11 maio 2014

coincidências levadas da breca

Há impossíveis?! Qual é a probabilidade de os planetas e respectivos satélites se alinharem obedientemente perante o Astro-Rei?! Pois...
 
Apesar do intróito, a coisa não se concentra numa profunda meditação. É mais uma constatação de mais uma daquelas bizarras coincidências tão próprias de um dos temas favoritos dos portugueses: o futebol. 
 
Cá no burgo, o sorteio de todos os campeonatos de futebol em todos os escalões conseguiu uma proeza tão inédita quanto quase impossível. É verdade, neste país, em sorteios, conseguiu-se que todos os jogos da última jornada fossem FC Porto-SLBenfica. Seniores, juniores, juvenis e iniciados! Em todos! Não escapou um! E todos, mas absolutamente todos, na ordem atrás dita: FC Porto-SL Benfica.
 
Isto é coisa que nem o falecido polvo Paul, se ainda vivesse, alguma vez previria.
 
Somos ou não somos habitantes de um país original?! 

09 maio 2014

(futebol) E vai uma ...



Portugal 9 de Maio de 2014

E vai uma... Taça para o Museu Cosme Damião, na que foi a 1ª de 3 finais que arduamente conquistamos o direito a estar presentes. Apesar de, em termos de importância relativa, esta Taça da Liga ser a 4ª (1º campeonato, 2º Liga Europa, 3º Taça de Portugal) parece-me importante registar algumas observações.
A primeira é que a nossa equipa entrou mal no jogo, ou em alternativa, o Rio Ave entrou muito bem. Como em quase tudo na vida, a verdade deverá estar no meio e o Benfica não entrou bem porque nos últimos tempos existiu muito desgaste mental associado a diminuição de concentração (por final do campeonato, eliminação da Juventus, festa de homenagem, etc.), e o Rio Ave entrou bem porque são conhecedores do desgaste do Benfica e tentaram tirar partido disso na parte inicial do jogo, aquela onde é mais fácil apanhar a nossa equipa “distraída”.
Felizmente temos um guarda-redes seguríssimo e a estratégia do Rio Ave não funcionou. Contudo ficou o aviso...
Parece-me pacifico reconhecer que o nível de jogo do Benfica subiu ao longo dos 90 mn, o que para mim em particular foi um alivio por verificar que a equipa continua a saber marcar golos, não se limitando a gerir empates de 0-0, que sendo muito bons no contexto da eliminação do FCP da Taça da Liga e da Juventus da Liga Europa, não servem para as vitórias que desejamos nas 3 finais (agora duas). Porque para ganhar as Taças temos de marcar golos. E não estávamos a marcar!
Jorge Jesus abordou o jogo com a que considera ser a sua melhor equipa em face do 4-4-2 losango que sistematicamente utiliza, e foi bem sucedido mas apenas no que toca ao resultado. Ficou-me mais uma vez a ideia que a velocidade de Lima e Rodrigo não resultam quando a nossa equipa, por força da movimentação ofensiva, empurra o adversário para o último terço de terreno, deixando toda a gente à espera que se invente uma linha de passe. Nesse cenário, a velocidade não serve para nada e como se viu, o 1º golo nasceu de um ressalto que foi parar aos pés de Rodrigo, e noutro, um erro do guarda-redes adversário ajudou em mais de meio golo. Velocidade nas jogadas dos golos? Não existiu e quando existiu, falhamos sempre.
Claro que se fosse Cardozo a falhar alguns golos simples como vimos, teríamos de escutar os protestos dos adeptos e teríamos de ler os blogues dos “habituées” a pedirem a venda de Cardozo. Como são outros, parece estar tudo bem. Mas não está. Se queremos ganhar as duas taças que faltam, e se queremos apostar na velocidade de Lima e Rodrigo, então temos de criar dinâmicas de jogo que permitam corrida aos nossos avançados. Neste caso, a presença de um 6 “puro”, um 6 que não sobe muito no terreno é fundamental. Porque com o seu posicionamento puxa a equipa para trás, o que permite a realização de transições rápidas aproveitando o encaixe do adversário no nosso figurino de jogo.
Se contudo apostamos num meio campo mais pressionante (Enzo+Ruben, Enzo + André Gomes), então temos de jogar com 1 avançado posicional na área, e o único que temos e realiza bem esse papel, mesmo quando não marca golos, é Cardozo. Viu-se a sua utilidade no jogo com o Setúbal no golo do André Gomes.
Contudo, isto são conjecturas de um simples observador que dá a maior importância à estrutura da equipa, mas que de tácticas apenas percebe o que vê e consegue relacionar com resultados.
O lado positivo da final da Taça da Liga, para além da vitória sempre motivadora para o jogo seguinte, é que me pareceu que a equipa se re-encontrou com os padrões de rigor e entrega que estavam um pouco arredios com tanta festa e homenagem. Pareceu-me ver uma equipa a funcionar como um bloco, pareceu-me ver jogadores a re-encontrarem-se com as jogadas de golo (em particular na 2ª parte, quando o Rio Ave subiu as linhas para tentar o empate)... em suma, pareceu-me ver uma verdadeira equipa campeã...
Assim sendo, e a manter-se este espírito, estão reunidas as condições para fazermos um bom jogo na Final da Liga Europa. E penso que todos estaremos de acordo que ganhando a Liga Europa, a Taça de Portugal também não nos escapará, com todo o respeito que o Rio Ave nos merece.

06 maio 2014

(futebol) Homenagens perigosas...



Tal como mais de 52 mil outros apoiantes, lá estive no passado domingo na festa de homenagem à nossa equipa campeã do 33º título. Tal com mais de 52 mil, estive pela homenagem mais do que pelo jogo de futebol, mas seguramente tal como mais de 52 mil queria ter ganho o jogo. Para coroar um dia especial.
Não foi isso que aconteceu, como aliás também não aconteceu, e não será apenas por mera coincidência, a nenhum dos outros finalistas das competições europeias. Nenhuma das 4 equipas que vão discutir a Champions League ou a Liga Europa conseguiram ganhar os seus jogos, sendo que 3 delas jogaram em casa. E se o Benfica já era campeão e até se compreende alguma desconcentração ou até menor intensidade de jogo, o Real Madrid por exemplo, pode ter hipotecado definitivamente as hipóteses de ser campeão com o empate frente ao Valência. E o Real Madrid é treinado por Ancelotti, não é treinado por Jorge Jesus. Para além de ter o plantel que tem...
É bem possível que a explicação mais plausível seja a existência de uma certa descompressão, após se ter alcançado um patamar desportivo elevado e que todas as equipas sonham no início da época: estar na final de uma prova europeia. Não será também por mero acaso que na época passada, o Benfica também empatou esse jogo seguinte à brilhante exibição com o Fenerbahce: 1-1 com o Estoril. Um ano depois o episódio repete-se, mas agora com direito a festa de homenagem...
O futebol tem de facto coisas engraçadas...
Tendo ganho o título, com eficácia brilhante, é normal que se homenageiem os campeões. E o normal é que essa homenagem aconteça no primeiro jogo a seguir à conquista do título ou ao último jogo em casa. Isso é o que normalmente os sócios e adeptos esperam que aconteça. Mas não será perigoso quando isso acontece antes de uma série de jogos que queremos ganhar para juntar as respectivas conquistas ao nosso Museu?
Não tenho respostas porque não há respostas unânimes e assim sendo cada um que pense o que quiser. Mas não tenho dúvidas que este tipo de homenagem pode provocar uma ruptura no caminho que a equipa estava a traçar nos últimos meses, folgando na concentração e descomprimindo nos processos de jogo, o que pode ser fatal para as próximas 3 finais. Pessoalmente preferiria que essa homenagem não tivesse existido, pelos prejuízos que pode provocar, optando isso sim, por comemorar – no dia do jogo - toda e qualquer taça que venha a ser ganha. Mas é uma simples opinião.
Nem tudo correu bem no domingo. Perdemos a Taça de Portugal no Futsal masculino, e teremos de esperar para ver se o texto que escrevi no ano passado quando Paulo Fernandes foi despedido, tinha ou não razão de ser. Se as questões que então coloquei eram ou não justificadas. Dou o benefício da dúvida até ao final do play-off.
Parabéns às Senhoras do Futsal que ao invés conquistaram a 1ª Taça de Portugal de Futsal feminino. E claro parabéns também ao Vólei pelo bicampeonato. Uma proeza, pois temos poucas tradições nesta modalidade.
Entramos agora na recta final do Futebol, estamos a 3 vitórias de uma época notável e histórica, ou a 3 jogos de uma época que nunca será menos que excelente. Os nervos começam a imperar e confesso que me sinto mais intranquilo agora, do que até aqui onde tudo me parecia natural, como se o meu palpite de que íamos ser campeões não tivesse qualquer possibilidade de ser mal sucedido.
A intranquilidade vem também do facto de se tratar de finais, onde num só jogo se decide tudo e ambas as equipas partem do mesmo ponto zero. A vantagem psicológica do Benfica por ser melhor equipa ou por ter ganho o campeonato, é nula aqui! Os adversários, em particular o Rio Ave, sabem que cada jogo começa em 0-0 e se os amigos da arbitragem derem um empurrão, a coisa pode tornar-se difícil. Resolver em 90 mn é diferente de resolver em 30 jornadas ou em duas mãos...

05 maio 2014

O N.º DO NOSSO ESQUECIMENTO


«“O que é que o Governo oferece? Um Audi? Um BM? Um Mercedolas? A gente oferece um Lamborghini, daqueles que abrem as portas para cima”, anunciaram esta sexta-feira vários empresários ligados à economia paralela, na apresentação de um concurso que vai premiar os contribuintes que não peçam facturas. Factura do Azar? chama-se o sorteio lançado por este grupo de empresários da economia paralela. Interrogados qual a razão para lançarem este concurso e para não quererem que os contribuintes peçam factura, os empresários são peremptórios: “É por causa da floresta, porque, cada vez que se emite uma factura, cai uma árvore.”»


Desedifica-me, caro Zé & C.ª, que este sítio não anuncie e propale iniciativa tão meritória, de que acabo de ter notícia por um emílio.

Eu corro sérios riscos de ganhar o Lamborghini. Digo riscos porque, se a mudança para um apartamento melhor muda mais seguramente as ideias e filosofia de um homem do que o estudo e assimilação das obras, por exemplo, de Emanuel Kant ou Carlos Marx, segundo o nosso Millor Fernandes, que fará a mudança de carro para um Lamborghini? Decerto, nada menos que, esta sim, um revolução coperniciana na vida do premiado, com todas as consequências advindas de uma nova visão do mundo, – mundividência, ou melhor, Weltanschauung, como a classificariam os ditos Emanuel e Carlos.  

E porque eu cá nunca peço factura: quando me lembram o exercício,  recuso enfática e veementemente.

Assistem-me duas boas razões, que me apraz compartir convosco, amigos: estou-me ninando para o número de contribuinte (pela cartilha oficial, o número de identificação fiscal! Mais pompa no chamadouro só a Pompadour, convenhamos). Se uma criatura se empenhasse em decorar a colecção de senhas reputadas por imprescindíveis na vida moderna – que, diga-se de passo, tem mais de moderna que de vida – estaria codilhada: antes decorar os rios de Angola. Não se nos depara geringonça que não traga ajoujada a sua senha, do telelé ao multibanco, passando pela área de trabalho, até ao cartão de leitor da Bertrand!

Essa singela palavrinha, «senha», daria pábulo a mais um artigo a locupletar o Nacional e Transmissível do nosso saudoso EPC, pensador a tempo inteiro, e que nesse opúsculo coleccionou uns quantos gostos e desgostos, manias ou tiques pátrios, desde o pastel de nata a Fernando Pessoa. Realmente, já reparastes, amigos, em que raro topais alguém que a use? O normal é empregarem o bife password ou então a dupla asnática de palavra-passe. Ainda assim, mais password – porque é inglês, e nós somos portugueses (ou algo parecido).

Mas, vinha eu dizendo, com tanta senha para decorar, não estou para trastejar o miolo com mais essa alfaia do NIF. Antes aproveitar as raras intermitências de devaneio que nos permite a tal vida moderna para ir aprofundando a quádrupla raiz do princípio da razão suficiente ou outra questão de parelha polpa e transcendência, que, quando menos, sempre mereceria o voto do reflexivo EPC.

A segunda razão é de princípio: como o Estado acabou por se viciar de todo em todo no nosso rico dinheirinho, por mais que esprema o seu contribuinte, nunca se lhe afigurará bastante: precisa sempre de mais e mais, como todo o toxicodependente vos atestará; e o dever do dito cidadão, informado e agora também informatizado, cifra em privar o Estado dos meios de se intoxicar. Conseguintemente, a fuga ao fisco revela-se patriótica.

Enfim, não pedindo factura, o cordo e cada vez menos gordo pai de famílias aveza descontos catitas em oficinas, restaurantes, cafés, barbeiros (ou cabeleireiros), etc. Quanto a mim, que pago a pronto e em dinheiro de contado, sempre fui benquisto nesses lugares; ultimamente porém quer-me parecer que a minha popularidade tem vindo a aumentar...

Estamos pois com o bom Viegas quando, cumprindo a sua promessa, mandar o fisco, cada vez mais visgo, «tomar» no… viegas.
 
           Mas vejo que somam três razões. Afinal, havia outra. Há sempre. O bom povo já o compendiou no seu rifoneiro: não há dois sem três.

02 maio 2014

(futebol) o Belo voar da águia....

Portugal 2 de Maio de 2014

Se uma época desportiva se assemelha ao voo da águia desde o seu ponto de partida até alcançar a sua “presa”, este ano podemos dizer que a águia está a ter um voo de excelência: o campeonato (principal objectivo) está conquistado a 2 jornadas do final, os demais três objectivos (a presença nas finais das restantes provas nacionais e europeias) estão alcançados. E com brilhantismo: duas das finais conseguidas à custa do FCP, outra à custa da poderosa e milionária Juventus.
Será possível pedir mais? Sim, agora há que ganhar essas três finais para termos a época perfeita, o voo mais produtivo e completo de todo o historial do Benfica! É possível fazer História porque já estamos na antecâmara de um ano glorioso. Falta o último passo: a conquista final!
Não vou ser desonesto e dizer agora que sempre acreditei na eliminação da Juventus. Porque não foi bem assim. Quer dizer: como adepto, acredito sempre na vitória, mesmo que joguemos com 7, o número mínimo de jogadores permitido. Seja contra a Juventus, Barcelona, Real Madrid ou Bayern. Mas racionalmente reconheci a existência de uma diferença de potencial significativa entre as duas equipas, que em futebol se materializa nos tais detalhes. Quem tem jogadores capazes de por em campo mais detalhes é quem tem a maior probabilidade de ganhar.
Quis o destino que Pirlo não tivesse marcado nenhum dos seus habituais penaltys de livre directo, apesar das tentativas patrocinadas pelos erros de arbitragem (mais lá do que cá). Quis o destino que Jesus escolhesse bem os jogadores do 1º jogo, em particular colocando Lima a suplente que depois teve a disponibilidade física adequada de modo a concluir em golo uma jogada colectiva vistosa, provocando a primeira derrota da Juventus e os primeiros golos sofridos fora de casa.
Marcasse Pirlo um dos seus habituais golos, ou entrasse Lima de início na Luz, e possivelmente a história final desta eliminatória seria bem diferente.
Mas como se costuma dizer, o destino somos nós que o fazemos e é nessa orientação que mais acredito. Neste aspecto de termos o destino nas nossas mãos, temos de incluir a extrema competência como abordamos os jogos, independentemente de qual seja o adversário, e de que voltas dê o jogo em si mesmo. E tudo isso é possível porque temos um treinador competente e temos um conjunto de jogadores que pelas suas características técnicas e pessoais, originam um colectivo mais forte do que em anos anteriores.
Quero com isto dizer que não alinho na teoria que Jesus corrigiu erros passados, nada disso até porque continua a pensar da mesma maneira, mas os jogadores que temos este ano, fruto de vendas e compras, umas circunstanciais (venda de Matic), outras mais pensadas (aquisições de pré temporada), a somar ao trabalho do treinador, resultaram numa “fórmula” mais forte do que nos anos recentes, onde por sua vez já tínhamos estado na fronteira do sucesso, apenas impedidos pela arbitragem (na esmagadora maior parte dos casos) de alcançarmos o lado de lá dessa fronteira do sucesso. Este ano nem os erros de arbitragem ou decisões estranhas nos conseguem parar....
Desfrutemos pois destes dias de vitórias épicas que nos alcandoram ao “estrelato” do passado, onde nos fizemos um clube mítico e reconhecido em todo o Mundo onde se fala a linguagem do futebol.
Contudo o trabalho não está concluído. Faltam 5 jogos, dos quais 3 são para ganhar: os jogos das Finais! Será primeiro a Taça da Liga, já no próximo dia 7 de Maio, de seguida a Liga Europa a 14 de Maio e por último a Taça de Portugal.
Termino com umas notas de rodapé. Fiquei desapontado com Bruno Conte, que tinha em consideração pelo notável trabalho que tem feito na Juventus, depois da passagem pela 2ª divisão. Recomendo-lhe que venha ver alguns jogos do campeonato português onde intervenha o FCP, para ver o que é um árbitro ajudar uma equipa.
Para ver uma equipa defender, recomendo-lhe que veja o último Liverpool – Chelsea onde o treinador preferido de “Aburromouritch” colocou 2 autocarros à frente da baliza, na 2ª parte. Na 1ª parte só pôs um e beneficiou de 1 golo caído do céu.
Este empate com sabor a vitória vem repor alguma justiça na eliminação de 1993, quando após uma vitória na Luz por 2-1, a Juve igualou a eliminatória aos 5 mn, com um golo em que partiram a cana do nariz ao Silvino e o árbitro validou o golo que pôs a Juventus na frente da eliminatória. Nunca percebi como é que esse golo não foi anulado, nem porque todos em Portugal silenciaram esse erro tremendo que tranquilizou a Juventus que partiu para uma exibição tranquila e vitória por 3-0. Ontem, contra os erros do árbitro, contra o ambiente tiffosi, contra a malapata do mn 92, senti que se fez alguma justiça com o Benfica.


29 abril 2014

Os 26000 fiolhais



Amigos, estive a ver (a visionar, como vós dizeis) o programa de 21 de Abril passado de Medina Carreira, ancião de aspeito venerando.
O convidado foi Carlos Fiolhais, das Físicas da Universidade de Coimbra, que ninguém terá por que reputar logo dos mais lerdos da tribo.
Pelos vistos, pululam entre nós 26 000 doutorados, 700 e pico dos quais empregados nas empresas privadas. E não é que o profe Fiolhais quer que se desencante emprego para os restantes 25 300! Aí tendes a resulta da velha superstição da sinistra de que o crescimento económico depende da educação.
Mas não, amigos, é só uma ideia moderna; logo, uma ideia falsa (estou daqui a ouvir o bom Fritz).
Pelo contrário, o crescimento é que leva à educação, não vice-versa.
Aliás, com 26 000 doutorados, devíamos estar a crescer com alor e valor, o que talvez não seja propriamente o caso.
Claro que o profe sempre pode retrucar que para crescer a sério necessitamos, não 26 000, mas 52 000. O ideal, ponderando bem os prós de todos os contras e os contras de todos os prós, talvez pare aí pelos 10 000 000.
Este, sim, deve pescar de economia, como reconhecerá o outro, e é apanágio dos profes das Físicas, como se sabe, ao invés dos das Sociologias: haja vista o caso lamentável de M.ª Filomena Mónica, aqui mais atrás, a acusar o animal feroz da sinistra do «estado a que chegámos» (como diz a minha vizinha), e a desculpar o manso da abominável.
«Ces choses-là sont rudes; Il faut pour les compreendre avoir fait des études.»
Justamente, caro Hugo, tal o professor Fiolhais de Coimbra.

28 abril 2014

(futebol) Benfica - FCP, round 4...



Portugal 28 de Abril de 2014

Mais um jogo contra o FCP, mais uma vitória, desta vez obtida na marcação de grandes penalidades, mais um momento de grande exaltação e fervor clubístico.
Como eu dizia quando escrevi o texto sobre o “Round 2” em 28 de Março, “estamos portanto no desenrolar de um autêntico “combate” com 5 rounds, esperando no final sermos vencedores por KO, mesmo que os árbitros e a comunicação social puxem para o lado do adversário”. Independentemente do resultado do 5º jogo, de facto já ganhamos este “combate” por KO técnico: 3 vitórias contra 1 derrota.
Precisamente em 27 de Março perdemos com o FCP para a 1ª mão da final da Taça de Portugal. E as mesmas vozes de sempre insurgiram-se contra as opções do treinador, contra o desempenho de alguns jogadores, enfim, deram (mais uma vez) um exemplo de falta de “fair-play”, de não saber perder, de falta de categoria para se considerarem adeptos de um grande clube como é o Benfica.
Possivelmente hoje, essas mesmas vozes idolatram o mesmo treinador que antes vilipendiaram, os jogadores que antes criticaram, etc. Mas a verdade como sempre, está no meio. Nem era umas bestas há 1 mês, nem são bestiais agora. São sim os nossos treinadores e jogadores, e é isso que o faz especiais: serem os nossos!
E por serem nossos, o balanço não se pode fazer semana a semana, jogo a jogo, mas sim no final da época quando tudo terminar. No nosso clube há a tendência de intervir, pelos movimentos de opinião, em cada insucesso, sem perceber que a agitação prejudica a confiança dos jogadores e a relação que têm com o treinador, ou seja, criam empecilhos adicionais que dificultam o sucesso no jogo seguinte. Esperar que os treinadores e os jogadores sejam superiores aos adversários no campo, incluindo árbitros, e aos problemas criados pelos próprios adeptos, é algo muito difícil de ser bem sucedido.
Contudo Jesus tem superado essas enormes adversidades, características do nosso clube que é grande nas coisas boas mas também é grande nas coisas más. E tem-nas superado com qualidade ou seja, com futebol vistoso. Mas também com uma ponta de sorte, como foi o caso do jogo de ontem, onde uma equipa sem rotinas, pese o esforço e dedicação dos jogadores, conseguiu – com uma expulsão incorrecta – superiorizar-se pelas grandes penalidades a um adversário habituado a conquistar títulos, e que nada mais tinha a ganhar do que aquilo que acabou por perder.
Daqui resulta uma outra lição: no futebol a sorte e o azar também jogam e não devemos elogiar excessivamente quando temos sorte, mas também não devemos criticar excessivamente quando tivemos azar. E na época passada tivemos vários momentos de azar. Por ter noção do azar que tínhamos tido (já para não falar nos erros de arbitragem) eu sempre defendi a continuidade de Jorge Jesus enquanto a voz corrente e maioritária entre benfiquistas, era que JJ devia ser despedido para voltarmos à “Via Sacra” de termos 1 treinador por época (alguma gente parece sentir falta disso), crucificado regra geral antes da Páscoa.
Desta vez e ao contrário do que se passou em 27 de Março, a 1ª página do RECORD, o 2º órgão oficial do SCP, não optou por enfatizar que o Benfica jogou contra o FCP sem 6 titulares. Ganhamos e assim já não se coloca a questão dos titulares. Aumenta-se a pressão com o título foi “Tripla à Vista”. Se não houver tripla, mais uma vez há espaço para criticar o treinador (do ponto de vista deles).
Por último as palavras de Jardel, de raro oportunismo acutilante num jogador, porque proferidas a quente (após o jogo, na flash interview), demonstram que para defender o Benfica não é preciso vir da Formação, não é preciso ser “benfiquinha” de pequenino. É preciso sentir a camisola, é preciso sentir a história do clube, é preciso sentir a paixão dos adeptos. Estas qualidades não dependem da nacionalidade do jogador, da sua cor ou credo religioso. Dependem das suas qualidade humanas. Já se sabia que Jardel era um grande profissional, mas agora mostrou ser também um bom benfiquista. É destes bons profissionais/benfiquistas que o Benfica mais precisa e não de benfiquistas filósofos baratos ou políticos de segunda nos programas de trios, e não só....

27 abril 2014

De Abril a Abril



Sónia Cerdeira: – Em 2011 dizia que não se queixava do Governo. Mantém a opinião?

Maria Filomena Mónica: – Provavelmente não me queixava porque tinha esperança na mudança, depois do Governo mais criminoso que tinha existido na História de Portugal, que era o de Sócrates e que nos deixou à beira do abismo. Este Governo não me enfurece como o de Sócrates, mas não tem tido garra, nem coragem.

Sónia Cerdeira: – Mas tomou medidas das quais muitos portugueses discordam…

Maria Filomena Mónica: – Imagino que as medidas eram necessárias. Se devíamos muito dinheiro ao estrangeiro, agora temos de pagar. Andámos a comprar coisas que se calhar não eram essenciais e a corrupção foi enorme e continua. […]

Entrevista, Sol, 17 de Abril de 2014

*

Mas vamos e venhamos, amigos: passar do governo mais criminoso da História de Portugal para um governo que peca por falta de garra e coragem, mas que lá terá tomado as medidas necessárias a ir obstando à queda no abismo até onde o mais criminoso da história nos conduziu alegremente, – passar de um ao outro convenhamos em que sempre é uma conquista civilizacional. Para já nada dizer da salvação nacional, que essa talvez ainda está em vê-lo-emos.

  Enfim, em Abril, mentiras mil, não acho só eu..

Já não nos intimidam

Como hábito, eles exageram contra nós e agacham-se perante o outro. Fizeram-no três vezes este ano e mesmo assim não conseguiram. Mineralizados na sub-repção, já não nos intimidam. Nem uns nem outros. Acabou-se! Para o ano, regressarão em força, com os mesmos tiques e as mesmas acções, mas, fortalecidos, serão por nós encarados olhos nos olhos porque o extra já não é lenitivo.  

25 abril 2014

Da Censura à Promoção do Elogio

40 anos depois, o que mudou? À parte da situação de guerra que se vivia, e que foi a razão essencial para se fazer a revolução, hoje a situação política mantém-se basicamente igual. Evidentemente, as coisas melhoraram em vários aspectos, como as condições gerais de vida e isso pode ser facilmente comprovado comparando estatísticas, mas essa evolução deveu-se ao normal passar do tempo. É natural que a revolução tenha permitido desbloquear várias situações que levaram a um aumento de investimento em áreas fundamentais como a educação, a saúde e infraestruturas, mas que teve um preço que se traduziu na falência do país poucos anos depois de 1974. Se não tivesse havido a revolução, esse investimento teria de ser feito mais tarde ou mais cedo, arrisco-me a dizer, com menor esforço para as pessoas.

A comparação entre o pré e o pós 1974 é um exercício difícil de ser feito, uma vez que a guerra teve efeitos na população que hoje não tem paralelo. No entanto, existem algumas situações que podem ser comparadas. Exemplo: a liberdade de expressão. Antes da revolução, como se sabe, a censura estava institucionalizada, era algo que existia abertamente. Apesar da censura estar aparentemente morta e enterrada, a verdade é que a liberdade de expressão é hoje uma ironia. Se antes o preço a pagar era a prisão e a tortura, hoje é proscrição. A censura hoje está invertida, pode-se dizer o que se pensa, mas na certeza que as palavras certas pró-regime podem facilitar a vida em termos de oportunidades e, pelo contrário, a crítica leva ao isolamento. Isto faz com que hoje em dia o sistema seja muito mais eficaz. Perante esta situação de garrote económico constante em que vivemos, imposto pelos próprios responsáveis políticos, o que se observa é um acotovelamento entre a população para aplaudir e elogiar o regime. Antes da revolução, a crítica ao regime levava à prisão e à tortura, mas também conferia um estatuto de heroicidade e a vidas no exílio, patrocinadas pelos actores da guerra fria, muito apetecíveis. Dir-me-ão que antes eu não teria sido capaz de escrever um texto como este. Desde logo, teria que dominar a arte da tipografia. Hoje é muito mais fácil escrever-se um texto. Mas, sim, seria possível e iria certamente ter consequências. E hoje? Hoje a consequência é muito mais subtil, mas com efeitos igualmente negativos.

Por outro lado, antes da revolução, como se sabe, a comunicação social era controlada pelo regime. A famosa comissão de censura e o lápis azul faziam com que as notícias e os jornalistas estivessem fortemente constrangidos. Deste modo, sabia-se que aquilo que saía nos jornais era sempre a versão do regime dos acontecimentos. Hoje, no entanto, o controlo da comunicação social também evoluiu, para a chamada instrumentalização. Não é preciso irmos muito longe, basta ver os constantes problemas na RTP com saídas e entradas de directores por incompatibilidade com a política de quem está no governo (o último caso, se não me falha a memória, foi o acesso pelas forças de segurança às imagens de uma manifestação em frente ao parlamento). Além do caso óbvio da empresa pública, também as privadas têm necessidade de entrar nessa dança, sob pena de serem também proscritos. As coisas hoje são feitas de forma muito mais imperceptível, com o regime a infiltrar os seus correligionários dentro dos principais órgãos de comunicação social, que não têm outra opção a não ser aceitar essa condição para sobreviverem. O resultado, no fim de contas, é o mesmo: temos sempre que saber ler e filtrar a informação de acordo com quem é o autor da notícia que estamos a ler.


Mas, na verdade, hoje existe uma maior diversidade partidária. Longe vão os tempos da União Nacional partido único. Mas quem se revê nos actuais partidos e nos seus responsáveis? Existe mesmo a possibilidade de se mudar o que quer que seja com o nosso voto?

Na 2ª república, apostou-se claramente no corporativismo (e, já agora, é preocupante a ignorância de alguns responsáveis políticos actuais em relação a esse conceito). Actualmente, esse corporativismo é diferente e dissimulado, basta ver as trocas entre responsáveis políticos e as administrações nas principais empresas privadas.


Os métodos evoluíram, mas os objectivos de quem está no poder são os mesmos. Os responsáveis políticos perceberam, ou foram obrigados a perceber, que é muito mais eficaz promover a concorrência ao elogio do que calar ou proibir a crítica. Passou-se do sistema repressivo ao sistema retributivo.

(25 de Abril) Pás de Portugal

A democracia tem o condão de permitir que todos nós possamos dizer aquilo que na alternativa nem nos atreveríamos a pensar. Em circunstâncias normais, bastaria esta ideia para percebermos tudo o que devemos ao dia em que ela foi restaurada, depois da letargia iniciada em 05 de Outubro de 1910.
Para que não se pense que há confusão de datas e de factos, 1926 e Salazar são consequências directas da instauração da República e da ditadura polvilhada de anarquia, violência desmesurada, torturas e assassinatos, perseguições pessoais e políticas a todos os que pensavam diferente e ao caos económico-financeiro que o Partido Republicano impôs a Portugal.
(Entre a manipulação e a ignorância, nós, portugueses, confundimos República com Democracia e Monarquica com Ditadura, mesmo que todos os dias vejamos ou ouçamos a evidência do contrário, desde as ditaduras republicanas vigentes na Venezuela, em Cuba, na Bolívia ou na maioria dos países africanos às monarquias democráticas existentes em Espanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica ou Inglaterra.)
Porque mediáticos, materialistas e ignorantes da nossa História e do que nos rodeia, sortilégio nosso é deixarmo-nos arrebatar pelos discursos ocos e frases populistas de alguns que por aí pululam como “pais da pátria" e que sabem que nós somos assim: gostamos da letargia, acomodados naquilo que nos bandejam.
No dia da Liberdade, um dos "pás" que nos últimos quarenta anos tem sido servido pelo Estado arregimentou uns quantos apaniguados e, porque a Democracia lhe permite isso, discursou. E ainda bem que o fez. Ficamos todos a saber que eleger aqueles que não são do agrado dele (ou deles, porque ele foi o instrumento vocal) não é democrático e que, a continuar assim, eles, os "pás", entendem como legítima uma insurreição militar para repor a "democracia de Abril".
Atávico, este "pá" jamais perceberá o que é poder escolher livremente quem nos governa, jamais perceberá o que é ganhar ou perder eleições, jamais perceberá o que é a diferença de opinião, jamais perceberá o que é a democracia, mesmo vivendo nela e dela. Afonso Costa ou Salazar têm ali um lídimo representante.
Quarenta anos depois, ainda ignoramos a História. Quarenta anos depois, ainda aturamos os "pás" e os seus dichotes. Quarenta anos depois, o Abril deles é diferente do meu. Ainda bem. Quarenta anos depois, mesmo a contragosto deles, a Democracia funciona.


23 abril 2014

(futebol) O trigésimo quarto...



Portugal 23 de Abril de 2014

O trigésimo terceiro título de campeão, comemorado no dia de Páscoa, algo inédito na história do Benfica (e do futebol português), coincidindo com a idade que Jesus Cristo teria quando foi crucificado (33 anos) já deu motivo para alguns escritos de analistas desportivos sempre atentos às particularidades. Falar ou dissertar sobre pormenores sempre foi mais fácil e de fácil assimilação pelos receptores, do que analisar a substância das coisas, dos acontecimentos, dos feitos que ficam para a história.
Em bom rigor este não deveria ser o 33º título de campeão, mas sim o 34º título, se os erros direccionados de arbitragem da época passada (fora as outras) não tivessem intervido – simultaneamente - a favor do FCP e contra o Benfica. E nesta perspectiva, com o 34º título alcançado, não haveria motivos para brincar com a Páscoa.
Mas vendo a coisa também pelo prisma da presente época, foram os “erros” dos homens que organizam e promovem o actual futebol a favor do FCP (14 títulos de campeão nas últimas 20 épocas) que levaram o Benfica a ser campeão no dia de Páscoa. Uma coincidência pouco divina e um cúmulo metafórico de como os planos da manipulação da arbitragem a “régua e esquadro”, podem funcionar de forma muito distinta do previsto.
Obviamente que também houve muita competência própria para saber aproveitar esses erros dos homens “maus”. Competência do treinador, primeiro responsável de todas as decisões e suas consequências. Competência dos jogadores que tudo deram para colocar em campo o seu talento formatado pelas ideias do treinador. E houve também o amor e paixão dos adeptos, sempre fiéis, que nas horas más apoiaram e nas horas boas recompensaram. E foram recompensados. Esta época tem sido um exemplo quase perfeito do círculo virtuoso: os adeptos puxam pela equipa e a equipa puxa pelos adeptos!
Houve também mérito na Direcção, ou do Presidente, quando decidiu renovar com Jorge Jesus apesar das 3 finais perdidas (nas duas finais nacionais os árbitros não nos deixaram ganhar, mas para ele e os críticos é tudo igual). Apenas nisso teve mérito, porque tudo que podia ter feito para dificultar o sucesso da equipa, fez: silenciar críticas perante erros grosseiros de arbitragem e venda de Matic em Janeiro quando a equipa recuperava na classificação!
Felizmente temos Jesus que inventa, adapta, trabalha e melhora as qualidades dos jogadores que tem ao seu dispor, e tivemos algo mais, isto sim difícil de explicar: em 2 ou 3 jogos existiram erros de arbitragem inéditos contra o FCP, que nunca tinham acontecido nas épocas anteriores, como seja no Estoril, 1ª volta, Benfica e SCP na 2ª volta (note-se que também existiram erros a favor do FCP nos jogos do Estoril e Benfica). E tivemos algo ainda mais difícil de explicar: 3 penaltys contra o FCP em situações de jogo de incerteza, duas com 0-0 e uma com 0-1 a favor do FCP. Nestes jogos, Estoril 1ª volta, Marítimo e Estoril na 2ª volta, o FCP perdeu 8 pontos! Quem defende os árbitros que por regra não marcam penaltys a favor do Benfica, ou contra o FCP, porque “um penalty não é sinónimo de golo”, tem aqui a prova “matemática” que não é assim.
Fomos campeões à 28ª jornada, com 86,9% de pontos conquistados, o que é a mesma percentagem que tínhamos na mesma jornada da época passada. Portanto não é correcto afirmar-se que Jesus corrigiu erros passados, porque como se constata, Jesus manteve o nível pontual! A diferença é que o FCP foi menos ajudado pela arbitragem do que na época passada! Nesse ano o FCP apenas sofreu 1 penalty e quando ganhava 3-0. Se tivesse sofrido mais penaltys (como este ano), quando teve dois “guarda-redes”, obviamente que agora estávamos a celebrar agora o 34º título.
Por último, este ano fomos campeões com o número de golos marcados mais baixo da era de Jorge Jesus: 56! Será sempre a pior marca já que não chegaremos aos 66 golos marcados na época 2010/2011, até agora o seu pior registo. Contudo tivemos a melhor defesa das suas 5 épocas: 15 golos! Menos que os 20 golos sofridos em 30 jogos, no ano do último título e época passada! Neste aspecto há alguma razão para se confirmar que os jogos se ganham no ataque, mas os campeonatos ganham-se na defesa!
O Benfica foi finalmente campeão. A festa foi bonita e foi só nossa. Não foi uma festa contra ninguém como é apanágio da nossa cultura. Contudo, tenho um sentimento agridoce uma vez que o “foguetório” e o “forró” patrocinado pela Direcção são mais do mesmo que já temos visto: demagogia e oportunismo. Não perceberam porque razão Pedro Proença foi nomeado para a meia-final da Taça de Portugal, nem perceberam porque razão foi nomeado Marco Ferreira (da derrota na 1ª mão da Taça de Portugal com o FCP) para a Taça da Liga. A burrice da Direcção já é uma imagem da “marca” Benfica. Com ou sem “foguetório”...

19 abril 2014

8º aniversário - oito anos de blogue

Completámos 8 anos de existência e nem nos demos conta. Precisamente, foi no dia 13 de Abril de 2006 que iniciei este espaço. A ouvir um disco com este nome e sem ideias para o título para o blogue - até porque a ideia era ser uma espécie de blogue-teste  - o nome Máquina de Lavar ficou. E continuamos a não ter objectivos higiénico-sociais, como é evidente.

Ora, há alguns agradecimentos a fazer em primeiro lugar àqueles que comigo construíram este espaço praticamente desde a primeira hora, aos que vieram depois, àqueles que estão agora.. Mas, acima de tudo, e penso que falo por todos nós, aos nossos leitores. Obrigado.

Isto mudou muito, realmente, desde 2006. E mudou as nossas vidas também, fizemos amizades que muito valorizo e estimo. Na altura a blogosfera açoriana era de uma vitalidade digna de registo. As novas redes sociais vieram diluir a actividade que existia e que estava concentrada em dois ou três blogues e que depois se foi alargando aos poucos a outros blogues, onde nós nos inserimos. Em comparação com o que se vê actualmente nas redes sociais dominantes, parece-me que antes a blogosfera açoriana era mais cordata e, atrevo-me a dizer, mais preenchida em termos intelectuais, no entanto estava restrita a uma franja muito pequena da sociedade. Foram bons tempos. Na altura o 25 de abril só estava a comemorar 32 anos, por isso era apenas ridículo questionar-se coisas como "Abril foi cumprido?", hoje então, no 40º aniversário, ultrapassou-se qualquer limite do risível ao se fazerem debates sobre esse assunto. Que diabo, 40 anos? Se havia alguma coisa para cumprir, ou está feita, ou já não vai ser feita.

Venham mais oito!

18 abril 2014

(futebol) Benfica - FCP, round 3

Portugal 18 de Abril de 2014

A propósito dos 5 jogos entre Benfica e FCP escrevi no texto “round 2” em 28 de Março que “estamos portanto no desenrolar de um autêntico “combate” com 5 rounds, esperando no final sermos vencedores por KO, mesmo que os árbitros e a comunicação social puxem para o lado do adversário. O Benfica ganhou o round 1 por 2-0, o FCP ganhou o round 2 por 1-0, e como é tradição nos locais de debate benfiquista, a derrota não foi bem encaixada. O “fair play” de certos adeptos é uma treta.”
No futebol, como bem lembra Jorge Jesus, tudo muda com um mau resultado. Acrescento, que também podem mudar muitas coisas com uma vitória. Em particular se for com o FCP, se for com Proença, se for com 10 jogadores em campo e permitir alcançar pela 2ª época consecutiva a final da Taça de Portugal. Para os amantes da estatística, recordo que desde as épocas 1995/96 e 96/97 que não conseguíamos 2 presenças consecutivas na final da Taça.
Estar na final da Taça tem sido difícil. E mais difícil se tornou recentemente, com a inclusão de meias-finais a duas mãos, onde o FCP tem sempre vantagem pelo valor da sua equipa, somado ao valor acrescentado pelas arbitragens. E contudo, conseguimos a segunda presença na final, em 5 anos de Jorge Jesus. Que podiam ser 3 não fosse a “roubalheira” de Carlos Xistra na fatídica 2ª mão da época 2010/2011. Uma “roubalheira” que passou despercebida à Direcção do Benfica. Para variar.
Esta vitória foi épica. Não vou repetir o que já foi dito, porque acho que já foi dito tudo que importava. Falta falar de Proença, o árbitro. A sua nomeação, sabendo que com 5/6 jogos arbitrados entre Benfica e FCP, o Benfica tinha ganho “zero”, era um óbvio sinal do “sistema” a favor do FCP, o clube que controla! Ora quem nomeia não sabe o que o árbitro vai fazer no jogo, apenas sabe que a matemática lhe diz que a probabilidade do FCP ter um determinado resultado é maior ou menor. E é maior ou menor conforme o árbitro for capaz de interpretar o “manual” de arbitrar de forma melhor ou pior, de forma mais cínica ou não. Proença bate todos os árbitros portugueses nessa matéria.
Os exemplos do sua “peculiar” forma de arbitrar são muitos. Limitando-nos a jogos do Benfica, recordamos o penalty assinalado a Yebda sobre Lizandro, a expulsão de Luisão (1ª em 10 anos de Benfica) após uma falta não sancionada de Guarin no jogo que valeu uma derrota por 5-0, a expulsão de Emerson na época 2011/2012 com duas faltas não sancionáveis com cartão, no mesmo jogo em que Djalma fez várias faltas sancionáveis com cartão e acabou por ser substituído a “tempo”, sem esquecer o golo em fora em jogo de quase 2 metros que não sendo da sua responsabilidade, foi apenas a cereja no topo do bolo desse jogo perdido por 3-1.
Podíamos lembrar jogos do Benfica com outras equipas, como por exemplo contra o Nacional na época passada, que com 2 pontos roubados, ajudou a que o Kelvin brilhasse no final da época. Podíamos recordar também a primeira grande demonstração do seu cinismo, num jogo com o Boavista na época 2001/2002 quando Toni construiu uma equipa candidata “real” ao título, mas que ficou em 4º lugar com menos pontos do que Souness e os ingleses (“toscos” para os mesmos entendidos que por aí continuam a pulular como pulgas ranhosas).
E apesar de todos estes antecedentes, o Benfica finalmente conseguiu ganhar um jogo ao FCP com Proença! Com 10! Com estilo! Com Proença a marcar 1 penalty contra o FCP, outro feito inédito, depois de ter expulso mal (para variar) um jogador ao Benfica, quando ganhávamos 1-0 e a nossa superioridade adivinhava a eliminação do FCP! Os planos do “sistema” às vezes correm mal....
Foi apenas o 3º jogo contra o FCP faltando dois que têm graus de importância distintos, e cuja priorização dependerá da evolução do Benfica nas outras competições, com a Liga Europa em destaque natural. Se o 1º jogo com a Juventus correr bem, é bem possível que a meia-final da Taça da Liga seja desvalorizada. Idem com último jogo do campeonato.
Decisões difíceis que fazem parte da vida de um treinador e que num clube com muita gente importante ingrata, por vezes são decisões que assumem um dramatismo escusado. Mas acredito que Jesus saberá tomar as melhores decisões em função do estado que o plantel apresentar antes de cada um desses jogos.
Para terminar e porque li muita imbecilidade escrita por gente que se acha mais benfiquista do que os outros, por gente que acha que sofre mais do que os outros, por gente que continua a desvalorizar o mérito do treinador nos feitos que temos conquistado paulatinamente e de forma sustentada, recordo aqui o que pensavam alguns ingratos de agora, em Junho de 2001:
O que é importante para o Benfica é constituir rapidamente como está a fazer, uma equipa de futebol ganhadora, que discuta o título e seja campeã nacional já para o ano. António Figueiredo em A BOLA 20 de Junho 2001
Estes que acreditavam piamente na estrutura directiva do Benfica (que se mantém), estes que estiveram associados a um dos piores ciclos do Benfica (Damásio 94/97), estes que acreditaram no “bom” trabalho que se estava a fazer e que culminou num 4º lugar na época 2001/2002 com os treinadores benfiquistas Toni primeiro e Jesualdo depois, são estes ingratos que na comunicação social continuam a atirar “papaias” sobre a excelsa qualidade do plantel actual, para desvalorizarem quem é responsável por essa qualidade. Gente ingrata, medíocre mas ... benfiquista e “notável”!

16 abril 2014

(futebol) Paradigmas, paradoxos e pragmatismos....



Portugal 16 de Abril de 2014

Os últimos tempos têm-nos confirmado, jogo a jogo, que o principal objectivo da época está ali ao virar da esquina, mas também têm comprovado a existência de uma enorme envolvente de mediocridade, hipocrisia, fanatismo e intoxicação de valores opostos aos que devem ser os do futebol: mérito, fair-play, respeito e humildade.
Começando pelo presidente do SCP, qual D.º Quixote lutando não se sabe bem contra que tipo de “moinhos”, se contra o número maciço de vitórias do FCP nos campeonatos, se contra a vitória que se prevê vir a acontecer, do Benfica esta época. Não se consegue perceber se está incomodado com as 14 vitórias do FCP nos últimos 20 anos, ou se está preocupado com as 3 vitórias do Benfica no mesmo período, que ultrapassarão as 2 do SCP. Paradigmas sportinguistas...
Continuando do fim para o início do meu período de ausência, reparei também que o RECORD conseguiu publicar uma notícia que soa a encomenda do FCP, intitulada “FCP de pé atrás com Proença”. Na peça fala-se do óbvio, ou seja, mencionam-se os erros de Proença contra o FCP no último jogo com o SCP (podiam ter ido buscar os anteriores, onde o panorama foi inverso), mas estranhamente não conseguiram mencionar algo de muito mais difícil explicação, que é o facto do Benfica não ter ganho qualquer jogo ao FCP, com Proença a arbitrar. Paradigmas das novas “técnicas” de “informação” feitas à medida dos clientes. E o Benfica não consta na parte superior da lista dos melhores clientes do RECORD.
O surreal é que apesar disto, o RECORD continua mais bem informado do que a BOLA. Assim enquanto a BOLA ontem ainda colocava a hipótese de Luisão e Fejsa poderem jogar contra o FCP, o RECORD já sabia e publicava que eles não iam a jogo. Antes do jogo com o Arouca idem, idem, aspas, aspas. A BOLA foi ultrapassada pela qualidade da informação publicada no RECORD. Como é que alguém no Benfica continua a alimentar o RECORD apesar dos atentados à ética informativa que este ocs pratica continuadamente, a partir de uma Redacção infestada de sportinguistas doentes anti Benfica? Paradoxos das relações do nosso clube/SAD. Desde que tratem bem Vieira, o resto façam com quiserem...
Foi também “notícia” (confesso que não sei quem a poderia ter encomendado) num generalista que tem uma redacção desportiva repleta de adeptos do SCP, o CM, que Jesus estava a pensar sair para outro clube. A “inocente” “cacha” que ninguém sabe de onde veio (os jornalistas têm de proteger as “fontes” mesmo que estas não existam) foi depois pegada por vários jornalistas de vários ocs, transformando uma coisa que pode ser um boato estrategicamente lançado, num motivo de debate aceso e consequente, do papel de Jesus no Benfica.
Não acompanhei todos os programas onde isso foi debatido e onde vários pseudo comentadores bem pagos para deitar gasolina na fogueira, peroraram sobre as vantagens de Jesus sair agora, “por cima, com campeonato e eventualmente mais alguma prova ganha”. Mas estacionei, casualmente, num programa da RTP, no dia seguinte ao jogo com o Rio Ave, onde 3 jornalistas adeptos do SCP, Paulo Sérgio, António Tadeia e Carlos Dias, dissertavam sobre as razões da saída de Jesus! Os 3 adeptos do SCP lá explicaram o seu raciocínio, numa base de alguma lógica (estúpida, mas lógica), que este era o melhor momento para Jesus sair do Benfica. Para além deste novo paradigma de vermos os jornalistas do SCP preocupados com aquilo que é mais adequado para o Benfica e as pessoas que o servem, temos ainda o paradoxo dos mesmos três jornalistas terem defendido a saída de Jorge Jesus no final da época passada!
Digamos que para a RTP em Lisboa, que vive com o dinheiro dos contribuintes, o exemplo de “pluralidade” são 3 jornalistas adeptos do SCP a falaram de futebol, em particular quando o tema é Benfica! Ou quando é a análise dos erros de arbitragem do jogo SCP – FCP (o mesmo painel, as mesmas conclusões favoráveis às teses do SCP). E ainda mais, quando os mesmos três jornalistas defenderam, num ano o despedimento de Jesus por não ter ganho, e no ano seguinte defenderem a saída do mesmo Jesus por ter ganho! Grandes exemplos de coerência e de isenção, estes programas televisivos, ou seja, mais exemplos dos novos paradigmas e paradoxos da informação desportiva. Não é difícil de adivinhar porque razão, com tudo isto, há tanta dificuldade em ver penaltys a favor do Benfica nos jogos nacionais.
E porque o “futebolês” continua muito “portoguês”, o árbitro escolhido para a meia-final da Taça é aquele com o qual o Benfica nunca conseguiu ganhar ao FCP! Ontem antes de se saber da nomeação, Pinto da Costa dizia que “ainda havia 2 taças para ganhar”. Hoje Quaresma diz que já se vê no Jamor. Ambos e dois sabem como isto funciona e porque razão foi escolhido Proença...
Por muito pragmático que jogue o Benfica, com um resultado de 1-0 para dobrar, com Proença é mais difícil quem os vença. Claro que a matemática também nos diz que após uma série de resultados negativos, está mais próximo o jogo em que o resultado será positivo. Será hoje? Hum.....