07 setembro 2006

Plano de Acção contra as "Drogas"

O Governo vai avançar com as “salas de chuto” em algumas prisões. Esta medida cria uma situação de paradoxo. É a constatação, por parte das autoridades competentes, que o sistema não funciona. A “droga” entra e é consumida nas prisões portuguesas, e isso é um dado adquirido. As soluções passam, não por evitar que esse negócio continue, mas sim por uma minimização de danos. A este propósito, Luís Filipe Menezes fez, na SIC Notícias, esta analogia “é como sabermos que o país vai arder todo, sendo a solução a criação de uma fronteira para proteger, pelo menos, as casas”.

Além das “salas de chuto” – ou como são oficialmente chamadas: salas de injecção assistida -, pretende-se introduzir nas prisões materiais como lubrificantes, kit’s de tatuagem e piercing, etc. Há uma mudança drástica na política direccionada a esses problemas, uma mudança ideológica, mesmo. É a confirmação que as políticas do passado não funcionaram, mas porquê? Porque não eram bem aplicadas? Porque eram interessantes na teoria mas inviáveis na prática?

A verdade é que 40% dos presos em Portugal consome “droga”; heroína, cocaína, sintéticas, para não falar em haxixe. Este numero irá aumentar, ou diminuir? Neste momento o que parece ser importante é a contenção das doenças transmissíveis. Será que o país já ardeu todo e vamos, apenas, salvar aquilo que é possível?

3 comentários:

PP disse...

Deixo aqui a meu comentário a um post de Alberto Peixoto, no seu Blog, a propósito de temática semelhente. Sou muito céptico em relação a todas as políticas de repressão e prevenção, pois não têm surtido o efeito desejado, que os jevens se afastem das drogas.

Em relação ás salas de injecção assistida nas cadeias, penso que mais vale assumir que não se consegue evitar a entrada de drogas nas cadeias, e começar a prevenir a dessiminação de doenças transmissiveis por via intravenosa, tais como as hepatites e o HIV.
E defendo esta ideia também fora dos estabelecimentos prisionais, pela mesma razão e por se poder esconder - digo esconder sem qualquer problema - o triste espectáculo de ver na rua pessoas a injectarem-se. Também tem a vantagem de se poder chegar mais perto de alguns toxicodependentes que, eventualmente, estejam à espera que alguém lhes dê a mão, lhes dê o incentivo que necessitam, para procurar tratamento.
Por vezes há que encarar os problemas sem falsos moralismos.

Caro A.Peixoto permita-me discordar, em termos gerais, do que aqui defende.
Não sou consumidor de drogas ilícitas, e não recomendo o seu consumo. Abomino os traficantes. Quanto a alcoól, bebo-o socialmente, o que no meu caso representa uma média de 3 ou 4 dias por mês, sem excessos. Cigarros, poucos, e 1 café por dias são as minhas dependências. Estas não representam nenhum risco social pois estão ao meu alcance, enquanto adulto, e os seus preços são acessíveis por serem legais.
Pois aqui, no preço das substâncias ilegais, vulgo drogas, é que, para mim, reside o cerne da questão.
è necessário não esquecer que a deliquência provocada por toxicodependentes à procura de dinheiro para as doses diárias é responsável por (não tenho dados oficiais), talvez, 70% dos nossos presidiários.
A droga nos Açores tem preços astronómicos, exactamente por sermos Ilhas, o que limita as formas de entrada e o risco dos traficantes, recaindo a dívida desta dificuldade no dinheiro que os toxicadependentes Açorianos têm de pagar pelo produto estupefáciente.
Esse dinheiro os toxicodependentes vão buscá-lo aos nossos carros e casas, ás nossas empresas e Igrejas, enfim aos bolsos de cidadão pacato e cumpridor.
Temos tido conhecimento de como, roubos feiitos por tixicodepenbndentes, inicialmente motivados por busca de dinheiro e bens de valor,terminam de forma dramática, com mortes e vítimas inocentes traumatizadas para sempre.
Os nossos turistas são alvos apetecivéis. Não só porque trazem dinheiro na algibeira, como não sabem identificar os autores do roubo, porque se vão embora em poucos dias e não voltam. Estes roubos a turistas terão reflexos futuros negativos.
Bom já me estou desviando do essêncial. Por muito que me custe admitir a Legalização de todas as drogas, não só das ditas leves, é um primeiro passo para tentar travar (o que não vai parar com a repressão)o tráfico de drogas e a marginalização dos seus consumidores, que promove os ghettos e incentiva a criminalidade.
Essa criminalidade está cada vez mais violenta pois as ressacas são maiores (devido à falta do consumo pelos preços elevados e dificuldade de aquisição)e os toxicodependentes entram numa "roda viva" que só para na cadeia pois têm muito pouco a perder, depois de já terem roubadoa familia e os amigos e cometido um número enorme de crimes, sempre em busca dos muitos euros necessários para "matar a ressaca diária".

São pontos de vista que suscitam muita discusão. Mas para mim este problema está longe de se resolver só com a repressão ou com a prevenção.

Sinceros Cumprimentos

22 Maio, 2006

Rui Gamboa disse...

"Essa criminalidade está cada vez mais violenta pois as ressacas são maiores (devido à falta do consumo pelos preços elevados e dificuldade de aquisição)e os toxicodependentes entram numa "roda viva" que só para na cadeia "

Meu caro PP, mas não para na cadeia. antes pelo contrário. Pelo q sei na cadeia é mais facil comprar droga!

O sistema está podre. Há uma clara conivencia do sistema prisioal, pois deixa q entre e q se trafique dentro das prisões, não é preciso salas de chuto nas prisões se não entrarem drogas, ou não? A solução agora arranjada é tipo de tapar buracos!

PP disse...

Rui, é justamente por não se conseguir impedir que as drogas continuem a entrar nas cadeias (pois creio que já tentaram o controlo/repressão apertado, para que estas substâncio não entrassem) que eu dcadeiaefendo que "com o país a arder que sba na caó ae salve/evite o que for possível".

Quando me refiro que a "RODA VIVA" só acaba na cadeia, não me refiro ao consumo, mas antes ao desespero do consumidor em conseguir os muitos euros para adquirir a dose diária. O consumidor não parará os seus delitos até ser apanhado. Assim criamos uma constante dependência do consumidor em relação ao(s) traficante(s).
Já reflecti muito, e esta é a minha conclusão.

Um abraço