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28 fevereiro 2011

A nomeação de Mário Mesquita para a FLAD - o que mudou?



O açoriano Mário Mesquita foi nomeado no final de 2006 pelo Primeiro Ministro para fazer parte do Conselho Executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Na altura esperava-se que essa nomeação representasse uma mudança naquilo que é a acção da FLAD, que passaria a ter outra atenção aos Açores. Aliás, André Bradford disse que esperava uma “injecção de sensibilidade para as questões açorianas na FLAD”, que se traduzisse em mais projectos de cooperação e desenvolvimento.

No entanto, passados quase 5 anos sobre a nomeação de Mário Mesquita e aquilo que os Açores ganharam foi pouco mais que uma ou outra apresentação de um livro feita em Ponta Delgada. Ridículo, portanto. E caso para o Dr. Bradford olhar para trás e assumir o engano.

A questão é simples: a FLAD deve ou não servir os interesses dos Açores? A verdade é que a sua criação se deve ao acordo de cooperação entre EUA e Portugal, que existe devido à presença dos americanos nas Lajes. Mas, nos Estatutos da FLAD não há nenhuma referência aos Açores. E sabia-se que os próprios membros do Conselho Executivo da FLAD nem queriam ouvir falar em interesses específicos dos Açores. Portanto, a nomeação de Mário Mesquita nunca poderia ser vista como uma vitória do governo de Carlos César. No máximo é uma vitória do próprio Mesquita, que nem vive nos Açores há décadas.

Esta sim, é uma questão de Autonomia. A FLAD existe devido aos Açores. Se a FLAD não tem uma acção especialmente direccionada para os Açores, como é o caso, então coloca em causa todo o edifício autonómico açoriano. Porque, no fundo, dizem-nos que fazemos parte de um todo que é Portugal e não podemos ter um regime de excepção. Mas o nosso regime de excepção existe, e existe exactamente devido à nossa condição de insularidade e à nossa posição geo-estratégica no meio do Atlântico, que, no fim, justifica a existência da FLAD.

Com os documentos agora divulgados pela Wikileaks confirma-se o que já se temia, a FLAD existe, isso sim, para salvaguardar os interesses de um punhado de pessoas. A FLAD, nos actuais moldes, é uma derrota para os Açores. Com ou sem Mário Mesquita.

A ver, com atenção, a reportagem sobre a FLAD realizada por altura da nomeação de Mesquita. E confirmar o auto-engano de Bradord e do Governo regional dos Açores, ao esperar de Mesquita o que sabiam que nunca iria ser possível.





29 setembro 2007

Transatlantic Trends

Transatlantic Trends é um estudo que permite avaliar as posições de norte-americanos e europeus, relativamente a uma série de assuntos de grande importancia nas relações internacionais. Entre os vários indicadores apresentados, destaque para a principal razão do declínio da relação transatlâtica: 38% dos europeus e dos norte-americanos acha que a relação tem vindo a deteriorar-se devido à forma como a guerra do Iraque tem sido gerida; 34% dos europeus acha que é apenas devido ao Presidente Bush, contra 39% dos norte-americanos; 11% dos europeus sente que o facto dos EUA não participarem no Protocolo de Kyoto é a principal razão, contra 5% dos americanos; e 4% dos europeus acha que é devido ao tratamento dos prisioneiros de Guantanamo Bay, contra 2% dos americanos.