02 setembro 2009

D. José Policarpo disse, o que todos constatamos

D. José Policarpo, já nos habituou à sua atitude e frontalidade. É um homem de fé inabalável, e demonstra que não tem medo das palavras. Fala segundo a verdade da sua confissão, embora esta por vezes doa e caia mal a certos sectores e outras religiões. Quem não se recorda da sua alusão à submissão a que são sujeitas as mulheres debaixo do véu de uma união com um muçulmano?

Agora o desabafo, em tom de admoestação, tem como alvo os “padres e bispos que decidem pelas suas cabeças”. O cardeal-patriarca de Lisboa fala para dentro, relembra os mais desatentos que "o sacerdote é chamado a pôr-se totalmente ao serviço da edificação da Igreja, com tudo o que é e tudo o que tem". Mais, contesta aqueles que “permanecem egocêntricos quando reivindicam autonomia de critérios, na gestão dos afectos, no estabelecer de prioridades, na atitude perante os bens materiais".
Este sacerdote diz, inclusive, que "muitas vezes o pastor assemelha-se mais a um gestor de empresas do que ao pastor que conhece as pessoas, com os seus problemas próprios e o seu ritmo de caminhada". Quantos de nós não conhecem padres que encaixam que nem uma luva nesta descrição/ repreensão feita por D. José Policarpo?

Eu sou capaz de identificar alguns. Não são raros os padres que não se abstêm dos prazeres mundanos, que se passeiam em carros de alta gama e cilindrada, que fazem gala das suas vestes de marca, e que apreciam o reconhecimento público. Não faltam sacerdotes que relegam para segundo plano os seus fiéis, pois as suas funções públicas dão mais prestigio e são mais bem remuneradas. Outros há que até têm piscina em casa!!!…..se não for por vaidade e luxúria, talvez seja por bondade, para confessar as donzelas lá da paróquia em dias de muito calor….

Se estes a que me refiro não enfiarem o barrete que o cardeal-patriarca lhes oferece, então são ainda piores do que os pecadores que contestam nas missas dominicais, e são merecedores da excomunhão que a Igreja reserva aos mais vis prevaricadores.

Se a Igreja conhece, nos dias que correm, uma menor adesão de fiéis aos seus templos, este facto deve-se, também, a estas incongruências de que fala o patriarca da Sé Lisboeta. Na sua óptica, parece-me lúcido quando afirma que "não se evangeliza esse mundo identificando-nos com ele e cedendo aos seus critérios, nem propondo-lhe formas de ser que já não o interpelam".
A Igreja tem os seus valores, e cabe a quem escolhe a vida sacerdotal apregoá-los e viver segundo as suas regras. A Santa Inquisição já lá vai, e ninguém é queimado numa pira por não comungar dos seus valores, nem tão-pouco por abandonar as suas fileiras.

Por isso, quem não se sente bem na pele de cordeiro, que a dispa, e enverede por outros caminhos. Um homem que deixe de sentir que o seu destino é servir a Deus, é livre de despir a batina. O que é descabido é um homem querer continuar a passar-se por cordeiro, quando já se sente uma ovelha tresmalhada, e quando todos à sua volta já lhe despiram essa pele.

Fonte: Jornal Público

5 comentários:

Luisinha Faxineira disse...

Meu querido, eu conheço alguns padrecos de batina Armani.

Numa abordagem sociológica de algibeira diria que vêm de famílias com poucas posses, cujos filhos a única possibilidade para terem uma vida desafogada era através da entrada no Seminário. A maldade desses pregadores do ouro é totalmente revelada quando apregoam os valores de quem lhes besunta as mãos, de quem está no poder e lhes dá poder.

Depois tornam-se em directores de museus, com comportamentos típicos de um qualquer bom-vivant. Numa região onde o catolicismo é a religião dominante, onde mais de 90% da população é católica, é no minimo um insulto esse tipo de comportamento.

Dispa a batina, sr. padre, dispa a batina e assuma de vez que aprecia os prazeres terrenos, não há qualquer problema nisso, seja quais forem os seus prazeres preferidos. Mas dispa a batina. Não se aproveite mais da situação.

Marx dizia que a religião é o ópio do povo. Neste caso, eu digo que o pregador é a sanguessuga dissimulada do povo.

João Cunha disse...

Frugal e com lágrimas de crocodilo... comecemos com os Bispos, os altos eclesiásticos da Igreja.

Já fizeram as contas aos milhares gastos nas vestes, nos acessórios que adornam o bispado?

José Epitélio disse...

Este Cardeal Cerejeira é mais simpático que o outro. Todavia, só me lembro que este senhor não impediu que o Dalai Lama fosse a Fátima dizer rezas em árabe contra o nosso governo
Lopes, não dê publicidade a este senhor

Pedro Lopes disse...

Caro João Cunha,

de facto as vestes e adornos desses altos representantes da igreja representam, seguramente, uma enorme despesa. Se me perguntar se estou de acordo; respondo-lhe de imediato que não.

Caro José Epitélio,

o objectivo não foi dar "publicidade" a D. José Policarpo. O objectivo, foi pegar nas suas palavras para ilustrar as incongruências entre o que defende o Cristianismo, e a forma pouco católica e sem moral como é posto em prática pelos seus "pastores". E quando esta constatação é feita por um alto representante da Igreja, é a prova viva de como a situação é grave e do conhecimento dos seus responsáveis.

Ó josé, vai ter de me explicar melhor essa do Dalai Lama ter ido a "Fátima dizer rezas em árabe contra o nosso governo". :)

José Epitélio disse...

Não se lembra que foi preciso que o nosso santíssimo Papa João Paulo II impedisse que o Dalai Lama fosse rezar a Fátima. Ecumenismo é comunismo.
Os fiéis de hoje não podem ousar tentar mudar os regimentos milenares do cristianismo, sob pena de castigo do divino.
Basta ver que os tempos estão mudando. Já não são o que eram.