28 agosto 2006

O belo e a consolação

Há um jovem arquitecto que, com alguma regularidade, assina umas crónicas no jornal Açoriano Oriental, seu nome é Rui Goulart (acesso à crónica só para assinantes). Se pelo nome não se chega lá, basta dizer que no topo das suas páginas há uma série de fotografias do próprio, que o representam, penso eu, em diferentes estados de espirito, ou talvez não seja isso, não sei, também não interessa.

Na sua última crónica, o dito rapaz faz uma dura critica a alguns estilistas de roupa, porque se aventuraram a fazer decoração de interiores. Segundo ele, essa é uma área onde só há qualidade nos projectos assinados por pessoas com Arq. antes do nome. Chega mesmo ao ponto de referir um certo estilista que decorou a sua própria casa de forma que ele acha “horrível”

Eu não sei se é horrível ou não o interior da casa desse estilista, pois nunca a vi, e se a visse até a poderia achar horrível, segundo os meus critérios, mas os meus critérios sobre o que é bonito ou não só servem para mim.

Há muitas pessoas iluminadas nas mais variadas áreas que acham que são os donos da verdade no que toca ao que é belo. Eu não consigo encontrar nada mais subjectivo do que o conceito de beleza. Portanto quando um tipo vem para o jornal, naquelas condições, fazer esse tipo de criticas, eu não compreendo.

A única consolação que encontro nisso é que o ‘grande’ Cláudio Ramos também o faz. E outros também o fazem em tantas áreas tão diferentes e com razões também tão diferentes. Ou é porque certa música, ou literatura se torna popular e logo perde a qualidade, ou é porque não têm um arq. antes do nome, etc.

1 comentário:

PP disse...

Caro Rui...Gamboa, também eu já tinha reparado nesse senhor arquitecto, não pelos textos, mas pelas enormes fotos, de camisinha justa e pose de modelo e, como mencionas, em diferentes estados de espiríto.
Não conhecerá, ou não lhe terão ensinado durante o curso, que na arquitectura existem diferentes escolas e correntes, logo com estilos, gostos, materiais e visões diferentes do trabalho que desenvolvem.
Uma licenciatura dá-nos base para desenvolvermos o nosso trabalho, mas nas artes - e os arquitectos gostam de se definir como artistas - há imensos executantes que não têm cursos superiores e o seu mérito é reconhecido por todos, inclusive por quem tem elevadas habilitações académicas.
O argumento da exclusividade aqui não colhe.
E se excluirmos a arquitectura do rol das artes, continuamos a não ter argumentos para defender a tese de que quem não tem Arq.; Dr.; Doutor; Eng.; Professor...ou outro qualquer prefixo, não pode desempenhar bem uma qualquer profissão, tenha ela um carácter mais técnico ou mais teórico. A prática e a observação, para já não mencionar o gosto pessoal e a dedicação a determinado tema ou área, podem, em minha opinião, conseguir melhores resultados do que um profissional que assine com prefixo.
No entanto é só a minha opinião, espero que o senhor arquitecto Rui goulart, tenha a humildade de reconhecer que aquilo que escreve não passa da sua opinião...e não de uma verdade

Cumprimentos