19 janeiro 2012
18 janeiro 2012
15 janeiro 2012
Nem António Cordeiro nem Bufo da Vila
Desde que escrevi estas palavras, passou parte de 2010, passou todo o ano de 2011, e, até agora, nem se conhece notícia de António Cordeiro ter processado o Bufo da Vila nem o extinto Bufo da Vila revelou a sua identidade, como prometeram.
Será tudo culpa das várias contingências que se passam na política de Vila Franca do Campo?
13 janeiro 2012
Pergunta desportiva da semana
Qual dos seguintes clubes o Sistema não quer que passe à final da Taça de Portugal ?
a) Académica
b) Oliveirense
c) Sporting
d) Nacional
10 janeiro 2012
Afinal há ricos em Portugal
Segundo o jornal AS, a selecção da Espanha será aquela que menos pagará por cada noite de estadia (€4700) nos vários hotéis que serão ocupados pelas selecções que participarão no Europeu de futebol de 2012. Segundo o mesmo jornal, o país mais gastador será Portugal (€33174).
Aguarda-se uma reacção veemente dos "patriotas" que criticaram a família Soares dos Santos, sugerindo-se desde já uma daquelas vigílias de "okupas" à porta da sede da Federação.
09 janeiro 2012
Simples
06 janeiro 2012
Escolha racional
Para um emprego na loja dos 300, perante uma igualdade de competências, há alguém que não duvidará sobre quem ficará com o lugar.
Do mesmo modo, na presença de desigualdade de competências, também há alguém que não terá dúvidas sobre quem ficará com o lugar.
O lugar ficará para aquele que o dono da loja escolher, segundo critérios norteados pelos melhores benefícios que contribuam para a manutenção e expansão do negócio.
Escrevo isto e, não sei porquê, em vez da objectividade do comerciante chinês, só penso na carnificina da Revolução Francesa. Deve ser o cansaço da semana.
Do mesmo modo, na presença de desigualdade de competências, também há alguém que não terá dúvidas sobre quem ficará com o lugar.
O lugar ficará para aquele que o dono da loja escolher, segundo critérios norteados pelos melhores benefícios que contribuam para a manutenção e expansão do negócio.
Escrevo isto e, não sei porquê, em vez da objectividade do comerciante chinês, só penso na carnificina da Revolução Francesa. Deve ser o cansaço da semana.
03 janeiro 2012
Governar para as aparências
O ano que agora começa vai ficar marcado por grande agitação política nos Açores. Nas eleições regionais do próximo mês de Outubro vai estar muito em jogo, principalmente para o partido socialista. Vão ser 16 anos de poder, com tudo o que isso representa em termos de relações de dependência. Portanto, temos que estar preparados para todo o tipo de manobras de diversão, calúnias e mal dizeres a fim de se tentar retirar a atenção de cima dos assuntos que são efectivamente fundamentais para os Açorianos.
E não há área mais importante do que a Saúde. É o sector onde não podemos falhar, porque trata-se da vida das pessoas. Mas é precisamente a Saúde que está em risco de colapso nos Açores. O governo regional não conseguiu encontrar forma de gerir a Saúde de forma minimamente sustentável, acabando por nos trazer para a situação de ruptura em que nos encontramos.
Mas vamos aos factos. Segundo o Secretário Regional da tutela, Miguel Correia, a dívida da saúde em finais de 2010 era de cerca de 600 milhões de euros. No entanto, a dívida da Saudaçor, empresa pública que gere o sistema regional de Saúde era de 260 milhões. Estamos a falar de dívida que tem vindo a aumentar progressivamente ao longo dos últimos anos. Ou seja, analisando a tendência, a ideia que fica é que este governo socialista não tem qualquer forma de inverter esta situação. A situação é mesmo muito grave porque entre os credores do governo estão as empresas que fornecem material para os hospitais da região, desde medicamentos à comida, passando por todo o material necessário ao funcionamento das unidades de saúde. Chegou-se a um ponto de ruptura porque sem receberem, essas empresas não podem continuar a trabalhar e vão cortar o fornecimento de material, como aliás já anunciaram que iam fazer. Estamos perante uma situação em que um açoriano tenha de recorrer a um hospital e não seja tratado por falta de medicamentos. As nossas vidas podem estar em risco. E porquê?
O governo regional dos Açores não soube gerir as suas prioridades e deu preferência a áreas como a construção em cimento e betão. Basta ver o último Parecer do Tribunal de Contas para se comprovar isso mesmo. Os nossos grandes investimentos são as SCUT, que iam custar 300 milhões, mas vão custar 1.2 mil milhões e o Hospital de Angra, que ia custar 65 milhões, mas afinal vai custar 140 milhões. É preciso dizer desde já que não somos contra as SCUT nem muito menos contra um novo Hospital em Angra. O importante aqui são as prioridades. Tal e qual numa família. Claro que é importante para uma família, por exemplo, fazer obras na casa para dar um quarto para cada filho, mas nenhuma família usaria o dinheiro da comida ou da saúde dos filhos para fazer essas obras. De que vale ter um quarto para cada filho se não temos comida para lhes dar? Do mesmo modo, de que vale ter um hospital novo, se não temos material nem medicamentos para o equipar?
Perante esta situação catastrófica, é com enorme tristeza que ouvimos o Presidente do Governo regional a tentar nos ludibriar. Então se o Tribunal de Contas diz que todos os anos a dívida da Saúde aumenta cerca de 100 milhões de euros. E se para 2012 o Orçamento da Região prevê um aumento de 23 milhões de euros para a Saúde. Como é que César diz que a situação está controlada? São contas muito simples de se fazer: se gastamos mais 100 do que podemos, não é com 23 que vamos resolver a situação.
Os factos demonstram-o cabalmente. Este governo liderado por Carlos César falhou na área mais importante: a Saúde. E o pretendente à sua sucessão, Vasco Cordeiro, segue a mesma lógica de governação de betão dirigida ao corta-fitas, como se vê ao anunciar uma secundária para a ilha do Corvo. Novamente demonstram que têm as prioridades trocadas. É importante ter uma secundária no Corvo? Talvez. Mas é fundamental ter a Saúde a funcionar antes nas ilhas todas. Até Outubro vamos assistir a muitas mais obras de cimento e betão a serem inauguradas em todas as ilhas, mas não nos podemos afastar do que é essencial. Saúde em primeiro lugar e depois emprego e prosperidade para todos. A Saúde é o que se vê. O desemprego é o mais alto de sempre nos Açores. Este governo do PS é aquele pai família que obriga os filhos a jantarem todos dias pão e água, para poder andar com o desportivo para impressionar os amigos. Vive de e para as aparências.
E não há área mais importante do que a Saúde. É o sector onde não podemos falhar, porque trata-se da vida das pessoas. Mas é precisamente a Saúde que está em risco de colapso nos Açores. O governo regional não conseguiu encontrar forma de gerir a Saúde de forma minimamente sustentável, acabando por nos trazer para a situação de ruptura em que nos encontramos.
Mas vamos aos factos. Segundo o Secretário Regional da tutela, Miguel Correia, a dívida da saúde em finais de 2010 era de cerca de 600 milhões de euros. No entanto, a dívida da Saudaçor, empresa pública que gere o sistema regional de Saúde era de 260 milhões. Estamos a falar de dívida que tem vindo a aumentar progressivamente ao longo dos últimos anos. Ou seja, analisando a tendência, a ideia que fica é que este governo socialista não tem qualquer forma de inverter esta situação. A situação é mesmo muito grave porque entre os credores do governo estão as empresas que fornecem material para os hospitais da região, desde medicamentos à comida, passando por todo o material necessário ao funcionamento das unidades de saúde. Chegou-se a um ponto de ruptura porque sem receberem, essas empresas não podem continuar a trabalhar e vão cortar o fornecimento de material, como aliás já anunciaram que iam fazer. Estamos perante uma situação em que um açoriano tenha de recorrer a um hospital e não seja tratado por falta de medicamentos. As nossas vidas podem estar em risco. E porquê?
O governo regional dos Açores não soube gerir as suas prioridades e deu preferência a áreas como a construção em cimento e betão. Basta ver o último Parecer do Tribunal de Contas para se comprovar isso mesmo. Os nossos grandes investimentos são as SCUT, que iam custar 300 milhões, mas vão custar 1.2 mil milhões e o Hospital de Angra, que ia custar 65 milhões, mas afinal vai custar 140 milhões. É preciso dizer desde já que não somos contra as SCUT nem muito menos contra um novo Hospital em Angra. O importante aqui são as prioridades. Tal e qual numa família. Claro que é importante para uma família, por exemplo, fazer obras na casa para dar um quarto para cada filho, mas nenhuma família usaria o dinheiro da comida ou da saúde dos filhos para fazer essas obras. De que vale ter um quarto para cada filho se não temos comida para lhes dar? Do mesmo modo, de que vale ter um hospital novo, se não temos material nem medicamentos para o equipar?
Perante esta situação catastrófica, é com enorme tristeza que ouvimos o Presidente do Governo regional a tentar nos ludibriar. Então se o Tribunal de Contas diz que todos os anos a dívida da Saúde aumenta cerca de 100 milhões de euros. E se para 2012 o Orçamento da Região prevê um aumento de 23 milhões de euros para a Saúde. Como é que César diz que a situação está controlada? São contas muito simples de se fazer: se gastamos mais 100 do que podemos, não é com 23 que vamos resolver a situação.
Os factos demonstram-o cabalmente. Este governo liderado por Carlos César falhou na área mais importante: a Saúde. E o pretendente à sua sucessão, Vasco Cordeiro, segue a mesma lógica de governação de betão dirigida ao corta-fitas, como se vê ao anunciar uma secundária para a ilha do Corvo. Novamente demonstram que têm as prioridades trocadas. É importante ter uma secundária no Corvo? Talvez. Mas é fundamental ter a Saúde a funcionar antes nas ilhas todas. Até Outubro vamos assistir a muitas mais obras de cimento e betão a serem inauguradas em todas as ilhas, mas não nos podemos afastar do que é essencial. Saúde em primeiro lugar e depois emprego e prosperidade para todos. A Saúde é o que se vê. O desemprego é o mais alto de sempre nos Açores. Este governo do PS é aquele pai família que obriga os filhos a jantarem todos dias pão e água, para poder andar com o desportivo para impressionar os amigos. Vive de e para as aparências.
Prenúncio 2012
Se se caminhar erraticamente para o nada, nem o melhor tenor evitará um final apocalíptico.
28 dezembro 2011
A mentalidade portuguesa e o trabalho
O português pensa que nasceu no paraíso onde a árvore de todos os frutos está à disposição de todos, onde não é preciso colhê-los, mas esperar que caiam no prato, onde todos têm direitos mas nenhum dever, onde o consumo desregrado e irresponsável é a ordem do dia e onde o trabalho é para os outros.
Alguém conhecido, que tem um olival com tamanho e qualidade suficientes para uma boa colheita e produção mais que capaz para alimentar um número avantajado de concidadãos, não conseguiu pessoal, a quem pagaria a jorna, para apanhar a azeitona.
Então, fez notícia de que daria a azeitona a quem quisesse apanhá-la. Mesmo assim, ninguém a quis.
No entanto, são milhares os candidatos ao Banco Alimentar contra a Fome.
A comida no pacote é mais fácil de comer e não suja os sapatos.
Alguém conhecido, que tem um olival com tamanho e qualidade suficientes para uma boa colheita e produção mais que capaz para alimentar um número avantajado de concidadãos, não conseguiu pessoal, a quem pagaria a jorna, para apanhar a azeitona.
Então, fez notícia de que daria a azeitona a quem quisesse apanhá-la. Mesmo assim, ninguém a quis.
No entanto, são milhares os candidatos ao Banco Alimentar contra a Fome.
A comida no pacote é mais fácil de comer e não suja os sapatos.
24 dezembro 2011
22 dezembro 2011
O Natal (não) é quando um Homem quiser
O Natal é uma época que de duas formas distintas do comportamento humano, tem repercussões muito positivas para o nosso funcionamento enquanto sociedade.
Desde logo, devido aos valores como a solidariedade, a generosidade, o altruísmo e a fraternidade, que assumem nesta altura do ano, uma forte presença dentro de cada ser humano. Infelizmente vivemos cada vez mais numa sociedade muito acelerada, sem tempo para os problemas dos outros, sem tempo sequer, às vezes, para os problemas dos nossos familiares. No Natal, pelo contrário, paramos e estamos muito mais alertas para esse tipo de questão. Evidentemente, este tipo de valores só podem contribuir positivamente para o nosso funcionamento enquanto sociedade. Por razões óbvias, claro, mas também porque muitos dos problemas por que estamos a passar actualmente têm origem em condições e sentimentos humanos opostos aos do Natal. No cerne da crise económica e financeira em que vivemos, para além de todas as explicações técnicas, existem razões de ordem moral e humana, como a inveja, a cobiça ou a avareza. O Natal é por excelência uma época em que regra geral esses males humanos da nossa sociedade são momentaneamente afastados, para bem do nosso todo comum.
Por outro lado, e numa perspectiva mais material e tangível, o Natal, e todo o consumismo que lhe está associado, contribui também para o melhoramento das condições da nossa vivência em comunidade. A nossa sociedade evoluiu para uma organização que assenta numa Economia em triângulo, com os vértices Estado, Empresas e Famílias. É nestas 3 entidades que cada indivíduo se insere de formas diversas. E é na dinâmica que se gera à volta desse triângulo que se cria riqueza para podermos viver e sobreviver no mundo actual. O consumo é um dos principais combustíveis para se gerar essa dinâmica. Ao consumirmos estamos, desde logo, a adquirir um bem ou serviço essencial para a nossa própria existência, mas simultaneamente estamos a contribuir para que a empresa que nos fornece esse bem ou serviço, sobreviva economicamente, criando, assim, emprego. O círculo passa obrigatoriamente pelo Estado, entidade aglutinadora e que regula as relações entre todas as pessoas individuais ou colectivas, de modo a garantir um distribuição o mais equitativa e justa possível da riqueza que se vai gerando dessas relações.
O Natal é, assim, uma época boa para a nossa sociedade. Esta tradição da nossa herança cristã, evoluiu de forma saudável e positiva através dos tempos, constituindo hoje um ponto fundamental no nosso calendário. Uma época de reflexão interior, de entreajuda, de solidariedade, de fraternidade, mas ao mesmo tempo, uma época em que se alimenta a Economia e que se gera riqueza.
Desejamos, pois, um feliz natal, com muitas prendas e muita felicidade!
Desde logo, devido aos valores como a solidariedade, a generosidade, o altruísmo e a fraternidade, que assumem nesta altura do ano, uma forte presença dentro de cada ser humano. Infelizmente vivemos cada vez mais numa sociedade muito acelerada, sem tempo para os problemas dos outros, sem tempo sequer, às vezes, para os problemas dos nossos familiares. No Natal, pelo contrário, paramos e estamos muito mais alertas para esse tipo de questão. Evidentemente, este tipo de valores só podem contribuir positivamente para o nosso funcionamento enquanto sociedade. Por razões óbvias, claro, mas também porque muitos dos problemas por que estamos a passar actualmente têm origem em condições e sentimentos humanos opostos aos do Natal. No cerne da crise económica e financeira em que vivemos, para além de todas as explicações técnicas, existem razões de ordem moral e humana, como a inveja, a cobiça ou a avareza. O Natal é por excelência uma época em que regra geral esses males humanos da nossa sociedade são momentaneamente afastados, para bem do nosso todo comum.
Por outro lado, e numa perspectiva mais material e tangível, o Natal, e todo o consumismo que lhe está associado, contribui também para o melhoramento das condições da nossa vivência em comunidade. A nossa sociedade evoluiu para uma organização que assenta numa Economia em triângulo, com os vértices Estado, Empresas e Famílias. É nestas 3 entidades que cada indivíduo se insere de formas diversas. E é na dinâmica que se gera à volta desse triângulo que se cria riqueza para podermos viver e sobreviver no mundo actual. O consumo é um dos principais combustíveis para se gerar essa dinâmica. Ao consumirmos estamos, desde logo, a adquirir um bem ou serviço essencial para a nossa própria existência, mas simultaneamente estamos a contribuir para que a empresa que nos fornece esse bem ou serviço, sobreviva economicamente, criando, assim, emprego. O círculo passa obrigatoriamente pelo Estado, entidade aglutinadora e que regula as relações entre todas as pessoas individuais ou colectivas, de modo a garantir um distribuição o mais equitativa e justa possível da riqueza que se vai gerando dessas relações.
O Natal é, assim, uma época boa para a nossa sociedade. Esta tradição da nossa herança cristã, evoluiu de forma saudável e positiva através dos tempos, constituindo hoje um ponto fundamental no nosso calendário. Uma época de reflexão interior, de entreajuda, de solidariedade, de fraternidade, mas ao mesmo tempo, uma época em que se alimenta a Economia e que se gera riqueza.
Desejamos, pois, um feliz natal, com muitas prendas e muita felicidade!
20 dezembro 2011
Expresso das Nove mata Máquina de Lavar!
Os escribas aqui do blogue andam semi-letárgicos e angustiados, ainda que solidários entre si e cada um consigo próprio.
Não é que a razão seja de monta o suficiente para nos impedir de dormir ou de, et pour cause, nos impelir ao consumo desmedido de ansiolíticos, mas, caramba!, também não era preciso sermos esbofeteados tão cruamente.
Vem tudo isto a propósito de o defunto Expresso das Nove fazer o favor de, segundo o seu livre critério editorial, por vezes, citar um ou outro artigo da Máquina de Lavar. Ora, finado o Expresso da Nove e criado o jornaldiario.com (não o sabendo se publicado em papel), desapareceram as citações. Opção editorial livre, pois claro, até porque mudou a direcção e novas ideias haverá, foitendo sido mesmo criado um espaço próprio para blogues, com a respectiva ligação. Desse, por opção editorial livre e respeitosa, não faz parte a Máquina de Lavar. Portanto, não é daí que vem este estado semi-letárgico.
O que, verdadeiramente, anestesiou os escribas da Máquina de Lavar foi o facto de esta ter sido trocada por blogues que já nem sequer existem. Estão findos, parados há anos! Mas ressuscitados assim, por opção editorial livre, são mais do que ela: mortos mas vivos.
Estão, pois, a ver os leitores a razão da angústia?! Não é por termos sido trocados. Não é por não sermos nada, por opção editorial livre, para o jornaldiario.com. Não! O que, moderadamente, nos angustia é o termos sido trocados por nada.
Fenomenologicamente, não existimos porque não somos exteriormente reconhecidos. Somos um Nada que existe somente para si e, nessa medida, somos o vazio pleno, o absoluto sem substância que apenas mantém uma relação consigo próprio. Foi preciso uma opção editorial livre e uma troca por nada, para nos incutir a cruel realidade.
Qualquer dia, passada a angústia do momento da opção editorial livre e da troca por nada, mudaremos de nome. Talvez, fenomenologicamente, ressuscitemos!
Não é que a razão seja de monta o suficiente para nos impedir de dormir ou de, et pour cause, nos impelir ao consumo desmedido de ansiolíticos, mas, caramba!, também não era preciso sermos esbofeteados tão cruamente.
Vem tudo isto a propósito de o defunto Expresso das Nove fazer o favor de, segundo o seu livre critério editorial, por vezes, citar um ou outro artigo da Máquina de Lavar. Ora, finado o Expresso da Nove e criado o jornaldiario.com (não o sabendo se publicado em papel), desapareceram as citações. Opção editorial livre, pois claro, até porque mudou a direcção e novas ideias haverá, foitendo sido mesmo criado um espaço próprio para blogues, com a respectiva ligação. Desse, por opção editorial livre e respeitosa, não faz parte a Máquina de Lavar. Portanto, não é daí que vem este estado semi-letárgico.
O que, verdadeiramente, anestesiou os escribas da Máquina de Lavar foi o facto de esta ter sido trocada por blogues que já nem sequer existem. Estão findos, parados há anos! Mas ressuscitados assim, por opção editorial livre, são mais do que ela: mortos mas vivos.
Estão, pois, a ver os leitores a razão da angústia?! Não é por termos sido trocados. Não é por não sermos nada, por opção editorial livre, para o jornaldiario.com. Não! O que, moderadamente, nos angustia é o termos sido trocados por nada.
Fenomenologicamente, não existimos porque não somos exteriormente reconhecidos. Somos um Nada que existe somente para si e, nessa medida, somos o vazio pleno, o absoluto sem substância que apenas mantém uma relação consigo próprio. Foi preciso uma opção editorial livre e uma troca por nada, para nos incutir a cruel realidade.
Qualquer dia, passada a angústia do momento da opção editorial livre e da troca por nada, mudaremos de nome. Talvez, fenomenologicamente, ressuscitemos!
15 dezembro 2011
O sem vergonha - parte II
O clima era de festa, daquelas cegas em que todos batem palmas porque os outros também as batem, e nas festas praticam-se sempre vários exageros. Concedida a evidência, não há dúvidas de que a escola do Nobel filósofo parisiense veio para ficar, sobretudo porque o sucessor, seguro da sua sapiência, também quer que aqueles que praticam as boas contas paguem os calotes da irresponsabilidade. Ah, bom Cícero, que falta fazes nos tempos actuais!
13 dezembro 2011
O Estado de Negação do Governo dos Açores
A semana que passou ficou marcada pela publicação do Parecer do Tribunal de Contas à gestão do dos dinheiros públicos regionais no ano de 2010. A notícia passou mais ou menos incógnita, no entanto, este Parecer encerra dados que vão muito para além de preocupantes, são mesmo aterradores para o nosso futuro.
Há muito que vimos alertando aqui para os diversos sinais que nos dizem que esta governação socialista está a empurrar os Açores para um abismo. Este Parecer do Tribunal de Contas, entidade reconhecida por todos como credível e equidistante, vem provar todos os nossos piores receios e aumentar, nalguns casos, a nossa preocupação.
Mas o que diz então o Parecer? Comecemos pelo aparelho administrativo. Praticamente todo o governo regional, quase todas as secretarias e direcções regionais, estão duplicadas em muitas empresas públicas. Assim, o que temos é uma série de directores, administradores, assessores e o mais que se possa pensar tudo ao quadrado. O Tribunal de Contas diz que no sector público empresarial trabalham mais de 6000 pessoas e que só no ano de 2010 entraram mais 244 pessoas para essas empresas. Quando se sabe que a grande fatia da nossa dívida é responsabilidade dessas empresas públicas, cerca de 1.2 mil milhões de euros, e vê-se que a maioria não tem utilidade aparente a não ser dar empregos a certas pessoas, não podemos deixar de mostrar grande indignação. 1ª conclusão: este governo endivida os açorianos para poder dar emprego a uma minoria.
Falemos das SCUT e do novo Hospital de Angra. O governo regional começou por dizer aos açorianos que as SCUT iriam custar cerca de 300 milhões de euros. Depois já iam custar cerca 500 milhões, no entanto a verdade está bem longe disso. Segundo o Tribunal de Contas, no total, as SCUT custarão nada mais nada menos que 1.2 mil milhões de euros, que seremos nós, os nossos filhos e os nossos netos a pagar. A onerar não só nós próprios, mas também as gerações futuras temos igualmente o novo Hospital de Angra. Primeiro ia custar apenas 65 milhões de euros, depois já era 140 milhões, mas na verdade vai nos custar 378 milhões. São diferenças e derrapagens muito grandes. A incompetência não pode explicar tudo. De 320 milhões para 1.2 mil milhões e de 65 para 378 milhões?? E um pormenor importante, são obras que têm que ficar prontas antes das eleições de 2012, custe o que custar. 2ª conclusão: este governo endivida os açorianos para manter o poder a todo o custo, vendendo ilusões na forma de cimento e betão.
Passemos ao sector da Saúde. Desde logo referir que a Secretaria regional da Saúde está também ela duplicada numa empresa pública, a Saudaçor. O sistema é o mesmo: o governo não tem dívidas na Saúde, quem as tem é a Saudaçor. E serve ao mesmo tempo para empregar mais alguns administradores a peso de ouro. Mas a Saúde é uma área duma importância tão grande, que não podemos, sequer, ficar pelas minudências dos jobs. Não existe margem para erros na Saúde. No entanto, os factos dizem-nos que estamos perante uma situação de ruptura e gravidade máxima. O Presidente do Tribunal de Contas disse, e o Parecer confirma-o, que os 3 hospitais da região estão em situação de falência técnica. Logo no dia a seguir, ficamos a saber que os fornecedores de medicamentos aos hospitais dos Açores cortaram o fornecimento, por falta de pagamento. Ou seja, a partir de agora deixa de haver medicamentos nos nossos hospitais. As nossas vidas estão, portanto, em risco. E porquê? Porque estamos perante uma gestão irresponsável e incompetente por parte do governo regional que não nos consegue oferecer um sistema de saúde. 3ª conclusão: entretido consigo próprio e em manter os tentáculos a tocar em tudo, o governo socialista esqueceu-se do principal: cuidar dos açorianos.
Perante esta realidade dantesca que o Tribunal de Contas pôs a nu, o governo regional assobia para o lado. Já veio Sérgio Ávila dizer que ficou muito agradado com as conclusões do Parecer do Tribunal de Contas, num claro insulto à inteligência dos Açorianos, na linha, aliás, do que já tinha feito quando disse que a região tinha um superávit. Então, temos os hospitais em falência técnica, temos os fornecedores a cortarem os medicamentos aos hospitais, mais, temos a Administradora do Hospital de Ponta Delgada a demitir-se do cargo no seguimento de todos este emaranhado de dívidas, temos valores de dívida monstruosos, temos a realidade nua e crua na nossa frente a dizer-nos que estamos perante uma situação de abismo, e o governo, como sempre, faz de conta que não se passa nada. É o que se chama, no mundo da psiquiatria, o estado de negação. Este governo está em negação, vive numa redoma, dentro dos gabinetes das secretarias, das direcções, dos institutos, dos observatórios, das empresas públicas, totalmente alheado da realidade.
Desejamos, pois, um 2012 com novas políticas. Porque não é quem nos trouxe a este buraco, que agora o Tribunal de Contas comprova existir, que nos vai tirar dele. Desejamos e queremos um forte corte em todas esses gastos supérfluos da máquina administrativa e usar esses meios para as pessoas. É para as pessoas que se governa. Os políticos têm que compreender duma vez por todas que devem servir as pessoas e não, como se vê no governo dos Açores, servirem-se do bem público.
Há muito que vimos alertando aqui para os diversos sinais que nos dizem que esta governação socialista está a empurrar os Açores para um abismo. Este Parecer do Tribunal de Contas, entidade reconhecida por todos como credível e equidistante, vem provar todos os nossos piores receios e aumentar, nalguns casos, a nossa preocupação.
Mas o que diz então o Parecer? Comecemos pelo aparelho administrativo. Praticamente todo o governo regional, quase todas as secretarias e direcções regionais, estão duplicadas em muitas empresas públicas. Assim, o que temos é uma série de directores, administradores, assessores e o mais que se possa pensar tudo ao quadrado. O Tribunal de Contas diz que no sector público empresarial trabalham mais de 6000 pessoas e que só no ano de 2010 entraram mais 244 pessoas para essas empresas. Quando se sabe que a grande fatia da nossa dívida é responsabilidade dessas empresas públicas, cerca de 1.2 mil milhões de euros, e vê-se que a maioria não tem utilidade aparente a não ser dar empregos a certas pessoas, não podemos deixar de mostrar grande indignação. 1ª conclusão: este governo endivida os açorianos para poder dar emprego a uma minoria.
Falemos das SCUT e do novo Hospital de Angra. O governo regional começou por dizer aos açorianos que as SCUT iriam custar cerca de 300 milhões de euros. Depois já iam custar cerca 500 milhões, no entanto a verdade está bem longe disso. Segundo o Tribunal de Contas, no total, as SCUT custarão nada mais nada menos que 1.2 mil milhões de euros, que seremos nós, os nossos filhos e os nossos netos a pagar. A onerar não só nós próprios, mas também as gerações futuras temos igualmente o novo Hospital de Angra. Primeiro ia custar apenas 65 milhões de euros, depois já era 140 milhões, mas na verdade vai nos custar 378 milhões. São diferenças e derrapagens muito grandes. A incompetência não pode explicar tudo. De 320 milhões para 1.2 mil milhões e de 65 para 378 milhões?? E um pormenor importante, são obras que têm que ficar prontas antes das eleições de 2012, custe o que custar. 2ª conclusão: este governo endivida os açorianos para manter o poder a todo o custo, vendendo ilusões na forma de cimento e betão.
Passemos ao sector da Saúde. Desde logo referir que a Secretaria regional da Saúde está também ela duplicada numa empresa pública, a Saudaçor. O sistema é o mesmo: o governo não tem dívidas na Saúde, quem as tem é a Saudaçor. E serve ao mesmo tempo para empregar mais alguns administradores a peso de ouro. Mas a Saúde é uma área duma importância tão grande, que não podemos, sequer, ficar pelas minudências dos jobs. Não existe margem para erros na Saúde. No entanto, os factos dizem-nos que estamos perante uma situação de ruptura e gravidade máxima. O Presidente do Tribunal de Contas disse, e o Parecer confirma-o, que os 3 hospitais da região estão em situação de falência técnica. Logo no dia a seguir, ficamos a saber que os fornecedores de medicamentos aos hospitais dos Açores cortaram o fornecimento, por falta de pagamento. Ou seja, a partir de agora deixa de haver medicamentos nos nossos hospitais. As nossas vidas estão, portanto, em risco. E porquê? Porque estamos perante uma gestão irresponsável e incompetente por parte do governo regional que não nos consegue oferecer um sistema de saúde. 3ª conclusão: entretido consigo próprio e em manter os tentáculos a tocar em tudo, o governo socialista esqueceu-se do principal: cuidar dos açorianos.
Perante esta realidade dantesca que o Tribunal de Contas pôs a nu, o governo regional assobia para o lado. Já veio Sérgio Ávila dizer que ficou muito agradado com as conclusões do Parecer do Tribunal de Contas, num claro insulto à inteligência dos Açorianos, na linha, aliás, do que já tinha feito quando disse que a região tinha um superávit. Então, temos os hospitais em falência técnica, temos os fornecedores a cortarem os medicamentos aos hospitais, mais, temos a Administradora do Hospital de Ponta Delgada a demitir-se do cargo no seguimento de todos este emaranhado de dívidas, temos valores de dívida monstruosos, temos a realidade nua e crua na nossa frente a dizer-nos que estamos perante uma situação de abismo, e o governo, como sempre, faz de conta que não se passa nada. É o que se chama, no mundo da psiquiatria, o estado de negação. Este governo está em negação, vive numa redoma, dentro dos gabinetes das secretarias, das direcções, dos institutos, dos observatórios, das empresas públicas, totalmente alheado da realidade.
Desejamos, pois, um 2012 com novas políticas. Porque não é quem nos trouxe a este buraco, que agora o Tribunal de Contas comprova existir, que nos vai tirar dele. Desejamos e queremos um forte corte em todas esses gastos supérfluos da máquina administrativa e usar esses meios para as pessoas. É para as pessoas que se governa. Os políticos têm que compreender duma vez por todas que devem servir as pessoas e não, como se vê no governo dos Açores, servirem-se do bem público.
Um rei é sempre livre
“Um rei é rei, não por ser rico e poderoso, não por ser um político bem sucedido, nem por pertencer a uma determinada ortodoxia ou grupo nacional. Ele é rei porque nasceu. E, ao deixar a selecção do seu Chefe de Estado a este denominador mais comum do mundo - o acidente do nascimento - [o povo], implicitamente, proclama a sua fé na igualdade da condição humana; a sua esperança pelo triunfo da natureza sobre a manobra política, sobre interesses financeiros e sociais; pela vitória da pessoa humana."
Jacques Monet
07 dezembro 2011
O sem-vergonha
É verdade que olho para o homem da mesma forma que faço com as personagens da Disney. Quando é preciso descomprimir, nada como ir para a twilight zone. Agora que a realidade nos fulminou, pensei que nunca mais iria escrever sobre a criatura. No entanto, face às execráveis declarações que prestou, estou indignado e apetece-me reproduzir uma quantidade imprópria de vernáculo popular, coisa que o bom senso, que ele não tem, impõe conter.
É absolutamente inqualificável o dito do personagem, ainda que na ignorância daquilo que afirma que estudou, mesmo não se sabendo muito bem onde ou como.
Este sujeito é o responsável político directo pela maioria dos males economico-financeiros que Portugal atravessa.
Este sujeito é o responsável político directo pelo empobrecimento geral que os cidadãos portugueses estão a sofrer.
Este sujeito é o responsável político directo pelo extermínio da classe média portuguesa.
Este sujeito é o responsável político directo pela duplicação da dívida pública.
Este sujeito não tem vergonha. E, porque foi primeiro-ministro, deveria tê-la.
Não a tendo ele, tenho-a eu, perante os nossos credores.
Por causa disso, estou (estamos) a pagar bem caro as tropelias cometidas.
Homem de bem que sou, honro os meus compromissos.
Ele, devendo fazê-lo igualmente, escolhe outro caminho.
Atendendo às suas palavras, decididamente, vivemos em mundos diferentes e regemo-nos segundo princípios opostos.
Ainda bem que neste caso é tudo preto e branco.
06 dezembro 2011
30 novembro 2011
Plano e Orçamento 2012 - Das Apostas às Propostas

Está-se a debater esta semana na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, na generalidade, o Plano e Orçamento da região para 2012. Quer isto dizer que se estão a discutir e a traçar as linhas mestras de como vai ser gerido o nosso dinheiro para o próximo ano.
Segundo a proposta do governo e o seus dados oficiais, o Orçamento do próximo ano será de 1,079 milhões de euros, menos 270 milhões que o Orçamento deste ano. Ou seja, há uma redução de cerca de 17% no total. No entanto, e ainda segundo dados oficiais, os cortes nos gastos do aparelho governativo não acompanharão o corte do total. Porque se o corte no total é de 17%, os cortes nas aquisições de bens e serviços e nas despesas com pessoal será de apenas 5,7%. E o corte nas despesas correntes será de apenas 12%. Ou seja, no fundo, as despesas de funcionamento, da já enorme máquina governativa, vão é aumentar.
Mas isso é novidade. Aliás, se há algo que não pode ser apontado ao governo regional dos Açores nos últimos anos é de falta de coerência na forma como gere o nosso dinheiro. Tem sido sempre igual: no triângulo que sustenta qualquer economia: famílias, empresas e Estado, o governo regional socialista tem vindo sempre a fazer igual: tira das famílias e das empresas para aumentar no seu próprio peso. Assim, consegue criar mais organismos, observatórios, direcções regionais, assessorias, institutos públicos e mantém as empresas públicas. Tudo numa óptica de favores por empregos, com vista, claro, às eleições do próximo ano.
Trata-se, como é evidente, duma forma altamente irresponsável de governar os Açores. Porque, como facilmente se vê, o interesse e o objectivo deste governo e do partido que o sustenta não é o desenvolvimento económico do todo regional. O interesse e o objectivo deste governo e do partido que o sustenta não é evitar o aumento desenfreado do desemprego ou a morte lenta do tecido empresarial privado. Não, o interesse e o objectivo deste governo e do partido que o sustenta é manter-se no poder. Uma forma irresponsável de governar que já fez mal demais ao país e à região.
Perante a evidência que o governo regional está cada vez mais pesado e com cada vez maior tendência de criar jobs, o PSD-Açores apresentou propostas para inverter essa tendência e devolver a possibilidade de criação de riqueza ao sector privado, às pessoas, às famílias.
Para tal, antes demais, o PSD-Açores fez uma ronda pelos principais parceiros sociais e ouviu a sociedade civil. Assim, os sociais-democratas apresentaram propostas que têm exactamente como objectivo acabar com as gorduras do governo regional. O PSD-Açores propôs, por exemplo e em concreto, que o governo cortasse em 50% os seus gastos supérfluos em telemóveis, viagens dos seus membros, seminários, publicidades etc. e cortar também 50% nos administradores das empresas públicas regionais e usar essas verbas para reforçar o apoio às famílias mais carenciadas e às pequenas, médias e micro empresas, que estão a passar por enormes dificuldades. Além disso o PSD-Açores propôs também um aumento de 10 euros para o complemento dos pensionistas mais necessitados, ao contrário dos 4.5€ propostos pelo PS.
No entanto, certamente que a maioria parlamentar socialista não vai aprovar nenhuma destas valiosas propostas. Desde logo, por uma incompreensível questão de princípio de autismo político-partidário, e depois porque aprovar estas medidas seria o admitir do falhanço da governação socialista.
Espera-se, porém, que este seja o último Orçamento proposto pelo governo socialista. Espera-se que no próximo ano os açorianos já possam usufruir dum Orçamento feito e pensado para os próprios Açorianos, para o todo regional e não para a minoria que governa e ocupa os cargos públicos dirigentes.
Segundo a proposta do governo e o seus dados oficiais, o Orçamento do próximo ano será de 1,079 milhões de euros, menos 270 milhões que o Orçamento deste ano. Ou seja, há uma redução de cerca de 17% no total. No entanto, e ainda segundo dados oficiais, os cortes nos gastos do aparelho governativo não acompanharão o corte do total. Porque se o corte no total é de 17%, os cortes nas aquisições de bens e serviços e nas despesas com pessoal será de apenas 5,7%. E o corte nas despesas correntes será de apenas 12%. Ou seja, no fundo, as despesas de funcionamento, da já enorme máquina governativa, vão é aumentar.
Mas isso é novidade. Aliás, se há algo que não pode ser apontado ao governo regional dos Açores nos últimos anos é de falta de coerência na forma como gere o nosso dinheiro. Tem sido sempre igual: no triângulo que sustenta qualquer economia: famílias, empresas e Estado, o governo regional socialista tem vindo sempre a fazer igual: tira das famílias e das empresas para aumentar no seu próprio peso. Assim, consegue criar mais organismos, observatórios, direcções regionais, assessorias, institutos públicos e mantém as empresas públicas. Tudo numa óptica de favores por empregos, com vista, claro, às eleições do próximo ano.
Trata-se, como é evidente, duma forma altamente irresponsável de governar os Açores. Porque, como facilmente se vê, o interesse e o objectivo deste governo e do partido que o sustenta não é o desenvolvimento económico do todo regional. O interesse e o objectivo deste governo e do partido que o sustenta não é evitar o aumento desenfreado do desemprego ou a morte lenta do tecido empresarial privado. Não, o interesse e o objectivo deste governo e do partido que o sustenta é manter-se no poder. Uma forma irresponsável de governar que já fez mal demais ao país e à região.
Perante a evidência que o governo regional está cada vez mais pesado e com cada vez maior tendência de criar jobs, o PSD-Açores apresentou propostas para inverter essa tendência e devolver a possibilidade de criação de riqueza ao sector privado, às pessoas, às famílias.
Para tal, antes demais, o PSD-Açores fez uma ronda pelos principais parceiros sociais e ouviu a sociedade civil. Assim, os sociais-democratas apresentaram propostas que têm exactamente como objectivo acabar com as gorduras do governo regional. O PSD-Açores propôs, por exemplo e em concreto, que o governo cortasse em 50% os seus gastos supérfluos em telemóveis, viagens dos seus membros, seminários, publicidades etc. e cortar também 50% nos administradores das empresas públicas regionais e usar essas verbas para reforçar o apoio às famílias mais carenciadas e às pequenas, médias e micro empresas, que estão a passar por enormes dificuldades. Além disso o PSD-Açores propôs também um aumento de 10 euros para o complemento dos pensionistas mais necessitados, ao contrário dos 4.5€ propostos pelo PS.
No entanto, certamente que a maioria parlamentar socialista não vai aprovar nenhuma destas valiosas propostas. Desde logo, por uma incompreensível questão de princípio de autismo político-partidário, e depois porque aprovar estas medidas seria o admitir do falhanço da governação socialista.
Espera-se, porém, que este seja o último Orçamento proposto pelo governo socialista. Espera-se que no próximo ano os açorianos já possam usufruir dum Orçamento feito e pensado para os próprios Açorianos, para o todo regional e não para a minoria que governa e ocupa os cargos públicos dirigentes.
29 novembro 2011
27 novembro 2011
O lado certo do Homem
Há locais onde a humildade, rectidão e honestidade das suas gentes ainda são lemas de união e diferença. É bom sentarmo-nos ao lado delas.
22 novembro 2011
Trabalho, precisa-se.
A semana que passou ficou marcada pelo novo aumento do desemprego nos Açores. Segundo os dados oficiais, os desempregados já são mais de 14.000. E claro, sabemos que estes números não revelam toda a realidade do desemprego nos Açores, que está escondida atrás de medidas de cosmética.
O Presidente do Governo regional diz que os responsáveis pelo desemprego nos Açores são entidades externas. A culpa nunca é dele, apesar de ele ser o Presidente do governo regional, entidade responsável pelas políticas de emprego na região. É claro que César já não engana ninguém com esse discurso, nem sequer os próprios militantes socialistas. A culpa é essencialmente do governo regional.
O aumento do desemprego nos Açores é também, é certo, resultado da crise internacional que vivemos, mas é essencialmente resultado de políticas erradas e avulsas do governo regional liderado por Carlos César e Vasco Cordeiro. Destes quase 16 anos de poder, os governos socialistas só conseguiram fazer obra de betão e cimento. Nunca souberam dar respostas em áreas estruturantes, mas com pouca visibilidade a curto prazo, como a Educação ou a competitividade empresarial do sector privado. Preocuparam-se, essencialmente, com políticas viradas para o eleitoralismo.
Mas há soluções. Desde logo, mudar o governo socialista de César e Vasco Cordeiro. É que este governo tem medo da própria sombra. Tem medo de tudo que não possa controlar, por isso prefere ter uma sociedade privada fraquinha e de mão estendida e dependente de apoios públicos. Por isso, as primeiras medidas de um novo governo dos Açores deverão ser para fortalecer o sector privado, para que fique pujante e forte, capaz de gerar riqueza e emprego. Sem receios de nenhuma espécie. Temos que tirar do sector público para devolver ao sector privado. É que, segundo o Orçamento da região para 2011, 45% destina-se a cobrir as despesas de funcionamento e 22% destina-se a garantir as despesas com pessoal. Ou seja, a máquina governativa nos Açores é grande, grande demais, e não cria riqueza, só consome.
Há também que repensar a educação nos Açores. Nós não queremos formação profissional para encher ou ocupar as pessoas, nós queremos formação profissional direccionada às necessidades que a nossa região tem. No mesmo sentido o papel da nossa Universidade. Não queremos cursos e mais cursos apenas para termos altos números de licenciados, que depois acabam no desemprego. Queremos sim cursos e licenciados em áreas que importem e direccionadas à criação de riqueza. E antes de tudo isso, fazer um verdadeiro levantamento, uma verdadeira auditoria da real situação dos Açores. Porque, receamos que este governo não nos diz tudo. Não queremos saber apenas as coisas básicas, como o real tamanho da nossa dívida. Queremos saber o quê importamos. Queremos saber se importamos, por exemplo, produtos hortícolas que podíamos ser nós próprios açorianos a produzir. Se me disserem que há 20 anos os Açores eram auto-suficientes em diversos produtos, como a batata ou a fava e hoje somos dependentes de importações, então há aí espaço para se criar emprego e riqueza a favor dos Açores.
Os Açores têm uma história que mostra sermos pessoas capazes de suster adversidades, somos resistentes, somos inventivos, somos, enfim, pessoas aptas. Além disso, temos recursos naturais únicos que devemos aproveitar em nosso favor e não, como faz o governo de César, os destruir. No mundo globalizado em que vivemos estas são mais-valias fundamentais que temos que aproveitar. O governo de César e Vasco Cordeiro fez, de facto, obras importantes para o desenvolvimento da região. Mas chegou ao fim da linha! Está a cair de podre de estar muitos anos seguidos no poder. Só pensam em si e em serem reeleitos. Não têm visão de futuro. Por isso, precisamos de pessoas novas, com abordagens diferentes e soluções políticas novas que nos tirem desta espiral de pobreza em que estamos cada vez mais metidos.
O Presidente do Governo regional diz que os responsáveis pelo desemprego nos Açores são entidades externas. A culpa nunca é dele, apesar de ele ser o Presidente do governo regional, entidade responsável pelas políticas de emprego na região. É claro que César já não engana ninguém com esse discurso, nem sequer os próprios militantes socialistas. A culpa é essencialmente do governo regional.
O aumento do desemprego nos Açores é também, é certo, resultado da crise internacional que vivemos, mas é essencialmente resultado de políticas erradas e avulsas do governo regional liderado por Carlos César e Vasco Cordeiro. Destes quase 16 anos de poder, os governos socialistas só conseguiram fazer obra de betão e cimento. Nunca souberam dar respostas em áreas estruturantes, mas com pouca visibilidade a curto prazo, como a Educação ou a competitividade empresarial do sector privado. Preocuparam-se, essencialmente, com políticas viradas para o eleitoralismo.
Mas há soluções. Desde logo, mudar o governo socialista de César e Vasco Cordeiro. É que este governo tem medo da própria sombra. Tem medo de tudo que não possa controlar, por isso prefere ter uma sociedade privada fraquinha e de mão estendida e dependente de apoios públicos. Por isso, as primeiras medidas de um novo governo dos Açores deverão ser para fortalecer o sector privado, para que fique pujante e forte, capaz de gerar riqueza e emprego. Sem receios de nenhuma espécie. Temos que tirar do sector público para devolver ao sector privado. É que, segundo o Orçamento da região para 2011, 45% destina-se a cobrir as despesas de funcionamento e 22% destina-se a garantir as despesas com pessoal. Ou seja, a máquina governativa nos Açores é grande, grande demais, e não cria riqueza, só consome.
Há também que repensar a educação nos Açores. Nós não queremos formação profissional para encher ou ocupar as pessoas, nós queremos formação profissional direccionada às necessidades que a nossa região tem. No mesmo sentido o papel da nossa Universidade. Não queremos cursos e mais cursos apenas para termos altos números de licenciados, que depois acabam no desemprego. Queremos sim cursos e licenciados em áreas que importem e direccionadas à criação de riqueza. E antes de tudo isso, fazer um verdadeiro levantamento, uma verdadeira auditoria da real situação dos Açores. Porque, receamos que este governo não nos diz tudo. Não queremos saber apenas as coisas básicas, como o real tamanho da nossa dívida. Queremos saber o quê importamos. Queremos saber se importamos, por exemplo, produtos hortícolas que podíamos ser nós próprios açorianos a produzir. Se me disserem que há 20 anos os Açores eram auto-suficientes em diversos produtos, como a batata ou a fava e hoje somos dependentes de importações, então há aí espaço para se criar emprego e riqueza a favor dos Açores.
Os Açores têm uma história que mostra sermos pessoas capazes de suster adversidades, somos resistentes, somos inventivos, somos, enfim, pessoas aptas. Além disso, temos recursos naturais únicos que devemos aproveitar em nosso favor e não, como faz o governo de César, os destruir. No mundo globalizado em que vivemos estas são mais-valias fundamentais que temos que aproveitar. O governo de César e Vasco Cordeiro fez, de facto, obras importantes para o desenvolvimento da região. Mas chegou ao fim da linha! Está a cair de podre de estar muitos anos seguidos no poder. Só pensam em si e em serem reeleitos. Não têm visão de futuro. Por isso, precisamos de pessoas novas, com abordagens diferentes e soluções políticas novas que nos tirem desta espiral de pobreza em que estamos cada vez mais metidos.
21 novembro 2011
Sobre o exercício do poder
Em tempo de vacas gordas, súcios no poder; aquando das magras, gente de bem, de boas contas e de vergonha na cara.
Para os primeiros, quem vem atrás que arrume a casa e feche a porta, se casa ainda houver, que depois lá estarão eles novamente prontos para as quimeras.
Para os primeiros, quem vem atrás que arrume a casa e feche a porta, se casa ainda houver, que depois lá estarão eles novamente prontos para as quimeras.
20 novembro 2011
17 novembro 2011
Que feriados eliminar?
A votação está aberta:
a) 25 de Abril e 05 de Outubro 1910
b) 25 de Abril, 01 de Maio e 05 Outubro 1910
c) 25 de Abril, criando-se 25 de Novembro
d) 05 de Outubro 1910, criando-se 05 de Outubro de 1143
e) 25 de Abril e 05 Outubro 1910, criando-se 25 Novembro e 05 Outubro 1143
f) Todos
g) Todos os civis
h) Todos os religiosos
i) Nenhuns
j) Nenhuns, criando-se 25 de Novembro
k) Outros
l) É pá, o Otelo decide pois a batalha da produção e o Campo Pequeno são já ali
a) 25 de Abril e 05 de Outubro 1910
b) 25 de Abril, 01 de Maio e 05 Outubro 1910
c) 25 de Abril, criando-se 25 de Novembro
d) 05 de Outubro 1910, criando-se 05 de Outubro de 1143
e) 25 de Abril e 05 Outubro 1910, criando-se 25 Novembro e 05 Outubro 1143
f) Todos
g) Todos os civis
h) Todos os religiosos
i) Nenhuns
j) Nenhuns, criando-se 25 de Novembro
k) Outros
l) É pá, o Otelo decide pois a batalha da produção e o Campo Pequeno são já ali
16 novembro 2011
Da Autonomia da RTP-Açores
Lei n.º 32/2003
de 22 de Agosto
Lei da Televisão
"(...) Artigo 50.º
...
3 - O capital da sociedade referida no n.º 1 será maioritariamente detido pela respectiva Região
autónoma e pela Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, S. A., podendo nela participar outras
entidades públicas ou privadas.(...)"
de 22 de Agosto
Lei da Televisão
"(...) Artigo 50.º
...
3 - O capital da sociedade referida no n.º 1 será maioritariamente detido pela respectiva Região
autónoma e pela Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, S. A., podendo nela participar outras
entidades públicas ou privadas.(...)"
Foram divulgadas as conclusões do grupo de trabalho liderado por João Duque, relativamente ao futuro do serviço público de televisão e rádio em Portugal. Das várias recomendações, interessa-nos as que se referem aos Açores, que vêm emparelhadas com a Madeira, já num claro sinal de centralismo, naquela já conhecida mania de meter tudo no mesmo saco. Diz então o relatório que os dois centros já cumpriram a sua missão histórica de afirmação das autonomias e de ligação entre si e ao Continente. Afirma, no entanto, que essa missão está acabada, uma vez que existe a tendência para os poderes políticos das regiões tornarem cativos os canais.
Em português corrente, o grupo de trabalho, entre uma condescendente palmadinha nas costas, diz que a RTP-Açores é para fechar, porque já não faz sentido a sua existência e porque é alvo de instrumentalização por parte do governo regional.
Só quem não conhece a nossa realidade arquipelágica é que pode afirmar que o papel da RTP-Açores está acabado. Obviamente que não está. O serviço público de televisão nos Açores tem ainda um papel fundamental a desempenhar no nosso desenvolvimento. Aliás, tal como a nossa Autonomia, a RTP-Açores está agora no começo. Durante anos Lisboa impediu-nos de construir e de cimentar a nossa unidade açoriana, sempre numa lógica de dividir para reinar e assente numa política de aperto económico. Com o advento da Autonomia os Açorianos finalmente uniram-se em redor dum projecto comum. Neste contexto, e porque a Autonomia jamais estará acabada, a RTP-Açores continua a ser essencial.
No entanto, apesar da RTP-Açores ter ajudado a construir a Autonomia, não é, ela própria, autónoma, nem, tão pouco, faz parte do pacote que constitui a Autonomia. Porque ser-se autónomo é ter-se a capacidade de decidir e gerir sobre aquilo que nos diz respeito, como melhor entendermos. E como agora se vê, os açorianos estão arredados do processo de decisão sobre o futuro da sua televisão. E isso acontece por uma simples razão: não somos nós, Açorianos, através do nosso governo próprio, que financiamos a RTP-Açores. Se queremos decidir como será o serviço público regional de televisão, temos que assegurar, também, o seu financiamento. E neste contexto não podemos deixar de apontar alguma incoerências graves ao governo regional que, aliás, contribuíram e muito para que se tivesse chegado a esta situação.
O governo regional socialista, talvez numa lógica de luta partidária, recusa-se a entrar no financiamento da RTP-Açores, permitindo este triste processo de empobrecimento a que aquela instituição tem sido votada. No entanto, o governo regional já deu um financiamento de 450 mil euros à RTP-Açores para fazer face aos cortes de Lisboa. Mas é preciso mais. Ora, para um governo que gasta milhões diariamente, em coisas que não têm nenhum retorno para os Açores, como um site na internet que custou já mais de um milhão de euros, seria aceitável investir mais na nossa televisão regional, que nos presta um serviço essencial. Além disso, o próprio César já disse que é favor que o governo regional intervenha em empresas privadas para salvaguardar os respectivos postos de trabalho. Se o governo interveio, por exemplo na conserveira Santa Catarina com mais de 30 milhões de euros, porque não fazer o mesmo na RTP-Açores, garantindo, por um lado, os postos de trabalho que são fundamentais ao seu funcionamento e, por outro, a manutenção dum serviço que é indispensável para os Açorianos?
O serviço de televisão nos Açores é capital para a nossa região. O seu futuro deve passar, porém, por uma grande reestruturação a todos os níveis. Desde o espaço físico, que já deveria estar todo centralizado no actual edifício da rádio em Ponta Delgada, até aos equipamentos que são obsoletos e desactualizados pesando na factura final do serviço, passando, evidentemente, por uma redefinição dos recursos humanos, numa lógica de se assegurar uma correcta relação vencimento/produtividade, tudo isto com o objectivo final de termos um serviço público de televisão e rádio eficaz e ajustado à nossa realidade. Em relação ao financiamento, a nova RTP-Açores deverá ser detida maioritariamente pelo governo regional, mas com possibilidade de participação de outras entidades publicas ou privadas regionais. Deve ser financeiramente autónoma e independente para não estar à mercê das tendências controleiras de quem estiver no poder.
15 novembro 2011
Declaração de não voto
Eu, abaixo assinado, estando na posse de todas as minhas faculdades mentais, e para conhecimento público, declaro de livre vontade que não votarei no partido político dirigido pelo senhor Carlos César, e do qual será cabeça-de-lista Vasco Cordeiro, nas eleições regionais a realizar em Outubro de 2012.
Assim sendo, solicito aos meus "amigos" socialistas no Facebook e aos meus amigos socialistas que também são meus "amigos" no Facebook que se abstenham de associar o meu nome a uma qualquer lista de apoio ao indigitado supra identificado.
Saudações democráticas
Assim sendo, solicito aos meus "amigos" socialistas no Facebook e aos meus amigos socialistas que também são meus "amigos" no Facebook que se abstenham de associar o meu nome a uma qualquer lista de apoio ao indigitado supra identificado.
Saudações democráticas
14 novembro 2011
13 novembro 2011
08 novembro 2011
Para onde vão os subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos açorianos»
A ruinosa governação de Sócrates, levou o novo governo de Pedro Passos Coelho a tomar medidas extremas para salvar o país da bancarrota. Entre muitas medidas, destacam-se o generalizado aumento de impostos e a retenção do 13º e 14º mês dos funcionários públicos. Como já se sabe, esta é uma medida muito dura que vai ter efeitos altamente recessivos na economia do país, pois o consumo vai inevitavelmente baixar consideravelmente, com as empresas a sofrerem baixas graves nas suas contas. O efeito em cascata continua, acabando num aumento do desemprego e todos os problemas sociais que daí advêm. É este o preço que Portugal continental terá que pagar por anos de governação irresponsável. Temos que o aceitar como um mal necessário.
Mas nos Açores a situação não tem que ser necessariamente a mesma. É que os ordenados da função pública açoriana são pagos pelo Orçamento da região. Assim, se o governo regional entender cortar os subsídios de férias e Natal aos funcionários públicos açorianos, esse dinheiro não irá para o tal esforço nacional, razão única pela qual se vão retirar os subsídios. Não, no caso dos açorianos, os seus subsídios irão direitinhos para os cofres do governo de Carlos César. É verdade que para 2012, Lisboa vai cortar cerca de 15 milhões de euros nas transferências para os Açores, no âmbito da Lei de Finanças Regionais. Mas, segundo os valores oficiais, a retenção de dois subsídios de todos os funcionários públicos açorianos representa qualquer coisa como 42 milhões de euros. Ou seja, o governo de César perde 15 para o esforço nacional mas ganha 42 milhões saídos directamente dos bolsos dos funcionários públicos açorianos.
Além disso, o governo regional dos Açores vai também ver os seus cofres engordar e muito com os aumentos de impostos. Como sabemos todos os impostos colectados aqui nos Açores ficam aqui, no âmbito da nossa Autonomia. Serão vários milhões a saírem dos bolsos dos açorianos para o governo regional.
Carlos César e o Secretário da Economia Vasco Cordeiro devem estar a esfregar as mãos de contentes com entrada de todo esse dinheiro, ainda por cima nem tiveram que tomar as medidas duras. É só lucro. Claro que vão utilizar essas verbas extraordinárias em eleitoralismo com vista às regionais de 2012. Aliás, o próprio César já disse que governo vai usar esse dinheiro extra “para consolidar as contas da região, ajudar empresas e as famílias mais carenciadas”. Mas se traduzirmos isso para a realidade temos que:
• consolidar as contas da região significa permitir que as mega endividadas empresas públicas sobrevivam pelo menos até depois de 2012
• ajudar as empresas significa fazer mais obra de cimento e betão de utilidade duvidosa, para aparecer na tv a cortar a fitinha, utilizando para o efeito as empresas do costume que ganham sempre misteriosamente todos os ajustes directos e concursos públicos
• e ajudar as famílias mais carenciadas significa que se vai conseguir manter as prestações sociais, como o RSI e subsídio de desemprego também até 2012.
Ou seja, como sempre, o importante é manter as aparências até às eleições e depois, há-de se ver. É a escola de Sócrates, no seu pior, sem tirar nem pôr.
Ora, não seria muito mais produtivo e positivo para a sociedade se o governo regional deixasse algum desse dinheiro com as pessoas, com as famílias? Em vez de encaixar os 42 milhões dos dois subsídios, não poderia, talvez, reter apenas um dos subsídios e deixar o outro para as pessoas? É que retendo um, o governo regional já encaixaria 21 milhões de euros, que chegaria e sobrava para cobrir o corte de 15 milhões que Lisboa impôs. Assim, sempre se minimizariam os tais efeitos recessivos em cascata que já sabemos irão acontecer no continente. Mas obviamente não se espera que um governo como o de Carlos César e de Vasco Cordeiro faça uma coisa dessas. Para esses políticos do passado, que têm a escola de quererem o poder todo para si e que gostam é de terem as populações a andarem atrás deles a mendigar, sejam as empresas a pedirem trabalho, sejam as pessoas a pedirem apoios, para esses políticos a tentação de ficar com esse encaixe extra é demasiada para ser ignorada.
Se os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos açorianos não vão entrar no esforço nacional de salvação do país, então que se chegue aqui a uma solução de compromisso. Que não seja o governo regional a ser sempre o elemento central de toda a economia. Esta sovietização da sociedade açoriana já basta. Temos um governo omnipresente e omnipotente que castra qualquer possibilidade de empreendedorismo privado. Que haja coragem política e se deixe serem as pessoas e as empresas privadas a gerarem riqueza e a dinamizarem a economia e a sociedade.
Mas nos Açores a situação não tem que ser necessariamente a mesma. É que os ordenados da função pública açoriana são pagos pelo Orçamento da região. Assim, se o governo regional entender cortar os subsídios de férias e Natal aos funcionários públicos açorianos, esse dinheiro não irá para o tal esforço nacional, razão única pela qual se vão retirar os subsídios. Não, no caso dos açorianos, os seus subsídios irão direitinhos para os cofres do governo de Carlos César. É verdade que para 2012, Lisboa vai cortar cerca de 15 milhões de euros nas transferências para os Açores, no âmbito da Lei de Finanças Regionais. Mas, segundo os valores oficiais, a retenção de dois subsídios de todos os funcionários públicos açorianos representa qualquer coisa como 42 milhões de euros. Ou seja, o governo de César perde 15 para o esforço nacional mas ganha 42 milhões saídos directamente dos bolsos dos funcionários públicos açorianos.
Além disso, o governo regional dos Açores vai também ver os seus cofres engordar e muito com os aumentos de impostos. Como sabemos todos os impostos colectados aqui nos Açores ficam aqui, no âmbito da nossa Autonomia. Serão vários milhões a saírem dos bolsos dos açorianos para o governo regional.
Carlos César e o Secretário da Economia Vasco Cordeiro devem estar a esfregar as mãos de contentes com entrada de todo esse dinheiro, ainda por cima nem tiveram que tomar as medidas duras. É só lucro. Claro que vão utilizar essas verbas extraordinárias em eleitoralismo com vista às regionais de 2012. Aliás, o próprio César já disse que governo vai usar esse dinheiro extra “para consolidar as contas da região, ajudar empresas e as famílias mais carenciadas”. Mas se traduzirmos isso para a realidade temos que:
• consolidar as contas da região significa permitir que as mega endividadas empresas públicas sobrevivam pelo menos até depois de 2012
• ajudar as empresas significa fazer mais obra de cimento e betão de utilidade duvidosa, para aparecer na tv a cortar a fitinha, utilizando para o efeito as empresas do costume que ganham sempre misteriosamente todos os ajustes directos e concursos públicos
• e ajudar as famílias mais carenciadas significa que se vai conseguir manter as prestações sociais, como o RSI e subsídio de desemprego também até 2012.
Ou seja, como sempre, o importante é manter as aparências até às eleições e depois, há-de se ver. É a escola de Sócrates, no seu pior, sem tirar nem pôr.
Ora, não seria muito mais produtivo e positivo para a sociedade se o governo regional deixasse algum desse dinheiro com as pessoas, com as famílias? Em vez de encaixar os 42 milhões dos dois subsídios, não poderia, talvez, reter apenas um dos subsídios e deixar o outro para as pessoas? É que retendo um, o governo regional já encaixaria 21 milhões de euros, que chegaria e sobrava para cobrir o corte de 15 milhões que Lisboa impôs. Assim, sempre se minimizariam os tais efeitos recessivos em cascata que já sabemos irão acontecer no continente. Mas obviamente não se espera que um governo como o de Carlos César e de Vasco Cordeiro faça uma coisa dessas. Para esses políticos do passado, que têm a escola de quererem o poder todo para si e que gostam é de terem as populações a andarem atrás deles a mendigar, sejam as empresas a pedirem trabalho, sejam as pessoas a pedirem apoios, para esses políticos a tentação de ficar com esse encaixe extra é demasiada para ser ignorada.
Se os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos açorianos não vão entrar no esforço nacional de salvação do país, então que se chegue aqui a uma solução de compromisso. Que não seja o governo regional a ser sempre o elemento central de toda a economia. Esta sovietização da sociedade açoriana já basta. Temos um governo omnipresente e omnipotente que castra qualquer possibilidade de empreendedorismo privado. Que haja coragem política e se deixe serem as pessoas e as empresas privadas a gerarem riqueza e a dinamizarem a economia e a sociedade.
07 novembro 2011
06 novembro 2011
La piovra
Um polvo não pode ter asas. Claro que não! Tem tentáculos, e bem grandes, como ainda hoje vi!
02 novembro 2011
Será a SATA o lobo mau?
Estes são os preços praticados pela SATA quando há concorrência (a preto, comparada com outra companhia aérea, a vermelho) ou quando se trata de pôr os açorianos no "ar" (a verde), abstendo-me, neste particular, de qualificar o tipo de mercado. Sintomático, não é?P.S. - Imagem "roubada" ao Jorge Almada Macedo
30 outubro 2011
Era uma vez...
as mil e uma visões da história do Capuchinho Vermelho:
TELEJORNAL - RTP1
"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... mas a actuação de um caçador evitou a tragédia"
JORNAL DA NOITE - SIC
"Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz! O Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"
JORNAL NACIONAL - TVI
"... onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma verdadeira lambada na cara da actual governação portuguesa."
Entretanto manifeste a sua opinião e ligue para:707696901 se acha que a culpa é do lobo (0.60€+Iva)707696902 se acha que a culpa é do capuchinho (0.60€+IVA)707696903 se acha que a culpa é do governo (0.60€+IVA)
CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"
JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"
MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"
A BOLA
"Lobo será reforço de inverno na Luz"
O JOGO
"Pinto da Costa desmente contactos prévios com o Lobo"
RECORD
"Nem o Lobo assusta os leões !"
LUX
"Na cama com o lobo e a avó"
EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador".Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentaresdos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foidevorada e depois salva pelo lenhador.
PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"
O CRIME
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"
CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:Na banheira de hidromassagem,
Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."
MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:"Veja o que só o lobo viu"
SOL
"Gravações revelam que lobo foi assessor político de grande influência no governo Sócrates"
AVANTE
"Capuchinhos vermelhos de todos os países UNI-VOS!"
"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... mas a actuação de um caçador evitou a tragédia"
JORNAL DA NOITE - SIC
"Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz! O Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"
JORNAL NACIONAL - TVI
"... onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma verdadeira lambada na cara da actual governação portuguesa."
Entretanto manifeste a sua opinião e ligue para:707696901 se acha que a culpa é do lobo (0.60€+Iva)707696902 se acha que a culpa é do capuchinho (0.60€+IVA)707696903 se acha que a culpa é do governo (0.60€+IVA)
CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"
JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"
MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"
A BOLA
"Lobo será reforço de inverno na Luz"
O JOGO
"Pinto da Costa desmente contactos prévios com o Lobo"
RECORD
"Nem o Lobo assusta os leões !"
LUX
"Na cama com o lobo e a avó"
EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador".Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentaresdos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foidevorada e depois salva pelo lenhador.
PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"
O CRIME
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"
CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:Na banheira de hidromassagem,
Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."
MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:"Veja o que só o lobo viu"
SOL
"Gravações revelam que lobo foi assessor político de grande influência no governo Sócrates"
AVANTE
"Capuchinhos vermelhos de todos os países UNI-VOS!"
BOM DIA AÇORES
"Numa altura em que estava sossegado na sua toca, um lobo foi provocado por uma menina, o que o levou a reagir, com alguma violência, em legítima defesa. Já ninguém pode estar sossegado em sua casa porque até aí os os arruaceiros aparecem e ninguém faz nada. Segundo os vizinhos, a polícia só apareceu ao fim de duas horas e não quis tomar conta da ocorrência. Depois, admiram-se que se faça justiça pelas próprias mãos."
27 outubro 2011
Expulsar os Vendilhões do Templo
Há muito tempo que se fala em crise. É uma palavra recorrente no léxico noticioso português. No entanto, para a maioria a verdadeira crise ainda não se tinha feito sentir. Andámos aqui durante anos, décadas, mesmo, a empurrar os problemas para a frente. Em 2012 vamos finalmente começar a sentir os efeitos da crise, com cortes reais nos rendimentos e aumento generalizado de preços. Como já sabemos, o desemprego vai disparar e muitas empresas vão à falência. As vida real das pessoas vai ser fortemente afectada.
E porquê?
Do ponto de vista estritamente factual, os países mais afectados pela crise estão a pagar formas de governação irresponsável. Sobrecarregaram as despesas do Estado, em nome de interesses eleitoralistas e de proteccionismo partidário. Entrou-se numa espiral de gastos desmedidos e, pior, incentivou-se o novo-riquismo consumista na população. São estas a principais razões que estão, aliás, altamente comentadas e explicadas.
A verdade é que hoje, não só Portugal, mas vários países da Europa, e não só, estão enterrados numa dívida soberana que castra qualquer possibilidade de crescimento e que vai ser paga pelos cidadãos. No caso de Portugal, por exemplo, contraímos um enorme empréstimo à troyka porque de outra forma não teríamos capacidade de continuar a funcionar como país.
Acredito que fomos enganados, mas também nos deixamos enganar. Não com este empréstimo, em particular, mas com o crédito fácil, em geral. Todos nós, desde a família, à empresa, até ao Estado, sabíamos que a espiral de crédito teria de ser paga eventualmente, mas continuamos, porque decidimos enveredar pelo “depois há-de se ver”. Caímos em tentação. Nas sombras, alguém esfregava as mãos de contente ao assistir ao nosso irresponsável comportamento, na certeza que o “depois” chegaria e o pagamento seria com juros.
O “depois” é agora.
Que sociedade é esta? Estes empréstimos, o de Portugal e todos os outros, são pagos com juros. Alguém vai lucrar com a desgraça em que vamos cair a partir de agora. Vivemos num mundo em que pequeníssimas minorias, frias e maquiavélicas, fazem planos e longo prazo para explorar as fraquezas humanas de populações inteiras, em nome de lucros. Mas a História já nos mostrou, vezes sem conta, que as populações só permitem ser exploradas até certo ponto. Depois revoltam-se, tudo é destruído, cometem-se atrocidades inenarráveis e começa-se do zero. Cada vez mais, acredito nesta possibilidade.
Mas há que dar crédito a alguma classe política que tentou criar mecanismos para evitar a repetição destes abusos de fortes sobre fracos. Mas a globalização do poder económico, não foi acompanhada por uma globalização do poder político. Cada poder político está circunscrito às fronteiras de cada país. Na melhor das hipóteses existem casos como a UE, em que se tentou criar um poder político continental. Mas se nem na Europa conseguimos, haverá alguma hipótese de criar um poder político a nível mundial que possa regular, legislar e, a ser necessário, condenar? Não, porque o poder económico global divide para reinar, como se vê com as Merkel e os Sarkozy deste mundo.
Para se manter paz social, é necessário que as populações tenham os mínimos para vidas relativamente confortáveis. Mas hoje, no século XXI, com a internet, as lojas, as roupas, os carros, os telemóveis, as televisões, os móveis, as casas, os apartamentos, as consolas, os computadores, as viagens, etc., o mínimo sai caro.
Ou o poder económico cede, ou os indignados passam de marcha a revolta.
E porquê?
Do ponto de vista estritamente factual, os países mais afectados pela crise estão a pagar formas de governação irresponsável. Sobrecarregaram as despesas do Estado, em nome de interesses eleitoralistas e de proteccionismo partidário. Entrou-se numa espiral de gastos desmedidos e, pior, incentivou-se o novo-riquismo consumista na população. São estas a principais razões que estão, aliás, altamente comentadas e explicadas.
A verdade é que hoje, não só Portugal, mas vários países da Europa, e não só, estão enterrados numa dívida soberana que castra qualquer possibilidade de crescimento e que vai ser paga pelos cidadãos. No caso de Portugal, por exemplo, contraímos um enorme empréstimo à troyka porque de outra forma não teríamos capacidade de continuar a funcionar como país.
Acredito que fomos enganados, mas também nos deixamos enganar. Não com este empréstimo, em particular, mas com o crédito fácil, em geral. Todos nós, desde a família, à empresa, até ao Estado, sabíamos que a espiral de crédito teria de ser paga eventualmente, mas continuamos, porque decidimos enveredar pelo “depois há-de se ver”. Caímos em tentação. Nas sombras, alguém esfregava as mãos de contente ao assistir ao nosso irresponsável comportamento, na certeza que o “depois” chegaria e o pagamento seria com juros.
O “depois” é agora.
Que sociedade é esta? Estes empréstimos, o de Portugal e todos os outros, são pagos com juros. Alguém vai lucrar com a desgraça em que vamos cair a partir de agora. Vivemos num mundo em que pequeníssimas minorias, frias e maquiavélicas, fazem planos e longo prazo para explorar as fraquezas humanas de populações inteiras, em nome de lucros. Mas a História já nos mostrou, vezes sem conta, que as populações só permitem ser exploradas até certo ponto. Depois revoltam-se, tudo é destruído, cometem-se atrocidades inenarráveis e começa-se do zero. Cada vez mais, acredito nesta possibilidade.
Mas há que dar crédito a alguma classe política que tentou criar mecanismos para evitar a repetição destes abusos de fortes sobre fracos. Mas a globalização do poder económico, não foi acompanhada por uma globalização do poder político. Cada poder político está circunscrito às fronteiras de cada país. Na melhor das hipóteses existem casos como a UE, em que se tentou criar um poder político continental. Mas se nem na Europa conseguimos, haverá alguma hipótese de criar um poder político a nível mundial que possa regular, legislar e, a ser necessário, condenar? Não, porque o poder económico global divide para reinar, como se vê com as Merkel e os Sarkozy deste mundo.
Para se manter paz social, é necessário que as populações tenham os mínimos para vidas relativamente confortáveis. Mas hoje, no século XXI, com a internet, as lojas, as roupas, os carros, os telemóveis, as televisões, os móveis, as casas, os apartamentos, as consolas, os computadores, as viagens, etc., o mínimo sai caro.
Ou o poder económico cede, ou os indignados passam de marcha a revolta.
23 outubro 2011
22 outubro 2011
19 outubro 2011
César rabo-de-palha?! Huum!...
Via Corta Fitas:
" Não gosto de Carlos César. Não porque é socialista, mas porque é um político socialista típico, com aquele seu palavreado falacioso e moralista, sempre pronto a atribuir a terceiros vícios próprios. Se Cavaco tem sido um "presidente partidário", como qualificar Sampaio e a "estratégia" que desembocou na sua bomba atómica? Ou Soares e as "subtilezas" com que boicotou o seu Primeiro Ministro? Por outro lado, é verdade que não conheço a obra de Carlos César como conheço a de Jardim - presumindo eu que o continente "subsidie" igualmente ambas as regiões. Mas uma coisa sei: é que o socialismo de Carlos César não bastou para arrancar Rabo de Peixe do lodaçal de miséria em que vive esta que é, desde há muitos anos, a mais pobre freguesia do nosso país. Para que bandas das Ilhas se terá voltado o olhar socialista de Carlos César? "
E um comentário:
De Rui Crull Tabosa a 16 de Outubro de 2011 às 19:41
Cara Luísa,
Meteu dó aquela entrevista.
Desde Eanes, que gravava as reuniões semanais com Balsemão e resolveu, ainda em Belém, parocinar um partido político - o PRD - até Soares com o congresso ?portugal, que Futuro?' e o 'direito à indignação' - tão actual, agora -, passando por Sampaio com a dissolução do parlamento em 2004, havendo então uma maioria política que não se desagregara ou o anúncio do veto de diplomas antes mesmo de o Governo as aprovar, como sucedeu com as taxas moderadoras na Saúde...., enfim, um rol de activismo político-partidário mas que nada dizem ao soba dos Açores. O tal cuja mulher derreteu 25 mil euros dos contribuintes em cinco dias com dois boys no Canadá em viagem oficial...
Não vale a pena, que o sujeito é um desavergonhado.
Agora, comento eu:
O que acima se mostra, é um exemplo do que se pensa de Carlos César no continente português, ainda que vá tendo a sorte de ser ofuscado por AJ Jardim. Carlos César deixa o governo da RAA por razões várias, mas, entre elas, não será despiciendo dizer-se que, de facto, juridicamente não poderia ser presidente do governo regional; em segundo lugar, também não é de desprezar a ideia de que, com a bancarrota socialista em Portugal, financeira e política, as contas da RAA serão bem melhor escrutinadas (e, então, veremos como de facto estão); em terceiro lugar, e como consequência, Carlos César não sabe (ou terá receio de) governar em contenção orçamental; em quarto lugar, também não é de desprezar a forte possibilidade de César sair derrotado nas eleições de 2012, suprema humilhação; em quinto lugar, deverá considerar-se que Carlos César tem outro tipo de ambições pessoais a nível político, que não a RAA.
Contudo, ao contrário do que começou a espalhar o coro laudatório, qual vulga coorte, César não tem (só) ambições presidenciais. Reduzi-lo a essa possibilidade, é um insulto para ele, coisa que o afã lambuzante não percebeu.
Com alguma segurança, o que poderá afirmar-se é que César, neste momento, não é candidato a nada em específico. Pelo contrário, Carlos César é candidato a tudo. E esse tudo, dependerá do que o tempo e a circunstância concretos ditarem. Poderá não dar em nada, mas não o menosprezem tão levianamente, ainda que a curto prazo se vá refugiar no patrocínio delfinário, única coisa que temos como certa.
" Não gosto de Carlos César. Não porque é socialista, mas porque é um político socialista típico, com aquele seu palavreado falacioso e moralista, sempre pronto a atribuir a terceiros vícios próprios. Se Cavaco tem sido um "presidente partidário", como qualificar Sampaio e a "estratégia" que desembocou na sua bomba atómica? Ou Soares e as "subtilezas" com que boicotou o seu Primeiro Ministro? Por outro lado, é verdade que não conheço a obra de Carlos César como conheço a de Jardim - presumindo eu que o continente "subsidie" igualmente ambas as regiões. Mas uma coisa sei: é que o socialismo de Carlos César não bastou para arrancar Rabo de Peixe do lodaçal de miséria em que vive esta que é, desde há muitos anos, a mais pobre freguesia do nosso país. Para que bandas das Ilhas se terá voltado o olhar socialista de Carlos César? "
E um comentário:
De Rui Crull Tabosa a 16 de Outubro de 2011 às 19:41
Cara Luísa,
Meteu dó aquela entrevista.
Desde Eanes, que gravava as reuniões semanais com Balsemão e resolveu, ainda em Belém, parocinar um partido político - o PRD - até Soares com o congresso ?portugal, que Futuro?' e o 'direito à indignação' - tão actual, agora -, passando por Sampaio com a dissolução do parlamento em 2004, havendo então uma maioria política que não se desagregara ou o anúncio do veto de diplomas antes mesmo de o Governo as aprovar, como sucedeu com as taxas moderadoras na Saúde...., enfim, um rol de activismo político-partidário mas que nada dizem ao soba dos Açores. O tal cuja mulher derreteu 25 mil euros dos contribuintes em cinco dias com dois boys no Canadá em viagem oficial...
Não vale a pena, que o sujeito é um desavergonhado.
Agora, comento eu:
O que acima se mostra, é um exemplo do que se pensa de Carlos César no continente português, ainda que vá tendo a sorte de ser ofuscado por AJ Jardim. Carlos César deixa o governo da RAA por razões várias, mas, entre elas, não será despiciendo dizer-se que, de facto, juridicamente não poderia ser presidente do governo regional; em segundo lugar, também não é de desprezar a ideia de que, com a bancarrota socialista em Portugal, financeira e política, as contas da RAA serão bem melhor escrutinadas (e, então, veremos como de facto estão); em terceiro lugar, e como consequência, Carlos César não sabe (ou terá receio de) governar em contenção orçamental; em quarto lugar, também não é de desprezar a forte possibilidade de César sair derrotado nas eleições de 2012, suprema humilhação; em quinto lugar, deverá considerar-se que Carlos César tem outro tipo de ambições pessoais a nível político, que não a RAA.
Contudo, ao contrário do que começou a espalhar o coro laudatório, qual vulga coorte, César não tem (só) ambições presidenciais. Reduzi-lo a essa possibilidade, é um insulto para ele, coisa que o afã lambuzante não percebeu.
Com alguma segurança, o que poderá afirmar-se é que César, neste momento, não é candidato a nada em específico. Pelo contrário, Carlos César é candidato a tudo. E esse tudo, dependerá do que o tempo e a circunstância concretos ditarem. Poderá não dar em nada, mas não o menosprezem tão levianamente, ainda que a curto prazo se vá refugiar no patrocínio delfinário, única coisa que temos como certa.
18 outubro 2011
Da governação criminosa aos cortes nos subsídios

Quem lê este blogue sabe que há meses que vimos alertando para a forma irresponsável como Portugal e os Açores têm sido governados nos últimos anos. Duma forma simplista consegue-se explicar rapidamente como chegamos até aqui: os sucessivos governos criaram uma malha de dependências do erário público que onerou fatalmente as contas nacionais. Hoje Portugal gasta mais do que aquilo que produz, logo tem que aumentar receita e cortar despesa. Parece simples. Mas não é. Porque aumentar receita implica necessariamente aumentar impostos e cortar despesa implica cortar nos gastos do Estado, como ordenados dos funcionários públicos e reformas. Ou seja, tudo medidas que afectam directamente a vida cidadãos. Pela primeira vez, em muitos anos, estamos a sentir na pele o que é realmente uma crise e os seus efeitos.
É necessário olhar de duas formas distintas para o momento em que nos encontramos. Por um lado é essencial olhar para o passado e ver os erros que foram cometidos, de forma a se evitar que se repita. E é preciso olhar para o futuro, de forma a que estas fortes restrições que nos estão a ser impostas, funcionem duma vez por todas.
Olhando para o passado, fica claro que existem responsabilidades de alguns governos e de algumas pessoas em particular. Sócrates desde logo. Houve outros governos e outros primeiros-ministros que aumentaram a dívida, sem dúvida, mas fizeram-no noutras conjunturas em que era ainda possível seguir o caminho do endividamento, desde que acompanhado dum aumento da economia e dum melhoramento das condições de vida. Com Sócrates a questão foi diferente. Sócrates viu Portugal à beira dum precipício e avançou, qual louco, para a queda. O que José Sócrates fez a este país só pode ser qualificado de criminoso. Ele construiu uma série de infra-estruturas megalómanas totalmente desnecessárias, com base em parcerias público privadas, para beneficiar algumas partes. E mais não fez porque felizmente foi parado a tempo. Neste contexto, defendo que se deveria alterar a lei de forma ser possível acusar criminalmente os nossos políticos. Porque há efectivamente um sentido de impunidade na classe política, que ficou claríssimo com Sócrates. Sentem que podem fazer o que quiserem, que na pior das hipóteses perderão apenas o poder. Se pesasse sobre a cabeça dum decisor político a hipótese de ir parar à cadeia, estou certo que não estávamos onde estamos.
Olhemos então para o futuro e para o efeito que terão estas duras medidas no nosso país. Eu quero acreditar que Passos Coelho e Vítor Gaspar fizeram bem as contas e que este processo de cura será suficiente. Mas, enquanto leigo na matéria, acho que talvez se pudesse ter feito a coisa de outra forma. Porque retirar os subsídios de Natal e férias aos funcionários públicos resultará numa redução no consumo, com os efeitos conhecidos: desde logo o aumento do desemprego e diminuição das receitas fiscais por parte do Estado. Ou seja, parece-me que o governo de Passos Coelho não vai ganhar tanto como esperava e até pode vir a gastar mais. Além disso, há ainda muitas gorduras no Estado que deviam ser cortadas, antes de se chegar aos subsídios de férias e Natal. Existem ainda muitas fundações, empresas públicas, avenças etc. pagas pelo Estado onde há indivíduos que recebem milhares de euros por mês, sem o merecerem. Seria da mais elementar justiça ir-se primeiro a essas pessoas, que são muitas. Mas, novamente, é preciso dizer que estas são medidas muito corajosas e devemos dar o benefício da dúvida e esperar para ver os resultados.
E nós aqui nos Açores? Apesar de todas as encenações de César e agora Vasco Cordeiro, a verdade é que foram e são ambos da mesma linha de Sócrates. Jamais nos esqueceremos da já mítica frase que César e Sócrates usavam em campanha: juntos conseguimos. Pois conseguiram. Afundar um país e uma região. Mas agora há uma questão: os subsídios de Natal e férias dos funcionários públicos açorianos são pagos pelo próprio governo regional. Logo, este dinheiro todo não vai para o esforço nacional, mas ficará para o governo dos Açores. Se assim é, se os nossos subsídios não vão para o esforço nacional, como era devido, então não deviam ficar para o governo regional, mas sim para as famílias. Mas aproximam-se as eleições de 2012, e o governo regional precisa de todo o dinheiro possível, para as inaugurações que vai fazer à moda do Jardim.
Estamos perante tempos muito difíceis, sem dúvida. Mas não podemos deixar de responsabilizar as pessoas que nos trouxeram aqui. Sócrates à cabeça. Para o futuro, nós até aceitamos contribuir com parte dos nossos rendimento, mas que haja justiça. Tire-se primeiro a quem ganha brutalidades e que o governo dos Açores não fique com o nosso dinheiro para andar a brincar às eleições!
É necessário olhar de duas formas distintas para o momento em que nos encontramos. Por um lado é essencial olhar para o passado e ver os erros que foram cometidos, de forma a se evitar que se repita. E é preciso olhar para o futuro, de forma a que estas fortes restrições que nos estão a ser impostas, funcionem duma vez por todas.
Olhando para o passado, fica claro que existem responsabilidades de alguns governos e de algumas pessoas em particular. Sócrates desde logo. Houve outros governos e outros primeiros-ministros que aumentaram a dívida, sem dúvida, mas fizeram-no noutras conjunturas em que era ainda possível seguir o caminho do endividamento, desde que acompanhado dum aumento da economia e dum melhoramento das condições de vida. Com Sócrates a questão foi diferente. Sócrates viu Portugal à beira dum precipício e avançou, qual louco, para a queda. O que José Sócrates fez a este país só pode ser qualificado de criminoso. Ele construiu uma série de infra-estruturas megalómanas totalmente desnecessárias, com base em parcerias público privadas, para beneficiar algumas partes. E mais não fez porque felizmente foi parado a tempo. Neste contexto, defendo que se deveria alterar a lei de forma ser possível acusar criminalmente os nossos políticos. Porque há efectivamente um sentido de impunidade na classe política, que ficou claríssimo com Sócrates. Sentem que podem fazer o que quiserem, que na pior das hipóteses perderão apenas o poder. Se pesasse sobre a cabeça dum decisor político a hipótese de ir parar à cadeia, estou certo que não estávamos onde estamos.
Olhemos então para o futuro e para o efeito que terão estas duras medidas no nosso país. Eu quero acreditar que Passos Coelho e Vítor Gaspar fizeram bem as contas e que este processo de cura será suficiente. Mas, enquanto leigo na matéria, acho que talvez se pudesse ter feito a coisa de outra forma. Porque retirar os subsídios de Natal e férias aos funcionários públicos resultará numa redução no consumo, com os efeitos conhecidos: desde logo o aumento do desemprego e diminuição das receitas fiscais por parte do Estado. Ou seja, parece-me que o governo de Passos Coelho não vai ganhar tanto como esperava e até pode vir a gastar mais. Além disso, há ainda muitas gorduras no Estado que deviam ser cortadas, antes de se chegar aos subsídios de férias e Natal. Existem ainda muitas fundações, empresas públicas, avenças etc. pagas pelo Estado onde há indivíduos que recebem milhares de euros por mês, sem o merecerem. Seria da mais elementar justiça ir-se primeiro a essas pessoas, que são muitas. Mas, novamente, é preciso dizer que estas são medidas muito corajosas e devemos dar o benefício da dúvida e esperar para ver os resultados.
E nós aqui nos Açores? Apesar de todas as encenações de César e agora Vasco Cordeiro, a verdade é que foram e são ambos da mesma linha de Sócrates. Jamais nos esqueceremos da já mítica frase que César e Sócrates usavam em campanha: juntos conseguimos. Pois conseguiram. Afundar um país e uma região. Mas agora há uma questão: os subsídios de Natal e férias dos funcionários públicos açorianos são pagos pelo próprio governo regional. Logo, este dinheiro todo não vai para o esforço nacional, mas ficará para o governo dos Açores. Se assim é, se os nossos subsídios não vão para o esforço nacional, como era devido, então não deviam ficar para o governo regional, mas sim para as famílias. Mas aproximam-se as eleições de 2012, e o governo regional precisa de todo o dinheiro possível, para as inaugurações que vai fazer à moda do Jardim.
Estamos perante tempos muito difíceis, sem dúvida. Mas não podemos deixar de responsabilizar as pessoas que nos trouxeram aqui. Sócrates à cabeça. Para o futuro, nós até aceitamos contribuir com parte dos nossos rendimento, mas que haja justiça. Tire-se primeiro a quem ganha brutalidades e que o governo dos Açores não fique com o nosso dinheiro para andar a brincar às eleições!
Verdade intemporal
" O estado a que chegamos [bancarrota economico-financeira] é o resultado das políticas irresponsáveis dos últimos anos. "
Medina Carreira
15 outubro 2011
Despautério da semana
José San-Bento
Uma eleição tão oligarquicamente abrangente, que me lembre assim de repente, ocorreu quando Fidel Castro elegeu o irmão para lhe suceder.
13 outubro 2011
Direito à indignação política
Agradeço a esta tr(o)yka o facto de ir experimentar uma nova etapa na vida: a pobreza. Deve ser aquilo a que chamam evolução da espécie.
A quem de dinheiro, já que eu não tenho, ou de direito, neste caso por obrigação legal, lembro que a Lei nº 34/87, de 16/07, ainda que nunca aplicada, continua em vigor.
12 outubro 2011
César Fim
O fim-de-semana foi repleto de acontecimentos políticos. Na Madeira, João Jardim conseguiu mais uma maioria absoluta e nos Açores Carlos César finalmente cedeu e admitiu que não pode ser candidato e logo depois a cúpula do Partido Socialista nomeou Vasco Cordeiro como candidato às próximas regionais de 2012.
Para Carlos César, uma recandidatura só teria lugar caso se conjugassem uma série de factores. Desde logo, ter na Presidência da República alguém solidário com a sua causa de se eternizar no poder. Assim se explica o forte empenhamento que César colocou na campanha de Manuel Alegre. Não serviu de nada e Cavaco Silva saiu vitorioso e com um resultado muito expressivo nos Açores. César sabe que Cavaco Silva não é um político que mude de opinião de acordo com os intervenientes e que, se a situação se colocasse, iria fazer cumprir a lei da limitação de mandatos.
Mas ainda assim, César poderia ter escolhido a via da confrontação. Podia ter ido em frente e ser candidato, mesmo contra aquele que sabia ser o entendimento do Presidente da Republica. Para tal entraria no já habitual, falso e popularucho discurso de que Cavaco é anti-autonomias. Mas não o fez. César não se recandidatou, também, porque não quis. E aqui entra um segundo factor. Para Carlos César só faz sentido governar se houver muito dinheiro. E como ele, melhor que ninguém sabe, a sua governação nestes últimos 15 anos não foi capaz de dinamizar a nossa economia. Pelo contrário, somos dependentes das transferências externas da União Europeia e do Orçamento de Estado e sabemos que vai haver grandes cortes nas verbas para os Açores em ambos os casos.
Não tendo na Presidência o seu Alegre e sem ter o dinheiro que lhe facilitou a governação nestes 15 anos, César percebeu que nos próximos anos os Açores têm mesmo de mudar de políticas. São necessárias medidas que ele sabe não ter nem capacidade nem o pessoal com o know-how para as tomar. Além disso sabe que a sua concorrente nas próximas eleições seria Berta Cabral, pessoa com provas dadas de ser capaz de fazer a tal mudança política. Ora somando todos esses factores, é evidente que César preferiu o caminho da saída e não recandidatar-se.
Também convém desmitificar um pouco a questão dos sucessivos adiamentos do anúncio. Parece que, na verdade, os adiamentos não passaram duma tentativa de aguentar o barco o máximo de tempo possível. Como todos sabemos, assim que César anunciasse a sua não candidatura, a malha de dependências criadas à sua volta iria desmoronar-se. Também serviram para segurar o seu próprio partido e evitar uma guerra interna aberta, pois a apenas um ano das eleições, nenhum dos preteridos vai arriscar uma confrontação aberta, pois sabem que, antes demais, a sua primeira prioridade é manterem-se no poder. No entanto, em termos práticos, a verdade é que, a menos de um ano, as estruturas do PS terão de mudar de estratégia e defender um candidato que muitos, se calhar, até nem apoiam. Com efeito, conseguimos compreender as primeiras vozes que vêem demonstrar descontentamento pela forma oligárquica como Vasco Cordeiro foi escolhido. Estamos a falar do candidato ao mais alto cargo político da região, pelo que faria todo o sentido ouvirem-se as bases. Pelo contrário, o PS tomou a sua decisão mais importante dos últimos 16 anos numa sala com meia dúzia de pessoas. Revela uma grande falta de sentido democrático.
O capítulo César fecha-se sem luz e sem brilho. Agora os Açorianos olham para 2012 e procuram novas ideias, novas políticas e outros intervenientes. É tempo de virar a página e recomeçar.
Para Carlos César, uma recandidatura só teria lugar caso se conjugassem uma série de factores. Desde logo, ter na Presidência da República alguém solidário com a sua causa de se eternizar no poder. Assim se explica o forte empenhamento que César colocou na campanha de Manuel Alegre. Não serviu de nada e Cavaco Silva saiu vitorioso e com um resultado muito expressivo nos Açores. César sabe que Cavaco Silva não é um político que mude de opinião de acordo com os intervenientes e que, se a situação se colocasse, iria fazer cumprir a lei da limitação de mandatos.
Mas ainda assim, César poderia ter escolhido a via da confrontação. Podia ter ido em frente e ser candidato, mesmo contra aquele que sabia ser o entendimento do Presidente da Republica. Para tal entraria no já habitual, falso e popularucho discurso de que Cavaco é anti-autonomias. Mas não o fez. César não se recandidatou, também, porque não quis. E aqui entra um segundo factor. Para Carlos César só faz sentido governar se houver muito dinheiro. E como ele, melhor que ninguém sabe, a sua governação nestes últimos 15 anos não foi capaz de dinamizar a nossa economia. Pelo contrário, somos dependentes das transferências externas da União Europeia e do Orçamento de Estado e sabemos que vai haver grandes cortes nas verbas para os Açores em ambos os casos.
Não tendo na Presidência o seu Alegre e sem ter o dinheiro que lhe facilitou a governação nestes 15 anos, César percebeu que nos próximos anos os Açores têm mesmo de mudar de políticas. São necessárias medidas que ele sabe não ter nem capacidade nem o pessoal com o know-how para as tomar. Além disso sabe que a sua concorrente nas próximas eleições seria Berta Cabral, pessoa com provas dadas de ser capaz de fazer a tal mudança política. Ora somando todos esses factores, é evidente que César preferiu o caminho da saída e não recandidatar-se.
Também convém desmitificar um pouco a questão dos sucessivos adiamentos do anúncio. Parece que, na verdade, os adiamentos não passaram duma tentativa de aguentar o barco o máximo de tempo possível. Como todos sabemos, assim que César anunciasse a sua não candidatura, a malha de dependências criadas à sua volta iria desmoronar-se. Também serviram para segurar o seu próprio partido e evitar uma guerra interna aberta, pois a apenas um ano das eleições, nenhum dos preteridos vai arriscar uma confrontação aberta, pois sabem que, antes demais, a sua primeira prioridade é manterem-se no poder. No entanto, em termos práticos, a verdade é que, a menos de um ano, as estruturas do PS terão de mudar de estratégia e defender um candidato que muitos, se calhar, até nem apoiam. Com efeito, conseguimos compreender as primeiras vozes que vêem demonstrar descontentamento pela forma oligárquica como Vasco Cordeiro foi escolhido. Estamos a falar do candidato ao mais alto cargo político da região, pelo que faria todo o sentido ouvirem-se as bases. Pelo contrário, o PS tomou a sua decisão mais importante dos últimos 16 anos numa sala com meia dúzia de pessoas. Revela uma grande falta de sentido democrático.
O capítulo César fecha-se sem luz e sem brilho. Agora os Açorianos olham para 2012 e procuram novas ideias, novas políticas e outros intervenientes. É tempo de virar a página e recomeçar.
11 outubro 2011
Como organizar uma biblioteca
Há vários modos de organizar uma boa biblioteca. Cá em casa, entendo que deve ser organizada por temas. Na FNAC, talvez inspirados por Miss Lemon, a diligente secretária de Hercule Poirot, entendem que deve ser por associação temática. É ligeiramente diferente, mas não deixa de ser uma solução a ponderar.
10 outubro 2011
Confusões e atitudes
A revista Sábado atribuiu ao presidente da ALRA, Francisco Coelho, o exercício do mesmo cargo, mas na Madeira. Não vale a pena perder muito tempo com uma gaffe pré-eleitoral. A confusão é só mesmo essa. Importante mesmo, é a creche socialista ter resvalado para o extremismo da esquerda radical, ao ligar a oposição ao nazismo. O recreio tem lugar no local e tempo próprios. Além de falta de educação e cultura democráticas, o dito demonstra desprezo pelo sofrimento dos milhões que pereceram nos campos de concentração (nazis ou soviéticos). E, depois, falam do Jardim!
08 outubro 2011
Prefiro rosas
Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis
07 outubro 2011
05 outubro 2011
01 outubro 2011
Honrar compromissos

Quem não puder comprar um Rolls-Royce, compra um Mini; se não puder comprar um Mini, compra um Dacia; se não puder comprar um Dacia, compra uma bicicleta; se não puder comprar uma bicicleta, compra um bilhete de autocarro; se não puder comprar um bilhete de autocarro, tem de perceber que terá de andar a pé.
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