22 junho 2009

Voto obrigatório? O Bloco resolve!

Se há partidos que devem a sua existência ao 4º poder, a escolha assenta como uma luva no BE.

O BE era visto, inicialmente, como aquele grupinho de malta porreira que nos fazia rir por mandar umas bocas giras, que emprenhavam os ouvidos e até davam para contar umas anedotas, e pela solidariedade com a malta das "brocas", em plena violação legal, no Chiado, perante o ar complacente da Lei e da Ordem. Uns patuscos, portanto!

Pelo meio, dois ou três dirigentes intelectuais, de falinhas mansas e conivências jornalísticas, foram aparecendo aqui e ali, principalmente na televisão, em programas onde os deixam expor a doutrina, sem qualquer interrupção ou pergunta mais incómoda que evidencie as contradições.

Sem nada a perder, e sem perspectivas de algum dia terem responsabilidades maiores do que a de nos fazerem sorrir, a rapaziada acha agora que deve ser levada a sério, não percebendo que a sua essência e a sua razão de êxito assentam no simples facto de ninguém os levar a sério.

Talvez seja esse o nosso erro, pensarmos que eles só existem para se queixar e não para governar.

Olhando para aqueles patuscos com olhinhos de carneiro mal morto, até parece que estamos perante aqueles cachorrinhos recém-nascidos, tão fofinhos que não se pode deixar de gostar deles!

Vai sendo tempo de começarmos a esgazear o jocoso sorriso, até porque o Pregador Laico, com um despautério directamente proporcional à respectiva convicção, o disse:

LC - Gostava de ser primeiro-ministro um dia?
- Eu disputo a eleição para a formação do Governo.
ARF - Para ser primeiro-ministro?
- Com certeza.

Perante a possibilidade de a memorável Albânia do camarada Enver Hoxha ficar à distância de uma cruzinha, resolve-se, desde logo, a questão do voto obrigatório, por legitimação popular ad aeternum.

Pessoalmente, por razões óbvias, começo a considerar, seriamente, a possibilidade de emigrar. Quase, por enquanto...

3 comentários:

r. disse...

Só de pensar na possibilidade, fico com arrepios...

Por outro lado, estou certo, seria algo com vida curta, pois imediatamente surgiriam curto-circuitos, entre o blá-blá-blá e a dura realidade.

Pedro Lopes disse...

Caro José,

o Bloco combina bem com a juventude irreverente, mas já não vai tão bem com quem já conhece a subjectividade do sistema e das politicas. Os assunto, por vezes, não são tão lineares como parecem. Ser oposição é muito fácil....é só malhar no sistema vigente, e lançar uma achas utópicas de quando em vez.

Não será por acaso que um destes dias ouvi uma proposta de um Bloquista a reivindicar o Voto a partir dos 16 anos. Pois, pois, mais uns votitos de uns quantos adolescentes no calor da puberdade.

Faz lembrar um certo anúncio: parece que é, mas não é. Que gosto que satisfação, o Bloco é o Partido que aquece o coração.....o problema é que arrefece a razão. ;)

Tiago R. disse...

É perigoso subestimar o Bloco, as suas percentagens eleitorais obrigam-nos a levá-los a sério.

Até porque a sua indefinição ideológica e discursos camaleónico (e a quantidade de jornalistas que são seus militantes, claro!) tornam-no uma eficaz máquina eleitoral.

E, depois de ter falhado o objectivo para que foi criado (destruir o PCP), vira-se agora contra o seu criador, roendo o eleitorado do PS. Se calhar está na hora de o largo do Rato fechar a torneira (especialmente a do financiamento) a Louçã.