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07 março 2011

Descubra as Diferenças - Os Museus


À partida, poderá parecer escusado uma ilha da dimensão de São Miguel ter dois Museus direccionados à arte contemporânea. E esta é uma ideia que até poderá fazer algum sentido. No entanto, importa desconstruir as relações custo-benefício destas duas obras, para podermos melhor compreender, de facto, a utilidade de cada uma delas.

Sobre o Centro de Arte Contemporânea, que ficará na Ribeira Grande, a informação divulgada ainda não é muita. Sabe-se apenas que terá um valor que ascenderá os 13 milhões de euros e será assinado pelos arquitectos João Mendes Ribeiro, Cristina Guedes e Francisco Campos.

Em 2009, na apresentação da recandidatura à Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral apresentou o projecto para o Museu de Arte Contemporânea, que ficará situado na nova Avenida do Mar, na zona nascente da maior cidade dos Açores. O custo desta obra será de, aproximadamente, 7 milhões de euros e será assinado por Oscar Niemayer, provavelmente o arquitecto vivo mais famoso do mundo. É fundamental referir que Niemeyer é o único arquitecto que concebeu uma cidade do zero e que é Património Cultural da Humanidade, a capital do Brasil, Brasilia. Ademais, segundo informação da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Museu será comparticipado em 85% por fundos comunitários que são direccionados à cultura e que de outra forma, poderiam não ser utilizados.

Por outro lado, o contrato assinado pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada e o gabinete de Niemeyer engloba todo o projecto arquitectónico em si e de todos os estudos de especialidade necessários e garante ainda que o Museu ficará inserido no Caminho de Niemeyer, uma rota de cidades mundiais que contam com obras do arquitecto. Trata-se, portanto, de muito mais do que um simples projecto de arquitectura, é também uma medida que coloca Ponta Delgada no mapa da cultura internacional. A construção do Museu em Ponta Delgada irá, então, revitalizar a economia, criar emprego e será uma aposta séria para a dinamização do turismo em São Miguel.

Sendo certo que existem muitas outras áreas seriam prioritárias, a aposta na Cultura nunca será excessiva. Basta ver que Ponta Delgada ficou a ganhar e muito com a co-existência do Teatro Micaelense e do Coliseu. Penso que o importante aqui é olhar às relações custo/benefício. Enquanto que o Museu de Ponta Delgada terá um custo irrisório para os contribuinte, apenas 15% dos 7 milhões do valor total da obra, mas com muitos benefícios, como vimos. O Museu da Ribeira Grande custará aos açorianos, pelo menos, 13 milhoes de euros e não se vislumbra grande mais valias, pelo menos, analisada a informação que o Governo libertou.

No entanto, já se começam a ouvir e a ler muitas vozes, relacionadas com o Partido Socialista, incomodadas com a construção do Museu pela Câmara de Ponta Delgada. E depois de termos visto os custos a benefícios que ambas as obras terão, torna-se compreensível que fiquem incomodados. É que com metade do preço, e ainda por cima comparticipado em 85%, Berta Cabral consegue uma obra de muito maior dimensão e com muitos mais benefícios para São Miguel. Não basta ter dinheiro e atirar para cima dos problemas.

É preciso trabalhar e saber gerir o bem público.

04 março 2011

O Dobro ou a Metade

Ficou-se a saber, através da Resolução 19/2011 de 2 de Março de 2011, que o projecto de construção da nova Biblioteca de Angra do Heroísmo sofreu uma derrapagem de 705 mil euros, porque, e passo a citar, "verificou-se que as fachadas revestidas a vidro U-Glass, não seriam exequíveis, com as características projectadas, tendo-se concluído pela utilização de vidro temperado". Ora, a obra já estava orçada em cerca de 13 milhões de euros, pelo que ficará, por agora, por um valor final de cerca de 13.7 milhões de euros.

Curiosamente, no dia a seguir à publicação da dita Resolução, a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, apresentou o projecto de construção do novo Museu de Arte Contemporânea. Esta obra de grande magnitude, que servirá a maior cidade dos Açores, terá um valor total de 7 milhões de euros, que serão comparticipados em 85% por fundos comunitários que, de outra forma, não seriam executados.

O dobro ou a metade. Depende da perspectiva.

05 março 2010

Central de Camionagem

É unânime que Ponta Delgada necessita duma central de camionagem. No entanto, um projecto desta dimensão e com as implicações que acarreta deve ser fruto de profundo debate. Desde logo, a localização. Parece evidente que a central deve se localizar o mais perto possível do centro. Só quem não se desloca do resto do Concelho e até do resto da ilha todos os dias para Ponta Delgada para trabalhar é que poderia pensar em construir uma central na periferia. Nem são precisos grandes estudos para perceber que: 1) ninguém está disposto a apanhar uma camioneta na sua freguesia e depois ter que fazer o transbordo na periferia e 2) As camionetas têm lotações de 90 passageiros, enquanto as mini-bus têm de 20. Pense-se em duas camionetas cheias a chegarem em simultâneo. Seriam necessárias 9 mini-bus prontas à espera. Pense-se no tempo de demora. Pense-se que algumas pessoas já levam uma hora do local onde moram até chegarem a Ponta Delgada e aumente-se o tempo do transbordo e depois da viagem da mini-bus. A localização deve ser, portanto, o mais central possível. Esta é, aliás, a prática comum em todas as cidades.

Mas onde? Uma rápida análise a Ponta Delgada mostra que a zona poente ficou extremamente fragilizada desde que o Hospital mudou de instalações. Do ponto de vista da gestão do crescimento sustentado da cidade, é evidente que é necessário investimento naquela zona. A partir daí, e perante estes pressupostos, tenta-se procurar uma localização que esteja disponível. Ora, é neste contexto que a CMPD procurou soluções nos terrenos que tem disponível para o efeito e foi neste contexto que surgiu, por exemplo, a hipótese do subterrâneo no Campo de São Francisco. Mas entretanto, surge a oportunidade de fazer a Central no terreno do União Sportiva, dentro duma lógica de parceira publico-privada. Uma solução que preenche os requisitos anteriormente referidos, mas com a vantagem em relação ao Campo de São Francisco de, por um lado, ser uma obra aparentemente menos trabalhosa e com menor impacto para os habitantes da cidade e, por outro lado, porque faz captação de investimento externo. Recordemo-nos que até o Governo tem uma agência que procura investimento externo para a região (APIA).

Porém, e como seria de esperar, uma obra desta natureza e dimensão e no centro de Ponta Delgada, terá sempre consequências a nível de trânsito, de enquadramento arquitectónico, de impacto social e económico na zona em questão. Tudo isso tem vindo a ser acautelado, segundo informações que foram fornecidas pela própria Presidente da CMPD na sessão de esclarecimento público que teve lugar na Junta de Freguesia de São José (dia 4 de Março 2010). Estudos técnicos foram realizados e apresentados de modo a antecipar o volume de tráfego que as zonas circundantes vierem a ter. Os resultados garantem que a construção pode avançar na zona. Além disso, qualquer construção obedece às regras presentes no PDM, logo a questão da volumetria estará de acordo com o que está predefinido para a área. De resto, parece claro que todos os empresários da zona ficarão a ganhar, com a dinâmica que a zona ganhará.

Este projecto nasce com um propósito claro: melhorar a vida das pessoas que utilizam os transportes públicos em Ponta Delgada. A partir daí houve que se tentar encontrar a melhor solução possível, dentro das hipóteses e limitações existentes, e é isso que foi feito pela Câmara Municipal de Ponta Delgada. Infelizmente, aquilo que se vê, por parte da oposição socialista, é um permanente azedume e posições irredutíveis do contra porque sim, sem qualquer tipo de sentido cívico.

11 fevereiro 2009

Recolha Selectiva de Lixo em PDL?

(a foto foi tirada na minha saudosa casa de Nordeste)

Faz hoje, dia 11 de Fevereiro, exactamente 17 meses que falei aqui sobre o excelente exemplo do munícipio de Nordeste relativamente à recolha selectiva de lixo. Pois bem, as notícias do dia revelam que a Câmara Municipal de Ponta Delgada vai iniciar um programa piloto deste modelo (no âmbito já do Plano de Acção da Agenda 21) que tantos benefícios trás, desde logo, para o ambiente devido à redução drástica na utilização de aterros. Deseja-se que a experiência se transforme num programa efectivo e que a população faça a sua parte.