28 novembro 2014

(futebol) Inevitável...



Portugal 28 de Novembro de 2014

A eliminação do Benfica da Champions e da Liga Europa provocou o habitual “frisson” jornalístico, o habitual campo para os treinadores falhados e uns quantos jornalistas aspirantes a treinadores de bancada dissertarem com intuito especulativo e como tal, não pedagógico, não formativo.
Antes de mais a eliminação era praticamente inevitável, a partir do momento que se conjugaram duas variáveis determinantes: empobrecimento qualitativo do plantel e sorteio de um grupo difícil em que o Benfica, apesar de sair do pote 1 em termos futebolísticos, era contudo a equipa com menor orçamento.
O texto Champions 1 – Benfica 0, que escrevi em 18 de Setembro após a derrota com o Zénit, tem lá este parágrafo: “E assim, com este amadorismo da Direcção, abordamos pela enésima vez a exigente Champions, com vários jogadores sem rotinas. Os erros pagam-se caro e pior, influenciam o jogo seguinte.”
A derrota caseira com o Zenit marcou e condicionou toda a prestação da equipa no resto da prova. Fomos ao jogo 2 com a necessidade imperiosa de pontuar, e se possível ganhar, mas encontramos mais um adversário forte que nos derrotou por 3-1, ajudado por duas decisões do árbitro. Como os erros de arbitragem são campo exclusivo do SCP, já quem nem o Sr.º Vieira nem mais ninguém da Direcção ou da SAD querem falar disso, partimos para o jogo 3 com a necessidade de pontuar ainda mais reforçada.
Numa prova de campeonato, os resultados de uma jornada reflectem-se na jornada seguinte. Pela positiva, ou pela negativa. Começando mal com uma derrota caseira, numa prova onde está o top da qualidade futebolística, é de muita ingenuidade pensar que o pior orçamento poderia solucionar com sucesso os problemas competitivos colocados pelas equipas com maior orçamento, com melhores jogadores, com melhores organizações de jogo resultantes do binómio modelo táctico/executantes. Há sempre uma probabilidade de isso ser conseguido, é um facto, mas é uma probabilidade muito reduzida.
Que a derrota inicial deve ser determinante, isso é reforçado com o facto de NENHUM jornal ter mencionado quantas equipas conseguiram apurar-se para a fase seguinte da Champions depois de terem perdido o 1º jogo e em casa! E quantas se apuraram para a Liga Europa nessas mesmas condições!
Mas em contrapartida publicaram – erradamente – que o Benfica foi o 1º cabeça de série a ser eliminado na fase de grupos. Esta época? Sim, mas tal como foi colocada a notícia, sugere outras interpretações. E assim tenho de lembrar o Manchester United, do pote 1, que ficou de fora de todas as provas europeias, quando calhou no nosso grupo, na época 2005/06! Esse Benfica saído do pote 4, ficou em 2º lugar, o Villareal que veio do pote 2 ficou em 1º lugar, e o Lille que vinha do pote 3 ficou em 3º lugar.
O Benfica saiu das provas europeias e estamos a sentir na pele o que o FCP já sentiu na época 2005/06 (num grupo acessível com Inter, Celtic e Artmedia). Julgo que o SCP já sentiu isso também na Champions (na Liga Europa, foi há dois anos), embora a memória não tenha guardado. O que guardei é que o SCP apenas por uma vez, na Champions, chegou aos oitavos de final, e foi pulverizado com 12-1 pelo Bayern!
A eliminação já é um facto e nada se pode fazer. Com esta Direcção de amadores e oportunistas, só podemos esperar que os jogadores multipliquem o seu talento por 5 e esperar que os outros façam pior. O que não foi o caso. Para o ano há mais do mesmo, mas há mais...
Contudo vejo nesta eliminação uma oportunidade para gerirmos melhor o esforço da equipa, pois caso seguíssemos para a Liga Europa, ir-nos-ia ser exigido que chegássemos novamente à Final, ou seja, que nos fosse exigido que fizéssemos mais 9 jogos. Mesmo que este plantel não desse para tanto (e daí, com a futura inscrição de Jonas e os regressos de Fejsa, ficaríamos mais fortes), iria ser desgastante cada eliminatória que fizéssemos. Assim vamos ver o que fazem FCP (não deve passar dos oitavos de final) e SCP (que ainda pode cair na Liga Europa) enquanto nós vamos preparar melhor o campeonato. Com menos desgaste físico e mental, porque o plantel é fraco e muito curto.
E em Janeiro perspectiva-se que ainda vai ficar mais curto com a venda de Enzo, que não saiu na época passada, porque Vieira percebeu que estava a perder o apoio dos apaniguados da Direcção e círculos mais próximos. E ele, e quem está por trás, sabe que precisa desses apaniguados para colocar na comunicação social, a tecer loas ao seu trabalho...

26 novembro 2014

(futebol) Segredos de Justiça e Mediatismos....



Portugal 26 de Novembro de 2014

Nos últimos dias o País foi sacudido com a notícia choque da detenção de um ex-primeiro ministro para interrogatório com aplicação posterior da medida de prisão preventiva.
Num país habituado a falar “entre dentes” da corrupção a nível político/partidário, num país onde as pessoas – regra geral - se acovardam ao situacionismo e ao politicamente correcto, este tipo de situações chocam e agitam. Como tal, já fomos confrontados com um conjunto de reacções que não deixam de ser interessantes.
Um ex-presidente da República utilizou o seu espaço de opinião num jornal lisboeta de grande tiragem, para criticar o “anormal aparato fortemente lesivo do segredo de justiça”. E após ter conseguido visitar o novo ilustre presidiário, em dia que não previa a realização de visitas (até na prisão os políticos são tratados de forma diferente dos outros), este ex-presidente da República não se coibiu de criticar a “infame” campanha contra o ex-primeiro ministro, apontando o dedo à comunicação social e a “quem está por trás dela”.
Também tivemos a reacção do chefe do governo da Cuba portuguesa que num jornal local que sobrevive em boa parte, dos subsídios do seu governo, censurou o “mediatismo” da detenção.
A esta “procissão” que defende a “moral e os bons costumes” mas só para uns quantos privilegiados, não faltou o próprio MP que decidiu instaurar um inquérito a fuga de informação. Não sabemos a qual, pois pelos vistos, para além do CM e outros órgãos de comunicação social, até o próprio detido pelos vistos sabia que ia ser detido, de acordo com notícia da TSF de hoje.
Poderia também dar como exemplo a falência do BES e a cuidada negociação do principal acusado e herdeiro do fundador do Banco, que trocou a sua colaboração no processo pela prisão domiciliária. Estamos a falar apenas e só de um homem a quem acusam de ter falido o maior banco privado português, que acusam de ter desviado biliões de euros para off-shores e empresas de pessoas amigas, pondo em causa os interesses dos coitados dos depositantes que acreditam no sistema e não conhecem ninguém ilustre da política.
Naturalmente que todo este aparato reactivo ilustre mexe com a minha consciência benfiquista uma vez que infelizmente passamos por algo de semelhante com o ex-presidente, Dr.º João Vale e Azevedo, detido durante um almoço (em hora “prime-time” dos noticiários, que coincidência), em local público e curiosamente, com a presença de várias televisões!
Ora, não me recordo que o tal ex-presidente da República, o tal líder do governo da Cuba portuguesa, e porque não o Bastonário da Ordem dos Advogados, o ex- ministro da Cultura que ninguém queria no circulo eleitoral do Porto, e teve de vir “roubar” um lugar a um transmontano, tivessem pedido contenção à comunicação social e “a quem está por trás dela”! Ou que tivessem insistido na existência de uma “campanha infame” contra o homem que teve o desplante de atacar o “polvo” dos direitos televisivos”! Ou que tivessem questionado a violação do Segredo de Justiça!
Nada disso. A ideia que passou na altura é que tudo isso estava muito bem e até se podia enquadrar na ideia de “serviço público”. Que o interesse da notícia justificava uns “pequenos” atropelos aos direitos e garantias que o cidadão João Vale e Azevedo tinha, como têm qualquer um, de acordo com a Constituição da República. Que o Benfica era uma instituição demasiado importante para que não se soubesse toda a verdade, etc, etc.
Nessa altura tivemos televisões que filmavam os agentes da GNR que montavam vigilância à casa de JVA, enquanto os jornais especulavam sobre os custos que isso implicava para o orçamento geral do Estado. Tivemos “criteriosas” fugas de informação sobre a forma como JVA teria gasto o dinheiro que tinha tirado ao Clube (roupas da esposa e negócios familiares, entre outros), outras sobre a forma como JVA utilizava empresas em off-shores para que ninguém seguisse o rasto do dinheiro, etc, etc.
A preocupação de julgar JVA antes do Tribunal o fazer, foi tanta, que tivemos a RTP a colaborar com um debate entre um ex apoiante de JVA (o “nabo” António Sala) e um conjunto de pessoas que já tinham litigado contra ele (Proença de Carvalho, hoje CEO da NOS) no dia anterior ao inicio do julgamento do caso Ovtchinikov!
Nessa altura não havia uma infame campanha contra JVA, nem um mediatismo exagerado do assunto...
A detenção do ex-primeiro ministro e a falência do BES, e os diferentes tipos de reacções públicas, apenas vieram comprovar que existiu uma campanha concertada entre quem está por de trás da comunicação social e os poderes judiciais (PJ, MP e alguns Juízes) para destruir não só o cidadão João Vale e Azevedo, mas com a sua destruição proporcionar as condições objectivas para entregar o Clube e seus negócios, a uma cambada com ligações aos que estão por trás da comunicação social!

21 novembro 2014

(futebol) Miopia intelectual

Portugal 21 de Novembro de 2014

A última jornada já ficou lá atrás, mas os ecos dos erros de arbitragem andaram vários dias por aí, estampados nas páginas dos jornais ou declamados nos programas de rádio e televisão. Nada que não estejamos habituados, em particular quando ganhamos avanço pontual à concorrência de FCP e SCP, mas a que não temos de nos resignar. Ser “grande” implica saber distinguir o descartável, do essencial, e saber como reagir quando alguém tenta alterar e inverter estes conceitos, tornando essencial o que é descartável, e descartável o que é essencial.
De acordo com as imagens mais vistas e os destaques mais assinalados, no jogo Nacional – Benfica, aos 70 mn, existiu um fora de jogo mal assinalado ao ataque do Nacional, que tinha grandes probabilidades de dar golo. E como o Benfica venceu 2-1, está bom de ver que a sugestão não inocente, aponta para um benefício pontual do Benfica.
No jogo SCP - Paços, pelos mesmos critérios mediáticos, aos 86 mn vimos um golo mal invalidado ao ataque do SCP que poderia dar o 2-1 e mais 3 pontos, em vez dos 2 pontos perdidos (que se somam aos 3 pontos ganhos pelo Benfica).
No jogo Estoril – FCP, não sei bem o que reclamaram os portistas e seus apaniguados da comunicação social, pois o que se soube foi que pressionaram o jogador que o FCP emprestou ao Estoril que converteu o penalty (bem assinalado), como se soube também que o seu treinador fez afirmações sobre os erros dos árbitros, supostas grandes penalidades, e supostos erros atrasados de arbitragem que beneficiaram os concorrentes.
O treinador do FCP não falou do lance em que Couceiro reclamou da grande penalidade não assinalada a favor do Estoril, como não reclamou de várias outras situações que têm beneficiado o FCP, seja no critério disciplinar, seja no critério técnico, como os foras de jogo e os vários lances de grande penalidade não assinaladas contra a sua equipa, em número razoavelmente superior, aos que terão ficado por assinalar a seu favor.
Miopia intelectual?
Quem também sofre deste tipo de miopia são os editores de programas desportivos das várias televisões, uma vez que fizeram “desaparecer” o lance em que Adrien Silva fez grande penalidade a favor do Paços, com 0-0, e centraram as atenções na repetição exaustiva do lance do golo mal invalidado ao SCP.
Idem, idem, os que privilegiaram a repetição do erro que beneficiou o Benfica no jogo com o Nacional, mas não destacaram um fora de jogo de quase 2 metros que passou “despercebido” na 1ª parte, a favor do Nacional, e que podia ter dado um golo “legal” como tantos outros que temos encaixado ao longo dos anos.
Passaram-se já alguns dias, a Selecção venceu a “poderosa” Arménia com um golo de CR7 e as primeiras páginas dos jornais transformaram este “feito” em mais uma das suas proezas. Dias depois vencemos a vice campeã mundial Argentina, com um golo de um rapaz que poucos tinham ouvido falar, e que tem o azar de não se chamar Cristiano Ronaldo. Como tal não houve “proeza” houve sim um “mágico” e um “miúdo”. Mesmo que o “mágico” tenha sido o mesmo que participou no golo contra a Arménia... Miopia de quem decide o que vai e não vai, para a primeira página do jornal....
Para terminar, tivemos uma querela com o Bayern de Munique a propósito do clube que tem maior número de sócios do mundo. A uma alfinetada dos alemães, respondemos de forma contundente, com múltiplas declarações (afinal a Direcção que não existiu após Braga, afinal existe) e um vídeo com várias alfinetadas, uma por cada jogador que foi obrigado a prestar-se ao “papel”. O Benfica tem o maior número de sócios fruto do amor e dedicação que os seus simpatizantes nutrem pelo clube, mas também de campanhas promocionais que praticamente oferecem a condição de associado. A diferença para o Bayern em número de sócios, ainda assim é de poucos milhares e em breve poderemos ser ultrapassados. No último ano, o Bayern vendeu 1 milhão de camisolas. E o Benfica? Não percebemos ou na Direcção do Benfica também há quem sofra de miopia intelectual?

07 novembro 2014

(futebol) Benfica 1 - Champions 2



Portugal 7 de Novembro de 2014

Finalmente ganhamos o primeiro jogo na Champions, e nem o facto de ter sido na jornada 4 impede de pensar que ainda é possível o apuramento para os oitavos de final.
A vitória sobre o Mónaco foi difícil, e mais uma vez se notou a grande diferença que é jogar contra equipas do nosso campeonato, ou jogar contra equipas de outros campeonatos, apetrechadas de unidades individuais de elevada qualidade e como tal, de grande procura, e como tal de maiores orçamentos!
Há gente que, com alguma indolência intelectual, costuma dizer que os “orçamentos não ganham jogos”, o que em parte é verdade. Mas os orçamentos permitem contratar os jogadores de qualidade que permitem ganhar os jogos. E vai dar ao mesmo: os orçamentos ajudam a ganhar jogos!
E neste aspecto não é demais lembrar, que o Benfica partiu para este grupo com o orçamento mais baixo das 4 equipas do grupo, apesar de sermos a equipa com melhor coeficiente desportivo.
Também não é demais lembrar que este Mónaco não tinha sofrido golos nos 3 jogos anteriores da Liga dos Campeões, que não perdia há 6 jogos consecutivos, e fora de casa há 3. Se somarmos a isto, o facto do empate ser muito importante para o Mónaco e praticamente afastava o Benfica (já sabia da derrota do Zénit) então temos de considerar que o Benfica fez algo de muito, mas mesmo muito importante nesta edição da Champions.
Claro que a comunicação social que colocou pressão em cima de Jesus (eram dele as fotos nas 1ªs páginas dos jornais) nos dias anteriores, quiçá porque fizeram o mesmo raciocínio que fiz em cima e porque apostavam num mau resultado, em particular porque no Mónaco jogam mais portugueses do que no Benfica, (e mais esse talento de nível estratosférico chamado Bernardo Silva), é a mesma comunicação social que no dia seguinte dá destaque ao Talisca, e nos dias seguintes ao SCP e ao seu fantástico 3º golo.
Sem dúvida que uma jogada que envolve 31 passes e termina em golo é uma boa jogada. Mas se o Benfica quisesse fazer isso em Braga, seguramente algum dos nossos jogadores ia levar uma paulada, e o árbitro ou não ia ver e a bola ficava na posse do Braga, ou marcava falta mas esquecia o cartão, ou havendo lugar a cartão mostraria o mais suave se fosse justificado o mais grave. Ou seja, contrariando um principio muito defendido por supostos entendidos em matéria de futebol, seja o Gaspar Ramos sejam alguns bloguistas, de que para marcar golos basta os jogadores jogarem bem, isto de marcar bons golos também ter a ver com boas arbitragens, coisa que por cá é o que sabemos com a complacência cúmplice da Direcção do Sr.º Vieira. E porque não dizê-lo, com a cumplicidade critica dos apoiantes notáveis do Benfica, os que têm direito de antena nos “media” com expressão nacional, que optam regra geral, por fazer o jogo do inimigo, criticando as opções do nosso treinador ou o desempenho de um ou outro jogador, e não a “marosca” das arbitragens indecentes, como a que se viu em Braga.
Esta vitória era um resultado que podendo acontecer (antes do jogo há sempre 3 resultados possíveis), não pode surpreender ninguém, e com estes 3 pontos continuamos na corrida. Se a corrida é mais fácil a partir daqui? Claro que não. Mas será uma corrida efectuada com níveis de confiança superiores. É preciso não esquecer que o Benfica fez a “pré temporada” em plena competição, já que no defeso, mais de metades dos jogadores da actual equipa, não alinharam em qualquer jogo, e outros como os que vieram do Mundial, apenas o fizeram na parte final da pré-temporada e numa ou duas ocasiões.

Mas isto remetia-me mais uma vez, para a crítica à gestão à moda de Alverca que se instalou no nosso clube. E se Jesus, com aquele misto de ingenuidade e espontaneidade dizia, quando instado a comentar a saída de mais um jogador da equipa, que “ não joga o Matic joga o Manuel”, o Sr.º Vieira é capaz de pensar o mesmo, se instado a comentar as criticas à sua gestão: “não ligo aos críticos porque tenho o Manuel”.
Voltando à Champions, convenhamos que o jogo na Rússia será muito difícil, contra uma equipa recheada de excelentes jogadores como Witsel, Javi Garcia e Garay. Uma derrota afasta-nos dos oitavos de final, pelo que o empate não será mau resultado, em particular se o Leverkusen vencer o Mónaco para selar o seu apuramento. Como estou convicto que irá acontecer. Na última jornada o Zenit não vencerá no Mónaco e nós teremos de ganhar ao Leverkusen para merecermos a passagem.

03 novembro 2014

Descubra as diferenças

Post de Carlos César de 28 de outubro.

 



Artigo de opinião de Berto Messias, publicado no AO a 3 de Novembro.


31 outubro 2014

(futebol) "O águia do graveto"



Portugal 31 de Outubro de 2014

Confesso que ainda sinto uma enorme raiva e frustração pela falta de reacção da Direcção do Benfica, após mais um escândalo em Braga que culminou na primeira derrota e perda de 3 preciosos pontos na luta pela vitória no campeonato. Lembrei-me que tem sido sempre assim, quando somos enxovalhados. Foi no Bessa na época 2001/2002 quando Simão e Mantorras foram “atropelados” dentro da área sem que Proença marcasse os correspondentes penaltys. Foi assim quando Lucílio Batista roubou o Benfica de Jesualdo na Póvoa de Varzim na época 2002/03. Foi assim quando fomos gamados pelo Carlos Xistra em Guimarães na época 2008/09. Ou quando fomos gamados pelo Olegário na mesma Póvoa de Varzim na época 2006/07 num jogo da Taça. Foi assim quando fomos gamados no Bessa, perdemos 3-0 e acabamos com 8 jogadores, na época 2006/07. Foi assim quando este Marco Ferreira nos roubou na Luz com a Académica na época 2008/09. Quando o Jorge Sousa nos roubou na final da Taça com o Guimarães na época 2012/13. Quando o mesmo Jorge Sousa nos roubou em Braga na época 2009/10, o Xistra na época 2010/11 e o Proença na época 2011/12. Foi assim quando o Pedro Henriques nos roubou 1 golo limpo ao mn 94 com o Nacional, na época 2008/09, sem que os jornais lisboetas pusessem a palavra “ROUBO” na 1ª página, Foi assim quando somos agredidos, apedrejados, gozados no Porto e em Braga em particular. No Futsal, no Hóquei, etc.
Mais uma vez a semana passou e tal como previ há 3 dias atrás, do PresiMente nem sinal de vida. Não há uma Casa do Benfica para inaugurar, um livro para promover, uma visita guiada ao estádio da Luz de uma qualquer ilustre comitiva, um apartamento para entregar aos desalojados das enxurradas da Madeira, enfim, na derrota o Sr.º Vieira está sempre ausente e longe das objectivas das máquinas de fotografar ou das câmaras de televisão, como tem sido habitual nestes longuíssimos 14 anos da sua gestão/presiMência à frente do honrado e glorioso Sport Lisboa e Benfica.
Dei então por mim a pensar no link que me enviaram algures entre Março e Abril de 2013, quando todos pensavam que iríamos ser campeões, dada a excelência do futebol que praticávamos. E onde acabamos por não ser por 1 ponto e muita polémica de arbitragem que começou logo na 1ª jornada num Benfica 2 – Braga 2, arbitrado por Soares Dias.
Ora esse link reportava para uma notícia do Diário de Notícias, que por sua vez recordava uma entrevista que o Sr.º Pinto da Costa, o antigo ídolo de Vieira, que em 1 de Abril de 2010 tinha dado à RTP, semanas antes da conquista do brilhante título da época 2009/2010.
Na altura achei de mau gosto a circulação do link, e disso dei conta a quem mo enviou, não só porque dava protagonismo a Pinto da Costa, um presidente derrotado, mas também porque pretendia “emporcalhar” a brilhante vitória do Benfica, contra tudo e todos, como bem sabemos. Aind apor cima, a entrevista tinha sido dada no dia das mentiras. E como tal, arquivei numa pasta qualquer.
Passados uns meses, tive curiosidade em saber que livro era esse do “Águia do Graveto” a que o Sr.º Pinto da Costa se tinha referido (tal como Eugénio Queirós no jornal RECORD, como vim depois a constatar). Coloquei esse título no “google”, fiz uma busca e fiquei siderado com a quantidade de referências que existem desse livro que não terá sido publicado por decisão do Tribunal. Passo alguns excertos.
Narração da personagem “Ondina”, secretária de uma empresa concorrente de pneus, sobre o “Sr. Ferreira”:
"Chegava ao ponto de me detalhar as batotices com que fustigava os clientes, uma das quais me provocou um ataque de riso: as dúzias de dez unidades! Garantia que eram raros os casos em que não resultava."
"Mesmo aqueles clientes que se arrogavam que o senhor Ferreira não tinha capacidade para os enganar foram comidos com facturas em duplicado. Todos os meses se aprontava uma lista de alvos e resultava em mais de 50% dos casos. E muitos receberam produto inferior aquele que lhes mencionavam na factura. Mas não só, também havia casos com a colaboração dos fiéis de armazém e chefes de compras, em que a mercadoria entrava e, em contrapartida, era devolvida outra equivalente à que fora descarregada e o resultado distribuído a meias. Chamava a isto martelar os clientes. Nem a seguradora escapava, com roubos importantes ao armazém, executados pelo segurado, com a conivência do director do multi-risco."
"Por isso é que o Sr. Ferreira reivindicava, com desfaçatez e tola vaidade: "Tenho tudo minado!" (...) Não se importava de baixar preços a um nível ruinoso para obter mais vendas, acreditando que os clientes , ao não sonharem com as manhas do seu funcionamento, lhe permitiriam converter margens negativas em positivas. A rentabilidade é máxima, quando todos pensam que é mínima!"
"Problemas? Acho que não. O chefe de repartição de finanças almoça com o senhor Ferreira e leva o que precisa sem factura. Mas não só, a contabilidade para as finanças é coligida por um funcionário das finanças. É o dois em um, está sempre tudo bem!"
Narração do personagem “Dr. Alfredo” ex-sócio do “Sr. Ferreira”, após descobrir ter sido alvo de concorrência desleal com origem em espionagem comercial.
"Antes colocou em risco a nossa coesão empresarial; agora repete o gesto e faz o mesmo à nossa relação pessoal. O gene da trafulhice está-lhe na massa do sangue, é da sua natureza! A política do vale tudo, do não olhar a meios para atingir os fins é, e há-de continuar a ser, uma constante neste pulha. (...) Tenho constatado que o Kadhafi nos persegue de todas as maneiras possíveis (...)"
Nas afinal, o que é que o livro em que o “Sr.º Ferreira” é o personagem principal, conhecedor de uma infindável panóplia de truques “comerciais” para vigarizar a concorrência e obter proveitos próprios, tem a ver com o Sr.º Luís Filipe Ferreira Vieira? Não sei.. deixo ao critério da imaginação de cada um...

28 outubro 2014

(futebol) Bombos da festa...



Portugal 28 de Outubro de 2014

Mais uma vez o Benfica foi o bombo da festa em Braga, cidade onde nos últimos anos têm sido frequentes episódios rocambolescos e autênticos “roubos de igreja”, que a Direcção do Sr.º Vieira vai consentindo, com silêncios cúmplices. Desde a confusão no túnel que valeu um castigo a Cardozo, que nas imagens televisivas não se viu fazer o que quer que fosse, até à falta de Luz que só aconteceu dentro das instalações do estádio, sem que o clube/SAD do Braga fossem penalizados, ao jogo que perdemos com influência do árbitro Carlos Xistra impedindo-nos de obter a 19ª vitória consecutiva em todas as provas, até ao jogo deste fim de semana onde mais uma vez um árbitro, Marco Ferreira desta vez, nos derrotou de forma escandalosa e uma vez mais contando com a cumplicidade do Sr.º Vieira, o maior PresiMente do Benfica.
Seria imbecil da minha parte não relacionar as graves distorções às leis de jogo por parte do árbitro, com os níveis de confiança das duas equipas durante o evoluir do jogo. Começou bem o Benfica, começou mal o Braga. Com o decorrer do tempo e perante as sucessivas agressões ou faltas anti-desportivas não sancionadas, os jogadores do Braga cresceram e os do Benfica encolheram. Isto é básico. É uma lei do futebol: a confiança ganha jogos e os árbitros podem ajudar a aumentar os níveis de confiança, bastando deixar fazer quase tudo a uns, e quase nada a outros.
Este tipo de arbitragem é recorrente contra o Benfica e já tinha sido vista, por exemplo, no Guimarães - Benfica com Quique Flores, onde o “habituée” Carlos Xistra permitiu um pontapé na cara de Suazo, sem punição (nem falta marcou), permitiu jogo violento aos da casa e nada ao Benfica, com o cúmulo de ter expulso Reyes por 2 faltas em dois minutos, sendo que nenhuma delas era passível de penalização disciplinar. Aos de Guimarães, nem os desarmes em “carrinho” eram penalizados, nem um penalty quando Aimar foi ceifado na grande área. Nessa altura ganhamos 2-1, mas tínhamos o Cardozo e agora temos o Lima, que tipos muito inteligentes na área de futebol, como o “Shadows” e o “Geração”, do blogue NovaGeraçaoBenfica, sempre defenderam em oposição às criticas que faziam sobre a lentidão de Cardozo e ao fim de ciclo após o jogo da Final da Taça de Portugal.
O Benfica tem de lidar com muitos adversários como sejam os árbitros e os cromos que tem entre os seus adeptos. Adiante.
Marco Ferreira, que só engana os ingénuos e muito distraídos, esteve ao nível do Benfica 0 – Académica 1, também com Quique Flores. Nessa altura, aos 10 mn assinalou 1 fora de jogo sobre Aimar que estava em posição legal de cerca de 2 metros! Era o “sinal” para os jogadores da Académica ficarem tranquilos porque ele e os assistentes, estavam ali para dar uma “ajudinha”. Mais tarde e já com 0-1, anulou um golo limpo a Aimar, considerando ter havido carga de Nuno Gomes sobre o guarda-redes, quando foi este que “aterrou” em cima de Nuno Gomes, fora da pequena área. Depois conseguiu não ver David Luiz ser rasteirado e empurrado dentro da área. Qualquer semelhança com a placagem em Braga sobre Gaitan não é mera coincidência.
Nesse jogo com a Académica, o Benfica deu um banho de bola. Pelas alas, pelo centro, com criatividade, com intensidade, o Benfica fez uma excelente exibição. Ninguém pôde dizer que o árbitro errou mas o Benfica também não fez por jogar mais! Não! O Benfica, apesar de ter feito um excelente jogo, perdeu única e exclusivamente por erros do árbitro.
Reacção da Direcção do charlatão que não consegue provar quando é que recebeu o emblema de prata pelos 25 anos de sócio do Benfica? Não houve nessa altura, há quase 7 anos, como não haverá agora. O charlatão não está aqui para defender o Benfica, os seus atletas, os seus adeptos, mas sim para promover uma estratégia que não é dele, mas que ele beneficia, com os negócios que faz com empresários através de off-shores.
Uma vez mais fomos enxovalhados, agredidos, impedidos de jogar e quase “enrabados” como o pobre do Gaitán. Do charlatão PresiMente nem sinal de vida! Da Direcção ninguém fala, nem Rui Costa, nem Soares Oliveira, administradores (bem) remunerados da SAD. Esta é a fotografia do tal Benfica que tem um projecto e um rumo, como não se cansa de repetir a cassete do PresiMente. O silêncio directivo após as várias faltas de respeito demonstradas quer pela equipa do Braga quer pela equipa de arbitragem, são o bilhete de identidade actual deste clube a quem todos xingam e agridem. Até no Hóquei somos agredidos porque ninguém respeita esta “tralha” que se locupletou, por via democrática, do poder no Benfica e que mais não faz do que parasitar os nossos interesses, grandiosidade e volume de negócios gerado.

24 outubro 2014

(futebol) Primeiro ponto...



Portugal 24 de Outubro de 2014

Finalmente conseguimos o primeiro ponto nesta fase de grupos da Champions, e se é correcto pensar que se trata de um resultado positivo, nada vou mudar da minha linha de raciocínio acerca das possibilidades de êxito nesta prova, sobre a qual já escrevi nos textos Champions 1 – Benfica 0 e Champions 2 – Benfica 0.
Tratou-se de um resultado positivo por 4 boas razões: porque foi alcançado em casa de um rival directo, de um rival com orçamento superior, um rival que perdeu 2 pontos, um rival que havia ganho ao Bayer Leverkusen.
Não esquecer o contexto do grupo em que se insere o Benfica, pois – pela primeira vez na Champions – há uma nítida inversão do factor desportivo vs factor económico, e a equipa que saiu do pote 1 no mérito desportivo, sairia do pote 4 no orçamento por equipas. Este facto altera uma série de premissas competitivas e conduz a conclusões pouco previsíveis. Daí que não ser líquido concluir que estamos mais afastados, nem ser líquido concluir que temos agora mais possibilidades de ser apurados.
Claro que para a comunicação social lisboeta, as coisas são diferentes e, segundo a BOLA, o Benfica apresenta pouca vontade na Champions (o SCP com 1 ponto apresenta mais?) ou, RECORD, estamos no vermelho, numa alusão às maiores dificuldades que temos para conseguir o apuramento. O que é curioso é que ambos os jornais de Lisboa “perdem-se” em comentários (?!) de 1ª página junto ao título principal com letras garrafais! A necessidade de passarem mensagens direccionadas é tal, que salpicam a 1ª página com palavreado.
E se compararmos os critérios desses jornais lisboetas, nos jogos que envolvem Benfica e SCP, tiramos conclusões interessantes que confirmam a existência de um critério redactorial pró Sporting. Como tenho referido em muitos textos escritos aqui pelos blogues.
Para o Benfica essas “cagalhetas” de 1ª página enfatizam a fragilidade da equipa por causa do vermelho de Lisandro quando o Benfica mais precisava de atacar (“ah malandro do Lisandro”) no RECORD.  Já a BOLA, o tal PRAVDA segundo Pinto da Costa, sugere haver desinteresse do Benfica na Champions (?!), enfatiza a expulsão de Lisandro (e vão dois jornais contra o Lisandro) e as contas muito complicadas do Benfica.
Ora no caso do SCP o mesmo RECORD enfatiza o “ROUBO” e não tem problemas em colocar a foto do árbitro de baliza que assinalou o penalty da polémica, que sublinham ter sido inexistente, salientam a expulsão do Maurício aos 33 mn (num enquadramento mediático de erros de arbitragem contra o SCP) mais a indignação de treinador e jogadores no relvado. A BOLA enfatiza “ROUBADO” enaltecendo a recuperação do SCP travada por um penalty fantasma.
No caso do SCP, os destaques negativos dos jornais lisboetas foram para factores externos à equipa (erros de arbitragem), no caso do Benfica os destaques foram para factores internos (falta de vontade, fragilidade da equipa por causa da expulsão de Lisandro). Em matéria de destaques positivos, só o SCP tem direito a algumas referências. O Benfica zero.
Tudo isto poderia ser considerado uma ficção de mau gosto da minha parte, se não tivéssemos a derrota do Benfica na final da Liga Europa, como referência. Como é que estes jornais lisboetas trataram esse jogo, onde ficaram 2 penaltys evidentes e outro menos evidente, por assinalar a favor do Benfica? Onde foi evidente a ilegalidade das defesas do português Beto, no desempate por marcação de penaltys, que deu o título ao Sevilha? Ainda se lembram? Eu recordo:
O jornal A BOLA enfatizava “HERÓI DE TURIM” com a foto do Beto em 1º plano, mais a “cagalheta” a referir que “a desilusão do Benfica tem um nome: Beto” (ah, pensei que também era o árbitro). Já o RECORD enfatizou a “MALDIÇÃO” (cheguei a pensar que tinha sido um ROUBO) e Benfica perde oitava final europeia consecutiva. Deram uma “cagalheta” ao Beto que ficou “invicto nos penaltys” (apesar de ter sofrido 2 golos) e às suas palavras “foi especial por ter sido contra o Benfica”.
Ou seja, o Benfica foi roubado de forma escandalosa, numa Final europeia, mas a “nossa” comunicação social (em particular a tal que dizem ser “vermelha”) branqueou e ainda humilhou o clube, equipa e jogadores. O SCP sofreu (mais) um frango do Patrício, mas os erros foram do árbitro que por sinal, marcou 1 penalty a favor do SCP.
Termino recordando o seguinte, que também passou despercebido a esta comunicação social lisboeta e sportinguista. No jogo com o Zenit, tivemos um jogador expulso e houve 1 penalty claro por assinalar a nosso favor, com 0-2, quando dominávamos o jogo e podíamos recuperar no marcador. Contra o Leverkusen a reacção do Benfica, após o 2-1, foi travada por 1 penalty fantasma, seguido de 1 penalty não assinalado a nosso favor sobre Luisão. Contra o Mónaco acabamos com 10 jogadores. Erros a favor do Benfica? Zero. Penaltys assinalados a favor do Benfica? Zero. Primeiras páginas dos desportivos lisboetas referindo os erros de arbitragem que penalizaram o Benfica? Zero.
Um “zero” igual ao respeito que têm pelo nosso clube, equipa e massa adepta.

22 outubro 2014

O Revisionismo em Truman

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O revisionismo histórico é assustador. Por razões óbvias, factos ou personagens históricos relevantes positivos ou negativos poderão ficar para sempre esquecidos em páginas que foram deliberadamente apagadas ou escondidas até à “verdade conveniente” ter ficado devidamente cimentada, ao ponto de que se essas páginas viessem posteriormente a público seriam rapidamente descartadas e rotuladas como imbecilidades, senão mesmo de insultos à “verdade”.

A detonação das bombas atómicas no Japão no final da II Guerra Mundial poderá estar condenado ao revisionismo, dada a magnitude do acto em si e das consequências que teve. E Harry Truman também parece, neste momento da História, erradamente, a meu ver, como um dos grandes presidentes dos EUA (como demonstram, aliás, muitas sondagens).

No entanto, e não querendo me colocar numa posição de historiador, para a qual seria exigido um trabalho de pesquisa muito mais minucioso do que este, existem factos que importam relevar sobre este assunto.

Desde logo, dizer que foi a única vez que se utilizou poder atómico, apesar das inúmeras guerras, conflitos e ameaças de uso que ocorreram depois. Dizer, também, que não foram as bombas que fizeram o Império Japonês capitular em 1945. O argumento utlizado foi que iriam ser sacrificados muitos soldados aliados numa invasão ao Japão, caso as bombas não tivessem sido detonadas. O argumento é risível quando se constata que, ao longo dos anos, o número de potenciais baixas que Truman apresentava para justificar as bombas, foi mudando consoante ele achava por bem. O Japão estava pronto a render-se, porque estava já completamente destruído depois de uma insana operação americana de bombear as principais cidades japonesas, com armamento convencional, e porque nesta altura (agosto de 45) o exército soviético já tinha sido praticamente todo mobilizado da frente europeia para a Manchúria.

As bombas não foram usadas com fins puramente militares, como aliás confirmaram posteriormente pessoas insuspeitas como o General MacArthur ou Nimitz e tantos outras altas patentes do exército americano. Foram usadas sim a para marcar a posição de superioridade norte-americana no mundo pós II Guerra Mundial e para intimidar aquele que viria a ser o principal inimigo nos 50 anos seguintes, a URSS. O facto é que as bombas atómicas foram detonadas em Hiroxima e Nagasaki, com centenas de milhar de vitimas civis, naquilo que eu, pessoalmente, considero como um dos piores crimes de guerra não sancionados jamais cometidos.

O legado de Truman prosseguiu com a criação do Estado de Israel. Fez uma grande campanha junto da ONU e dos países europeus, que estavam completamente destruídos e dependentes da ajuda (visionária, diga-se, do plano do General Marshall) para aprovar o novo Estado judaico, apesar de todos os países vizinhos a Israel terem rejeitado a ideia. Não me merece tecer comentários aqui sobre a justeza dessa decisão. No entanto, a verdade é que criou uma animosidade que dura até aos dias de hoje. E a conquista de terras por parte de Israel nos anos seguintes foi apoiada pela presidência da Truman, mas contra muitas resoluções da ONU.

Truman criou a CIA, que viria a envolver-se directamente nos assuntos internos de muitos países, organizando golpes de estado, armando grupos, alimentando guerras civis ou patrocinando tiranos. O caso mais importante terá sido no Irão, com a CIA a apoiar o grupo que viria a depor Mosadegh e instalar o Xá que teria um mandato de terror que durou décadas, acabando por dar lugar ao extremismo do Ayatollah Khomeny e acentuando, ainda mais, o sentimento anti-ocidente entre os países árabes.

Foi com Truman que a Guerra Fria se instalou definitivamente. A paranoia anti soviética que se instalou nos EUA naqueles anos ficou personificada no Secretário de Estado da Defesa, James Forrestal, que acabou a vida atirando-se da janela do seu quarto na divisão psiquiátrica do Hospital de Bethesda, pensando que os russos o estavam a vigiar. Na verdade, essa paranoia comandou a política externa norte-americana, não só durante esse período, mas durante muitos mais anos, chegando aos dias de hoje, mas com inimigos diferentes. A ideia era parar os intentos expansionistas soviéticos no mundo e ficou conhecido como a Doutrina Truman e que era definida como a vontade dos EUA protegerem a “liberdade” de países terceiros e não caírem na tirania e opressão soviética. No entanto, o que acabou por acontecer foi a já referida acção da CIA nos assuntos internos de muitos países, que na maior parte das vezes não tinham qualquer tendência comunista. Para agravar a situação, a URSS acabou por ter o poder nuclear em ’49, o que levou a uma corrida desmedida ao armamento, com Truman a testar a bomba de hidrogénio, como resposta em ’53.

Seguindo essa mesma doutrina, Truman envolveu os EUA na Guerra da Coreia, que, depois de muitas dezenas de milhar de soldados mortos, acabou com as posições basicamente onde tinham começado, ou seja o famoso paralelo, e com a situação que se arrasta até aos dias de hoje.

Os registos, os diários, as autobiografias das pessoas que lidaram de perto com Truman, deixam pensar que se tratava de um homem, não diria fraco, mas que certamente não estava talhado para ser Presidente. Antes de entrar para a política, Truman tinha deixado um rasto de negócios falhados, como a gravataria da foto. Aliás, há a história da famosa máquina política de um homem chamado Pendergast que se gabava dizendo que tinha colocado Truman no Senado para provar que conseguira eleger um “office boy”. À parte disso, a verdade é que tal como muito depois dele, Truman foi um Presidente altamente influenciável e que, aliás, se viria a mostrar arrependido (ou pelo menos deu ideia disso) sobre várias decisões que tomou.

Por fim, importa aqui realçar outro aspecto fundamental, é que se estes factos sobre Truman podem ser verificados, com maior ou menor facilidade, a verdade é que se quisermos fazer um exercício semelhante com uma personagem histórica do lado soviético, por exemplo, iremos encontrar, ainda, enormes entraves, dado o secretismo e opressão que sempre imperou na URSS. Não me custaria nada a acreditar que, caso Estaline tivesse tido acesso ao poder nuclear antes dos EUA, também o teria usado para marcar posição e, certamente, o teria feito com maior dimensão, talvez mesmo na Europa. E na verdade, apesar de tudo o que foi dito, os soviéticos tinham de facto uma agenda expansionista e que se traduzia nas máximas de Lenine de assassinar, através do uso do terror, todos que se opusessem ao comunismo. E o Estaline, como se sabe, levou essas máximas ao rigor, acrescentando-lhes o seu próprio toque de sociopata que era. Portanto, o receio que os norte-americanos tinham dos soviéticos e que se traduziu, como se viu, em investidas em muitos países terceiros, tinha razão de ser. Além do mais, os próprios soviéticos tinham a mesma prática.

Mas, como disse no começo, o que me motiva para conhecer estes assuntos, é o revisionismo histórico. Estaline foi, de facto, um dos piores criminosos que o mundo conheceu, mas isso está basicamente estabelecido como sendo verdade. Que Truman não tenha sido como Estaline, dou de barato, nunca massacrou a sua própria população, para não irmos mais longe. Mas convém, também, não passar a borracha sobre a História.

14 outubro 2014

VERBA MANENT - XXIX



Recebemos três educações diferentes: a do nossos pais, a dos nossos mestres e a do mundo. O que aprendemos nesta última destrói todas as ideias das duas primeiras.
Charles de Montesquieu

13 outubro 2014

Leituras

Desafiado pela minha filha mais velha, compilei uma lista de uns quantos livros que não farão mal a ninguém se forem lidos, quaisquer que sejam os credos. Na mesma, propositadamente, não foram incluídos os de escritores em língua portuguesa nem os de carácter académico ou estritamente político, bem como biografias ou os (sempre actuais) clássicos. A lista, sem qualquer ordem de preferência na sua ordenação e perfeitamente subjectiva, como o é sempre nestes casos, abrange apenas os últimos 200 anos, para não ser fastidiosa.

O vermelho e o negro – Stendhal
Novelas do defunto Ivan Petrovitch Belkin – Aleksandr Puchkin
Pais e filhos – Ivan Turgueniev
Madame Bovary - Gustave Flaubert
A Abadia de Northanger – Jane Austen
Ulysses - James Joyce
Guerra e Paz – Lev Tolstoi
A morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstoi
Crime e castigo – Fiodor Dostoievsky
Doutor Fausto – Thomas Mann
Os Buddenbrook – Thomas Mann
O processo - Franz Kafka
Herzog – Saul Bellow
Divórcio em Buda – Sandor Marai
As dez mulheres do industrial Rauno Ramekorpi – Arto Paasilinna
Uma agulha no palheiro – J. D. Sadlinger
O Inverno do nosso descontentamento – John Steinbeck
Pnin - Vladimir Nabokov
A peste – Albert Camus
Uma casa para Mr. Biswas – V. S. Naipaul
A curva do rio – V. S. Naipaul
O animal moribundo – Philip Roth
Murphy – Samuel Beckett
Pantaleão e as Visitadoras – Mário Vargas Llosa
Manhattan Transfer – John dos Passos
Menos que zero - Bret Easton Ellis
Crime no Expresso do Oriente – Agatha Christie
Conselhos à criadagem - Jonathan Swift
O código dos Wooster – P. G. Wodehouse
Corpos vis – Evelyn Waugh
O livro dos Snobs – W. M. Thackeray

08 outubro 2014

Boutades

1 – “Celebrar a República não é apenas celebrar um passado memorável, é construirmos um futuro melhor, mais digno e mais decente para todos os portugueses.

2 - "Demonstrámos em Lisboa ser possível racionalizar a nossa organização administrativa, aproximando o poder das pessoas e dos problemas. Sem aumento de despesa foi possível concretizar um ambicioso programa de descentralização de recursos e competências do município para as freguesias."
António Costa


3 - “Aceito coligações com o PS, o PSD ou o PCP, que são as três principais forças políticas da democracia portuguesa”

4 - “Serei capaz de fazer alianças com o diabo se isso for útil ao povo português. Não há dogmas”
Marinho Pinto

03 outubro 2014

(futebol) Em surdina...



Portugal 3 de Outubro de 2014

O CM lançou hoje a próxima novela em torno do treinador do Benfica, como aliás anda há anos a fazer através de artigos de opinião ou notícias “maquilhadas” e sempre orientadas contra o treinador. Não contra a Direcção e Vieira pois como se sabe, a Cofina tem boas relações com eles e até promoveu Pedro (em) Guerra (com todos), um “talibã” vieirista que já se deu ao desplante de ligar para a BTV com nome camuflado, apenas para tecer loas à gestão do muito ilustre, nas palavras dele, Filipe Vieira. Que já agora, também é quem lhe paga o salário na BTV.
De acordo com a “notícia” do CM, subscrita por António Pereira, que só por mero acaso é adepto do SCP, Jesus está a ser contestado em surdina pela forma como tem abordado a participação do Benfica na Champions. Segundo “testemunhos” que o jornalista do SCP conseguiu obter, em surdina, criticam o facto de manter o modelo de jogo do campeonato nacional na Champions League, sugerem que os jogadores têm uma atitude passiva nos jogos por causa do discurso do treinador, e outros ainda questionam as exibições de Júlio César, Jardel e Cristante embora refiram que eles não são os maiores culpados.
Como alguns sabem e muitos mais continuam a não querer saber, esta malta da comunicação social move-se bem entre as hostes benfiquistas, sabendo quem devem e que não devem contactar, sempre que alguma coisa corre mal. No que diz respeito ao futebol, a perspectiva é sempre empolar o que está mal, para criar a confusão generalizada e impedir que se pense racionalmente na procura das melhores soluções.
No Benfica há quem goste deste estado de coisas. Em particular a Direcção, pois enquanto a comunicação social “bate” no treinador e nos jogadores, não bate nas opções de gestão e de estratégia dessa mesma Direcção. Parece até haver um pacto com a comunicação social: “quanto à equipa de futebol, sirvam-se. Quanto à Direcção alto e pára o baile”.
Voltando ao jogo da Alemanha, é bom recordar que em mais de 50 anos, apenas por 2 vezes ganhamos lá, ambas com Jesus a treinador e Cardozo a marcar golos (Estugarda e Leverkusen). Contra o Bayer também jogaram Garay, Luisão, Urreta, André Gomes, Gaitan, Melgarejo, Matic, Ola Jonh e Artur Moraes. Suplentes utilizados, Enzo Peres, Lima e Sálvio.
Claro que na perspectiva dos que criticam Jesus em surdina, antes do jogo este seria um 11 de “invenções”. Urreta em vez de Sálvio? André Gomes (2 anos mais “puto”) em vez de Enzo Peres? Ah, ganhamos e como tal, Jesus não inventou. Pelo contrário, descobriu os talentos de Urreta e André Gomes. Se não ganhasse, já tinha inventado. O benfiquista da “surdina” é apenas um mau adepto, pouco sabedor das coisas do futebol mas com mania que sabe.
Também é bom lembrar que essa equipa que ganhou lá, tinha saído da Champions e como tal, levava muitos jogos em cima das pernas. Ao contrário da que agora perdeu 3-1, que fez apenas o 9º jogo oficial com metade da equipa sem ter feito a pré-temporada (Luisão, Jardel, Cristante, Samaris e Júlio César), ou terem jogado pouco tempo nesses jogos (Derlei)!
Mas os da surdina, os mesmos que alimentam a critica que nos consome, há anos, acham que nada disto é relevante. E que o ordenado de Jesus é suficiente para transformar Jardel em Garay, Cristante ou Samaris em Matic ou até Fejsa, Talisca em Cardozo. Mas não é! E o stock do “manel” esgotou...
Mas o mais surpreendente dos críticos da surdina, é contestarem Jesus por usar a mesma táctica nas competições nacionais, e nas europeias! Depois de 5 anos à frente do futebol do Benfica, só agora repararam! Mas foi com essa forma de “armar” as equipas que perdemos 4-1 em Liverpool, 2-0 no Shalke04, 3-0 com o Happoel, 2-1 em Moscovo contra o Spartak e na época passada empate 1-1 em casa e derrota 1-0 fora contra o Olimpiakos. Infelizmente nessa altura ninguém reparou, excepto eu e mais uma meia dúzia de adeptos atentos!
Mas não foi por aí que perdemos e que demos uma má imagem do Benfica. Como já tínhamos dado na tal pré-temporada que os avençados da BTV e alguns comentadores “lambe botas” defendem como tendo sido positiva. Perdemos e vamos perder mais vezes, na Champions pelo elevado grau de dificuldade da prova, neste ou noutro grupo, uns mais outros menos, porque na alta competição não há lugar para amadorismos na preparação das equipas, nem lugar para quem acha que num ano pode levar uma equipa, e noutro levar outra que é 50% diferente e mais barata.
Isto é que se devia discutir, não em surdina, mas alto e bom som, para que se pudesse avaliar qual o modelo desportivo e futebolístico do Benfica e porque para além de se vender quase todos os jogadores que são interessantes para o mercado do futebol, ainda se “dão” praticamente dados, sem explicação plausível, jogadores de categoria mundial como Garay, e jogadores importantes na manobra atacante do Benfica, como Cardozo, para apostarmos em César da 2ª divisão brasileira, e Talisca (4 milhões) que não é um jogador posicional como Cardozo (para além de ser jovem e estar em fase de aprendizagem do rigor táctico do futebol europeu).

02 outubro 2014

(futebol) Champions 2 - Benfica 0



Portugal 2 de Outubro de 2014

Há tempos quando escrevi o texto Champions 1- Benfica 0, houve uns poucos leitores que interpretaram mal as minhas ideias e partiram para a critica fácil do bota-abaixo. Sempre que critico o amadorismo ou oportunismo da gestão do Benfica, com particular ênfase ao papel que o Sr.º Vieira está a desempenhar, parece que mexo num saco de vespas, tal a agressividade dos comentários que recebo em troca.
Mas o que escrevi na altura abria as “portas” para explicar não só a derrota com os alemães, mas a má Champions que vamos fazer esta época e que corre o risco de ser mesmo a pior de todas as nossas participações no actual figurino de competição, igualando o último lugar do FCP em 2005/2006, ou o recorde negativo do SCP de ter feito o pior registo de todas as equipas na fase de grupos com apenas 2 pontos, que obviamente também deram o último lugar. Oxalá esteja enganado...
Escrevi então “de acordo com a minha maneira de ver o futebol, há vários factores a considerar que enfraqueceram a equipa. Como sejam o “enésimo” desarranjo do plantel pelas tais necessidades de venda de jogadores e a contratação de alguns jogadores, dos quais só Talisca conseguiu fazer a pré temporada”.
A derrota de ontem, confirma uma vez mais, não pelo resultado mas pela exibição da 1ª parte, que estou muito perto das explicações correctas para os maus resultados. De facto não passa pela cabeça de ninguém, excepto pela dos iluminados dirigentes do Benfica, seus assessores e apoiantes nos blogues, que se aborde uma fase de grupos da Champions, com intuito ganhador, com um 11 base que não fez pré-temporada. Isto é, alguns fizeram, outros não porque ainda não tinham sido contratados, outros também por lesões, e outros por opção técnica.
Em 1º lugar, se repararmos bem, contrastando com os 8 jogos da pré-temporada, Cristante fez ontem o 1º jogo a titular (?!), Samaris tem 4/5 jogos a titular, Luisão e Jardel vão no 9º jogo. Jogadores que ocupam a fundamental posição 6 ou o lugar de defesas centrais, só agora estão a fazer a sua “pré-temporada”. Mas com a competição a sério, cada erro tem implicações graves. E o que se vê na Champions é que isso resultou em duas derrotas, zero pontos, zero euros e auto estima em baixo.
Em 2º lugar, constata-se que a deficiente organização de jogo do Benfica, por mim tantas vezes referida quando digo que temos uma percentagem elevada de primeiros golos de iniciativa individual e não de movimentação colectiva, se deve à falta de Cardozo no ataque e de Garay na defesa, porque ambos (juntamente com Luisão e o 6) definiam um eixo entre a defesa e o ataque, sobre o qual se organizavam os demais jogadores e como tal, todo o jogo do Benfica. Cardozo segurava 2 defesas e com isso impedia que eles subissem no terreno e fossem ajudar o meio campo, pelo que o nosso meio campo com a qualidade que tem, conseguia ser muito mais eficaz a construir processos de jogo e a destruir jogo adversário, do que agora. Garay na defesa tomava decisões mais correctas no que respeita aos passes e à colocação no terreno, do que Jardel que sendo bom no desarme, fica aquém de Garay na forma com pensa o jogo.
Em 3º lugar, constatei uma vez mais que apesar de marcar muitos golos (e que assim continue) Talisca é “menos um” quando não temos a bola. É um jogador que não sabe pressionar o adversário e que não sabe fazer zona para interceptar linhas de passe! Com menos 1 a defender, numa Champions é complicado. Por cá vai disfarçando com os golos que marca. Foi substituído duas vezes na Champions, resultando daí um melhor padrão de jogo da equipa.

Em 4º lugar, a contratação de Júlio César, por verbas não divulgadas e que se adivinham elevadas (rompendo o tecto salarial que tanto se apregoa), vem comprovar o amadorismo e desespero da Direcção de Vieira. Artur Moraes já no Braga era suplente do Felipe, até que mandaram este embora. O promovido Artur Moraes sofreu uma média de golos ligeiramente superior à de Roberto, que foi o 2º melhor guarda-redes esse ano, na Liga. Não se compreende que passasse de suplente de Felipe para titular do Benfica. Mas os iluminados da Direcção do Benfica e seus apoiantes na comunicação social e blogues, viram ali “a resolução do problema da baliza” (palavras do Dr.º Rui Gomes da Silva em conversa telefónica comigo). Contudo, sendo guarda-redes do Benfica devia ser protegido nos maus momentos. Ora acontece que Artur Moraes, neste início de época, fosse pela saída da sombra Oblak ou por outra razão qualquer, estava muito bem. Defendeu os penaltys que nos permitiram ganhar a Supertaça e defendeu 1 penalty com 0-0 no jogo frente ao Paços de Ferreira. Sofreu um golo ao 3º jogo, por erro seu, é certo, mas esteve cerca de 200 mn sem sofrer golos. Como no Benfica a ingratidão anda de braço dado com a burrice, a especulação da comunicação social e dos blogues levou-os a fazer mais uma gentileza aos que atacavam Artur Moraes. Resultado: Júlio César aguentou 17 mn sem sofrer golos na Liga, e ontem, como se viu no 1º golo, defendeu para a frente oferecendo um golo ao adversário.
E ainda faltava falar de arbitragem e dos dois penaltys que tiraram ao Benfica nestes dois jogos, mais 1 penalty assinalado contra que não era. E não estamos a falar de lances difíceis de ver! Mas como Vieira nada diz, passemos adiante. Ora neste cenário que atrás descrevi mais as arbitragens que o Benfica nunca contesta, o que podemos esperar para o próximo jogo? Não me parece difícil adivinhar...

01 outubro 2014

(futebol) O milagre de Nuremberga...



Portugal 1 de Outubro de 2014

Há não muitos anos atrás, época 2007/2008, com Camacho no comando da equipa, o Benfica conseguiu apuramento “in extremis” para a Liga Europa a partir da Champions, através de uma vitória fora, na casa gelada de um Shakhtar Donetsk que tinha investido mais de 40 milhões de euros em contratações, como Brandão, etc., e tinha ambições na Champions. Esse Shakhtar era treinado pelo mesmo Lucescu que ainda hoje é o treinador da equipa.
Claro que se fosse no Benfica, apareceriam – dentro e fora do Benfica - os inteligentes do costume pondo em causa a continuidade do treinador, por causa de um fracasso na Champions, num grupo que considerariam “acessível”. E de facto ao Shakhtar o empate bastava, mas o Benfica de Cardozo (lá estou eu outra vez) e Di Maria, entre muitos outros, conseguiu ganhar 2-1 apesar da neve.
Vem isto a propósito de relembrar esse jogo em Nuremberga, que a comunicação social lisboeta antes do jogo equiparava ao “julgamento de Nuremberga”, como se fosse possível estabelecer qualquer comparação entre os sujeitos que na altura foram julgados, e o Benfica. Mas como bem sabemos, o Benfica é dirigido por gente que não se preocupa com estes “pormaiores”, apenas lhes preocupa o que dizem deles, quando as referências não são positivas.
Ora nesse jogo, as coisas não estavam a correr bem. Com 0-0 ao intervalo e 5 portugueses no onze, sofremos 2 golos no inicio da 2ª parte, um deles numa distracção de Luis Filipe que bem podia ter sido avisado quer pelos outros colegas da defesa quer pelo próprio Quim. A perder 2-0 e tendo ganho na 1ª mão por 1-0, a eliminatória estava perdida. Camacho meteu então Cardozo ao mn 70, por troca com Maxi Pereira e Di Maria ao mn 80 por troca com Nuno Assis. Também Camacho parecia não perceber bem quem tinha na equipa, uma vez que Cardozo foi suplente de Makukula, e Di Maria foi suplente de Katsouranis.
E foram estes dois grandes jogadores que resolveram a eliminatória, com dois golos nos últimos 3 minutos de jogo, colocando o Benfica nos oitavos de final da Liga Europa.
Visão que a comunicação social lisboeta teve no dia seguinte: o milagre de Nuremberga! A vitória foi de tal modo mal digerida, quando seguramente, os títulos já gozavam com a eliminação do Benfica, que foi comparada a um milagre. Porque o Benfica só consegue estes resultados sensacionais, com intervenção “divina” entenda-se...
Ora comparando com o FCP de ontem, em Lviv, ou seja, o jogo foi em campo neutro apesar de se ter disputado na Ucrânia, houve algo de semelhante a esse Benfica de Nuremberga, uma vez que o FCP estava a perder 2-0 aos 85 mn e conseguiu, muito por culpa de 1 penalty oferecido por um defesa, empatar o jogo com ajuda de um jogador que saltou do banco: Jakcson.
Semelhanças do jogo com o do Benfica? Mais que muitas! Critérios da comunicação social? Muito diferentes.
Agora já temos o FCP que “nunca desiste”, o Jakcson que “saltou do banco para resgatar 1 ponto”, um “incrível empate”, etc. Intervenção divina? Milagre? Nada disso: tudo obra e graça do trabalho, do empenho, da qualidade dos jogadores do FCP. Escrever o mesmo do Benfica parece ser proibido, ou ser uma regra que tem de ser respeitada pelos jornalistas.
Obviamente que para a Direcção do Benfica isto é normal, como normal é vermos a disparidade com que estes mesmos critérios, arranjam penaltys em Portugal ao FCP e não arranjam ao Benfica, mesmo que os lances em que o Benfica sai prejudicado sejam mais evidentes. Já para não falar do prejuízo que esta forma de ver o futebol tem na auto estima de adeptos e jogadores do Benfica, e na promoção da auto estima e confiança dos adeptos e jogadores do FCP...