14 julho 2017

(futebol) É fácil roubar os clubes . parte I



Portugal 14 de Julho de 2017

A bola já rola para gáudio dos adeptos e sócios, Nélson Semedo foi vendido por 30 milhões, podendo render mais 5 milhões por objectivos, mas o tema hoje é, pegando nas palavras de Bruno de Carvalho de dia 3 de Julho “é fácil roubar os clubes”.
Segundo ele “É muito fácil roubar dinheiro a um clube. Nem é preciso uma conta bancária", disse Bruno de Carvalho em entrevista ao site norte-americano de economia Bloomberg. O presidente do Sporting referia-se à forma como os clubes são geridos e ficam à mercê da fraude dos seus dirigentes, referindo-se à forma "pouco ética e ilegal de alguns comportamentos comuns em Portugal".
Vou “colar” mais coisas que tenho recolhido das publicações na comunicação social.
21 de Setembro de 2016, fonte BOLA: “O administrador-executivo da SAD do Benfica, Domingos Soares Oliveira, esclareceu, esta quarta-feira, que os encarnados não têm prevista a venda de jogadores no próximo mercado de Janeiro”.
7 de Setembro de 2016, fonte TVI: “(Vieira) «Para nós, o empresário é uma parceria. Temos uma parceria com a Gestifute e Jorge Mendes. É uma relação aberta. Nós dizemos o que queremos gastar e ele cobra uma percentagem que pode chegar a 10 por cento. O Benfica não tem segredos nem tabus, temos uma mentalidade empresarial e não temos problema algum em dizer o que se passa. Tem havido muita demagogia nas últimas semanas».
31 de Outubro de 2016, fonte CM: “Luís Filipe Vieira projecta fazer um encaixe financeiro de 90 milhões de euros no próximo mercado de inverno (Janeiro)...” (nota: notícia não desmentida).
26 de Janeiro, fonte DN: “Os 30 milhões encaixados com a venda de Gonçalo Guedes para o Paris Saint-Germain - assinou ontem contrato válido até 2021 e fica com a camisola 15 dos parisienses - fazem a SAD encarnada superar a barreira das seis centenas de milhões. Ainda durante este período, os encarnados investiram cerca de 380 milhões de euros no reforço do plantel principal, o que corresponde a um saldo positivo superior a 225 milhões de euros em transacções com futebolistas”.
25 de Março, fonte CM: “De acordo com aquele relatório (nota: publicado no site da FPF), que apresenta verbas referentes às comissões envolvidas tanto em transferências como em renovações contratuais, houve 26 negócios com pagamento de comissões por parte do clube da Luz, com um montante total envolvido de 30,105 milhões de euros”.
31 de Maio, fonte JOGO: “Tal como O JOGO noticiou atempadamente, André Moreira já não foge ao Benfica. O atleta aguarda apenas a oficialização da transferência de Ederson para o Manchester City para receber a ordem de fazer exames médicos e assinar contrato na Luz, o que pode acontecer ainda esta semana. O guarda-redes português do Atlético de Madrid tem há semanas um acordo encaminhado com as águias, numa operação que contou com a participação do empresário Jorge Mendes, curiosamente também responsável pela negociação do atual dono da baliza das águias com os citizens”.
Podia colar mais coisas mas penso ter aqui matéria suficiente para tirar conclusões pouco simpáticas para os benfiquistas que acreditam neste projecto empresarial do Benfica, nas pessoas que o lideram, na propaganda que envolve este Benfica das parcerias com Joaquim Oliveira, o dono da comunicação social ou Jorge Mendes, o super agente que controla muito do que Oliveira não controla no que diz respeito à comunicação social.
O Benfica está a ser “roubado”. É certo que está a ser “roubado” com esquemas “legais”, porque existem contratos onde as partes acordam de boa fé, termos de compra e venda que ambos reconhecem e aceitam. A questão é que, parte do que o Benfica paga a mais aos agentes dos jogadores, com Jorge Mendes à cabeça, é distribuído, por detrás da “cortina”, a muita gente dos clubes, e no caso do Benfica, da dita “estrutura”, com (naturalmente) Vieira à cabeça.
Se o que Vieira disse na TVI fosse verdade, e Mendes (tal como os outros empresários) cobrassem apenas 10% por intermediação, para o Benfica pagar 30 milhões de comissões teria de ter negociado, entre compras e vendas, 300 milhões de euros em jogadores. Ora isso manifestamente não aconteceu entre 1 de Abril de 2015 e 31 de Março de 2016.
O que acontece é que os famosos “direitos económicos” que os empresários “arrastam” nos passes dos jogadores, sem se perceber como os adquiriram ou quanto pagaram para os ter, são ao fim e ao cabo, comissões que os clubes pagam. São comissões encapotadas para o público em geral, mas não para quem como a FPF, sistematiza as contas dos clubes/SAD. E quando os clubes, como o Benfica, pagam essas comissões a sociedades off-shore, é óbvio que a primeira conclusão que se tira é que se pretende esconder o destino do dinheiro, para além de fugir ao pagamento de impostos. E como tal todas as leituras são possíveis.
(continua)

27 junho 2017

(futebol) E-mailes e SMS



Portugal 27 de Junho de 2017

Nos dias que correm o nome do Benfica tem sido conspurcado com diversas noticias fazendo referência a comportamentos ilegítimos, ilegais e eventualmente sancionáveis pela Justiça Civil e Desportiva. Temos sido atacados de forma organizada pelos dois rivais, um que toma a iniciativa e outro que reproduz as ondas de “choque”, e com um objectivo evidente que é condicionar toda a envolvente futebolística do Benfica, para a próxima época desportiva.
Ganhar 4 campeonatos seguidos aos rivais, é algo inédito não só para o Benfica mas nos tempos que correm, em particular se atendermos que antes disso, a mesma “estrutura” da SAD tinha ganho apenas os campeonatos de 2004/2005 e 2009/2010, mas tinha “oferecido” um tetra (2005/2009) e um tri (2011/2013) ou seja, 7 campeonatos em 8 possíveis, ao FCP.
É bom relembrar isto porque os adeptos do Benfica são sonhadores e pouco dados a estudar os problemas do clube, preferindo “regurgitar” o que lêem na comunicação social (e os títulos que esta SAD “ofereceu” ao FCP, não lêem de certeza). Ora a comunicação social, entenda-se, os respectivos patrões/ proprietários, são apoiantes do actual modelo de gestão do Benfica por variadas razões que não cabem neste texto.
Dito isto e voltando aos e-mailes e sms, na minha opinião não existe matéria grave que possa afectar desportivamente o clube. Fundamento esta dedução num pormenor tão simples que parece ninguém ter percebido: se os e-mailes e sms fossem de especial gravidade, os responsáveis do FCP e do SCP teriam guardado sigilo, teriam entregue essas “provas” ao DIAP do MP e aguardariam o evoluir das diligências desta entidade em conjunto com a PJ. Ao optarem por tornar público os alegados “trunfos” que tinham, na minha opinião, FCP (e SCP a reboque) sabem que não há conduta ilícita e apenas pretendem emporcalhar o nome do Benfica através do julgamento popular, o único de que não há recurso possível! Uma vez “condenados”, não há volta a dar, pelo menos na opinião pública. E é isso, e nada mais que isso, que me parece que eles pretendem.
Ora o Benfica, fruto de uma deficiente estratégia de comunicação, tem deixado que ao longo dos anos se crie a ideia de que somos beneficiados pela arbitragem. Porquê? Não sei, mas desde que Vieira recebeu o emblema de ouro pelos 50 anos de sócio sem ter recebido o emblema de prata pelos 25 anos de sócio, como se comprova através do jornal BENFICA, é possível pensar em tudo.
O que é certo é que a passividade do Benfica tem conjugado bem com a agressividade dos rivais. Até que este ano se bateram recordes negativos de acusações, muitas de especial gravidade, como escrevi atrás sem ilícito penal ou desportivo, mas que mancham a reputação do clube e da sua honrada história. Aparentemente, desta vez a SAD “disparou” processos em várias direcções! Vamos ver quantos avançam mesmo, ou quanto são a fazer de conta que se está a defender o clube.
Contudo, apesar de não ver ilícito de espécie alguma, fica mais ou menos evidente como funciona a SAD liderada pelo Sr.º Vieira, o “estranho” empresário que por onde passa deixa quase sempre um rasto de falências enquanto a sua situação patrimonial se engrandece (isto não é uma calúnia, resulta da apreciação dos factos conhecidos e divulgados na internet). E qual é então o “modus operandi” de Vieira? É simples: conhecer os pontos fracos de um conjunto de pessoas ligadas ao aparelho que gere, organiza e manda no futebol.
Qual o interesse disto? Aqui cada um que veja como entender. Eu vejo algum paralelismo entre esta “sede” de conhecer as fragilidades de quem pode ter interferência no sucesso ou insucesso futebolístico, e a sua forma de proceder enquanto empresário, tal como foi retratada no “famoso” livro (não publicado) divulgado por Pinto da Costa numa entrevista à RTP em 1 de Abril de 2010, “O águia do graveto”. Minar e tirar partido, foi uma das características que esse livro (não publicado, mas de que há referências na internet) evidenciou explicando como, pelo menos, um negócio fraudulento lhe rendeu uns quantos milhões de euros.
No Benfica actual parece existir a mesma cultura. Não me parece que seja uma cultura que enobreça o clube, mas dado que os “notáveis” agora não aparecem a dizer nada (como apareciam quando Vale e Azevedo era presidente a gerir um clube falido e sem receitas), dado que as sondagens dão uma enorme popularidade ao Sr.º Vieira, se calhar sou eu que estou a ver mal...


O país é um GACS


Dez dias depois da tragédia de Pedrógão Grande: 

1. A culpa das falhas de coordenação no combate ao incêndio já vai nos emigrantes que “são muitos e ligaram todos ao mesmo tempo”;

2. O Primeiro-Ministro, António Costa, continua firme na governança e hirto no silêncio;

3. Num exercício inenarrável de mau jornalismo, a SIC Notícias, ajuizando, apresentou-nos Passos Coelho como vilão, devido à ousadia de pedir desculpa aos portugueses, por uma afirmação não conformada à realidade; 

4. A mesma SIC Notícias manteve o silêncio sobre António Costa; 

5. Na sequência, ser bom jornalista é estar calado e ser estadista é calado estar;

6. Erro meu, má fortuna, e como mostra a História, pensava eu que um Estadista se distinguia na acção;

7. Ao fim de todo este tempo, jornalisticamente relevante não é investigar quem e qual a razão de alguém ter dito, no início do incêndio, que a ignição se deveu a uma "trovoada seca" e não a "mão criminosa" e ter-se papagueado tal sem confirmar a veracidade ou questionado sobre tão rápida "descoberta";

8. Ao fim de todo este tempo e no meio desta saga, jornalisticamente relevante é investigar e descobrir quem é Sebastião Pereira, para o meter na linha do código deontológico;

9. Assunção de responsabilidades? Continuo sentado.

23 junho 2017

(futebol) Conto de fadas?



Portugal 23 de Junho de 2017

É cada vez mais difícil para mim, escrever o que quer que seja sobre o nosso Benfica. Estou do outro lado da verdade oficial que sustenta a actual liderança do Benfica clube e SAD, mas reconheço o direito às pessoas serem felizes, como neste momento devem estar, na sequência de um novo triplete de títulos, o segundo após 2014. E não me parece que eu deva continuar a ser uma espécie de “desmancha-prazeres” pondo o que penso à frente do que a esmagadora maioria de adeptos sente.
O triplete (Supertaça, Campeonato e Taça de Portugal) foi conseguido de forma tão categórica quanto difícil, com uns “pozinhos” de sorte aqui e ali, que não devemos ignorar porque para azar já bastou 2013.
Se a Supertaça está lá longe, vitória sobre o Braga por 3-0, o Campeonato é mais recente e por ser a prova mais importante a nível interno, merece um pouco mais de atenção. Foi um campeonato ganho com muito sacrifício, esforço e dedicação, nunca podendo ser desvalorizado o papel dos adeptos no apoio à equipa, em particular nos momentos em que as coisas não saíam bem.
Apesar do muito “ruído” e alguma “azia” que as vitórias do Benfica provocam nos “rivais”, a realidade é que a estatística dá-nos uma perspectiva mais correcta do que se passou. Assim, na famosa matéria das grandes penalidades, o Benfica acabou a época com um total de 6-1 a favor e contra, o SCP com 12-4 e o FCP com 8-3. Se fizermos as contas à 1ª volta, o Benfica tinha 2-0, o SCP 2-1 e o FCP 4-0. Ainda não percebi bem quais as vantagens que o Benfica teve nas grandes penalidades, sendo certo que ficaram algumas por assinalar a nosso favor (eles apenas vêm uma ou outra que ficou por assinalar contra).
Se analisarmos os minutos jogados em superioridade numérica/ inferioridade numérica, concluímos que o Benfica acabou a época jogando 54mn em inferioridade e 2mn em superioridade. O SCP jogou 35mn em inferioridade e 104mn em superioridade. O FCP por seu lado, jogou 41mn em inferioridade e 281mn em superioridade. Mas se considerarmos o número de jogos onde isso aconteceu vemos que o Benfica teve os seus jogadores expulsos em 2 jogos (Rio Ave e Arouca, ambos em casa), e jogadores adversários expulsos em 1 jogo (Tondela em casa). O SCP teve os seus jogadores expulsos em 3 jogos (Boavista, Feirense e Chaves, tudo na 1ª volta) e jogadores adversários expulsos em 2 jogos (Moreirense e Arouca, também na 1ª volta). O FCP por seu turno teve os seus jogadores expulsos em 3 jogos (Rio Ave, 1ª volta, Boavista e Chaves na 2ª volta) e jogadores adversários expulsos em 10 jogos (7 deles na 1ª volta).
Nesta matéria de expulsões, ainda podemos concluir que o factor casa, no Benfica rendeu duas expulsões contra e uma a favor, no caso do SCP rendeu uma expulsão contra e duas a favor, no caso do FCP rendeu zero expulsões contra e cinco a favor. Onde está o beneficio? Vejamos ao contrário. Fora de casa Benfica e SCP tiveram zero expulsões a favor, mas o FCP teve 5...
Por aqui não consigo perceber onde é que o Benfica foi beneficiado e se tomarmos como referência os anos do Apito Dourado, onde por cada época, o FCP beneficiava de mais minutos em superioridade numérica e menos minutos em inferioridade numérica, ao invés do Benfica, e beneficiava de mais penaltys a favor e menos contra, enfim, até acho algum paralelismo esta época que findou, mas com o FCP e não com o Benfica.
É certo que estes indicadores são o que são, e valem o que valem. Mas na época 2004/2005 ouvi Rui Santos dizer no seu programa de então na SIC, a propósito da derrota do Benfica em Leiria por 1-0, onde existiu um flagrante penalty por assinalar a favor do Benfica (sobre Sokota) que Rui Santos quis escamotear, que “no final do campeonato, os erros a favor e contra equilibram-se”. Então o que mudou em relação a esse ano? É fácil: o Benfica passou a ganhar mais! E agora vemos o próprio Rui Santos, qual investigador de arbitragem, formado na “Faculdade Himself”, repetir lances televisivos até à exaustão para provar que ficou por assinalar um penalty contra o Benfica. Se admitirmos que não ficou senil não sei explicar esta diferença de atitudes e de critérios.
O Benfica ganhou também a Taça de Portugal que estreou o famoso vídeo-árbitro. Vá lá saber-se porquê, e será apenas mais uma coincidência, dos dois lances para grande penalidade favoráveis ao Benfica nenhum foi considerado válido pelos dois árbitros que estavam a ver pela TV. Eram eles Jorge Sousa e Soares Dias, do CA Porto (outra coincidência). Soares Dias trazia consigo o curriculum de não conseguir marcar 1 único penalty a favor do Benfica em toda a época (só em Alvalade teve 2 boas hipóteses e uma menos boa hipótese). Jorge Sousa marcou um penalty contra o Benfica, e a favor do Aves, na longínqua época de 2006/07 por um lance semelhante ao que agora, vendo pela TV, considerou não ser (o jogador no relvado toca a bola com o braço).
Por estas razões a próxima época adivinha-se um “bocado” mais difícil, e perante estes cenários, em vez de ajudar, a política de gestão dos activos futebolísticos, ainda a irá tornar mais difícil...

08 junho 2017

THE BEAUTIFUL AND THE SAINTS


Se bem que as penas destas avezinhas sejam no geral (e no particular) o mais possível diferentes das minhas, contudo, de vez em quando depara-se-nos uma observação que encontra em nós o seu eco e anuência.
Tais coincidências, sempre raras, apesar da natural e cultivada indiferença da opinião do próximo que a cartilha do discreto manda exercitar, não deixam todavia de ser gratas e até tranquilizadoras, por isso que, nas palavras do cínico antigo, não convém uma pessoa permanecer muito tempo onde ninguém se parece com ela; e «un alma necesita respirar almas afines, y quien ama sobre todo la verdad necesita respirar aire de almas veraces» (Ortega y Gasset, El Espectador, I, «Verdad y perspectiva»).
Pois a última destas raridades deflagrou-a uma observação de Francisco José Viegas, por alguma coisa um liberal à moda antiga, amigo ou porta-voz de António Sousa Homem, por sua vez um antigo e um liberal; observação, ainda assim, prudentemente envolvida pelo bom Viegas entre parêntesis no meio do artigo do Correio da Manhã, de 3 de Maio, a saber: «(o betão de Fátima é a prova da imensa capacidade da igreja de hoje para ignorar a beleza)».
E tenho pensado nisso, tanto mais que, ultimamente, como preparação de próxima viagem a Itália, ando lendo sobre a arte italiana.
Desde os tempos do Renascimento, quando a Igreja patrocinava os grandes artistas, até aos tempos desta modernidade ou pós-modernidade, quando a Igreja encomenda à artista Joana Vasconcelos um terço gigântico à laia de obra de arte comemorativa do centenário das aparições (ou visões? Eis a magna questão do momento), a Igreja mudou, e não me parece que para melhor. Parece-me que faltam pecadores na Igreja, quer dizer, na hierarquia. Fazem falta príncipes da Igreja verdadeiramente dignos desse nome; os cardeais e papas de agora serão muito santos, mas bacoreja-me que sem a chama da volúpia do belo, «sempre rubra, ao alto, a arder», num Júlio II ou num Leão X. Os de agora afiguram-se-nos muito boas pessoas, santos decerto, mas apagados para a beleza. E toda a gente perde com isso, até a Igreja: «Não olheis aos vossos pecados, mas à fé da vossa Igreja», já dizia o seu mentor. E como pode haver fé sem a grande arte, deuses imortais! Música, pintura, arquitectura… Se não fosse a Igreja, onde estavam três quartos da Arte Ocidental?! Encomendam a Siza barracões industriais à laia de Igrejas, para não tornar à nutrida artista Joana Vasconcelos, que confunde o tamanho XXXL da sua roupa com o volume das suas putativas esculturas. Reserve-se urgentemente uma cota no colégio de cardeais a pecadores de boas famílias por amor da arte. – S. O. S., seja, mas também S. O. A.
O que é triste é que os experimentalistas, em vez dos artistas, tomaram conta dos departamentos culturais da única entidade que continua a gastar dinheiro com música e escultura, o Estado. Fazem falta os grandes mecenas privados. A Igreja, entregue a santos, desamparou a grande arte. Por desventura, os santos, ou são por via de regra, senão exigência de ofício, ignorantes, ou estão mais preocupados com a beatitude; e os outros, os aristocratas magnificentes, são uma espécie extinta. Os ricos actuais mostram-se ordinariamente incultos e até crassos, mingua-lhes a criação e o refinamento apurados por dez gerações ininterruptas de gente opulenta, entendida e requintada. É pena – porque para a arte é melhor ser belo do que santo, ainda que seja melhor ser santo do que feio.  
Hoje, porém, o pior de tudo ainda é a subserviência perante o «Artista» (com maiúscula). Hoje, qualquer enzona se encampa por obra de arte porque a mera experiência substituiu a obra.
Mas não faltam os Mozarts potenciais. O que falta é um arcebispo de Salzburgo que trate o artista como um criado; genial embora, mas criado.

Porque uma vez e sempre se confirma que a «arte nasce de constrangimento, vive de luta, morre de liberdade»: excelentemente André Gide. 

07 maio 2017

(futebol) Perto de quase tudo e do quase nada...


Portugal 7 de maio de 2017

Devido a uma conjugação de resultados e ordem dos jogos, o Benfica está numa situação que tanto nos pode aproximar definitivamente do “Céu” como nos pode manter perigosamente perto do “Inferno”…

O futebol tem destas coisas. Ganhando, o inédito tetra fica praticamente garantido. Perdendo ou empatando, a conquista do título continuará a depender de nós, mas já sem margem de erro. E os dois últimos jogos (Guimarães e Boavista) não são propriamente fáceis…

Tenho mais de meio século de idade. Nunca vi o Benfica ser tetra campeão. E quando mais jovem, não dava valor aos bi ou aos tri campeonatos, porque o Benfica era melhor e ponto. Por isso agora que podemos estra na antecâmara de um feito inédito, não sei que dizer. Ganhar? É a parte mais fácil, mas sabemos que as vitórias dependem de tantos fatores, não bastando a qualidade ou a entrega dos jogadores…

E se o árbitro erra ao favorecer um golo contra nós, golo esse que depois condiciona a confiança e movimentação dos nossos jogadores? Golo esse que empola a confiança do adversário que passam a ser mais eficazes? E passando a ser mais eficazes dão a sensação que são melhores do que na realidade são? E condicionando a confiança dos nossos jogadores pode dar a sensação que estão a jogar menos bem do que são capazes?

Nestas alturas de desespero emocional, é fácil dizer que se marcarmos mais um golo do que o adversário, ganhamos. Há muitas verdades “la palissianas” no futebol…


O Benfica está a um pequeno passo de fazer história. Que não falte a inspiração, dedicação, esforço, motivação… E que se faça história!

13 abril 2017

(futebol) Cair na real...



Portugal 13 de Abril de 2017

O cântico dos Super Dragões, uma claque legalizada, desejando a morte aos atletas do Benfica vem provar que o ódio cultivado nesse clube não se resolve com as posturas brandas e de conciliação como tem sido apanágio das sucessivas Direcções do Benfica, em particular deste “reinado” que dura há 15 anos. Nos últimos tempos assistimos a um bombardeamento de argumentos mentirosos, manipulados e interesseiros, do director de comunicação do FCP, aos quais o Benfica com a costumeira indolência não reage, levando a que essa mentira muitas vezes repetida se transforme em “verdade”, levando os adeptos desse clube a odiar ainda mais o Benfica porque a “justiça” contra nós (segundo eles) não funciona.
As posições conciliadoras do Benfica só servem os interesses mediáticos, com implicação positiva na imagem e influência, do Presidente Vieira, pessoa que continua a passar por entre os “pingos da chuva” na hora de assumir responsabilidades por vários fiascos. Como este, da falta de respeito mortal que alguns imbecis do FCP mostraram.
Os que antigamente diziam que o “mau trato” de que o Benfica era alvo por parte de SCP e FCP se devia à falta de credibilidade de Vale e Azevedo, têm de cair na real, porque isso nunca foi argumento. Esse argumento foi sim utilizado para minar a confiança dos sócios e adeptos na sua liderança, e criar condições objectivas que levaram à eleição dos dirigentes que aprovaram e têm gerido o actual projecto económico que, como sempre denunciei, só é favorável aos interesses dos minoritários. Andamos a pagar para outras empresas lucrarem, e muita gente do Benfica também, porque nestes negócios há sempre uma cadeia de cumplicidades e dependências.
Mas cair na real é o que também têm que fazer os que entusiasticamente apoiaram a saída de Jorge Jesus para a entrada de Rui Vitória, porque alegadamente 1) JJ se tinha oferecido ao SCP, 2) JJ não apostava na Formação. A renovação com Rui Vitória em Março derruba todos estes argumentos. Porque não houve igual critério em Março de há 2 anos, com o Benfica comodamente instalado na liderança do campeonato, finalista da Taça da Liga, embora eliminado da Taça de Portugal em casa pelo Braga e não tendo progredido na Champions League (adversários Mónaco, Bayer Leverkusen e Zenit)? Com um plantel de fraca qualidade, reforçado com o campeonato a decorrer com entrada de Samaris (jornada 5) e de Jonas (jornada 7) era possível pedir mais a JJ? Creio que não. Contudo não houve renovação nem conversas sobre isso, ao contrário do que agora existiu com Rui Vitória. Vieira não queria renovar com JJ. E porquê? Isso é outra história.
Sobre a aposta a Formação caiam na real! Com a entrada de Rui Vitória e porque interessava repisar que JJ não apostava na Formação, promoveram Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Victor Andrade. Com falta de opções a meio campo e menor rendimento de Guedes e Andrade, entrou Renato Sanches em Novembro. Com as lesões dos centrais entrou Lindeloff em Janeiro. Este ano não só Vieira despachou Victor Andrade e João Teixeira (duas das prometidas apostas), como vendeu Gonçalo Guedes e não promoveu ninguém! Porque a cassete era apenas para enganar os adeptos do Benfica. Afinal JJ, bicampeão, saiu porquê?
Quanto a futebol a goleada sofrida em Dortmund também serviu para cair na real. Equipa para disputar a Champions? Só se for no campeonato da divida financeira, porque desportivamente apenas vai dando para consumo interno e nem sempre. Fizemos um trabalho meritório na fase de grupos, com dois grupos acessíveis ao nível dos adversários do pote 3 e 4, e cumprimos. Mas parece-me pouco para quem deve 300 milhões à Banca e apenas se gastaram 100 milhões no estádio e no Centro de Estágio do Seixal.
O campeonato está na recta final. Faltam 6 jornadas. Espero não ter de cair na real...