04 julho 2006

O fim de Freitas do Amaral

A notícia que ganhou o primeiro lugar da minha atenção enquanto estive ausente foi o pedido de demissão do MNE.

As razões da sua saída não serão aqui discutidas por mim, porque são de ordem pessoal e da sua saúde, e eu compreendo.

O que pode e deve ser comentado é o percurso de Freitas do Amaral enquanto MNE, o seu papel no executivo de Sócrates e também o futuro do relações externas portuguesas nas mãos de Luís Amado.

Sendo um especialista em Direito Internacional, com um currículo invejável e tendo a experiência internacional que faltava a Sócrates e aos seus fiéis ( uma vez que António Vitorino disse não à chamada para um ministério), Freitas do Amaral foi apresentado como a estrela dos ministros de José Sócrates. O facto de vir do lado oposto do espectro político daquele do PS e de não estar ligado a nenhum partido, concedia a Sócrates uma vantagem na batalha eleitoral, que foi traduzida em resultados.

No entanto, o papel que Freitas do Amaral teve na vida política enquanto MNE excedeu aquilo que Sócrates esperaria dele, o seu peso e passado fizeram dele mais do que um funcionário político ao serviço do 1º ministro. Freitas nunca se coibiu de dar as suas opiniões nas mais variadas matérias sendo sempre coerente consigo e não tanto com o partido do poder. Neste sentido pode-se dizer que Freitas não acompanhou o progresso da diplomacia internacional, onde os representantes dos governos já não têm tanta liberdade de acção como tinham há algumas décadas, o avanço da tecnologia permite, hoje em dia, consultar imediatamente o governo central, antes de ter que tomar qualquer decisão. Os diplomatas já não têm aquela importância que tiveram no passado, nas relações internacionais.

O percurso de Freitas do Amaral enquanto MNE foi atribulado muito por sua culpa, tanto na questão dos imigrantes portugueses no Canadá, como na questão das caricaturas de Maomé e agora na questão de Timor e a relação com a Austrália. Freitas deu sempre a sua opinião publicamente e muitas vezes arrependeu-se, revelando alguma falta de sentido de diplomacia. A impressão que ficou foi sempre a de alguém que não acompanhou o desenvolvimento das relações internacionais, o que acaba por ser muito estranho, uma vez que Freitas do Amaral sempre deu a impressão de ser alguém que se actualizava.

Quanto ao futuro do MNE nas mão de Luís Amado, a primeira previsão que pode ser feita será que o MNE irá actuar muito mais em conformidade com as directrizes de Sócrates do que anteriormente, porque Amado será muito mais um funcionário do 1º ministro do que Freitas foi. Esta situação poderá ser benéfica para Sócrates nos desafios futuros da diplomacia portuguesa, como a situação em Timor e a presidência da União Europeia no segundo semestre de 2007.

2 comentários:

Anónimo disse...

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