04 agosto 2007

Concordo com Paulo Moita de Macedo


O nome que consta do título deste post, dispensa apresentações, pois já todos recebemos em nossa casas cartas assinadas por este senhor.

Em entrevista concedida ao jornal Expresso de hoje, sexta-feira (mas que só chega aos leitores Açoreanos no final de sábado, quando não mesmo no Domingo), o Paulo Moita de Macedo afirma que os ordenados do PM (cerca de 7 500 euros) e do PR (á volta de 10 000 euros), não são condizentes - entenda-se, são muito baixos - com importância e prestigio dos seus cargos. Adianta que, qualquer jovem na área do markting e publicidade, ou um gestor de uma multinacional ou da área da banca, pode ganhar facilmente o que ganha, por exemplo, o PM, tendo este último uma função de muito maior responsabilidade e reconhecimento social.

Pois é justamente neste pequeno tópico da entrevista (que ainda não li, mas que vi e escutei um trecho na SIC-N), que eu me revejo, subscrevendo-a por inteiro.

Não seria elegante o próprio servir-se do seu exemplo, mas aquando da certeza da sua saída da DGCI, escrevi aqui um post manifestando o meu desagrado face a essa evidência, precipitada pela impossibilidade do seu salário ser superior ao do PM.

Ora, este caso espelha bem (pois o supra referido já deu provas de grande valor), que se a Administração Pública quer ter bons quadros, tem de os remunerar convenientemente, sob pena de os perder todos para o privado. Mas, ao falarmos de cargos como os de PM e PR, esse desfasamento salarial, em relação á importância e responsabilidades dos cargos que exercem, é ainda mais evidente.

Como podemos aspirar a ter bons políticos, bons idealistas e decisores, gente com provas dadas, sem reconhecer e valorizar em termos remuneratórios, a importância, dignidade e responsabilidade – bem como o desgaste e exposição pública -, que tais funções implicam e requerem?

O Exercício do Poder concedido pelo povo, é de uma enorme responsabilidade e exigência.

Quem tem experiência profissional, quem cultivou a aprendizagem e, depois, acumulou saber pela prática em determinada área, é quem está em melhores condições de desempenhar funções executivas e que regem os destinos de um país. Mas essas pessoas, que devem inicialmente sentir-se movidas por um desejo de serviço público, de contributo para as suas sociedades, também devem ter o merecido prestigio e dignidade de ver o seu contributo e mais valia reconhecidos, insisto, também, financeiramente.
Há que elevar a politica ao patamar que esta merece, pois a sua correcta definição identifica-a como “uma arte de governar um Estado”, que visa a “organização superior da vida em sociedade” estabelecida em função de um objectivo comum.

A não ser assim, corremos o risco de perder muitos milhões de euros (refiro-me ao brilhante e eficaz trabalho de Paulo M. Macedo), de ficarmos na cauda da Europa, de continuarmos a um défice acima dos 3%, e uma Administração Pública pesada, pois quem nos Governa sabe menos do que quem comanda as empresas privadas, e quem nos representa dentro e fora de portas, é incompetente e incapaz de fazer face aos, cada vez maiores, desafios que temos de enfrentar. (não falta muito para acabarem os Fundos Europeus, depois temos de nos valer a nós próprios…….e ajudar a “alimentar” mais um ou outro)

Contra os incapazes e mal preparados boys do partido, que aspiram a ser “políticos de carreira”, que só sabem “fazer politiquice”, temos de administrar uma contra-politica de brio e competência no exercício de cargos políticos, com dignidade e honradez, que vise, somente, o serviço público e uma “organização superior da sociedade”. Mas essa contra-politica tem o seu preço.

Sugestões: uma vez que não sou especialista na matéria limito-me a uma; e proponho um corte, para metade, no número de deputados da Nação e Regionais. Seriam suficientes, podendo ser mais bem pagos e em exclusividade. Consequentemente acabavam-se as reformas dos deputados ao fim de 8 anos (pois Sócrates acabou com o direito a reforma/pensão mensal vitalícia ao fim de 4 anos), e idênticas regalias para outros detentores de cargos políticos e/ou os tão falados casos dos Administradores do Banco de Portugal e da CGD. Hã, passavam todos os politicos a fazer descontos, para uma futura pensão de reforma, com as mesmas regras de qualquer outro cidadão. (não serão coisinhas destas que afastarão pessoas competentes da politica, mas que saem muito caro ao erário público)

4 comentários:

Pedro Lopes disse...

Errata: mal publiquei o post dei com o erro no nome que consta do titulo do Post.´

È obviamente PAULO MOITA DE MACEDO

Rui Gamboa disse...

Estou de acordo com o que escreves, como aliás já falámos em privado.

Sobre quanto ganham o Presidente dos EUA e o PM inglês, sugiro estes dois sites (um é mais fidedigno que o outro).

http://blogs.guardian.co.uk/news/archives/2007/06/05/how_much_should_the_prime_minister_be_paid.html

http://pessoas.hsw.uol.com.br/questao449.htm

Devo dizer que a discussão sobre as diferenças entre os ordenados no privado e nos principais cargos públicos também existe nesses locais. Penso que a UE, por ser mais recente, já tem outra organização, já alertada para essas situações.

Anónimo disse...

Companheiro, "nem Deus, nem Chefe", é nas apreciações que estes gajos sobrevivem,a lama deles.
Companheiro, esta é a época em que a política acaba. Nenhum veneno vive sem ensaio, ou sobrevive a ele.
Companheiro, identifique-me ai um especialista que não tenha uma especialização em si mesmo.
Companheiro, tenha saúde e não preste respeitos senão a pai e mãe

Pedro Lopes disse...

Bem, caro companheiro anónimo, temos aqui a sua "crónica das desilusões".

Talvez, depois dos meus pais me terem tirado a fralda, não tenha nunca deixado a razão superar a utopia.

Obrigado por me chamar á realidade :)