal patrocinador da prova é a empresa de serviço público: SATA. Actualmente, a SATA está a praticar os preços mais caros que tenho memória para fora dos Açores. Regra geral, paga-se cerca de 320 euros para ir de Ponta Delgada a Lisboa e voltar. E vamos financiar uma corrida de carros durante 3 dias? Que retorno tem o SATA rally para a economia dos Açores? É esta a questão que queremos ver respondida.
O SATA rally é sintomático do problema estrutural que se vive nos Açores e em Portugal. Fomos habituados a ter um nível de vida que não corresponde à riqueza que produzimos. Daí que tenhamos que recorrer sempre ao empréstimo externo. Se demonstrarem cabalmente que, feitas as contas, o SATA dá lucro à região, sou o primeiro a apostar na sua manutenção. Mas, infelizmente, parece que neste momento o SATA é apenas mais uma megalomania de quem nos governa. E o buraco vai ficando cada vez mais fundo.
11 julho 2011
Dividocracia
O documentário "Dividocracia", transmitido ontem na SIC Notícias, sugere que os países sobre-endividados, como é o caso de Portugal ou da Grécia devem simplesmente não pagar. A tese é sustentada pelo conceito de "dívida odiosa", que data de 1927 e é da autoria do russo Alexander Nahum Sack e que se baseia no seguinte: "Quando um regime déspota contrai uma dívida, não para as necessidades ou interesses dum estado, mas em vez disso para reforço pessoal, para suprimir a inssureição popular, etc, esta dívida é odiosa para o povo e todo o estado. Esta dívida não obriga a nação... Os emprestadores cometeram um acto hostil contra o povo, e não podem esperar que a nação que se libertou de um regime déspota assuma tais dívidas odiosas, que são dívidas pessoais do antigo governante."
O documentário refere casos de outros países que usaram esse conceito e não pagaram a sua dívida externa: o Iraque, após a ditadura de Saddam Hussein e após sugestão e respectivo trabalho diplomático dos EUA e o Equador, que, como se sabe, tem reservas de petróleo.
Ora, na remota hipótese de nós conseguirmos "limpar" a dívida, não conseguimos, mesmo assim, resolver o problema estrutural do nosso país. O modelo que está implementado em Portugal, de saúde, de educação, etc., custa mais do que a riqueza que se produz. Um déficit constante. Logo, teríamos que recorrer novamente aos "mercados", mas desta vez certamente não nos emprestariam nada.
Fomos "convidados" a deixar de produzir bens de consumo. Caímos no engodo de receber fundos para não produzir. E remetemos a nossa economia para o sector terciário. Os nossos políticos têm que ser responsabilizados por isso.
10 julho 2011
A certeza da incerteza
05 julho 2011
Sinais de Medo
Estranhamente, ou talvez não, logo no dia seguinte o líder do PS-Açores surge na comunicação social, e em particular com especialíssimo relevo na RTP-Açores, a criticar gratuitamente a líder do PSD-Açores. Se há conclusão que se devia ter retirado das últimas eleições nacionais em que Passos Coelho ganhou e Sócrates perdeu, é que as pessoas estão fartas dos ataques pequeninos e gratuitos entre políticos. Já não fazem qualquer sentido, se é que alguma vez fizeram. Mais, acabam por denegrir, não só, a própria actividade política, que deveria ser nobre, mas também eles próprios, nomeadamente aquele que faz o ataque. Aparentemente César não aprendeu a lição com o seu camarada Sócrates e persiste nos mesmos erros. Os mesmos erros tanto a nível de governação, como ao nível do estilo de estar na política: o ataque pessoal ao adversário e o controle da comunicação social. Talvez porque não conhece outra forma de estar na política.
No Conselho Regional do PSD-Açores, Berta Cabral fez um diagnóstico sobre a situação actual nos Açores. Evidentemente criticou o estado de coisas. Mas com base em factos. Na verdade, o desemprego hoje nos Açores é o mais alto de sempre. As passagens aéreas para o continente são as mais caras de sempre. Temos uma dívida pública mais alta de sempre. São críticas válidas e com base em números reais. Para mais, Berta Cabral está a criticar a governação de César porque, de uma forma aberta e clara, é candidata à posição de Presidente do Governo Regional dos Açores. Não são, portanto, criticas gratuitas. São críticas de quem se apresenta como uma alternativa. É assim que funciona a Democracia.
Pelo contrário, César, no meio da indefinição sobre o seu futuro e sobre quem será o candidato do PS à Presidência do Governo em 2012, acaba por ficar sem argumentos. E é assim que recorre ao ataque pessoal, através de considerações que têm pouco de verdadeiras. Afirma o líder do PS Açores que quando Berta Cabral deixou o cargo de Secretária Regional das Finanças em 1996, os Açores estavam sem dinheiro. Em primeiro lugar é preciso dizer que a actual líder do PSD ocupou esse cargo durante um ano apenas. Mas ainda assim, e ao contrário do actual modelo socialista de esconder a verdade das contas públicas, a primeira medida que Berta Cabral tomou enquanto Secretária das Finanças foi a de clarificar e divulgar todas as contas da nossa Autonomia. É típico da actual Presidente da Câmara de Ponta Delgada. Transparência acima de tudo. Ficou-se, assim, a saber que em 1996 os Açores tinham uma dívida que rondava os 500 milhões de euros. Depois, como se sabe, César entrou para o governo em 1996 e num golpe eleitoralista, Guterres, então primeiro ministro, limpou a dívida pública dos Açores. Assim, a governação de César começou com zero de dívida pública. Hoje, estima-se (e estima-se porque o governo insiste em não ser transparente quanto às contras públicas) que a dívida pública dos Açores ascende aos 2 mil milhões de euros. Ou seja, de 1975 a 1996, acumulou-se 500 milhões de euros de dívida. De 1996 até hoje acumulou-se 2 mil milhões. E isto já para não falar do facto de todas as obras estruturais que foram feitas até 1996 e para não falar dos milhares de milhões de euros vindos da União Europeia a partir de meados dos anos 90. Para onde foi todo esse dinheiro nos últimos 16 anos? Será que tem alguma coisa que ver com o facto de se ter passado de 4 para mais de 50 empresas públicas e todos gestores e administradores que acarretam?
Estamos a um ano de termos eleições regionais. Em vez destes ataques gratuitos, devíamos era estar já a debater o preocupante futuro que nos espera. Mas para isso, era preciso o Partido Socialista definir-se e dizer como e com quem vai a jogo. Era essa a atitude digna e de respeito para com os Açorianos. Mas como se vê, o importante para César é denegrir a imagem dos seus adversários e manter o tabu de modo a manter o poder sobre as demasiadas clientelas que vivem do erário público. Longe das suas prioridades está o desenvolvimento dos Açores. As semelhanças com Sócrates são tantas e demais evidentes. De facto, César e Sócrates juntos conseguiram destruir um país e uma região.
30 junho 2011
Linda Martini
27 junho 2011
O Expresso continua Expresso
Não divagando, havia outro semanário, dito de referência (e assim se auto intitula ainda hoje), que qualificávamos como "cata-vento", por se resguardar numa alegada seriedade equidistante que apenas sublinhava a sua função regimental, quase renegando as causas da sua fundação.
Epítetos como "espesso" e "saco de plástico" tornaram-se na sua griffe.
No meu grupo de amigos, era também conhecido como o "haltere", por causa dos intelectuais e respectivos imitadores que carregavam aqueles quilos de papel, até à esplanada. Era peso que ficava bem a quem buscava a bica e status.
Era e representava aquilo que nós não éramos nem queríamos: um no pasa nada.
Parece que agora tem um novo estatuto editorial que, escudado numa qualquer subjectiva excepcionalidade, quer transformar as notícias em não-notícias.
Parece, portanto, que continua a ser um longo bocejo social.
Fiel à não compra, parece que não tenho perdido nada ao longo destes anos.
Longa vida ao Expresso!
24 junho 2011
Viajar em Económica
O problema é que esse processo de gestão de conflito interno por que a esquerda socialista passou, afectou directamente a vida de todos os portugueses. Porque, por um lado os governos do PS tiveram que cumprir os objectivos impostos pela União Europeia e competir no mundo globalizado, mas por outro mantiveram-se fieis aos seus princípios de um Estado controleiro e omnipresente. Esta dualidade contraditória afectou fatalmente a gestão das contas públicas do país, porque o Estadão sem o qual a Esquerda socialista não sabe viver, não é compatível com o modelo de desenvolvimento que se exige na actualidade.
A tomada de posse do governo liderado por Pedro Passos Coelho é pois um primeiro sinal duma mudança necessária. Um governo desde logo emagrecido, com menos ministérios do que antes. Os exemplos têm que vir de cima, e o plano de emagrecimento do Estado tinha que começar mesmo pelo próprio governo. Depois, trata-se dum governo que integra personalidades com provas dadas em organismos como a Comissão Europeia, ou o Banco Central Europeu. Um trunfo importante neste momento em que temos que lidar com a troyka. E há ainda um dado, que apesar de parecer de somenos, poderá vir a revelar-se muito importante: trata-se dum governo jovem, com pessoas novas, despojadas já dos velhinhos complexos do pós 25 de Abril.
Existem actualmente em Portugal 3 formas de olhar a governação: por um lado temos a velhinha esquerda, do PC e do Bloco, que está em total estado de negação com o que se passa no resto do mundo, como se viu, aliás, ao absterem-se em negociar com a troyka. Depois há o modelo do PSD e do CDS que entende e aceita o mundo globalizado em que vivemos. Um modelo que protege os menos afortunados, ao mesmo tempo que beneficia o mérito. E depois há o não modelo do Partido Socialista que tem como objectivo apenas e só o poder. Para tal, cria um governo pesado que se inclui em todas as áreas da sociedade de modo a criar uma falsa e ameaçadora presença. Este não modelo socialista levou Portugal à beira do colapso financeiro e este não modelo socialista está a levar os Açores pelo mesmo caminho.
21 junho 2011
Quando outros valores se alevantam
Para os acocorados, o facto de ser o amantíssimo adepto a dar um czariano chuto nas nádegas do clubismo, ao contrário do mouro, e não adepto, Mourinho, que ficou mais um ano, é irrelevante. Dirão que será um bom negócio e, mais, é previsível que a seguir venham dizer que até já estava previsto, dada a acutilância e perspicácia da parda eminência.
Lembrando José Régio, bastamente declamado quando é preciso entreter a malta, Villas-Boas depositou-lhe um “só sei que não vou por aí”, com a mesma frieza com que serviram a Álvaro de Campos tripas à moda do Porto frias e, como todos sabem, estas não se servem frias, mas foram servidas frias. Siberianamente frias.
20 junho 2011
15 junho 2011
O Benfica ainda é Benfica?
Apesar das dificuldades atrás apontadas, todas elas bastas e racionais, mas que um bom benfiquista tenta sempre superar, a dúvida persiste mais por razões vieiristas. A descendência, que desde pequenina frequenta a Catedral e se habituou a respeitar o Manto Sagrado e que na próxima época irá usufruir do dito lugar, está renitente, por causa do despedimento sumário e anti-benfiquista (sic) do capitão Nuno Gomes, do qual era incondicional fã e que considerava o último esteio de ligação à mística benfiquista.
Alega ela, em resumo, que atitudes como esta são a primeira motivação para os adversários do Benfica e que a mística se transmite pela paixão, pela vivência e pela convivência entre jogadores e adeptos, dos mais velhos para os mais novos, numa corrente infindável, coisas que o senhor Vieira ainda não terá percebido.
Perante a argumentação, quem sou eu para objectar? Mal por mal, ainda haverá mais uns dias para reflectir.
11 junho 2011
Os "cristãos-Molaflex" movimentam-se
Os "cristãos-novos" começaram a movimentar-se, iniciando uma caminhada na fé descoberta recentemente, num atalho de Santiago, por prognose póstuma.
Os "cristãos-velhos", aqueles que costumam aparecer com ar beato nas missas em que está presente o bispo ou nas procissões em que alguém lhes apõe uma opa de destaque, sem vergonha, começaram a pregar aos próprios fiéis a fé que, anteriormente, estava expectante na esquina da memória.
Até aqui, convenientemente, tinham-se esquecido de que a fé só será conhecida se apregoada e que a mesma só se dilatará com sacrifício, batendo humildemente porta a porta, escutando os argumentos contrários e apresentando os próprios.
A partir de agora, reclamarão e centrarão em si, ignobilmente, as conversões que outros, anónima e activamente, abençoaram, sem medo nem calculismo, assentes na convicção da verdade.
A partir de agora, pomposamente, frequentarão assiduamente a igreja e cantarão hinos de alegria, sentados nos bancos mais próximos do altar, quando deveriam recolher à cela do convento, fazendo votos de silêncio e de isolamento.
Quando acreditamos, o rosto, a mão ou a palavra oferecem-se sempre, sobretudo nos tempos incertos e árduos.
Está, pois, a decisão soberana na hierarquia que, como bem sabe, se ficar à espera destes "cristãos", não haverá fé, nem império, nem almas: só "molaflex" ao sabor da incerteza conjuntural.
Esta semana tem sido uma graça. A dignidade do resto será confirmado pelo tempo.
08 junho 2011
Milagre do Messias
Nas reacções aos resultados das eleições de domingo, destaco Berto Messias. Diz que o “PSD ganhou e o PS perdeu” (La Palisse dê licença, porque chegou alguém para lhe tirar o lugar). Mas adiante. Para o líder parlamentar do PS, o “PSD beneficiou claramente do voto punitivo no governo da República, obrigado a tomar medidas necessárias, mas de grande contestação social” Agora, Berto elogia Sócrates: foi “um aliado da Autonomia e dos Açores” e é “inquestionável o seu empenho e determinação em questões centrais para a Região”. E remata Messias dizendo que “fazer extrapolações é passar um atestado de incapacidade aos eleitores”.
Ok, tem direito à sua opinião. Mas vejamos, então se Sócrates foi esse grande amigo da Autonomia e dos Açores, porque razão a diferença entre PS e PSD foi de 10% a nível nacional e de 22% nos Açores? Se o Berto nos dissesse que a governação de Sócrates foi má para os Açores, ficava justificada diferença de resultados. Mas se ele acha que foi boa para os Açores?!? Como justifica essa enorme diferença? Afinal quem está a passar “atestados de incapacidade aos eleitores” açorianos?
07 junho 2011
Legislativas 2011 - Da Derrota de Sócrates à Derrota de César.
Os portugueses foram chamados a escolher o seu novo primeiro ministro e não tiveram dúvidas: deram o cartão vermelho a José Sócrates e ao PS e confiaram o seu futuro a Pedro Passos Coelho e ao PSD. Nos Açores o resultado foi ainda mais expressivo, o que nos leva a acreditar que para os açorianos, há mais razões para não votar no PS e mais razões para votar no PSD. A nível nacional o PSD obteve 38% dos votos, nos Açores obteve 47%. Por outro lado, o PS conseguiu 28% dos votos a nível nacional, mas nos Açores conseguiu apenas 25%.Além do mais, assistiu-se, novamente, a um fortíssimo envolvimento de Carlos César na campanha eleitoral, tal como tinha acontecido nas Presidenciais, quando era o principal apoio de Manuel Alegre. Ou seja, nem mesmo César e toda a sua máquina governativa e as respectivas visitas estatutárias a várias ilhas nos dias que antecederam às eleições, com inaugurações para todos os gostos, serviram para convencer os eleitores. Os Açorianos não têm mais razões de queixa de Sócrates que os continentais, aliás, segundo os próprios socialistas, pelo contrário até. A primeira e mais clara conclusão a retirar dos resultados de domingo é, portanto, que os Açorianos votaram, também, contra César e a favor do PSD-Açores.
A nível nacional estamos a assistir a uma mudança de paradigma. O PSD de Pedro Passos Coelho compreendeu que os portugueses estão fartos da política gastadora, de engano e amiguismo que tem vindo a ser implementada pelo PS nos últimos anos. Deste modo, Passos Coelho decidiu, e bem, avançar para uma campanha de verdade. Partiu do princípio que a democracia portuguesa já está madura o suficiente para se poderem explicar os problemas estruturais do país sem receios de nenhuma espécie e avançar com as soluções, por muito duras que possam parecer. Pelo contrário, o PS de José Sócrates fez exactamente o oposto: pintou sempre um cenário cor-de-rosa do país, nunca reconheceu que tinha errado e que Portugal estava num caminho de crescimento. Só perante as evidências da eminente bancarrota em que o país se encontrava, com a entrada do FMI, é que Sócrates admitiu, relutantemente porém, que existiam problemas graves. Mas já foi tarde. E foi exactamente essa cultura de mentira e de engano que os portugueses souberam reconhecer e penalizar nas eleições do passado dia 5 de Junho.
Nos Açores, o PS de Carlos César seguem na linha que levou Sócrates ao seu fim. Continuamente ouvimos o Presidente e todos membros governo nos dizerem que está tudo bem, que não temos problemas de desemprego, de pobreza, nem de crescimento económico. Mas não é isso que as pessoas sentem nas suas vidas diárias. Pelo contrário, sentimos e sabemos que existem problemas graves na sociedade açoriana. Principalmente ao nível das políticas de trabalho. E receamos que com o aumento do desemprego, aumente a criminalidade. Cabe à oposição, nomeadamente ao PSD demonstrar, sem receios, que a situação nos Açores não é boa, que temos um problema grave de criação de riqueza e cabe ao PSD apresentar uma alternativa credível de governação. E desde logo na certeza que o caminho não será fácil: o tempo do governo regional ser a entidade empregadora da maioria dos Açorianos terá de acabar.
O PS e César, pelo contrário, insistem na sua velha táctica: a única que conhecem e que nos trouxe a esta situação de desgraça financeira: é o governo que dá emprego e que é o centro da economia açoriana. Conseguem, assim, calar algumas vozes incómodas. Deixar a população à fome deve ser uma grande tentação, porque depois fica-se com um enorme ascendente, bastando para tal dar emprego. De resto, o PS de César prefere fazer de conta que não se passa nada. Na verdade, até temos que lhes dar um desconto, porque para eles, efectivamente, esses problemas passam-lhes ao lado. Vivem bem e com remunerações compensatórias. Mas os resultados de domingo passado confirmam a velha expressão: pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo, pode-se enganar algumas pessoas sempre, mas não se pode enganar todas as pessoas sempre.
03 junho 2011
Delenda Socrates!
Este espectro tem um rosto: José Sócrates, o líder do mais incompetente governo de que há memória, filho da decrépita, calamitosa e ditatorial I República.
A 5 de Junho, compete-nos acabar com isto!
A 5 de Junho, compete-nos restaurar o respeito mútuo, enquanto cidadãos.
A 5 de Junho, compete-nos restaurar a credibilidade nacional.
A 5 de Junho, compete-nos restaurar a verdade e as boas práticas ético-sociais e morais.
A 5 de Junho, compete-nos restaurar a confiança externa.
A 5 de Junho, compete-nos mudar a História do País, jamais olvidando o passado.
A 5 de Junho, compete-nos expulsar os vendilhões do templo.
A 5 de Junho, votando, seremos milhões para afastar a senectude governativa.
Se assim for, a 6 de Junho acordaremos com a certeza de termos eleito um novo governo ao qual poderemos pedir contas, no Bem e no Mal, nos próximos 4 anos, sem noite do segredo.
Por um governo forte, por um governo credível, por um governo capaz, pela sobrevivência nacional, se orgulho ainda temos, delenda Sócrates!





