25 abril 2014

(25 de Abril) Pás de Portugal

A democracia tem o condão de permitir que todos nós possamos dizer aquilo que na alternativa nem nos atreveríamos a pensar. Em circunstâncias normais, bastaria esta ideia para percebermos tudo o que devemos ao dia em que ela foi restaurada, depois da letargia iniciada em 05 de Outubro de 1910.
 
Para que não se pense que há confusão de datas e de factos, 1926 e Salazar são consequências directas da instauração da República e da ditadura polvilhada de anarquia, violência desmesurada, torturas e assassinatos, perseguições pessoais e políticas a todos os que pensavam diferente e ao caos económico-financeiro que o Partido Republicano impôs a Portugal.
 
(Entre a manipulação e a ignorância, nós, portugueses, confundimos República com Democracia e Monarquica com Ditadura, mesmo que todos os dias vejamos ou ouçamos a evidência do contrário, desde as ditaduras republicanas vigentes na Venezuela, em Cuba, na Bolívia ou na maioria dos países africanos às monarquias democráticas existentes em Espanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica ou Inglaterra.)
 
Porque mediáticos, materialistas e ignorantes da nossa História e do que nos rodeia, sortilégio nosso é deixarmo-nos arrebatar pelos discursos ocos e frases populistas de alguns que por aí pululam como “pais da pátria" e que sabem que nós somos assim: gostamos da letargia, acomodados naquilo que nos bandejam.
 
No dia da Liberdade, um dos "pás" que nos últimos quarenta anos tem sido servido pelo Estado arregimentou uns quantos apaniguados e, porque a Democracia lhe permite isso, discursou. E ainda bem que o fez. Ficamos todos a saber que eleger aqueles que não são do agrado dele (ou deles, porque ele foi o instrumento vocal) não é democrático e que, a continuar assim, eles, os "pás", entendem como legítima uma inssurreição militar para repor a "democracia de Abril".
 
Atávico, este "pá" jamais perceberá o que é poder escolher livremente quem nos governa, jamais perceberá o que é ganhar ou perder eleições, jamais perceberá o que é a diferença de opinião, jamais perceberá o que é a democracia, mesmo vivendo nela e dela. Afonso Costa ou Salazar têm ali um lídimo representante.
 
Quarenta anos depois, ainda ignoramos a História. Quarenta anos depois, ainda aturamos os "pás" e os seus dichotes. Quarenta anos depois, o Abril deles é diferente do meu. Ainda bem. Quarenta anos depois, mesmo a contragosto deles, a Democracia funciona.


3 comentários:

Anónimo disse...

Caro Goncalves
Será louvada a democracia da mentira do embuste e do formalismo bacoco que pensa que introduzir um voto numa urna depois de serem bombardeados com promessas que não são cumpridas, com atropelo ás mais elementares leis democráticas, igualmente fruto do sistema e do formalismo que uns tanto apreciam, depois de serem ameaçados nos empregos, se não afinam no diapasão dos senhores do poder, depois de tudo isto e muito mais sentimo-nos calmamente em "democracia" mesmo que a nossa palavra só seja aceite se afinar pela dos nossos amos, tudo isto na mais serena paz podre, isto sim é que é "democracia"...
Vamos supor que esta é que é a mais pura democracia, tudo bem, mas onde fica o direito democrático que devia suportar esta democracia, quando os contratos são rasgados se tiverem como contra-parte os trabalhadores e respeitados à exaustão se têm por consorte a grande finança os agora amigos "perigosos comunistas Chineses ou Angolanos" a troika os mercados etc, etc...
Vamos diabolizar à vontade a republica de então, como se as Monarquias deste tempo não tivessem iguais ou piores podres,
Esta satisfeito com o desgoverno deste governo, esta na sua razão, mas deixe no mínimo que outros estejam descontentes quando lhe roubem o salário e lhes impossibilitem com este roubo pagarem os seus compromissos, se o Governo tem que pagar os seus compromissos, será que os seus contribuintes não têm que fazer o mesmo?
Na minha modesta opinião o Povo sujeita-se incompreensivelmente a este saque com a mais surpreendente calma, que exista pessoas que queiram mais supervivência é obra, mas quando se viu um "urso a andar de bicicleta" já se admite tudo.
Este governo é composto de malfeitores e qualquer comparação com o que se viveu é pura coincidência, desde logo porque a maioria dos actuais governantes nunca fizeram nada na vida e têm proventos injustificados, neste contexto vir a contrapor seja o que for é um indecente oportunismo que não lhe fica bem, desde logo porque(mesmo com ideias diferentes)me merece o máximo respeito e simpatia.
Açor

Anónimo disse...

caros maquinistas

hoje só vos posso elogiar. Este blogue é o único livre nos Açores. Vocês escrevem sobre quilo que muitos pensam mas têm medo de dizer. É pena que o vosso partido não aproveite as vossas capacidades para deixar de ser correto. Talvez os socialistas andassem mais contidos na mentira e na manipulação.
Parabéns pelo texto.

Anónimo disse...

Caro Goncalves
Que democracia é que funciona?
É possível que seja a sua, a democracia é como o 25 de Abril cada um pode reivindicar um diferente para si, tal qual o pensamento ele quer-se livre e tal como o outro dia achava e bem que os fascistas deviam ter liberdade de pensamento, todos os outros devem ter no mínimo igual oportunidade.
Será uma constatação de "comunistas" que este governo, desgoverna e que a sua continuação é um grave prejuízo para a Nação?
Um relatório do banco de Portugal, duma economista que agora não me lembro o nome, mas fervorosa apoiante da austeridade em geral,(Olga Cardoso suponho) diz que esta austeridade em concreto, não resolveu nada e agravou tudo...
Pode dizer que as eleições são feitas de quatro em quatro anos, e os governos resultantes destas são para durarem durante este tempo, mas será licito este governo divulgar um programa que é o contrário de tudo o que ele tem feito?
Não será um embuste a maioria obtida por este governo, ter sido baseada num programa fantasma que não saiu do Papel?
Se considerarmos este programa a base dum contrato entre os eleitores e o governo, não será pelo menos, em direito condição para rasgar o contrato?
Se as eleições fossem hoje, haveria alguma possibilidade desta coligação obter uma maioria?
Será que com todo o processo de embuste do governo, ele mantêm alguma legitimidade no seu governo?
Se retomarmos os conceitos jurídicos será que perante um mal maior(a destruição do País)não será legitimo a acção directa com vista ao derrube deste governo?
Que posição tinha em relação ao governo de Sócrates, achava que ele devia ter cumprido a legislatura?
Mesmo quando se desconsidera um personagem politico, manda as boas maneiras que se chame pelo respectivo nome o sujeito visado, que personagem é que lhe causou toda esta ira?
Não sei se os amigos do presidente, do BPN e militantes do PSD, lhe causam a mesma alergia, quando nos obrigaram a pagar para cima de 8 mil milhões de euros que desbarataram de forma fraudulenta devido à criminosa gestão do BPN.
A democracia pode ser eleger e ser eleito, mas seria muito pouco se não fosse muito mais do que isso, não sou só eu que digo, pessoas tão disparas como Freitas do Amaral, Adriano Moreira, Manuela Ferreira leite, Eanes e tantos outros e que eu saiba não estamos em presença de nenhum perigoso "comunista" mesmo a lista de setenta personalidades que se opõem a este governo, serão maioritariamente da direita ou da esquerda "moderada" seja lá o que isto for....
Não tenho muitas dúvidas que este governo irá governar até ao fim, mesmo que isto traga um prejuízo incomensurável ao País, mas penso que é de salutar "higiene mental" sugerir a sua substituição, pois de outro modo estaríamos na classe dos alienados e masoquistas que nos limitávamos a dar corpo ao complexo de carneiro...
A liberdade começa e acaba em pormos tudo em causa mesmo as nossas convicções mais profundas para no fim verificarmos se elas resistem à comprovação e ao debate democrático.
Mal estaria o Mundo se os que fizeram o 25 de Abril não questionassem o período conturbado que se vive hoje, em que se aproxima a passos largos para índices de pobreza e desenvolvimento que eram comuns antes de Abril.
A democracia formal não é circunspecta ao voto nem domina as convicções das pessoas nem o sentido cívico de justiça e intervenção social e politica.
Saudações
Açor