28 outubro 2014

(futebol) Bombos da festa...



Portugal 28 de Outubro de 2014

Mais uma vez o Benfica foi o bombo da festa em Braga, cidade onde nos últimos anos têm sido frequentes episódios rocambolescos e autênticos “roubos de igreja”, que a Direcção do Sr.º Vieira vai consentindo, com silêncios cúmplices. Desde a confusão no túnel que valeu um castigo a Cardozo, que nas imagens televisivas não se viu fazer o que quer que fosse, até à falta de Luz que só aconteceu dentro das instalações do estádio, sem que o clube/SAD do Braga fossem penalizados, ao jogo que perdemos com influência do árbitro Carlos Xistra impedindo-nos de obter a 19ª vitória consecutiva em todas as provas, até ao jogo deste fim de semana onde mais uma vez um árbitro, Marco Ferreira desta vez, nos derrotou de forma escandalosa e uma vez mais contando com a cumplicidade do Sr.º Vieira, o maior PresiMente do Benfica.
Seria imbecil da minha parte não relacionar as graves distorções às leis de jogo por parte do árbitro, com os níveis de confiança das duas equipas durante o evoluir do jogo. Começou bem o Benfica, começou mal o Braga. Com o decorrer do tempo e perante as sucessivas agressões ou faltas anti-desportivas não sancionadas, os jogadores do Braga cresceram e os do Benfica encolheram. Isto é básico. É uma lei do futebol: a confiança ganha jogos e os árbitros podem ajudar a aumentar os níveis de confiança, bastando deixar fazer quase tudo a uns, e quase nada a outros.
Este tipo de arbitragem é recorrente contra o Benfica e já tinha sido vista, por exemplo, no Guimarães - Benfica com Quique Flores, onde o “habituée” Carlos Xistra permitiu um pontapé na cara de Suazo, sem punição (nem falta marcou), permitiu jogo violento aos da casa e nada ao Benfica, com o cúmulo de ter expulso Reyes por 2 faltas em dois minutos, sendo que nenhuma delas era passível de penalização disciplinar. Aos de Guimarães, nem os desarmes em “carrinho” eram penalizados, nem um penalty quando Aimar foi ceifado na grande área. Nessa altura ganhamos 2-1, mas tínhamos o Cardozo e agora temos o Lima, que tipos muito inteligentes na área de futebol, como o “Shadows” e o “Geração”, do blogue NovaGeraçaoBenfica, sempre defenderam em oposição às criticas que faziam sobre a lentidão de Cardozo e ao fim de ciclo após o jogo da Final da Taça de Portugal.
O Benfica tem de lidar com muitos adversários como sejam os árbitros e os cromos que tem entre os seus adeptos. Adiante.
Marco Ferreira, que só engana os ingénuos e muito distraídos, esteve ao nível do Benfica 0 – Académica 1, também com Quique Flores. Nessa altura, aos 10 mn assinalou 1 fora de jogo sobre Aimar que estava em posição legal de cerca de 2 metros! Era o “sinal” para os jogadores da Académica ficarem tranquilos porque ele e os assistentes, estavam ali para dar uma “ajudinha”. Mais tarde e já com 0-1, anulou um golo limpo a Aimar, considerando ter havido carga de Nuno Gomes sobre o guarda-redes, quando foi este que “aterrou” em cima de Nuno Gomes, fora da pequena área. Depois conseguiu não ver David Luiz ser rasteirado e empurrado dentro da área. Qualquer semelhança com a placagem em Braga sobre Gaitan não é mera coincidência.
Nesse jogo com a Académica, o Benfica deu um banho de bola. Pelas alas, pelo centro, com criatividade, com intensidade, o Benfica fez uma excelente exibição. Ninguém pôde dizer que o árbitro errou mas o Benfica também não fez por jogar mais! Não! O Benfica, apesar de ter feito um excelente jogo, perdeu única e exclusivamente por erros do árbitro.
Reacção da Direcção do charlatão que não consegue provar quando é que recebeu o emblema de prata pelos 25 anos de sócio do Benfica? Não houve nessa altura, há quase 7 anos, como não haverá agora. O charlatão não está aqui para defender o Benfica, os seus atletas, os seus adeptos, mas sim para promover uma estratégia que não é dele, mas que ele beneficia, com os negócios que faz com empresários através de off-shores.
Uma vez mais fomos enxovalhados, agredidos, impedidos de jogar e quase “enrabados” como o pobre do Gaitán. Do charlatão PresiMente nem sinal de vida! Da Direcção ninguém fala, nem Rui Costa, nem Soares Oliveira, administradores (bem) remunerados da SAD. Esta é a fotografia do tal Benfica que tem um projecto e um rumo, como não se cansa de repetir a cassete do PresiMente. O silêncio directivo após as várias faltas de respeito demonstradas quer pela equipa do Braga quer pela equipa de arbitragem, são o bilhete de identidade actual deste clube a quem todos xingam e agridem. Até no Hóquei somos agredidos porque ninguém respeita esta “tralha” que se locupletou, por via democrática, do poder no Benfica e que mais não faz do que parasitar os nossos interesses, grandiosidade e volume de negócios gerado.

24 outubro 2014

(futebol) Primeiro ponto...



Portugal 24 de Outubro de 2014

Finalmente conseguimos o primeiro ponto nesta fase de grupos da Champions, e se é correcto pensar que se trata de um resultado positivo, nada vou mudar da minha linha de raciocínio acerca das possibilidades de êxito nesta prova, sobre a qual já escrevi nos textos Champions 1 – Benfica 0 e Champions 2 – Benfica 0.
Tratou-se de um resultado positivo por 4 boas razões: porque foi alcançado em casa de um rival directo, de um rival com orçamento superior, um rival que perdeu 2 pontos, um rival que havia ganho ao Bayer Leverkusen.
Não esquecer o contexto do grupo em que se insere o Benfica, pois – pela primeira vez na Champions – há uma nítida inversão do factor desportivo vs factor económico, e a equipa que saiu do pote 1 no mérito desportivo, sairia do pote 4 no orçamento por equipas. Este facto altera uma série de premissas competitivas e conduz a conclusões pouco previsíveis. Daí que não ser líquido concluir que estamos mais afastados, nem ser líquido concluir que temos agora mais possibilidades de ser apurados.
Claro que para a comunicação social lisboeta, as coisas são diferentes e, segundo a BOLA, o Benfica apresenta pouca vontade na Champions (o SCP com 1 ponto apresenta mais?) ou, RECORD, estamos no vermelho, numa alusão às maiores dificuldades que temos para conseguir o apuramento. O que é curioso é que ambos os jornais de Lisboa “perdem-se” em comentários (?!) de 1ª página junto ao título principal com letras garrafais! A necessidade de passarem mensagens direccionadas é tal, que salpicam a 1ª página com palavreado.
E se compararmos os critérios desses jornais lisboetas, nos jogos que envolvem Benfica e SCP, tiramos conclusões interessantes que confirmam a existência de um critério redactorial pró Sporting. Como tenho referido em muitos textos escritos aqui pelos blogues.
Para o Benfica essas “cagalhetas” de 1ª página enfatizam a fragilidade da equipa por causa do vermelho de Lisandro quando o Benfica mais precisava de atacar (“ah malandro do Lisandro”) no RECORD.  Já a BOLA, o tal PRAVDA segundo Pinto da Costa, sugere haver desinteresse do Benfica na Champions (?!), enfatiza a expulsão de Lisandro (e vão dois jornais contra o Lisandro) e as contas muito complicadas do Benfica.
Ora no caso do SCP o mesmo RECORD enfatiza o “ROUBO” e não tem problemas em colocar a foto do árbitro de baliza que assinalou o penalty da polémica, que sublinham ter sido inexistente, salientam a expulsão do Maurício aos 33 mn (num enquadramento mediático de erros de arbitragem contra o SCP) mais a indignação de treinador e jogadores no relvado. A BOLA enfatiza “ROUBADO” enaltecendo a recuperação do SCP travada por um penalty fantasma.
No caso do SCP, os destaques negativos dos jornais lisboetas foram para factores externos à equipa (erros de arbitragem), no caso do Benfica os destaques foram para factores internos (falta de vontade, fragilidade da equipa por causa da expulsão de Lisandro). Em matéria de destaques positivos, só o SCP tem direito a algumas referências. O Benfica zero.
Tudo isto poderia ser considerado uma ficção de mau gosto da minha parte, se não tivéssemos a derrota do Benfica na final da Liga Europa, como referência. Como é que estes jornais lisboetas trataram esse jogo, onde ficaram 2 penaltys evidentes e outro menos evidente, por assinalar a favor do Benfica? Onde foi evidente a ilegalidade das defesas do português Beto, no desempate por marcação de penaltys, que deu o título ao Sevilha? Ainda se lembram? Eu recordo:
O jornal A BOLA enfatizava “HERÓI DE TURIM” com a foto do Beto em 1º plano, mais a “cagalheta” a referir que “a desilusão do Benfica tem um nome: Beto” (ah, pensei que também era o árbitro). Já o RECORD enfatizou a “MALDIÇÃO” (cheguei a pensar que tinha sido um ROUBO) e Benfica perde oitava final europeia consecutiva. Deram uma “cagalheta” ao Beto que ficou “invicto nos penaltys” (apesar de ter sofrido 2 golos) e às suas palavras “foi especial por ter sido contra o Benfica”.
Ou seja, o Benfica foi roubado de forma escandalosa, numa Final europeia, mas a “nossa” comunicação social (em particular a tal que dizem ser “vermelha”) branqueou e ainda humilhou o clube, equipa e jogadores. O SCP sofreu (mais) um frango do Patrício, mas os erros foram do árbitro que por sinal, marcou 1 penalty a favor do SCP.
Termino recordando o seguinte, que também passou despercebido a esta comunicação social lisboeta e sportinguista. No jogo com o Zenit, tivemos um jogador expulso e houve 1 penalty claro por assinalar a nosso favor, com 0-2, quando dominávamos o jogo e podíamos recuperar no marcador. Contra o Leverkusen a reacção do Benfica, após o 2-1, foi travada por 1 penalty fantasma, seguido de 1 penalty não assinalado a nosso favor sobre Luisão. Contra o Mónaco acabamos com 10 jogadores. Erros a favor do Benfica? Zero. Penaltys assinalados a favor do Benfica? Zero. Primeiras páginas dos desportivos lisboetas referindo os erros de arbitragem que penalizaram o Benfica? Zero.
Um “zero” igual ao respeito que têm pelo nosso clube, equipa e massa adepta.

22 outubro 2014

O Revisionismo em Truman

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O revisionismo histórico é assustador. Por razões óbvias, factos ou personagens históricos relevantes positivos ou negativos poderão ficar para sempre esquecidos em páginas que foram deliberadamente apagadas ou escondidas até à “verdade conveniente” ter ficado devidamente cimentada, ao ponto de que se essas páginas viessem posteriormente a público seriam rapidamente descartadas e rotuladas como imbecilidades, senão mesmo de insultos à “verdade”.

A detonação das bombas atómicas no Japão no final da II Guerra Mundial poderá estar condenado ao revisionismo, dada a magnitude do acto em si e das consequências que teve. E Harry Truman também parece, neste momento da História, erradamente, a meu ver, como um dos grandes presidentes dos EUA (como demonstram, aliás, muitas sondagens).

No entanto, e não querendo me colocar numa posição de historiador, para a qual seria exigido um trabalho de pesquisa muito mais minucioso do que este, existem factos que importam relevar sobre este assunto.

Desde logo, dizer que foi a única vez que se utilizou poder atómico, apesar das inúmeras guerras, conflitos e ameaças de uso que ocorreram depois. Dizer, também, que não foram as bombas que fizeram o Império Japonês capitular em 1945. O argumento utlizado foi que iriam ser sacrificados muitos soldados aliados numa invasão ao Japão, caso as bombas não tivessem sido detonadas. O argumento é risível quando se constata que, ao longo dos anos, o número de potenciais baixas que Truman apresentava para justificar as bombas, foi mudando consoante ele achava por bem. O Japão estava pronto a render-se, porque estava já completamente destruído depois de uma insana operação americana de bombear as principais cidades japonesas, com armamento convencional, e porque nesta altura (agosto de 45) o exército soviético já tinha sido praticamente todo mobilizado da frente europeia para a Manchúria.

As bombas não foram usadas com fins puramente militares, como aliás confirmaram posteriormente pessoas insuspeitas como o General MacArthur ou Nimitz e tantos outras altas patentes do exército americano. Foram usadas sim a para marcar a posição de superioridade norte-americana no mundo pós II Guerra Mundial e para intimidar aquele que viria a ser o principal inimigo nos 50 anos seguintes, a URSS. O facto é que as bombas atómicas foram detonadas em Hiroxima e Nagasaki, com centenas de milhar de vitimas civis, naquilo que eu, pessoalmente, considero como um dos piores crimes de guerra não sancionados jamais cometidos.

O legado de Truman prosseguiu com a criação do Estado de Israel. Fez uma grande campanha junto da ONU e dos países europeus, que estavam completamente destruídos e dependentes da ajuda (visionária, diga-se, do plano do General Marshall) para aprovar o novo Estado judaico, apesar de todos os países vizinhos a Israel terem rejeitado a ideia. Não me merece tecer comentários aqui sobre a justeza dessa decisão. No entanto, a verdade é que criou uma animosidade que dura até aos dias de hoje. E a conquista de terras por parte de Israel nos anos seguintes foi apoiada pela presidência da Truman, mas contra muitas resoluções da ONU.

Truman criou a CIA, que viria a envolver-se directamente nos assuntos internos de muitos países, organizando golpes de estado, armando grupos, alimentando guerras civis ou patrocinando tiranos. O caso mais importante terá sido no Irão, com a CIA a apoiar o grupo que viria a depor Mosadegh e instalar o Xá que teria um mandato de terror que durou décadas, acabando por dar lugar ao extremismo do Ayatollah Khomeny e acentuando, ainda mais, o sentimento anti-ocidente entre os países árabes.

Foi com Truman que a Guerra Fria se instalou definitivamente. A paranoia anti soviética que se instalou nos EUA naqueles anos ficou personificada no Secretário de Estado da Defesa, James Forrestal, que acabou a vida atirando-se da janela do seu quarto na divisão psiquiátrica do Hospital de Bethesda, pensando que os russos o estavam a vigiar. Na verdade, essa paranoia comandou a política externa norte-americana, não só durante esse período, mas durante muitos mais anos, chegando aos dias de hoje, mas com inimigos diferentes. A ideia era parar os intentos expansionistas soviéticos no mundo e ficou conhecido como a Doutrina Truman e que era definida como a vontade dos EUA protegerem a “liberdade” de países terceiros e não caírem na tirania e opressão soviética. No entanto, o que acabou por acontecer foi a já referida acção da CIA nos assuntos internos de muitos países, que na maior parte das vezes não tinham qualquer tendência comunista. Para agravar a situação, a URSS acabou por ter o poder nuclear em ’49, o que levou a uma corrida desmedida ao armamento, com Truman a testar a bomba de hidrogénio, como resposta em ’53.

Seguindo essa mesma doutrina, Truman envolveu os EUA na Guerra da Coreia, que, depois de muitas dezenas de milhar de soldados mortos, acabou com as posições basicamente onde tinham começado, ou seja o famoso paralelo, e com a situação que se arrasta até aos dias de hoje.

Os registos, os diários, as autobiografias das pessoas que lidaram de perto com Truman, deixam pensar que se tratava de um homem, não diria fraco, mas que certamente não estava talhado para ser Presidente. Antes de entrar para a política, Truman tinha deixado um rasto de negócios falhados, como a gravataria da foto. Aliás, há a história da famosa máquina política de um homem chamado Pendergast que se gabava dizendo que tinha colocado Truman no Senado para provar que conseguira eleger um “office boy”. À parte disso, a verdade é que tal como muito depois dele, Truman foi um Presidente altamente influenciável e que, aliás, se viria a mostrar arrependido (ou pelo menos deu ideia disso) sobre várias decisões que tomou.

Por fim, importa aqui realçar outro aspecto fundamental, é que se estes factos sobre Truman podem ser verificados, com maior ou menor facilidade, a verdade é que se quisermos fazer um exercício semelhante com uma personagem histórica do lado soviético, por exemplo, iremos encontrar, ainda, enormes entraves, dado o secretismo e opressão que sempre imperou na URSS. Não me custaria nada a acreditar que, caso Estaline tivesse tido acesso ao poder nuclear antes dos EUA, também o teria usado para marcar posição e, certamente, o teria feito com maior dimensão, talvez mesmo na Europa. E na verdade, apesar de tudo o que foi dito, os soviéticos tinham de facto uma agenda expansionista e que se traduzia nas máximas de Lenine de assassinar, através do uso do terror, todos que se opusessem ao comunismo. E o Estaline, como se sabe, levou essas máximas ao rigor, acrescentando-lhes o seu próprio toque de sociopata que era. Portanto, o receio que os norte-americanos tinham dos soviéticos e que se traduziu, como se viu, em investidas em muitos países terceiros, tinha razão de ser. Além do mais, os próprios soviéticos tinham a mesma prática.

Mas, como disse no começo, o que me motiva para conhecer estes assuntos, é o revisionismo histórico. Estaline foi, de facto, um dos piores criminosos que o mundo conheceu, mas isso está basicamente estabelecido como sendo verdade. Que Truman não tenha sido como Estaline, dou de barato, nunca massacrou a sua própria população, para não irmos mais longe. Mas convém, também, não passar a borracha sobre a História.

14 outubro 2014

VERBA MANENT - XXIX



Recebemos três educações diferentes: a do nossos pais, a dos nossos mestres e a do mundo. O que aprendemos nesta última destrói todas as ideias das duas primeiras.
Charles de Montesquieu

13 outubro 2014

Leituras

Desafiado pela minha filha mais velha, compilei uma lista de uns quantos livros que não farão mal a ninguém se forem lidos, quaisquer que sejam os credos. Na mesma, propositadamente, não foram incluídos os de escritores em língua portuguesa nem os de carácter académico ou estritamente político, bem como biografias ou os (sempre actuais) clássicos. A lista, sem qualquer ordem de preferência na sua ordenação e perfeitamente subjectiva, como o é sempre nestes casos, abrange apenas os últimos 200 anos, para não ser fastidiosa.

O vermelho e o negro – Stendhal
Novelas do defunto Ivan Petrovitch Belkin – Aleksandr Puchkin
Pais e filhos – Ivan Turgueniev
Madame Bovary - Gustave Flaubert
A Abadia de Northanger – Jane Austen
Ulysses - James Joyce
Guerra e Paz – Lev Tolstoi
A morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstoi
Crime e castigo – Fiodor Dostoievsky
Doutor Fausto – Thomas Mann
Os Buddenbrook – Thomas Mann
O processo - Franz Kafka
Herzog – Saul Bellow
Divórcio em Buda – Sandor Marai
As dez mulheres do industrial Rauno Ramekorpi – Arto Paasilinna
Uma agulha no palheiro – J. D. Sadlinger
O Inverno do nosso descontentamento – John Steinbeck
Pnin - Vladimir Nabokov
A peste – Albert Camus
Uma casa para Mr. Biswas – V. S. Naipaul
A curva do rio – V. S. Naipaul
O animal moribundo – Philip Roth
Murphy – Samuel Beckett
Pantaleão e as Visitadoras – Mário Vargas Llosa
Manhattan Transfer – John dos Passos
Menos que zero - Bret Easton Ellis
Crime no Expresso do Oriente – Agatha Christie
Conselhos à criadagem - Jonathan Swift
O código dos Wooster – P. G. Wodehouse
Corpos vis – Evelyn Waugh
O livro dos Snobs – W. M. Thackeray

08 outubro 2014

Boutades

1 – “Celebrar a República não é apenas celebrar um passado memorável, é construirmos um futuro melhor, mais digno e mais decente para todos os portugueses.

2 - "Demonstrámos em Lisboa ser possível racionalizar a nossa organização administrativa, aproximando o poder das pessoas e dos problemas. Sem aumento de despesa foi possível concretizar um ambicioso programa de descentralização de recursos e competências do município para as freguesias."
António Costa


3 - “Aceito coligações com o PS, o PSD ou o PCP, que são as três principais forças políticas da democracia portuguesa”

4 - “Serei capaz de fazer alianças com o diabo se isso for útil ao povo português. Não há dogmas”
Marinho Pinto

03 outubro 2014

(futebol) Em surdina...



Portugal 3 de Outubro de 2014

O CM lançou hoje a próxima novela em torno do treinador do Benfica, como aliás anda há anos a fazer através de artigos de opinião ou notícias “maquilhadas” e sempre orientadas contra o treinador. Não contra a Direcção e Vieira pois como se sabe, a Cofina tem boas relações com eles e até promoveu Pedro (em) Guerra (com todos), um “talibã” vieirista que já se deu ao desplante de ligar para a BTV com nome camuflado, apenas para tecer loas à gestão do muito ilustre, nas palavras dele, Filipe Vieira. Que já agora, também é quem lhe paga o salário na BTV.
De acordo com a “notícia” do CM, subscrita por António Pereira, que só por mero acaso é adepto do SCP, Jesus está a ser contestado em surdina pela forma como tem abordado a participação do Benfica na Champions. Segundo “testemunhos” que o jornalista do SCP conseguiu obter, em surdina, criticam o facto de manter o modelo de jogo do campeonato nacional na Champions League, sugerem que os jogadores têm uma atitude passiva nos jogos por causa do discurso do treinador, e outros ainda questionam as exibições de Júlio César, Jardel e Cristante embora refiram que eles não são os maiores culpados.
Como alguns sabem e muitos mais continuam a não querer saber, esta malta da comunicação social move-se bem entre as hostes benfiquistas, sabendo quem devem e que não devem contactar, sempre que alguma coisa corre mal. No que diz respeito ao futebol, a perspectiva é sempre empolar o que está mal, para criar a confusão generalizada e impedir que se pense racionalmente na procura das melhores soluções.
No Benfica há quem goste deste estado de coisas. Em particular a Direcção, pois enquanto a comunicação social “bate” no treinador e nos jogadores, não bate nas opções de gestão e de estratégia dessa mesma Direcção. Parece até haver um pacto com a comunicação social: “quanto à equipa de futebol, sirvam-se. Quanto à Direcção alto e pára o baile”.
Voltando ao jogo da Alemanha, é bom recordar que em mais de 50 anos, apenas por 2 vezes ganhamos lá, ambas com Jesus a treinador e Cardozo a marcar golos (Estugarda e Leverkusen). Contra o Bayer também jogaram Garay, Luisão, Urreta, André Gomes, Gaitan, Melgarejo, Matic, Ola Jonh e Artur Moraes. Suplentes utilizados, Enzo Peres, Lima e Sálvio.
Claro que na perspectiva dos que criticam Jesus em surdina, antes do jogo este seria um 11 de “invenções”. Urreta em vez de Sálvio? André Gomes (2 anos mais “puto”) em vez de Enzo Peres? Ah, ganhamos e como tal, Jesus não inventou. Pelo contrário, descobriu os talentos de Urreta e André Gomes. Se não ganhasse, já tinha inventado. O benfiquista da “surdina” é apenas um mau adepto, pouco sabedor das coisas do futebol mas com mania que sabe.
Também é bom lembrar que essa equipa que ganhou lá, tinha saído da Champions e como tal, levava muitos jogos em cima das pernas. Ao contrário da que agora perdeu 3-1, que fez apenas o 9º jogo oficial com metade da equipa sem ter feito a pré-temporada (Luisão, Jardel, Cristante, Samaris e Júlio César), ou terem jogado pouco tempo nesses jogos (Derlei)!
Mas os da surdina, os mesmos que alimentam a critica que nos consome, há anos, acham que nada disto é relevante. E que o ordenado de Jesus é suficiente para transformar Jardel em Garay, Cristante ou Samaris em Matic ou até Fejsa, Talisca em Cardozo. Mas não é! E o stock do “manel” esgotou...
Mas o mais surpreendente dos críticos da surdina, é contestarem Jesus por usar a mesma táctica nas competições nacionais, e nas europeias! Depois de 5 anos à frente do futebol do Benfica, só agora repararam! Mas foi com essa forma de “armar” as equipas que perdemos 4-1 em Liverpool, 2-0 no Shalke04, 3-0 com o Happoel, 2-1 em Moscovo contra o Spartak e na época passada empate 1-1 em casa e derrota 1-0 fora contra o Olimpiakos. Infelizmente nessa altura ninguém reparou, excepto eu e mais uma meia dúzia de adeptos atentos!
Mas não foi por aí que perdemos e que demos uma má imagem do Benfica. Como já tínhamos dado na tal pré-temporada que os avençados da BTV e alguns comentadores “lambe botas” defendem como tendo sido positiva. Perdemos e vamos perder mais vezes, na Champions pelo elevado grau de dificuldade da prova, neste ou noutro grupo, uns mais outros menos, porque na alta competição não há lugar para amadorismos na preparação das equipas, nem lugar para quem acha que num ano pode levar uma equipa, e noutro levar outra que é 50% diferente e mais barata.
Isto é que se devia discutir, não em surdina, mas alto e bom som, para que se pudesse avaliar qual o modelo desportivo e futebolístico do Benfica e porque para além de se vender quase todos os jogadores que são interessantes para o mercado do futebol, ainda se “dão” praticamente dados, sem explicação plausível, jogadores de categoria mundial como Garay, e jogadores importantes na manobra atacante do Benfica, como Cardozo, para apostarmos em César da 2ª divisão brasileira, e Talisca (4 milhões) que não é um jogador posicional como Cardozo (para além de ser jovem e estar em fase de aprendizagem do rigor táctico do futebol europeu).

02 outubro 2014

(futebol) Champions 2 - Benfica 0



Portugal 2 de Outubro de 2014

Há tempos quando escrevi o texto Champions 1- Benfica 0, houve uns poucos leitores que interpretaram mal as minhas ideias e partiram para a critica fácil do bota-abaixo. Sempre que critico o amadorismo ou oportunismo da gestão do Benfica, com particular ênfase ao papel que o Sr.º Vieira está a desempenhar, parece que mexo num saco de vespas, tal a agressividade dos comentários que recebo em troca.
Mas o que escrevi na altura abria as “portas” para explicar não só a derrota com os alemães, mas a má Champions que vamos fazer esta época e que corre o risco de ser mesmo a pior de todas as nossas participações no actual figurino de competição, igualando o último lugar do FCP em 2005/2006, ou o recorde negativo do SCP de ter feito o pior registo de todas as equipas na fase de grupos com apenas 2 pontos, que obviamente também deram o último lugar. Oxalá esteja enganado...
Escrevi então “de acordo com a minha maneira de ver o futebol, há vários factores a considerar que enfraqueceram a equipa. Como sejam o “enésimo” desarranjo do plantel pelas tais necessidades de venda de jogadores e a contratação de alguns jogadores, dos quais só Talisca conseguiu fazer a pré temporada”.
A derrota de ontem, confirma uma vez mais, não pelo resultado mas pela exibição da 1ª parte, que estou muito perto das explicações correctas para os maus resultados. De facto não passa pela cabeça de ninguém, excepto pela dos iluminados dirigentes do Benfica, seus assessores e apoiantes nos blogues, que se aborde uma fase de grupos da Champions, com intuito ganhador, com um 11 base que não fez pré-temporada. Isto é, alguns fizeram, outros não porque ainda não tinham sido contratados, outros também por lesões, e outros por opção técnica.
Em 1º lugar, se repararmos bem, contrastando com os 8 jogos da pré-temporada, Cristante fez ontem o 1º jogo a titular (?!), Samaris tem 4/5 jogos a titular, Luisão e Jardel vão no 9º jogo. Jogadores que ocupam a fundamental posição 6 ou o lugar de defesas centrais, só agora estão a fazer a sua “pré-temporada”. Mas com a competição a sério, cada erro tem implicações graves. E o que se vê na Champions é que isso resultou em duas derrotas, zero pontos, zero euros e auto estima em baixo.
Em 2º lugar, constata-se que a deficiente organização de jogo do Benfica, por mim tantas vezes referida quando digo que temos uma percentagem elevada de primeiros golos de iniciativa individual e não de movimentação colectiva, se deve à falta de Cardozo no ataque e de Garay na defesa, porque ambos (juntamente com Luisão e o 6) definiam um eixo entre a defesa e o ataque, sobre o qual se organizavam os demais jogadores e como tal, todo o jogo do Benfica. Cardozo segurava 2 defesas e com isso impedia que eles subissem no terreno e fossem ajudar o meio campo, pelo que o nosso meio campo com a qualidade que tem, conseguia ser muito mais eficaz a construir processos de jogo e a destruir jogo adversário, do que agora. Garay na defesa tomava decisões mais correctas no que respeita aos passes e à colocação no terreno, do que Jardel que sendo bom no desarme, fica aquém de Garay na forma com pensa o jogo.
Em 3º lugar, constatei uma vez mais que apesar de marcar muitos golos (e que assim continue) Talisca é “menos um” quando não temos a bola. É um jogador que não sabe pressionar o adversário e que não sabe fazer zona para interceptar linhas de passe! Com menos 1 a defender, numa Champions é complicado. Por cá vai disfarçando com os golos que marca. Foi substituído duas vezes na Champions, resultando daí um melhor padrão de jogo da equipa.

Em 4º lugar, a contratação de Júlio César, por verbas não divulgadas e que se adivinham elevadas (rompendo o tecto salarial que tanto se apregoa), vem comprovar o amadorismo e desespero da Direcção de Vieira. Artur Moraes já no Braga era suplente do Felipe, até que mandaram este embora. O promovido Artur Moraes sofreu uma média de golos ligeiramente superior à de Roberto, que foi o 2º melhor guarda-redes esse ano, na Liga. Não se compreende que passasse de suplente de Felipe para titular do Benfica. Mas os iluminados da Direcção do Benfica e seus apoiantes na comunicação social e blogues, viram ali “a resolução do problema da baliza” (palavras do Dr.º Rui Gomes da Silva em conversa telefónica comigo). Contudo, sendo guarda-redes do Benfica devia ser protegido nos maus momentos. Ora acontece que Artur Moraes, neste início de época, fosse pela saída da sombra Oblak ou por outra razão qualquer, estava muito bem. Defendeu os penaltys que nos permitiram ganhar a Supertaça e defendeu 1 penalty com 0-0 no jogo frente ao Paços de Ferreira. Sofreu um golo ao 3º jogo, por erro seu, é certo, mas esteve cerca de 200 mn sem sofrer golos. Como no Benfica a ingratidão anda de braço dado com a burrice, a especulação da comunicação social e dos blogues levou-os a fazer mais uma gentileza aos que atacavam Artur Moraes. Resultado: Júlio César aguentou 17 mn sem sofrer golos na Liga, e ontem, como se viu no 1º golo, defendeu para a frente oferecendo um golo ao adversário.
E ainda faltava falar de arbitragem e dos dois penaltys que tiraram ao Benfica nestes dois jogos, mais 1 penalty assinalado contra que não era. E não estamos a falar de lances difíceis de ver! Mas como Vieira nada diz, passemos adiante. Ora neste cenário que atrás descrevi mais as arbitragens que o Benfica nunca contesta, o que podemos esperar para o próximo jogo? Não me parece difícil adivinhar...

01 outubro 2014

(futebol) O milagre de Nuremberga...



Portugal 1 de Outubro de 2014

Há não muitos anos atrás, época 2007/2008, com Camacho no comando da equipa, o Benfica conseguiu apuramento “in extremis” para a Liga Europa a partir da Champions, através de uma vitória fora, na casa gelada de um Shakhtar Donetsk que tinha investido mais de 40 milhões de euros em contratações, como Brandão, etc., e tinha ambições na Champions. Esse Shakhtar era treinado pelo mesmo Lucescu que ainda hoje é o treinador da equipa.
Claro que se fosse no Benfica, apareceriam – dentro e fora do Benfica - os inteligentes do costume pondo em causa a continuidade do treinador, por causa de um fracasso na Champions, num grupo que considerariam “acessível”. E de facto ao Shakhtar o empate bastava, mas o Benfica de Cardozo (lá estou eu outra vez) e Di Maria, entre muitos outros, conseguiu ganhar 2-1 apesar da neve.
Vem isto a propósito de relembrar esse jogo em Nuremberga, que a comunicação social lisboeta antes do jogo equiparava ao “julgamento de Nuremberga”, como se fosse possível estabelecer qualquer comparação entre os sujeitos que na altura foram julgados, e o Benfica. Mas como bem sabemos, o Benfica é dirigido por gente que não se preocupa com estes “pormaiores”, apenas lhes preocupa o que dizem deles, quando as referências não são positivas.
Ora nesse jogo, as coisas não estavam a correr bem. Com 0-0 ao intervalo e 5 portugueses no onze, sofremos 2 golos no inicio da 2ª parte, um deles numa distracção de Luis Filipe que bem podia ter sido avisado quer pelos outros colegas da defesa quer pelo próprio Quim. A perder 2-0 e tendo ganho na 1ª mão por 1-0, a eliminatória estava perdida. Camacho meteu então Cardozo ao mn 70, por troca com Maxi Pereira e Di Maria ao mn 80 por troca com Nuno Assis. Também Camacho parecia não perceber bem quem tinha na equipa, uma vez que Cardozo foi suplente de Makukula, e Di Maria foi suplente de Katsouranis.
E foram estes dois grandes jogadores que resolveram a eliminatória, com dois golos nos últimos 3 minutos de jogo, colocando o Benfica nos oitavos de final da Liga Europa.
Visão que a comunicação social lisboeta teve no dia seguinte: o milagre de Nuremberga! A vitória foi de tal modo mal digerida, quando seguramente, os títulos já gozavam com a eliminação do Benfica, que foi comparada a um milagre. Porque o Benfica só consegue estes resultados sensacionais, com intervenção “divina” entenda-se...
Ora comparando com o FCP de ontem, em Lviv, ou seja, o jogo foi em campo neutro apesar de se ter disputado na Ucrânia, houve algo de semelhante a esse Benfica de Nuremberga, uma vez que o FCP estava a perder 2-0 aos 85 mn e conseguiu, muito por culpa de 1 penalty oferecido por um defesa, empatar o jogo com ajuda de um jogador que saltou do banco: Jakcson.
Semelhanças do jogo com o do Benfica? Mais que muitas! Critérios da comunicação social? Muito diferentes.
Agora já temos o FCP que “nunca desiste”, o Jakcson que “saltou do banco para resgatar 1 ponto”, um “incrível empate”, etc. Intervenção divina? Milagre? Nada disso: tudo obra e graça do trabalho, do empenho, da qualidade dos jogadores do FCP. Escrever o mesmo do Benfica parece ser proibido, ou ser uma regra que tem de ser respeitada pelos jornalistas.
Obviamente que para a Direcção do Benfica isto é normal, como normal é vermos a disparidade com que estes mesmos critérios, arranjam penaltys em Portugal ao FCP e não arranjam ao Benfica, mesmo que os lances em que o Benfica sai prejudicado sejam mais evidentes. Já para não falar do prejuízo que esta forma de ver o futebol tem na auto estima de adeptos e jogadores do Benfica, e na promoção da auto estima e confiança dos adeptos e jogadores do FCP...

29 setembro 2014

(futebol) Venham mais quatro...



Portugal 29 de Setembro de 2014

Foi um excelente fim-de-semana futebolístico, com a concretização da melhor conjugação de resultados (na minha opinião) para o Benfica: empate no clássico entre SCP e FCP, vitória (difícil) do Benfica na Amoreira. E assim devagar, devagarinho, ou se quiserem, sem “saber ler nem escrever”, o Benfica tem 4 pontos de avanço sobre o FCP e 6 pontos de avanço sobre o SCP.
Vamos por partes.
Muito se tem debatido e perorado nestes últimos anos, sobre a “nota artística” que o futebol do Benfica deve exibir, em qualquer lugar, em qualquer competição. A saída de Rui Costa e as incertezas que a sua substituição levantou, a contratação de Aimar para, nas palavras de Rui Costa, ser o seu “herdeiro”, a própria filosofia de jogo implementada por Jesus, quer da pressão alta, quer da nota artística, as diversas correntes “filosóficas” que em jornais e blogues de benfiquistas concluíam que o sistema de jogo que Jesus tinha implementado no Benfica “rebentava” fisicamente com os jogadores pelo vaivém constate que os obrigava, até ao empalidecer da estrela de Aimar e Saviola, às novas contratações e à actual equipa que à margem dos negócios próprios do futebol, perdeu dois jogadores fundamentais por questões que o Sr.º Vieira não consegue explicar: Garay e Cardozo.
É curioso que agora, sem nota artística e com baixas importantes na manobra da equipa, por opção da Direcção, este Benfica consiga estar à 6ª jornada, com a maior vantagem na era Jorge Jesus sobre, em particular o FCP que já contabiliza 3 empates. Tantos como Villas-Boas nos 30 jogos da única época que esteve à frente do FCP, embora também não possamos esquecer a ajuda escandalosa de uns quantos árbitros na fase inicial da prova.
Como sempre defendi a nota artística não pode ser um objectivo de jogo, a pressão alta não pode ser uma estratégia de jogo, os jogos devem-se ganhar com coesão defensiva à custa do trabalho do meio campo, e com saídas rápidas para o ataque, à custa de roubos de bola ou melhores posicionamentos que permitam a intercepção das jogadas adversárias.
Não foi desta maneira que se ganhou ao Estoril, é certo, onde pela 4ª vez em 5 vitórias, o 1º golo surgiu por iniciativa individual, embora desta vez marcado por um avançado. Para mim o 1º golo é um dado importante porque a partir daqui o adversário reajusta-se de forma mais proactiva no ataque, e com isso sobe no terreno criando mais espaços na retaguarda, espaços que a melhor equipa tem de saber aproveitar: porque é melhor, tem jogadores mais talentosos!
Nesta jornada, o Benfica conseguiu o mais difícil, colocando-se a ganhar por 2-0 aos 10 mn de jogo, mas depois desperdiçou esse avanço, coisa que só me lembro num jogo da Taça em Alvalade na época dos 3 treinadores (Fernando Santos, Camacho e Chalana), 2007/2008. Ou seja, se a memória não me falha, há 7 anos que o Benfica não permitia um empate a 2, tendo 2 golos de vantagem.
É isto preocupante? Se tivesse a certeza que só daqui a 7 anos isto voltava a acontecer, não havia motivos para alarme. Mas não é assim, e temos de tentar perceber porque cargas de água, na Amoreira não conseguimos estabilizar um modelo de jogo semelhante ao de Setúbal, onde fomos exímios no contra ataque. Desta vez pelo contrário acabamos por sofrer dois golos, que perante a diferença de potencial entre as duas equipas, e a vantagem de 2-0, é algo difícil de entender.
Contudo seguramente JJ tirará ilações sobre o que correu mal, para não cometermos mais erros destes no que resta de campeonato. É importante estar à frente dos nossos principais rivais, e pelos vistos os do FCP já sentiram o toque, uma vez que já começaram com a “choradeira” sobre supostos erros de arbitragem patrocinados pela Sporttv do amigo (do Sr.º Vieira) Sr.º Joaquim. Eles sentem que nada está perdido, até porque tiveram um calendário de jogos fora de casa mais difícil do que o nosso. Mas se os 4 pontos desestabilizarem a equipa e o treinador sub-21 que contrataram, é possível que com competência do nosso lado, essa vantagem aumente. E aí as coisas podem-se tornar complicadas, porque podemos “embalar”. Mas para que a competência exista, é preciso perceber o que correu mal na Amoreira.

28 setembro 2014

Portugueses, a percentagem certa


Ledes por aí algures, na rede:
«Portugal é um dos países mais ricos da UE, e não dos mais pobres!
Portugal é um dos poucos países no mundo que pode fechar as suas fronteiras, pois a natureza dá-lhe uma grande riqueza que contém tudo o que é necessário para que a sua população possa viver feliz e em paz!
A maior parte dos portugueses desconhece que o seu “pobre” país possui:
- A maior Zona Económica Exclusiva da UE, que é tão grande como todo o continente europeu.
- 80% de solo arável, mas está quase em completo abandono.
- Invejável rede hidrográfica a nível mundial.
- Grandes reservas de água doce, em aquíferos subterrâneos, quase inesgotáveis.
- As maiores reservas de ferro, da UE, de excelente qualidade.
- As maiores reservas de cobre da Europa (segundas do mundo).
- As maiores reservas de tungsténio (volfrâmio) da Europa.
- As maiores reservas de lítio da Europa.
- As maiores reservas de terras raras.
- As segundas maiores reservas de urânio da Europa.
- Grandes reservas mineiras de ouro, prata e platina.
- Grandes reservas de carvão mineral de excelente qualidade.
- E as incomensuráveis riquezas que as águas do Atlântico escondem.
- Uma das maiores reservas de petróleo da Europa, que já vão ser exploradas na costa do Algarve, por companhias alemãs e espanhola. Vão pagar a Portugal apenas 20 cêntimos por barril, enquanto ele já passou há muito tempo os 100 dólares por barril.
- Reservas de gás natural e de xisto, que dá para Portugal pelo menos para 100 anos sem precisar de ninguém.
E isto é apenas a ponta do iceberg que circula pela internet…
Portugal é possivelmente o país mais rico da EU, na sua dimensão […].»

*
Mas, amiguinhos, Portugal pode ser isto e aquilo, ou tudo isso e muito mais. Infelizmente tem excesso de portugueses. Está provado que a percentagem máxima de portugueses que um país aguenta é 20 %. Olhai-me por exemplo o Luxemburgo, o país da Europa com maior rendimento per capita.

26 setembro 2014

(futebol) Missil relva - ar



Portugal 26 de Setembro de 2014

Infelizmente a minha vida profissional não me tem dado grande margem para escrever, mas tinha umas coisas para registar (para memória futura) relativamente à última jornada, onde de forma um tanto enviesada, alcançamos o 1º lugar da tabela, isolados com 2 pontos de avanço sobre o FCP e 4 sobre o SCP. Desde Trappatoni que não conseguíamos tal “façanha”, embora esta comparação não seja para relevar, uma vez que o Benfica de Trappatoni apesar de ter sido campeão, apenas obteve 65% de pontos, coisa que nestes últimos anos, nem sempre garante o 3º lugar.
A última vitória foi começada com um golão de Eliseu, um autêntico míssil relva - ar, mais concretamente, relva – canto superior direito da baliza, sem hipótese para o guarda redes. A potência e direccionalidade do remate farão deste golo um dos melhores do campeonato, sem qualquer sombra de dúvida.
Se é verdade que é sempre bom chegar a 2ª feira e estarmos em primeiro lugar no futebol, deixando os adeptos dos rivais um pouco aturdidos e nervosos (o Lopetegui dos 6-0 ao BATE virou “Lol”petegui do 0-0 com o Boavista), também me parece que este momento do campeonato traz mais interrogações do que certezas.
É contudo engraçado ver tanto e tanto comentador, seja na BTV ou não, aproveitar a “onda” favorável para referir que “ah e tal, na pré temporada houve muita gente que duvidou do trabalho que estava a ser feito, mas eu confiei sempre, etc.”. Cambada de hipócritas e graxistas militantes... Adiante.
O que me preocupa neste momento são as conclusões que se tiram dos números. Que não são tranquilizadoras. Vejamos. Ganhamos 4 dos 5 jogos, 80% de vitórias (percentagem de campeão) o que é bom, mas esse dado será mais rigoroso quando o número de jogos em casa igualar o número de jogos fora. Ou seja, na próxima jornada.
Por outro lado, nas 4 vitórias, 3 delas (Boavista, Setúbal e Moreirense), ou seja 75%, começaram com golos de inspiração individual, e apenas 1 (25%) como corolário de jogo de equipa (Paços de Ferreira). Na minha opinião, estas percentagens estão trocadas, porque os golos resultantes de jogadas colectivas é que deveriam ser 75 a 80%. Isso dava-nos confiança na qualidade da “máquina” futebolística.
Por outro lado ainda, desses 4 golos que iniciaram as 4 vitórias, 3 deles foram marcados por defesas, concretamente defesas laterais. Só 1 golo foi marcado por um avançado (e já agora, em lance de inspiração individual, Sálvio em Setúbal). Também aqui, as percentagens estão trocadas, devendo os primeiros golos ser marcados pelos avançados, em cerca de 75 a 80% dos casos.
Quer isto dizer que esgotando-se o stock dos “mísseis” não estou a ver como iremos continuar a ganhar jogos, pois a nossa linha avançada, prejudicada ou não pela opção de “empandeirar” Cardozo, não está a marcar golos”!
Esta leitura das coisas encaixa-se com outro dado factual: não conseguimos ganhar contra os dois adversários teoricamente mais fortes que já defrontamos: SCP (empate) e Zenit (derrota). E antes que os meus críticos mais iluminados venham recordar que nesses jogos existiram erros individuais na defesa, eu lembro que contra o SCP interrompemos a média de 2 golos marcados por jogo que vínhamos obtendo com JJ, e que contra o Zénit, com mais ou menos aplicação dos jogadores, não conseguimos marcar qualquer golo!
Não pretendo com isto ser pessimista mas sim realista, embora no futebol, e em particular no Benfica, a linha que separa o pessimismo do realismo é muito ténue e mal percebida.
E bom, vem aí a 6ª jornada onde podemos capitalizar do embate entre SCP e FCP caso vençamos o jogo no Estoril. Confesso que não gosto que a comunicação social sublinhe que “há 68 anos que o Benfica não perde na Amoreira”. Dá azar...

19 setembro 2014

(futebol) Champions 1 - Benfica 0



Portugal 19 de Setembro de 2014

Se é verdade que o futebol do Benfica me tem tranquilizado no que diz respeito às provas nacionais, onde nem o “borrão” de Artur no jogo com o SCP me tira o sono, confesso que aguardava com curiosidade para saber como se comportaria a equipa numa competição de elevada dificuldade como a Champions.
E digo isto porque de acordo com a minha maneira de ver o futebol, há vários factores a considerar que enfraqueceram a equipa. Como sejam o enésimo desarranjo do plantel pelas tais necessidades de venda de jogadores e a contratação de alguns jogadores, dos quais só Talisca conseguiu fazer a pré temporada. Mas isso é nas minhas “teorias”, restava ver como seria na prática.
E digamos que a 1ª lição correu mal.
De facto sentiu-se a falta de um jogador de área que polarizasse os movimentos ofensivos da equipa, um jogador posicional como Cardozo, sentiu-se a falta de um defesa de grande qualidade que soubesse sair com a bola jogável (embora esta característica não seja a mais importante), pois apesar de ser muito esforçado, Jardel não é, nem será Garay, e sentiu-se a falta de entrosamento de alguns jogadores, pois a pré temporada foi jogada com outros e num sistema táctico diferente (com 2 avançados).
Às vezes quando escrevo nos meus textos sobre o amadorismo da Direcção do Benfica, há uns “cromos” que ficam muito chateados e partem para a crítica contundente ou insulto gratuito. Vêm o Benfica como algo de arquétipo, inatacável por ser exemplo de perfeição. Que está longe de ser....
A realidade é que Vieira ofereceu Garay ao Zenit por umas “cascas de alho” e por critérios não desportivos, como referiu. Para o seu lugar contratou César por 2 milhões, a uma equipa da 2ª divisão brasileira, e fez regressar Lizandro (que custou 5 milhões). Depois de ter valorizado Siqueira, permitindo um ganho de 3 milhões ao Granada, contratou 2 defesas esquerdos, Djavan e Benito até decidir que afinal era o Eliseu que ia jogar. Siqueira era caro, com 7 milhões, mas só em 2 defesas o Benfica gastou 4 milhões! No ataque “ofereceu” o Cardozo ao Trabzonspor e contratou Derlei ao Marítimo por 2,5 milhões. Trocou 1 goleador posicional de créditos firmados, por outro jogador móvel e uma incógnita, já que marcar golos no Marítimo é uma coisa, marcar no Benfica é outra.
A somar à estranha estratégia de Vieira, fosse por lesão ou por opção, Luisão e Jardel não fizeram um só jogo da pré temporada, Samaris idem mas por não estar cá e Enzo por férias. 4 jogadores que ocupam posições fundamentais dentro de campo.
E foi assim que com apenas 4 jogos no campeonato português que abordamos o 1º jogo da Champions, perante um adversário que já levava 8 e que se reforçou à custa do Benfica, com particular ênfase na defesa, onde Garay foi dar a qualidade que faltou em anos anteriores, e que impediram o Zenit de ser campeão. Mas há também que considerar a qualidade de Javi Garcia. Não é por acaso que Villas-Boas se reforçou com ex-jogadores do Benfica.
Ironia das ironias (para além do sorteio ter emparelhado o Benfica com o Zénit e o Mónaco, como no ano passado com o Olympiakos de Roberto), foi Jardel a iniciar a jogada do 1º golo dos russos. De facto há uma certa diferença entre Garay e Jardel, mas possivelmente Vieira não percebeu isso quando decidiu oferecer Garay a Villas-Boas. E assim com um só erro, um só golo, se começou a desenhar uma derrota cara. Na alta competição, isto é mesmo assim: os erros pagam-se mais caro do que na média ou baixa competição, como seja o nosso campeonato nacional.
Mas também considero que existiu um mau posicionamento global da nossa equipa, fruto do mau posicionamento de Samaris, que nesse lance de Jardel não ocupou a posição 6 como deveria. Se o tivesse feito, a nossa defesa não subiria tanto no terreno, e as hipóteses de interceptar o contra ataque do Zenit, seriam muito maiores. Mas temos de o desculpar pois é só o 2º jogo oficial que faz. É o planeamento do SLB a funcionar.
E assim, com este amadorismo da Direcção, abordamos pela enésima vez a exigente Champions, com vários jogadores sem rotinas. Os erros pagam-se caro e pior, influenciam o jogo seguinte.
Uma palavra obviamente para a bonita atitude dos adeptos presentes no estádio da Luz, que presentearam a equipa com uma enorme ovação, apesar da derrota. Foi bonito e fez lembrar os adeptos do Liverpool quando cantam o “you’ll never walk alone” mesmo quando perdem. Era bom que se repetisse mais vezes, pois seguramente iríamos lucrar mais. Uma equipa acarinhada, que sente os adeptos do seu lado, joga e rende mais.

Independências...

A sustentabilidade económica está para os Açores assim como a eternidade da dívida soberana está para José Sócrates.

16 setembro 2014

(futebol) Equívocos e confirmações...



Portugal 16 de Setembro de 2014

A última jornada de futebol trouxe um conjunto de resultados e de reacções que comprovam a existência de alguns equívocos e algumas conclusões que passaram ao lado dos principais analistas de futebol, os que ganham bom dinheiro para participar naqueles programas de entretenimento em que supostamente falam de futebol.
Na jornada anterior, a propósito do empate do Benfica com o SCP, esses analistas e demais comunicação social, elogiaram a exibição do SCP, vendo o que não existiu – grande qualidade futebolística da sua exibição – e não vendo que o SCP trouxe 1 ponto devido exclusivamente a um erro do nosso guarda redes. Isto é, também viram esse erro, mas apenas para “crucificar” Artur Moraes e não para o relacionar com o pontinho que o SCP obteve e que interrompeu 6 derrotas consecutivas na Luz.
Recordo o que escrevi no texto anterior, em 1 de Setembro: “a mim pareceu-me que se podem tirar muitas outras conclusões e que não foi pelo enorme erro de Artur que perdemos 2 pontos. Do lado positivo, regista-se a boa qualidade de posse de bola do Benfica e algumas transições rápidas entre a defesa e o ataque. O que permitirá mais tarde, a concretização de mais golos. E daqui vem o lado negativo, a pouca eficácia dos avançados”.
Passada apenas uma jornada, temos a concretização disto mesmo: o Benfica teve a eficácia que faltou no jogo com o SCP, em particular nas transições rápidas defesa/ataque e o SCP, que também teve um brinde, desta vez de China, continuou sem conseguir ganhar apesar de ter defrontado em sua própria casa um adversário de menor orçamento.
Fica bem evidente o equivoco dos analistas e da comunicação social em geral, no que respeita às conclusões sobre a qualidade de jogo que o SCP apresentou na Luz, e ficou confirmado que este Benfica pode marcar muitos golos jogando com 1 avançado (como sempre tenho defendido) e privilegiando as transições rápidas defesa/ataque.
Por isso continuo a defender que quem espera aprender alguma coisa de futebol com esta malta da comunicação social, bem pode esperar sentado e pedir um gim tónico para ajudar a passar o tempo...
Claro que nem falo do solípede Nuno Farinha que escreveu em coluna de opinião, no RECORD há uns meses, “desancando” na qualidade de Talisca e na qualidade de Jorge Jesus. Mas como no ano passado também escreveu que a vitória do Benfica no Estoril (onde o FCP tinha empatado) tinha sido uma vitória “mentirosa”, deste cavalheiro já espero tudo. Até ver a Benfica TV promover uma acção social de rua do Ruben Amorim, em conjunto com o RECORD que estava representado por... Nuno Farinha. Que ao que parece, até é benfiquista! O benfiquismo anda mesmo pelas ruas da amargura....
Num clube onde impera a falta de vergonha de um Presidente que não consegue explicar quando recebeu o emblema de prata dos 25 anos de associado, estas coisas podem e vão continuar a acontecer...
Mas também foi uma jornada de confirmações de como para o FCP, as conclusões da influência da arbitragem são sempre diferentes, do que para o Benfica. Tomando o jornal O JOGO como referência, na 1ª página foram mencionados 2 erros de arbitragem que prejudicaram o FCP, 1 penalty por assinalar e 1 golo mal invalidado. É curioso, mas quando o Benfica venceu na Madeira há 4 anos por 1-0, golo de Cardozo, onde foram tirados 2 penaltys ao Benfica, o mesmo jornal O JOGO tinha na 1ª página um título do tipo “(sofrimento) por culpa de Cardozo”. Ou seja, que o Cardozo desperdiçou tantos golos nesse jogo que o Benfica ia empatando! 2 penaltys? O Tribunal do JOGO não considerou os lances relevantes, ou a terem considerado relevantes, a Direcção do Jornal não considerou suficientemente importantes para virem mencionados na 1ª página. Como agora fizeram para os casos do FCP.
Obviamente que sobre o penalty oferecido ao FCP, isso não merece 1ª página. Há que mentir a todos os níveis, desde que seja para branquear os erros do FCP. Mas então o Jakson não falhou golos? O Lopetegui não errou na gestão do grupo e nas substituições? Não houve jogadores do FCP em sub rendimento? Não! Nada disso! Só se tivesse jogado o Benfica é que teria sido assim: o Jesus errou na equipa que montou ou na táctica (marcar com X a opção preferida), o lado esquerdo do ataque foi pouco criativo, os avançados foram perdulários, a defesa comprometeu, o guarda redes esteve inseguro e o plantel do Guimarães custa 1/4 do que custa o plantel do Benfica....
Acresce que o dono do jornal o JOGO foi um dos convidados de honra do Benfica, a marcar presença na final da Liga Europa em Turim...

09 setembro 2014

VERBA MANENT - XXVIII


O mundo das finanças é um mundo misterioso onde, por muito incrível que possa parecer, a evaporação precede a liquidação. Primeiro evapora-se o capital, e depois a companhia é liquidada.
Joseph Conrad, Vitória, § 2

01 setembro 2014

(futebol) Último dia...



Portugal 1 de Setembro de 2014

Último dia para o mercado de jogadores fechar e finalmente acabar a especulação em torno de qual vai ser a equipa do Benfica que vai “atacar” o bicampeonato. Também é o último dia que vou estar por cá, esperando que amanhã já possa estar na praia desfrutando a areia e as ondas do mar.
Nestes últimos tempos aconteceram algumas coisas interessantes. Desde logo o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, onde nos calhou um grupo relativamente difícil. Mas se tivesse saído o Borussia Dortmund, o Liverpool e o Roma teria sido pior.
Recordo-me das palavras de JJ quando a propósito da miserável pré temporada (mal planeada, lesões e maus resultados) defendeu que é nos “jogos com equipas difíceis que se fazem os testes que têm de se fazer”. Não percebi bem do que é que ele se estava a defender, uma vez que das experiências que fez resultou que há 5/6 jogadores que não têm qualidade suficiente para jogar na equipa mais forte do Benfica: César, Luís Felipe, Benito, Sidnei, Bernardo Silva, João Teixeira e João Cancelo. Sabendo das dificuldades técnicas destes jogadores e do grau de exigência que existe no Benfica (adeptos + comunicação social) foi prudente apostar num esquema de jogo com 2 avançados? Acho que não, que só piorou a imagem desses jogadores e provocou danos na confiança dos adeptos.
Ora tomando como referência as ideias do nosso treinador, também me parece que isto de jogar na Liga dos Campeões, o que dá “pica” é jogar contra equipas a sério. Andar na Liga dos Campeões a jogar com Maribores e BATES Borisovs é coisa para equipas com pouca auto confiança e que têm receio dos confrontos com as grandes equipas, “safando-se” com equipas de menor experiência e/ou menores orçamentos. Portanto acho que na lógica de Jesus temos um bom grupo. Embora pudesse ter sido bem pior, como já referi.
Por outro lado, este sorteio provou uma coisa que até agora nunca tinha acontecido: a equipa do pote 1 sendo e melhor desportivamente, é contudo a que tem orçamento mais baixo dos outros potes 2, 3 e 4! Mas também por outro lado, constata-se que por ironia do destino, tal como no ano passado com o Olympiakos, saíram-nos 2 equipas muito representadas por Jorge Mendes e com muitos jogadores que vendemos ou emprestamos. Vieira quer-se ver livre deles mas no final a história dá uma grande volta e voltamos a levar com eles. Espero que este ano, com resultado diferente da época passada....
Por último, houve um novo Benfica – SCP e desta vez, vá lá saber-se porquê, JJ apresentou apenas 1 avançado, Lima contra os 2 que apresentou no jogo da Taça de Honra (com a tal equipa “remendada”). Note-se que prefiro o modelo de jogo com 1 avançado! Apenas registo, por falta de lógica, que se tenha arriscado mais, quando se tinha um plantel de menos valia.
Para variar e com aquela habitual falta de cultura desportiva que os caracteriza, a comunicação social resumiu o jogo ao infeliz lance de Artur, sem frisar de forma semelhante, a enorme intervenção no mn 89 que evitou 1 golo que podia ter ditado a derrota.
A mim pareceu-me que se podem tirar muitas outras conclusões e que não foi pelo enorme erro de Artur que perdemos 2 pontos. Do lado positivo, regista-se a boa qualidade de posse de bola do Benfica e algumas transições rápidas entre a defesa e o ataque. O que permitirá mais tarde, a concretização de mais golos. E daqui vem o lado negativo, a pouca eficácia dos avançados. Quem tem lido os meus textos recordar-se-á que mencionei a estatística dos golos de Lima com Cardozo, e dos golos de Lima com Rodrigo. Para tirar a conclusão óbvia que Lima marcou muito, mas foi com Cardozo: 20 contra 14. Ora sem Cardozo, e sem Rodrigo, que esperar de Lima? 3 jogos, 0 golos!
E daqui tiro outra conclusão mais ou menos lógica. Os assessores de Vieira, que esperaram pela morte de Eusébio para correrem com Cardozo a qualquer preço, terão algum conhecimento de futebol que não seja a arrogância do que concluem quando olham para o seu umbigo?
Um desses idiotas, Rui Gomes da Silva, quando “despacharam” Roberto e contrataram Artur ficou estupefacto (quase sentido) porque lhe disse que íamos perder o campeonato outra vez. E ainda não tinha sequer começado. Segundo ele, tínhamos resolvido o problema da baliza, as coisas não tinham como melhorar...
O problema do Benfica é que os assessores de Vieira continuam a influenciar os destinos da equipa....
Boas férias e até dia 15 ....