28 maio 2006

O Futuro da Educação

Faz-me muita impressão as medidas que são tomadas em relação aos professores. E mais impressão me faz o facto da classe não agir para garantir os seus interesses.

Uma das medidas que, em princípio, irá entrar em vigor no próximo ano, passa por um aumento da carga horária semanal de 26 para 35 horas. Pode-se discutir que mais nenhuma classe trabalha tão poucas horas, mas a questão não é essa, a questão é o aumento da carga horária. A diminuição da carga horária semanal tem sido conseguida, ao longo dos anos, pela luta e intervenção dos representantes das classes (sindicatos) junto do poder. Assim é inacreditável, que se pense em aumentar a carga horária em 9 horas, em apenas, um ano e os sindicatos não façam nada.

Outra pretensão é a avaliação dos professores. Que tem de haver algum mecanismo que garanta que os professores sejam avaliados e que não caiam na falta de profissionalismo, que por aí se vê, isso é certo. Mas quando ouço que quem vai fazer essa avaliação são os pais, a coisa muda de figura. Ouvi o representante da Associação de Pais a dizer que, hoje em dia, os pais são advogados, médicos, etc e que podem fazer esse trabalho. Pode-se dizer que além disso, os pais também são pessoas com menores capacidades literárias. Mas a questão não é tanto essa, a questão é que a avaliação dos pais irá estar sempre influenciada pela nota que o professor dá ao filho. O que cada vez mais ouço da parte dos professores é que irão passar todos os alunos, bons e maus, para não caírem no risco de perderem o seu emprego.

A incapacidade dos sindicatos em imporem os interesses dos seus membros é, na minha opinião, a principal causa, esse é o seu trabalho. E os professores são uma classe que tem os meios para impor os seus interesses, pela sua quantidade e pelo o facto de poderem, se quiserem, parar o ensino e assim o desenvolvimento da sociedade.

O futuro de qualquer sociedade reside nos seus jovens, se não se tomarem medidas para que eles sejam bem formados, o país irá perder, cada vez mais, no Mundo competitivo em que vivemos.

20 comentários:

PP disse...

Caro Rui permita-me discordar, em termos gerais, do que aqui dizes.
Os professores não passam, como deves saber, todas as 35 horas semanais a dar aulas.
O facto de só terem cerca de 24 horas de periodo lectivo, faz com que muitos deles, em vez de utilizarem essas outras 9 horas semanais para investigar e preparar as aulas, se limitem a tratar das suas vidas e não da dos seus discentes.
Quanto aos sindicatos não terem muito poder de reivindicação, penso ser falso. Eu tenho a percepção de que os sindicatos de professores são dos que mais força reivindicatva têm, pelas questões que apontas-te, entre outras.A importância social é que dá força aos sindicatos das várias actividades profissionais.
No que toca à avaliação dos professores, penso não poderem ser os pais os únicos a fazer esse trabalho. Podia fazer-se como nas unoversidades. Um professor reconhecidamente competente e com provas dadas, seria o responsável por determinada àrea (natemática, portuguÊs, história, etc)e supervisionaria os seus colegas/assistentes.
Assim haveria uma uniformização do programa leccionado e dos meios pedagógicos.
E, caro Rui, concordo plenamente que os jovens são o futuro da nossa sociedade, mas penso que obrigar os professores (como qualquer funcionário) a passar as suas 35 horas semanais na escola, junto dos seus alunos, e asseciveis aos pais. Assim se assegura que os alunos estejam mais controlados nas horas escolares. Exemplo das aulas de substituição, que não são mais do que colocar professores que não estão nas suas horas lectivas a supervisionar os alunos nas horas em que os seus colegas faltaram.
Claro que aqui há muito a dizer, como quais os professores que se colocam a dar as várias disciplinas, o que fazer nestas horas. Mas alargar-me-ia muito.

O que eu não defendo é que os professores, por terem tal importância social, se sintam melhores dos que os demais, ao ponto de reivindicarem para si um regime de excepção em relação ao congelamento de carreiras na função pública.

Muito há a dizer sobre este tema.

Um abraço

PP disse...

Rui, quando falo das 35 horas semanais, é porque os professores, como qualquer funcionário público, têm de efectuar 35 horas por semana de trabalho. Por isso me refiro ao entendimento que vinha sendo dado por muitos professores, que em lugar de aproveitarem esses tempo, que já lhes é pago, para a preparação/investigação, o passanvam fora da escola.
O que agora o governo pretende é, justamente a meu ver, que esse tempo seja passado no seu local de trabalho, na escola.
Não esqueçer que osprofessores têm os mesmos periodos de férias de que os alunos, com menos uns dias de reuniões. Já têm tempo de sobra para gozar a vida, e qundo se pedem sacrificios a todos os Portugueses, também tem de lhes tocar a eles, como tocou e bem, aos Juizes e outros.
Por isso, a questão que pões no inicio é falsa. Não se trata de aumentar a carga horária em 9 horas, mas sim que estes passem mais 9 horas no seu local de trabalho, mais uma vez, as Escola e junto dos alunos.

turn on the machine

PP disse...

Música: Dire Straits, grande banda, grande guitarra, mas escolheria outro tema.

Mas, atendendo a que estás em maré romântica por via do casamento, estás desculpado (eheheh)

Abraço e Felicidades

Rui Gamboa disse...

Caro PP, eu posso falar com algum conhecimento, pois a minha mulher é Educadora de Infância, minha Mãe foi professora,tenho uma cunhada e um irmão que são professores.

O que se passa é o seguinte:é óbvio que o melhor seria que fizessem o seu trabalho na escola, mas as escolas não dão as condições. Eu posso atestar que os professores (pelo menos os que eu conheço e que são competentes, mas sei que são uma minoria) passam muito mais, do que 35 horas por semana a trabalhar em material escolar, em casa. E eu próprio disse-lhes, quando saiu essa notícia, que trabalham poucas horas e que devem ficar na escola, todos eles dizem-me que na escola não rendem, não há condições.

Quanto à força de um sindicato e o dos professores em particular, é medida pelo número, pela representação nas área de decisão, pelo conhecimento técnico das questões e principalmente pela capacidade de poderem parar a sociedade para fazerem valer os seus interesses. Quando se permite que se aumente em 1/3 o horário, quer se concorde quer não, está-se a fazer um mau trabalho, porque não estão a perder na luta dos interesses daqueles que representam.

A qualidade do nossa educação é péssima e o futuro está aí. Se bem que já tenha havido um grande avanço, principalmente, em zonas como Rabo de Peixe, assim não há capacidade de lutar com países como Eslovénias e polónias onde o nível de literados capacitados é muito maior que Portugal.

Rui Gamboa disse...

Posso dizer também que os professores são de má qualidade. Pelo menos a minha experiência (refiro-me ao ensino secundário, apenas) foi péssima, os professores não querem saber dos alunos e não têm o dom de ensinar e de cativar os alunos.

O facto dos pais terem a capacidade de decidir sobre o futuro de um professor, para mim é assustador. O conhecimento que tenho da actualidade diz-me que os professores preferem passar a maior parte dos alunos, pois se as notas forem más, são chamados. O que acontece nessas 'reuniões' é tudo menos tentar perceber porque não passarm os alunos, mas sim uma luta de egos e vaidades.

O modelo de avaliação de professores universitários no EUA penso ser bom, pelo que me dizem, têm que realizar trabalhos de investigação e apresentar em revistas da sua especialidade.

PP disse...

Caro Rui, e quanto às outras questões que levantas? O aumento de horário, e a falta de poder sindical?
Concordas comigo quando digo que assim, com os professores nas escolas, disponiveis para os alunos e pais, e para colmatar as faltas de colegas no acompanhamento e supervisionamento dos alunos, assim, dizia eu, é que conseguimos melhorar a qualidade de formação dos nossos jovens, do nosso futuro.
Quanto aos pais avaliarem o desempenho dos professores, penso não ser a solução, pelos aspectos que já mencionaste e pelo facto dos pais não terem acesso (penso eu) a todos os dados para assim aferirem da competência pedagógica (pois é disso que se trata)do docente.
As notas dos filhos ou um ou outro relato do que se passa em sala de aula feito pelos filhos aos pais, não pode ser suficiente para avaliar a capacidade de um professor.

ezequiel disse...

bye bye boyz!!

PP disse...

where did you go, my friend?

PP disse...

please dong go, don´t gooooooo, don´t go away...


....há ir e voltar

Rui Gamboa disse...

PP, eu concordo contigo. Agora temos que pensar é como se chega a uma solução, eu não acho que deva passar por estas alterações ao estatuto dos professores, porque vão ficar descontentes e com razão e vão desempenhar pior o seu trabalho. Para melhorar o seu desempenho e fazer com que fiquem na escola a atender os pais e muito mais do que isso, é preciso criar as condições. Na prática o que vai acontecer é que o professores vão ficar na escola e não vão conseguir trabalhar como trabalham em casa, na preparação de aulas e em investigação, vai ser uma situação onde todos perdem. E parece-me estranho que o sindicato, que existe para fazer valer os interesses dos seus membros, não o faça.

PP disse...

Caro Rui, concordo que, para um professor passar mais tempo na escola, se tenha de criar condições para que isso aconteça.
É necessário acabar com a tradicional "sala dos professores" e criar salas/gabinetes por áreas cientificas ou até por disciplina, onde os professores tenham espaço e comodidade para fazer tal trabalho. Até se podiam criar pequenas bibliotacas temáticas em cada sala/gabinete.

Não defendo que o professor esteja sempre disponivel para receber os pais, mas, e eu sei do que falo, mas 45 minutos por semana parece-me, manifestamente, muito pouco.

També sei que são raros, muito raros, os professores que se mostram disponiveis para esclarecer dúvidas de alunos, pois quando acabam as aulas saem do recinto escolar.

E, Rui, dizer que os professores vão ficar descontentes com estas novas regras e que isso se refletirá no seu trabalho, logo na formação dos seus alunos, parece-me pouco sério. Então e os outros 700 mil funcionários públicos que também foram afectados por medidas de "aperta o cinto", e os funcionários do minist+ério da justiça que tÊm perdido imensas regalias (tais como sistema de saúde próprio, isenção de pagamento de transportes públicos). E os Juizes, com a questão das férias judiciais. E os polícias com falta de meios, que MORREM em serviço. E os políticos que perderam (e muito bem) as suas "reformas douradas".

Não Rui, não me parece sério. Não me parece atitude de gente responsável e civica.

A ser assim há que alertar o Sócrates, porque estas medidas sanarão as finanças públicas mas destruirão qualquer virtude que o nosso povo tenha. (piadinha, em tom de exagero)

Muito há a dizer....ó Rui levantaste muitas questões...

ezequiel disse...

acho que vais gostar disto..

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Rui Gamboa disse...

Meu caro PP, todas essas medidas que enunciaste têm finalidades diferentes e podem ser discutidas em separado, agora se falarmos sobre esta em particular, penso que a resultado prático será o descontentamento e, consequentemente, um pior serviço.

O ensino é uma das funções do Estado. Falaste em 700 mil funcionáriios públicos??? Bem, eu nem sabia o numero, sabia que a máquina estatal era enorme, mas não tão grande. Quer dizer que 7% de toda a população portuguesa, está na funçaõ pública?? Incrível. Isso é que não me parece nada sério.

Não se deve retirar privilégios ou, piorar as condições de trabalho, só porque sim. Só porque os outros ramos da funçaõ pública ( os enormes e desnecessários) estão a perder as suas regalias.

A mim parece-me uma previsão séria, dizer que os professores vão fazer um trabalho pior e a formação dos jovens também.

PP disse...

È verdade Rui, os nossos Funcionários, aqueles que asseguram as Funções do Estado são, mais milhar menos milhar,700 mil. Representam mais de 10% da população activa portuguesa e, se somarmos as prestações sociais, consomem 33% do nosso PIB. São números de Medina Carreira, credíveis, portanto. Daí o facto deste ex-ministro das finanças, defender a diminuição deste peso dos actuais 33 para 25,5 % do PIB. Estes 7 pontos percentuais, representam um corte de 10.000 milhões de euros. Parece incrivel, mas continuam a ser números de Medina C.
Já discutimos esta questão noutro post sobre o Estado, mas gostaria de reafirmar que, há organismos públicos que são dispensáveis ou podem ser centralizados, maternidades e escolas que saem muito caro e prestam um mau serviço que se devem extinguir, benefícios sociais que carecem de maior rigor e controlo, isto para não falar em TGV e OTA. Bem, adiante.
Em relação à seriedade da questão: professores descontentes = desmotivação e pior formação, devo dizer-te amigo Rui que mantenho o que disse. O bom profissional, aquele que gosta do que faz, e por isso, se sente motivado, não deixará que a culpa das medidas governamentais seja "paga" pelos seus discentes. Como disseste, e bem, para isso existem os sindicatos e as greves. Estas são as formas que profissionais sérios e conscientes dos seus direitos e DEVERES, utilizam para fazer valer os seus direitos e reivindicar regalias.

PP disse...

Em relação a alguns exmplos que dou de perdas de regalias em outros grupos profissionais, devo dizer que concordo com quase todaas essas perdas. Somos um país pequeno e sem recursos naturais, o que nos (entendasse Estado) torna muito dependentes das receitas dos impostos. O petroleo está como todos sabemos: mais 35 dólares do que em igual periodo do ano passado. Caminhamos para os 100 dlr barril.
Temos uma dependência (não fui pesquisar os números...não é relevantepela sua grandeza)de, talvez, 90% em termos energéticos, do petróleo e do gáz. Como endireitar, de forma mais rápida do que se se forem criar alternativas a essa dependência, as nossas finaças públicas, senão cortando, como disse e bem Medina c., nas despesas com o pessoal do Estado e as prestações sociais?
Também eu concordo.
Como concordo com uma uniformização dos vários sub-sistemas de saúde que havia dentro dos trabalhadores públicos, com o corte dos subsidios de compensação pagos às companhias de transportes para que os funcionários do ministério da justiça pudessem andar de garça nos transportes, com o fim da ideia do "Juiz" intocavél, do principio do fim do super-lobby das farmácias, e com a grande parte das medidas desta ministra da educação. Podem criticá-la, mas eu recolheço-lhe coragem.

O que não concordo é quando dizes que: "A incapacidade dos sindicatos em imporem os interesses dos seus membros é, na minha opinião, a principal causa, esse é o seu trabalho. E os professores são uma classe que tem os meios para impor os seus interesses, pela sua quantidade e pelo o facto de poderem, se quiserem, parar o ensino e assim o desenvolvimento da sociedade.
Já tinha dito aqui que pensava que os sindicatos de professores eram dos que mais poder reinvindicativo tinham, pelas razões que apresentas nesta frase, no entanto, os sindicatos têm feito o possível para impor as suas reivindicaões; já promoveram greves e manifestações, entre outras iniciativas. Mas, como sugeres tu, "parar o ensino e assim o desenvolvimento da sociedade", volto a dizer que não é sério. É autoritarismo, é falta de dever civico,é chantagear o Estado.

E se os Juizes deixassem de Julgar durante um ano por causa das férias judiciais. Até devem ter autonomia financeira para o fazerem, se não tiverem quem terá?
E se os médicos, nas suas greves, deixassem de prestar serviço de urgência e com isso, tentassem culpar o Estado por este não atender Às suas reivindicações.

NÃO TEMOS O DIREITO DE PREJUDICAR TODA A SOCIEDADE SÓ PORQUE O ESTADO NÃO "DÁ OUVIDOS" AOS NOSSOS INTENTOS.

PP disse...

Para terminar uma frase clássica: A minha liberdade acaba onde começa a do outro

Um grande abraço Rui.

PS- Não sei se acabei por fugir muito à questão. Mas alarguei o dabate, pois as questões da Educação têm muito tempo de antenas nas TV´s, exactamente por força dos sindicatos e pelo tamanho da classe.

Rui Gamboa disse...

Tá bom PP, não fugiste pois todos os assuntos acabam por estar ligados, se bem que devam ser tratados separadamente.

Força com essas opiniões, my man!!

Anónimo disse...

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