27 novembro 2011
O lado certo do Homem
22 novembro 2011
Trabalho, precisa-se.
O Presidente do Governo regional diz que os responsáveis pelo desemprego nos Açores são entidades externas. A culpa nunca é dele, apesar de ele ser o Presidente do governo regional, entidade responsável pelas políticas de emprego na região. É claro que César já não engana ninguém com esse discurso, nem sequer os próprios militantes socialistas. A culpa é essencialmente do governo regional.
O aumento do desemprego nos Açores é também, é certo, resultado da crise internacional que vivemos, mas é essencialmente resultado de políticas erradas e avulsas do governo regional liderado por Carlos César e Vasco Cordeiro. Destes quase 16 anos de poder, os governos socialistas só conseguiram fazer obra de betão e cimento. Nunca souberam dar respostas em áreas estruturantes, mas com pouca visibilidade a curto prazo, como a Educação ou a competitividade empresarial do sector privado. Preocuparam-se, essencialmente, com políticas viradas para o eleitoralismo.
Mas há soluções. Desde logo, mudar o governo socialista de César e Vasco Cordeiro. É que este governo tem medo da própria sombra. Tem medo de tudo que não possa controlar, por isso prefere ter uma sociedade privada fraquinha e de mão estendida e dependente de apoios públicos. Por isso, as primeiras medidas de um novo governo dos Açores deverão ser para fortalecer o sector privado, para que fique pujante e forte, capaz de gerar riqueza e emprego. Sem receios de nenhuma espécie. Temos que tirar do sector público para devolver ao sector privado. É que, segundo o Orçamento da região para 2011, 45% destina-se a cobrir as despesas de funcionamento e 22% destina-se a garantir as despesas com pessoal. Ou seja, a máquina governativa nos Açores é grande, grande demais, e não cria riqueza, só consome.
Há também que repensar a educação nos Açores. Nós não queremos formação profissional para encher ou ocupar as pessoas, nós queremos formação profissional direccionada às necessidades que a nossa região tem. No mesmo sentido o papel da nossa Universidade. Não queremos cursos e mais cursos apenas para termos altos números de licenciados, que depois acabam no desemprego. Queremos sim cursos e licenciados em áreas que importem e direccionadas à criação de riqueza. E antes de tudo isso, fazer um verdadeiro levantamento, uma verdadeira auditoria da real situação dos Açores. Porque, receamos que este governo não nos diz tudo. Não queremos saber apenas as coisas básicas, como o real tamanho da nossa dívida. Queremos saber o quê importamos. Queremos saber se importamos, por exemplo, produtos hortícolas que podíamos ser nós próprios açorianos a produzir. Se me disserem que há 20 anos os Açores eram auto-suficientes em diversos produtos, como a batata ou a fava e hoje somos dependentes de importações, então há aí espaço para se criar emprego e riqueza a favor dos Açores.
Os Açores têm uma história que mostra sermos pessoas capazes de suster adversidades, somos resistentes, somos inventivos, somos, enfim, pessoas aptas. Além disso, temos recursos naturais únicos que devemos aproveitar em nosso favor e não, como faz o governo de César, os destruir. No mundo globalizado em que vivemos estas são mais-valias fundamentais que temos que aproveitar. O governo de César e Vasco Cordeiro fez, de facto, obras importantes para o desenvolvimento da região. Mas chegou ao fim da linha! Está a cair de podre de estar muitos anos seguidos no poder. Só pensam em si e em serem reeleitos. Não têm visão de futuro. Por isso, precisamos de pessoas novas, com abordagens diferentes e soluções políticas novas que nos tirem desta espiral de pobreza em que estamos cada vez mais metidos.
21 novembro 2011
Sobre o exercício do poder
Para os primeiros, quem vem atrás que arrume a casa e feche a porta, se casa ainda houver, que depois lá estarão eles novamente prontos para as quimeras.
20 novembro 2011
17 novembro 2011
Que feriados eliminar?
a) 25 de Abril e 05 de Outubro 1910
b) 25 de Abril, 01 de Maio e 05 Outubro 1910
c) 25 de Abril, criando-se 25 de Novembro
d) 05 de Outubro 1910, criando-se 05 de Outubro de 1143
e) 25 de Abril e 05 Outubro 1910, criando-se 25 Novembro e 05 Outubro 1143
f) Todos
g) Todos os civis
h) Todos os religiosos
i) Nenhuns
j) Nenhuns, criando-se 25 de Novembro
k) Outros
l) É pá, o Otelo decide pois a batalha da produção e o Campo Pequeno são já ali
16 novembro 2011
Da Autonomia da RTP-Açores
de 22 de Agosto
Lei da Televisão
"(...) Artigo 50.º
...
3 - O capital da sociedade referida no n.º 1 será maioritariamente detido pela respectiva Região
autónoma e pela Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, S. A., podendo nela participar outras
entidades públicas ou privadas.(...)"
Foram divulgadas as conclusões do grupo de trabalho liderado por João Duque, relativamente ao futuro do serviço público de televisão e rádio em Portugal. Das várias recomendações, interessa-nos as que se referem aos Açores, que vêm emparelhadas com a Madeira, já num claro sinal de centralismo, naquela já conhecida mania de meter tudo no mesmo saco. Diz então o relatório que os dois centros já cumpriram a sua missão histórica de afirmação das autonomias e de ligação entre si e ao Continente. Afirma, no entanto, que essa missão está acabada, uma vez que existe a tendência para os poderes políticos das regiões tornarem cativos os canais.
Em português corrente, o grupo de trabalho, entre uma condescendente palmadinha nas costas, diz que a RTP-Açores é para fechar, porque já não faz sentido a sua existência e porque é alvo de instrumentalização por parte do governo regional.
Só quem não conhece a nossa realidade arquipelágica é que pode afirmar que o papel da RTP-Açores está acabado. Obviamente que não está. O serviço público de televisão nos Açores tem ainda um papel fundamental a desempenhar no nosso desenvolvimento. Aliás, tal como a nossa Autonomia, a RTP-Açores está agora no começo. Durante anos Lisboa impediu-nos de construir e de cimentar a nossa unidade açoriana, sempre numa lógica de dividir para reinar e assente numa política de aperto económico. Com o advento da Autonomia os Açorianos finalmente uniram-se em redor dum projecto comum. Neste contexto, e porque a Autonomia jamais estará acabada, a RTP-Açores continua a ser essencial.
No entanto, apesar da RTP-Açores ter ajudado a construir a Autonomia, não é, ela própria, autónoma, nem, tão pouco, faz parte do pacote que constitui a Autonomia. Porque ser-se autónomo é ter-se a capacidade de decidir e gerir sobre aquilo que nos diz respeito, como melhor entendermos. E como agora se vê, os açorianos estão arredados do processo de decisão sobre o futuro da sua televisão. E isso acontece por uma simples razão: não somos nós, Açorianos, através do nosso governo próprio, que financiamos a RTP-Açores. Se queremos decidir como será o serviço público regional de televisão, temos que assegurar, também, o seu financiamento. E neste contexto não podemos deixar de apontar alguma incoerências graves ao governo regional que, aliás, contribuíram e muito para que se tivesse chegado a esta situação.
O governo regional socialista, talvez numa lógica de luta partidária, recusa-se a entrar no financiamento da RTP-Açores, permitindo este triste processo de empobrecimento a que aquela instituição tem sido votada. No entanto, o governo regional já deu um financiamento de 450 mil euros à RTP-Açores para fazer face aos cortes de Lisboa. Mas é preciso mais. Ora, para um governo que gasta milhões diariamente, em coisas que não têm nenhum retorno para os Açores, como um site na internet que custou já mais de um milhão de euros, seria aceitável investir mais na nossa televisão regional, que nos presta um serviço essencial. Além disso, o próprio César já disse que é favor que o governo regional intervenha em empresas privadas para salvaguardar os respectivos postos de trabalho. Se o governo interveio, por exemplo na conserveira Santa Catarina com mais de 30 milhões de euros, porque não fazer o mesmo na RTP-Açores, garantindo, por um lado, os postos de trabalho que são fundamentais ao seu funcionamento e, por outro, a manutenção dum serviço que é indispensável para os Açorianos?
O serviço de televisão nos Açores é capital para a nossa região. O seu futuro deve passar, porém, por uma grande reestruturação a todos os níveis. Desde o espaço físico, que já deveria estar todo centralizado no actual edifício da rádio em Ponta Delgada, até aos equipamentos que são obsoletos e desactualizados pesando na factura final do serviço, passando, evidentemente, por uma redefinição dos recursos humanos, numa lógica de se assegurar uma correcta relação vencimento/produtividade, tudo isto com o objectivo final de termos um serviço público de televisão e rádio eficaz e ajustado à nossa realidade. Em relação ao financiamento, a nova RTP-Açores deverá ser detida maioritariamente pelo governo regional, mas com possibilidade de participação de outras entidades publicas ou privadas regionais. Deve ser financeiramente autónoma e independente para não estar à mercê das tendências controleiras de quem estiver no poder.
15 novembro 2011
Declaração de não voto
Assim sendo, solicito aos meus "amigos" socialistas no Facebook e aos meus amigos socialistas que também são meus "amigos" no Facebook que se abstenham de associar o meu nome a uma qualquer lista de apoio ao indigitado supra identificado.
Saudações democráticas
14 novembro 2011
13 novembro 2011
08 novembro 2011
Para onde vão os subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos açorianos»
Mas nos Açores a situação não tem que ser necessariamente a mesma. É que os ordenados da função pública açoriana são pagos pelo Orçamento da região. Assim, se o governo regional entender cortar os subsídios de férias e Natal aos funcionários públicos açorianos, esse dinheiro não irá para o tal esforço nacional, razão única pela qual se vão retirar os subsídios. Não, no caso dos açorianos, os seus subsídios irão direitinhos para os cofres do governo de Carlos César. É verdade que para 2012, Lisboa vai cortar cerca de 15 milhões de euros nas transferências para os Açores, no âmbito da Lei de Finanças Regionais. Mas, segundo os valores oficiais, a retenção de dois subsídios de todos os funcionários públicos açorianos representa qualquer coisa como 42 milhões de euros. Ou seja, o governo de César perde 15 para o esforço nacional mas ganha 42 milhões saídos directamente dos bolsos dos funcionários públicos açorianos.
Além disso, o governo regional dos Açores vai também ver os seus cofres engordar e muito com os aumentos de impostos. Como sabemos todos os impostos colectados aqui nos Açores ficam aqui, no âmbito da nossa Autonomia. Serão vários milhões a saírem dos bolsos dos açorianos para o governo regional.
Carlos César e o Secretário da Economia Vasco Cordeiro devem estar a esfregar as mãos de contentes com entrada de todo esse dinheiro, ainda por cima nem tiveram que tomar as medidas duras. É só lucro. Claro que vão utilizar essas verbas extraordinárias em eleitoralismo com vista às regionais de 2012. Aliás, o próprio César já disse que governo vai usar esse dinheiro extra “para consolidar as contas da região, ajudar empresas e as famílias mais carenciadas”. Mas se traduzirmos isso para a realidade temos que:
• consolidar as contas da região significa permitir que as mega endividadas empresas públicas sobrevivam pelo menos até depois de 2012
• ajudar as empresas significa fazer mais obra de cimento e betão de utilidade duvidosa, para aparecer na tv a cortar a fitinha, utilizando para o efeito as empresas do costume que ganham sempre misteriosamente todos os ajustes directos e concursos públicos
• e ajudar as famílias mais carenciadas significa que se vai conseguir manter as prestações sociais, como o RSI e subsídio de desemprego também até 2012.
Ou seja, como sempre, o importante é manter as aparências até às eleições e depois, há-de se ver. É a escola de Sócrates, no seu pior, sem tirar nem pôr.
Ora, não seria muito mais produtivo e positivo para a sociedade se o governo regional deixasse algum desse dinheiro com as pessoas, com as famílias? Em vez de encaixar os 42 milhões dos dois subsídios, não poderia, talvez, reter apenas um dos subsídios e deixar o outro para as pessoas? É que retendo um, o governo regional já encaixaria 21 milhões de euros, que chegaria e sobrava para cobrir o corte de 15 milhões que Lisboa impôs. Assim, sempre se minimizariam os tais efeitos recessivos em cascata que já sabemos irão acontecer no continente. Mas obviamente não se espera que um governo como o de Carlos César e de Vasco Cordeiro faça uma coisa dessas. Para esses políticos do passado, que têm a escola de quererem o poder todo para si e que gostam é de terem as populações a andarem atrás deles a mendigar, sejam as empresas a pedirem trabalho, sejam as pessoas a pedirem apoios, para esses políticos a tentação de ficar com esse encaixe extra é demasiada para ser ignorada.
Se os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos açorianos não vão entrar no esforço nacional de salvação do país, então que se chegue aqui a uma solução de compromisso. Que não seja o governo regional a ser sempre o elemento central de toda a economia. Esta sovietização da sociedade açoriana já basta. Temos um governo omnipresente e omnipotente que castra qualquer possibilidade de empreendedorismo privado. Que haja coragem política e se deixe serem as pessoas e as empresas privadas a gerarem riqueza e a dinamizarem a economia e a sociedade.
07 novembro 2011
06 novembro 2011
La piovra
Um polvo não pode ter asas. Claro que não! Tem tentáculos, e bem grandes, como ainda hoje vi!
02 novembro 2011
Será a SATA o lobo mau?
Estes são os preços praticados pela SATA quando há concorrência (a preto, comparada com outra companhia aérea, a vermelho) ou quando se trata de pôr os açorianos no "ar" (a verde), abstendo-me, neste particular, de qualificar o tipo de mercado. Sintomático, não é?P.S. - Imagem "roubada" ao Jorge Almada Macedo
30 outubro 2011
Era uma vez...
"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... mas a actuação de um caçador evitou a tragédia"
JORNAL DA NOITE - SIC
"Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz! O Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"
JORNAL NACIONAL - TVI
"... onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma verdadeira lambada na cara da actual governação portuguesa."
Entretanto manifeste a sua opinião e ligue para:707696901 se acha que a culpa é do lobo (0.60€+Iva)707696902 se acha que a culpa é do capuchinho (0.60€+IVA)707696903 se acha que a culpa é do governo (0.60€+IVA)
CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"
JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"
MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"
A BOLA
"Lobo será reforço de inverno na Luz"
O JOGO
"Pinto da Costa desmente contactos prévios com o Lobo"
RECORD
"Nem o Lobo assusta os leões !"
LUX
"Na cama com o lobo e a avó"
EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador".Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentaresdos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foidevorada e depois salva pelo lenhador.
PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"
O CRIME
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"
CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:Na banheira de hidromassagem,
Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."
MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:"Veja o que só o lobo viu"
SOL
"Gravações revelam que lobo foi assessor político de grande influência no governo Sócrates"
AVANTE
"Capuchinhos vermelhos de todos os países UNI-VOS!"
BOM DIA AÇORES
"Numa altura em que estava sossegado na sua toca, um lobo foi provocado por uma menina, o que o levou a reagir, com alguma violência, em legítima defesa. Já ninguém pode estar sossegado em sua casa porque até aí os os arruaceiros aparecem e ninguém faz nada. Segundo os vizinhos, a polícia só apareceu ao fim de duas horas e não quis tomar conta da ocorrência. Depois, admiram-se que se faça justiça pelas próprias mãos."
27 outubro 2011
Expulsar os Vendilhões do Templo
E porquê?
Do ponto de vista estritamente factual, os países mais afectados pela crise estão a pagar formas de governação irresponsável. Sobrecarregaram as despesas do Estado, em nome de interesses eleitoralistas e de proteccionismo partidário. Entrou-se numa espiral de gastos desmedidos e, pior, incentivou-se o novo-riquismo consumista na população. São estas a principais razões que estão, aliás, altamente comentadas e explicadas.
A verdade é que hoje, não só Portugal, mas vários países da Europa, e não só, estão enterrados numa dívida soberana que castra qualquer possibilidade de crescimento e que vai ser paga pelos cidadãos. No caso de Portugal, por exemplo, contraímos um enorme empréstimo à troyka porque de outra forma não teríamos capacidade de continuar a funcionar como país.
Acredito que fomos enganados, mas também nos deixamos enganar. Não com este empréstimo, em particular, mas com o crédito fácil, em geral. Todos nós, desde a família, à empresa, até ao Estado, sabíamos que a espiral de crédito teria de ser paga eventualmente, mas continuamos, porque decidimos enveredar pelo “depois há-de se ver”. Caímos em tentação. Nas sombras, alguém esfregava as mãos de contente ao assistir ao nosso irresponsável comportamento, na certeza que o “depois” chegaria e o pagamento seria com juros.
O “depois” é agora.
Que sociedade é esta? Estes empréstimos, o de Portugal e todos os outros, são pagos com juros. Alguém vai lucrar com a desgraça em que vamos cair a partir de agora. Vivemos num mundo em que pequeníssimas minorias, frias e maquiavélicas, fazem planos e longo prazo para explorar as fraquezas humanas de populações inteiras, em nome de lucros. Mas a História já nos mostrou, vezes sem conta, que as populações só permitem ser exploradas até certo ponto. Depois revoltam-se, tudo é destruído, cometem-se atrocidades inenarráveis e começa-se do zero. Cada vez mais, acredito nesta possibilidade.
Mas há que dar crédito a alguma classe política que tentou criar mecanismos para evitar a repetição destes abusos de fortes sobre fracos. Mas a globalização do poder económico, não foi acompanhada por uma globalização do poder político. Cada poder político está circunscrito às fronteiras de cada país. Na melhor das hipóteses existem casos como a UE, em que se tentou criar um poder político continental. Mas se nem na Europa conseguimos, haverá alguma hipótese de criar um poder político a nível mundial que possa regular, legislar e, a ser necessário, condenar? Não, porque o poder económico global divide para reinar, como se vê com as Merkel e os Sarkozy deste mundo.
Para se manter paz social, é necessário que as populações tenham os mínimos para vidas relativamente confortáveis. Mas hoje, no século XXI, com a internet, as lojas, as roupas, os carros, os telemóveis, as televisões, os móveis, as casas, os apartamentos, as consolas, os computadores, as viagens, etc., o mínimo sai caro.
Ou o poder económico cede, ou os indignados passam de marcha a revolta.
23 outubro 2011
22 outubro 2011
19 outubro 2011
César rabo-de-palha?! Huum!...
" Não gosto de Carlos César. Não porque é socialista, mas porque é um político socialista típico, com aquele seu palavreado falacioso e moralista, sempre pronto a atribuir a terceiros vícios próprios. Se Cavaco tem sido um "presidente partidário", como qualificar Sampaio e a "estratégia" que desembocou na sua bomba atómica? Ou Soares e as "subtilezas" com que boicotou o seu Primeiro Ministro? Por outro lado, é verdade que não conheço a obra de Carlos César como conheço a de Jardim - presumindo eu que o continente "subsidie" igualmente ambas as regiões. Mas uma coisa sei: é que o socialismo de Carlos César não bastou para arrancar Rabo de Peixe do lodaçal de miséria em que vive esta que é, desde há muitos anos, a mais pobre freguesia do nosso país. Para que bandas das Ilhas se terá voltado o olhar socialista de Carlos César? "
E um comentário:
De Rui Crull Tabosa a 16 de Outubro de 2011 às 19:41
Cara Luísa,
Meteu dó aquela entrevista.
Desde Eanes, que gravava as reuniões semanais com Balsemão e resolveu, ainda em Belém, parocinar um partido político - o PRD - até Soares com o congresso ?portugal, que Futuro?' e o 'direito à indignação' - tão actual, agora -, passando por Sampaio com a dissolução do parlamento em 2004, havendo então uma maioria política que não se desagregara ou o anúncio do veto de diplomas antes mesmo de o Governo as aprovar, como sucedeu com as taxas moderadoras na Saúde...., enfim, um rol de activismo político-partidário mas que nada dizem ao soba dos Açores. O tal cuja mulher derreteu 25 mil euros dos contribuintes em cinco dias com dois boys no Canadá em viagem oficial...
Não vale a pena, que o sujeito é um desavergonhado.
Agora, comento eu:
O que acima se mostra, é um exemplo do que se pensa de Carlos César no continente português, ainda que vá tendo a sorte de ser ofuscado por AJ Jardim. Carlos César deixa o governo da RAA por razões várias, mas, entre elas, não será despiciendo dizer-se que, de facto, juridicamente não poderia ser presidente do governo regional; em segundo lugar, também não é de desprezar a ideia de que, com a bancarrota socialista em Portugal, financeira e política, as contas da RAA serão bem melhor escrutinadas (e, então, veremos como de facto estão); em terceiro lugar, e como consequência, Carlos César não sabe (ou terá receio de) governar em contenção orçamental; em quarto lugar, também não é de desprezar a forte possibilidade de César sair derrotado nas eleições de 2012, suprema humilhação; em quinto lugar, deverá considerar-se que Carlos César tem outro tipo de ambições pessoais a nível político, que não a RAA.
Contudo, ao contrário do que começou a espalhar o coro laudatório, qual vulga coorte, César não tem (só) ambições presidenciais. Reduzi-lo a essa possibilidade, é um insulto para ele, coisa que o afã lambuzante não percebeu.
Com alguma segurança, o que poderá afirmar-se é que César, neste momento, não é candidato a nada em específico. Pelo contrário, Carlos César é candidato a tudo. E esse tudo, dependerá do que o tempo e a circunstância concretos ditarem. Poderá não dar em nada, mas não o menosprezem tão levianamente, ainda que a curto prazo se vá refugiar no patrocínio delfinário, única coisa que temos como certa.
18 outubro 2011
Da governação criminosa aos cortes nos subsídios

É necessário olhar de duas formas distintas para o momento em que nos encontramos. Por um lado é essencial olhar para o passado e ver os erros que foram cometidos, de forma a se evitar que se repita. E é preciso olhar para o futuro, de forma a que estas fortes restrições que nos estão a ser impostas, funcionem duma vez por todas.
Olhando para o passado, fica claro que existem responsabilidades de alguns governos e de algumas pessoas em particular. Sócrates desde logo. Houve outros governos e outros primeiros-ministros que aumentaram a dívida, sem dúvida, mas fizeram-no noutras conjunturas em que era ainda possível seguir o caminho do endividamento, desde que acompanhado dum aumento da economia e dum melhoramento das condições de vida. Com Sócrates a questão foi diferente. Sócrates viu Portugal à beira dum precipício e avançou, qual louco, para a queda. O que José Sócrates fez a este país só pode ser qualificado de criminoso. Ele construiu uma série de infra-estruturas megalómanas totalmente desnecessárias, com base em parcerias público privadas, para beneficiar algumas partes. E mais não fez porque felizmente foi parado a tempo. Neste contexto, defendo que se deveria alterar a lei de forma ser possível acusar criminalmente os nossos políticos. Porque há efectivamente um sentido de impunidade na classe política, que ficou claríssimo com Sócrates. Sentem que podem fazer o que quiserem, que na pior das hipóteses perderão apenas o poder. Se pesasse sobre a cabeça dum decisor político a hipótese de ir parar à cadeia, estou certo que não estávamos onde estamos.
Olhemos então para o futuro e para o efeito que terão estas duras medidas no nosso país. Eu quero acreditar que Passos Coelho e Vítor Gaspar fizeram bem as contas e que este processo de cura será suficiente. Mas, enquanto leigo na matéria, acho que talvez se pudesse ter feito a coisa de outra forma. Porque retirar os subsídios de Natal e férias aos funcionários públicos resultará numa redução no consumo, com os efeitos conhecidos: desde logo o aumento do desemprego e diminuição das receitas fiscais por parte do Estado. Ou seja, parece-me que o governo de Passos Coelho não vai ganhar tanto como esperava e até pode vir a gastar mais. Além disso, há ainda muitas gorduras no Estado que deviam ser cortadas, antes de se chegar aos subsídios de férias e Natal. Existem ainda muitas fundações, empresas públicas, avenças etc. pagas pelo Estado onde há indivíduos que recebem milhares de euros por mês, sem o merecerem. Seria da mais elementar justiça ir-se primeiro a essas pessoas, que são muitas. Mas, novamente, é preciso dizer que estas são medidas muito corajosas e devemos dar o benefício da dúvida e esperar para ver os resultados.
E nós aqui nos Açores? Apesar de todas as encenações de César e agora Vasco Cordeiro, a verdade é que foram e são ambos da mesma linha de Sócrates. Jamais nos esqueceremos da já mítica frase que César e Sócrates usavam em campanha: juntos conseguimos. Pois conseguiram. Afundar um país e uma região. Mas agora há uma questão: os subsídios de Natal e férias dos funcionários públicos açorianos são pagos pelo próprio governo regional. Logo, este dinheiro todo não vai para o esforço nacional, mas ficará para o governo dos Açores. Se assim é, se os nossos subsídios não vão para o esforço nacional, como era devido, então não deviam ficar para o governo regional, mas sim para as famílias. Mas aproximam-se as eleições de 2012, e o governo regional precisa de todo o dinheiro possível, para as inaugurações que vai fazer à moda do Jardim.
Estamos perante tempos muito difíceis, sem dúvida. Mas não podemos deixar de responsabilizar as pessoas que nos trouxeram aqui. Sócrates à cabeça. Para o futuro, nós até aceitamos contribuir com parte dos nossos rendimento, mas que haja justiça. Tire-se primeiro a quem ganha brutalidades e que o governo dos Açores não fique com o nosso dinheiro para andar a brincar às eleições!
Verdade intemporal
15 outubro 2011
Despautério da semana
José San-Bento
13 outubro 2011
Direito à indignação política
A quem de dinheiro, já que eu não tenho, ou de direito, neste caso por obrigação legal, lembro que a Lei nº 34/87, de 16/07, ainda que nunca aplicada, continua em vigor.
12 outubro 2011
César Fim
Para Carlos César, uma recandidatura só teria lugar caso se conjugassem uma série de factores. Desde logo, ter na Presidência da República alguém solidário com a sua causa de se eternizar no poder. Assim se explica o forte empenhamento que César colocou na campanha de Manuel Alegre. Não serviu de nada e Cavaco Silva saiu vitorioso e com um resultado muito expressivo nos Açores. César sabe que Cavaco Silva não é um político que mude de opinião de acordo com os intervenientes e que, se a situação se colocasse, iria fazer cumprir a lei da limitação de mandatos.
Mas ainda assim, César poderia ter escolhido a via da confrontação. Podia ter ido em frente e ser candidato, mesmo contra aquele que sabia ser o entendimento do Presidente da Republica. Para tal entraria no já habitual, falso e popularucho discurso de que Cavaco é anti-autonomias. Mas não o fez. César não se recandidatou, também, porque não quis. E aqui entra um segundo factor. Para Carlos César só faz sentido governar se houver muito dinheiro. E como ele, melhor que ninguém sabe, a sua governação nestes últimos 15 anos não foi capaz de dinamizar a nossa economia. Pelo contrário, somos dependentes das transferências externas da União Europeia e do Orçamento de Estado e sabemos que vai haver grandes cortes nas verbas para os Açores em ambos os casos.
Não tendo na Presidência o seu Alegre e sem ter o dinheiro que lhe facilitou a governação nestes 15 anos, César percebeu que nos próximos anos os Açores têm mesmo de mudar de políticas. São necessárias medidas que ele sabe não ter nem capacidade nem o pessoal com o know-how para as tomar. Além disso sabe que a sua concorrente nas próximas eleições seria Berta Cabral, pessoa com provas dadas de ser capaz de fazer a tal mudança política. Ora somando todos esses factores, é evidente que César preferiu o caminho da saída e não recandidatar-se.
Também convém desmitificar um pouco a questão dos sucessivos adiamentos do anúncio. Parece que, na verdade, os adiamentos não passaram duma tentativa de aguentar o barco o máximo de tempo possível. Como todos sabemos, assim que César anunciasse a sua não candidatura, a malha de dependências criadas à sua volta iria desmoronar-se. Também serviram para segurar o seu próprio partido e evitar uma guerra interna aberta, pois a apenas um ano das eleições, nenhum dos preteridos vai arriscar uma confrontação aberta, pois sabem que, antes demais, a sua primeira prioridade é manterem-se no poder. No entanto, em termos práticos, a verdade é que, a menos de um ano, as estruturas do PS terão de mudar de estratégia e defender um candidato que muitos, se calhar, até nem apoiam. Com efeito, conseguimos compreender as primeiras vozes que vêem demonstrar descontentamento pela forma oligárquica como Vasco Cordeiro foi escolhido. Estamos a falar do candidato ao mais alto cargo político da região, pelo que faria todo o sentido ouvirem-se as bases. Pelo contrário, o PS tomou a sua decisão mais importante dos últimos 16 anos numa sala com meia dúzia de pessoas. Revela uma grande falta de sentido democrático.
O capítulo César fecha-se sem luz e sem brilho. Agora os Açorianos olham para 2012 e procuram novas ideias, novas políticas e outros intervenientes. É tempo de virar a página e recomeçar.
11 outubro 2011
Como organizar uma biblioteca
10 outubro 2011
Confusões e atitudes
08 outubro 2011
Prefiro rosas
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis
07 outubro 2011
05 outubro 2011
01 outubro 2011
Honrar compromissos

30 setembro 2011
Verdade e consequência
A Lei nº 34/87, de 16/07, mesmo que nunca aplicada, está em vigor.
28 setembro 2011
24 setembro 2011
SATA, sou cidadão de segunda?
Para a SATA, na forma como estabelece regras internas com reflexos para os utentes, eu e todos os açorianos somos suspeitos. E suspeitos de quê? De não sermos açorianos.
De cada vez que viajamos e fazemos o tão propalado e moderno “web check in”, que, supostamente, deveria ter o efeito de agilizar os procedimentos de embarque e, consequentemente, permitir uma redução de custos operacionais, o que faz a nossa “querida” companhia aérea? Manda-nos buscar o cartão de embarque aos balcões.
De cada vez que isso me acontece, ou seja em todas as viagens que faço, questiono quem me atende sobre qual a razão. Já obtive respostas variadas, mas a mais comum é a de verificação da identidade e residência. Risível, no mínimo. Então a SATA não possui os meus dados? Sou passageiro frequente, faço o “check in” através da minha conta SATA, na qual constam os meus dados e, de cada vez que viajo, tenho de repetir este calvário? Entre incompetência e gozo sádico, é só escolher.
Além disso, o que verificam os funcionários quando lhes apresento o cartão de cidadão? Hoje, a malcriada que me atendeu, respondeu que era para confrontar os números de bilhete de identidade e de contribuinte, para ver se eram verdadeiros (“Nunca se enganou nisso?”, perguntou, presunçosa. “ Não, nunca me enganei”. Calou-se, talvez incrédula e espantada por eu saber ler e escrever correctamente o meu nome). E, já agora, na busca da veracidade, confrontá-los com o quê, perguntei, indignado com o estigma. “Com os dados na nossa base de dados”. Extraordinária resposta! Extraordinária forma de verdade! Extraordinária forma de controlar o erro! Se este existir, e admitindo-se a existência, o mesmo não poderá deixar de continuar a existir, por lá estar desde o início. Se é a fraude que se quer prevenir, esta não deixará, por causa disso, de continuar a existir, atentos os procedimentos.
À SATA, não lhe basta o lixo que nos dá como refeição (e a que preço!), não lhe basta os horários que nos impõe para exclusivo proveito, não lhe basta a inexistência de concorrência, não lhe basta as desculpas incongruentes, quando há atrasos, não lhe basta a forma como trata os nossos emigrantes, não lhe basta as indemnizações compensatórias, não lhe basta o preço estratosférico que nos cobra para daqui sairmos, não lhe basta os preços irrisórios que pratica no resto do mundo, em concorrência, não lhe basta o serviço público que mal presta. Não! Escudando-se no controlo necessário para receber as indemnizações compensatórias (mesmo que há socretinos meses não as receba), ainda tem de se armar em ineficaz polícia mais própria de regimes ditatoriais.
Para a SATA, primeiro está a culpa, depois a inocência.
Para a SATA, somos de segunda categoria, no tratamento e na cidadania, ilhéus ignaros que do mundo só têm a visão que o mar ou a ilha defronte oferecem.
Até quando aturaremos, impávidos, esta indignidade?
P.S. – Estou, desde Maio, a aguardar que sejam introduzidas milhas no meu cartão, relativas a uma viagem em “code share”. Perante a incapacidade, culpa a outra companhia aérea ou qualquer coisa parecida. Pena que, no meio de tanto zelo, mostre vontade nenhuma para resolver o caso.
Collina, venham mais!
21 setembro 2011
O Imperativo de Acabar com os Políticos Profissionais
Os acontecimentos dos últimos meses no país e na Madeira na semana que passou vêm comprovar que estamos num momento de mudança de ciclo, em termos de gestão política, em Portugal.
A História recente de Portugal ficou marcada pela austeridade e respectiva estabilidade económica do período designado por Estado Novo. Além disso, como se sabe, a Ditadura limitou muito o exercício de algumas liberdades hoje consideradas como fundamentais, o que, conjugado com a guerra do Ultramar, levou à Revolução de 25 de Abril de 1974.
Hoje, passados 37 anos, podemos dizer que os políticos portugueses não souberam gerir as transformações do pós 25 de Abril Com efeito, assistimos a uma cultura de direitos adquiridos, por um lado, e por outro, de aproveitamento pessoal por parte da classe política que geriu o país nas últimas décadas, que praticamente levaram o país à bancarrota. Estes dois factores conjugados criam um ciclo vicioso que é muito difícil de quebrar, pois ao dotarmos os cidadãos de direitos, sem lhes exigir deveres, estamos a colocar o eleitoralismo à frente da responsabilidade política. É claro que um partido que oferece todo o tipo de benesses, reúne todas as condições para vencer eleições. Mas a que preço é que se oferecem essas benesses? Pode o nosso país, ou no nosso caso, a região, pagar ad eternum esta cultura de direitos adquiridos? A situação actual diz-nos que não. O ciclo vicioso completa-se quando esses políticos, ao ganharem eleições, acostumam-se ao poder e fazem tudo para lá ficarem eternamente. As vantagens são, como sabemos, mais que muitas para quem usa o poder desta forma, alimentando, de forma vil, clientelas importantes para a manutenção desse poder e fazendo enriquecer aqueles que lhes são próximos, através de esquemas certamente anéticos e, provavelmente, nalguns casos, ilegais até.
É um ciclo insustentável que mais tarde ou mais cedo terá que implodir sobre si próprio. Foi isso que aconteceu em Portugal continental, é isso que se está a passar na Madeira e é isso que, inevitavelmente, se vai passar nos Açores. É o crónico problema do déficit, em que se gasta mais do que aquilo que se produz e tem que se recorrer ao empréstimo. Gasta-se porque é preciso alimentar toda uma máquina com o objectivo de se eternizar no poder. Numa palavra e a ser simpático: uma irresponsabilidade atroz
Mas esse período, felizmente, acabou. Hoje temos em Portugal continental toda uma série de políticos duma nova geração que têm um entendimento totalmente diferente da forma como se deve governar um país. Com alguns erros e hesitações à mistura, pois estão perante um trabalho herculeano, esta nova geração é mais técnica do que política. O que lhes move não é trabalhar para a sua próxima reeleição, como era o caso dos políticos que governaram Portugal até agora e como é o caso dos que governam os Açores e a Madeira há décadas, o que lhes move é colocar o país no caminho do crescimento. A maior prova disso veio exactamente daquele que é o melhor (ou pior, dependendo da perspectiva) exemplo do político português pós 25 de Abril: Mário Soares. O decano socialista atirou a matar contra o arquétipo da nova geração: o ministro da finanças Vítor Gaspar, dizendo que é um político ocasional. Nem mais, Dr. Mário Soares. É isso mesmo. Vítor Gaspar e os outros que compõem este novo governo não vivem da política, não se alimentam da política, como era e é o seu caso. São políticos ocasionais, como todos os políticos deviam ser.
O erro, Dr. Soares, está em si e no tipo de político como o senhor. O erro está em políticos que ficam 10, 20, 30 anos no poder. O erro está em políticos que passam o poder aos filhos, como se de uma herança se tratasse. A este propósito não podemos deixar de nos admirar e até registar alguma tristeza com o que se passa no PS-Açores. Um partido rico em quadros de grande qualidade: professores universitários, investigadores, técnicos superiores de todas as áreas com provas dadas, deixa-se ser comandando de forma dinástica pela família César. O cúmulo aconteceu há dias quando César pai recebeu César filho. Inacreditável, mas sintomático do erro que são os políticos profissionais que vivem da política. Pessoas que não fazem a menor ideia o que é um dia de trabalho, que vivem, usam e abusam do bem comum, como se fosse sua posse. Servem-se em vez de servirem. Esses políticos e esses erros quem os pagam são os cidadãos, com o seus impostos e com o seu trabalho.
Estes políticos deixaram a nossa sociedade doente e quase em fase terminal. Uma doença que estava diagnosticada há muito tempo, mas que foi sendo disfarçada no continente e Madeira enquanto se pôde e que vai sendo disfarçada, por enquanto, nos Açores. Felizmente o processo de cura, inevitavelmente dolorosa, diga-se, já começou no continente.
14 setembro 2011
César sabia da RTP-Açores e não fez nada
Só podemos especular sobre as razões que uns e outros tiveram: Lisboa numa lógica de contenção de custos. O governo regional dos Açores, talvez para não importunar os seus camaradas do PS de Sócrates. Na verdade, esta explicação encaixa perfeitamente naquilo que se sabe ser a postura do governo do PS nos Açores: por um lado, fazer de conta que está tudo bem, ir aparecendo nas notícias a cortar as fitas das inaugurações, mas por outro lado ir adiando os problemas para outros, no futuro, resolverem.
Em Dezembro de 2009, Guilherme Costa, Presidente do Conselho de Administração da RTP, nomeado pelo governo de Sócrates, visitou os Açores e avisou Carlos César que queria que a RTP-Açores passasse a janela da RTP-N. Ou seja, este projecto de redução de horas de transmissão e de redução de custos na RTP-Açores é conhecido do governo açoriano há muito tempo, que não fez absolutamente nada para o tentar inverter.
Mas o importante, neste momento, é mesmo pensar numa solução para mantermos a nossa televisão, porque, efectivamente, faz falta aos Açores. Assisto com alguma surpresa ao discurso do PS-Açores que se limita a exigir mais. É inacreditável! O PS-Açores não aprende. Ainda não perceberam que não há nenhum saco sem fundo com dinheiro. Todos nós queremos mais. Mais meios, mais e melhores ordenados, etc. A responsabilidade política reside exactamente na capacidade de se conseguir analisar a sociedade e redistribuir a riqueza de acordo com as necessidades de cada área e se atingir um desenvolvimento sustentado. O discurso do PS-Açores sobre esta matéria de exigir mais meios é contraproducente para os interesses da própria RTP-Açores. Porque é uma intransigência descabida, que serve de razão para o centralismo de Lisboa, que é transversal a todos partidos, avançar com as suas soluções unilateralmente. Porque não há meios, exactamente por responsabilidade do PS, portanto não pode o próprio PS continuar a exigir mais meios.
Por outro lado, usa-se o argumento do ataque à Autonomia e de como a RTP-Açores é um símbolo da Autonomia Açoriana. Rejeito esse argumento, porque Autonomia é nós sermos capazes de dar resposta às nossas necessidades. Não é pedir a Lisboa que as pague! De resto, o governo açoriano já salvou várias empresas privadas açorianas, como a Sinaga ou a conserveira Santa Catarina, por isso tem a obrigação de salvar uma empresa pública, como a RTP-Açores e os respectivos trabalhadores.
A televisão hoje é muito diferente do que era há 10, 20 ou 30 anos atrás. Hoje há uma enorme oferta, tanto a nível tradicional, como através das novas tecnologias. Ainda assim, existe espaço para haver um serviço público de tv e rádio açorianos, mas ajustado à realidade actual. Não faz sentido a actual grelha de programas da RTP-Açores, com séries, documentários e novelas repetidos do canal 1 ou da 2. Fazia sentido há uns anos, quando aqueles canais não chegavam aos Açores. Portanto, parece evidente que a RTP-Açores tem que concentrar os seus esforços num serviço público que dê respostas que mais nenhum outro canal consegue dar. E para isso nós, açorianos, temos que chegar a um consenso alargado sobre o que é serviço público, para depois o podermos defender.
Temos que fazer tudo para manter a nossa RTP-Açores. Mas se queremos ser uma região verdadeiramente autónoma, não podemos insistir no discurso de exigir mais a Lisboa. A solução terá de passar por uma responsabilidade partilhada, entre Lisboa e os Açores. Isto sim, é Autonomia!
A Fabulosa História do Site de Turismo dos Açores
Ora então, em 26 de Fevereiro de 2009 foi adjudicada à Icon Medialab a produção do site por 150.000€, com um serviço de manutenção que custava 1,000.000€ (sim, é um milhão).
Passados alguns meses, a 16 de Setembro, foi adjudicada à Market Iniciative a produção de conteúdos para o dito site por 23.742€.
Já este ano, a 24 de Março foi a vez da Pangemédia receber a bela incumbência de "webdevelopment" para o site. Valor: 175.940€
Finalmente, no passado dia 9 de Setembro, foi a Morfose (e veja-se bem como esta empresa é competente nisto de fazer sites, veja-se o site dos próprios) que ficou responsável por fazer uma data de coisas no site pelo valor de 64.686€.
O somatório fica para quem o quiser fazer. Da minha parte fica só a dúvida sobre se há alguns relacionamentos familiares entre os donos de algumas dessas empresas e as pessoas ligadas à Presidência do Governo regional.
12 setembro 2011
Sacudir a água do capote
11 setembro 2011
11 de Setembro

Há 10 anos, foi cometido um crime inqualificável contra a liberdade, a democracia e a Humanidade.
Dez anos depois, um homem chora a morte de um ente querido junto ao memorial que recorda os cerca de 3000 inocentes assassinados.
Por cá, um canal de televisão entretém o povo com uma qualquer teoria da conspiração sobre a morte de um homem, 7 anos depois, e a queda da Torre 7, onde este terá ouvido "várias explosões" e terá estado "várias horas" retido, caindo aquela como se de uma "demolição controlada" se tratasse, olvidando as contradições do próprio depoimento. Só faltou invocar a falta de 4000 judeus nesse dia ao trabalho no TWC, para cereja. Tenham vergonha!
09 setembro 2011
O Governo Regional dos Açores Explicado
A propósito da iniciativa em defesa da Lagoa das Furnas......Mandar a porcaria para debaixo do tapete!
A Crise Explicada
Após vários anos de gestão desastrosa, por parte, essencialmente, dos governos do PS liderados por José Sócrates, Portugal quase que entrou em bancarrota. Não fosse a intervenção da troyka e, segundo as palavras do ex-Ministro da Finanças, Teixeira dos Santos, o governo português nem teria dinheiro para pagar os ordenados e as reformas. Fomos, portanto, obrigados a contrair um enorme empréstimo, para salvar a nossa já débil e duvidosa soberania.
Como qualquer empréstimo, este também teve condicionantes e compromissos a cumprir. A troyka estabeleceu um plano que tem como fim o desenvolvimento económico de Portugal, com o objectivo de, por um lado, ter a certeza que vai reaver o seu dinheiro e, por outro lado, ajudar Portugal a entrar, de uma vez por todas, numa lógica de crescimento. Há, sem qualquer dúvida, uma ideologia de cariz liberal bem marcante nos métodos que a troyka impõe a Portugal. Uma ideologia que é seguida pelo governo de Passos Coelho. Uma ideologia liberal, que entra em clara oposição com a socialista que governou Portugal e os Açores nos últimos anos e como se viu, falhou … apesar das muitas oportunidades que teve. É, altura, de dar também uma oportunidade e tempo ao modelo que Passos Coelho quer implementar.
Duma forma bastante simplista, a cartilha socialista apostou no desinvestimento dos dinheiros públicos. O socialismo tem uma tendência natural para aumentar o espaço do poder público em detrimento do privado. Isto leva ao minguar do sector privado com consequente aumento de desemprego. A isto o socialismo responde com mais sector público. Aumenta a máquina estatal para, por um lado, garantir controlo sobre a sociedade e, por outro, oferecer emprego. Mas há uma falha em todo este processo: é que não se cria riqueza. Regra geral, é o sector privado, dada a sua natureza intrínseca, que está habilitado a produzir bens e mais-valias transaccionáveis que façam chegar riqueza ao país. E ao não se criar riqueza, entra-se numa espiral de endividamento, apenas travada, momentaneamente, através do recurso ao empréstimo.
É esta, pois, a herança socialista que Passos Coelho no continente está a tentar inverter, em que as despesas ultrapassam em muito as receitas. Em que a dívida pública é um problema gravíssimo. Na simplicidade e frieza dos números a solução é fácil: reduzir despesa e aumentar receita. No entanto, estamos aqui a falar de pessoas. De nós próprios, cidadãos que compõem este país. Logo, as medidas que são necessárias à quebra de ciclo, irão afectar-nos a todos.
As duras medidas que estão a ser implementadas pelo governo de Passos Coelho têm que ser entendidas como uma cura a uma grave doença. Diria que estamos em processo de quimioterapia para nos livramos do cancro que o PS de Sócrates nos deixou.
Aqui, nos Açores, ainda não chegou verdadeiramente o impacto desta crise. Aqui, nos Açores, continuamos a viver no modelo socrático, de endividar para disfarçar o buraco, apesar de aqui e ali já se sentirem os efeitos do fim do paraíso do dinheiro emprestado. Por outro lado, as imposições da troyka ainda nem chegaram bem aos Açores, uma vez que as contas da região ainda nem começaram a ser analisadas. Por isso temos que estar preparados para o que vem aí. Porque, dizem as notícias, a dívida pública dos Açores deverá ascender os 3 mil milhões de euros.
Os Açores são ainda, e apesar de às vezes poder não parecer, dadas as obras faraónicas que se fazem, uma região pobre. Durante todos estes anos de poder, o PS de César não conseguiu criar uma lógica de criação de riqueza. Pelo contrário, o que se vê é quase todas as empresas privadas açorianas, com as da construção civil à cabeça, com gravíssimos problemas e em risco de fechar. Se em Portugal continental ainda existem alguns sectores que exportam e trazem riqueza, nos Açores a situação é mesmo dramática. Se retirarmos o investimento feito pelo governo regional, que vem dos empréstimos e das transferências orçamentais de Lisboa e da União Europeia, não entra qualquer capital na nossa economia.
A situação é clara: quanto mais tempo o PS estiver no poder, maior serão os efeitos, posteriormente, para nós, população. Não tenhamos dúvidas: este governo do PS gasta o que não tem e, para tal, endivida a região. E a região somos nós. Logo, somos nós que vamos acabar por pagar, como se está a ver no continente. É urgente, pois, acabar com a governação socialista nos Açores.
05 setembro 2011
Ventos de mudança
Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
27 agosto 2011
26 agosto 2011
A equipa do Vitor Pereira não ganhou porque..
b) O árbitro cumpriu as leis do futebol
c) O árbitro cumpriu as leis do futebol
d) O árbitro cumpriu as leis do futebol
e) O árbitro cumpriu as leis do futebol
f) Não joga peva, quando o árbitro cumpre as leis do futebol
g) Outra razão, tipo não joga peva, quando o árbitro cumpre as leis do futebol
h) Os Blur publicaram o primeiro álbum há 20 anos
23 agosto 2011
Futebol, à míngua de assunto
Disseram-me que um tal Idalécio Martins, árbitro dos regionais, apitou um jogo da I Liga com competência e sem medo, ou seja, sem ciscos nos olhos ou na mente que lhe perturbassem a visão ou o discernimento.
Disseram-me que, eventualmente, o tal árbitro foi bafejado pela sorte, por aquele jogo ter sido morno, a dar para o fraco, mas tendo, por outro lado, o ambiente rodeante a escaldar até ao tutano, na marcação cerrada que se faz à sucessão do cargo de nomeador.
Disseram-me também que o teste não foi de fogo real, pois, para tal, exigia-se que, ao menos, um dos intervenientes fosse um outro clube..., mas que tinha sido melhor que nada.
Disseram-me que este súbito e anónimo Idalécio só tem importância por ter posto sob suspeição os critérios que sustentam a misteriosa ascensão de alguns apitadores até ao topo da carreira.
Disseram-me que ser familiar ou protegido de A ou B, ser adepto de C, ser adepto de D mas prejudicá-lo sempre em favor de C, ser visita assídua de E ou F, agradar a E, F ou G, ser sensível às "ofertas irrecusáveis" de A, B, C, E, F ou G, ter capacidade adrede para contradizer as suas próprias interpretações das regras do jogo, são qualidades muito apreciadas para uma rápida subida até ao topo.
Disseram-me que, em simultâneo, se pede alguma inteligência, sobretudo para agir agradavelmente, parecendo não o fazer.
Disseram-me que, pelo meio, face à evidência da real qualidade, e em nome da transparência, se promovem uns quantos competentes, para não parecer aquilo que parece que é.
Disseram-me que, mesmo assim, a arbitragem portuguesa é a melhor do mundo, excepto quando o acaso lhes engrena um qualquer Idalécio sem ambição e sem futuro. Como eles.
Ofereci os cafés, despedi-me e corri para o computador. E escrevi, antes que esquecesse.
16 agosto 2011
O futuro da RTP-Açores - Uma contribuição para o debate que se exige
Os Açorianos sentem e reconhecem a RTP-Açores como parte da sua própria identidade. Reconhecemo-la como símbolo da Autonomia, mas, verdade seja dita, são cada vez menos os açorianos que vêem realmente a RTP-Açores. O José afirmou, no post imediatamente antes, que é o 3º canal mais visto nos Açores. Permite-me, José, mas desconfio muito dessa classificação. O senso comum diz-me que é uma escassa minoria que vê RTP-Açores actualmente. E esses vêem as notícias. Na verdade, faz todo o sentido que assim seja, porque, efectivamente, toda a programação da RTP-Açores, à parte da informação, é amplamente ultrapassada em termos de qualidade pelo resto da oferta televisiva proposta aos Açorianos, no tal contexto de concorrência de que o José falou. É na informação que reside actualmente a grande mais-valia da RTP-Açores, porque é um serviço único e essencial para os Açorianos. Para os que cá vivem e para os que estão emigrados.
Temos, então, que fazer alterações na RTP-Açores. Quem paga assim o exige, no contexto do que os próprios estão a fazer. Que tipo de alterações, ao nível de gestão financeira? É praticamente impossível opinar sobre o assunto, pois a informação relativa aos exercícios financeiros da centro regional, está reduzida a umas breves referências no Relatório e Contas da casa-mãe.
Colocam-se-nos, pois, duas hipóteses para lidar com o Estado: ou seguimos o modelo do cruzar os braços, bater com o pé e dizer “não queremos, não queremos e não queremos, aliás, queremos mais meios e melhores condições”, ou podemos admitir que é preciso mudar e participar construtiva e activamente no respectivo processo.
O Estado central, o tal que paga a RTP-Açores, certamente descartará qualquer diálogo com a primeira atitude. Nesse caso, e porque as mudanças e os cortes vão mesmo avançar, o Estado analisará números e friamente chegará à solução da janela, com todos os problemas que isso representará para todos, à cabeça os trabalhadores.
Portanto, temos que ter aqui uma atitude sensata e fazer uma auto-avaliação sincera para podermos defender os princípios da nossa televisão e rádio dos quais não vamos abdicar. Para isso, há que saber reconhecer e separar o que é bom daquilo que não é bom e identificar os vícios instalados e corrigi-los a tempo, sob pena de "pagarem os justos pelos pecadores."Temos que saber nos concentrar no essencial da televisão e rádio dos Açores e saber abrir mão do acessório. E não podemos descartar custos para o Orçamento da região. É que não deixa de ser irónico estarmos a defender a RTP-Açores como símbolo da Autonomia, ao mesmo tempo que exigimos que seja o Estado central a pagar.
Enfim, parece-me claro que as actuais longas horas de emissão da RTP-Açores, com séries e documentários repetidos dos outros canais, vão ter que acabar, para darem lugar a uma concentração de esforços na informação, tanto ao nível dos serviços noticiosos diários, (Telejornal) como ao nível de grandes reportagens (inexistente actualmente), programas de debate de interesse regional (Estado da Região, ou Estação de Serviço, por ex.) Não significa isto, no entanto, que deixe de existir espaço para outros programas de cariz mais lúdico (ou não). Também me parece que a tripolaridade que se tentou implementar é insustentável; não fazia sentido querer-se ter meios técnicos iguais na Horta, Angra e Ponta Delgada para se produzir um serviço noticioso diário em cada uma dessas cidades. Mas a questão da tripolaridade, na generalidade, é algo que, mais tarde ou mais cedo, os Açorianos vão ter que enfrentar e compreender que, nalguns casos, como este da RTP-Açores o comprovou, apenas atrasa o nosso desenvolvimento sustentado enquanto arquipélago com nove ilhas.
Por todas as razões que conhecemos, o país, a região e todas as entidades que vivem com apoios estatais, terão que cortar na despesa. Existem muitas inequidades que devem ser corrigidas. A RTP-Açores é apenas mais um caso. O próprio actual Director da RTP-Açores assumiu, em 2008, que "havia uma gestão pouco rigorosa (...) uma gestão de mãos largas" antes de si. Nós já sabíamos que ia ser assim: os que virão depois é que vão pagar a factura. Já está a começar.
10 agosto 2011
RTP/Açores: o futuro 36 anos depois
Características idiossincráticas humanas aparte, a RTP/A e a SATA, ou, noutro aspecto, a Universidade, são símbolos da autonomia açoriana, porque, duma forma ou doutra, personificam o elo de ligação mais imediato entre as ilhas e as suas gentes. No mínimo por isto, tudo o que envolva cada uma delas tem de ser gerido com parcimónia, de preferência, com o cuidado da univocidade. Sobretudo, política.
A RTP/A que conheci há 20 anos, nada tem a ver com a realidade actual. É normal que assim seja. O País mudou e com ele a televisão. Há 20 anos, apenas existia a RTP; hoje, além da SIC e TVI, temos igualmente os canais que nos chegam via satélite ou por cabo. Temos aquilo que é desejável para o consumidor: concorrência. Esqueçamos, pois, quaisquer laivos de verossimilhança com o passado.
Tal facto, em circunstâncias normais, deveria ser motivo de incentivo para que os agentes políticos pugnassem por um entendimento sobre o que é essencial para que a RTP/A não desapareça. E é de sobrevivência que se trata, por muito que alguns deles, na ligeireza de pensamento de quem pensa apenas a curto prazo, tentem contornar a questão ou nem sequer consigam percebê-la.
Incontornável é que, no tempo do monopólio, a RTP/A pouco necessitava de mostrar. Sem concorrência, nem sequer a do grupo a que pertence, existia sem o cuidado de ter (precisar de) profissionais qualificados em qualquer posição da pirâmide. Quem cá vivia não conhecia outros e, consequentemente, o grau de exigência não existia ou, a existir, era-o para uma minoria tão ínfima que pouco incomodava o statu quo.
Por tal, é óbvio que nunca houve necessidade objectiva de ser apresentado um qualquer projecto estruturante que contribuísse para a definição do que deveria ser uma televisão de cariz regional. Por desnecessidade, políticos, trabalhadores e população conviviam bem com o amadorismo de alguns, a subserviência de outros, a inocuidade da maioria e a benfazeja qualidade de uma minoria. A ingenuidade apenas desejava que o pequeno ecrã funcionasse, enquanto que os outros queriam que funcionasse como eles queriam.
Hoje, a RTP/A apresenta-se-nos de forma diferente. Inserida num contexto de apertada concorrência, não se basta com a mera declaração de existência. Assim ninguém a quererá. Assim não terá razão de existência.
A Lei 27/2007, de forma genérica, trouxe um estrangulamento ao exercício do serviço público de televisão e contrangimentos de ordem organizacional e financeiros, que só prejudicaram a estrutura regional de televisão, minando qualquer intenção de modernização e autonomização da RTP/A.
Não fosse somente tal, também a inacção, inabilidade, incongruência ou assentimento (mesmo que tácito) políticos, Governo Regional à cabeça, permitiram que o processo de desenvolvimento de um canal de cariz regional, com um quadro de pessoal capaz e profissional, com equipamentos técnicos modernos e adequados, com instalações dignas e, sobretudo, com autonomia administrativa e financeira, fosse quase estrangulado pelos poderes centrais e boicotado por “interesses internos” comodamente instalados.
Apesar de tudo, louve-se a tenacidade quase inglória da actual equipa directiva, coadjuvada por alguns bons profissionais, que conseguiu arrancar com o portal Multimédia Açores, trazer novos equipamentos técnicos, como modernas câmaras para a informação, um novo estúdio ou começar com a Antena 3, em simultâneo com acções de formação para o pessoal. Para além disso, a RTP/A ascendeu ao 3º lugar como canal mais visto nos Açores, atrás da SIC e TVI, sendo que, por exemplo, em 2006, ocupava o 5º lugar. São dados para reflectir; são dados para nos incutir esperança quanto à viabilidade do canal regional.
Está, pois, na altura de abandonar quaisquer interesses particulares ou de mera táctica política, convergindo opiniões e acções que protejam o interesse regional. Expoente máximo da comunicação social regional, a RTP/Açores é de todos nós.
Consequentemente, parece congruente que se pugne por uma reformulação do conceito de serviço público, que se proceda a uma reorganização orgânica, afirmando-se o mérito como condição primordial do exercício da função laboral, que se criem condições para o aumento progressivo dos conteúdos, que se criem condições para que o Serviço Público Regional (rádio e televisão), além de se cimentar na Região, seja um meio de promoção dos Açores no exterior e um meio de aproximação às comunidades emigrantes.
Para tudo isto, é fundamental que à direcção regional sejam conferidos meios funcionais e financeiros e que aos profissionais sejam conferidas condições de trabalho dignas, afastando-se o opróbrio politico que lhes tolda as capacidades.
Tal desiderato só se alcançará com a criação do Serviço Público Regional de Multimédia, fundamental para o exercício da Autonomia. Palavra e acção aos políticos.
07 agosto 2011
ouvido num transporte público lisboeta
05 agosto 2011
03 agosto 2011
Sons do Verão '11
É estranho, mas esta banda já anda aí há vários anos e mesmo com este apelativo nome, para nós portugueses, nunca me chegou aos ouvidos. Auto-rotulados como de rock psicadélico, parecem-me, no entanto, mais elaborados e complexos que isso.
Interessante como a língua portuguesa influencia os nomes de algumas bandas. Assim de repente, recordo-me dos Rosa Mota e dos Tristeza.








