22 maio 2014

(futebol) Pinceladas sobre uma época gloriosa I



Portugal 22 de Maio de 2014

Numa época desportiva inolvidável, parece-me mais útil tentar perceber como aconteceu o que gloriosamente aconteceu, do que propriamente estar a especular sobre a marca da pastilha elástica do treinador, se deve sair ou se deve ficar, que jogadores vão sair, que jogadores vão ficar, etc., debates estéreis que não levam a nada. Porque nada disso depende de nós, mas sim do “mercado”, ou seja, da lei da oferta e da procura com muito bluff pelo meio.
Entre a última gloriosa conquista, Taça de Portugal, e o primeiro jogo onde senti que esta época tinha um elán especial, Gil Vicente, 2ª jornada, podemos constatar que JJ utilizou os mesmos jogadores (!) com excepção de 3: Artur saiu para dar lugar a Oblak, Matic foi vendido e deu lugar a Ruben Amorim (e André Gomes às vezes), e Cortez dispensado deu lugar a André Almeida (ou Siqueira). Ou seja, constata-se que JJ para esta época acreditou piamente num conjunto limitado de jogadores e no 4-4-2 em losango, com 2 pontas de lança móveis (Rodrigo e Lima), um médio box-to-box que joga a 8 mas também a 6 (Enzo Peres), um médio box-to-box que joga a 6 mas também a 8 (Matic primeiro, Ruben ou André Gomes depois) e dois médios alas que misturam criatividade com velocidade (Gaitan e Sálvio, primeiras opções, Sulejmani e Markovic segundas opções).
Por coisas que no futebol não se explicam mas que se registam, o Gaitan que marcou o golo da vitória sobre o Rio Ave foi o mesmo que contra o Gil Vicente mandou uma bola ao poste na marcação de um livre directo, também na 1ª parte. Quando estava 0-0. A diferença que ambos os lances fizeram! Um deu vitória, o outro acentuou o nervosismo e falta de ideias da equipa, talvez condicionada pela má pré-época e turbulência em volta do treinador, e de que veio depois a resultar 1 golo do Gil Vicente após erro de (Super) Maxi Pereira.
O jogo com o Gil foi ganho em condições verdadeiramente incríveis, com 2 golos nas compensações, e já depois de JJ ter efectuado uma alteração táctica invulgar (que não me recordo de ter repetido) trocando Rodrigo por Djuricic (Gaitan e Sálvio deram lugar a Markovic e Suljmani). Com isso desceu ligeiramente as linhas atacantes do Benfica. Impensável nos tempos que correm, pois com o Benfica a perder por 1-0 os “entendidos” dizem que se deve colocar mais avançados.
O primeiro golo que salvou JJ e quiçá a gloriosa época do Benfica foi marcado por Markovic (que logo aí mostrou que gosta de flectir para o meio) com assistência de Djuricic na posição 8! O segundo golo foi marcado por Lima, à ponta de lança (qual mobilidade, qual carapuça) com ajuda preciosa de Luisão que ao seu lado chamou a si um dos defesas centrais, o que permitiu a caprichosa execução de Lima, que como sabemos não marca muitos golos de cabeça.
Raça, querer, ambição, competência e alguma sorte, e eis o Benfica desta época bem espelhado no que foram as incidências desse jogo com o Gil. O Benfica jogou a pensar na velocidade de Rodrigo e Lima, e o que teve foi o oposto: 2 avançados manietados na sobre povoação do ultimo terço do campo gilista. O Benfica quis pensar o jogo com qualidade e jogadores acima de qualquer dúvida, mas foi na raça das alternativas que conseguiu marcar. Ou seja, JJ fez um plano de jogo, saiu outro e ganhamos na mesma!
Veio o jogo com o SCP e lá esteve novamente o mesmo 4-4-2 em losango, e os mesmos 11 jogadores. A diferença foi que Cardozo já tinha sido integrado porque toda a gente da Direcção percebeu que os 2 avançados móveis, Lima e Rodrigo, não estavam a marcar. Desde a pré-época! Nem podiam, mas isso sou eu a dizer, eu que não percebo nada disto. O SCP, animado por uma boa pré-época e 9 golos marcados em 2 jogos, era favorito ante um Benfica psicologicamente debilitado e sem opções produtivas no 4-4-2 losango. E marcou cedo o 1-0. Mas ficou-se por aí, pois o Benfica soube manter alguma serenidade defensiva, fruto da experiência de uns quantos jogadores com anos de casa e habituados a estas rivalidades com o SCP. Um dos momentos do jogo foi a entrada de Cardozo aos 60 mn. JJ teve de redesenhar o seu 4-4-2, colocando Rodrigo ou Lima nas alas (tinham saído Gaitan e Sálvio, ambos por lesão), e Cardozo como pivot atacante. O suficiente para abrir uma pequena brecha para Markovic (entrou para uma das alas) fazer o empate, o seu 2º golo como suplente utilizado! Note-se que por lesão de Enzo Peres, o nosso meio campo ficou com Matic e Ruben Amorim, dois jogadores que fazem as posições 6 e 8 (tornando o Benfica mais pressionante na defesa adversária), e se revezam!
Ficaram apreensivos os sportinguistas, ficamos nós expectantes. Afinal era possível discutir o jogo com equipas mais moralizadas, com mais golos marcados, com mais pontos, com tradição ganhadora, mesmo estando nós a passar um mau bocado... (continua)

20 maio 2014

(futebol) Tripla para a História..



Portugal 20 de Maio de 2014

Há momentos em que a felicidade aparece e diz presente. A conquista do terceiro objectivo da época, Taça de Portugal, é uma dessas coisas que não se explica bem, mas que se sente profundamente. Com imensa felicidade...
É reconfortante ver os que choraram de tristeza no ano passado estarem na linha da frente a chorar de alegria, é reconfortante ver estampados sorrisos de orelha a orelha nos rostos dos adeptos que nunca desistiram, é reconfortante pensar que ser do Benfica é ser de um clube diferente, de um clube que se move mais pela paixão dos adeptos do que pelas virtuosas manobras de gestão...
Ganhamos novamente a Taça de Portugal, um dos meus troféus preferidos. Ao fim de 10 anos voltamos a ganhá-la, no final de um trajecto que teve tanto de brilhante quanto de difícil. Para lá chegarmos tivemos de eliminar SCP e FCP em condições de algum dramatismo e muita intensidade. Num caso após prolongamento depois de desperdiçarmos 2 golos de avanço. Noutro caso recuperamos a desvantagem da 1ª mão, jogando com 10 após mais uma má decisão do Sr.º Proença. No Benfica nada nos cai do céu, tudo é conquistado com muita luta e muita dificuldade. Sempre assim foi e assim continuará a ser...
E por ser tudo difícil, a nós não nos calha jogar finais europeias frente a adversários do nível de um Mónaco (que fez bons resultados em casa, mas fora de casa era uma equipa mediana), Celtic (esteve a 15 mn de ser eliminado pelo Boavista) ou Braga (1ª presença na final) que esgotou os “cartuchos” nas eliminatórias. A nós calham, regra geral, adversários difíceis e de qualidade. O campeão europeu em título, Chelsea, o bi-campeão da Taça UEFA, Sevilha, o super Milan de Savicevic, Ancellotti, Papin, Rijkard, Gullit, etc., o emergente PSV alimentado pelos milhões de florins da Philips ou o Anderlecht que dominava a Taça das Taças e Taça UEFA daquela altura.
A somar à qualidade dos adversários, também nos pode calhar uma equipa de arbitragem que erre de forma grosseira e em lances determinantes, sempre contra nós. A nosso favor não, isto é, percebe-se agora o destaque que teve o suposto fora de jogo não assinalado a Lima no golo fora, em casa do PAOK. Os mesmos que destacaram esse erro milimétrico e de televisão, na final da Turim já não conseguiram ver erros graves contra o Benfica, mas sim os méritos do guarda-redes que defendeu de forma irregular.
Temos de ser superiores a tudo. Aos adversários, aos árbitros e à comunicação social portuguesa, que como tenho diversas vezes referido, é um dos braços do “sistema”, manipulando aspectos dos jogos para induzir conclusões prejudiciais aos interesses do Benfica e favoráveis aos interesses do FCP e SCP. Hoje o destaque desses que não viram 3 penaltys a favor do Benfica, é a exclusão de Quaresma da lista definitiva da Selecção que vai disputar o Mundial. Mas não a exclusão de André Gomes!
E no meio de tanta contrariedade, no meio de tanta dificuldade, conseguir ganhar as três principais provas nacionais numa só época, não é para ficar feliz? Não é para nos sentirmos especiais? Não é para nos orgulharmos por termos acreditado (os que acreditaram no treinador e no plantel)? Acho que é...
Aproveitemos estes dias em que o Benfica voltou a escrever páginas de brilhantismo na história, porque uma nova época se perspectiva, cada vez com mais dificuldades criadas de fora para dentro, embora existam também dificuldades criadas intencionalmente dentro do Benfica. Veremos quem vai ser vendido, com a inestimável e habitual intermediação de Jorge Mendes, vamos ver qual a panóplia de jogadores que vão ser contratados, uns para emprestar aos Banyias da Ásia, outros para serem emprestados aos Getafes da Europa em parcerias que ninguém percebe mas que custam milhões de euros ao clube/SAD, vamos ver que jogadores Vieira vai dar e tirar a Jorge Jesus, e vamos ver que novelas esta Direcção vai continuar a patrocinar com a ajuda dos que não conseguiram destacar os 3 penaltys não assinalados a favor do Benfica em Turim.
Para já desfrutemos e sintamos que estamos a viver História...

Prós e Contras: Racismo


Fátima:
- Perguntou se é racismo usar a palavra “preto” e a senhora com nome estrangeiro da Comissão para a Igualdade disse que não, apesar de muitas pessoas na plateia discordarem subtilmente, usando sempre e apenas a palavra “negro”. Ficou meio mau ambiente.
- Em tom apaziguador, disse que, no fim de contas, todas as raças são iguais: brancos, pretos, amarelos, etc. Depois disseram-lhe, no entanto, que não há raças entre os homens.
- E sobre a Fátima ficamos por aqui, para sermos simpáticos.

Francis Obikwelu:
- Disse que em África não há racismo.

Sr. Que Trabalha Numa Escola Multiétnica
- Disse que além do racismo há outro problema muito grave que é quando os miúdos gozam com o gordo da turma
- Disse que não há racismo, só há pessoas que se dão bem e outras que se dão mal

Mamadou Ba, SOS Racismo
- Disse que o Monumento dos Descobrimentos é racista
- Disse que o maior insulto racista que ouviu em Portugal foi o Marinho Pinto dizer que o Brasil o mais que exporta são prostitutas

Cônsul do Brasil
- Disse que conhece muitas prostitutas que trabalham em Portugal.

Senhora espanhola
- Disse que é preciso reescrever a História de Portugal toda

Abel Xavier
- Apesar de ter sido o culpado por Portugal não ter passado à Final do Euro 2000 (e não é por uma questão racista), disse que casos como o #somostodosmacacos reflectem apenas o sentimento de uma minoria (mas mesmo muito pequena), de modo que não vale a pena falar muito nisso.

Conclusão:
- É incrível que o gajo que fez mais sentido no programa foi o Abel Xavier. No entanto, Abel, não, não estás perdoado em relação à Final do Euro 2000
- Não foi um daqueles Prós e Contras clássicos com a malta aplaudir a apupar de cada um dos lados e com a Fátima a dizer no seu tom reprovador “não façam isso”. Era tudo contras, não havia prós.
- Acabou com a Fátima a dizer um poema.

Palavra de honra que isto é tudo verdade.

18 maio 2014

VERBA MANENT - XX


Luís Rosa: – Somos uma sociedade que gosta de viver à custa do Estado. Isso é incompatível com um projecto liberal.

João Pereira Coutinho: – Esse é que é o principal problema. Os liberais em Portugal são uma tribo engraçada porque nos conhecemos todos uns aos outros. Frequentamos os mesmos espaços e somos uma espécie de extraterrestres, que andamos para aqui meio perdidos. Nós não temos uma sociedade que seja liberal, aliás, um dos motivos que me causam particular vexame é uma ditadura que durou quase meio século. Conheço algumas explicações históricas disso: a polícia política, a censura, o uso da violência, o apoio do exército e da Igreja, etc. Lamento, mas só é possível ter o regime iliberal do Dr. Salazar quando a maior parte da população portuguesa é estruturalmente iliberal e permitiu que o regime durasse quase meio século. Lamento dizer isto, mas não encontro explicação mais plusível. Não era porque o Dr. Salazar tinha grandes mecanismos de repressão ou porque isto era um Estado de cariz fascista ou totalitário. Salazar durou muito porque os portugueses eram tão iliberais quanto ele. […]

O governo recebeu o país num tal estado de catástrofe em 2011 que nem sequer se pode dar ao luxo de articular uma ideologia ou de se pensar a si próprio como um governo liberal ou conservador, porque procurou resolver um problema específico. […] No entanto, não foi capaz de fazer aquilo que é fundamental para o pensamento conservador e liberal como é a circunstância de remeter o Estado para o seu específico e limitado papel.

O Estado continua a ter uma presença esmagadora face à criação de riqueza do país. Veja o caso da reforma a nível autárquico no país, que é um caso clamoroso da incapacidade reformista demonstrada pelo governo. Mas, repito, o governo apanhou o país numa situação difícil e teve de lidar com essa emergência nacional. […]

Entrevista ao jornal i, 17/18.05.2014, por ocasião do lançamento do seu último livro, Conservadorismo, Dom Quixote.

17 maio 2014

McNamara vs. Rumsfeld, pela lente de Errol Morris

The fog of war – eleven lessons on the life of Robert S. McNamara, de Errol Morris, é um daqueles filmes essenciais para mim. Já o vi varias vezes e voltarei a ver muitas outras certamente. E sobre ele já escrevi aqui e aqui, por isso não vou desenvolver muito. Basicamente é um documentário em que McNamara percorre a sua vida. Foi uma vida cheia, rica, mas difícil. Foi responsável político no ramo militar no país mais poderoso do mundo durante as piores guerras do século XX. Fez parte do comando militar que praticamente destruiu o Japão por via aérea (antes de Hiroxima e Nagasaki) e foi Secretário da Defesa, sob Kennedy e Johnson, sendo responsável directo pelo envio de milhares de jovens para a guerra no Vietname. Mcnamara tem o sangue de centenas de milhar, talvez milhões de pessoas nas suas mãos: soldados seus, soldados adversários e civis. Ele tem essa noção. Ele diz-nos que, caso o seu país não tivesse ganho, por exemplo, a II Guerra Mundial, ele teria sido julgado e, provavelmente, executado como criminoso de guerra. É desconcertante, porque é um homem claramente numa vã mas consciente procura de redenção pessoal, ou de algum tipo de absolvição. No entanto, simultaneamente, é extremamente preciso nas suas memórias e quer deixar um legado de conselhos relacionados com a guerra e sobre o uso da força e do poder para as gerações futuras. Torna-se claro que é um homem que não tem paz e jamais a encontrará. O filme é, pois, angustiante, porque criamos empatia com McNamara, apesar de tudo. Ele fez o que teve de ser feito, talvez para evitar ainda mais mortes, poder-se-á dizer para o tentar justifica. (O filme está disponível na internet)

Depois, é um filme muito bem realizado por Errol Morris que também vai conduzindo a entrevista,  através dum mecanismo chamado interrotron que obriga o entrevistado a manter contacto visual com a máquina de filmar e com os espectadores, aumentando de forma magnífica o dramatismo e conta ainda com a música do Phillipe Glass que vai traduzindo exactamente tudo aquilo que vamos sentindo. O filme é de 2003 e McNamara morreu em 2009.

Adiante para 2013.

Errol Morris volta ao mesmo modelo, um documentário com outro homem de guerra, feito exactamente da mesma forma. O sujeito desta vez é Donald Rumsfeld, outro antigo Secretário da Defesa americano que trabalhou em tempo de guerra. A ideia é, novamente, revisitar uma vida de decisões que levaram à violência, ao conflito e à morte. Mas as diferenças são implacáveis, este homem não está à procura de nenhuma redenção ou perdão como estava McNamara nem, muito menos, está a pensar em deixar bons conselhos para as gerações vindouras. Rumsfeld viu o que Morris tinha feito com McNamara e os resultados que teve e quis o mesmo, quis ficar bem na História. E essa diferença na abordagem ao documentário acaba por revelar tudo. McNamara fica para a História como um homem de guerra, culpado de muitas coisas, certo, mas bom na sua essência. Donald Rumsfeld, pelo contrário, é um homem vil, um tipo que não tem qualquer respeito pela vida alheia e que, pelo contrario, pensa só em si e nos seus interesses. É imoral. Sem falar sequer na diferença na dimensão intelectual de cada um.  Tal como McNamara tinha feito, também Rumsfeld refugia-se em divagações filosóficas para encontrar justificações para os actos da sua vida. Mas se McNamara o faz com enorme distinção, Rumsfeld é patético. Aliás, os títulos dos filmes são duas dessas citações mais filosóficas e resumem bem o nível de intelectualidade de cada um: The fog of war - eleven lessons on the life of Robert McNamara que é impossível resumir aqui, dada a extensão e variedade questões que engloba e, no caso de Rumsfeld The unknown known, que basicamente quer dizer que existem coisas que desconhecemos.  

A técnica de Errol Morris despe totalmente o sujeito, deixa-o numa situação em que conseguimos ver através dele com facilidade. E, sendo um homem evidentemente inteligente e esperto, Rumsfeld saberia que ao fazer este filme e ao colocar-se nesta posição, iria revelar-se tal como é. Por isso a ultima pergunta de Morris a Rumsfeld é: porquê? Qual a razão de ele querer fazer este filme? A resposta: I'll be damned if I know e ri-se com aquele ar qu conhecemos. Eu arrisco-me a dizer que ele pensou que ia conseguir enganar e mentir e sair intacto. Afinal de contas, foi isso que fez a vida toda e em níveis muito mais importantes e com sucesso, por isso faz todo o sentido que acreditasse que seria possível. Mas não foi. Damned he will be,




São dois filmes praticamente idênticos e no entanto mostram dois lados completamente opostos da nossa Humanidade.

15 maio 2014

VERBA MANENT - XIX


   Direi até que quanto mais a administração se aperfeiçoa, mais hostil lhe sou. No fundo, não gosto do Estado senão abstracto, na teoria e na história. Gosto dele quando é justo e quando protege o indivíduo em vez se o esmagar. Receio os seus excessos e intromissões, de que o nosso século dá tantos exemplos. E detesto os seus formulários.
Jean d’Ormesson, Garçon de quoi écrire, Folio, VIII, 297
*
           E de que o NIF é um desses formulários, senão exemplos, como o BI fora outro. Nem há-de parar por aí…

(futebol) Maldição? Uma ova! (parte I)



Portugal 15 de Maio de 2014

Não é fácil assistir à 5ª derrota consecutiva de uma final europeia, das 8 que o Benfica leva de “enfiada”. Não é fácil de digerir este tipo de derrotas nas grandes penalidades, sabendo que é tão difícil chegar à final. Não é fácil perceber que dominamos a maior parte do jogo com uma equipa diminuída (por castigos e lesões) na sua valia global e não conseguimos marcar um único golo das várias oportunidades que se criaram. Não é fácil entender como foi possível existirem tantos erros de avaliação dos “não-sei-quantos-árbitros” e todos em desfavor do Benfica, algumas com possível implicação directa no resultado. Não é fácil...
Noite mal dormida mas ainda assim deu para por algumas ideias em ordem. E a primeira é que não existe qualquer maldição. A única maldição que me parece que não nos libertamos, é alguma arrogância e desconhecimento das leis do futebol. O resto é circunstancial e sem implicação nas 8 derrotas consecutivas.
Como já referi, vi 5 delas, ou melhor não vi a de ontem para não dar “azar” (gravei e vejo depois). E vi sempre asneiradas em quase todas essas finais, à excepção da derrota com o AC Milan por 1-0 (mesmo assim com um roubo de bola e um contra ataque rápido), uma das suas melhores equipas de sempre.
Nos jogos com o Anderlecht, fizemos uma exibição sóbria e inteligente na Bélgica mas o Diamantino falhou 1 golo de baliza aberta, dos que como se diz na gíria, “era impossível falhar”. No 2º jogo (a final da Taça UEFA era a duas mãos) jogamos à “Benfica”: empurramos os belgas para trás, estes agradeceram e marcaram um golo (por Lozano depois transferido para o Real Madrid) num contra ataque (o nosso meio campo era constituído por Shéu, Carlos Manuel, Stromberg, Chalana e Diamantino, dos quais só Shéu e Stromberg sabiam defender). Na final com o PSV perdida nas grandes penalidades por 6-5, os nossos jogadores Elzo e Pacheco andaram o jogo todo a perder as chuteiras porque se lembraram de estrear umas meias novas. Anedótico e embaraçoso. O PSV tinha eliminado o Real nas meias finais, era claramente favorito, e na final o Toni ensinou ao Mourinho com se deve defender, pois foi quase só isso que o Benfica fez, embora se aceite a opção dada a diferença de potencial das duas equipas. No ano passado com o Chelsea jogamos com dois avançados, Cardozo e Lima e não corrigimos o modelo quando conseguimos empatar 1-1. Este ano jogamos novamente com dois avançados desta vez Lima e Rodrigo, mesmo sabendo que a nossa equipa estava desfalcada. Os adversários jogam com um só e ganham-nos. Maldição? Uma ova...
Desde o episódio das chuteiras voadoras à ambição desmedida de ganhar por esmagamento dos adversários, o Benfica falha porque não tem organização (chuteiras voadoras) e porque sofre de arrogância crónica irresponsável (jogar com 2 avançados). Não há aqui qualquer maldição. Há sim falta de competência e respeito pelos adversários e pelo futebol!
É preciso contudo abrir um parêntesis para salientar que a presença em duas finais da Liga Europa consecutivas, é algo que nos deve deixar orgulhosos e com a certeza que contribuíram para afirmar o Benfica no panorama internacional. Mesmo não ganhando, o Benfica ganhou a estima e consideração de muitos clubes e agentes desportivos, quer no ano passado, quer este ano. E isso nunca poderá ser ignorado destes debates acerca dos pormenores que faltam para ganharmos as finais europeias! Porque se não o fizermos, pode dar-se o caso que para o ano em vez de estarmos a falar da Final, estejamos a falar da fase de grupos da Champions ou dos dezasseis avos de final da Liga Europa. Eu prefiro continuar a falar de finais perdidas do que falar das opções do treinador que nos deixou pelo caminho.
Não posso deixar de referir que, a somar às lacunas internas já mencionadas, é pouco inteligente não contextualizar a derrota com os 2 penaltys perdoados ao Sevilha, um no final da 1ª parte sobre Gaitan, com expulsão associada, e outro na 2ª parte, sobre Lima com 2º cartão amarelo e expulsão associada. Sugerir, como já ouvi, que esses erros não podem servir para desculpabilizar erros próprios, é uma forma ínvia de branquear o que se passou, pelos mesmos que não têm igual critério quando ouvem Mourinho ou Bruno de Carvalho escudarem-se nas arbitragens para esconderem os seus fracassos. Se para estes os erros podem ser utilizados na retórica pós jogo, para o Benfica têm de poder também!
Ora esta problemática da arbitragem enquadra noutro problema que já referi diversas vezes e que também pode ser associado ao número de derrotas nas finais europeias: o Benfica não tem, nem agora nem no passado, estratégia de comunicação social para condicionar “positivamente” os árbitros, cá e lá fora. Quando foi anunciado que tinha sido escolhido o tal árbitro que validou um golo fantasma no campeonato alemão, teria sido inteligente comentar a nomeação em tons suaves mas assertivos, “fazendo votos para que o árbitro não validasse nenhum golo que não entrasse na baliza”. Isto teria bastado para que o árbitro e sua equipa percebessem que estavam a ser fiscalizados. Seria suficiente para ele assinalar os dois penaltys referidos? Não sei, mas seria sem dúvida uma ajuda e posso comprovar com os resultados do campeonato português, que o discurso de Bruno de Carvalho surtiu efeitos no campo dos penaltys assinalados a favor do SCP.

14 maio 2014

(futebol) Sport Liga Europa e Benfica



Portugal 14 de Maio de 2014

É hoje! É hoje que jogamos a 2ª final consecutiva da Liga Europa, um facto que reforça a recuperação internacional do Benfica após anos a “pastar” na vulgaridade do 1 treinador por época. Após anos de experiências e mais experiências, do Benfica dos portugueses, ao Benfica dos brasileiros, ao Benfica dos servo-croatas, ao Benfica dos sul americanos, ao Benfica “Benfica” que hoje vemos conquistar a admiração dos adeptos e dos rivais, e a conseguir os títulos merecidos.
Esta equipa do Benfica, uma equipa com a força da entreajuda, da competência, da capacidade de sofrimento, da categoria e com os melhores adeptos do mundo (os que seguem e apoiam a equipa em todo o lado), merece algo mais do que estar numa final importante. Merece ganhá-la. Pelo presente e pelo passado.
Mas sabemos que a bola é redonda e que os pormenores decidem, mesmo quando são pormenores de categoria dos jogadores, dos treinadores ou pormenores de arbitragem, esperando que sejam os primeiros a fazer a diferença.
Abordamos este jogo com pelo menos 3 “Manuéis” devido a castigo de Enzo, Markovic e Sálvio (mais a lesão do Fejsa), se não desmerece a qualidade dos que vão entrar de inicio, não podemos ignorar que as opções que ficam no banco constituirão uma valia de menor qualidade, do que a que teríamos se estivessem os jogadores que foram castigados. E este é o tal jogo dos detalhes, sendo que os detalhes acontecem com mais frequência a jogadores de maior qualidade. Oxalá apareça o golo da época a outro André Gomes, como apareceu no jogo contra o FCP da Taça de Portugal...
Se há uma coisa que acredito é na Mística e na definição que dela foi dada por Bela Guttman. A Mística, são os adeptos do Benfica! E ninguém pode negar que em muitos e muitos jogos foi o empurrão extra dos adeptos que ajudou a equipa a serenar, a segurar-se, a aguentar, a inspirar-se...
E é na mística que eu acredito como último factor que pode levar a equipa à vitória tão desejada quanto merecida (que me desculpem os sevilhanos, estrangeiros ou nacionais)...
Se há muitos que já entraram em estágio eu infelizmente ainda não. Só lá para as 19h30 é que posso pois até lá ainda há muito trabalho para fazer. Sou um felizardo...
Já vi muitas finais do Benfica, todas pela televisão, mas desta vez vou recorrer a uma superstição para tentar dar sorte ao Benfica.
Porque é isso que quero e sempre quis, apesar de uns quantos idiotas não entenderem: um Benfica desportivamente ganhador.

13 maio 2014

(futebol) Fim de ciclo, black saturday e Vieira...



Portugal 13 de Maio de 2014

Já estamos na antecâmara da grande final da Liga Europa, 2ª competição europeia em importância. Estou a referir isto – 2ª competição – porque já ouvi e li por aí. Mas quando o FCP a venceu em 2003 ou quando o SCP esteve na final em 2005, ninguém a desvalorizou como agora se tem visto e ouvido entre os tais “analistas” desportivos ou tipos que recebem avenças para escrever umas larachas e opinar umas baboseiras, coisas que quem manda na opinião quer que se faça desta maneira: desvalorizando quase tudo que faz o Benfica e valorizando quase tudo que faz o SCP e o FCP.
A bem dizer até me parece existir uma espécie de novo “tratado” de Tordesilhas de âmbito nacional: abaixo de Coimbra valorizam o SCP, acima de Coimbra valorizam o FCP... ao Benfica fica reservado o estatuto de clube que sustenta economicamente este modelo de futebol pensado por Roquette e pelo BPI na década de 90 do século passado....
Começo o texto um bocado “azedo” porque ainda estou sob o efeito do “black saturday”, o dia em que perdemos duas vezes com o FCP, sendo que a derrota nos juniores nos custou o merecido título de campeão, sem desprimor para o Braga que fez uma fase final de grande qualidade. E que a derrota nos seniores, apesar de entendível em face da gestão de jogadores que foi feita, acabou por mostrar mais uma vez que não há fim de ciclo de Pinto da Costa e do “sistema”, pelo facto de termos ganho o campeonato a 2 jornadas do final. Porque perdemos esse jogo com 1 penalty inexistente e porque durante o jogo o árbitro inclinou o campo nas faltas e faltinhas, para além de ter tolerado agressões aos nossos jogadores, em particular Sálvio por parte de Alex Sandro.
Mais uma vez a Direcção do Benfica não reage e quem leu o meu texto sobre a 1ª mão da Taça de Portugal, deve recordar-se que estava à espera que a Direcção pedisse um sumaríssimo sobre Fernando pela entrada assassina sobre Fejsa, num lance semelhante que custou 6 jogos a Binya na Champions League. Claro que a Direcção do Benfica nada fez, validando por omissão, esse tipo de entradas brutais que podem magoar, mas são essencialmente para condicionar o rendimento dos nossos jogadores. E sábado lá voltou a acontecer outra vez.
Obviamente que nestas alturas olho para o Sr.º Vieira e lembro-me do mesmo tipo que utilizou uma emissão da Benfica TV, 18h00 de um sábado, para dar conta do estado em que ficou o seu carro quando no regresso de Braga (ou Guimarães), lhe acertaram com um saco cheio de pedras (da única ponte que por acaso ficou sem vigilância da PSP sem que, também para variar, ninguém do Ministério da Administração Interna soubesse justificar esta falha). O mesmo Sr.º Vieira que estava em Moçambique, com o seu amigo Salvador, quando na meia-final da Taça da Liga da época 2012/2013, em Braga, o autocarro do Benfica foi apedrejado tendo caído um paralelo no lugar onde por mero acaso não estava Sálvio (e se estivesse?). Neste caso já não houve Benfica TV, apenas houve os noticiários nacionais...
O que me permite concluir que a Benfica TV está ao serviço do Sr.º Vieira, ou que ao Sr.º Vieira apenas lhe dói quando é com ele. Quando lhe partirem uma perna, ele irá protestar e pedir responsabilidades. Enquanto for um jogador do Benfica, “que se lixe, tenho mais que fazer”...
E como de facto o Sr.º Vieira tem uma estratégia que não é a que os adeptos e sócios lhe atribuem, mas sim a que o BES lhe destinou, lá viajou ele a Turim com todos os presidentes de Clubes (menos o do FCP), a expensas do Benfica, não para que estes homenagearem o Benfica mas com único objectivo de reforçar a centralidade de Vieira no futebol nacional. Aliás, a politica de contratações que ninguém percebe, como contratar alguns jogadores desses clubes para logo a seguir serem emprestados, insere-se na mesma lógica: paga o Benfica, os clubes recebem uma almofada financeira e o Sr.º Vieira é que recebe os louros do “mundo” (dirigentes, agentes de jogadores, jornalistas, etc.) do futebol...
Continuo “azedo”. Os juniores mereciam mais da mesma Direcção que afirmou que ia levar o caso das “pedradas de Alcochete” até às últimas consequências (viu-se). Do mesmo Presidente que saltou para o campo para os confortar quando perderam com o Barcelona, sem perceberem que aí havia televisões e impacto mediático. No Porto não havia nada disso, e ele nem pôs lá os pés!
Os juniores e os iniciados, que também foram “gamados” em Leiria, estando à beira de oferecer o título desta vez ao SCP que não ganhou 1 jogo ao Benfica, em 6 realizados! Também aqui a Direcção não existe e aquele palerma que é responsável pelo Departamento da Formação, o tal que afirmou com grande orgulho que não pagou quotas enquanto Vale e Azevedo fosse presidente, esse tal “corajoso” agora não pia nem sai da toca. Que interessa? Para o ano há mais: mais miúdos, mais ilusões para vender, mais promessas por cumprir, mais...

11 maio 2014

coincidências levadas da breca

Há impossíveis?! Qual é a probabilidade de os planetas e respectivos satélites se alinharem obedientemente perante o Astro-Rei?! Pois...
 
Apesar do intróito, a coisa não se concentra numa profunda meditação. É mais uma constatação de mais uma daquelas bizarras coincidências tão próprias de um dos temas favoritos dos portugueses: o futebol. 
 
Cá no burgo, o sorteio de todos os campeonatos de futebol em todos os escalões conseguiu uma proeza tão inédita quanto quase impossível. É verdade, neste país, em sorteios, conseguiu-se que todos os jogos da última jornada fossem FC Porto-SLBenfica. Seniores, juniores, juvenis e iniciados! Em todos! Não escapou um! E todos, mas absolutamente todos, na ordem atrás dita: FC Porto-SL Benfica.
 
Isto é coisa que nem o falecido polvo Paul, se ainda vivesse, alguma vez previria.
 
Somos ou não somos habitantes de um país original?! 

09 maio 2014

(futebol) E vai uma ...



Portugal 9 de Maio de 2014

E vai uma... Taça para o Museu Cosme Damião, na que foi a 1ª de 3 finais que arduamente conquistamos o direito a estar presentes. Apesar de, em termos de importância relativa, esta Taça da Liga ser a 4ª (1º campeonato, 2º Liga Europa, 3º Taça de Portugal) parece-me importante registar algumas observações.
A primeira é que a nossa equipa entrou mal no jogo, ou em alternativa, o Rio Ave entrou muito bem. Como em quase tudo na vida, a verdade deverá estar no meio e o Benfica não entrou bem porque nos últimos tempos existiu muito desgaste mental associado a diminuição de concentração (por final do campeonato, eliminação da Juventus, festa de homenagem, etc.), e o Rio Ave entrou bem porque são conhecedores do desgaste do Benfica e tentaram tirar partido disso na parte inicial do jogo, aquela onde é mais fácil apanhar a nossa equipa “distraída”.
Felizmente temos um guarda-redes seguríssimo e a estratégia do Rio Ave não funcionou. Contudo ficou o aviso...
Parece-me pacifico reconhecer que o nível de jogo do Benfica subiu ao longo dos 90 mn, o que para mim em particular foi um alivio por verificar que a equipa continua a saber marcar golos, não se limitando a gerir empates de 0-0, que sendo muito bons no contexto da eliminação do FCP da Taça da Liga e da Juventus da Liga Europa, não servem para as vitórias que desejamos nas 3 finais (agora duas). Porque para ganhar as Taças temos de marcar golos. E não estávamos a marcar!
Jorge Jesus abordou o jogo com a que considera ser a sua melhor equipa em face do 4-4-2 losango que sistematicamente utiliza, e foi bem sucedido mas apenas no que toca ao resultado. Ficou-me mais uma vez a ideia que a velocidade de Lima e Rodrigo não resultam quando a nossa equipa, por força da movimentação ofensiva, empurra o adversário para o último terço de terreno, deixando toda a gente à espera que se invente uma linha de passe. Nesse cenário, a velocidade não serve para nada e como se viu, o 1º golo nasceu de um ressalto que foi parar aos pés de Rodrigo, e noutro, um erro do guarda-redes adversário ajudou em mais de meio golo. Velocidade nas jogadas dos golos? Não existiu e quando existiu, falhamos sempre.
Claro que se fosse Cardozo a falhar alguns golos simples como vimos, teríamos de escutar os protestos dos adeptos e teríamos de ler os blogues dos “habituées” a pedirem a venda de Cardozo. Como são outros, parece estar tudo bem. Mas não está. Se queremos ganhar as duas taças que faltam, e se queremos apostar na velocidade de Lima e Rodrigo, então temos de criar dinâmicas de jogo que permitam corrida aos nossos avançados. Neste caso, a presença de um 6 “puro”, um 6 que não sobe muito no terreno é fundamental. Porque com o seu posicionamento puxa a equipa para trás, o que permite a realização de transições rápidas aproveitando o encaixe do adversário no nosso figurino de jogo.
Se contudo apostamos num meio campo mais pressionante (Enzo+Ruben, Enzo + André Gomes), então temos de jogar com 1 avançado posicional na área, e o único que temos e realiza bem esse papel, mesmo quando não marca golos, é Cardozo. Viu-se a sua utilidade no jogo com o Setúbal no golo do André Gomes.
Contudo, isto são conjecturas de um simples observador que dá a maior importância à estrutura da equipa, mas que de tácticas apenas percebe o que vê e consegue relacionar com resultados.
O lado positivo da final da Taça da Liga, para além da vitória sempre motivadora para o jogo seguinte, é que me pareceu que a equipa se re-encontrou com os padrões de rigor e entrega que estavam um pouco arredios com tanta festa e homenagem. Pareceu-me ver uma equipa a funcionar como um bloco, pareceu-me ver jogadores a re-encontrarem-se com as jogadas de golo (em particular na 2ª parte, quando o Rio Ave subiu as linhas para tentar o empate)... em suma, pareceu-me ver uma verdadeira equipa campeã...
Assim sendo, e a manter-se este espírito, estão reunidas as condições para fazermos um bom jogo na Final da Liga Europa. E penso que todos estaremos de acordo que ganhando a Liga Europa, a Taça de Portugal também não nos escapará, com todo o respeito que o Rio Ave nos merece.

06 maio 2014

(futebol) Homenagens perigosas...



Tal como mais de 52 mil outros apoiantes, lá estive no passado domingo na festa de homenagem à nossa equipa campeã do 33º título. Tal com mais de 52 mil, estive pela homenagem mais do que pelo jogo de futebol, mas seguramente tal como mais de 52 mil queria ter ganho o jogo. Para coroar um dia especial.
Não foi isso que aconteceu, como aliás também não aconteceu, e não será apenas por mera coincidência, a nenhum dos outros finalistas das competições europeias. Nenhuma das 4 equipas que vão discutir a Champions League ou a Liga Europa conseguiram ganhar os seus jogos, sendo que 3 delas jogaram em casa. E se o Benfica já era campeão e até se compreende alguma desconcentração ou até menor intensidade de jogo, o Real Madrid por exemplo, pode ter hipotecado definitivamente as hipóteses de ser campeão com o empate frente ao Valência. E o Real Madrid é treinado por Ancelotti, não é treinado por Jorge Jesus. Para além de ter o plantel que tem...
É bem possível que a explicação mais plausível seja a existência de uma certa descompressão, após se ter alcançado um patamar desportivo elevado e que todas as equipas sonham no início da época: estar na final de uma prova europeia. Não será também por mero acaso que na época passada, o Benfica também empatou esse jogo seguinte à brilhante exibição com o Fenerbahce: 1-1 com o Estoril. Um ano depois o episódio repete-se, mas agora com direito a festa de homenagem...
O futebol tem de facto coisas engraçadas...
Tendo ganho o título, com eficácia brilhante, é normal que se homenageiem os campeões. E o normal é que essa homenagem aconteça no primeiro jogo a seguir à conquista do título ou ao último jogo em casa. Isso é o que normalmente os sócios e adeptos esperam que aconteça. Mas não será perigoso quando isso acontece antes de uma série de jogos que queremos ganhar para juntar as respectivas conquistas ao nosso Museu?
Não tenho respostas porque não há respostas unânimes e assim sendo cada um que pense o que quiser. Mas não tenho dúvidas que este tipo de homenagem pode provocar uma ruptura no caminho que a equipa estava a traçar nos últimos meses, folgando na concentração e descomprimindo nos processos de jogo, o que pode ser fatal para as próximas 3 finais. Pessoalmente preferiria que essa homenagem não tivesse existido, pelos prejuízos que pode provocar, optando isso sim, por comemorar – no dia do jogo - toda e qualquer taça que venha a ser ganha. Mas é uma simples opinião.
Nem tudo correu bem no domingo. Perdemos a Taça de Portugal no Futsal masculino, e teremos de esperar para ver se o texto que escrevi no ano passado quando Paulo Fernandes foi despedido, tinha ou não razão de ser. Se as questões que então coloquei eram ou não justificadas. Dou o benefício da dúvida até ao final do play-off.
Parabéns às Senhoras do Futsal que ao invés conquistaram a 1ª Taça de Portugal de Futsal feminino. E claro parabéns também ao Vólei pelo bicampeonato. Uma proeza, pois temos poucas tradições nesta modalidade.
Entramos agora na recta final do Futebol, estamos a 3 vitórias de uma época notável e histórica, ou a 3 jogos de uma época que nunca será menos que excelente. Os nervos começam a imperar e confesso que me sinto mais intranquilo agora, do que até aqui onde tudo me parecia natural, como se o meu palpite de que íamos ser campeões não tivesse qualquer possibilidade de ser mal sucedido.
A intranquilidade vem também do facto de se tratar de finais, onde num só jogo se decide tudo e ambas as equipas partem do mesmo ponto zero. A vantagem psicológica do Benfica por ser melhor equipa ou por ter ganho o campeonato, é nula aqui! Os adversários, em particular o Rio Ave, sabem que cada jogo começa em 0-0 e se os amigos da arbitragem derem um empurrão, a coisa pode tornar-se difícil. Resolver em 90 mn é diferente de resolver em 30 jornadas ou em duas mãos...

05 maio 2014

O N.º DO NOSSO ESQUECIMENTO


«“O que é que o Governo oferece? Um Audi? Um BM? Um Mercedolas? A gente oferece um Lamborghini, daqueles que abrem as portas para cima”, anunciaram esta sexta-feira vários empresários ligados à economia paralela, na apresentação de um concurso que vai premiar os contribuintes que não peçam facturas. Factura do Azar? chama-se o sorteio lançado por este grupo de empresários da economia paralela. Interrogados qual a razão para lançarem este concurso e para não quererem que os contribuintes peçam factura, os empresários são peremptórios: “É por causa da floresta, porque, cada vez que se emite uma factura, cai uma árvore.”»


Desedifica-me, caro Zé & C.ª, que este sítio não anuncie e propale iniciativa tão meritória, de que acabo de ter notícia por um emílio.

Eu corro sérios riscos de ganhar o Lamborghini. Digo riscos porque, se a mudança para um apartamento melhor muda mais seguramente as ideias e filosofia de um homem do que o estudo e assimilação das obras, por exemplo, de Emanuel Kant ou Carlos Marx, segundo o nosso Millor Fernandes, que fará a mudança de carro para um Lamborghini? Decerto, nada menos que, esta sim, um revolução coperniciana na vida do premiado, com todas as consequências advindas de uma nova visão do mundo, – mundividência, ou melhor, Weltanschauung, como a classificariam os ditos Emanuel e Carlos.  

E porque eu cá nunca peço factura: quando me lembram o exercício,  recuso enfática e veementemente.

Assistem-me duas boas razões, que me apraz compartir convosco, amigos: estou-me ninando para o número de contribuinte (pela cartilha oficial, o número de identificação fiscal! Mais pompa no chamadouro só a Pompadour, convenhamos). Se uma criatura se empenhasse em decorar a colecção de senhas reputadas por imprescindíveis na vida moderna – que, diga-se de passo, tem mais de moderna que de vida – estaria codilhada: antes decorar os rios de Angola. Não se nos depara geringonça que não traga ajoujada a sua senha, do telelé ao multibanco, passando pela área de trabalho, até ao cartão de leitor da Bertrand!

Essa singela palavrinha, «senha», daria pábulo a mais um artigo a locupletar o Nacional e Transmissível do nosso saudoso EPC, pensador a tempo inteiro, e que nesse opúsculo coleccionou uns quantos gostos e desgostos, manias ou tiques pátrios, desde o pastel de nata a Fernando Pessoa. Realmente, já reparastes, amigos, em que raro topais alguém que a use? O normal é empregarem o bife password ou então a dupla asnática de palavra-passe. Ainda assim, mais password – porque é inglês, e nós somos portugueses (ou algo parecido).

Mas, vinha eu dizendo, com tanta senha para decorar, não estou para trastejar o miolo com mais essa alfaia do NIF. Antes aproveitar as raras intermitências de devaneio que nos permite a tal vida moderna para ir aprofundando a quádrupla raiz do princípio da razão suficiente ou outra questão de parelha polpa e transcendência, que, quando menos, sempre mereceria o voto do reflexivo EPC.

A segunda razão é de princípio: como o Estado acabou por se viciar de todo em todo no nosso rico dinheirinho, por mais que esprema o seu contribuinte, nunca se lhe afigurará bastante: precisa sempre de mais e mais, como todo o toxicodependente vos atestará; e o dever do dito cidadão, informado e agora também informatizado, cifra em privar o Estado dos meios de se intoxicar. Conseguintemente, a fuga ao fisco revela-se patriótica.

Enfim, não pedindo factura, o cordo e cada vez menos gordo pai de famílias aveza descontos catitas em oficinas, restaurantes, cafés, barbeiros (ou cabeleireiros), etc. Quanto a mim, que pago a pronto e em dinheiro de contado, sempre fui benquisto nesses lugares; ultimamente porém quer-me parecer que a minha popularidade tem vindo a aumentar...

Estamos pois com o bom Viegas quando, cumprindo a sua promessa, mandar o fisco, cada vez mais visgo, «tomar» no… viegas.
 
           Mas vejo que somam três razões. Afinal, havia outra. Há sempre. O bom povo já o compendiou no seu rifoneiro: não há dois sem três.

02 maio 2014

(futebol) o Belo voar da águia....

Portugal 2 de Maio de 2014

Se uma época desportiva se assemelha ao voo da águia desde o seu ponto de partida até alcançar a sua “presa”, este ano podemos dizer que a águia está a ter um voo de excelência: o campeonato (principal objectivo) está conquistado a 2 jornadas do final, os demais três objectivos (a presença nas finais das restantes provas nacionais e europeias) estão alcançados. E com brilhantismo: duas das finais conseguidas à custa do FCP, outra à custa da poderosa e milionária Juventus.
Será possível pedir mais? Sim, agora há que ganhar essas três finais para termos a época perfeita, o voo mais produtivo e completo de todo o historial do Benfica! É possível fazer História porque já estamos na antecâmara de um ano glorioso. Falta o último passo: a conquista final!
Não vou ser desonesto e dizer agora que sempre acreditei na eliminação da Juventus. Porque não foi bem assim. Quer dizer: como adepto, acredito sempre na vitória, mesmo que joguemos com 7, o número mínimo de jogadores permitido. Seja contra a Juventus, Barcelona, Real Madrid ou Bayern. Mas racionalmente reconheci a existência de uma diferença de potencial significativa entre as duas equipas, que em futebol se materializa nos tais detalhes. Quem tem jogadores capazes de por em campo mais detalhes é quem tem a maior probabilidade de ganhar.
Quis o destino que Pirlo não tivesse marcado nenhum dos seus habituais penaltys de livre directo, apesar das tentativas patrocinadas pelos erros de arbitragem (mais lá do que cá). Quis o destino que Jesus escolhesse bem os jogadores do 1º jogo, em particular colocando Lima a suplente que depois teve a disponibilidade física adequada de modo a concluir em golo uma jogada colectiva vistosa, provocando a primeira derrota da Juventus e os primeiros golos sofridos fora de casa.
Marcasse Pirlo um dos seus habituais golos, ou entrasse Lima de início na Luz, e possivelmente a história final desta eliminatória seria bem diferente.
Mas como se costuma dizer, o destino somos nós que o fazemos e é nessa orientação que mais acredito. Neste aspecto de termos o destino nas nossas mãos, temos de incluir a extrema competência como abordamos os jogos, independentemente de qual seja o adversário, e de que voltas dê o jogo em si mesmo. E tudo isso é possível porque temos um treinador competente e temos um conjunto de jogadores que pelas suas características técnicas e pessoais, originam um colectivo mais forte do que em anos anteriores.
Quero com isto dizer que não alinho na teoria que Jesus corrigiu erros passados, nada disso até porque continua a pensar da mesma maneira, mas os jogadores que temos este ano, fruto de vendas e compras, umas circunstanciais (venda de Matic), outras mais pensadas (aquisições de pré temporada), a somar ao trabalho do treinador, resultaram numa “fórmula” mais forte do que nos anos recentes, onde por sua vez já tínhamos estado na fronteira do sucesso, apenas impedidos pela arbitragem (na esmagadora maior parte dos casos) de alcançarmos o lado de lá dessa fronteira do sucesso. Este ano nem os erros de arbitragem ou decisões estranhas nos conseguem parar....
Desfrutemos pois destes dias de vitórias épicas que nos alcandoram ao “estrelato” do passado, onde nos fizemos um clube mítico e reconhecido em todo o Mundo onde se fala a linguagem do futebol.
Contudo o trabalho não está concluído. Faltam 5 jogos, dos quais 3 são para ganhar: os jogos das Finais! Será primeiro a Taça da Liga, já no próximo dia 7 de Maio, de seguida a Liga Europa a 14 de Maio e por último a Taça de Portugal.
Termino com umas notas de rodapé. Fiquei desapontado com Bruno Conte, que tinha em consideração pelo notável trabalho que tem feito na Juventus, depois da passagem pela 2ª divisão. Recomendo-lhe que venha ver alguns jogos do campeonato português onde intervenha o FCP, para ver o que é um árbitro ajudar uma equipa.
Para ver uma equipa defender, recomendo-lhe que veja o último Liverpool – Chelsea onde o treinador preferido de “Aburromouritch” colocou 2 autocarros à frente da baliza, na 2ª parte. Na 1ª parte só pôs um e beneficiou de 1 golo caído do céu.
Este empate com sabor a vitória vem repor alguma justiça na eliminação de 1993, quando após uma vitória na Luz por 2-1, a Juve igualou a eliminatória aos 5 mn, com um golo em que partiram a cana do nariz ao Silvino e o árbitro validou o golo que pôs a Juventus na frente da eliminatória. Nunca percebi como é que esse golo não foi anulado, nem porque todos em Portugal silenciaram esse erro tremendo que tranquilizou a Juventus que partiu para uma exibição tranquila e vitória por 3-0. Ontem, contra os erros do árbitro, contra o ambiente tiffosi, contra a malapata do mn 92, senti que se fez alguma justiça com o Benfica.