21 dezembro 2007

Autoridade Desprezada

Há poucos dias, assistimos a uma agressão a um arguido em prisão preventiva, isto em pleno Tribunal Judicial de Ponta Delgada, enquanto aguardava pela hora de ser presente ao Juiz. O único representante da Autoridade era um guarda prisional que acompanhava o recluso, que teve, ele próprio, de se refugiar para não levar com algum soco ou pontapé mal direccionado.
Porquê? Por falta de verba para assegurar a presença de, pelo menos, um agente policial com meios adequados para manter a ordem pública no local onde se administra a Justiça.

Hoje noticiavam na TV, que o teto de uma esquadra do Comando da PSP do Porto ruiu, atingindo dois infortunados agentes daquela força de autoridade. O SNP – Sindicato Nacional da Polícia, veio – e a meu ver bem -, denunciar as condições precárias em que trabalham aqueles que levam a cabo uma importante obrigação do Estado, a de promover a segurança e manter a ordem pública.

Os meios e remunerações dos nossos agentes policiais são francamente insuficiente em face das actuais exigências e funções que detêm as respectivas forças policiais. (seja PSP, PJ, GNR, SEF, SIS).

Há mais criminalidade e esta é mais sofisticada. Tem melhores meios e usa subterfúgios cada vez mais elaborados. E – a maior e mais perigosa arma –, não respeita códigos de ética ou moral, não se rege por princípios democráticos, antes autoritários e de poder territorial, sem olhar a meios para atingir os seus fins………….normalmente em busca de dinheiro, seja para comprar a dose diária, ou ou Porche Carrera 4, ou tão-só o domínio do seu Bairro.

Consta que os agentes, por exemplo, da PSP, têm de pagar toda a indumentária de serviço, bem como o prejuízo de um acidente de viação (em carro e hora de serviço, claro). Parece-me que trabalham horas a mais, entenda-se extraordinárias, sem receber um tostão por isso. Talvez, digo, talvez, depois de umas 30 ou 40 horas, lhes dêem o “bónus” de um dia para tratar de assuntos pessoais.!!?

Enfim, com estas (más) condições, aquilo que vislumbro são agentes policiais cada vez mais desmotivados e desacreditados, enquanto os criminosos, de cabeça erguida, se pavoneiam nos seus carrões e montadas de escape livre, com os cordões de ouro ao pescoço e as garinas giras lá da zona.

O país já conheceu as noites do parque, depois ouviram-se rumores de noites rosadas, seguiram-se as noites em tons de azul, e as mais recentes noites brancas……que noites se seguirão?

Porque não levar o Aeroporto para Alcochete e “desviar” os 2 ou 3 mil milhões de euros que os estudos prevêem que o Estado poupe se for essa a localização escolhida pelo Governo para o novo aeroporto internacional de Lisboa, para dar formação, equipamentos e condições de trabalho à altura da dignidade e importância de tais funções – promoção e manutenção da segurança e ordem pública?

1 comentário:

Rui Gamboa disse...

Neste domínio, o Governo de Sócrates é mesmo à esquerda. Há muitas áreas em que Sócrates está mais à direita, que anteriores governos, mas no que respeita à segurança, impera o tão conhecido problema que a esquerda sempre teve relativo à autoridade.

Entretanto, os "brunos pidás" vão fazendo das suas e só quando entram em guerra uns com os outros e esses assuntos "transpiram" para a sociedade civil, é que se remedeia (mal, diga-se, porque o remédio em sempre pior que a prevenção).