03 agosto 2015

(futebol) A máquina de propaganda....



Portugal 3 de Agosto de 2015

Nenhum poder, democrático ou não democrático, se mantém muito tempo no poder, se não tiver “boa” comunicação. Desde líderes democraticamente eleitos, como Hitler, a outros que conquistaram o poder político por via da força, nenhum foi indiferente ao controlo da opinião e à propaganda, como forma de manipular as vontades e comportamentos de quem vota, de quem os elege, ou, nos países onde não há eleições, para sossegar e tranquilizar o povo de que o caminho daquela liderança é o que mais interessa a todos.
Tanto nuns casos como nos outros, este controlo da comunicação social impede que as pessoas conheçam as atrocidades que esses poderes, democráticos ou não, praticam sobre os cidadãos que deveriam proteger.
No Benfica, descontando o efeito de escala da comparação, vive-se algo de semelhante. A propaganda substituiu o debate isento, o noticiário “controlado” enviesou as conclusões acerca dos problemas com que nos debatemos, e tudo, tendo sempre como referência, a boa imagem do líder do clube/SAD e da própria SAD (mais do que o Clube).
Para percebermos como tudo isto acontece de forma “ordeira” há 14 anos, teremos de perceber que Joaquim Oliveira, dono de um império na comunicação social, e Jorge Mendes, dono de outro império na intermediação de jogadores, são duas figuras que controlam o Clube/SAD, de fora para dentro, tendo como “marioneta” o presidente Luís Filipe Ferreira Vieira, hoje eleito, mas que entrou pela porta dos fundos, como “gestor” do futebol, em Março de 2001.
Estas duas figuras, actuando primeiro em grupo com o BES e a PT, empresas com projectos económicos na área do futebol e direitos televisivos, e depois da sua falência ou venda, continuam a actuar individualmente, aumentando o poder na Benfica SAD e são quem controla a máquina da propaganda visando a centralização de Vieira como referência única no universo benfiquista.
Seja porque há muito desemprego na classe jornalística e ninguém quer perder o precioso emprego, seja porque os largos anos de domínio deste mercado levam por exemplo, Joaquim Oliveira a desviar publicidade do título A para o B conforme o título A é um título “domesticado” aos seus interesses, ou não, publicidade que é vital ara assegurar a viabilidade económica dos títulos da comunicação social, seja por exemplo, Jorge Mendes, e a sua legião de jornalistas que recebem avenças ou pequenos/grandes favores para publicar aquelas noticias bombásticas tipo “Bruno Alves interessa ao Barcelona”, noticias falsas que só servem para constituir portfolios de comunicação social, dos jogadores em causa, para depois andarem a ser mostrados por essa Europa fora.
Esta gente que promove Vieira como grande referência do Benfica, não o faz de graça. Há interesses económicos que os leva estar mais próximos uns dos outros, apesar de por vezes passarem cá para fora, que as relações entre eles já foram melhores do que o que são. É falso, pois nada deste Benfica teria acontecido sem o apoio de Oliveira (em particular este, por causa da comunicação social) e aquilo que pode parece uma afronta do Benfica, como por exemplo o lançamento dos jogos de futebol no canal premium da BTV, não são mais do que pausas estratégicas para reformular as próximas acções. E o próximo passo como se sabe, é a centralização dos direitos televisivos, com o óbvio apoio de Vieira.
Portanto com esta máquina da propaganda, nunca veremos ou leremos, que Vieira fez mal aqui ou ali, que Vieira tem um passado cheio de sombras, ou simplesmente lembrar que Vieira desceu o Alverca de divisão, e como tal não é pessoa que perceba assim tanto de futebol, ou que faliu o Alverca SAD e como tal, também não é pessoa que possa gabar-se de ter projectos de prosperidade para a Benfica SAD. Se fosse com Vale e Azevedo, obviamente teríamos isso bem “escarrapachado” nas capas de jornal, nos artigos de opinião, ou naqueles pseudodebates onde os participantes normalmente têm ódios de estimação pela pessoa central do debate. Com um telefonema do Sr.º Joaquim, sempre se abre uma porta aqui e outra ali, lá dizia o Expresso em 2005.
Para além desta propaganda exterior, temos também a propaganda feita pelos próprios intervenientes que, defendendo o soldo, dizem hoje uma coisa e amanhã dizem outra completamente distinta. Domingos Soares de Oliveira é um desses. Recuando no tempo, vejamos alguns exemplos:
RECORD online, 24/09/2014: respondendo a uma observação segundo a qual o financiamento aumenta o endividamento. “Sim, mas os proveitos crescem mais depressa. Entende-se que o modelo de desenvolvimento do Benfica necessita de investimento constante na compra de jogadores, isto é, deixámos o cimento (estádio, academia e Benfica TV) e passámos para as pernas, algo que tem de ser renovado.” (espantosa afirmação, escassos 2 meses após terem sido vendidas as “pernas” de meia equipa campeã nacional. A renovação foi feita com Victor Andrade, Luís Felipe, Benito, César, Djavan, Derlei e Talisca, muitos milhões gastos mas só um conseguiu singrar no lugar das “pernas” que se venderam!).
RECORD online, 06/12/2014: sobre a venda das principais figuras do Benfica no verão Domingos Soares Oliveira, resignou-se perante a necessidade do clube em vender, face à incapacidade em concorrer a nível salarial com outros clubes europeus: "O mercado português é demasiado pequeno para que tenhamos capacidade para pagar os vencimentos mais elevados. Temos de aumentar as nossas receitas e isso apenas será possível se na equação estiverem as vendas de jogadores." (não percebo. Mas não íamos investir nas “pernas”? Em que “pernas” estava a pensar? Murillo? Ruben Paz? Diego Lopez? Hassan? Mais de 10 milhões investidos e quantos se aproveitam para a equipa principal? São estas as pernas que vamos revender para aumentar as receitas?)
DSO recebe 250 mil euros por ano. Só comecei a receber a razão deste salário estratosférico depois de somar “dois e dois”: ele não recebe para gerir a SAD, mas sim para sugerir cenários aos benfiquistas, mesmo que hoje sugira um cor-de-rosa, e amanhã outro cinzento. E sendo adepto de coração, do SCP, não é tão difícil fazer esse papel. Até nisso a máquina do Benfica de Vieira+Oliveira+Mendes está bem “pensada”: os não benfiquistas, bem pagos (este e outros) fazem melhor o papel da propaganda, que é iludir sócios e adeptos.

29 julho 2015

(futebol) Medíocre...



Portugal 29 de Julho de 2015

A pré-temporada da equipa principal vai-se desenrolando, com a participação no prestigiado torneio de Campeões, onde era muita a curiosidade de ver a equipa evoluir sobre as ordens de um treinador “dos nossos” (Vieira na sua apresentação).
Os resultados não são os que os fervorosos adeptos da teoria, “o sucesso pertence à estrutura”, estariam à espera. Mas a mim não me surpreendem de todo. Não defendi Jesus por acaso, não sou idiota para guerrear com muita gente da blogoesfera por questões irrelevantes. Jesus foi um “achado” que conseguiu ter sucesso por um vasto conjunto de razões, das quais mais de 90% residiam no seu conhecimento do futebol português e no seu carácter.
E quando se muda, por questões surrealistas (como foi o convite de ir treinar para o Qatar depois de ter conquistado o bicampeonato), pode-se encontrar um treinador com boa imagem, sócio do clube, mas que não tem esses conhecimentos de futebol ou esse carácter sólido, resistente e corajoso. E os resultados desportivos só por um acaso serão os mesmos.
Por outro lado, há muita gente que não percebendo de futebol, apenas debitando lugares comuns em catadupa, pensam que uma equipa é formada apenas por um conjunto de jogadores. E quando esse conjunto de jogadores tem resultados desportivos, a mudança para outro treinador que possa corrigir os erros do anterior, resultará numa equipa melhor e mais forte.
Um erro de avaliação tremendo, próprio de quem não “estuda” e como tal, não sabe, e pior que isso, não é grato. Porque o que vem a seguir pode de facto corrigir os erros anteriores. O que não se garante é que consiga fazer o que o anterior fez. E porquê? Porque uma equipa não é apenas um conjunto de jogadores. A liderança que o treinador exerce, os conhecimentos que o treinador tem e passa aos jogadores, a experiência que os jogadores lhe reconhecem torna mais fácil a moldagem ao que o treinador quer.
Comparar os 60 anos de Jesus com os 45 de Vitória é um indicador de que as coisas não vão correr bem. A liderança não será como já foi. E os teóricos dos lugares comuns, os que criticavam Jesus pelos seus erros e raríssimas vezes lhe reconheciam méritos pelos sucessos da equipa, irão “sofrer” muito este ano. Eles e nós, que humildemente aceitávamos os resultados, dávamos mérito a quem o tinha, e não cuspíamos no prato desse sucesso.
O carácter psicologicamente frágil do treinador Rui Vitória, pressionado pela dimensão do clube e nível de exigência, foi posto a nu após a 2ª derrota (tangencial) frente aos Red Bull. Não precisava de o fazer, mas a firmeza rompeu-se e teve de justificar um conjunto de 3 maus resultados com uma comparação ilegítima com o que se passou na época passada. Ilegítima porque nesse ano a equipa foi “esfrangalhada” pelas opções de venda de Vieira, enquanto este ano a estrutura base manteve-se. Não se podem comparar os resultados de uma equipa onde jogavam César, Benito, Bernardo Silva, João Teixeira, Luís Felipe ou Victor Andrade, quase sempre como titulares, com a actual equipa onde jogam a titulares os que de facto foram campeões no ano anterior!
Mas Vitória, acossado pelas responsabilidades tremendas que significa treinar o Benfica, já se “descaiu”. Ao 3º jogo? Mau sinal.
Outro sinal de fragilidade é quando altera o sentido das conclusões sem razão aparente, excepto a sua incapacidade de liderar. Como por exemplo quando disse que não ficou triste pela derrota com o Red Bull mas sim pelos falhanços das várias situações de golo criadas. Enquanto contra o América já disse que desta vez a sorte sorriu-nos. Se quiser ser um líder, teria dito qualquer coisa como “as grandes penalidades fizeram justiça à nossa superioridade durante os 90 mn”. O “sinal” que se passava cá para fora, era completamente diferente. Assim temos de nos preparar para ouvir a habitual e estafada “ladainha” do “falhamos muitos golos”, quando as coisas correrem mal, e “tivemos alguma sorte” quando as coisas correrem bem.
O que é que o discurso tem que ver com o sucesso d eum treinador? Bem, bastava dar o exemplo de Mourinho para explicar, mas posso acrescentar que é através do discurso que as mensagens se passam, e é importante que tenham conteúdo, dentro de uma certa estratégia de valorizar os nossos jogadores/equipa, e contestar ou levantar a dúvida sobre as equipas rivais. Gente com muitos “floreados” verbais não enganam ninguém. Gente com “punhos de renda” idem.
Gostaria de estar errado, mas antevejo uma época igual a qualquer uma das anteriores à chegada de Jesus. A “estrutura” do Benfica valia nessa altura, 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Taça da Liga em 8 épocas consecutivas. Nos próximos 8 anos é uma questão de cada um extrapolar como entender, mas não vai fugir muito destes resultados. Porque já aponto aos próximos 8 anos? Porque Vieira não vai sair, coberto pelo sucesso de algumas modalidades, pela BTV e Fundação Benfica, e porque não vai aparecer nenhum candidato à “Benfica”. Apenas uns “totós” cheios de ilusões e apego ao passado, sem conhecerem a realidade do futebol e da teia que Vieira montou neste Benfica, com ajuda e especial colaboração de Joaquim Oliveira e Jorge Mendes (com BES e PT na equipa “inicial”, mas que já saíram).

03 julho 2015

Há panteão e há O Panteão

O panteão é num qualquer lugar, podendo nem ter existência física, porque o ilustre imortal a tal se sobrepõe, arreigado que está na memória de um povo.

O Panteão é atávico local de regime político, datado no critério, obscuro na pretensão, incongruente na escolha, pertinente na incoerência.

O Panteão é escolho da perenidade.

Não sou incondicional de panteões e, muito menos, do Panteão. Prefiro o recato da memória e o respeito singular por aqueles que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando, sobretudo quando um qualquer Panteão alberga alguma gente pouco recomendável nas acções da vida.

Hoje, trasladado para lúgubre sítio, mataram Eusébio, o nosso Eusébio.

O Eusébio que desbaratou o Real Madrid em 62, o Eusébio do Mundial de 66, o Eusébio de qualquer tarde de domingo ou das quartas-feiras europeias, o Eusébio de puras Bola de Ouro e Botas de Ouro, o Eusébio que arrastava multidões quando o marketing não era milagreiro, o Eusébio que não necessitava de mostrar passaporte no tempo das fronteiras, o Eusébio-povo e do povo, o Eusébio de Portugal, esse Eusébio estará sempre noutro lugar, em qualquer lugar, menos naquele.


Se físico panteão lhe quiserem fazer, reze-se pela alma, recordem-se os feitos, eternize-se-lhe a memória junto da estátua, no Estádio da Luz, o verdadeiro cenotáfio da sua arte, em paz, entre os seus.   

26 junho 2015

(futebol) Surrealista...



Portugal 26 de Junho de 2015

A inacreditável saída de Jorge Jesus do Benfica, é o facto mais marcante dos últimos tempos ou anos da gestão Vieira, e apesar de não ter podido reflectir sobre este assunto, não podia deixar de registar a minha opinião, para memória futura.
Quem me costuma ler, sabe que por diversas vezes me tenho referido a Vieira como uma espécie de “rei nu” ou alguém que “faz de conta que é presidente” do Benfica. Palavras e comparações duras, mas que não surgem do nada, não surgem de uma qualquer embirração pessoal, não surgem em qualquer contexto de politica interna, mas tão-somente da necessidade de provocar o debate em torno do caminho que o Benfica tem seguido desde 2000 para cá. Um caminho sinuoso, sem estratégia que promova os interesses económicos e desportivos do Benfica, sem resultados desportivos que justifiquem os avultados investimentos económico-financeiros que têm sido feitos, sem vermos a luz ao fim do túnel, como repetidamente temos ouvido dizer a Vieira que entrou no Benfica através do Dr.º Vilarinho, que funcionou na plenitude como um cavalo de Tróia.
A dimensão da hipocrisia demonstrada por Vieira neste processo, até a mim me surpreendeu, eu que tantas vezes o tenho acusado de ser farsante, de ser uma pessoa que representa o papel, faz de conta que faz, mas não faz. O convite para ir treinar uma grande equipa francesa, via Qatar onde estaria um ano, com o avião a sair no dia seguinte, é de um calculismo tão cínico, tão hipócrita, que rebenta com tudo que pensava que era negativo no Benfica.
Vamos a factos. O Correio da Manhã noticiou em Janeiro (!) o interesse do Benfica em Rui Vitória. Vieira nunca reuniu com Jesus para discutir a renovação, com o argumento rotineiro, “depois de terminar o campeonato falamos”. A partir de 1 de Janeiro, Jesus era livre de se comprometer com quem quisesse, mas a aparente relação de amizade entre ele e Vieira, dava garantias que o Benfica seria sempre a sua 1ª opção. Em 21 de Maio, a BOLA online anunciava “embora o presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, ainda tenha uma reunião agendada com o treinador Jorge Jesus acerca da renovação do seu contrato, o máximo dirigente benfiquista já tem alternativas preparadas e uma delas é o técnico Rui Vitória do Vitória de Guimarães”. A 28 de Maio, no lançamento do jogo da Taça da Liga, Jesus disse que estava “apenas e só concentrado na final da Taça da Liga. O treinador do Benfica evitou falar do seu futuro e apontou baterias para a conquista de mais um troféu”. Em 3 de Junho o sitio Relvado transmitia a notícia “de acordo com a RTP, o clube da Luz só admite a saída do técnico de 60 anos para o estrangeiro, admitindo até facilitar a mudança, caso seja essa a vontade de Jesus, estando esse processo nas mãos do empresário Jorge Mendes. Porém o mesmo não se aplica ao território nacional, uma vez que o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, não o quer ver em Alvalade ou no Dragão. O líder encarnado tem consciência que não faz sentido deixar sair o treinador bicampeão para qualquer um dos rivais e o salário de quatro milhões não será impedimento para a renovação de contrato”.
Conjugando tudo isto resulta claro que a renovação com Jesus não era prioridade e que o salário de 4 milhões não era problema para a renovação, se as outras ofertas fossem nacionais. Qual era então a estratégia da SAD e do Sr.º Vieira, para o treinador que nos dois últimos anos, ganhou 6 títulos nacionais, incluindo um bicampeonato, e levou o Benfica a mais uma final europeia? Simples: NENHUMA! Ele devia sair, ir treinar para França via Qatar, o assunto estava nas mãos de Jorge Mendes (sempre este) e a questão da manutenção do salário só se aplicava caso ele quisesse treinar em Portugal.
A opção de Vieira traduziu-se numa enormíssima falta de respeito pelo treinador e pelo homem, e numa enormíssima falta de respeito por todos aqueles que acreditam que Vieira está a gerir o futebol a pensar no sucesso desportivo.
Quanto ao treinador teve azar e pela primeira vez teve alguém que lhe fez frente. Doravante, qualquer resultado desportivo de Jesus será sempre comparado com o Benfica de Vieira e Rui Vitória. Quanto aos adeptos, esses são mais fáceis de “enrolar”, já que a máquina de propaganda, não deixa nada ao acaso tendo conseguido transformar a vítima em ré! Ou seja, quem traiu as expectativas de Jesus e dos benfiquistas, Vieira, passou por traído, quem foi traído porque contava com um reconhecimento pelas últimas vitórias, passou por traidor (Judas).
Como isto se faz? Simples. Nos primeiros 4/5 dias após a consumação da passagem de Jesus para o SCP, só ouvimos e lemos gente a falar do ponto de vista de Vieira. Ao fim de 4/5 dias, é quando lemos e ouvimos a versão das gentes ligadas a Jesus. Mas já vão tarde porque a opinião dos adeptos já estava formada a favor de Vieira. A comunicação social é o 4º poder e não é por acaso. Porque razão Vieira tem tratamento VIP para os “mídia” e os outros não? Também é simples de responder: Vieira é o rosto de uma estratégia alheia ao Benfica, com muita gente que está a parasitar os nossos interesses e que tem muita influência nos mídia: Jorge Mendes e Joaquim Oliveira!
Posto isto, e quando ouço que Vieira recebeu os deputados e no seu discurso, escrito por alguém que ainda não tivemos o prazer de conhecer, disse que “é preciso ser grato”, concluo que a sua hipocrisia rebentou com a escala.
14 épocas, 4 campeonatos, 3 deles com o treinador a quem se abre a porta para sair do clube, 200 milhões de divida bancária, 200 milhões de juros pagos, são estes os “títulos” de Vieira e quem o acompanha. O objectivo não é, nunca foi, ganhar no futebol. São outros interesses que estão a enriquecer muita gente, dentro e fora do Benfica.

11 junho 2015

(futebol) A "estrutura"...



Portugal 11 de Junho de 2015

Após a conquista do bicampeonato, que vendo bem, parece que surpreendeu muita gente responsável do Benfica, apareceram uns quantos “lambe-botas” na comunicação social, onlines, intervenções públicas, etc, a falar da importância da “estrutura” do Benfica ou da mudança de “paradigma” desportivo, sugerindo que o Benfica estava a terminar o reinado do FCP no domínio pelo futebol português.
À data que escreveram isto, estamos a falar de um “paradigma” constituído por 1 penta, 1 tetra, 1 tri e vários bicampeonatos do FCP, nestes últimos 31 anos. É fantástico como um simples bicampeonato do Benfica pode por essa gente muito inteligente, ou muito lambe-botas, a falar de mudança de paradigma.
Se razões havia para pensar que não há qualquer mudança de paradigma, pelo estilo, estratégia e resultados conhecidos da gestão Vieira, os primeiros sinais de que não haverá qualquer mudança foram dados com a sugestão dada a Jesus que deveria ir treinar para o Qatar e aproveitar o contrato da vida dele. Efectivamente um gestor, alguém que toma decisões de forma racional mas com um objectivo ganhador, não pode mandar embora quem conhece e tem resultados, para apostar num treinador que por melhor curriculum desportivo que tenha, chega e arrisca-se a perder, porque como sabemos, a nossa competição não é limpa, não e justa, obriga o Benfica a jogar muito mais do que os outros para ultrapassar todo o tipo de armadilhas que nos são colocados. Portanto não basta ser um “bom “treinador lá fora, porque no Benfica é tudo diferente.
Mas também nunca haveria mudança de paradigma desportivo por influência positiva da “estrutura” do Benfica, uma vez que a estatística é como o algodão e não engana! Nestes últimos 6 anos de Benfica, com uma aposta no futebol espectáculo e com um treinador que devido a N factores conseguiu recolocar o Benfica na senda do sucesso, o FCP ganhou 3 campeonatos onde ultrapassou sempre a fasquia dos 80% de pontos conquistados, chegando aos 90% num deles. Mesmo na derrota de “Lolpetegui” conseguiram 80% de pontos justos!
Se recuarmos ao tetra do FCP, Co Adrianse mais Jesualdo Ferreira (2005/06 a 2008/09), constatamos que todos esses títulos foram ganhos abaixo dos 80% de pontos!
A marca dos 80% é um valor de referência porque foi com 80% que Mourinho ganhou o 2º título de campeão no FCP, com uma equipa que, com ajudas de arbitragem ou não, com sorte no sorteio ou não, ganhou a Champions League ao Mónaco. Ora se Mourinho com uma boa equipa fez “apenas” 80% fácil é concluir que, se actuais equipas do FCP não são treinadas por treinadores acima da média, nem por jogadores que deixam marca, então a subida de pontuação das equipas do FCP deve-se apenas a um factor: maior domínio da arbitragem.
Então como é que o Benfica ganhou 3 campeonatos em 6 possíveis, se o FCP aumentou o domínio da arbitragem por ineficácia, incompetência ou desleixo da nossa “estrutura”? Exactamente porque o treinador era muito bom. Não porque a “estrutura” do Benfica justificasse essa melhoria de perfomances no futebol, mas sim porque o treinador, um “achado” nos dias que correm, era bom. Talvez bom demais para a estratégia dos poderes do futebol, que Vieira representa de forma exemplar. A extraordinária capacidade para dizer hoje uma coisa, e amanhã justificar o seu oposto, não está ao alcance de qualquer um. Só pessoas com elevado potencial e/ou máquina de propaganda mediática (paga, obviamente), podem alcançar o nível que o Sr.º Vieira já alcançou em 14 épocas em que prometeu muito e alcançou pouco.
A “estrutura” é pois uma figura de estilo sustentada não em factos mas em opiniões, vindas quase sempre de gente beneficiária do actual modelo de gestão “empresarial” do Benfica, seja o administrador da SAD (onde é que ganhava 250 mil por ano?), sejam os opinadores de serviço (milhares de euros mensais), sejam outros avençados espalhado em blogues e outros espaços online. A “estrutura” pretendeu reter os méritos de Jesus, ou partilhá-los, para suavizar a sua saída e não porque os mereça de facto.
Daqui a um ano, a “estrutura” irá ser julgada pelas opções que fez, comparadas com as da época que agora termina. Se tudo isto contribuir para esvaziar o estado de graça de Vieira, valeu a pena. Pelo Benfica!

04 junho 2015

(futebol) Os meus destaques do 34...



Portugal 4 de Junho de 2015

Parece que já foi há 1 mês que nos sagramos campeões, bicampeões, e foi apenas há dias. Mas tantas notícias contraditórias têm sido publicadas, com concordância ou não dos nossos “altos” responsáveis, que diria que hoje em dia interessa mais é saber se JJ fica com o mesmo salário, se vai para o SCP ou se aceita uma das propostas tentadoras que lhe têm sido colocadas pelo seu empresário, ficando nós sem saber porque razão o Benfica ainda não fez qualquer proposta “tentadora” (mantenho este parágrafo, porque quero exprimir – com toda a pureza - o que pensei ontem sobre isto. A seu tempo escreverei sobre a saída de JJ).
O 34º campeonato foi uma prova difícil, ganha com mérito, raça, querer e ambição de muita gente. Quero aqui deixar os meus sublinhados, não esquecendo nunca, e em primeiro lugar, o apoio dos adeptos espalhados pelo país fora, que nos momentos menos bons conseguiram ser o 12º jogador, empurrando para cima o que os adversários e árbitros tentavam empurrar para baixo. Para além dos adeptos, queria registar mais o seguinte:
Artur Moraes - apesar de ter vindo a perder importância na equipa, em particular depois da lesão em Olhão na época passada, quando surgiu um super Oblak que veio mostrar ser um dos melhores guarda-redes da Europa, dizia eu que Artur Moraes foi determinante na conquista da Supertaça, defendendo duas grandes penalidades, num jogo em que não conseguimos marcar um golo ao Rio Ave, mas também, e em particular, defendendo o penalty contra o Paços de Ferreira, aos 15 mn da 1ª jornada. Dado o fraco nível técnico que a equipa apresentava, depois de uma péssima pré temporada, se o Paços tem feito golo não sei se teríamos ganho o jogo, e com isso marcado 3 pontos que também nos permitiram ganhar o campeonato! Uma derrota ou um empate nesse jogo teria sido terrível para os nossos principais objectivos. Artur Moraes não deixou.
Eliseu – Na fase inicial da época, foi com dois grandes golos de Eliseu que nos mantivemos nos lugares de cima da classificação. Ao Boavista, onde vencemos com o seu golo, e depois frente ao Moreirense, onde com o seu golo empatamos um jogo que estávamos a perder. E que depois ganhamos marcando mais 3 pontos.
Luisão e Jardel – desfeita a dupla Luisão + Garay por critérios que poucos entenderam, Jardel foi o escolhido para jogar ao lado do “professor” Luisão. E os resultados não deixam margem para dúvidas: 16 golos sofridos, 2 de grande penalidade. Luisão primou pela sobriedade defensiva, Jardel marcou 1 golo determinante, já na 2ª volta, aos 94 mn em Alvalade, ajudando assim a tirar o SCP das contas do título, e ajudando a cimentar a entrada directa na Liga dos Campeões.
Talisca – ainda na fase inicial da prova, digamos, o primeiro terço (11 jogos), o jovem de 20 anos Talisca acabou por ser uma grande alavanca no lançar de bases para a conquista do título. Com um Lima em crise (sem Cardozo ao lado, isso não me surpreendeu), foram também os golos de Talisca que nos ajudaram a facturar muitos 3 pontos. Setúbal (hat-trick), Estoril e Rio Ave (ganhamos 1-0) são 3 jogos que até à jornada 9 evidenciam a importância de Talisca. Sem o seu contributo tenho dúvidas que existisse este 34.
Júlio César – contratado com o “comboio” em movimento, foi com algum sentimento de injustiça que o vi ocupar o lugar de Artur Moraes, em particular porque este tinha começado bem a época, dando-nos a Supertaça e ajudando a ganhar ao Paços na 1ª jornada. Ironia das ironias, Artur esteve mais de 200 mn sem sofrer golos, e Júlio César apenas 17 mn! Contudo com o passar dos jogos, Júlio César foi ganhando confiança e ajudou, de que maneira, a manter a baliza inviolada nos dois jogos com o FCP. E isso também foi determinante para a conquista do título.
Lima – jogador muito adorado pelos adeptos, ou não fosse um jogador também bem visto pela comunicação social, Lima foi na fase inicial da época um autêntico flop. Se a “estrutura” do Benfica apostava nele para segurar as pontas da equipa, os poucos golos e assistências, confirmaram o que era previsível da leitura das suas estatísticas: marcou 20 golos quando jogou ao lado de Cardozo, e apenas 14 ao lado de Rodrigo. Não foi por acaso. Contudo tem de ser feita justiça, pois foi determinante num único jogo: no Porto com os dois golos que marcou, que nos deram a vitória e nos permitiram acreditar que afinal, contra tudo e todos, era possível ficar à frente do FCP.
Jonas – Veio à 7ª jornada, mais uma prova da má gestão que a “estrutura” do Benfica fez e faz. Podia ter sido trucidado caso a situação na tabela classificativa fosse má. Não foi assim, a equipa estava bem, e Jonas teve condições mentais, psicológicas e técnicas para mostrar o que é: o melhor jogador da Liga Portuguesa para a UEFA. Os seus golos estão associados à conquista do campeonato. Sem Jonas o título teria sido impossível!
Jorge Jesus – A inveja é tramada e ainda se vê e escuta muita gente a criticar o seu ordenado, ou a desvalorizar o seu mérito no futebol actual do Benfica, com alegadas condições que outros não tiveram. Uma falácia completa de gente mesquinha que não vale os “tomates de um gato”. Ao longo de 6 anos, e comparando apenas as épocas 2009/10 a 12/13 (os únicos dados que recolhi de um artigo qualquer), o FCP investiu 29,7+43+41,6+10 = 124,3 milhões. O Benfica investiu 34,3+36,1+29,7+22 = 122,1 milhões. Em ambas as situações não estão incluídas as vendas de jogadores do plantel principal, o que poderia dar uma medida do empobrecimento ou não, do valor desportivo de cada equipa. Mas com algum bom senso, também concluímos que não ganhamos os campeonatos de 11/12 e 12/13 por razões extra desportivas, e não por erros de Jesus ou porque o FCP investiu ligeiramente mais do que nós.
Jesus foi o “cimento” aglutinador da equipa. Aquele que com a sua sabedoria de anos de bola, impôs a sua liderança com naturalidade. Aquele que veio de baixo e teve de lutar para ser melhor, que teve a capacidade para coleccionar conhecimentos e competências, aquele que utilizou bem toda essa experiência adquirida em prol das equipas que treinou e treina, e que no Benfica resultou em 3 campeonatos limpinhos, em 6 possíveis. Só quem não sabe como a arbitragem é e continuará a ser responsável pela atribuição dos títulos, e que para o Benfica reduz a pontuação, só quem não conhece a importância da pressão mediática e a sua influência nos adeptos do Benfica e por consequência nos jogadores e treinadores da equipa, é que poderá desvalorizar os feitos de Jesus. Ou, também pode ser isso, por má fé e tacanhez de vistas, algo que me custa a aceitar num clube que se diz grande. Mas de grandeza, e isso é uma constatação, apenas tem os seus sócios e adeptos, e o seu passado glorioso. No presente somos um clube de gente muito pequena e perigosa.
Uma palavra naturalmente para todos os outros jogadores, cuja entrega, raça e ambição ajudaram a ser bem sucedidos. E também para o Lopetegui que errou o suficiente em dois ou três jogos, como o FCP - Benfica e com isso, ajudou-nos a chegar aos 83% de pontos e à vitória no campeonato.

Portugal 5 de Junho de 2015