30 junho 2014

(futebol) 6 milhões...



Portugal 30 de Junho de 2014

Foi recentemente notícia e alguma especulação, a venda da Exequiel Garay ao Zenit de S. Petersburgo por 6 milhões de euros. A inoportunidade da venda, por não ter esgotado as hipóteses de valorização do jogador no Mundial, o valor da venda, ridiculamente baixo para quem tinha mais 1 ano de contrato que poderia ser renovado, ou pelo menos tentado, puseram muita gente a pensar sobre o tipo de gestão que se faz no Benfica.
A mim nada disto me surpreende uma vez que a ideia que tenho do actual projecto empresarial do Benfica é completamente distinta do que a esmagadora maioria dos adeptos têm. Tenho uma ideia muito negativa porque começa tudo pelo Sr.º Vieira e a incapacidade de mostrar aos sócios quando é que recebeu o emblema de prata, ou seja, quando é que recebeu o emblema que prova que de facto é sócio há mais de 25 anos. Porque não é e não está no Benfica a gerir o futuro do Benfica e dos benfiquistas, mas sim, está a gerir os interesses que o colocaram na liderança do Benfica, com o BES à cabeça.
Voltando ao caso Garay, recolhi ao longo dos tempos algumas notícias que elucidam muitos aspectos do negócio. Atestando que as dúvidas têm razão de existir. Se não vejamos:
Numa altura em que se dá como certa a sua transferência para o Manchester United, Ezequiel Garay confirmou que está de regresso a Lisboa, devendo apresentar-se esta quarta-feira no centro de estágios do Seixal. O defesa argentino, aliás, mostra-se até cheio de vontade de iniciar os trabalhos de pré-época. «Com muitas ‘ganas’ de começar a treinar. Rumo a Lisboa», escreveu Garay na rede social Twitter.
12:26 – BOLA online 16-07-2013
O Manchester United não desiste de contratar Ezequiel Garay e, segundo a imprensa inglesa, terá feito nos últimos dias uma nova oferta aos encarnados. A proposta contempla o pagamento de 15 milhões de euros a pronto e mais 10 de forma faseada durante os próximos anos. Ora, a oferta pode parecer estranha, já que a cláusula de rescisão do jogador é de 20 milhões de euros, mas é bom lembrar que este tipo de negócio não é virgem no clube de Old Trafford.
O namoro entre Garay e o emblema inglês dura desde a última época, depois das grandes exibições do central, principalmente nas provas europeias. O jogador foi alvo de várias observações e, tal como Record noticiou em primeira-mão, foi celebrado um acordo de cavalheiros que contemplava a mudança do internacional celeste para Old Trafford este verão.
RECORD online, segunda-feira, 12 agosto de 2013 | 03:01, Autor: joão soares ribeiro e miguel belo
O portal inglês “SportDirectNews” revela esta quinta-feira que o Manchester United desistiu definitivamente de querer contratar Ezequiel Garay ao Benfica.
Segundo a mesma fonte, os vários retrocessos nas negociações com os encarnados ditaram que a contratação de Garay fosse "por água abaixo”. Ao que tudo indica, a gota de água foi quando os encarnados elevaram o preço do central de 20 para 25 milhões de euros.
RECORD online, quinta-feira, 22 agosto de 2013 | 16:37
Para impedir o risco de Garay assinar a custo zero por outro clube a partir de janeiro de 2015, a SAD terá, pois de negociá-lo no próximo defeso, para não perder retorno financeiro. A possibilidade da saída de El Negro no verão, sabe a A BOLA, é encarada com alguma naturalidade pelos responsáveis encarnados, tendo em conta que a perspetiva de uma renovação de contrato não está, para já, em marcha.
10:25 – BOLA online 15-11-2013
Ezequiel Garay continua a ser o nome mais desejado por Rafael Benítez e Riccardo Bigon, respetivamente, treinador e diretor desportivo do Nápoles para reforçar o centro da defesa da equipa.
23:33 – BOLA online 20-11-2013
O Manchester United não está disposto a deixar fugir Ezequiel Garay. O Nápoles entrou recentemente na corrida, mas os red devils continuam a ponderar a contratação do defesa do Benfica.
11:40 – BOLA online 22-11-2013
Ponto prévio: o Manchester City vai aproveitar a reabertura do mercado de transferências, em janeiro, para contratar um defesa central. Muitos têm sido os jogadores apontados como candidatos a reforçar o plantel de Manuel Pellegrini na ´janela` de inverno, entre os quais se encontram três portugueses: Eliaquim Mangala e Nicolás Otamendi, do FC Porto, e Ezequiel Garay, do Benfica.
13:51 – BOLA online 24-11-2013
Ezequiel Garay volta esta segunda-feira a ser apontado como potencial reforço do Nápoles na reabertura do mercado de transferências, em janeiro.
Aurelio De Laurentiis, presidente do clube da Serie A, admite aproveitar o mercado de inverno para reforçar o plantel à disposição de Rafa Benítez, surgindo o central argentino em posição de destaque na lista de compras dos azzurri.
00:58 – BOLA online 17-12-2013
O mercado nos principais campeonatos europeus já encerrou, mas o Benfica ainda não ficou a salvo de perder um dos jogadores mais valiosos do plantel. Isto porque o Zenit São Petersburgo continua muito interessado em garantir os serviços de Garay e promete não desistir até ao próximo dia 27, quando encerra a janela de transferências na Rússia.
RECORD online Sábado, 1 fevereiro de 2014 | 06:18
Autor: MIGUEL BELO E VANDA CIPRIANO

(título) Zenit pressiona águias com Neto no negócio Garay
(sub título) RUSSOS ACENAM COM O PORTUGUÊS PARA BAIXAR O PREÇO
O Zenit está empenhado em garantir os serviços de Garay já neste mês de fevereiro e quer incluir Neto no negócio, para baixar o preço do argentino..... Os encarnados estudam esta hipótese, mas é certo que Luís Filipe Vieira pretende que os russos se aproximem o mais possível da cláusula, embora não feche a porta à chegada de Neto.
RECORD online, Domingo, 2 fevereiro de 2014 | 03:02
Autor: MIGUEL BELO E VANDA CIPRIANO

(título) Oferta milionária por Garay a pedido de Spalletti
(sub título) PODE GANHAR O DOBRO NO ZENIT
Apesar de desportivamente preferir outros campeonatos, mais competitivos, Garay estuda uma oferta milionária do emblema de São Petersburgo. O camisola 24 das águias, que chegou a confessar ter pensado no Manchester United, tem a possibilidade de ganhar no Zenit praticamente o dobro daquilo que aufere anualmente na Luz, onde arrecada 3,5 milhões de euros brutos, sendo o ordenado mais alto do plantel.
RECORD online, Domingo, 2 fevereiro de 2014 | 07:16


Vieira recusa 10 milhões e Neto por Garay
ZENIT DEVERÁ FAZER CONTRAPROPOSTA QUARTA-FEIRA
Terça-Feira, 11 fevereiro de 2014 | 09:03
O Benfica rejeitou a proposta do Zenit por Ezequiel Garay, a qual previa o pagamento de 10 milhões de euros e a cedência do passe de Luís Neto, revela o site russo "sportbox.ru".
A notícia salienta que a recusa transmitida pelo presidente Luís Filipe Vieira não fechou as portas às negociações, que vão prosseguir na quarta-feira, após o Benfica-Sporting, que, tudo indica, deverá disputar-se na noite desta terça-feira.
O Benfica está a fazer tudo para segurar Ezequiel Garay até ao final do mês de fevereiro. As negociações com o Zenit têm fortes hipóteses de chegar a bom porto, mas Luís Filipe Vieira tenta que o central só parta para a Rússia em cima do fecho do mercado de transferências, que acontece no dia 27 deste mês. E o emblema de São Petersburgo parece estar recetivo a atender a esta vontade ou pelo menos a esperar mais alguns dias, já que o campeonato só recomeça no início de março e Garay terá tempo de se integrar com os novos companheiros.
RECORD online, Quinta-Feira, 13 fevereiro de 2014 | 07:17
Autor: MIGUEL BELO E PEDRO PONTE

(título) Vieira segura Garay
(sub título) CENTRAL CADA VEZ MAIS PERTO DE SER "REFORÇO" DE INVERNO PARA O TREINADOR
Fotos: FILIPE FARINHA
Luís Filipe Vieira quer segurar Garay na equipa do Benfica. O presidente do emblema encarnado, que tem estado a negociar o defesa-central com o Zenit, parece com vontade de recuar e as negociações estão interrompidas, sabendo-se que o mercado da Rússia está aberto até dia 27 deste mês. A vontade de não desfalcar a equipa, que está bem posicionada na luta pelo título e envolvida ainda nas quatro competições, está a falar mais alto do que a possibilidade de negócio.
RECORD online, Sábado, 15 fevereiro de 2014 | 03:14
Autor: JOÃO SOARES RIBEIRO E VANDA CIPRIANO

(título) Monaco colocado na corrida por Garay
(sub título) RECORD SABE QUE NÃO HOUVE APROXIMAÇÃO
quinta-feira, 6 março de 2014 | 07:54
A imprensa francesa colocou o Monaco na lista dos clubes interessados em garantir os serviços de Garay já no próximo verão, mas, ao que Record apurou, não houve qualquer aproximação do clube de Ricardo Carvalho, João Moutinho e companhia ao emblema encarnado. As únicas reais conversações decorreram apenas com o Zenit, sendo que as de São Petersburgo estiveram muito perto de assegurar a contratação do defesa-central no mercado de inverno.

Garay dado como certo no Valência
O diário espanhol Superdeporte dá como certa a contratação de Ezequiel Garay pelo Valência, juntando-se ao avançado hispano-brasileiro Rodrigo como as primeiras contratações da nova era no clube, recentemente adquirido pelo empresário Peter Lim.
11:32 – BOLA online, 20-05-2014

(título) Zenit volta a insistir na aquisição de Garay
(sub título) Benfica disposto a negociar mas o clube russo também terá de convencer defesa
RECORD online, quarta-feira, 21 maio de 2014 | 05:32
Autor: JOÃO SOARES RIBEIRO e ALEXANDRE CARVALHO

Ezequiel Garay continua a ver o seu nome associado a vários clubes. Do interesse que vem de longo da parte do Manchester United, passando pelo Valência, agora é o Bayern Munique que também estará atento ao internacional argentino do Benfica.
Revela ainda o Bild que uma decisão sobre qual o alvo a atacar será tomada nos próximos dias, após reunião entre o diretor desportivo do clube, Matthias Sammer, e o treinador Pep Guardiola.
11:29 – BOLA online 21-05-2014

(título) Zenit tenta baixar cláusula de Garay
(sub título) RUSSOS NÃO QUEREM PAGAR OS 20 MILHÕES
O Zenit vem mantendo conversações com o Benfica há algum tempo, procurando baixar o valor inscrito na cláusula de rescisão de Garay, ou seja, tentando capturar o defesa-central por menos de 20 milhões de euros.
Tendo apenas direito a metade da verba a pagar pelo emblema de São Petersburgo – a quantia remanescente irá direitinha para os cofres do Real Madrid –, o Benfica tem a noção de que, muito provavelmente, terá de baixar um pouco a fasquia, dado que o vínculo contratual do futebolista expira a 30 de junho de 2015, o que lhe confere a possibilidade de assinar a custo zero, por outro clube, já a partir de janeiro. Ora, o Zenit tem lançado esse trunfo para cima da mesa.
RECORD online, Quinta-Feira, 22 maio de 2014 | 06:02

(título) Jesus confirma saída de Garay
(sub título) VIEIRA JÁ DEU ESSA INDICAÇÃO AO TÉCNICO
Jorge Jesus admitiu que Garay vai mesmo deixar o Benfica, revelando que Luís Filipe Vieira confirmou essa mesma ideia anteriormente, embora sem dizer qual será o destino do central. A revelação do técnico foi feita à Benfica TV, quando este comentava a questão dos reforços.
RECORD online, Quinta-Feira, 29 maio de 2014 | 22:57

A mim parece-me claramente que 1) o Benfica fez o habitual jogo de informação e contra informação na comunicação social, ao estilo de Jorge Mendes, o empresário deste (como dos outros) negócio, e perdeu, 2) o Zenit não se impressionou (vá lá saber-se porquê) com o interesse de outros clubes com forte potencial económico, caso para podermos questionar se Mendes não fez aqui jogo duplo, 3) o Benfica nunca fez uma proposta de renovação a Garay nem manifestou preocupação com a possibilidade de em Janeiro de 2015 poder ser abordado por qualquer clube, ao contrário que fez com David Luiz, apesar de David Luiz ter na altura mais 2 anos e meio de contrato (!?!?), 4) Garay custava 3,5 milhões de euros por época o que cala a boca de muita gente que se admira com os 4 milhões que Jesus custa, 5) Vieira arrastou uma negociação em que ponderou mal um conjunto de factores, jogou na sorte ou no amigo Jorge Mendes e no final deixou sair Garay por “tuta e meia”, não colhendo o argumento, que a sua máquina de propaganda costuma utilizar, de “não querer enfraquecer o plantel”. Devia ter tido esse critério com Matic, 6) o Benfica fez um péssimo negócio e perdeu um excelente jogador.
A minha opinião sobre o Sr.º Vieira está formada há muitos anos, desde que contratou 50% de Mantorras em Março de 2001 como gestor do futebol do Benfica por 5 milhões de euros, e em Novembro desse mesmo ano, na qualidade de Presidente do Alverca recomprou ao empresário os 50% por 1,8 milhões de euros (na moeda actual). Quem não quiser ver, paciência...

26 junho 2014

QUATRO JUSTOS



Mas, além do novo Costa do Castelo e dos penteados de CR7, oferecem-se-nos ainda mais motivos de júbilo e esperança, cidadãos!

Pode parecer mentira, mas afinal sempre se contam 4 (quatro) socialistas discretos e honestos, gente de bem que fez o manifesto anti-Sócrates (de que nos dá notícia por ex. o jornal i). É caso para grande maravilha, espanto e festejos a condizer.

Como rezam as Escrituras, há mais alegria no Céu por um pecador que se arrependa do que por cem justos que se salvem, e nós, seguidores dos clássicos, juntamo-nos gostosamente ao regozijo celeste. Eis enfim o Inverno do nosso descontentamento tornado glorioso Verão por estes quatro filhos do PS.

Cenas destas reconciliam uma pessoa com a Humanidade. Mas são tal o cometa de Halley: só passam de décadas em décadas. Aproveitar, amigos, que da próxima já cá não estamos para ver.
              Mas uma vez basta.

24 junho 2014

(futebol) O granel...



Portugal, 23 de Junho de 2014

Depois da humilhação frente à Alemanha, o grupo de excursionistas também conhecido por Selecção de Jorge Mendes, para alguns, ou Selecção de Portugal, para a maioria, conseguiu evitar a eliminação da fase seguinte no 2º jogo, com um golo marcado aos 95 minutos de jogo. 

Ao contrário do 1º jogo onde o adversário foi a sempre poderosa Selecção da Alemanha, desta vez o adversário está colocado no ranquing da FIFA umas posições abaixo de Portugal, mas quem estivesse a ver o jogo pensaria o contrário: que Portugal estava a alinhar de branco...

Gostei de ver jogar... os americanos. Equipa certinha, espírito de grupo, futebol diversificado e apelativo, trocam bem a bola entre todos dando a sensação que as jogadas são pensadas em função dos interesses da equipa. Já Portugal apresenta um futebol aos repelões parecendo-me haver mais preocupação em orientar o jogo para Ronaldo do que em jogar para a equipa. Sempre que há uma jogada de ataque parece que todos se preocupam em colocar a bola na zona de Ronaldo em vez de tentarem escolher a melhor jogada para a equipa.

Portugal ou melhor, a Selecção de Jorge Mendes, está à beira do regresso a casa. Confesso que terei prazer nisso porque como em tudo na vida, os “maus” não podem ficar a rir-se. E os “maus” aqui são todos os interesses que parasitam a Selecção Nacional. Desde os interesses publicitários aos interesses de clubes e empresários de futebol, que vêm na Selecção uma oportunidade para valorizar os seus produtos: seja o Linic, a GALP e o BES, seja a cotação dos jogadores. A Selecção devia representar o país e não estes interesses...

Podemos afirmar que com grande probabilidade, se a Selecção não estivesse atacada de muito tipo de interesses parasitas, teríamos melhores resultados. Dou como exemplo o Euro 2000, com Humberto Coelho e alguma liberdade de actuação conquistada pelo flop Artur Jorge/FCP na campanha para o Mundial de 1998. Ou Scolari no Euro 2004 e a boa reforma da Selecção que fracassara na Coreia do Sul em 2002 com Oliveira/Mendes/FCP, com muitos sinais de amadorismo que se conheceram depois da “barraca” do não apuramento num grupo acessível.

A campanha do mundial de 2006 também foi muito positiva, ainda com Luís Figo, apesar de Scolari mostrar sinais de fraqueza relativamente ao “sistema”, sinais que se acentuaram no Euro2008, onde nos apuramos em 2º lugar com uma derrota frente à Suiça, e depois fomos eliminados 3-2 pela Alemanha.

Uma Selecção em que os interesses exteriores, laterais ou complementares ao futebol se sobrepõem à lógica intrínseca do grupo futebolístico, nunca pode ter sucesso. Mas em particular na FPF e comunicação social acham que sim. E depois o único “paga” é o treinador. Lembremo-nos do desgaste com que Scolari saiu, dos problemas com Queiroz e agora do inevitável despedimento de Bento.

Muda-se de seleccionador mas ficam a GALP, o BES, o Linic, a Sagres, etc, o Jorge Mendes e o Ronaldo... Ou seja, muda-se de seleccionador para ficar tudo na mesma... 

Sobre Ronaldo vou citar algumas das suas afirmações, e cada um fique no que lhe parece. A mim já me parece há muito, desde 2004 quando substituiu Simão no 1º jogo frente à Grécia, que Ronaldo é um rapaz que teve sorte na vida e que ganha demais para o que joga e para o que pensa.

«Temos de ser ambiciosos mas ir um passo de cada vez. Não somos favoritos e isso é bom para nós. Temos de ser realistas. Não somos favoritos mas no futebol tudo é possível. Temos de pensar jogo a jogo. As coisas irão correr bem, sou uma pessoa positiva. Sinto uma onda positiva à volta da selecção», afirmou o craque português em conferência de imprensa. Ronaldo em ABOLA 15-06

«Temos que ser humildes e saber a capacidade que temos. Neste momento, há melhores selecções e melhores jogadores que os nossos. Somos uma equipa média, se calhar, sim. Seria mentir se dissesse que éramos uma selecção de topo. Temos limitações, lesões... Temos uma equipa limitadíssima». Ronaldo em ABOLA 23-06

Entre o antes dos dois vexames e o depois dos dois vexames vemos um jogador que para além de bater recordes de contratos de publicidade, também é contorcionista nas palavras. E é o capitão da Selecção para o qual todos jogam. Ganhar um jogo importante da dita Selecção nestas condições é tão raro como ver Ronaldo marcar 1 golo em fases finais...

20 junho 2014

O NOVO COSTA DO CASTELO





 
Aleluia, cidadãos!

O novo Costa do Castelo, o novíssimo D. Sebastião que almeja com a sua rutilante retórica dobrar a realidade ao mero som das suas palavras, abrilhantou-se com o pensamento de que a solução da crise passa (como o autocarro 113) pela criação de riqueza, e não pelo aumento de impostos ou redução nos salários.

E, pelos vistos, a riqueza, tadinha, só está à espera das palavras miríficas do Costa para ser gerada. Donde se conclui por bom discurso que só por retorcida maldade ou crassa estultícia não solta o Lapin o fiat lux criador!

Assim o novo Costa do Castelo reúne e recicla numa só e sua pessoa a comédia do velho e a tragédia sebástica.

A próxima bancarrota adivinha-se e avizinha-se linda, bonita de se ver, toda bem explicadinha por palavras redondas e sonorosas. Mas sempre e muito socialista.
          
          Hossana nas Alturas!

18 junho 2014

É uma injustiça!


 

Acontece-me cada vez mais raramente, mas li um artigo de jornal: o editorial de José António Saraiva no Sol, de 12 de Junho corrente.

Concorda-se com a letra, nem tanto com o espírito.

Sim, os do Palácio Ratão estiveram mal, como vai sendo seu timbre e apanágio: goste-se ou não, a ideia de que o défice do Estado não se deve reduzir diminuindo a despesa representa-se-me um erro. Infelizmente, ao revés do que sugere o acórdão dos ratões, o aumento de impostos não leva automaticamente ao crescimento da quantia arrecadada. Nisto, os colendos estão em flagrante divórcio da realidade, e muito ganhariam em ler algo mais além dos específicos limites do direito. A situação é arquiconhecida: o Estado tem de acertar as cotas, e o ajuste só pode fazer-se reduzindo a despesa. Nenhum outro meio parece possível. Aumentar impostos não resolve a questão: a teta do contribuinte não pinga indefinidamente; acima das leis constitucionais estão as leis da realidade ou possibilidade. Mas talvez seja necessário não ser uma vestal do constitucional para enxergar o óbvio mais ululante.

Não, o tal editorial é mais uma voz que demoniza a função pública, – no dizer do vulgo, a malta que tem culpa. É uma injustiça (como diria o Calimero). Pois, juntamente com os desempregados, a FP avulta como a grande vítima desta crise. Mas a táctica é conhecida: consiste em demonizar os que devem pagar o patau. Vem nos manuais.

Transparente, pois, a campanha contra a FP, mas também injusta (como repetiria o Calimero). Afinal de contas, a culpa do «estado ao que isto chegou» (como o qualifica a Ilda de minha avó Georgina) só pode caber aos homens do leme nos últimos 20 anos. E, como me jura aqui a pés juntos um amigo FP, «eu não tomei nenhuma das decisões ruinosas que redundaram no défice sistemático e na dívida incomportável; posso até ter beneficiado algo, Ambrósio, mas não sou responsável. Preferia decerto que o número de FP fosse reduzido para metade, e os vencimentos aumentados para o dobro, e detestei até que nos últimos anos o meu trabalho fosse dividido por mais dois ou três serviços ou transferido para privados. Como não sou responsável disso, considero injusto (este meu amigo não tem nada de Calimero, mas esta escapou-lhe…) que a punição recaia somente sobre mim e outros como eu».

Mas, com todos os seus defeitos, a posição das vestais do constitucional também pode ser interpretada como a devolução do bebé (a bancarrota) aos legítimos progenitores (os políticos). Como quem diz: resolvei lá isso, que a culpa é vossa. E é verdade, mas nem por isso a posição do Palácio Ratão deixa de enfermar de nefelibatismo.

        A realidade, outra vez a realidade, sempre a realidade, amigos. «Os factos são superiores aos sonhos» (Churchill, citado por Edgar Black na biografia editada pela Aster, p. 280). 
 

(futebol) Analogias...



Portugal, 18 de Junho de 2014

Portugal, ou melhor, a Selecção de Jorge Mendes teve uma estreia fantástica no Mundial com a pior derrota de sempre em fases finais, e como é habitual as criticas incidiram no resultado e não na forma como foi concedido. Os adeptos e os tais analistas desportivos (nos quais se incluem Fernando Seara e o Juiz Rangel que não sabem fazer uma lista para as eleições da Liga de Clubes) criticaram o óbvio, a má qualidade do futebol praticado, e não o importante, o processo de selecção dos jogadores que representam a dita Selecção Nacional. 

Adiante.

Perante as más reacções dos adeptos, o desânimo instalado e o perigo de haver uma catástrofe caso Portugal perca com o Estados Unidos, logo vieram alguns com supostas boas intenções, como Scolari lamentar mas lembrar que em 2004 também se começou com uma derrota e depois chegou-se à Final do Euro.

As analogias são algo de natural em futebol, como em tudo na vida, mas tem de se ter cuidado quando se fazem. Nem tudo é análogo apesar de poder parecer que é. E neste caso Scolari e todos os que lembram episódios de Selecções, de Portugal ou não, que começaram mal e acabaram bem ou “assim-assim”, não estão apenas a tentar confortar os adeptos portugueses, mas estão a enganar os adeptos. Porque a analogia neste caso não pode ser aplicada.

Não pode ser aplicada porque em 2004 tínhamos uma verdadeira Selecção, onde os melhores foram chamados e entre os quais se encontravam Luís Figo e Rui Costa. Scolari, contratado para por ordem na Selecção depois do fiasco da Coreia em 2002, deu um murro na mesa e terminou ou reduziu a influência do FCP na escolha dos jogadores, seleccionou quem lhe pareceu serem os melhores, e apesar da derrota no estádio do FCP com a Grécia por 2-1, conseguiu tirar proveito da equipa que tinha ao seu dispor e chegou à Final.

Ora em 2014 estamos muito longe desses tempos. Jorge Mendes é quem controla (muito por culpa da comunicação social controlada), os jogadores escolhidos não são os melhores e como tal não há espírito de equipa mas sim de turma de liceu: são sempre os mesmos! Acresce que também Paulo Bento e Scolari hoje são representados por Jorge Mendes...

Também não temos Luís Figo que deixou a Selecção após o Mundial de 2006 (4º lugar), que a par de Rui Costa, que deixou a Selecção em 2004 (vice campeões da Europa), foram os dois últimos grandes jogadores da Selecção. Jogadores que pensavam o jogo e que não se limitavam a fazer uns arranques e a rematar à baliza, a maior parte das vezes à toa, como faz Ronaldo.

A única analogia que se poderá estabelecer é entre a saída destes dois grandes jogadores e os resultados subsequentes com Ronaldo e patrocinadores como charneira: no Europeu de 2008 ficamos nos quartos de final com 3-0 da Alemanha, no Mundial de 2010 ficamos nos oitavos de final com 1-0 da Espanha, e no Europeu de 2012 ficamos nas meias finais após empate a zero com a Espanha e derrota nas grandes penalidades. 

Ou seja, estivemos sempre abaixo dos resultados conquistados com Luís Figo e Rui Costa, e os que, ao serviço do “sistema”, quiserem lembrar as duas vezes que cruzamos com a poderosa Espanha, esquecerão de lembrar que foi na fase de grupos que cavamos essa “sentença”, ao não nos apurarmos em 1º lugar.

Outra analogia que podemos fazer é sobre que Benfica teríamos se prevalecesse a obsessão de uns quantos adeptos do tudo que “é nacional, é forçosamente bom”?

Quando vemos jogar tão mal uma Selecção formada por jogadores que jogam em grandes e médios clubes europeus, jogadores com passes económicos e desportivos de montante exorbitante para as possibilidades do Benfica, jogadores com maturidade competitiva elevada, a pergunta que podemos fazer é “que Benfica teríamos se incorporássemos na equipa, naquela lógica de matraquilho que uns quantos defendem como infalível, uns jogadores da Formação e outros de qualidade que conseguíssemos ir buscar ao Estoril, Guimarães, etc.”?

Fazendo uma analogia entre esse eventual Benfica e a actual Selecção, entre o palco da Champions e a fase final do Mundial, eu diria que teríamos um pior Benfica, menos competitivo, menos mediático, menos valorizado... Se com os jogadores considerados de top, mas que nem todos são, vemos um futebol de Selecção pobre e que só convence os patrocinadores e os adeptos mais fanáticos, imagine-se um Benfica com jogadores da Formação e uma base nacional... É melhor nem imaginar...

16 junho 2014

(futebol) Excitações...



Portugal, 16 de Junho de 2014

Estive ausente durante uns dias para preparar a minha estratégia de abordagem ao processo eleitoral da Santa Casa da Misericórdia cá da terrinha. Durante este período aconteceram algumas coisas interessantes que merecem registo para a posteridade.

Assim, escreveu-se tanto e gastaram-se tantas energias a discutir o processo eleitoral para a Liga de Clubes, para no final resultar numa enorme perda de tempo. Seara, mandatário da última candidatura de Luís Filipe Vieira, apareceu a liderar a lista mais mediática (não por acaso foi apoiado pelas publicações do grupo Olivedesportos e teve a reunião da praxe com Pinto da Costa). Pelo meio a trapalhada do Juiz Rangel querer um “tacho” a todo o custo e dar-se à pobreza intelectual de apresentar outra lista, com Seara na presidência, mas sem as assinaturas de compromisso dos integrantes. E por último a lista dos “sem abrigo”, como se auto intitulou a lista do ex - presidente do Nacional da Madeira.

Foi tudo em vão porque afinal a única lista que preenchia os requisitos regulamentares, era a lista do criticadíssimo e alvo de várias tentativas de derrubamento, ex – presidente da Liga! Que acabou por vencer as eleições com a participação de 10 clubes, entre os quais o SCP...

Se há exemplo que transmita com fidelidade o que é o futebol nacional, este processo eleitoral é o exemplo quase perfeito. Nas semanas que antecederam o acto eleitoral, existiram encenadas tentativas de demissão do Presidente da Liga e tentativas de assalto à Liga, que pretendiam criar na opinião pública um ónus sobre a gestão desse mesmo Presidente. Como sempre a comunicação social preocupou-se mais com o ponto de vista dos “golpistas” do que com quem estava legitimado pelo voto. A ideia era ganhar a simpatia da opinião pública.

Depois apareceram vários candidatos a Presidente que foram paulatinamente desistindo em favor do que estava pré-determinado pelo “sistema”: Fernando Seara. A ideia era reforçar perante a opinião pública, a vitalidade do movimento de críticos à gestão do Presidente da Liga em exercício e abrir uma “linha de crédito” político, à lista de Seara.

Por último veio a incompetência de quem anda há anos a perorar sobre futebol em programas de televisão, e que afinal – mesmo sendo jurista – não sabe como deve ser organizada uma lista para as eleições da Liga de Clubes. Fernando Seara, personagem do futebol de pechibeque, anda a ganhar dinheiro à custa do futebol desde há anos, mas afinal como se vê, na hora de fazer, pouco soube fazer. E falhou com estrondo...

Como sempre tenho dito aos críticos de Jesus, uma coisa é falar, outra é fazer. A televisão, rádio e jornais, pariram muitos especialistas de futebol, que falam, falam, mas nunca fazem nada. Porque não sabem... Fernando Seara é o último exemplo.

Também pudemos constatar que Jesus, que foi anunciado como novo treinador do Mónaco (Correio da Manhã) e possível novo treinador do Milão (Record), afinal ainda é o treinador do Benfica. Curiosamente essa mesma comunicação social não teve conhecimento das negociações que se estavam a desenrolar relativamente à saída de Jardim do SCP para o Mónaco, da saída de Sérgio Conceição da Académica para o Braga, da saída do Marco Silva do Estoril para o SCP, da saída do Couceiro do Setúbal para o Estoril, e da saída do Luís Castro para dar lugar ao Lopetegui...

Quando se trata de outros clubes o critério da comunicação social tem sido esperar para ver e só publicar quando existir algo de concreto. Para o Benfica continua a valer tudo, tal como tenho referido os últimos anos. 

Entretanto a Selecção de Jorge Mendes está a encaixar 3 secos da Alemanha. O tal que pontapeou violentamente o Granero já foi expulso, o outro que faz publicidade ao Linic e ao BES, anda por ali perdido e pronto, este é o “futebolzinho” que merece os maiores encómios de adeptos e “especialistas”, como Fernando Seara...

O estudo do artigo sobre o estudo do Programa

Hoje li o Açoriano Oriental. Digo que li hoje, porque já é raro ler os jornais açorianos, simplesmente porque são uma perda de tempo. As “notícias”, na grande maioria, e salvo os bons trabalhos dos poucos jornalistas que ainda resistem, são cópias de comunicações oficiais, ou de textos da Lusa e os “artigos de opinião” são para consumo de quem os escreve, ou seja de uns para os outros. Suspeito que as pessoas também já só espreitam os jornais quando lhes dá jeito, como no café por exemplo. Os jornais nos Açores fazem lembrar aquelas lojas que fecharam porque as pessoas passaram a ir comprar directamente à fonte eliminando o intermediário. Só que essas lojas não tinham promédia.

Adiante.

Acabei, portanto, por folhear o jornal e li algumas das crónicas. Numa, de José Contente, entre vários mimos a Cavaco Silva, um recado para dentro, lá está, dizendo que o PS está a ser destruído por dentro, devido à ambição desmedida de António Costa. Nem vale a pena explicar, mas cá vai: Contente foi durante muitos anos o asa de Carlos César que é, como se sabe, um dos principais apoiantes de Costa. Sobre os artigos de opinião serem de uns para os outros, estamos conversados.

Depois, e num tom mais maçador, um artigo de Francisco César. Novamente o acusar os adversários políticos a propósito de tudo e de nada. Porém, no fim, o autor remete-nos para o Programa de Governo com que o PS venceu as eleições de 2012. E eu também acho que é importante recordar esse minimalista documento.

Por exemplo, o ponto 9 do Programa de Governo do PS de 2012 é relativo a investimento externo, área que "desinvestiu" tantos milhões do erário público regional interna e externamente.

Passo a citar:

“Objectivo: captação de investimento externo”.
“Medidas: identificação de potenciais investidores. Cativá-los ao investimento nos Açores”

Tem mais letras e palavras, porque um Programa de Governo tem que ter um número considerável de páginas, mas basicamente é isso.

Não sendo propriamente uma leitura agradável (porque um documento destes não tem que ganhar nenhum prémio literário), é, no entanto, uma leitura que se impõe.

Fica o agradecimento público ao autor por nos recordar o Programa de Governo do PS de 2012.

10 junho 2014

VERBA MANENT - XXII



Um jovem deputado conservador vai ver um dia Disraeli e participa-lhe os pruridos de consciência que sente ante um projecto que não aprova. 
«Meu amigo», diz-lhe Disraeli, «não votará segundo as suas convicções como um vadio, mas com os seus amigos como um cavalheiro.»
 Jean d'Ormesson, Garçon de quoi écrire, Folio, IV,145

04 junho 2014

Para onde caminhas, PSD-Açores?


Os resultados das Europeias nos Açores ficaram marcados pela abstenção. Mais de 80%, o que até pode não ser nada de novo, tendo em conta que há 5 anos já tinha ficado muito próximo desse valor. O que é verdadeiramente assustador é o resultado do PSD-Açores que, coligado com o CDS, conseguiu apenas 29.62%. Foram, mais concretamente, 13.266 votos. Pode-se tentar encontrar justificações externas, como o voto de protesto contra o governo nacional, as festas do Santo Cristo ou a tradicional apostasia europeia, mas estas não explicam tudo. Longe disso.

Patenteia claramente o resultado eleitoral que existirá algo mais do que o simples protesto, quando nem sequer os militantes foram sensibilizados e mobilizados para a importância do acto eleitoral e para o seu papel enquanto elementos essenciais que fundamentam a existência de um partido com uma base eleitoral multifacetada e de largo espectro, capaz de transmitir os valores comuns que os unem e são a referência da base ideológica.

Sim, porque, mesmo quando se passam momentos conturbados, a ideologia existe e deverá nortear a actuação de todos, sobretudo daqueles que mereceram a confiança geral. Cabe a estes a função de serem porta-vozes activos do partido, em última instância como fiéis depositários daqueles valores.

Não olvidar isto, é o primeiro passo para o bom exercício das funções em que cada um foi investido; esquecê-lo, deixará sempre impresso na memória o inanismo e a inactividade que desencadearão juízos nefastos.

Será, porventura, injusto para quem é dedicado e exerce consciente e probamente as suas funções, mas parece que uma dinâmica obscurantista se instalou dentro do PSD-Açores e que a mesma afastou completamente a larguíssima maioria dos militantes e dos potenciais eleitores. É nisto que está a base primeira do descalabro.       

O PSD-Açores vive dos seus militantes. Os militantes do PSD-Açores são leais e têm vontade de participar no processo de construção da sociedade onde estão inseridos, mostrando-se sempre disponíveis, se chamados, quando chamados e desde que chamados. Respeitá-los, ouvindo-os, é um dever de quem exerce funções dirigentes. E ouvi-los primeiro não é uma opção. É obrigação. É companheirismo. É ser PSD.

Porque capazes, os militantes do PSD/Açores têm entre as suas fileiras companheiros capazes de os representar, assim lhes conceda o partido a sua confiança.

Por isso, sentem-se evidentemente injustiçados quando, sem razões suficientemente claras e objectivamente inequívocas, são descartáveis.

Os militantes do PSD-Açores não devem ser substituídos por convertidos, reconvertidos e, muito menos, pela legião estrangeira, sobretudo quando esta se revela aquilo que exactamente é.

Pela experiência, este caminho não significa maior votação nem melhor representação. Pelo contrário, o potencial eleitor intui aquilo que o militante ressentiu, sobretudo na imobilização.

Quem vê a militância como um voto conseguido e cartaz adquirido que se usa nas alturas eleitorais e depois se pode descartar, está enganado. Não existe militância cega. Ou melhor, ela existe, só que é nociva. E, ainda que minoritária, o pior é que é a que vinga dentro do partido. É aquela que afasta os eleitores. É aquela que corteja o status quo bem falante, mas incapaz de perceber que a sociedade evoluiu. Os eleitores esclarecidos, que são cada vez mais, sentem repulsa deste estereótipo como que saído de uma fotocopiadora, com discurso impresso, igual, vazio, redondo e inconsequente.

A militância que interessa, pelo contrário, é capaz de analisar e criticar. São os que fazem a diferença e felizmente são a maioria e cada vez mais. Para se ganhar eleições é preciso, antes de mais, ganhar-se o partido. Isto é uma frase tão banal que até parece ridículo ter que a repetir. Mas é necessário repeti-la, uma e outra vez, porque parece não ser entendida.

E depois de ganhar o partido, e depois de ganhar os militantes, há uma enorme fatia da população que está predisposta a votar na credibilidade e participar em alternativas. População essa que vive e conhece os problemas dos Açores e que sabe que o outro lado não é solução. Basta olhar para os números e ver que existe uma franja que está a coberto do actual modelo governativo, mas que a grande maioria está fora e que, por isso, ou vive em dificuldades ou vive silenciada ou, em última análise, apenas deambula sem esperança.

Se essa população consegue discernir o que está mal na região, obviamente também percebe se a alternativa que lhes é apresentada é válida ou não. E a resposta está nos resultados que o PSD obteve. O PSD-Açores não conseguiu sequer cativar os seus militantes, quanto mais toda essa população. Eles olharam, viram e agiram: mal por mal, ficamos como estamos.

Se o PSD-Açores quiser mudar ainda vai a tempo. Ainda. Se persistir na estagnação, mais dia, menos dia, já não haverá militantes, apenas e só o revezamento profissional nas cadeiras do poder.

Rui Rebelo Gamboa
José C. Gonçalves