20 outubro 2007

Não ao referendo

Depois de assinado o Tratado de Lisboa no dia 13 de Dezembro, pode-se começar, oficialmente, a indagar sobre a forma como os Estados-membro o vão ratificar. Entre as duas opções: aprovação parlamentar e referendo, sou claramente a favor da primeira. A construção europeia não se fez até agora com o recurso a referendos, foi feita com a coragem de alguns líderes políticos. Imaginemos que, aquando da passagem para o Euro, a Alemanha levava a questão a referendo, concerteza que nunca haveria aprovação popular. E tantos outros exemplos podem ser dados.

Se a questão for levada a referendo, os partidários do “não” usarão como argumentos os actuais problemas internos por que o País passa. Dificilmente a discussão se centrará na questão central. Por outro lado, o crónico afastamento da população portuguesa das questões europeias, levará certamente, a mais uma “vitória” esmagadora da abstenção.

Como é evidente a fórmula democrática não se deve esgotar no modelo representativo, mas esta é uma decisão puramente política.

O problema da promessa que Sócrates fez na campanha eleitoral é outro. É um problema de populismo no seu pior, para o qual o primeiro-ministro terá de encontrar uma solução engenhosa, mas como se sabe, de “Engenheiro”, Sócrates só tem o título.

6 comentários:

Anónimo disse...

O referendo, propriamente dito, nada importa, as maquinações dos cães burocratas, em fila, atingirão os seus objectivos, que se resumem ao designio maior da refeudalização da Europa, substituindo duques por deputados. O que realmente deve merecer a nossa atenção, digo que, pelo menos, merecerá a minha é a necessidade de determinar se alguma vez mais uma promessa na boca de um governante valerá sequer a réstea de esperança de que ela se concretize.

Anónimo disse...

De um blog inexistente "Finalmente, o grande capital e seus criados, o poder político e os tribunais, conseguiram fazer a festa no cemitério com a qual sempre sonharam. Assim, os mortos, em número de vinte e sete, poderão finalmente erguer-se, para dançar ao som de uma melodia simbólica de cifrões, cantada com todos os cânones e arabescos legais, tendo por executantes estafermos com o pardacento hábito de tocar de costas para o público."

FV disse...

O referendo neste momento é uma falsa questão.

SB disse...

exacto. não podia estar mais de acordo. o uso recorrente do referendo como meio de protesto popular é um forte argumento para a aprovação parlamentar ao qual não é alheio -porventura é mesmo a sua origem - o facto do povo ser alheio e até averso às grandes questões europeias.

Anónimo disse...

alguns exemplos da aversão do povo a tudo o que lhe diz respeito:
O domínio filipino.
A implementação da república.
O 25 de Abril.

O uso do referendo deve ser tão recorrente quanto o necessário. Quem me promete uma coisa, deve cumprir o que prometeu, chama-se respeito. Pelos vistos o engenheirozeco sabe bem o que faz, quando proibe manifestações populares. Lamentavelmente instalou-se uma razão nova, que é ao mesmo tempo uma forma de dissuasão, " a razão politica". Muito consciente de si, muito pragmática. Muito semelhante à razão inquisitória.Os representantes, mesmo os de Deus, precisam de perceber que o que lhes é dado, pode ser retirado a qualquer momento.O povo não é aveso a nada, anda é suficientemente ocupado a trabalhar. Quem chega a casa depois de doze horas de trabalho, às vezes precisa de descansar.A qualidade de vida para a qual o povo foi empurrado, faz-me acreditar que se consuma aquela máxima que diz que as pessoas, primeiro, preocupam-se em sobreviver.

Anónimo disse...

Errata Pessoal: Avesso