29 setembro 2014

(futebol) Venham mais quatro...



Portugal 29 de Setembro de 2014

Foi um excelente fim-de-semana futebolístico, com a concretização da melhor conjugação de resultados (na minha opinião) para o Benfica: empate no clássico entre SCP e FCP, vitória (difícil) do Benfica na Amoreira. E assim devagar, devagarinho, ou se quiserem, sem “saber ler nem escrever”, o Benfica tem 4 pontos de avanço sobre o FCP e 6 pontos de avanço sobre o SCP.
Vamos por partes.
Muito se tem debatido e perorado nestes últimos anos, sobre a “nota artística” que o futebol do Benfica deve exibir, em qualquer lugar, em qualquer competição. A saída de Rui Costa e as incertezas que a sua substituição levantou, a contratação de Aimar para, nas palavras de Rui Costa, ser o seu “herdeiro”, a própria filosofia de jogo implementada por Jesus, quer da pressão alta, quer da nota artística, as diversas correntes “filosóficas” que em jornais e blogues de benfiquistas concluíam que o sistema de jogo que Jesus tinha implementado no Benfica “rebentava” fisicamente com os jogadores pelo vaivém constate que os obrigava, até ao empalidecer da estrela de Aimar e Saviola, às novas contratações e à actual equipa que à margem dos negócios próprios do futebol, perdeu dois jogadores fundamentais por questões que o Sr.º Vieira não consegue explicar: Garay e Cardozo.
É curioso que agora, sem nota artística e com baixas importantes na manobra da equipa, por opção da Direcção, este Benfica consiga estar à 6ª jornada, com a maior vantagem na era Jorge Jesus sobre, em particular o FCP que já contabiliza 3 empates. Tantos como Villas-Boas nos 30 jogos da única época que esteve à frente do FCP, embora também não possamos esquecer a ajuda escandalosa de uns quantos árbitros na fase inicial da prova.
Como sempre defendi a nota artística não pode ser um objectivo de jogo, a pressão alta não pode ser uma estratégia de jogo, os jogos devem-se ganhar com coesão defensiva à custa do trabalho do meio campo, e com saídas rápidas para o ataque, à custa de roubos de bola ou melhores posicionamentos que permitam a intercepção das jogadas adversárias.
Não foi desta maneira que se ganhou ao Estoril, é certo, onde pela 4ª vez em 5 vitórias, o 1º golo surgiu por iniciativa individual, embora desta vez marcado por um avançado. Para mim o 1º golo é um dado importante porque a partir daqui o adversário reajusta-se de forma mais proactiva no ataque, e com isso sobe no terreno criando mais espaços na retaguarda, espaços que a melhor equipa tem de saber aproveitar: porque é melhor, tem jogadores mais talentosos!
Nesta jornada, o Benfica conseguiu o mais difícil, colocando-se a ganhar por 2-0 aos 10 mn de jogo, mas depois desperdiçou esse avanço, coisa que só me lembro num jogo da Taça em Alvalade na época dos 3 treinadores (Fernando Santos, Camacho e Chalana), 2007/2008. Ou seja, se a memória não me falha, há 7 anos que o Benfica não permitia um empate a 2, tendo 2 golos de vantagem.
É isto preocupante? Se tivesse a certeza que só daqui a 7 anos isto voltava a acontecer, não havia motivos para alarme. Mas não é assim, e temos de tentar perceber porque cargas de água, na Amoreira não conseguimos estabilizar um modelo de jogo semelhante ao de Setúbal, onde fomos exímios no contra ataque. Desta vez pelo contrário acabamos por sofrer dois golos, que perante a diferença de potencial entre as duas equipas, e a vantagem de 2-0, é algo difícil de entender.
Contudo seguramente JJ tirará ilações sobre o que correu mal, para não cometermos mais erros destes no que resta de campeonato. É importante estar à frente dos nossos principais rivais, e pelos vistos os do FCP já sentiram o toque, uma vez que já começaram com a “choradeira” sobre supostos erros de arbitragem patrocinados pela Sporttv do amigo (do Sr.º Vieira) Sr.º Joaquim. Eles sentem que nada está perdido, até porque tiveram um calendário de jogos fora de casa mais difícil do que o nosso. Mas se os 4 pontos desestabilizarem a equipa e o treinador sub-21 que contrataram, é possível que com competência do nosso lado, essa vantagem aumente. E aí as coisas podem-se tornar complicadas, porque podemos “embalar”. Mas para que a competência exista, é preciso perceber o que correu mal na Amoreira.

28 setembro 2014

Portugueses, a percentagem certa


Ledes por aí algures, na rede:
«Portugal é um dos países mais ricos da UE, e não dos mais pobres!
Portugal é um dos poucos países no mundo que pode fechar as suas fronteiras, pois a natureza dá-lhe uma grande riqueza que contém tudo o que é necessário para que a sua população possa viver feliz e em paz!
A maior parte dos portugueses desconhece que o seu “pobre” país possui:
- A maior Zona Económica Exclusiva da UE, que é tão grande como todo o continente europeu.
- 80% de solo arável, mas está quase em completo abandono.
- Invejável rede hidrográfica a nível mundial.
- Grandes reservas de água doce, em aquíferos subterrâneos, quase inesgotáveis.
- As maiores reservas de ferro, da UE, de excelente qualidade.
- As maiores reservas de cobre da Europa (segundas do mundo).
- As maiores reservas de tungsténio (volfrâmio) da Europa.
- As maiores reservas de lítio da Europa.
- As maiores reservas de terras raras.
- As segundas maiores reservas de urânio da Europa.
- Grandes reservas mineiras de ouro, prata e platina.
- Grandes reservas de carvão mineral de excelente qualidade.
- E as incomensuráveis riquezas que as águas do Atlântico escondem.
- Uma das maiores reservas de petróleo da Europa, que já vão ser exploradas na costa do Algarve, por companhias alemãs e espanhola. Vão pagar a Portugal apenas 20 cêntimos por barril, enquanto ele já passou há muito tempo os 100 dólares por barril.
- Reservas de gás natural e de xisto, que dá para Portugal pelo menos para 100 anos sem precisar de ninguém.
E isto é apenas a ponta do iceberg que circula pela internet…
Portugal é possivelmente o país mais rico da EU, na sua dimensão […].»

*
Mas, amiguinhos, Portugal pode ser isto e aquilo, ou tudo isso e muito mais. Infelizmente tem excesso de portugueses. Está provado que a percentagem máxima de portugueses que um país aguenta é 20 %. Olhai-me por exemplo o Luxemburgo, o país da Europa com maior rendimento per capita.

26 setembro 2014

(futebol) Missil relva - ar



Portugal 26 de Setembro de 2014

Infelizmente a minha vida profissional não me tem dado grande margem para escrever, mas tinha umas coisas para registar (para memória futura) relativamente à última jornada, onde de forma um tanto enviesada, alcançamos o 1º lugar da tabela, isolados com 2 pontos de avanço sobre o FCP e 4 sobre o SCP. Desde Trappatoni que não conseguíamos tal “façanha”, embora esta comparação não seja para relevar, uma vez que o Benfica de Trappatoni apesar de ter sido campeão, apenas obteve 65% de pontos, coisa que nestes últimos anos, nem sempre garante o 3º lugar.
A última vitória foi começada com um golão de Eliseu, um autêntico míssil relva - ar, mais concretamente, relva – canto superior direito da baliza, sem hipótese para o guarda redes. A potência e direccionalidade do remate farão deste golo um dos melhores do campeonato, sem qualquer sombra de dúvida.
Se é verdade que é sempre bom chegar a 2ª feira e estarmos em primeiro lugar no futebol, deixando os adeptos dos rivais um pouco aturdidos e nervosos (o Lopetegui dos 6-0 ao BATE virou “Lol”petegui do 0-0 com o Boavista), também me parece que este momento do campeonato traz mais interrogações do que certezas.
É contudo engraçado ver tanto e tanto comentador, seja na BTV ou não, aproveitar a “onda” favorável para referir que “ah e tal, na pré temporada houve muita gente que duvidou do trabalho que estava a ser feito, mas eu confiei sempre, etc.”. Cambada de hipócritas e graxistas militantes... Adiante.
O que me preocupa neste momento são as conclusões que se tiram dos números. Que não são tranquilizadoras. Vejamos. Ganhamos 4 dos 5 jogos, 80% de vitórias (percentagem de campeão) o que é bom, mas esse dado será mais rigoroso quando o número de jogos em casa igualar o número de jogos fora. Ou seja, na próxima jornada.
Por outro lado, nas 4 vitórias, 3 delas (Boavista, Setúbal e Moreirense), ou seja 75%, começaram com golos de inspiração individual, e apenas 1 (25%) como corolário de jogo de equipa (Paços de Ferreira). Na minha opinião, estas percentagens estão trocadas, porque os golos resultantes de jogadas colectivas é que deveriam ser 75 a 80%. Isso dava-nos confiança na qualidade da “máquina” futebolística.
Por outro lado ainda, desses 4 golos que iniciaram as 4 vitórias, 3 deles foram marcados por defesas, concretamente defesas laterais. Só 1 golo foi marcado por um avançado (e já agora, em lance de inspiração individual, Sálvio em Setúbal). Também aqui, as percentagens estão trocadas, devendo os primeiros golos ser marcados pelos avançados, em cerca de 75 a 80% dos casos.
Quer isto dizer que esgotando-se o stock dos “mísseis” não estou a ver como iremos continuar a ganhar jogos, pois a nossa linha avançada, prejudicada ou não pela opção de “empandeirar” Cardozo, não está a marcar golos”!
Esta leitura das coisas encaixa-se com outro dado factual: não conseguimos ganhar contra os dois adversários teoricamente mais fortes que já defrontamos: SCP (empate) e Zenit (derrota). E antes que os meus críticos mais iluminados venham recordar que nesses jogos existiram erros individuais na defesa, eu lembro que contra o SCP interrompemos a média de 2 golos marcados por jogo que vínhamos obtendo com JJ, e que contra o Zénit, com mais ou menos aplicação dos jogadores, não conseguimos marcar qualquer golo!
Não pretendo com isto ser pessimista mas sim realista, embora no futebol, e em particular no Benfica, a linha que separa o pessimismo do realismo é muito ténue e mal percebida.
E bom, vem aí a 6ª jornada onde podemos capitalizar do embate entre SCP e FCP caso vençamos o jogo no Estoril. Confesso que não gosto que a comunicação social sublinhe que “há 68 anos que o Benfica não perde na Amoreira”. Dá azar...

19 setembro 2014

(futebol) Champions 1 - Benfica 0



Portugal 19 de Setembro de 2014

Se é verdade que o futebol do Benfica me tem tranquilizado no que diz respeito às provas nacionais, onde nem o “borrão” de Artur no jogo com o SCP me tira o sono, confesso que aguardava com curiosidade para saber como se comportaria a equipa numa competição de elevada dificuldade como a Champions.
E digo isto porque de acordo com a minha maneira de ver o futebol, há vários factores a considerar que enfraqueceram a equipa. Como sejam o enésimo desarranjo do plantel pelas tais necessidades de venda de jogadores e a contratação de alguns jogadores, dos quais só Talisca conseguiu fazer a pré temporada. Mas isso é nas minhas “teorias”, restava ver como seria na prática.
E digamos que a 1ª lição correu mal.
De facto sentiu-se a falta de um jogador de área que polarizasse os movimentos ofensivos da equipa, um jogador posicional como Cardozo, sentiu-se a falta de um defesa de grande qualidade que soubesse sair com a bola jogável (embora esta característica não seja a mais importante), pois apesar de ser muito esforçado, Jardel não é, nem será Garay, e sentiu-se a falta de entrosamento de alguns jogadores, pois a pré temporada foi jogada com outros e num sistema táctico diferente (com 2 avançados).
Às vezes quando escrevo nos meus textos sobre o amadorismo da Direcção do Benfica, há uns “cromos” que ficam muito chateados e partem para a crítica contundente ou insulto gratuito. Vêm o Benfica como algo de arquétipo, inatacável por ser exemplo de perfeição. Que está longe de ser....
A realidade é que Vieira ofereceu Garay ao Zenit por umas “cascas de alho” e por critérios não desportivos, como referiu. Para o seu lugar contratou César por 2 milhões, a uma equipa da 2ª divisão brasileira, e fez regressar Lizandro (que custou 5 milhões). Depois de ter valorizado Siqueira, permitindo um ganho de 3 milhões ao Granada, contratou 2 defesas esquerdos, Djavan e Benito até decidir que afinal era o Eliseu que ia jogar. Siqueira era caro, com 7 milhões, mas só em 2 defesas o Benfica gastou 4 milhões! No ataque “ofereceu” o Cardozo ao Trabzonspor e contratou Derlei ao Marítimo por 2,5 milhões. Trocou 1 goleador posicional de créditos firmados, por outro jogador móvel e uma incógnita, já que marcar golos no Marítimo é uma coisa, marcar no Benfica é outra.
A somar à estranha estratégia de Vieira, fosse por lesão ou por opção, Luisão e Jardel não fizeram um só jogo da pré temporada, Samaris idem mas por não estar cá e Enzo por férias. 4 jogadores que ocupam posições fundamentais dentro de campo.
E foi assim que com apenas 4 jogos no campeonato português que abordamos o 1º jogo da Champions, perante um adversário que já levava 8 e que se reforçou à custa do Benfica, com particular ênfase na defesa, onde Garay foi dar a qualidade que faltou em anos anteriores, e que impediram o Zenit de ser campeão. Mas há também que considerar a qualidade de Javi Garcia. Não é por acaso que Villas-Boas se reforçou com ex-jogadores do Benfica.
Ironia das ironias (para além do sorteio ter emparelhado o Benfica com o Zénit e o Mónaco, como no ano passado com o Olympiakos de Roberto), foi Jardel a iniciar a jogada do 1º golo dos russos. De facto há uma certa diferença entre Garay e Jardel, mas possivelmente Vieira não percebeu isso quando decidiu oferecer Garay a Villas-Boas. E assim com um só erro, um só golo, se começou a desenhar uma derrota cara. Na alta competição, isto é mesmo assim: os erros pagam-se mais caro do que na média ou baixa competição, como seja o nosso campeonato nacional.
Mas também considero que existiu um mau posicionamento global da nossa equipa, fruto do mau posicionamento de Samaris, que nesse lance de Jardel não ocupou a posição 6 como deveria. Se o tivesse feito, a nossa defesa não subiria tanto no terreno, e as hipóteses de interceptar o contra ataque do Zenit, seriam muito maiores. Mas temos de o desculpar pois é só o 2º jogo oficial que faz. É o planeamento do SLB a funcionar.
E assim, com este amadorismo da Direcção, abordamos pela enésima vez a exigente Champions, com vários jogadores sem rotinas. Os erros pagam-se caro e pior, influenciam o jogo seguinte.
Uma palavra obviamente para a bonita atitude dos adeptos presentes no estádio da Luz, que presentearam a equipa com uma enorme ovação, apesar da derrota. Foi bonito e fez lembrar os adeptos do Liverpool quando cantam o “you’ll never walk alone” mesmo quando perdem. Era bom que se repetisse mais vezes, pois seguramente iríamos lucrar mais. Uma equipa acarinhada, que sente os adeptos do seu lado, joga e rende mais.

Independências...

A sustentabilidade económica está para os Açores assim como a eternidade da dívida soberana está para José Sócrates.

16 setembro 2014

(futebol) Equívocos e confirmações...



Portugal 16 de Setembro de 2014

A última jornada de futebol trouxe um conjunto de resultados e de reacções que comprovam a existência de alguns equívocos e algumas conclusões que passaram ao lado dos principais analistas de futebol, os que ganham bom dinheiro para participar naqueles programas de entretenimento em que supostamente falam de futebol.
Na jornada anterior, a propósito do empate do Benfica com o SCP, esses analistas e demais comunicação social, elogiaram a exibição do SCP, vendo o que não existiu – grande qualidade futebolística da sua exibição – e não vendo que o SCP trouxe 1 ponto devido exclusivamente a um erro do nosso guarda redes. Isto é, também viram esse erro, mas apenas para “crucificar” Artur Moraes e não para o relacionar com o pontinho que o SCP obteve e que interrompeu 6 derrotas consecutivas na Luz.
Recordo o que escrevi no texto anterior, em 1 de Setembro: “a mim pareceu-me que se podem tirar muitas outras conclusões e que não foi pelo enorme erro de Artur que perdemos 2 pontos. Do lado positivo, regista-se a boa qualidade de posse de bola do Benfica e algumas transições rápidas entre a defesa e o ataque. O que permitirá mais tarde, a concretização de mais golos. E daqui vem o lado negativo, a pouca eficácia dos avançados”.
Passada apenas uma jornada, temos a concretização disto mesmo: o Benfica teve a eficácia que faltou no jogo com o SCP, em particular nas transições rápidas defesa/ataque e o SCP, que também teve um brinde, desta vez de China, continuou sem conseguir ganhar apesar de ter defrontado em sua própria casa um adversário de menor orçamento.
Fica bem evidente o equivoco dos analistas e da comunicação social em geral, no que respeita às conclusões sobre a qualidade de jogo que o SCP apresentou na Luz, e ficou confirmado que este Benfica pode marcar muitos golos jogando com 1 avançado (como sempre tenho defendido) e privilegiando as transições rápidas defesa/ataque.
Por isso continuo a defender que quem espera aprender alguma coisa de futebol com esta malta da comunicação social, bem pode esperar sentado e pedir um gim tónico para ajudar a passar o tempo...
Claro que nem falo do solípede Nuno Farinha que escreveu em coluna de opinião, no RECORD há uns meses, “desancando” na qualidade de Talisca e na qualidade de Jorge Jesus. Mas como no ano passado também escreveu que a vitória do Benfica no Estoril (onde o FCP tinha empatado) tinha sido uma vitória “mentirosa”, deste cavalheiro já espero tudo. Até ver a Benfica TV promover uma acção social de rua do Ruben Amorim, em conjunto com o RECORD que estava representado por... Nuno Farinha. Que ao que parece, até é benfiquista! O benfiquismo anda mesmo pelas ruas da amargura....
Num clube onde impera a falta de vergonha de um Presidente que não consegue explicar quando recebeu o emblema de prata dos 25 anos de associado, estas coisas podem e vão continuar a acontecer...
Mas também foi uma jornada de confirmações de como para o FCP, as conclusões da influência da arbitragem são sempre diferentes, do que para o Benfica. Tomando o jornal O JOGO como referência, na 1ª página foram mencionados 2 erros de arbitragem que prejudicaram o FCP, 1 penalty por assinalar e 1 golo mal invalidado. É curioso, mas quando o Benfica venceu na Madeira há 4 anos por 1-0, golo de Cardozo, onde foram tirados 2 penaltys ao Benfica, o mesmo jornal O JOGO tinha na 1ª página um título do tipo “(sofrimento) por culpa de Cardozo”. Ou seja, que o Cardozo desperdiçou tantos golos nesse jogo que o Benfica ia empatando! 2 penaltys? O Tribunal do JOGO não considerou os lances relevantes, ou a terem considerado relevantes, a Direcção do Jornal não considerou suficientemente importantes para virem mencionados na 1ª página. Como agora fizeram para os casos do FCP.
Obviamente que sobre o penalty oferecido ao FCP, isso não merece 1ª página. Há que mentir a todos os níveis, desde que seja para branquear os erros do FCP. Mas então o Jakson não falhou golos? O Lopetegui não errou na gestão do grupo e nas substituições? Não houve jogadores do FCP em sub rendimento? Não! Nada disso! Só se tivesse jogado o Benfica é que teria sido assim: o Jesus errou na equipa que montou ou na táctica (marcar com X a opção preferida), o lado esquerdo do ataque foi pouco criativo, os avançados foram perdulários, a defesa comprometeu, o guarda redes esteve inseguro e o plantel do Guimarães custa 1/4 do que custa o plantel do Benfica....
Acresce que o dono do jornal o JOGO foi um dos convidados de honra do Benfica, a marcar presença na final da Liga Europa em Turim...

09 setembro 2014

VERBA MANENT - XXVIII


O mundo das finanças é um mundo misterioso onde, por muito incrível que possa parecer, a evaporação precede a liquidação. Primeiro evapora-se o capital, e depois a companhia é liquidada.
Joseph Conrad, Vitória, § 2

01 setembro 2014

(futebol) Último dia...



Portugal 1 de Setembro de 2014

Último dia para o mercado de jogadores fechar e finalmente acabar a especulação em torno de qual vai ser a equipa do Benfica que vai “atacar” o bicampeonato. Também é o último dia que vou estar por cá, esperando que amanhã já possa estar na praia desfrutando a areia e as ondas do mar.
Nestes últimos tempos aconteceram algumas coisas interessantes. Desde logo o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, onde nos calhou um grupo relativamente difícil. Mas se tivesse saído o Borussia Dortmund, o Liverpool e o Roma teria sido pior.
Recordo-me das palavras de JJ quando a propósito da miserável pré temporada (mal planeada, lesões e maus resultados) defendeu que é nos “jogos com equipas difíceis que se fazem os testes que têm de se fazer”. Não percebi bem do que é que ele se estava a defender, uma vez que das experiências que fez resultou que há 5/6 jogadores que não têm qualidade suficiente para jogar na equipa mais forte do Benfica: César, Luís Felipe, Benito, Sidnei, Bernardo Silva, João Teixeira e João Cancelo. Sabendo das dificuldades técnicas destes jogadores e do grau de exigência que existe no Benfica (adeptos + comunicação social) foi prudente apostar num esquema de jogo com 2 avançados? Acho que não, que só piorou a imagem desses jogadores e provocou danos na confiança dos adeptos.
Ora tomando como referência as ideias do nosso treinador, também me parece que isto de jogar na Liga dos Campeões, o que dá “pica” é jogar contra equipas a sério. Andar na Liga dos Campeões a jogar com Maribores e BATES Borisovs é coisa para equipas com pouca auto confiança e que têm receio dos confrontos com as grandes equipas, “safando-se” com equipas de menor experiência e/ou menores orçamentos. Portanto acho que na lógica de Jesus temos um bom grupo. Embora pudesse ter sido bem pior, como já referi.
Por outro lado, este sorteio provou uma coisa que até agora nunca tinha acontecido: a equipa do pote 1 sendo e melhor desportivamente, é contudo a que tem orçamento mais baixo dos outros potes 2, 3 e 4! Mas também por outro lado, constata-se que por ironia do destino, tal como no ano passado com o Olympiakos, saíram-nos 2 equipas muito representadas por Jorge Mendes e com muitos jogadores que vendemos ou emprestamos. Vieira quer-se ver livre deles mas no final a história dá uma grande volta e voltamos a levar com eles. Espero que este ano, com resultado diferente da época passada....
Por último, houve um novo Benfica – SCP e desta vez, vá lá saber-se porquê, JJ apresentou apenas 1 avançado, Lima contra os 2 que apresentou no jogo da Taça de Honra (com a tal equipa “remendada”). Note-se que prefiro o modelo de jogo com 1 avançado! Apenas registo, por falta de lógica, que se tenha arriscado mais, quando se tinha um plantel de menos valia.
Para variar e com aquela habitual falta de cultura desportiva que os caracteriza, a comunicação social resumiu o jogo ao infeliz lance de Artur, sem frisar de forma semelhante, a enorme intervenção no mn 89 que evitou 1 golo que podia ter ditado a derrota.
A mim pareceu-me que se podem tirar muitas outras conclusões e que não foi pelo enorme erro de Artur que perdemos 2 pontos. Do lado positivo, regista-se a boa qualidade de posse de bola do Benfica e algumas transições rápidas entre a defesa e o ataque. O que permitirá mais tarde, a concretização de mais golos. E daqui vem o lado negativo, a pouca eficácia dos avançados. Quem tem lido os meus textos recordar-se-á que mencionei a estatística dos golos de Lima com Cardozo, e dos golos de Lima com Rodrigo. Para tirar a conclusão óbvia que Lima marcou muito, mas foi com Cardozo: 20 contra 14. Ora sem Cardozo, e sem Rodrigo, que esperar de Lima? 3 jogos, 0 golos!
E daqui tiro outra conclusão mais ou menos lógica. Os assessores de Vieira, que esperaram pela morte de Eusébio para correrem com Cardozo a qualquer preço, terão algum conhecimento de futebol que não seja a arrogância do que concluem quando olham para o seu umbigo?
Um desses idiotas, Rui Gomes da Silva, quando “despacharam” Roberto e contrataram Artur ficou estupefacto (quase sentido) porque lhe disse que íamos perder o campeonato outra vez. E ainda não tinha sequer começado. Segundo ele, tínhamos resolvido o problema da baliza, as coisas não tinham como melhorar...
O problema do Benfica é que os assessores de Vieira continuam a influenciar os destinos da equipa....
Boas férias e até dia 15 ....

26 agosto 2014

(futebol) Rola a bola....

Portugal 26 de Agosto de 2014

Duas jornadas, 6 pontos, a primeira vez que JJ começa o campeonato com 2 vitórias consecutivas, mas sem querer parecer aquela imprensa que só vê o futebol do Benfica como um copo meio cheio, isto não me tranquiliza minimamente.
É evidente que é melhor ter 6 do que 4 pontos, como no ano do título de 2010, ou 3 como no titulo da época passada. Mas se percebermos que apenas melhoramos nos processos defensivos – zero golos – e temos um ataque quase miserável com 3 golos, dois deles marcados por defesas, acho que não é para estarmos tranquilos.
Contudo este cenário já era por mim projectado quando escrevi o texto “Fim de uma era” referindo-me à venda ao desbarato de Cardozo, o melhor avançado estrangeiro que alguma vez actuou pelo Benfica. Era previsível que sem a muleta de Cardozo, Lima se revelasse o jogador mediano que sempre foi. E posto isto, sem um avançado que marque golos, é muito mais difícil ser campeão.
Não é preciso ler muito sobre este tipo de assuntos, basta fazer comparações. Com Cardozo (1822 mn, 17 golos) Lima (2397 mn) marcou 20 golos na época 2012/13. Com Rodrigo, Lima (2428 mn) marcou 14 (Rodrigo com 1857 mn marcou 11, Cardozo jogou 731 mn e marcou 7 golos) na época 2013/14! Não ver isto e andar de fato e gravata a fazer de conta que se está a pensar uma equipa cada vez mais forte, é pura farsa...
Os números nunca podem ser ignorados no planeamento futebolístico. Porque os números comparam-se e as opiniões não. Ora no Benfica prevalecia a ideia que Cardozo era lento, não se mexia, não corria, etc, seguindo um padrão de apreciação que faz escola no nosso clube, sem que ninguém com responsabilidades a contrarie. Neste padrão de apreciação dominante, o que interessa é a velocidade, característica que se vê mas que nem sempre se percebe. Enquanto os que não actuam de acordo com esse padrão da velocidade, são mal considerados e até assobiados (!?).
Não há dúvidas: mesmo com uma época sofrível (7 golos), Cardozo marcou metade dos golos de Lima, que jogou mais do triplo dos minutos....
Para perceber o futebol de jogadores como Cardozo, teremos de deixar os preconceitos de lado e observar que a sua movimentação era essencialmente baseada no melhor posicionamento. O seu jogo era um jogo de inteligência e não de corrida. Talvez por isso fosse difícil de apreender pela esmagadora maioria dos adeptos.
Como escrevi, virou-se uma página e agora voltamos aos tempos do “quase marcávamos” e das “oportunidades desperdiçadas”.
Sem querer pôr-me em bicos de pés, penso que Jesus não está a perceber bem o problema que tem, com um ataque baseado em avançados móveis. Se eles precisam de correr para tirarem partido da sua velocidade e técnica, a melhor solução de jogo passa por contrair a história do Benfica, do “vamos para cima deles logo desde o inicio” como os fundamentalistas defendem. Porque indo para cima deles, aumenta-se a densidade de jogadores no último terço do terreno adversário e os avançados não têm linhas de passe para poderem correr atrás da bola. E como não são jogadores posicionais, ou são medianos a trocar a bola em baixas velocidades, não tiramos partido deles. Para eles terem linhas de passe que possam aproveitar, precisamos de puxar o nosso jogo atrás, descomprimindo o último terço do campo adversário. Para isso precisamos de um 6 dito “puro”, como Fejsa por exemplo. Ou um adaptado, quando, como é o caso, Fejsa está lesionado.
Mas como disse, isto seria contrariar a tradição do Benfica, E assim continuamos a fazer como as galinhas que perante uma vedação andam de um lado para o outro e não a sabem contornar.
Paços de Ferreira e Boavista são exemplos de como o nosso sistema de jogo com tantas “experiências” e goleadas sofridas durante a pré temporada, é um equívoco que contraria as leis da física e os princípios da optimização dos recursos.
Dizem que o futebol é paixão. Será, será. Mas nada impede que se procure pensá-lo racionalmente, mesmo que com isso se tirem conclusões que vão contra o futebol visto pelo lado da paixão e da tradição.

Outra conclusão se pode tirar. A venda de Garay e Cardozo, por “opção própria” da Direcção, quando se tornou público que se ofereceu 7 milhões por 55% do passe de Hernandez (tínhamos dificuldades financeiras, dizia-se), enquadra-se numa teoria mais escabrosa que é o deliberado enfraquecimento da equipa, para aumentar as possibilidades dos rivais ganharem o campeonato. E assim, mais uma vez o Sr.º Vieira capitalizará as boas graças do “sistema”. E mais uma vez ajuda os amigos e não aqueles que está a “parasitar” a partir de off-shores.

22 agosto 2014

(futebol) Muita parra....



Portugal 22 de Agosto de 2014

A semana tem sido fértil em acontecimentos, dentro e fora das 4 linhas, salientando-se a entrevista do que para uns é o Presidente do Benfica, que para mim é uma espécie de “faz-que-é-Presidente” e para outros que escrevem nos onlines de BOLA e RECORD, é o PresiMente.
A entrevista que, tal como antecipei no texto “Bem-vindo Mr. Chance”, seria uma espécie de “one man show”, dado que o entrevistador é alguém que na BTV recebe um salário pago por Vieira como presidente da SAD que por sua vez é dona da BTV. É este o conceito de transparência implementado pela actual estrutura/projecto do Benfica, que muitos aplaudem.
A entrevista ficou manchada pela confirmação de que Vieira faz jus ao posto de PresiMente, quando referiu a propósito de Oblak, que o jogador já tinha sido oferecido novamente ao Benfica e que ele, qual super-herói do povo benfiquista, recusou liminarmente pelo comportamento que o atleta tinha tido.
Quando estava a ver a entrevista fiquei logo com a ideia que se estava a “enterrar”, o que foi confirmado nos dias seguintes com o desmentido formal do Atlético. No fundo, Vieira mente tanto que já perdeu a noção dos limites da sua mentira. E como tal, por vezes excede-se. Como agora.
Já tinha mentido quando afirmou que Siqueira não ficava na equipa por questões salariais, no que foi desmentido pelo jogador dias depois, e que agora se confirma com a contratação do guarda redes Júlio César, o tal que no ano passado não veio por questões... salariais.
A política salarial do Benfica, que o Sr.º Vieira gosta de usar para justificar algumas opções, é apenas mais uma das muitas mentiras que fazem o dia a dia deste nobre e centenário Clube. Soube-se agora que Garay custava 3,5 milhões por ano, fruto do salário que tinha no Real, e da necessidade que Vieira teve em vender Fábio Coentrão. Ora este salário ao pé dos 1,2 milhões do goleador Cardozo ou dos pouco mais de 1,5 milhões de Luisão, é natural que provocasse aquelas reacções de pré temporada que conhecíamos, de cada um reivindicar melhorias aos contratos. Não era afinal por ganância dos jogadores, mas pela política salarial mentirosa e de conveniência, que o “faz-que-é-Presidente” implementou.
Mas os adeptos (na sua maioria) gostam do estilo de Vieira, o tal empresário de origens humildes que está muito mais rico desde que veio para o Benfica, quase na mesma proporção (passe a ironia) que o Benfica está mais atolado em dívidas e compromissos financeiros.
E por gostarem do que se vai passando é que não percebo este Benfica. Ou melhor, cada vez mais percebo o que é o Benfica. O Benfica “melhor clube do mundo” é algo que não existe, com excepção do passado glorioso (que ninguém nos pode tirar) e da maior massa associativa do Mundo. O resto (ética, valores, princípios, etc.) é para esquecer, estando ao nível de um pequeno Clube de uma qualquer freguesia de Lisboa. Ou de Alverca.
Continuando, Vieira, responsável máximo do Clube/SAD do Benfica afirmou, por oposição a todas as outras vendas onde prevaleceu o critério da cláusula de rescisão, que por opção própria, o clube desinvestiu em Cardozo e Garay. Então é só isto? É com isto que a nação benfiquistas fica esclarecida? Dispensa quase de borla dois jogadores fundamentais no plano desportivo, com fundamento numa “opção própria” e já está? Que consequências teremos no plano desportivo, fruto dessa opção, e quem as vai assumir? O presidente? O treinador? Que implicações esta “opção própria” terá no plano económico uma vez que foram feitas aquisições para a defesa e perspectiva-se nova contratação para o ataque?
Que faz o entrevistador perante este evidente ponto fraco da argumentação? Confronta o Sr.º Vieira ou pensa no cheque ao fim do mês? Pergunta de resposta fácil, como aliás em quase tudo que é comunicação do Clube...
Resumindo, o presiMente afirma que desinvestiu em dois activos desportivos de relevo, por “opção própria”, é desmentido na cedência do Oblak e no dia seguinte não se passa nada! Os que antes, com Vale e Azevedo, se penduravam nas páginas de jornais e tempos de antena em rádio e televisão, agora não vieram questionar estas opções da Direcção, nem defender a honorabilidade do Clube.
É este o actual Benfica. De muita parra e pouca uva....

13 agosto 2014

(futebol) Bem vindo Mister Chance....



Portugal 13 de Agosto de 2014

No início dos anos 80 vi um filme que em Portugal recebeu o título de “Bem vindo Mr. Chance”, filme lançado em 1979 e que contou com uma interpretação soberba desse grande nome da 7ª arte, o já desaparecido Peter Sellers.
O filme gira em torno de um cinquentenário jardineiro muito humilde e muito simples, Mr. Chance, que depois de ser posto fora da mansão do patrão, por falecimento deste, contactou casualmente com um empresário que acabou por fazer dele um grande personagem dos Estados Unidos da América, conseguindo inclusivamente que fosse eleito Presidente.
O que mais me marcou desse filme é que o tal jardineiro apenas abria a boca para dizer frases curtas e muito simples, pois era um homem sem cultura e sem experiência de vida (pois tinha sido sempre jardineiro e vivido na mansão do patrão). E contudo, as pessoas que passaram a privar com ele, fruto do conhecimento com o tal empresário, achavam que ele era um génio de potencial incrível e acabaram por levá-lo a Presidente dos Estados Unidos.
Este foi um filme de sucesso razoável, baseado na ironia e na sátira à sociedade americana, do qual para mim, o aspecto que retive foi que as pessoas liam nos lábios de Mr. Chance não o que ele de facto dizia, mas aquilo que elas achavam que ele era capaz ou tinha potencial para dizer.
Vem isto a propósito da gestão que o Sr.º Vieira tem feito no Benfica desde 2003, onde vejo muitas semelhanças com Mr. Chance, sendo frequente debater o actual Benfica com outros adeptos e sócios, não pelo que somos de facto mas por aquilo que ainda podemos vir a ser, pois Vieira está a trabalhar para isso (segundo eles).
Nem os 13 anos de desempenho que já leva à frente do Cube/SAD, primeiro como gestor depois como Presidente os consegue convencer que há demasiadas coisas que não batem certo com o “guião” que, como um bom aluno de representação teatral, interpreta com grande concentração e devoção, evocando não raras vezes o seu passado de pessoa pobre, que veio do nada e fez “fortuna a partir do zero” (as palavras são dele).
Também aqui as pessoas (sócios e adeptos) vêem o que querem ver e não aquilo que de facto é. A diferença é que o Sr.º Vieira é muitíssimo mais inteligente do que Mr. Chance, e sabe aproveitar o momento com grande eficácia, ou não tivesse muita gente a trabalhar com ele e para ele, neste suposto projecto.
Como por exemplo, a entrevista que vai dar à “BêTêVê” (muito cuidado com o significado que tem a alteração de Benfica TV para BTV, com todos os jornalistas da mesma a cumprirem o que lhes foi indicado) onde será entrevistado por um jornalista a quem paga o ordenado!
Esta é a forma como Vieira e seu staff fazem a avaliação da transparência do Clube/SAD numa fase delicada do “projecto” saído da eleição de Manuel Vilarinho (que funcionou como um autêntico Cavalo de Tróia de onde saíram Filipe Vieira e todos os interesses que passaram a comandar o Benfica), onde seria imperioso que os benfiquistas e desportistas em geral fossem esclarecidos sobre o que se está a passar.
O desmembramento da equipa campeã, abaixo da cláusula de rescisão confere legitimidade às interrogações sobre os reais interesses deste “projecto” com 14 anos! E faz recuperar” outras questões que ninguém percebeu bem, como por exemplo, o que ele queria dizer quando falou do “milagre económico” ou do “sabemos para onde vamos, é difícil mas iremos lá chegar”, já para não recuar no tempo e perceber o que e queria dizer com “Mantorras vale 18 milhões de contos” e em 2003 “daqui a dois anos estaremos a dar cartas na Europa do futebol”. 
Obviamente que não iremos ser esclarecidos e que a dita entrevista apenas servirá para branquear a ruinosa gestão que tem sido levada a cabo desde Novembro de 2000 (desculpem lá, mas o passado não se apaga). Não será uma entrevista para o Presidente ser confrontado com os sucessivos erros de gestão desportiva e financeira, ou vice-versa, será uma entrevista que o Presidente irá aproveitar para explicar porque fez o que fez, mesmo que esteja a mentir, como quando explicou que o ordenado do Siqueira inviabilizava a sua contratação, desmentido pouco tempo depois pelo próprio Siqueira que assumiu nem se ter falado disso.
Será uma entrevista do “one-man-show” tão ao jeito dos fervorosos adeptos que vão às AG’s e vêem nele, não a razão do que se está a passar (completa subalternidade futebolística para o FCP e esbanjamento de centenas de milhões de euros em juros de empréstimos que ao Benfica servem pouco) mas aquilo que eles acham que ainda pode vir a acontecer de bom.
Para mim Vieira continuará a ser o homem que faliu quase todas as empresas onde esteve como sócio ou accionista, excepto as que detêm em parceria com os filhos. E só este facto, conhecido desde sempre, seria motivo para não lhe terem dado todo o poder, como deram. Com consequências imprevisíveis....

11 agosto 2014

(futebol) O inicio de uma era...



Portugal 11 de Agosto de 2014

Vencemos a Supertaça, a 5ª do nosso historial e um troféu – que apesar da reduzida importância - nos tem dado a noção de como o FCP comanda a arbitragem nacional, já que sempre que jogamos contra eles, ora por erros de arbitragem mais ou menos escandalosos, ora porque se apresentam melhor preparados, ganham-nos quase sempre.
Uma vitória suada que aconteceu apenas no desempate por marcação de grandes penalidades e que veio confirmar o que escrevera no texto anterior: há um antes de Cardozo e um depois de Cardozo. Para não ofender os mais sensíveis, também sei que houve grandes jogadores que marcaram a história futebolística do Benfica, e que também existiu um antes e um depois deles. O mais longe que a minha memória consegue ir é ao Rogério “Pipi”, depois temos Eusébio, Humberto Coelho, Chalana, etc por aí em diante. E seguramente teremos que sobreviver e continuar sem Cardozo.
Mas para já fica evidente uma conclusão que tinha tirado e que escrevi: Lima marca mais golos ao lado de Cardozo, do que ao lado de Rodrigo ou ao lado de Derlei, ou sozinho como ponta de lança fixo, ou táctico, que ele não é. Aliás houve no jogo de ontem esse equívoco que resulta da política de contratações e vendas sem orientação útil para o lado desportivo da equipa, e que se resume a ver Lima jogando como avançado táctico (que não é, mas também não temos mais ninguém), na 1ª parte por acaso aquela onde acabamos por ter mais situações de golo.
Depois Jesus meteu Derlei e tirou Talisca, ou seja, meteu um avançado e tirou um médio, redesenhando o esquema táctico para uma espécie de 4-4-2 em losango, e como se viu, o jogo ficou mais partido e menos dominado pelo Benfica. Até ao fim do jogo, o nosso modelo oscilou por aí e como se viu, o Rio Ave equilibrou e podia ter ganho (com alguma sorte) na última jogada do prolongamento.
O que não deixa de ser curioso porque o Rio Ave jogara na 5ª feira para a Liga Europa e seria “lógico” esperar uma quebra de rendimento na 2ª parte. Mas isso não aconteceu porque o nosso 4-4-2 sem jogadores de qualidade elevada, como tivemos nos últimos anos, é um modelo deficiente (como tenho várias vezes comentado) e como tal permite que um adversário cansado e de menor valia possa controlar o nosso jogo e explorar os nossos erros (todos os jogadores de todas as equipas cometem erros como seja perda de bolas) em particular na 1ª fase da criação das jogadas de ataque, ao nível do meio campo.
Já tínhamos visto isso no golo do SCP, no 2º golo do Marselha e nos 3 golos do Valência, sempre com 4-4-2 em losango e em ambos os casos, com erros na gestão da posse de bola na zona do nosso meio campo, que originaram rápidos contra ataques e golos adversários.
Enfim, o futebol é muito pouco linear mas vejo erros e erros que provocam graves situações na nossa defensiva, e vejo muito pouca gente a ligar esses erros ao modelo de jogo do 4-4-2 losango, uma evolução do 4-4-2 clássico que tanta “barracada” deu quer com Koeman quer com Quique Flores (em particular na Liga Europa).
Do jogo de ontem salientaria (1) a diferença que é jogar com os jogadores que sobraram da época passada e que não jogaram na pré temporada como Enzo Péres, Luisão e até Jardel, (2) a diferença para melhor que foi a 1ª parte jogada apenas com um avançado, (3) a falta que já se nota de Cardozo e do seu futebol lento mas tacticamente útil a outros jogadores da equipa, o que permite concluir que temos de acabar com a ideia que avançados que correm muito é que “são bons”, (4) a arbitragem de Duarte Gomes que começou por tirar 1 penalty claríssimo ao Benfica, aos 2 mn, num lance que contudo o “Pravda” rotulou de “beneficio da dúvida ao árbitro” e (5) o público benfiquista que mais uma vez arrasou na presença e apoio à equipa de futebol. Um público de gente com mais ou menos idade, mas todos com muito sentimento e emoção pelo Benfica. Gente que merece ser respeitada por quem toma as decisões no clube/SAD e que manifestamente não tem sido.
Por último, este resultado não altera a preocupação que os adeptos mais atentos têm, no que poderá vir a ser a prestação desportiva do Benfica. Até porque faltam 20 dias até ao fecho das inscrições em Espanha, e há muita coisa por deciri. Ou melhor: os que têm decidido a gestão do Benfica, do lado de fora (Jorge Mendes e Peter Lim) ainda não tomaram todas as decisões que podem tomar. E isso a mim preocupa-me.

Tetra inédito, mas...

à medida que o jogo avançava e o desperdício era evidente, no meu cérebro ecoavam as palavras:
 
Tenham cuidado! Ele é perigoso!
Ele é o Óscar "Tacuara" Cardozo!
 
No mais, que o domínio absoluto do jogo e a conquista do troféu não prestigidiem o incontornável...

06 agosto 2014

(futebol) O fim de uma era...

Portugal 6 de Agosto de 2014

Com a venda de Cardozo ao desbarato termina uma era no Benfica. Uma era desportiva de muitos golos! Nos próximos anos o rendimento desportivo da equipa será muito inferior ao que se verificava com Cardozo, e a época transacta, apesar de bem sucedida em termos de conquistas, evidenciou uma certeza: com Cardozo, o Benfica marcou sempre muito mais.
Assim, é verdade que fomos campeões mas marcamos menos 19 golos no campeonato. Pensar repetir a dose duas vezes, é romântico e ilusório. A saída de Cardozo irá passar factura...
Poderia Cardozo ficar? Poderia Cardozo jogar até aos 100 anos? Obviamente que sim, podia ficar e não, não jogará até aos 100 anos.
Quanto à venda ao desbarato, e apesar de ser anti-Vieira desde 1999 quando vi esse cavalheiro aplaudir os golos do FCP ao Benfica, nas antigas Antas (derrota por 2-0 e acabamos com 10 por expulsão de Rojas), devo referir que me parece que esta venda pode estar associada ao previsível desmantelamento do Benfica Star Funds (BSF), ao qual o Benfica tinha vendido em 2010, 20% dos direitos económicos por 4 milhões de euros.
Com a venda de Cardozo neste momento, e admitindo (quem sabe?) que o BSF vai ser dissolvido a expensas (mais uma vez) do Benfica, podemos dizer que o valor a gastar com a dissolução do BSF se reduziu em 4 milhões de euros. Se como disse o Sr.º Vieira em entrevista, para liquidar o BSF, o Benfica iria precisar de cerca de 30 milhões, digamos que agora só precisa de 26 milhões.
Fica sem se perceber se Cardozo saiu por questões de idade, se por questões de rendimento associado ao seu salário (custo/beneficio), se por questões da gestão financeira da SAD (BSF e outras questões), enfim, ficamos sem saber nada o que não deixa de ser caricato neste Benfica que se dizia “dos sócios” (por oposição ao modelo de SAD de Vale e Azevedo, em que - dizia Vilarinho - ele ficava com tudo e depois vendia a SAD a um investidor e ficava rico).
O que ficamos a saber é que Cardozo pensava em terminar a carreira no Benfica, e eu sinceramente também pensei, porque 4 milhões, que na prática são 8, se contarmos o dinheiro recebido do BSF, é muito pouco para um avançado goleador, que marcou muitos golos e que, apesar da época passada, continuava a ter um jogo táctico importante para abrir linhas de passe para outros colegas rematarem e tentarem fazer golos. Lima, com Cardozo marcou quase o dobro de golos, do que na época passada em que jogou exclusivamente com Rodrigo.
Sem Cardozo iremos voltar aos tempos do Nuno Gomes e do Mantorras, jogadores com boa comunicação social, que primavam mais pela imagem do que pela substância do seu jogo, entenda-se, golos. Se compararmos a única época em que Mantorras jogou com disponibilidade física total, a primeira época, ficamos pelos 9/10 golos! Nuno Gomes, nas quase 10 épocas que esteve no Benfica na sua 2ª passagem, no que diz respeito ao campeonato só por 2 vezes marcou 2 dígitos em número de golos. O número médio era de 7/8 golos! Mas há muita gente que prefere gritar “óoo” e “ahhh, foi por pouco” do que valorizar este “estameiro” que se mexia pouco, mas jogava muito.
O povo benfiquista viveu feliz nesses tempos de Mantorras e Nuno Gomes. A comunicação social “empurrava” uma boa imagem dos dois jogadores para cima dos adeptos do Benfica, ora eram os cabelos ao vento do Nuno Gomes, ora eram os dribles fantásticos do Mantorras, e pronto, no final não ganhávamos porque o treinador é que não sabia.
Vivemos na penumbra de um grande clube, na penumbra do que é uma grande equipa. Há muita gente a governar-se parasitando os interesses do Benfica, mas que de futebol pouco ou nada percebe. Percebem é de ligar a rede de rega e apagar as luzes quando a sua incompetência brutal nos dá amargos de boca, e fazer comunicados idiotas quando ganhamos qualquer coisa no basquetebol em casa do principal rival. Mas da competição, de valores, de ética, percebe zero!

Tacuara saiu. Virou-se uma página gloriosa. Curioso é existirem tantas semelhanças com a forma como Eusébio foi dispensado do Benfica nos anos 70...

04 agosto 2014

(futebol) Fl(op) Emirates...



Portugal 4 de Agosto de 2014

Terminada a participação na Emirates Cup, com mais duas derrotas, 8 golos sofridos e apenas 2 marcados, constato que os receios que transcrevi na parte final do último texto intitulado “amadorismo” tinham plena razão de ser. O Benfica é gerido na base de um amadorismo confrangedor seja na componente técnica, seja na componente planeamento e quando assim é, ganhar 3 campeonatos em 14 possíveis não é obra do acaso e de facto, não é só por erros de arbitragem. Até porque a própria postura do Benfica face aos sucessivos e sistemáticos erros grosseiros de arbitragem nestes 14 anos, ou indica amadorismo ou autismo ou estratégia de subjugação ao “sistema”. Qualquer das opções é má porque custa milhões de euros na tentativa do Benfica reparar esses erros a partir da qualidade interna da equipa.
Vamos por partes.
Como referi no texto anterior, estando o Benfica a reformular a equipa principal com novos jogadores, que por acaso não oferecem garantias de suceder com sucesso aos que estão a ser vendidos, uns ao desbarato outros com base nas cláusulas (diz-se na comunicação social, mas nós já tivemos um Roberto), não se compreende que o nosso treinador continue a apostar no 4-4-2 em losango, um modelo de jogo de propensão ofensiva que intrinsecamente provoca situações de risco defensivo, já que ao criar uma dinâmica de ataque planeado, permite contra ataques perigosos quando se perde a bola, porque a nossa equipa balanceada no ataque, tem poucos jogadores na zona defensiva da equipa. Ontem com o Valência, todos os 3 golos foram obtidos quase a papel químico e resultaram de perdas de bola na intermediária, que o Valência aproveitou para transformar em boas jogadas de ataque, uma vez que tinha espaço com fartura.
Será fácil bater no defesa direito Luis Felipe, ou até no Artur Moraes, que mais uma vez mostrou ser psicologicamente frágil e deu um frango monumental no 3º golo para além de ter sido mal batido no 1º golo, o sempre importante golo do empate. Mas não devemos ir por aí, pois já o fizemos com Roberto, com Emerson, etc., e o que acontece é que mudamos de jogadores, mantemos o modelo de jogo, e continuamos a perder jogos.
Não se percebe pois como JJ aposta sempre, e da mesma forma, num modelo de jogo de qualidade e para o qual não tem jogadores. Será só uma questão de “fezadas”, como o Paulo Bento com o Postiga? Ou será que alguém de dentro impõe esse modelo de jogo, a partir das supostas tradições do Benfica dos anos 60 e dos 15 m à Benfica?
Parece que JJ está sozinho nestas matérias e que ninguém da estrutura do futebol o ajuda a perceber o que acontece quando jogamos desta maneira, numa fase tão particular da época. E estando sozinho, tem de se desculpar com a treta que na pré temporada é que se fazem experiências e outros blá-blás do género.
Mas não é assim porque o Benfica quando vai para torneios distintos, é para ganhar. Seja a Eusébio Cup, seja o Emirates. O Benfica tem um prestígio a defender e se tiver de fazer experiências, tem de as fazer de forma limitada como fazem as outras equipas. É inconcebível que uma equipa com a nossa exposição mediática, uma equipa com a paixão que desperta entre sócios e adeptos, em particular no estrangeiro, vá para esses jogos com uma organização amadora, sem rotinas de jogo e com jogadores que não farão parte do grupo que irá ficar para o resto da época. Como alguns portugueses.
Se a isto somarmos os jogos diários, então a catástrofe desportiva torna-se previsível. E aqui a culpa vai inteirinha para a Direcção que ao contrário do que o tal “milagre económico” que a máquina de propaganda de Vieira deixava antever, precisa de facturar os prémios de presença nestes jogos. Só assim se compreendem estes jogos em catadupa, porque de outra maneira teríamos de guindar a opinião para o campo da burrice.
Esta foi possivelmente a pior pré temporada de sempre, uma das que teve mais jogos contra equipas a sério e que teve maior percentagem de derrotas: 75%! Nem Souness e os ingleses conseguiram fazer perto disso, bem pelo contrário. Mas Manuel José em 1997, com administração de Damásio e António Figueiredo, grandes apoiantes de Vieira, estiveram lá perto.
Dir-me-ão que “o que conta não é como se começa, mas sim como se acaba”. Direi que isso é filosofia de pacotilha de quem não percebe como é importante que antes do campeonato começar, os jogadores apresentem níveis de auto confiança elevados que lhes permitam resistir às dificuldades próprias da competição. Em particular os jogadores que acabaram de chegar e já estão associados à pior pré temporada do Benfica, o que lhes fará pensar se vieram melhorar ou piorar o Benfica, se estão à altura do desafio ou não...
Com todo este amadorismo, o Benfica hipotecou boa parte do prestígio que tinha granjeado em anos recentes, em Inglaterra. E hipotecou um bom arranque do campeonato e hipotecou a adaptação de alguns jogadores. A somar aos jogadores vendidos pelo tal “faz-que-é” Presidente do Benfica e que propagandeia a história do “milagre económico” e do “sabemos para onde vamos”, a somar ás lesões dos poucos que sobraram da última época, mais a venda de Enzo Peres que se adivinha para depois da Supertaça, ou seja, somando o azar com a intencionalidade, a próxima época que se avizinha corre o risco de se transformar num flop de proporções gigantescas.

01 agosto 2014

VERBA MANENT - XXVII


Dizer que nós pisamos o solo da Lua onde a mão do homem jamais pôs o pé.
Dupond e Dupont, On a marché sur la Lune, (As Aventuras de Tintin)

31 julho 2014

(futebol) Amadorismos....

Portugal 28 de Julho de 2014

Ao fim de 4 jogos ditos de preparação, a equipa principal do Benfica acumula 3 derrotas consecutivas, todas pela margem mínima, embora cada uma com a sua história própria, mas todas com uma consequência comum: o desânimo e a dúvida que se vai instalando.
As pré temporadas do Benfica de Vieira, em particular deste porque lidera os destinos do clube/SAD desde 2003 como Presidente, mais dois anos como Gestor do Futebol, 13 anos completos no total, caracterizam-se por alguma volatilidade nas entradas e saídas de jogadores. Como tal, é difícil estabilizar um padrão de jogo porque os jogadores à experiência, ou contratados para serem emprestados, ou que tendo transitado estão ainda à procura da melhor forma.
A sucessiva rotação de jogadores da equipa principal aliada à sujeição desde cedo a testes difíceis perante equipas de bom nível e que, regra geral, mantêm os seus núcleos base, torna mais difícil de conciliar-se com bons resultados e/ou boas exibições. Por vias disso, na época em curso já somamos 3 derrotas....
Espanta-me contudo, que devendo estas premissas ser conhecidas pelos tais que supostamente deviam pensar o futebol da equipa principal, ninguém relacione os modelos de jogo com a situação que a equipa atravessa. Ou seja, sabemos que devido aos condicionalismos da gestão desportiva, entram e saem jogadores como se metem e tiram matraquilhos. E vamos optar por um modelo de jogo, o tradicional 4-4-2 em losango, que privilegia o movimento ofensivo e expõe a defesa ao menor erro?
Vejamos. Derrota com o SCP com 1 golo nascido de uma bola mal endossada pelo nosso meio campo, o adversário fez um rápido contra ataque porque podia, já que a equipa do Benfica estava balanceada no ataque e como tal tinha poucas unidades em posição defensiva. Logo havia mais linhas de passe que foram aproveitadas pelo ataque do adversário. Na derrota com o Marselha, o 2º golo nasce de erro quase idêntico ao erro cometido no jogo com o SCP. A diferença foi que o adversário neste caso conduziu o ataque pelo centro, enquanto no caso do SCP, o ataque foi conduzida pela lateral direita.
Excepção no jogo como Ajax, mas num jogo onde tivemos a infelicidade de falhar um penalty, marcado por um jogador que não se sabe se vai ficar ou sair, sendo as probabilidades da saída mais elevadas.
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Por razões diversas não consegui concluir o texto no dia que comecei, e já temos mais dois jogos para incorporar nesta "análise". Uma vitória sobre o Sion e uma derrota com o Athletic de Bilbau. Em ambos os jogos prevaleceu o 4-4-2, com os mesmos jogadores à experiência e outros que aparecem no plantel fruto da relação de interesses que existe entre o Sr.º Vieira e o Sr.º Jorge Mendes.
Se na vitória sobre o Sion ficou a ideia que a superioridade do Benfica permitiria ter marcado 4 ou 5 golos, também ficou evidente que o Benfica não tem jogadores para os marcar. Isto é, conseguimos gizar algumas boas jogadas, mas quando ficamos em frente ao guarda-redes, os nossos jogadores, portugueses ou não portugueses, não conseguem ter as melhores opções de remate.
Obviamente que a vitória sobre o Sion enganou uns quantos inteligentes que escrevem em blogues e facebook, mais os que comentam na BTV a favor da estratégia desportiva do patrão, mas na realidade ficou a ideia que contra uma equipa mais organizada, com melhores jogadores e habituada a outras andanças competitivas, os falhanços do Benfica poderiam provocar mossa. Sem grande surpresa para mim (mas com enorme tristeza) vamos coleccionar mais uma derrota com o Bilbau (a 1ª da época por 2 golos de diferença), fruto também do amadorismo dos inteligentes que mandam no nosso futebol.
Para além do que já referi sobre a quantidade de jogadores que o Sr.º Vieira trouxe esta época para o Benfica, para além das lesões que apoquentam uns 3 ou 4 jogadores da equipa do ano passado (a que verdadeiramente tem qualidade) ainda temos as habituais opções de quem planifica a pré época (Rui Costa? Vieira? Jesus?) a optar por jogos diários contra adversários que descansam entre cada jogo. Não bastavam os problemas da falta de qualidade do plantel, da manutenção do modelo de jogo suicida do 4-4-2 agravado pelas experiências, ainda temos jogos diários contra rivais de boa qualidade, competência, regularidade e... descansados.....
O amadorismo campeia no Benfica e não se pode estranhar que em 14 anos apenas tenhamos ganho 3 campeonatos... há um denominador comum a todos os falhanços, e não é o Jesus...

Mas há que manter a calma. Vem aí o torneio dos Emirates com Valência e Arsenal. Em 6 jogos vamos com 4 derrotas. Vamos ver com mais 2 jogos como fica a estatística...